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Dissertação Argumentativa vs. Artigo de Opinião: qual a diferença?
Dissertação Argumentativa vs. Artigo de Opinião: qual a diferença?
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Ensaio sobre Dissertação Argumentativa vs. Artigo de Opinião: qual a diferença?

Hey Leitores do Beco! Espero que esteja tudo bem com vocês! Estamos percorrendo por uma série de ensaios cujo objetivo seja auxiliá-los na realização de uma boa escrita.

Os textos mais comuns que são encontrados em toda área acadêmica são:

  1. Dissertação Argumentativa
  2. Artigo de Opinião

Antes de iniciarmos a análise da primeira parte da estrutura textual – Introdução, é preciso entender o objetivo de cada construção textual, ou seja, para que cada texto é usado? Qual veículo de comunicação é ele utilizado?

Dissertação argumentativa é uma produção textual puramente científica e teórica, portanto, todos os assuntos retratados por essa construção de ideias devem ser fundamentados em fatos históricos, pensamentos de teóricos e dados mediante pesquisas e gráficos. A principal característica que diferencia a tipologia textual dissertação do artigo de opinião, é a pessoa inscrita dentro do texto.

No Artigo de Opinião, a pessoa que é inscrita dentro do texto é a primeiro, isto é, pode se utilizar a primeira pessoa do singular/plural em todos os verbos que compõem o texto; já a dissertação não, esta é escrita e descrita pelos verbos em terceira pessoa o que garante a impessoalidade e a confidencialidade da criticidade e da ciência, isto é, o texto científico não foi regido por “achismo” ou senso comum, mas por uma base ideológico que se apresenta ao leitor por meio de provas.

Como o artigo de opinião é um tipo de texto comum em jornais e revistas [meio de veiculação de maior reconhecimento pelas massas sociais], o texto é escrito e descrito pelas primeiras pessoas tanto no singular quanto no plural. Entretanto, se for um texto exigido por uma banca de avaliação universitária por meio de vestibular ou concurso público, o seu texto em primeira pessoa deve ser escrito em primeira pessoa, mas fundamentado por gráficos, pesquisas provando um posicionamento pessoal, nada de senso comum.

Para ilustrar essa diferença entre tais textos, aqui vai um exemplo:

Exemplo 01 – Enem 2016
Acadêmica: Marcela Sousa Araújo, 21 anos

Título do texto: No meio do caminho tinha uma pedra

No limiar do século XXI, a intolerância religiosa é um dos principais problemas que o Brasil foi convidado a administrar, combater e resolver. Por um lado, o país é laico e defende a liberdade ao culto e à crença religiosa. Por outros, as minorias que se distanciam do convencional se afundam em abismos cada vez mais profundos, cavados diariamente por opressores intolerantes.

O Brasil é um país de diversas faces, etnias e crenças e defende em sua Constituição Federal o direito irrestrito à liberdade religiosa. Nesse cenário, tomando como base a legislação e acreditando na laicidade do Estado, as manifestações religiosas e a dissseminação de ideologias fora do padrão não são bem aceitas por fundamentalistas. Assim, o que deveria caracterizar os diversos “Brasis” dentro da mesma nação é motivo de preocupação.

Paradoxalmente ao Estado laico, muitos ainda confundem liberdade de expressão com crimes inafiançáveis. Segundo dados do Instituto de Pesquisa da USP, a cada mês são registrados pelo menos 10 denúncias de intolerância religiosa e destas 15% envolvem violência física, sendo as principais vítimas fieis afro-brasileiros. Partindo dessa verdade, o então direito assegurado pela Constituição e reafirmado pela Secretaria dos Direitos Humanos é amputado e o abismo entre oprimidos e opressores torna-se, portanto, maior.

Parafraseando o sociólogo Zygmun Bauman, enquanto houver quem alimente a intolerância religiosa, haverá quem defenda a discriminação. Tomando como norte a máxima do autor, para combater a intolerância religiosa no Brasil são necessárias alternativas concretas que tenham como protagonistas a tríade Estado, escola e mídia.

O Estado, por seu caráter socializante e abarcativo deverá promover políticas públicas que visem garantir uma maior autonomia religiosa e através dos 3 poderes deverá garantir, efetivamente, a liberdade de culto e proteção; a escola, formadora de caráter, deverá incluir matérias como religião em todos os anos da vida escolar; a mídia, quarto poder, deverá veicular campanhas de diversidade religiosa e respeito às diferenças. Somente assim, tirando as pedras do meio do caminho, construir-se-á um Brasil mais tolerante.

Fonte

Exemplo 02 – Artigo de Opinião
Autor: Desconhecido
Tema: Racismo

Ainda que grande parte da população brasileira seja descendente de negros, o problema do racismo está longe de ser resolvido.

No período colonial, Portugal trazia os negros da África para trabalharem no país em condição de escravos. Desde então, o racismo esteve incutido na mente de muitos brasileiros.

Embora a Lei Áurea tenha libertado os negros do trabalho escravo em 1888, a população negra apresenta os maiores problemas ainda hoje no país. Por exemplo, as condições de vida, o trabalho, a moradia, dentre outros.

Se observarmos as favelas do país ou mesmo as penitenciárias, o número de negros é sem dúvida maior. A grande questão é: até quando o racismo persistirá no nosso país?; pois mesmo séculos depois, ainda é possível nos deparamos com um racismo velado no Brasil.

A implementação de políticas públicas poderá resolver nosso problema, mas ainda temos muitos caminhos a percorrer. Infelizmente, creio que não estarei vivo para contemplar essa conquista.

