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Entrevista: Conversamos (bem às claras!) com a Amanda Souza, do Casamento às Cegas!
Beco Literário
Histórias, Talks

Entrevista: Conversamos (bem às claras!) com a Amanda Souza, do Casamento às Cegas!

Autêntica e com presença notável, a influenciadora Amanda Souza chama atenção por onde passa, e isso não seria diferente ao participar do reality “Casamento às Cegas Brasil”, da Netflix, na segunda temporada. Participante que marcou o reality, a consultora de imagem trouxe importantes discussões sobre a quebra de padrões na indústria da beleza e na sociedade, e hoje mostra toda a sua bagagem de conhecimentos para as suas seguidoras.

+ Amanda Souza participa do especial Depois do Altar em Casamento às Cegas Brasil

Especialista em moda e autoestima, Amanda conquistou mais de 100 mil novos seguidores em poucas horas desde a sua estreia no programa, tendo retornado como apresentadora no episódio de reencontro da terceira temporada, ao lado de Klebber Toledo e Camila Queiroz. Sua história e seu modo de lidar com o seu estilo de vida movimentaram bastante todas as redes sociais, figurando entre os assuntos mais comentados no Twitter.

Em suas redes sociais, Amanda Souza divide com autenticidade e uma boa dose de descontração suas dicas de moda, beleza, estilo, modo de viver espontâneo e o seu quadro “Papel de troxa”, criado por ela e onde responde as perguntas de seguidores semanalmente. Nele, a consultora dá sua opinião sobre diversos assuntos, dentre eles relacionamentos amorosos, experiências vividas no cotidiano e discussões necessárias sobre preconceito e indústria da moda .

A consultora faz do seu manifesto “Não é sobre vestir, é sobre liberdade e identidade” a espinha dorsal do seu trabalho, empoderando outras mulheres com a sua marca registrada e, no início de dezembro, tivemos a oportunidade de bater um papo rápido com ela, em uma palestra sobre influência digital e o mercado publicitário em Taubaté, no interior de São Paulo. Confira:

Beco Literário: Sua experiência no Casamento às Cegas levantou debate para alguns pontos muito importantes na nossa sociedade. Como isso ressoa para você? A gente sabe que isso ganhou a mídia, fez burburinho, mas como foi receber isso como ser humano?

Amanda Souza: Quando eu entrei no programa, minha motivação foi, além de viver a experiência porque eu achei muito interessante, era mostrar que não tem corpos como o meu ocupando esses lugares. Como meu trabalho já era voltado para a autoestima, eu falei, bom, toda vez que meu corpo alcança um lugar que nenhuma mulher como eu foi, eu procuro estar para que outras mulheres sintam que são capazes, que é possível. Como eu falei (na palestra), a influência para mim vem desse lugar real e de propósito e eu já sabia que isso poderia acontecer. Porque é aquilo, eu não fiquei gorda para entrar no programa, eu sempre fui assim. Isso acontece comigo a vida toda. Depois do programa já aconteceu várias vezes. Eu já tenho um trabalho com a minha autoestima de muitos anos então era decepcionante, mas foi decepcionante amorosamente. Aquilo que aconteceu ali foi uma coisa que eu imaginava que poderia acontecer porque as pessoas são assim, infelizmente, é uma estrutura gigante que somos construídos e nem todo mundo quer se desconstruir e eu já sabia que isso poderia me acontecer. Encarei de uma forma tranquila porque eu lido muito bem com a minha imagem. A relação que eu tenho comigo mesma é muito boa. Em nenhum momento eu me culpei, me coloquei como errada. Como mulher, a gente foi ensinada que a gente precisa se adequar ao que o outro fez para você. Como ele te deixou, o que o mercado de trabalho fez porque você não está dentro de um padrão… Mas eu sempre estive fora dele. Eu sempre tive que trabalhar para isso. Me entender, me respeitar, me amar… Independente de. Então, isso não me abalou. Eu não imaginava que ia ter uma repercussão tão grande embora eu já trabalhasse com mulheres há bastante tempo e soubesse que o mundo inteiro é fora do padrão. Isso acionou gatilhos no mundo todo. Fiquei muito assustada e levei um tempo para conseguir lidar com tudo isso porque me machucou saber que tantas pessoas assistindo estavam machucadas. Sabe, trouxeram aquele sentimento ruim a toa? Não só mulheres, porque cada um tem a sua história. E sempre por essa busca insana por um padrão. Então na hora eu fiquei muito em choque e levei um tempo para entender que eu não tinha machucado as pessoas e sim, alertado de que isso existe mas que dá para se amar, se respeitar independente disso. A gente não tem que atender às expectativas de ninguém.

BL: Após o CAC, você é um grande case de alguém que transformou a visibilidade do programa em visibilidade pra sua carreira. Sabemos que muita gente que participa não consegue ter essa expertise. Qual foi a sua estratégia? Foi planejado?

Amanda Souza: É meio decepcionante porque não teve estratégia nenhuma (risos). Eu já criava conteúdo há muitos anos e eu sempre quis ter mais voz, alcançar mais mulheres. Meu trabalho não era voltado para a publicidade, era para impactar mulheres e falar miga, calma, vamos lá, está tudo bem, dá para ser feliz, dá para se sentir bonita porque beleza é construção, é subjetivo. Eu sempre quis que essa voz fosse maior. Então foi o universo que me deu. E eu comecei a falar para mais gente. Foi a única coisa que eu fiz. E aí, de novo, mantive tudo o que eu já fazia. Cada oportunidade que meu corpo fora do padrão tem de alcançar um espaço para as outras, eu vou. Então isso foi acontecendo sem estratégia, de forma natural.

BL: Agora, a pergunta que não quer calar (risos). Vimos que você vai estar no Casamento às Cegas – Depois do Altar. Como foi? Tem algum spoiler pra gente?

Amanda Souza: Foi tranquilo. Na verdade, o Depois do Altar é mais para mostrar como que a gente está, o que a gente fez, o que a gente não fez, quem separou ou se alguém se relacionou com outra pessoa do programa ou fora, se encontraram amor, se estão trabalhando… E claro, como toda festa, tem barracos (risos). Então, aconteceram alguns, é a única coisa que posso falar. Esse episódio é babado! Serviremos barracos. Ah, eu não, tá? (risos). Mas vocês vão assistir barracos.

BL: Tem alguma pergunta que você sempre quis responder mas ninguém nunca te perguntou?

Amanda Souza: Nossa… As pessoas sabem responder isso de bate e pronto? Menino… Não sei! (Risos). Esses dias me perguntaram se eu guardava papel higiênico pra cima e pra baixo e eu amei! Não sei cara… Sei lá, o que eu faço quando ninguém tá olhando, talvez seja uma pergunta interessante. E eu passo muita vergonha quando não tem ninguém olhando. Quando tem alguém olhando também… (risos). Mas, quando não tem ninguém olhando eu danço muito, o tempo todo, em casa, minha filha morre de vergonha, eu falo sozinha ou eu respondo em voz alta o que eu tô pensando, coisas de gente assim… Eu caio muito também (risos). Dentro de casa eu caio de escada, caio antes de entrar no Uber, caio saindo do Uber. Passo vergonhas abissais!

Gui Giannetto mostra versatilidade ao conciliar atuação em “Disney Magia e Sinfonia” com gravações de “O Maníaco do Parque”
Caio Galucci
Cultura, Histórias, Talks

Gui Giannetto mostra versatilidade ao conciliar atuação em “Disney Magia e Sinfonia” com gravações de “O Maníaco do Parque”

Após dar vida ao personagem Carpa nas duas temporadas da série “Pico da Neblina”, disponível no HBO Max, Gui Giannetto está em uma fase da carreira que inclui Teatro Musical e Cinema. Atualmente em turnê em “Disney Magia & Sinfonia”, ele vai do encanto que o musical apresenta ao horror do filme “O Maníaco do Parque”. Durante os últimos meses, o artista, de 34 anos, conciliou os ensaios e as apresentações teatrais com diárias de gravação do longa-metragem.

