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Gabu Camacho

ditadura da beleza
Atualizações

A ditadura da beleza na comunidade gay

Esses dias eu estava conversando com uma amiga minha sobre a ditadura da beleza. Sobre o quanto esse mito atinge mulheres, todos os dias, desde sempre. Sempre precisam estar magras, comer pouco e seguirem padrões que a sociedade determina. Isso me fez refletir um pouco sobre essa ditadura da beleza do lado de cá, sobretudo na comunidade gay. É inegável que ela ainda é mais forte sobre as mulheres e tem se tornado cada dia mais potente na comunidade LGBTQ+.

Cresci lendo a Revista Capricho, que era uma revista “de menina”. Eu sempre queria saber fofocas do mundo dos famosos que eu era fã e sempre ignorava aquelas partes de editorial de moda. Apesar de hoje, perceber que talvez aquilo tenha sido o pontapé inicial desse mito da beleza para muitas meninas. Como um garoto cis e homossexual, eu sempre ignorei aquelas partes da revista. Até que entraram os Colírios Capricho no jogo.

Os Colírios, para quem não é da época, eram um grupo de meninos escolhidos para representarem a revista, representarem o lado masculino da coisa, já que a revista era majoritariamente para o público feminino. Eles eram escolhidos por votação, sempre pela beleza. Os meninos magrinhos eram escolhidos hora ou outra, mas os fortinhos sempre ganhavam. E eu era um pré-adolescente que me achava gordinho.

Quando entrei na adolescência, comecei a fazer academia. Eu queria por tudo que era mais sagrado ser magrinho, como os Colírios da Capricho, e quem sabe, até mesmo ter aquele abdome definido. Eu achava que assim eu ia “comprar” com a minha aparência toda a aceitação social que eu precisava.

Eu emagreci bastante durante a adolescência e nas épocas de academia, consegui ter o projeto de uma barriga definida que desaparecia a cada respiração mais forte que eu dava. Mas tudo bem, eu me contentava em ser só magrinho mesmo.

O tempo foi passando e eu mantive essa questão da ditadura da beleza supostamente padrão, comigo. Oscilando épocas comendo muito e épocas comendo pouco. De modo geral, comia muito pouco e sempre ficava preocupado com meu peso. Na minha cabeça, eu não podia ultrapassar certos números na balança.

E é engraçado que hoje, sou mais tranquilo com relação ao meu corpo. Não tenho mais vergonha de tirar a camiseta na praia, por exemplo. Mas não é assim pra todo mundo. Vejo uma compulsão enorme na comunidade gay para sempre ser o mais jovem, o mais “padrãozinho” possível. Mas afinal, o que é o padrão? Não era pra cada um ter o seu padrão do que quer ou não quer na vida?

Durante a quarentena, esse processo de pazes com quem eu sou, com o meu biotipo e com a minha alimentação tem sido um processo. Eu gosto de comer coisas mais leves na maioria dos dias, mas também gosto de um podrão no final de semana. Minha saúde está 100%. Faço exercícios físicos sempre que dá (não é todo dia, mas é melhor que nada). E esse processo se intensificou quando um dos Colírios, da minha época de Capricho, deu um pontapé inicial: Federico Devito e sua postagem no Instagram sobre a mudança de hábitos que a quarentena trouxe pra todos nós.

Tudo bem a gente querer se cuidar. Mas autocuidado não é autoflagelo. Não é ditadura da beleza, nem uma competição de quem tem o padrão mais padrão.

Afinal, a gente nem sabe o que é padrão.

O fenômeno midiático da franquia Cinquenta Tons
Filmes, Séries

O fenômeno midiático de “Cinquenta Tons” sob óticas das estruturas do aparelho psíquico

A franquia “Cinquenta Tons de Cinza” se tornou um fenômeno midiático com proporções mundiais. Quando o primeiro livro da trilogia da autora E.L. James foi lançado, em 2011, vendeu mais de 100 milhões de cópias e anos depois, em 2015, ganhou uma adaptação para os cinemas que gerou uma renda de mais de US$ 240 milhões logo nos primeiros dias de exibição, superando Avatar e Matrix. Só no Brasil, a arrecadação foi de aproximadamente R$ 24 milhões. Mas o que fez a série de livros se tornar um assunto mundial? O que fizeram aqueles livros se tornarem filmes, produtos eróticos, bebidas e muitas outras coisas ao redor do planeta?