Fonte

– Dissertação argumentativa:

  1. a) Colocação verbal – “torna-se”

– Artigo de Opinião:

  1. a) Colocação verbal: “observamos”, “deparamos”, “creio”, “temos”
  2. b) Pronomes possessivos: “nosso”

Outras características importantes:

– Artigo de Opinião:

  1. a) Uso de ironia, sarcasmo e crítica acentuada
  2. b) Assinatura do autor no final
  3. c) Títulos persuasivos e polêmicos

Outras características importantes:

  1. Impessoalidade
  2. Exposição clara dos argumentos, sem abordagem de ambiguidade

Espero ter ajudado! Até o nosso próximo encontro!

Ilustração de Poty Lazzarotto
Livros

Análise: Sagarana, de Guimarães Rosa

O autor de Sagarana (1946), João Guimarães Rosa (1908-1967), foi um dos maiores escritores da literatura brasileira. Não só escritor, mas sim prosador, isto é, um contador de histórias. Quando leio seus contos, imagino alguém me convidando a prestar muita atenção porque lá vem uma história que une fantasia e realidade e que, mesmo que mítica, não posso deixar de crer nela.

Guimarães Rosa era assim. Sua linguagem única, a ambientação sertaneja e suas histórias cativam gerações. Em 1967, três dias após a morte de Guimarães, Carlos Drummond de Andrade escreveu:

Guimarães Rosa

João era fabulista
fabuloso
fábula?
Sertão místico disparando
no exílio da linguagem comum?

“Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?”

No poema Um chamado João, Drummond colocou a essência do autor. Classificado cronologicamente como um autor da 3ª geração modernista, para mim Rosa é a união perfeita das duas gerações anteriores do movimento. Isso porque ele une a invenção na linguagem com as preocupações regionais da 2ª geração (representada por autores como Graciliano Ramos e Jorge Amado).

Em 1930, Guimarães foi médico na cidade de Itaguara, interior de Minas Gerais. Lá, teve contado com a ambientação que trará para suas obras: as cores do interior, sua natureza, povo, lendas, modos de vida e linguagem. Numa entrevista, o autor reconheceu que trouxe para a literatura suas experiências profissionais:

Sim, fui médico, rebelde, soldado. […] Como médico, conheci o valor místico do sofrimento; como rebelde, o valor da consciência; como soldado, o valor da proximidade da morte. […] Também configuram meu mundo a diplomacia, o trato com cavalos, vacas, religiões e idiomas.

NOVAS MANEIRAS DE SENTIR E DE PENSAR

Ilustração de Poty Lazzarotto

Com relação aos idiomas, Guimarães se mostrava um mestre: ele conhecia mais de 24 línguas. Só quem conhece tanto sobre um idioma, pode se propor a desconstruí-lo como o autor fez. Sua linguagem única é reconhecível à primeira vista. Repleta de figuras de linguagem como neologismos, aliterações, assonâncias, metáforas, hipérbatos – é uma prosa pra ser declamada, possui ritmo, cadência – configura-se, assim, como uma prosa poética.

A opção por este tipo de expressão não era ao acaso. Ela tinha a função de desestabilizar o leitor, retirá-lo da apatia, do lugar-comum, da prosa fácil de entretenimento. A obra de Guimarães é para ser desvendada e admirada em toda sua beleza.

Mas, o mais importante sempre, é fugirmos das formas estáticas, […] inertes, estereotipadas, lugares comuns etc. […] Não procuro uma linguagem transparente. Ao contrário, o leitor tem de ser chocado, despertado de sua inércia mental, da preguiça e dos hábitos. Tem de tomar consciência viva do estrito, a todo momento. Tem quase de aprender novas maneiras de sentir e de pensar. […] Não a clareza – mas a poesia, a obscuridade do mistério, que é o mundo. E é nos detalhes , aparentemente, sem importância, que estes efeitos se obtêm. A maneira de dizer tem de funcionar, a mais, por si. O ritmo, a rima, as aliterações ou assonâncias, a música subjacente ao sentido – valem para maior expressividade.

Esta linguagem não está presente apenas em Sagarana, mas também em suas outras obras como Corpo de Baile (1956) e sua obra mais conhecida Grande Sertão: veredas (1956).

GRAÇAS A DEUS, TUDO É MISTÉRIO

A obra aqui analisada reúne 9 histórias nas quais estão presentes os temas básicos de Guimarães: a aventura, a morte, os animais personificados, as reflexões filosóficas e existenciais, bem x mal, religião, mitos/lendas/ditos do sertão.

O nome é composto pela junção de dois radicais: saga (narrativa ou história lendária) + rana (do tupi: espécie de). As histórias presentes no livro são contos ou novelas (há quem defenda as duas nomenclaturas, porém, o próprio autor as chamava de novelas):

Já pressentira que o livro, não podendo ser de poemas, teria de ser de novelas. E – sendo meu – uma série de Histórias adultas da Carochinha.

É totalmente significativo o fato de Rosa chamar as narrativas como Histórias adultas da carochinha, já que nelas encontramos vários elementos da cultura popular (ditados, cantigas, lendas, fábulas) + o mito + uma linguagem que se assemelha à fala mineira. Tudo isso organizado pela poesia da sua escrita.

As histórias unem o mundo interior das personagens e coloca a natureza como uma extensão desse mundo. Ainda que o texto seja chamado de regional por alguns (por ser ambientado em Minas), a obra configura o que chamamos de regionalismo universalizante, já que traz reflexões sobre a existência humana que é comum a todxs. Como o próprio Guimarães escreveu em Grande Sertão:

O sertão é o mundo.

CADA UM TEM A SUA HORA E A SUA VEZ: VOCÊ HÁ DE TER A SUA

Ilustração de Poty Lazzarotto

Tentarei fazer aqui uma divisão temática dos contos e, logo em seguida, vamos analisar mais profundamente a última história da coletânea: A hora e a vez de Augusto Matraga.