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Nos palcos, Gui interpreta os sucessos da Disney, Pixar, Marvel, Star Wars e National Geographic em um espetáculo que reúne concerto sinfônico, cinema e teatro musical. O ator canta e atua, acompanhado por cenas dos filmes e animações transmitidos em um telão e pela Orquestra Sinfônica Villa Lobos. O espetáculo passou por São Paulo e Rio de Janeiro em setembro e outubro, e seguirá turnê por outros estados brasileiros, chegando a Fortaleza e Natal em março de 2024.

Já nas telas do streaming, o ator dá vida a Paulão, um funcionário da empresa de motoboys do Sr. Nivaldo (Xamã). O personagem de Gui pratica bullying com o colega Francisco (Silvero Pereira), o protagonista de “O Maníaco do Parque”. A produção da Santa Rita Filmes, que recentemente lançou “A Menina Que Matou os Pais”, é baseada na história real do serial killer Francisco de Assis Pereira e promete surpreender o público com sua trama intensa e cheia de suspense. Gui acredita que a experiência prévia em um outro cenário violento, como o de “Pico da Neblina” tenha o auxiliado na composição de seu personagem em “O Maníaco do Parque”. O filme terminou as suas gravações neste mês e será lançado no Amazon Prime, com estreia prevista para 2024.

– O maior desafio de fazer cinema e teatro ao mesmo tempo é conciliar as linguagens e entender a diferença dos públicos, sobretudo nessa minha experiência, dividido entre um musical alegre e um filme do estilo true crime. Pela manhã, tinha a magia da Disney, um mundo infantil e fascinante, com expressões e colocações de voz exacerbadas. Já de tarde, eu ia gravar “O Maníaco”, com palavrões, violência e cenas de combate, sem tanta empostação da voz e atento às câmeras. É como transitar entre o surreal e o natural. É passar por dois extremos no mesmo dia – revela Gui Giannetto.

No início da carreira no Teatro musical, o artista também teve que conciliar atuações trabalhosas e com abordagens distintas. Em 2016, enquanto ainda trabalhava como diretor de arte em agência de publicidade, Giannetto esteve em dois musicais ao mesmo tempo. Esse caminho o preparou para o que vinha a seguir na carreira e fomentou o sucesso no trabalho atual.

– Em “Magia & Sinfonia” tenho dois solos e é algo que me orgulho muito. Vim de uma trajetória muito boa com o musical da Broadway “Bonnie & Clyde” e quando fui aprovado na audição de “Disney Magia & Sinfonia” foi um momento de muita felicidade e realização – ressalta.

Para sair do universo da magia e entrar no clima sórdido de Paulão, o ator contou com práticas e exercícios corporais e mentais: “Eu, Silvero e Xamã passamos dois dias juntos com a preparação de elenco, fazendo exercícios para acessar o universo hostil do filme e dar vida a alguns atos que não concordamos na vida real”.

Para além da divisão entre temáticas totalmente opostas, Gui Giannetto também teve que estar atento a dois formatos de atuação distintos: “Pensando como ator com bagagem no teatro, o audiovisual é uma outra dimensão de interpretação, fisicalidade e esforço. Estar microfonado e ter uma câmera a alguns palmos de você pede um ajuste na forma de se expressar. Se você está em uma peça num teatro grande, você precisa falar mais alto e ser mais expressivo. Já, no cinema, é, muitas vezes, o contrário: a câmera capta tudo mais detalhado. Então, eu acho que é um desafio muito divertido fazer os dois ao mesmo tempo.”

Entrevista: Ricardo Martins nos leva em uma jornada pela Itália de norte a sul
Cleverson Nunes
Histórias, Livros, Novidades, Talks

Entrevista: Ricardo Martins nos leva em uma jornada pela Itália de norte a sul

Novo livro do fotógrafo e apresentador Ricardo Martins acompanha os registros pela Península Itálica, dos Pré-Alpes no extremo norte, aos mares do sul

A Itália, uma terra onde o passado e o presente se entrelaçam de maneira fascinante, é um verdadeiro palco de história e cultura que ecoa por todo o mundo. Suas cidades, povoados e vilas, repletos de construções milenares, testemunham a evolução de civilizações ao longo do tempo, deixando uma marca indelével na história não apenas da região, mas também de muitas partes do globo. 

+ Novo livro de Ricardo Martins enfatiza patrimônio cultural e história da Itália

Neste cenário único, onde a tradição e a modernidade coexistem harmoniosamente, encontramos narrativas cativantes, como a aventura do fotógrafo Ricardo Martins que transformou sua viagem pela Itália em um projeto fascinante. Acompanhado pelo diretor de cinema Fabio Tanaka e por Sam, um italiano que se tornou um guia especial durante um mês de exploração, eles mergulharam nas riquezas culturais e paisagens deslumbrantes deste país, capturando momentos que agora fazem parte do projeto “Itália, redescobrindo as influências culturais do Brasil”. 

Beco Literário: Como surgiu a ideia de viajar de motorhome pela Itália e transformar essa experiência em um livro?

Ricardo Martins: A ideia veio de um interesse particular que eu tinha em fotografar a Itália e que meu patrocinador, o grupo italiano Comolatti, apoiou desde o início. Com isso, o motorhome foi estratégico. Com ele, conseguiríamos aproveitar melhor o tempo em cada lugar e nos deslocarmos com mais facilidade, por isso, virou nossa casa móvel por 25 dias.

BL: Como aconteceu a escolha das cidades e lugares que você visitou na Itália durante a viagem?

Ricardo: Montei todo o roteiro e os lugares que eu gostaria de conhecer com um amigo italiano, o Luciano. Depois, o Sam, um amigo de infância dele, se tornou nosso guia e condutor do motorhome. Foi o Sam que inventou estratégias novas para descobrirmos novos lugares, como a cidade de Matera, que não estava no roteiro inicial.

BL: Como foi a experiência de viajar com o diretor de cinema Fabio Tanaka e transformar os bastidores da viagem em uma série de episódios? 

Ricardo: Foi uma experiência fantástica. O Tanaka hoje se tornou um grande amigo e juntos transformamos a viagem em uma série de quatro episódios, algo que eu já queria fazer desde o meu segundo livro. Essa foi a terceira série que eu apresentei e a segunda que eu produzi. Hoje, no total, já temos cinco séries produzidas, duas que já foram lançadas e três que estão vindo por aí… Por isso, hoje vejo a série como um novo produto e foi dessa forma que surgiu a RM Produções, minha editora e produtora.

BL: Você mencionou que a foto do canal principal de Veneza foi uma das suas favoritas. Pode compartilhar mais detalhes sobre essa imagem e por que ela é tão especial para você?

Ricardo: Veneza sempre fez parte do meu imaginário pelos filmes que assistia e matérias na televisão e nas revistas. Quando cheguei, vi que era muito mais do que eu sonhava e foi mágico fotografar ali, com aquela atmosfera e aquela energia.

Entrevista: Ricardo Martins nos leva em uma jornada pela Itália de norte a sul

Ricardo Martins

BL: Tem uma pergunta que sempre faço para todos os entrevistados – o que você sempre quis responder mas ninguém nunca te perguntou?

Ricardo: Tem uma muito íntima minha que é qual é o meu maior medo… E já respondendo, meu maior medo é perder aquela empolgação, aquela magia da fotografia que eu sempre tive, desde criança. Desde que tirei aquela minha primeira fotografia com 10 anos de idade, que apertei aquele botão e aquela felicidade explodiu… Tenho medo de perder isso, perder com o ritmo de trabalho, com a quantidade de trabalho, que isso se torne algo comum e não se torne mais mágico.

BL: No processo de criação das imagens para o livro, você mencionou que buscou ser totalmente autoral. De onde vem as suas influências criativas? Pode explicar como isso influenciou o resultado final?

Ricardo: Sempre fui autodidata, procuro aprender com muita observação e experiências de erros e acertos, sejam eles meus ou de outras pessoas. Minha fotografia é muito instintiva, eu fotografo o que me salta os olhos com emoção e tento levar isso para as páginas dos meus livros e agora, para as séries de TV.

BL: Além de seus livros, você também promove exposições fotográficas. Pode nos contar sobre sua experiência mais recente, a exposição “Uma língua de várias faces” na sede da Unesco em Paris?