Para entender um pouco, precisamos voltar para a gênese da saga. A saga “Cinquenta Tons de Cinza” não nasceu com esse nome. Era uma fanfiction de Crepúsculo, isto é, uma história ficcional escrita por uma fã, sobre o universo de Crepúsculo, publicada pela autora de forma anônima na internet. Na história original de Crepúsculo, a humana Bella Swan se apaixona pelo vampiro Edward Cullen e seu relacionamento é proibido, já que Edward pode mata-la a qualquer momento por ser extremamente suscetível ao cheiro de seu sangue. Na versão de James, publicada como fanfiction, Edward ainda era praticante de BDSM – bondage, disciplina, dominação, submissão, sadismo e masoquismo – com Bella.

A história de E.L. James ganhou tantos leitores ao redor do mundo que logo veio a proposta de publicação por meios tradicionais, mas não seguindo a história de Crepúsculo, já que seria ilegal. James teria que criar seu próprio universo e foi então que Bella virou Anastasia Steele e Edward Cullen virou o magnata Christian Grey. Na publicação adaptada, Ana se apaixona por Grey após uma entrevista para a faculdade. Grey é um homem rico e extremamente reservado que acaba por cair nos encantos de Anastasia também, mas precisa que tudo seja nos seus termos. E é nesse ponto em que a temática sexual da história se desenvolve de forma sedutora, levando sempre ao BDSM, que virou marca registrada da franquia.

E de fato, a temática pode ser o que levou a franquia tão longe, com mais filmes e livros, intitulados respectivamente de “Cinquenta tons mais escuros” e “Cinquenta tons de liberdade”, além de uma série paralela intitulada de “Grey” com as visões de Christian sobre os fatos narrados por Anastasia na série principal, “Cinquenta tons”. E é possível estabelecer um paralelo entre o sucesso midiático da série com as tópicas freudianas do aparelho psíquico.

A pensar na primeira tópica, também conhecida como modelo topográfico, Freud estabelece o inconsciente, o pré-consciente e o consciente. Em linhas gerais, o inconsciente daria conta dos conteúdos reprimidos da consciência e sem acesso direto do pré-consciente e do consciente.

Enquanto isso, o pré-consciente é o local em que ficam os conteúdos que não estão diretamente no consciente, mas que estão acessíveis a ele. Ele disponibiliza conteúdos ao consciente quando necessário e parte de sua estrutura está ligada ao inconsciente e parte está ligada ao consciente. Já o consciente, por sua vez, é o local em que se relacionam os estímulos e informações que advém do mundo externo, relacionando as nossas percepções, atenções e raciocínios.

No entanto, ainda precisamos lançar mão da segunda tópica freudiana do aparelho psíquico para adentrar numa possível correlação com o fenômeno midiático de Cinquenta Tons de Cinza. Também chamada de modelo estrutural, de acordo com ela, nosso aparelho psíquico é divido em três instâncias: o ID, o Ego e o Superego.

O ID é a instância mais profunda e vasta, aquela responsável pelas pulsões regidas pelo prazer, em busca do desejo. Ela está no inconsciente, explicado pela primeira tópica. Para o ID tudo é desejável, tudo é permitido, em contraste com o Superego, que busca e regula a moral das existências, internalizando proibições sociais, autoridades, limitações. Para o Superego não há meio termo. É a rigidez. Ele tem uma ligação entre o consciente e o inconsciente.

E então, temos o Ego, que segundo Freud, busca um equilíbrio entre o ID e o Superego. Ele atende os desejos de acordo com a realidade, ele orienta o princípio da realidade. Ele fica no meio das satisfações sem limites do ID e das impossibilidades do Superego.

Mas o que tudo isso tem a ver com o fenômeno midiático de “Cinquenta Tons de Cinza”? A crescente e inesperada “permissão social” por assuntos eróticos, sobretudo pelas práticas de BDSM, tão presentes na temática da franquia.