  • Personificação das personagens animais: O burrinho pedrês Conversa de bois;
  • Epifania e crescimento das personagens: O burrinho pedrêsA hora e a vez de Augusto MatragaCorpo fechado, São Marcos Duelo;
  • Representação dos tipos que compõem o interior: Minha gente A volta do marido pródigo;
  • Natureza personificada: Sarapalha São Marcos.

A primeira (O burrinho) e a última (A hora e a vez) histórias do livro formam em si um clico, já que ambas apresentam a jornada do herói rumo ao (re)conhecimento de si mesmo.

Augusto Matraga conta a história de Augusto Esteves:

Matraga não é Matraga, não é nada. Matraga é Esteves. Augusto Esteves, filho do Coronel Afonsão Esteves, da Pindaíbas e do Saco-da-Embira. Ou Nhô Augusto – o homem – nessa noitinha de novena, num leilão de atrás da igreja, no arraial da Virgem nossa Senhora das Dores do Córrego do Murici.

No primeiro momento, Matraga é o mal personificado. Egoísta e tirano, sua vida irá mudar repentinamente quando a mulher (levando a filha) irá embora com outro homem, seus capangas o deixam para trabalhar para o coronel da fazenda ao lado e, por fim, é espancado pelos homens deste mesmo coronel. O narrador onisciente se intromete na narrativa para fazer um comentário a respeito de Nhô Augusto:

Assim, quase qualquer um capiau outro, sem ser Augusto Estêves, naqueles dois contratempos teria percebido a chegada do azar, da unhaca, e passaria umas rodadas sem jogar fazendo umas férias na vida […] Mas Nhô Augusto era couro ainda por curtir, e para quem não sai, em tempo, de cima da linha, até apito de trem é mau agouro. Demais, quando um tem que pagar o gasto, desembesta até ao fim. E, desse jeito, achou que não era hora para ponderados pensamentos.

“Nhô Augusto era couro ainda por curtir”, ou seja, ele terá que passar por todo processo de redenção para encontrar seu caminho neste mundo. Após este contratempo, ele irá ser resgatado por um casal de velhos que cuidará de suas feridas. Quando recuperado, eles partem para um lugar longe onde Nhô-Augusto não pode ser reconhecido.

Neste segundo momento, a personagem tenta se redimir a todo custo. Trabalha o dia todo, não fuma, não bebe, não faz sexo, apenas existe para ajudar ao próximo. Até que aparece um dia o cangaceiro Seu Joãozinho Bem-Bem provoca em Augusto os desejos já adormecidos. Não querendo voltar à sua vida anterior e não conseguindo mais suportar sua vida atual, Matraga parte como um messias, montado em um burrinho, deixando o animal escolher seus caminhos.

Como se estivesse predestinado a este terceiro momento, Matraga encontra novamente Seu Joãozinho e morre em duelo com este, salvando, assim, uma família que estava prestes a ser morta pelo cangaceiro.

A lâmina de Nhô Augusto talhara de baixo para cima, do púbis à boca-do-estômago, e um mundo de cobras sangrentas saltou para o ar livre, enquanto seu Joãozinho Bem-Bem caía ajoelhado, recolhendo os seus recheios nas mãos.

A novela trabalha constantemente a luta entre o bem x o mal. Seja uma luta exterior ou dentro do próprio Augusto. Interessante também notar como a hora e a vez desta personagem não se dá pelo recolhimento e pela pacificidade, mas sim, quando Matraga se entrega aos seus instintos. A redenção de Matraga é feita pela violência.

 

Espero que tenha se interessado pelo autor e pela sua obra. Termino aqui com mais um trechinho do poema de Drummond que acredito mostrar o encatamento que Guimarães Rosa produz em seus leitores:

Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
de se pegar.

Vestibular: Ensaio sobre tipologia textual - Beco Literário
Vestibular: Ensaio sobre tipologia textual – Beco Literário
Colunas, Histórias, Livros

Ensaio sobre tipologia textual

Após a primeira reflexão encontrada no primeiro texto publicado ontem aqui no Beco, é possível avançar mais um passo e perscrutar o que a arte da escrita nos reserva, ao separarmos algum tempo útil nos esforçando para entende-la.

Ao entender que todo escritor já rege seu pensamento através da escrita com o objetivo seja alcançar um público determinado, podemos entender claramente cada estrutura textual de vários tipos de textos diferentes, existentes e funcionais.

Parte da ciência que se responsabiliza a estudar e catalogar cada conhecimento relacionado a palavra e a textos, é chamado de Tipologia Textual. Para ser mais didático, entende-se que esta nomenclatura deriva da língua grega e separando cada centro vocabular se tem:

Tipo: propriamente dito o tipo, espécie, qualidade;

Logia: logos, ciência, estudo;

Textual: palavra que designa ao termo texto, tudo que se relaciona ao texto e palavras em formação de sentido;

Falando em tipologia – tipos, vários tipos, espécies de textos – vamos relembrar alguns que são mais comuns e rotineiramente encontramos no nosso dia a dia?

– Lembrete

– Mensagem (termo hoje substituído por whatsapp)

– Carta (tipo de comunicação esquecido pelas pessoas, mas substituído pela Carta Argumentativa usado em avaliações de vestibulares)

– Dissertação Argumentativa

– Artigo de Opinião

O tamanho do texto, a linguagem usada, a pessoa inscrita dentro da produção textual, tudo é diferente. Tudo. Entretanto, há uma particularidade singular entre todas as espécies de textos: introdução, desenvolvimento e conclusão, exatamente nesta ordem.

Já discutimos que os textos possuem o único objetivo de transmitir uma informação, algum tipo de conhecimento como em um diálogo falado (só que regido pela lei gramatica da escrita).

Logo, é possível entender que:

– Introdução: abordagem do conceito retratado na proposta temática a ser desenvolvida. Apresentação da discussão. Abertura do tema.