Ricardo: Sim, adoro fazer exposições e interagir com o público tentando entender o meu olhar! Essa última aconteceu na sede da Unesco, em Paris, a convite do embaixador Santiago Mourão. Certo dia, acordei às 6h com meu telefone tocando e era o Santiago, dizendo que gostaria do meu trabalho exposto em Paris no dia da comemoração da Língua Portuguesa. Para mim, foi uma honra e um grande reconhecimento.

BL: Você já tem planos para novos projetos após o lançamento deste livro? Pode compartilhar algumas informações sobre eles?

Ricardo: Planos não faltam! Com alguns erros que cometi sendo empresário, entendi que a engrenagem nunca pode parar, então já estou pensando em 2024 e 2025. Os próximos projetos que já estão confirmados e com patrocinadores fechados são: “Amazônia”, “Litoral Brasileiro” e “Os Últimos Filhos da Floresta”, mas ainda não posso dar muitos detalhes sobre eles.

Entrevista: Ricardo Martins nos leva em uma jornada pela Itália de norte a sul

Ricardo Martins

Considerado um dos principais nomes da fotografia de natureza e cultura do país na atualidade, Ricardo Martins é autor e editor de 12 livros, já apresentou e produziu quatro séries passando pelo Pantanal, Amazônia, Itália e litoral brasileiro, onde mostra os bastidores de suas expedições. Desta vez, percorreu toda a Península Itálica, dos Pré-Alpes no extremo norte, aos mares do sul mostrando os contrastes das construções milenares que convivem com situações da modernidade. 

Em 2012, foi honrado com um dos maiores prêmios da literatura brasileira, o Prêmio Jabuti, na categoria de melhor fotografia pela obra A Riqueza de um Vale. Ricardo Martins promove exposições fotográficas divulgando a cultura e as belezas brasileiras no Brasil e no mundo; a última, intitulada  “Uma língua de várias faces”,  aconteceu em Paris na sede da Unesco, em comemoração ao dia da língua portuguesa.

Entrevista: Holly Black é a rainha de tudo e fala sobre seus gatinhos
Beco Literário
Histórias, Livros, Séries, Talks

Entrevista: Holly Black é a rainha de tudo e fala sobre seus gatinhos

No último sábado (02), estivemos na Bienal do Livro do Rio de Janeiro para ver com nossos próprios olhos o primeiro final de semana de festa e que de quebra, ainda ia contar com Holly Black, Cassandra Clare, Julia Quinn e muitos outros autores de renome. Se você já esteve em uma, deve saber muito bem como ficam as filas, os corredores, os estandes… Mas isso é papo para outro texto, porque, um dos motivos principais da nossa ida foi Holly Black!

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Particularmente, sou fã da Holly desde criança. Li As Crônicas de Spiderwick na minha primeira infância, era fissurado pelo filme, comecei a escrever sobre fantasia e seres mágicos por conta da história e cheguei a ficar na fila da livraria da minha cidade para comprar o segundo livro da série, A Pedra da Visão. E sim, tive a oportunidade de entrevistar a Holly e conversar com ela por aproximadamente quinze minutos em seu hotel, no Rio de Janeiro, no sábado da Bienal.

Se você é fanboy de fantasia como eu, Holly dispensa apresentações e você pode imaginar como eu estava tremendo da cabeça aos pés e com o inglês todo travado de estar ali, na frente dela. Certo momento até me desculpei falando que estava tentando ser profissional e ela nah, deixa disso! Só posso dizer que Holly superou minhas expectativas. Ela é simpática, fofa, completamente afetuosa, carismática e preocupada com os fãs. Gente como a gente, sabe? Faz questão de estar ali e não só de cumprir agenda.

Para você que ainda não conhece, Holly Black é uma escritora norte-americana que ficou mundialmente famosa após escrever a série de livros As Crônicas de Spiderwick. Ela é uma grande colecionadora de livros raros de folclore e em seus primeiros anos de vida ela morou em uma mansão abandonada em estilo vitoriano com sua mãe, que contava a ela várias estórias de fantasmas e fadas. Seu primeiro livro, Tithe: A Modern Faerie Tale, foi muito bem recebido pela crítica e hoje, é autora best-seller número 1 do New York Times com mais de trinta livros de fantasia para jovens adultos e crianças. Seus livros já foram traduzidos para 32 idiomas e adaptados para o cinema e TV. Hoje, ela vive com o marido e o filho em uma casa que tem uma biblioteca secreta.

Meu horário com a Holly era 15h, no hotel em que ela estava hospedada, no Rio de Janeiro. Cheguei trinta minutos antes do combinado, correndo e esbaforido com medo de não encontrar a portaria, de não me deixarem subir, de algo dar errado (enfim, o ansioso, né?). Deu tudo certo. Cheguei, subi até a sala em que iríamos nos encontrar e esperei alguns minutos. Holly me chama para entrar e me convida para sentar ao seu lado, em uma mesa preta. Estou tremendo.

Faço uma breve apresentação do Beco Literário, conto nossa história e falo de forma enrolada que Beco Literário, em inglês, significa Literally Alley. Penso em porque não escolhi um nome mais fácil porque minha língua trava e minha boca fica seca. Começo conversando, descontraindo o momento, mais por mim que por ela. Na sala, estamos eu e ela na mesa, o Patrik tirando fotos na outra ponta e duas assessoras da Holly no cantinho. Agora vai.

Você pode ouvir a entrevista original, em inglês, acima

Beco Literário: Os livros de “As Crônicas de Spiderwick” completam 20 anos de publicação este ano… (risos) Como você se sente sendo parte da infância de tanta gente? Quer dizer, a gente era criança quando leu pela primeira vez. Eu (Gabu) tinha uns doze anos e agora tenho 26…

Holly Black: É muito especial, mas também muito estranho. Para mim não parece que faz tudo isso de tempo… parece que faz bem menos (risos). Mas, eu aprecio demais quem me acompanha deste então porque eu faço muitas coisas diferentes e uma das coisas mais interessantes sobre isso e que acontece muito comigo é estar em uma sessão de autógrafos e alguém percebe que fui eu que escrevi Spiderwick e eles estão lá por outros livros e dizem “então foi você?” ou o caminho inverso, quando falo que escrevi Spiderwick e as pessoas dizem “você escreveu aquilo?”. Ser a mesma pessoa (que escreveu Spiderwick e O Príncipe Cruel) tem sido uma surpresa em quase toda sessão de autógrafos que eu faço (risos).

BL: Não sei se você já teve a oportunidade de ver o Brasil desde que chegou, mas tem algo aqui que te inspira mais? O que você gostou mais daqui?

Holly: Bom, eu nunca tinha estado aqui, é a minha primeira vez. Eu tive a oportunidade de ver o Rio de Janeiro de helicóptero e é incrível e ver a forma como a floresta avança sobre as pedras e as montanhas… (suspiro). Para mim, parecia musgo e quando eu percebi que de fato eram árvores, uau. Aquelas paisagens vão ficar comigo por muito tempo. O Rio tem uma vista incrível e você se sente em um lugar folclórico.

BL: Sempre quis te perguntar essa aqui (risos). Como o processo de escrita em parceria funciona para você? Você escreveu Magisterium com a Cassie, Spiderwick com o Tony… Quero dizer: você escreve um capítulo, a outra pessoa lê e você escreve o resto… Como funciona?

Holly: Escrever em conjunto funciona de formas diferentes com cada pessoa. Quando eu estava trabalhando com o Tony em Spiderwick, a gente sentava e falava sobre a história. Eu escrevia e ele desenhava. Eu mandava para ele o que eu escrevi, ele me mandava o que desenhou e nós conversávamos em cima disso. Às vezes, ele me mandava um desenho que ele fez, alguma sugestão e falava ‘você pode colocar isso no livro?’, eu respondia ‘ondeeee?’ e ele ‘que tal aqui?’ (risos). Já com a Cassie, a gente escreveu tudo no computador de uma só de nós. E nós passávamos o computador de lá pra cá. Eu escrevia aproximadamente 500 palavras, ela lia e fazia as considerações dela e então, escrevia mais 500 palavras e eu lia e fazia minhas considerações. Não teve nada que nenhuma de nós não tenha feito em conjunto. E isso tudo aconteceu porque todos esses livros foram escritos em apenas um ponto de vista, então tínhamos que ter a mesma voz. Foi muito divertido para mim, eu me permiti fazer muitas brincadeiras que não teria feito normalmente porque eu pensava que se não funcionasse, a Cassie poderia arrumar ou tirar. Eu achei bastante libertador e a Cassie segue perfeitamente o outline (planejamento de acontecimentos de um livro) e eu não sigo… (risos). Então foi maravilhoso porque ela dizia ‘isso precisa acontecer, está no planejamento que precisamos seguir’ e eu respondia ‘então tá, se você diz, vamos seguir o planejamento’ (risos). Mas, eu acho que muito do que a gente pensa sobre escrever em colaboração é sobre o nervosismo do processo, porque nós vamos “bater cabeças” e isso realmente acontece, mas também é a melhor parte da colaboração porque quando você bate cabeça, você encontra uma terceira opção para seguir o caminho, o que uma ou outra pessoa sozinha não conseguiria fazer e você consegue em conjunto. Esse é o tipo de coisa que você não tem quando escreve sozinho. E é isso que eu realmente amo sobre colaborações.