Se antes a sexualidade, principalmente feminina e os fetiches à prática do BDSM eram considerados um tabu pela sociedade, “Cinquenta tons” veio para “destabulizar”. Quando se pesquisa sobre o BDSM, descobrimos que ele tem uma ampla gama de práticas e a maioria das pessoas que as realizam, não são praticantes do BDSM em si. Muitas nem sabem que tal prática faz parte desse conjunto e as encaram como um fetiche, uma fantasia a ser realizada entre o casal, que muitas vezes não encontra uma abertura para falar um com o outro por medo das pressões impostas pela sociedade.

Quando observamos sob a ótica das estruturas do aparelho psíquico de Freud, podemos observar que os desejos por algumas práticas presentes no BDSM poderiam estar contidos no ID daquelas pessoas que se consideraram fãs da franquia “Cinquenta tons”, no entanto, pelo assunto ainda ser um tabu para a sociedade, externalizar o desejo “não era permitido socialmente”, até então. Não se passava pelo “crivo” do Superego e ficavam presos no inconsciente. O ego não conseguia encontrar um equilíbrio para a externalização, seja para conversar com os amigos ou até mesmo com os parceiros, sobre os desejos pelos fetiches do BDSM.

Com a vinda de “Cinquenta Tons” e sua fama repentina, de repente, o assunto não era mais um tabu tão grande para a sociedade. A própria massa de pessoas que fez a franquia ser um sucesso, serviu de alavanca para que novas pessoas se juntassem e fizessem o fenômeno ser ainda maior: foi um evento cíclico.

As mesmas pessoas que permitiram que o assunto fosse naturalizado, pelo menos durante as épocas em que a franquia estava em alta, eram as pessoas que mais precisavam externalizar esses seus desejos e fetiches que antes estavam tão reprimidos no inconsciente.

Conclui-se que o sucesso midiático da franquia “Cinquenta tons” se deu por um feliz impasse: as pessoas que se interessavam pelo assunto mas tinham um certo bloqueio de falar sobre, fizeram com que os filmes e livros foram um sucesso, de forma que com eles, elas puderam se libertar dessas amarras. Com a aprovação social, o “crivo” do Superego se tornou um pouco mais flexível, de forma que o Ego, portanto, pode ponderar um pouco mais os “desejos loucos” do ID e atende-los de uma forma em que a sociedade aceitasse, finalmente. O próprio desejo proibido, externalizado pela ficção com o apoio da cultura das massas, fez com que ele não fosse mais tão proibido assim.

diversidade
Livros

4 livros infantis para iniciar o tema diversidade com as crianças

As festas de fim de ano nos remetem a pratos especiais, enfeites, troca de presentes e família reunida. Apesar de cada lar ter a própria tradição para as datas, todos têm algo em comum: a diversidade. Seja na própria composição da família, cor ou crenças, cada uma tem sua particularidade, e é normal que as crianças comecem a observar a própria realidade e a compará-la com outras.

Para ajudar nesse processo, os livros podem cumprir o papel de introduzir novos assuntos, de forma lúdica e adequada a cada faixa etária, de acordo com a fase de desenvolvimento da criança. Por isso, mostrar as diversidades culturais, de gênero, classe e cor, por exemplo, é importante para criar seres humanos mais empáticos, respeitosos e solidários.

Confira os lançamentos que selecionamos para presentear as crianças neste fim de ano. São livros com histórias e ilustrações divertidas, além de valiosas reflexões para toda a família.

Tudo bem não ser igual

O fundo do mar está pronto para mostrar às crianças sobre a beleza do ser diferente. É num mergulho pelo oceano que a psicopedagoga Roselaine Pontes de Almeida dialoga com o público infantil sobre o tema. Quando a arraia, peixe de cauda longa, percebe ser completamente diferente dos amigos, todos mostram que cada ser é único e especial, e está tudo bem ser diferente.
(Preço: R$ 26,00 | 40 Páginas | Onde comprarAmazon)

 

A festa inventada da Luara

Com a chegada do aniversário da Luara, a família monta uma força-tarefa para tornar o dia dela ainda mais animado, com os amigos por perto. Mas, afinal, quem seria o melhor amigo da menina? Todos, cada um com sua particularidade! As ilustrações de Luciana Romão deixam o tema principal em evidência, colocando de lado os estereótipos para trazer a beleza do “ser diferente” em rostos sensivelmente desenhados.
(Preço: R$ 26,00 | 40 Páginas | Onde comprarAmazon)

 

Mãe não é uma só, eu tenho duas!