– Desenvolvimento: Exposição de fatos, acontecimentos históricos e pensamentos/frases de escritores e famosos. Conhecido como fundamentação teórica do texto, local onde se discute toda a base de argumentação da problemática retratada na proposta temática. Lugar de exposição de dados, pesquisas, testes, provas, gráficos. Argumentos.

– Conclusão: Posicionamento ideológico em relação ao tema proposto, ideia final, a conclusão dos argumentos discutidos no desenvolvimento. Opinião, as vezes em primeira pessoa, as vezes em terceira, mas sempre uma opinião. Proposta para resolver um possível problema do tema proposto, uma saída, argumento final que fecha toda argumentação.

No nosso próximo encontro teremos uma discussão de cada tipo de texto, mas apreenda o objetivo de cada estrutura textual, fixando cada função, será fácil reconhecer a problemática retratada em qualquer proposta e discorrer ideias a seu respeito com facilidade.

Livros, Resenhas

RESENHA: Círculos de chuva, Vol. 3, Dragões de Éter, Raphael Draccon

João e o pé de feijão. É com essa referência que começamos o terceiro volume da série Dragões de Éter, Círculos de chuva, e uma guerra se inicia entre humanos e gigantes pela posse do menino que pode ser Merlim reencarnado. Vamos com Axel para a Terra do Nunca e nos surpreendemos um pouco com a versão de Raphael Draccon para o Peter Pan. Snail junta seus garotos e vai atrás do maior tesouro do mundo e acompanhamos a saga de João em seus desafios para se tornar cavaleiro.

Não preciso nem dizer que estou enlouquecida pelo último volume que o Draccon tem nos enrolado há anos, mas, ao mesmo tempo, dá uma dorzinha no coração em saber que não verei mais esses personagens tão cativantes que eu mergulhei tanto na história. Me apaixonei pela escrita do Draccon e super recomendo. Não deixem se assustar pelo tamanho dos livros, realmente, vale a pena.

[SPOILER]

Sei que era necessário, que faz todo o sentido para a história e foi isso que salvou Arzallum na guerra, mas só eu acho que o Axel devia largar aquela elfa-amazona-guerreira e sei mais lá o que e ficar com a Maria??? Apesar de tudo, torço pelos dois e espero que a Livith morra para que o verdadeiro conto de fadas se realize. Sou muito má? (rs).

[/SPOILER]

Nova Éter é um reino mágico, onde todos os nossos personagens favoritos que aprendemos a amar durante nossa infância se reúnem em histórias que se entrelaçam. Raphael Draccon se mostrou o perfeito Criador, nos envolvendo nessa trama emocionante que nos leva para longe, direto para as terras de Arzallum, ou para o alto mar no antigo navio do Capitão Gancho, ou ainda mais além, para as Terras do Nunca, onde os elfos nunca crescem, a não ser um. Somos os semideuses que fazem tudo isso existir, simplesmente, por acreditar e, enquanto continuarmos acreditando, Nova Éter permanecerá viva e mais histórias fantásticas surgirão. Agora, me dão licença, que eu vou voltar para Arzallum e ficar hospedada no Grande Paço até o próximo livro. E um… Dois… Três.

Ensaio sobre escrever
Colunas, Livros

Ensaio sobre escrever

Escrever. O “homem”, em sua totalidade, vem usufruindo da arte da escrita há séculos, milênios. Criando um sistema configurado em vários elementos: letras, números, marcas de pontuações, regras gramaticais e diferenciando os vários produtos que se pode ter através do uso das palavras em textos. Vários tipos de textos. Tal variedade textual é, portanto, uma expressão dos pensamentos e sentimentos do indivíduo que organiza e reorganiza as palavras, ou seja, escreve. Mediante a esta reflexão, voltamos a ideia inicial deste parágrafo justificando o motivo do uso da escrita ser tão presente na vida das pessoas há tanto tempo. Libertar o que está dentro.

Escrever concede ao ser poder, poder de conquistar o que se almeja, poder de criar e viver várias vidas, inúmeras realidades, poder de sonhar, e o melhor, sonhar acordado. O ato de escrever nunca está sozinho, sempre bem acompanhado. A escrita é confidente da leitura, amante, companheira de jugo, fiel escudeira, a irmã gêmea, a outra parte da alma, enquanto a escrita se completa como “s”, a leitura é o “2” (“s2”, entendeu?, ironia).

“Uma palavra escrita é semelhante a uma pérola.” Johann Goethe

“A história é escrita pelos vencedores.” George Orwell

“Uma palavra escrita é a mais fina das relíquias.” Henry David Thoreau

“Uma vida bem escrita é quase tão rara como uma bem vivida.” Thomas Carlyle

É preciso entender a arte da escrita, e escrever diz respeito a regras, até para ser livre exige um comportamento a ser seguido, uma norma, algumas regras. Antes de entrarmos na análise de tipologia textual, é preciso refletir sobre o primeiro processo de escrita primeiro, a gênese.

A primeira avaliação a ser feita, é entender que toda escrita perfaz um sistema chamado de Situação Conversacional. Esse sistema nos ensina que todo emissor (seja aquele que emite pela fala ou pela escrita) precisa transmitir sua mensagem mediante a um código entendível ao receptor (aquele que recebe).

Vamos ilustrar!