BL: Que conselho você daria para nós escritores que queremos escrever um livro em colaboração?

Holly: Se você vai colaborar, meu conselho para você é: sempre tenha um projeto, que seja o seu projeto, sozinho. Porque você só consegue se regenerar dessa forma. Porque assim você tem algo que você pode tomar todas as decisões por conta própria e dizer é meu, veio da minha cabeça.

BL: Uau! Maravilhosa. (risos em conjunto). Tem uma pergunta que sempre faço para todos os autores – o que você sempre quis responder mas ninguém nunca te perguntou?

Holly: Uau! Essa é difícil mesmo. (risos). A pergunta que eu sempre quis responder é uma que ninguém quer saber a resposta, que seria ‘me conta sobre seus gatos’ (risos) ou ‘me fale sobre sua coleção de planners’. Eu queria muito que me perguntassem sobre isso mas ninguém quer saber… Mas, ‘me conta sobre seus gatos’ é meu top um (risos).

BL: Então… me conta sobre seus gatos?

Holly: Eu tenho um gato sem pelos que se chama Quasit e as pessoas gostam dele de vez em quando. Ele é um adolescente na minha casa, mas é bem amoroso e já aprontou bastante… Eu posto muitas fotos dele. Eu só postei dois vídeos no TikTok na minha vida e ele está em um deles subindo no meu pescoço (risos), porque ele é um garoto estranho. Não vou falar mais sobre meus gatos (risos).

BL: Tenho mais uma pergunta – O que nós podemos esperar para “O Trono do Prisioneiro (The Prisioner’s Throne)”? A sequência de “O Herdeiro Roubado”?

Holly: (suspiro) Ele começa imediatamente após ‘O Herdeiro Roubado’ e nele, nós voltamos para Elfham… (risos misteriosos).

Momentos da entrevista do Beco Literário com a Holly Black

Beco Literário

Com o fim da entrevista, agradeço Holly Black mais uma vez pelo seu tempo e pela oportunidade de nos conhecermos. Agora revelo a ela que na verdade sou um grande fã, mas que tinha que manter o profissionalismo. Ela pergunta meu nome e eu, sem saber falar Gabu em inglês naquela hora, respondo Gabriel. Ela assina meus dois livros com capricho, tira uma foto comigo e ainda grava um video para o Beco Literário, pedindo para eu repetir devagar Beco Literário. É, eu devia mesmo ter escolhido um nome mais fácil.

Por fim, agradeço também a Rô Tavares, da Galera Record e toda sua equipe, pela oportunidade, chance e por todos os arranjos para que esse encontro acontecesse e pela paciência de me explicar (com fotos!) como chegar no hotel. O Gabu de 26 ficou realizado por entrevistar a Holly para o Beco Literário, mas o Gabriel de 12 que sonhava em ser escritor ficou em êxtase por realizar um grande sonho.

Entrevista: "Somos todos seres humanos incompletos e imperfeitos", diz escritor LGBT
Histórias, Livros, Talks

Entrevista: “Somos todos seres humanos incompletos e imperfeitos”, diz escritor LGBT

“Reconhecer-se com as dores e sonhos do Bernardo e do Enrico não transforma o leitor em LGBT, apenas mostra que, no final de tudo, somos todos seres humanos incompletos e imperfeitos, em busca da felicidade”. É assim que o escritor e roteirista premiado Saulo Sisnando define sua obra. O autor de Terra das Paixões, livro de estreia da série Infinita Coleção, defende que o amor é único e universal.

Embora a literatura LGBT tenha destaque nos últimos anos, o autor acredita que o protagonismo gay pode e deve estar à frente de mais gêneros literários. “Uma parte de mim gosta de ser classificado como “escritor queer”, mas protagonistas LGBT podem estar à frente de fantasias, histórias de terror, dramas, fanfics, romances. Quando escrevo, por exemplo, “Terra de Paixões” sigo os moldes de qualquer romance romântico, mas, por acaso, o amor é entre dois homens”, finaliza.

+ Crônica: Fique em casa

Por que você decidiu entre tantos gêneros escrever literatura queer?

O primeiro leitor de um livro é o próprio autor. Não sou um escritor que escreve para agradar os outros ou para ganhar prêmios. Sempre escrevo o livro que eu gostaria de ler e torço para que, como eu, existam outros leitores compartilhando o mesmo desejo de leitura. Sendo assim, como homem gay, é natural escrever algo que me represente, que reflita a minha verdade, as minhas vivências, os meus sonhos. Cresci sonhando em ler histórias de amor entre homens, romances intensos, com fortes protagonistas. Então, após mais de 20 anos escrevendo para teatro e, naquela mídia, também discutindo o amor entre homens, me senti pronto para publicar meu primeiro romance.

Teve algum escritor ou escritora como inspiração?

Eu cresci lendo escritores best-sellers como Sidney Sheldon, Janet Dailey, Danielle Steel, Barbara Cartland. Com o passar dos anos fui me aproximando de outros autores considerados mais eruditos, autores que temos mais “orgulho” de citar. Porém, durante tessitura de todos os meus textos ao longo de mais de 20 anos, tenho percebido a influência muito maior dos autores que me fizeram amar a literatura: os grandes autores de best-sellers. Além destes, talvez o maior produto artístico brasileiro sejam as telenovelas. O folhetim faz parte da essência do nosso povo, portanto é natural que, em meus romances românticos, eu encontre referências nos folhetins televisivos, e em seus maiores autores, Janet Clair, Gilberto Braga e Gloria Perez.

Você é um premiado roteirista de teatro, a transição para escrever livros foi uma consequência?

A principal diferença entre a dramaturgia e a literatura é o fato de o romance conseguir se encerrar em si mesmo. Embora seja inteiramente possível ler uma peça de teatro, seu auge é ser apresentado em um palco, movimentando uma longa rede de profissionais, em especial, os atores. No romance, por outro lado, a ação transcorre totalmente na imaginação do leitor. Ao acompanhar a história de um romance, o leitor sempre terá os melhores atores em cada papel, os melhores cenários. Em um romance não há limitações de qualquer tipo, o leitor sempre lê o livro como se fosse o maior e mais caro espetáculo da Broadway.

Como surgiu a inspiração para criar a Infinita Coleção?

É uma homenagem a uma das mais emblemáticas autoras românticas do século XX: Barbara Cartland. Ao longo de sua prolífica carreira, a escritora inglesa escreveu mais de 700 livros e todos fazem parte de uma coleção romântica chamada “Eterna Coleção”. Durante os anos 80 e 90, os romances históricos da Eterna Coleção de Barbara Cartland eram vendidos em bancas de revista com grande sucesso. A minha “Infinita Coleção”, nesse viés, pretende revisitar grandes temas românticos, dentre eles as tramas de Natal, os romances históricos, mas desta vez com total protagonismo LGBT.

Já está escrevendo o próximo livro da série?

Sim, em 2022 sairão dois novos volumes da Infinita Coleção, são eles, “Baile de Máscaras”, um romance com irmãos gêmeos e troca de identidade e, “O tempo de Amar”, que transitará pelo universo das comédias românticas natalinas.

Será uma continuação ou outras histórias com outros personagens?

Não descarto totalmente a ideia de escrever continuações ou spin-offs, porém a ideia da Infinita Coleção é entregar ao público 10 romances LGBT inspirados no universo dos livros de Banca, como Sabrina, Bianca, Julia.