Imagem: Divulgação / Google

Imagem: Divulgação / Google

Emissor: também conhecido como primeira pessoa, aquele que emite, aquele que escreve, aquele que fala, aquele que deseja transmitir alguma informação;

Receptor: também conhecido como segunda pessoa, aquele que recebe, aquele que lê, aquele que recebe a informação/conteúdo do emissor;

Mensagem: a informação que se deseja transmitir, o conteúdo;

Código: habilidade linguística, sistema linguística, língua em que a mensagem está fundamentada, língua em que o conteúdo ou informação esteja escrito ou falado;

Contexto: situação ou meio que o diálogo ou a escrita esteja acontecendo, a realidade temporal e geográfica;

Contextualizando esse conteúdo a nossa reflexão, todo emissor é escritor, e para escrever é preciso entender esse sistema básico, a escrita deve estar fundamentada em um código entendível ao leitor para que, ao ser lido, seja compreendido. Por exemplo, o emissor deste ensaio é o Gustavo Machado, o receptor é você leitor, a mensagem a ser transmitida é a respeito da prática da escrita e o código a qual está fundamentada é a Língua Portuguesa.

Simples, não é?

Antes de escrever qualquer palavra, qualquer texto, é preciso ter em mente esse sistema. Qual público quero alcançar? Qual mensagem quero transmitir?

Após refletirmos e encontrarmos as respostas para estes primeiros passos, pode-se avançar e perscrutar tudo aquilo que sua imaginação lhe permite.

Entrevista: Danilo Leonardi fala sobre "cura gay" e sua influência para o meio LGBTQ+
Entrevista: Danilo Leonardi fala sobre “cura gay” e sua influência para o meio LGBTQ+
Atualizações, Livros, Talks

Entrevista: Danilo Leonardi fala sobre “cura gay” e sua influência para o meio LGBTQ+

Quando me assumi gay para meus pais, lá em 2002, uma das primeiras coisas que eles disseram foi que seria uma boa ideia eu visitar um psicólogo. Ser gay não era uma declaração que se fizesse tão frequentemente naquela época, ainda mais aos 15 anos e sem qualquer experiência sexual prévia. Somado ao fato de que eu era socialmente inadequado e sofria segregação por colegas da escola, meus pais queriam ter certeza absoluta de que eu não estava enganado. É assim que Danilo Leonardi, youtuber e autor com dois livros publicados começa a expressar sua opinião sobre o projeto de lei que defende que psicólogos podem utilizar de terapias para a reversão sexual em qualquer pessoa que tenha interesse. Com um ponto de vista forte e engajado para se comunicar com jovens e adolescentes do meio LGBTQ+, Danilo conversou um pouquinho com o Beco Literário sobre tudo o que já passou e como tira lições de tudo isso para sua vida e para ajudar seus fãs. Confira:

Beco Literário: Você é uma figura pública e um autor bem engajado com a causa LGBTQ+. Como isso afeta o seu cotidiano profissional ou pessoal, ao lidar com pessoas que muitas vezes são preconceituosas?

Danilo Leonardi: Eu sempre priorizo a minha segurança e a das pessoas ao meu redor. Isso significa que tento sempre conversar quando há espaço para o diálogo. Ao mesmo tempo, nem sempre isso é possível.

BL: A nossa sociedade tem um discurso de apoio aos LGBTQ+, mas na prática, são totalmente hipócritas por terem medo do diferente, do desconhecido. Você concorda? Como isso ficou visível pra você, principalmente depois da criação do Gayrotos?

DL: Vivemos em uma sociedade capitalista, em que o lucro e/ou status está muitas vezes acima dos princípios. Conforme se tornar mais seguro para as marcas e pessoas menos engajadas, tenho certeza de que apoio virá naturalmente. Até lá, estamos estruturalmente fadados à margem.

BL: Muitas pessoas comentam coisas do tipo “não sou evoluído o suficiente para estar em um relacionamento aberto”, nos seus vídeos. Como é isso pra você? Tem a ver mesmo com essa evolução em que falam?

DL: Esse discurso tem mais a ver com a ilusão de controle que as pessoas têm sobre suas vidas e as vidas das outras pessoas. Para muita gente, dar apoio significa inconscientemente aceitar que aquilo faça parte de sua vida, quando na verdade isso não faz a menor diferença.

BL: Seu intuito é conversar cada vez mais com esse público, no seu canal. Quais são os planos para o futuro dele? Tem algum spoiler de antemão?

DL: Tenho começado a dar vazão aos meus pensamentos em forma de texto, atualmente. Apesar do alcance incrível dos vídeos, a exposição traz muitos aspectos negativos para a minha vida pessoal que têm me feito refletir sobre a maneira que me exponho na internet. Estamos vivendo um hiato agora, e não temos incentivo financeiro para sair dele também. Vamos ver como a gente se sente daqui a algum tempo.

Desde cedo fui bem informado sobre o que esperar de uma consulta ao psicólogo; quais eram os códigos de ética que eles seguiam, o que poderia ou não acontecer dentro de um consultório. E um dos motivos pelos quais estive bem tranquilo, foi a garantia de que meu terapeuta teria a obrigação de reconhecer minha orientação sexual como algo natural.

BL: No seu canal vocês dão conselhos sobre situações que os inscritos passam e a maioria deles são jovens, o que você falaria pra um desses inscritos que pedisse conselho sobre procurar o suposto tratamento da cura gay?

DL: Diria que se trata de charlatanismo, uma possibilidade que já foi descartada por diversos pesquisadores sérios. Mais interessante é buscar uma maneira de viver em paz com todas as suas características.

BL: Para muitos LGBTQ+, a fase da adolescência é onde acontecem as descobertas e eles seriam os mais afetados por essa mudança na lei. Como você enxerga essa fase da vida? É realmente nela em que acontecem as maiores descobertas?

DL: Adolescentes geralmente são mais vulneráveis, por começar a desbravar o mundo sem a constante supervisão dos pais, mas ainda não terem experiência suficiente para discernir boas e más oportunidades. Individualmente, a mudança na lei pode trazer algumas experiências ruins, mas espero que nada irreversível. O maior problema é o retrocesso social que ela traz, empoderando pessoas ignorantes e homofóbicas.

BL: Qual livro você indicaria para os leitores do Beco Literário?