Você escreveu essa obra pensando em um público mais maduro e que não se via representado em romances de bancas LGBT?

Atualmente a literatura brasileira e mundial está se permitindo protagonistas LGBT e isso é uma conquista fabulosa. No entanto, eu sempre me deparava com romances adolescentes ou voltados para os jovens adultos e romances mais quentes e sensuais. Eu sentia falta de um grande romance como Pássaros Feridos, Casablanca, As Pontes de Madison, Lendas da Paixão, etc., que não são sobre a descoberta e o despertar da sexualidade, não são sobre primeiros amores, mas histórias sobre pessoas formadas, adultas. Tramas nas quais o sexo não é o objetivo, mas uma etapa da felicidade. Por isso tive a ideia de tentar fechar essa lacuna e dar histórias açucaradas e muito românticas para um público mais maduro.

Quais são os desafios de ser escritor LBGT no Brasil?

Meu maior desafio é fazer o leitor entender e sentir que o amor entre dois homens não é “amor-gay”, mas apenas “amor”. O mercado editorial desde sempre gosta de rotular as obras e definir os possíveis leitores: esse livro é para mulheres, esse outro é para homens. Pouquíssimas vezes nós tivemos livros destinados aos LGBT, sempre tentávamos encontrar em histórias heteronormativas, camadas que falassem conosco. Hoje nós temos livros LGBT, escritos por escritores LGBT, para o público LGBT e é bom demais ter essa representatividade. Porém eu sonho ainda com o tempo em que heterossexuais consigam transpor a orientação sexual dos protagonistas e entendam que são histórias de pessoas fortes, às vezes felizes, às vezes tristes, que trabalham, pagam as contas, entram no tinder, assistem netflix, saem para conversar com amigos. Terra de Paixões é uma história romântica sobre uma paixão avassaladora que, por acaso, possui dois homens como protagonistas. Reconhecer-se com as dores e sonhos do Bernardo e do Enrico não transforma o leitor em LGBT, apenas mostra que, no final de tudo, somos todos seres humanos incompletos e imperfeitos, em busca da felicidade.

Sobre o autor: escritor premiado de diversas peças de teatro, Saulo Sisnando constrói histórias engraçadas e românticas com total protagonismo gay. Atualmente, mora em Belém do Pará com seus milhares de cachorros. Fã de livros de banca, Terra de Paixões é o seu primeiro romance para a Infinita Coleção.

Como ela concilia a carreia de médica e escritora?
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Como ela concilia a carreia de médica e de escritora?

Anne C. Beker é formada em Medicina, com especialização em endocrinologia pediátrica, há mais de vinte anos, mas no momento, ser escritora é o novo desafio que ela enfrenta. Subterrâneo: ascensão é seu lançamento futurista, em que a civilização foi forçada a viver no subsolo, pois o ar tóxico tornou a superfície terrestre inabitável.

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Ao decorrer da trama, Anne desvenda um mistério que instiga os personagens: o que acontece com as pessoas que voltam para a superfície? Essa mudança radical no enredo é proposital. É assim que a autora convoca o leitor a acompanhar esta jornada épica no segundo tomo da saga de três volumes.

Na entrevista a seguir, a médica e escritora revela mais detalhes sobre como concilia as duas carreias e compartilha detalhes da produção da obra. Confira:

Por que você decidiu entre tantos gêneros escrever ficção científica distópica?
Anne C. Beker: Eu adoro distopias e ficção científica, então o mais lógico foi juntar os dois estilos. Seja em filmes, séries ou livros, sempre me chamaram atenção. Além disso é interessante pensar, algumas vezes, como essas distopias podem fazer paralelos à nossa realidade e o que estamos fazendo hoje que poderia nos levar a essas realidades no futuro.

Teve algum escritor ou escritora como inspiração?
Anne C. Beker: Meu escritor favorito é Dan Brown, que escreve ficção, mas não distopia. Mas já vi várias entrevistas dele de como ele pensa os livros e as histórias e isso realmente me inspirou. Inclusive a trajetória de escritor dele.

Você é formada em medicina. Quando e como surgiu sua paixão pela escrita?
Anne C. Beker: Minha paixão por escrita e literatura começou muito antes da medicina. Eu comecei a ler e escrever com 3 para 4 anos. Aos 12 eu lia compulsivamente nos fins de semana, adorava livros enormes e muitas vezes passava as madrugadas lendo. Adolescente comecei um caderno de poemas e contos, escrevi outras coisas na faculdade, mas só tomei coragem de publicar ano passado.

Quais são os desafios de ser escritora e também médica? Como concilia as duas carreiras?
Anne C. Beker: Os desafios de ser médica e escritora hoje, para mim, são maiores que ser médica, afinal na medicina já formei há mais de 20 anos, então a experiência ajuda. O ser escritora é um mundo novo que ainda estou aprendendo. Então o escrever, fazer a história ter coerência, revisar, escolher parceiros para revisão, capa e tudo que envolve o livro, para mim ainda é desafiador. E claro, dividir o tempo entre família, escrever, trabalhar, e outros hobbies é sempre um desafio.

Como surgiu a inspiração para criar este livro? Qual foi a motivação?
Anne C. Beker: A inspiração surgiu em uma conversa com uma prima muito querida e então foi amadurecendo. Mas tem uma mistura de várias distopias, filmes e outras fontes que eu gosto. A motivação foi juntar esse pano fundo em uma história para refletir sobre: um, o que vai acontecer com nosso planeta se não pensarmos em ser mais sustentáveis e dois, a importância das pessoas que ocupam cargos de chefia, liderança e/ou governo.

Qual é a principal mensagem que a obra traz aos leitores?
Anne C. Beker: Reflexão sobre a importância dos objetivos das pessoas na vida e quanto pode ser desafiador e importante escolher entre o que é certo e o que é fácil.

Algum personagem do livro foi inspirado em sua vivência?
Anne C. Beker: Eu tenho dois filhos adolescentes e um pouco do temperamento dos personagens principais têm relação a personalidade e temperamento deles.

Você fez alguma pesquisa para escrever o livro, qual? Quanto tempo levou para escrevê-lo??
Anne C. Beker: Fiz algumas pesquisas para me certificar que era possível algumas formas de geração de energia que eu cito no livro, como por reciclagem de lixo e se haveria como fazer cultivo de alimento exclusivo em estufa, sem luz do sol. Demorei mais ou menos 6 meses para escrever, descontando a revisão e as outras etapas.

Você vai produzir um audiolivro de “Subterrâneo – Ascensão” pela Tocalivros. Porque decidiu apostar também neste formato?
Anne C. Beker: Decidi fazer audiolivro porque é uma mais uma forma de atingir as pessoas que preferem audiolivro ao invés de e-Book ou livro físico. Conversando com alguns amigos e ouvindo os leitores nas minhas redes sociais, alguns hoje preferem ouvir livros no carro ou quando fazem atividades físicas, então achei uma oportunidade de difundir mais a história.

Além desse lançamento, você pretende publicar duas obras que serão continuações. O que seus leitores e leitoras podem esperar para essas histórias?
Anne C. Beker: Podem esperar uma história com diversidade, protagonistas femininas independentes e fortes, vários plot twists e muitos jogos de poder e traições.

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Entrevista: Gunda Windmüller, autora de “Mulher, solteira e feliz”

Gunda Windmüller, jornalista e mestre em Literatura, tem sacudido a sociedade alemã com perguntas incômodas. Em uma sociedade com 41 milhões de mulheres, cerca de 2 milhões a mais do que homens, a população feminina do país lida com a disparidade salarial e debate a igualdade de direitos. Em um país liderado por Angela Merkel, a imagem de progressista – de acordo com as feministas do país, como Anne Wizorek – é maior do que a realidade. Nesse contexto socioeconômico, Gunda decidiu investigar como as sociedades, não apenas a alemã, têm lidado com as mulheres solteiras.

Com base em estatísticas, digressões históricas e sociológicas, experiências pessoais e entrevistas conduzidas com especialistas no comportamento humano e com mulheres em idades entre 30 e 60 anos, a jornalista e escritora desafia a falsa noção de que somente um relacionamento amoroso confere sentido à vida feminina. Autora de Mulher, solteira e feliz, ela estreia no Brasil com o lançamento da obra pela Primavera Editorial. A ideia de escrever o livro surgiu, segundo a autora, quando terminou um relacionamento de anos e constatou que as pessoas próximas estavam realmente preocupadas com o presente e futuro dela: casamento, filhos, solidão à noite.