DL: Leiam A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Um livro profundo, repleto de críticas sociais que tendem a fazer o leitor refletir, e ao mesmo tempo de fácil leitura para todas as idades.

O Juiz falhou em observar que sua decisão prioriza a curiosidade de pesquisadores ineptos em detrimento do bem-estar das pessoas que a psicologia deveria proteger. E que por valorizar a liberdade individual, gerou um problema social que em sua ignorância não teria capacidade de prever.

Danilo Leonardi estará presente no domingo (24/09), no evento Brain Fitness, junto com o Beco Literário em Taubaté.

Livros, Resenhas

RESENHA: Eu, você e a garota que vai morrer, Jesse Andrews

Controvérsia. É o que sinto com relação a Eu, você e a garota que vai morrer. Greg Gaines está no último ano do Ensino Médio e seu maior objetivo de vida é passar despercebido e não ser atacado nos corredores. Ele tem um amigo, Earl Jackson, garoto problemático, com uma família muito mais problemática, que compartilham algo em comum: os dois fazem filmes caseiros de gosto meio duvidoso. Você deve estar se perguntando: e quem é essa garota que vai morrer? Pois é, Rachel foi diagnosticada em uma fase terminal de leucemia e todos sabem que ela vai morrer.

A controvérsia começa aí. O título foi feito para ser engraçado, mas não há nada engraçado na história de alguém que vai morrer, mesmo assim, o jogo de palavras ficou legal. Além disso, tudo é narrado pela visão de Greg, como um diário ou algo assim, de forma totalmente informal e cômica (o garoto é meio perturbado rs) e a história não gira ao redor de Rachel e sua doença, mas todas as coisas que isso afetou na vida de Greg e seus dilemas pessoais, ou melhor, suas desgraças pessoais, o que nos faz ter ataques de risos pelo meio da leitura e até nos esquecermos que tem mesmo uma garota que vai morrer.

Quero deixar claro que isso não é um spoiler. Fica claro desde o início que não há esperança para ela, mas isso não importa. O foco está no processo enquanto tudo isso acontece e, como o próprio Greg diz, esse não é um livro de superação, curas milagrosas e amores melosos. Está aí a controvérsia. Apesar de tudo isso, o livro é extremamente engraçado, leve e se mostrou uma leitura muito agradável que voou em dois dias e me fez ter ataques de riso no metrô, o que atraiu alguns olhares desconfiados. Acho estranho como as pessoas não conseguem entender como um livro pode ser prazeroso e divertido. Enfim, não se assustem com o título do livro, a história é legal e nada dramática como tudo faz acreditar.

Autoria: O voo de uma mariposa, de Gustavo Machado - Beco Literário
Autoria: O voo de uma mariposa, de Gustavo Machado – Beco Literário
Autorais, Livros

Autoria: O voo de uma mariposa

De qualquer forma, eu gostaria de saber se alguma vez aparecemos em histórias e canções. Estamos numa, é claro, mas quero dizer: ser posto em palavras, sabe, contadas ao pé da lareira ou lidas de um grande livro grosso com letras vermelhas e pretas, anos e anos depois. E as pessoas dirão: “Vamos ouvir a história de Frodo e do anel!”. E Elas dirão: “Essa é uma das minhas histórias preferidas”. – J. R. R. Tolkien, O senhor dos anéis

Livro. Página. Letra, capa. Parágrafo, linha, travessão. Inspiração, ou pior, a falta dela. Com a ajuda de uma bela xícara de café, escrevo. Perfaço, prosaicamente, uma escrita sem nenhum sentido, ou será que a falta de sentido produz a existência de um? Não pensar em nada é pensar em alguma coisa? O ser – humano é ser capaz de pensar em nada? Pauso a reflexão.

Começo o segundo parágrafo, meus pensamentos estão em como iniciar o terceiro. Gastei minha tarde, e só consegui escrever isso. Preciso pensar. Levanto-me, batendo o lápis contra a minha testa. Tive uma idéia, vou falar do nada, pois nada é alguma coisa, eu acho. Pensar em como o pobre e pequeno pássaro bate em minha janela, já não é mais tão interessante quanto escrever a respeito do nada. “Tum Tum, Tum Tum”, só se ouve seu bico batendo indo de encontro à janela. As patas roçam, arranhando assim o vidro.

O bichano demora um pouco para desistir, insiste um pouco mais… Pronto, já se foi.

Voltemos ao nada. O sol já não estava alto para que eu pudesse desfrutar um pouco mais da tarde que parecia estar perfeita, e a noite já perdurava. Uma mariposa sobrevoa sobre a minha cabeça, posso ouvir o tilintar do seu bater de asas amedrontando o meu raciocínio. E eu aqui, no nada.

Nada deve significar alguma coisa, crises de quem quer escrever. Já pensei em sair, tomar alguma coisa, refrescar minhas idéias, e então me lembrei:

– Como vou refrescar algo que eu, ainda, não tenho?

Por conseguinte, volto para o meu cantinho. Aquele ali, seguindo o corredor principal o último quarto da casa. Cômodo até que espaçoso, menos mal.

Decidi tirar um cochilo, mas não durou mais do que vinte minutos. Debruçado sobre minha cama, olhando para livros, folhas e lápis, levantei. Caminhar pela avenida me faria bem.

Estava às portas das horas altas da noite, e eu caminhando pela Avenida Coelho no centro da cidade. Estava frio, calmo, desértico. Meus cabelos acompanhavam o balançar das folhagens das palmeiras, e com todo tipo de sentimento fraternal já conhecido, fazia o papel de unir meus pensamentos com o vento, que iam e viam sobrevoando longas distâncias e por alguns momentos não conseguia distingui-los.

Acomodei-me logo num banco, em uma praça ali perto, tirei um livro do bolso para ler. Começava a entender o porquê das crises dos escritores. Tantas idéias, inúmeros pensamentos que, ficavam às vezes distantes, outrora tão pertos que solidificam travados quando ouso passar para o papel.

Fiquei precavido naquela situação, sozinho, em uma praça que ligava a avenida, ruas e ruelas que, por sorte estava bem iluminada.

Já sentado, folheando algumas páginas do meu livro, escutei:

– Poeta, não é somente o que escreve. É aquele que sente a poesia, se extasia sensível ao achado de uma rima à autenticidade de um verso.

Respirei fundo, e vagarosamente olhei para minha direita e vi uma senhora sentada. Num pulo, caí do banco e sai aterrorizado catando mamona, goiaba, pequi e tudo mais que eu via pela frente. Estava desconcertado, não tinha visto chegar, não ouvi seus passos, muito menos quando se sentou, não fizera um barulho. Tratei em me desculpar, foi um pouco embaraçoso.

– Perdoe-me, senhora … Eu, eu … Não a vi sentando ao meu lado.

Limpando as frestas de areia que se alojaram em minha roupa, olhei delicadamente ao rosto da pobre senhora que me assombrou, de cabelos bem brancos, o nariz um pouco avantajado, um chale feito à mão em volta dos ombros e que descia para os braços até chegar às mãos, aparentemente frágeis, mas que lhe renderam forças para escrever tudo aquilo que lhe rodeava, um terninho azul escuro com bolinhas brancas com uma saia bem longa e sapatinhos pretos. Olhando com mais calma, não parecia uma personagem assustadora, mas serena, com olhos atentos a sua volta.

Quando dei por mim, de quem estava sentado ali no banco ao meu lado, decidi voltar para o chão onde tinha acabado de levantar. Por algum tempo, fechei os olhos, e quando os abri, ela continuava lá.

– Boa noite, tudo bem? , indaguei atrevido e atemorizado.

– Consegue aprender tudo o que precisa esta noite começando a conversa assim? , respondeu diretamente.

– Aprender? , respondi bruscamente.

Olhei para aquele céu negro, com nuvens ligeiramente azuladas, que de um tom tão marinho que poderia difundir-se facilmente com a escuridão da noite, a não ser pelos clarões e lampejos irradiados pela lua, um branco tão vivo quanto de uma pérola.

Começamos a conversar, em poucos minutos ali sentados, eu já me acostumara. Não sei como, mas já estava tão perturbado tentando encontrar algo – que nem mesmo o quê eu sabia, que conversar face a face com Cora Coralina, já não era impossível.

Cora me disse que, não sabia se a vida era curta ou longa para nós, mas siaab que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar.

E ainda completou, dizendo:

– Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.

Abri os olhos com o tilintar do bater de asas de uma mariposa sobrevoando a minha cabeça, perturbando o meu raciocínio. Debruçado sobre minha cama, olhando para livros, folhas e lápis, levantei. Encontrei o que não estava perdido.

Não me encontrei com Cora, mas com a literatura.

Como ela mesmo diz, o que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher. Letras, frase, parágrafo e livro. Gastei toda a minha madrugada, e até agora, só consegui escrever até aqui.

Livros, Resenhas

Resenha: O Ceifador, Neal Shusterman

Imagine viver em um mundo onde a medicina e a ciência evoluíram de tal modo que conseguimos vencer as doenças e todos se tornam imortais. Isso mesmo, imortais. Graças aos avanços tecnológicos a morte também foi vencida, de modo que se alguém comete suicídio a pessoa é rapidamente ressuscitada e retorna a vida. Para completar, existem técnicas rejuvelhecedoras capazes de fazer pessoas centanárias parecerem ter apenas 20. Sim, este é o mundo que você irá encontrar em O Ceifador, primeiro livro da trilogia Scythe, do autor Neal Shusterman.

“Nós afastamos da natureza no momento que vencemos a morte”

É claro que viver em um mundo que ninguém morre tem seus problemas. Afinal, nossos recursos são limitados e não há planeta que comporte uma população que só cresce, certo? Para conter o aumento populacional, é criado uma profissão que está acima de tudo e todos: Os ceifadores. Pessoas que em tese são treinadas para selecionar algumas pessoas para morrer, e transformar sua morte em algo honroso e gentil. Mas como em qualquer instituição, existe o bem e o mal e na “ceifa” existe jogo de poder, ego e ganância como em qualquer outro.

Os ceifadores são escolhidos por profissionais que já estão nessa profissão há várias décadas, e são treinados por eles até realizarem testes finais em reuniões regionais de ceifadores, chamados de Conclave. O honroso e lendário Faraday escolhe um casal de aprendizes para isso, Citra e Rowan, mas as disputas de poder internas da ceifa os coloca em uma posição difícil: aquele que for aprovado nos testes finais terá de coletar o outro. Isso já seria complicado mas a tarefa se torna mais árdua quando ambos se encontram apaixonados um pelo o outro.

Citra é uma jovem querida pela família, estudiosa e dedicada. Rowan é membro de uma família de 19 membros e não se sente muito querido por eles. Apesar da diferença, ambos tem muito a perder: sua vida. Ser aprendiz de ceifador não é opcional. Caso seja escolhido não existe escapatória.

O mundo sob jurisdição de um computador, tendo governos e distribuição de riquezas a cargo de uma “nuvem”, um ser onipresente e justo como se deve ser. A possibilidade de ficar vivo toda a eternidade. A vitória sobre doenças e a própria morte. E acima disso tudo, um instigante romance. O Ceifador questiona aquilo que queremos ser, sobre as conquistas dos antepassados que vemos com desdém e sobre como a ganância pode acabar com o mundo. Tem um ritmo leve e te faz querer devorar capítulo após capítulo até chegar ao fim da história o mais rápido possível. É sem dúvidas uma saga jovem que há bastante tempo não víamos e já estamos na expectativa do segundo livro da trilogia, que chegará às livraria no próximo ano.