Em entrevista para Larissa Caldin, publisher da Primavera Editorial, Gunda Windmüller conta sobre os achados nessa jornada em busca de respostas sobre a construção do conceito do amor romântico – que permanece reduzindo as mulheres a um parceiro, relegando às solteiras a condição de coitadas. Um comportamento social que perpetua a falsa noção de que somente um relacionamento amoroso confere sentido à vida feminina.

Conte-nos um pouco sobre você e como surgiu a ideia de escrever este livro?

Meu nome é Gunda Windmüller, sou jornalista e mestre em Literatura; moro em Berlim, na Alemanha. Quando tinha 34 anos, eu terminei um relacionamento com um namorado de longa data e logo percebi que muitas pessoas estavam realmente preocupadas comigo. “Você não quer se casar, e os filhos? Você não se sente sozinha à noite?”, eram as perguntas que me faziam. Essas preocupações me intrigaram, pois eu estava realmente feliz à época. E foi aí que percebi que não somente eu desperto pena por ser uma mulher solteira, mas muitas outras mulheres também. E foi aí que decidi escrever um livro sobre isso!

Na sua opinião, qual é a maior mentira que a sociedade conta sobre as mulheres na casa dos trinta?

Que elas precisam se apressar, porque sua vida está prestes a acabar! E isso não é verdade. Nós vendemos essa ideia da beleza desaparecendo com a idade; por muito tempo, reduzimos a nossa existência à aparência que temos. Conversei com tantas mulheres na casa dos trinta que sentem que as suas vidas apenas começaram!

No livro, você diz que sente falta de uma sociedade que acredita em sua história. Na sua opinião, como as mulheres – que também escrevem coisas horríveis sobre as mulheres – podem contribuir para mudar essa sociedade? Qual é o nosso papel nessa transformação?

Acho que todos precisamos entender que também fazemos parte da mudança social. Se queremos mudar a conversa sobre as mulheres, precisamos começar a falar de forma diferente. Precisamos ser mais gentis conosco e com nossas irmãs. Por sermos mulheres, sempre pensamos que devemos ser perfeitas e – quando as mulheres se comportam de uma maneira “não tão perfeita” –, somos rápidas em apontar isso e culpá-las. Entretanto, esse não é o caminho a seguir; todos cometemos erros, estamos juntas nisto!

Você traz, em “Mulher, solteira e feliz” o conceito de “libertar o amor”. O que isso significa? Como podemos libertar o amor – e o príncipe encantado?

Acho que colocamos o amor em um pedestal. Esperamos tudo desse o amor: queremos estar apaixonadas, ser compreendidas, fazer um sexo incrível, sermos cuidadas, admiradas. Nosso parceiro deve ser tudo para nós. Mas isso não é justo; não é justo amar dessa forma. É por isso que eu gostaria de libertar o amor. Vamos ver o que é o amor, não um ideal louco, mas algo que pode unir as pessoas. É por isso que eu também gostaria de me livrar do príncipe encantado. Não é justo esperar que uma única pessoa nos salve e pinte as nossas vidas de ouro. Eu gostaria que mais mulheres se considerassem as rainhas das próprias vidas; não esperassem que algum príncipe aparecesse.

Como a ideia de “rosa e azul” influencia nosso modelo mental do que é o amor?

Esses estereótipos de gênero influenciam muitos aspectos de nossas vidas, mas principalmente na forma como pensamos nas mulheres: pessoas que desejam amar, são mais carinhosas e românticas e homens – que consideramos menos românticos, mais duros e menos necessitados de companhia. É por isso que chegamos a pensar que as mulheres precisam, desesperadamente, de um parceiro romântico; pensamos que esse é o desejo “natural” nas mulheres, enquanto consideramos os homens cowboys solitários que não precisam de ninguém. E isso não é verdade! Estudos psicológicos mostram que os homens anseiam mais por relacionamentos íntimos do que as mulheres e sofrem mais quando não estão em um relacionamento romântico. Mas, a nossa noção do amor, no entanto, foi pintada por essa ideia rosa e azul dos gêneros. Acho que é hora de reavaliarmos essas noções.

Mulheres solteiras não têm uma boa reputação. Com uma perspectiva propositiva, como podemos mudar essa noção?

Antes de tudo, acho que todos precisamos ter mais consciência das situações em que as mulheres solteiras estão sendo envergonhadas. Ou seja, mesmo que seja apenas por meio de uma pergunta como “Não entendo, por que você ainda está solteira?”. Precisamos apontar essas situações e deixar as pessoas saberem como é inapropriado reduzir as mulheres ao status de relacionamento. As mulheres são mais do que potenciais parceiros. Somos pessoas inteiras!

O que é pior na perspectiva da sociedade: ser solteiro ou não ter filhos? O que guia esse julgamento social?

Do ponto de vista da sociedade, é considerado um dever natural feminino ter filhos. Portanto, por qualquer motivo, não tê-los faz parecer que a mulher é egoísta e obstinada. Mas, novamente, as mulheres solteiras também são vistas como egoístas – o mesmo vale para muitas mães solteiras, que são consideradas incapazes de “manter” um parceiro. Acho que todas essas atitudes em relação às mulheres são bastante ruins e prejudiciais. É direito de toda mulher não querer ter filhos ou ser solteira.

Qual é a principal mensagem que você gostaria de enviar às leitoras brasileiras?

Você é o suficiente! As mulheres são continuamente informadas de que nos falta algo: um parceiro, uma família perfeita, o corpo certo. Mas, não precisamos de nada disso. Nós somos o suficiente como somos. Amem a si mesmas – é o amor que definitivamente vai durar até o fim.

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ENTREVISTA COM LÚCIA TULCHINSKI, AUTORA DO “MONSTRONÁRIO – MONSTROS E ASSOMBRAÇÕES DO BRASIL DE A A Z”

A Estrela Cultural, editora que surgiu no mercado editorial em 2018, vem lançando uma série de obras nacionais voltadas para o público infantil. Agora, a editora apresenta seu mais novo lançamento, a obra Monstronário – Monstros e assombrações do Brasil de A a Z, escrita pela jornalista Lúcia Tulchinski, com ilustração de Alexandre Carvalho.

Nesse final de semana, fomos até a Livraria da Vila, no Pátio Batel Curitiba, onde acompanhamos o lançamento do livro e tivemos a oportunidade de conversar um pouco com a autora. Continue lendo para conferir:

Beco Literário: Muito bom participar do lançamento da sua obra, Lúcia. Para começar, nos fale um pouco sobre você.

Bom, sou nascida em Campo Grande, mas criada em Curitiba. Eu me formei em Jornalismo, pela Universidade Federal do Paraná, e sempre tive um gosto pelos livros. Já trabalhei em TV e em alguns outros veículos, mas fui para São Paulo em busca de outros caminhos e foi lá que descobri essa minha veia literária. Desde então tenho trabalhado em obras voltadas ao público infantil, já tendo publicado nove livros pela Editora Scipione. São todas histórias lúdicas, com contos, fábulas e adaptações – como As Viagens de Gulliver e o Mágico de OZ.

BL: E o que pode nos falar sobre seu novo lançamento?

É um guia com 37 monstros do folclore brasileiro. Eles estão em ordem, de A-Z, e estão todos ilustrados pelo Alexandre Carvalho. A ideia é ser algo bastante lúdico mesmo e mais puxado para o humor, voltado para as crianças – nada como um dicionário oficial ou coisa do tipo. O intuito é proporcionar esse contato com o folclore nacional de uma forma lúdica.

BL: Como uma autora do público infantil, como você encara o desafio da literatura em competir com tantas outras formas de entretenimento? Hoje é mais difícil fazer as crianças se interessarem pela leitura, sendo tão bombardeadas com conteúdo na tv, na internet, no cinema etc?

Eu sou otimista. Acho que tem muitas coisas legais acontecendo, como os diversos clubes de leitura que estão crescendo pelo país! Acho que tem muitos pais que incentivam a leitura dos filhos, que trazem para ter autógrafos, que compram livros. São pais conscientes do poder da leitura. Além da escola, que está sempre inserindo a leitura – e que também possuem projetos muitos lúdicos voltados para a leitura.

Autora Lucia com seu novo livro

BL: Então, você confia que ainda tem espaço para trabalhar com os livros entre as crianças?

Tem muitas editoras fazendo isso, a própria Estrela está há dois anos no mercado e já está cheia de títulos. Tem tantos eventos literários, sempre lotados, feiras, piqueniques literários, caravanas do livro, até mesmo a própria Bienal. Em todo lugar têm pessoas trabalhando com literatura de uma forma lúdica, alegre e descontraída.

BL: Nós do Beco sabemos como é importante incentivar a leitura no país. Seu livro também tem o desafio de incentivar a cultura folclórica brasileira, como você entende esse papel do autor nacional?

É um papel importante de quem trabalha com o livro, temos que ensinar a celebrar essa miscigenação – essa composição de culturas que formam o Brasil. Somos frutos de diversas influencias e precisamos celebrar isso de uma forma alegre, saudável, lúdica e criativa. Sou muito fã disso.

Sobre a obra:

Monstronário – Monstros e assombrações do Brasil de A a Z apresenta seres como Bicho-Papão, Tutu Marambá, Pisadeira, Quibungo e Lobisomem. Nas 37 páginas da obra, eles desfilam seus adoráveis trejeitos assustadores de forma lúdica e divertida. Definitivamente, Monstronário possui um repertório único, no qual o fantástico convive com o popular, traduzindo de maneira dinâmica, para os pequenos, nossa imensa riqueza cultural.

Nas páginas desse guia, personagens do folclore brasileiro desfilam seus adoráveis trejeitos assustadores de forma bem-humorada. Um repertório único, no qual o fantástico convive com o popular, traduzindo nessa imensa riqueza cultural. Dizem que eles vivem apenas na imaginação daqueles que adoram contar causos, mas quem pode garantir?

Ficha técnica:

Título: Monstronário – Monstros e assombrações do Brasil de A a Z

Indicação: A partir de 6 anos

Autoria: Lúcia Tulchinski

Ilustração: Alexandre Carvalho

Temas transversais: Folclore

ISBN: 978-85-45559-67-2

Páginas: 84

Preço: 49,90

Para conhecer mais da autora, você pode visitar seus perfis no Facebook e no Instagram. Ou, se quiser adquirir o livro, pode procurar em livrarias e lojas como a Amazon.

Talks

“Ninguém segura”: entrevista com Dolly Piercing

O viés artístico do universo drag queen ganhou mais evidência na última década e essa devida exposição está certamente atribuída à visibilidade que alguns programas de TV trouxeram. No entanto, não é de agora que essa discussão existe. Algumas artistas já têm essa luta há tempos. Natural de Belo Horizonte, Dolly Piercing possui mais de duas décadas de atuação. Seu talento extrapola a trajetória como drag e inclui uma banda de rock e um passado como estilista. No próximo sábado, 24 de novembro, ela é uma das headliners do “Les Girls”, realizado no Itália Mia (Rua Rui Barbosa, 354, Bela Vista), a partir das 21h30.

No palco, dez drags vão executar clássicos de nomes atemporais como Cher, Adele, Marilyn Monroe, Sarah Brightman, Lady Gaga, entre outras. Dolly impersonificará Madonna, uma de suas referências, e cantará um hit ao vivo (isso mesmo, nada de dublagem). À frente de sua banda – Dolly & Piercings –, ela costuma incluir no repertório versões pouco convencionais de artistas como Ney Matogrosso, Tetê Espíndola, Madonna e Katy Perry. Os shows em si costumam ser mais do que musicais e trazem boas doses de referências estéticas, tendo como destaque o figurino da vocalista. Em São Paulo, será uma apresentação solo.

O apelo estético não é coincidência. Formada em Moda pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Dolly tem um passado como estilista da marca mineira Vide Bula. Além disso, ela é responsável pela maior parte das roupas usadas em palco. Recentemente, a artista lançou uma faixa em parceria com sua amiga paulista, Paulette Pink, batizada como “Ninguém segura”.

A obra foi feita a quatro mãos pelas duas drags e ganhou um clipe assinado por Rafael Sandim e produção musical de Ricardo Brilhante. “A ideia inicial era compor uma marchinha de Carnaval. Então, busquei inspiração em Dorival Caymmi, naquela coisa mágica do tabuleiro da baiana”, diz Dolly. “Mas acabamos indo para o universo clubber”, emenda Pink.

Batemos um papo com Dolly sobre sua carreira. Leia a seguir.

De onde veio a ideia de fazer um projeto musical de rock?

Sou drag desde 1995. Como a maioria, eu dublava. Paralelamente ao trabalho de transformista, fazia teatro. Foi quando a vocação para cantar se manifestou. Com muita exigência de amigos, comecei a cantar quando me apresentava em boates gays. Depois disso, conheci meu namorado, roqueiro e baixista, que sempre apoiou meu trabalho. Em 2008, participei de uma Virada Cultural em um show solo com bases instrumentais pré-gravadas. Foi um grande experimento para o que viria mais tarde.  Em 2011, junto de meu namorado, uma guitarrista trans (Nikky Rose) e um baterista trans (Caio Bisquila), fizemos a primeira formação da banda.

Quais são os próximos projetos da banda e da drag Dolly?

Hoje, somos um trio: Leonidas Ribeiro continua no baixo e Luã Linhares no teclado majoritariamente, no teclado e na sequência pré-gravada de harmonia e ritmo. Tenho um show em homenagem ao Ney Matogrosso intitulado “Um Grito de Estrelas”. Vamos fazer um repertório tipo banda de baile focado em hits.

Como você vê a cena musical nacional em relação à diversidade LGBT? Ainda há muito conservadorismo?  

Não basta não ser careta, tem que haver verdade e honestidade. Músicas descartáveis, letras redundantemente inúteis e arte que pretende simplesmente entreter refletem valores que por um lado parecem libertadores, mas por outro não geram crítica e reflexão. Sinto, no meu ponto de vista, uma visibilidade irresponsável. Mas há aqueles que dirão que têm seu mérito. Por enquanto, vejo artistas que se enriquecem e jogam como o jogo manda, bem como em um roteiro falso de egos e manipulação.

O que o público paulista pode esperar da sua performance no dia 24/11?

O show “Les Girls” foi uma iniciativa da famosa drag queen, artista plástica, figurinista e maquiadora Paulette Pink. Ele reuniu artistas talentosas de sua convivência. Todas nós cantaremos no show. Além de ser um fragmento de performance para entreter, é uma postura política no âmbito abrangente. Um resgate de autoestima e dignidade. O despertar de “uma diva dentro de si” [tema da festa]. Serei Madonna, mas teremos Cher, Katy Perry, Adele, Carmen Miranda, dentre outras fabulosas. Será muito legal ver tanta gente boa reunida.

Como foi esse projeto com a Paulette Pink?

Paula Sabbatine é uma guerreira – e talvez injustiçada. Por isso, ela busca de forma admirável combater o mal com o bem. Ela não lembrava de mim, da época quando nos conhecemos há anos em uma festa que fizemos juntas no interior de Minas. Mas nos reencontramos no Facebook e desde então ficamos muito ligadas. A parceria se deu mesmo neste ano. A pedido dela, fiz uma música e ela contribuiu com algumas mudanças na letra também composta por mim. Em seguida, fizemos o clipe “Ninguém Segura” dirigido por Rafael Sandim. Paulette é uma dessas pessoas que nos agregam de graça e do nada. Um exemplo que todas nós drags deveríamos nos inspirar a exercer umas com as outras.

Serviço:

LES GIRLS – UMA DIVA DENTRO DE VOCÊ

Data: 24/11/2018

Horário: abertura às 20h; shows a partir das 21h30

Valor: R$ 50 (R$ 30 consumíveis)

Local: Itália Mia – Rua Rui Barbosa, 354, Bela Vista, São Paulo (SP)

Vendas e informações: (11) 98111-5239

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Entrevista: Cinco minutos na vida sem filtros de Nah Cardoso!