Vale dizer que a Universal Studios adquiriu os direitos do livro para adaptação no cinema. O  roteiro será escrito por Josh Campbell e Matt Stuecken, responsáveis pelo filme Rua Cloverfield, 10.

Se procura uma saga de aventura, romance e um mundo utópico, se junte ao clube. O Ceifador é uma excelente história que merece ser passada para frente.

Teste. Teste. Teste. Teste. Teste. Teste. Teste. Teste. Teste. Teste.

O Ceifador

Autor: Neal Shusterman

Editora: Seguinte – Companhia das Letras

Preço: R$13,95 (kindle) ou R$31,90 (livro físico).

Tag livros e redes sociais
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Atualizações, Colunas, Livros

Tag: Livros e redes sociais

Hey leitores do Beco! Fui desafiado pela Luana Alves, resenhista e blogueira do @segunda.opinião para responder a tag: #LivrosERedeSociais e postar aqui no nosso espaço de quarta-feira. Sinta-se livre e mais que convidado para responder também e nos marcar em suas redes sociais. Ansioso para saber as respostas de vocês!

PS: Recomendo para responder essa tag, utilizar os exemplares que você possui em sua estantes ou em sua biblioteca particular.

#1 – ORKUT: Um livro que foi muito popular, mas está esquecido;
“O Retrato de Dorian Grey”, Oscar Wild. Presente na lista dos livros representativos canônicos da Literatura Mundial, hoje conversando com essa nova geração de leitores e acompanhando resenhistas e bookbloggers, vejo que este livro não está em alta na toplist de leitura. A imagem marcante da decadência britânica está meio que esquecido entre o público leitor, salvo pelos interessados nos clássicos e/ou conservadores.

#2 – FACEBOOK: Um livro que todo mundo tem;
Sem medo de errar, afirmo que todo leitor possui um exemplar de “O Pequeno Príncipe”, livro escrito pelo francês Antoine de Saint-Exúpery. Este livro está na lista das primeiras leituras e dos primeiros passos de todo mundo. Apaixonante!

#3 – YOUTUBE: Um livro criativo, com uma história original, inovadora;
“Ensaio sobre a Cegueira”, José Saramago. Na verdade, reconheço este livro como uma das maiores criações artísticas da Literatura Mundial. A narrativa é totalmente inovadora e original, a cegueira é branca/leitosa e não negra, como imaginamos ao fechar os olhos e deduzir como é a realidade de um deficiente visual, a verdadeira face do “homem” (em sua totalidade).

#4 – INSTAGRAM: Um livro visualmente bonito (capa, diagramação, elementos gráficos, ilustração…);
Geralmente a Editora Barnes and Noble possuem um trabalho bastante singular em seus livros, as edições parecem artesanais e muito clássicas. Tenho um exemplar de “Razão e Sensibilidade”, escrito por Jane Austen, que é perfeito! Capa dura em tom de verde que nos transmite uma imagem de ser tipicamente camurçado, páginas em dourado e em todo livro linhas também em dourado contornando como se fosse um móvel Luís XV. Magnífico!

#5 – WHATSAPP: Um livro que as personagens trocam mensagens;
“A Culpa é das Estrelas”, John Green; “Os 13 Porquês”, Jay Asher. Foi um pouco complicado responder essa tag. Se levar em consideração o termo “mensagem” em amplo sentido, cartas também são mensagens e eu poderia citar as obras de Charlotte Bronte ou Jane Austen. Entretanto, decidi exemplificar com uma publicação contemporânea, então citei dois romances adolescentes que há a presença de troca de mensagens via celular. Ninguém troca mais mensagens e vive online melhor que adolescente, não é mesmo?

#6 – TINDER: Um livro com muita pegação;
“Voraz”, de Barbara Shenia (tem resenha deste livro maravilhoso aqui). Tenho pouquíssima experiencia com romances eróticos, mas este livro me deu uma boa primeira impressão. Leia o livro e, também a resenha!

#8 – TWITTER: Livro com poucas páginas;
“A Metamorfose”, de Franz Kafka. Publicado pela Companhia das Letras e traduzido por Modesto Carone, o livro de 96 páginas prende a atenção de qualquer leitor  (seja iniciante ou experiente), o interessante é que o leitor se torna marcado pela reflexão abordada na obra. Não há a possibilidade, mesmo que mínima, para continuar o mesmo após a leitura deste.

#9 – TUMBLR: Livro que todo mundo ama;
“O Diário de Anne Frank”, um dos livros escritos pela garota judia enquanto tentava sobreviver ao período da segunda grande guerra. Li a edição publicada pela Editora Record, esse mesmo exemplar passou pelo crivo do pai de Anne, Otto H. Frank, e possui textos e fotos inéditas. Nunca ouvi alguém corresponder negativamente a este livro, todos os leitores são impactados pela inteligência e criticidade da jovem que teve seu destino traçado pela insana ambição de um homem. Vale a pena o amor dedicado a esta leitura.

#10 – PINTEREST: Um livro que te inspira/inspirou;
“As Crônicas de Nárnia”, C.S. Lewis. Sim, inscrevo toda a saga de Nárnia na tag do livro que me inspirou. Todas as sete crônicas possuem um espaço bem especial na minha memória e em meu coração. Este mega livro se tornou minha leitura anual, acredite, você também irá se inspirar ao lê-lo.

#11 – SARAHAH: Livro com bom suspense, ou que tenha te surpreendido;
“A Thousand Splendid Suns”, Khaled Hosseini. Um dos primeiros livros que li em Língua Inglesa. Portanto, me deixou surpreso em todos os sentidos: seja pelo conteúdo da narrativa e/ou pela minha capacidade em ler em outro idioma. Foi lindo!

Um grande abraço e até a próxima!