No último domingo (17), a blogueira, youtuber e escritora Nah Cardoso, esteve em São José dos Campos para o último evento da turnê do seu primeiro livro, “A Vida sem filtros”, na Livraria Saraiva, do CenterVale Shopping.

Esse foi nosso primeiro encontro com a Nah, nos cinco minutinhos antes de ela começar a atender todo o público que a esperava desde de manhã, e conversamos com ela bem rapidamente sobre seu livro, seus projetos e em como ela lida com a influência que tem sobre os fãs, de todas as idades.

A sessão de autógrafos reuniu aproximadamente quatrocentas pessoas, e começou alguns minutinhos depois (foi culpa nossa!), aproximadamente às 15h20, mas todos os presentes queriam ter a certeza de um autógrafo, uma foto e um momento com a autora, e por isso, já perambulavam pelo shopping desde o meio-dia, quando abriu. Não conseguimos acompanhar todo o atendimento aos fãs, porque sério, eles são super calorosos! Foi feito todo um esquema de segurança dentro da livraria, para que um por vez, pudesse entrar com seu livro, pegar o autógrafo e tirar a foto com a Nah. Conversando com alguns antes da entrevista, vemos que são capazes de tudo, só para dar um “oi”.

Conheça mais sobre “A Vida sem filtros”:

Já imaginou como seria viver a vida sem filtros?
Não, não estou falando dos filtros das redes sociais. Estou falando de algo mais profundo, de algo que todo mundo faz e nem percebe: dos filtros que a gente coloca no dia a dia e que dificultam a nossa vida. Quem me vê nas redes sociais com milhões de seguidores, pode ter uma primeira impressão: ela é tão segura, não deve sentir medo, nem ficar triste, deve ter uma vida perfeita. Mas você já parou pra pensar que eu não sou diferente de você? Eu sinto tudo isso que você sente. O que aprendi ao longo dos anos, foi retirar todos esses filtros. Não é uma tarefa fácil e muito menos rápida, mas vale muito a pena. Você pode não acreditar. Mas não foi por acaso que de tantos livros você escolheu justo este aqui. Sentimos as mesmas coisas, passamos pelos mesmos problemas e lidamos com o mesmo mundo. Mas não se engane, este livro não é sobre a Nah que você acompanha nas redes sociais. É sobre você. Sobre nós! Afinal, estamos conectados.

Antes de Nah atender os primeiros da fila, tivemos exatamente cinco minutos com ela. Entramos no cercado sob gritos dos fãs, que a todo momento estavam com seus celulares para o alto, querendo uma foto exclusiva da autora ou um sorrisinho de canto. Ainda tinham mães, que acompanhavam os filhos e brigavam por um lugar para eles, próximo da Nah. Assim que entramos, uma delas grita “representa a gente aí, perto dela”! Esperamos ter feito o trabalho certo. <3

Beco Literário: Nah, vamos fazer um jogo rápido porque tem muita gente te esperando aqui, né?!

Nah Cardoso: (dando um pulinho de alegria) Uhum!

BL: Nós vimos que na sua fila hoje, tem um público que vai desde os mais novos até a galera mais adulta. Como você se sente falando com tantas pessoas diferentes e como você atinge todo mundo?

Nah: É demais porque eu vejo que o meu conteúdo não tem uma faixa etária própria assim… Atinge o coração de qualquer pessoa que se identifica com o que eu tenho a compartilhar. Então eu fico grata mesmo, eu gosto muito de saber que eu não tenho uma idade certa assim, sabe? É muito legal!

BL: Como e qual foi o momento que você parou e pensou “eu quero escrever um livro”? De onde veio essa ideia?

Nah: No ano passado, com a onda de muita gente escrevendo um livro, eu não achei que fosse o momento certo, porque eu falei “eu não sei, se eu fosse escrever um livro, o que eu teria para compartilhar e como compartilhar? E como escrever, já que eu nunca escrevi um livro e não deveria ser um processo fácil…” Então passou o ano inteiro com aquela leva de pessoas escrevendo livros e só no final ano que eu me dei conta que poderia compartilhar algo que realmente fosse importante para as pessoas. Eu tenho um conteúdo que eu treino todos os dias e que as pessoas sabem de uma forma ou outra, através de vídeos ou fotos minhas, ou snaps que eu fazia bastante, sobre um conteúdo existencial, sobre a vida. E eu falei, nossa, acho que seria um bom formato para eu poder compartilhar isso de uma maneira começo, meio e fim, sabe? O livro tem uma coisa mais estruturada e mais séria, e por isso foi uma maneira que eu encontrei de compartilhar isso.

BL: Nós vemos que você está sempre próxima ao Erick Mafra. Como foi a sua aproximação com o projeto dele, “O Garoto do Sonho”, e a aproximação dele com o seu?

Nah: Então, foi muito legal. O projeto “O Garoto do Sonho” foi algo que não veio propriamente do Erick, assim por se dizer, é algo que vem de um projeto que já é antigo, de muitos sábios que vieram trazer uma mensagem ao mundo, então, o Erick foi muito disponível porque ele escreveu ali muito inspirado nessa mentalidade e nessa proposta em levar para o mundo um conteúdo verdadeiro, uma forma de olhar para o mundo e para a vida. Então, quando eu recebi o convite e foi assim “Nah, você topa levar essa mensagem para as pessoas? Você topa ser uma ferramenta e uma ponte?” Eu topei. Da mesma forma como “A Vida sem filtros” faz parte desse grande projeto em relembrar as pessoas sobre o que tem no conteúdo do livro, né. Então se você ler, você vai ver que é tudo parte de um mesmo lugar. “O Garoto do Sonho” tem uma estrutura mas tem um conteúdo que leva para o mesmo lugar assim como meu. O Erick ficou muito próximo a mim porque ele já tem toda aquela pegada, toda a veia artística como escritor, então ele já me deu muito apoio.

BL: O seu livro é meio uma conversa. É uma delícia de ler. Por que você optou em escrever desse jeito, bem próximo da gente?

Nah: Ah, obrigada. (risos) É porque eu sou assim. Quando eu escrevo uma legenda ou faço um vídeo, eu penso nessa forma, como as pessoas vão se sentir falando comigo, como elas vão receber isso sem uma distância, então o livro foi tipo, conversando com as pessoas. Enquanto eu escrevia tinham pessoas na minha mente e eu estava conversando com elas. Então eu tinha isso assim, sabe? Os encontros me fortaleciam, enquanto eu estava escrevendo, eu fazia evento, aí eu lembrava de alguma pessoa específica, “nossa aquela menina, naquele evento… Vou colocar ela na minha cabeça agora, você meu amor…” Aí a pessoa vai ler e vai pensar, nossa, ela está falando comigo!

BL: Uma pergunta que nunca te fizeram e você gostaria de responder?

Nah: Uau. Hmmmm. (Rindo) Difícil! Olha, eu estava lendo Harry Potter agora no carro. (Pensando) Muita coisa do que eu não tinha contado, da forma que eu compartilhei, está no livro, então perguntas do tipo “Ai Nah, você nunca se sente rejeitada?” E no livro eu contei coisas que já aconteceram, acontecem e como eu lido com isso.

BL: Que livro você indicaria para os Becudos, leitores do Beco Literário?

Nah: No momento, eu terminei recentemente Extraordinário. Vi o filme, amei, mas o livro eu gostei muito porque me deixou mais aberta para sentir coisas e tal. E nesse momento eu estou lendo Harry Potter, nunca tinha lido nenhum e no primeiro de todo, e estou gostando muito. Eu indicaria o que estou lendo nesse momento e claro, A Vida sem filtros. 

Depois dessa entrevista incrível, falamos com alguns fãs e deixamos a Nah em paz para atender todos que esperavam ansiosamente na fila. Agora, só resta você conhecer o livro “A Vida sem filtros”, e entender tudo que ela conta em primeira mão, para os leitores. E já pode ficar animado porque em algumas semanas, teremos resenha do livro postada aqui no Beco e se você ainda não garantiu seu exemplar, aproveite para comprar o seu livro com desconto exclusivo nas opções aqui embaixo!

Um super obrigado a Nah Cardoso, que nos atendeu mesmo em meio a correria, a equipe da Editora Planeta, que tornou a entrevista possível e a toda equipe da Saraiva pela ponte e pelo super evento. Queremos mais coisas assim em São José, né?