De forma divertida, a obra traduz para as crianças temas complexos e que ainda são tabus: homoparentalidade e diversidade familiar. Foi escrita sob a perspectiva de um casal de mães – as letrólogas Nanda Mateus e Raphaela Comisso – que buscavam por um livro infantil que representasse a própria família para apresentar ao filho Teco. O lançamento é uma verdadeira ferramenta de identificação e construção de valores.
(Preço: R$ 23,00 | 32 Páginas | Onde comprarAmazon)

 

Robô não solta pum

Ser livre para pensar e soltar a imaginação, independentemente da idade. A obra do renomado músico, ator e multi-instrumentalista brasileiro André Abujamra defende a liberdade de pensamento e concede asas à imaginação de crianças e adultos, com divertidos questionamentos sobre temas triviais do cotidiano, como a origem das palavras “barbante” e “algodão-doce” e dicotomias, como o claro e o escuro, o céu e o mar.
(Preço: R$ 21,00 | 32 Páginas | Onde comprarAmazon)

Mais que proporcionar a união entre as crianças e a família neste fim de ano, as sugestões têm o objetivo de construir momentos inesquecíveis para a criança.

dizer não
Estreias

A porta aberta de dizer não

Você sabe dizer não? Você se sente a vontade dizendo aquilo que te incomoda, que não te agrada, que não está certo pra você? Eu não. Se as coisas estão boas, para mim está tudo bem. Se não estão, vou ficar quieto, ficar na minha e ignorar. Quem sabe passa se eu não pensar por muito tempo? Tipo aquelas lousas mágicas que somem com o que a gente escreveu se a gente sacudir com força.

O fato é que para mim não dá. Eu não consigo me impor, eu fujo do embate. Eu não quero ter que me preocupar com isso. Dou um boi para não brigar e uma boiada para não sair da briga. Tenho o sangue do barraco dentro de mim, mas pra ele aflorar é difícil. Bota difícil nisso. Tem que me tirar do sério mesmo pra eu chegar no ponto de explodir.

Isso me faz ignorar pequenas coisas que não me satisfazem ou que me deixam mal. Com o tempo, as pequenas coisas se tornam coisas médias. As coisas médias se tornam coisas grandes e com o tempo, a gente não fala mais nada e se meteu em situações pelas quais a gente não sabe como sair. Fugindo, passando pelas beiradas, querendo estar despercebido.

E o engraçado é que sempre fui comunicativo. Tímido, mas falo bem. Não tenho vergonha de subir num palco e falar pra setecentas pessoas de uma vez só. Mas não consigo dizer não. Simplesmente travo e aceito. Por quê? Qual é o medo da negação? Qual é o medo de me impor e dizer o que funciona e o que não funciona para mim?

Eu não sei. É engraçado refletir que em um texto sobre o “não”, ele é uma das palavras mais presentes. Não sei, não quero, não posso… A gente fica castrado por muito tempo e depois, quando somos livres, não sabemos lidar com essa suposta liberdade. Eu me sinto desnorteado, me sinto sem rumo, mas quero a liberdade.

Sei que sou livre, mas me castro para parecer que não. Para não ter que lidar com todas as coisas que eu quero. Pelo menos, se der errado, não era isso mesmo que eu queria, afinal, o universo escuta e o invejoso tem sono leve, né? Tento não ser animista, mas isso me leva para o ceticismo. Tento ampliar minha espiritualidade e fico nesse meio termo.

não me abre muitas portas e me deixa pensar que fecharei muitas outras. E o medo de abrir, me impede de fechar uma porta que eu não quero que esteja aberta. Para que abrir uma nova se essa que já está aberta é tão quentinha, né? Tão conhecida…

No final, quando a gente abre a porta do não, ironicamente, não é tão difícil assim. Vamos falar alguns “nãos” para situações que não sejam do nosso agrado essa semana?

Eu queria ele morto
Colunas

Anti-heróis: Eu queria ele morto

Todo mundo tem uma história trágica de amor. Aquele romance que tinha tudo para dar certo e não deu. Aquele romance que deu certo por muito tempo e algo trágico separou. Alguém, que mesmo com o passar do tempo e das circunstâncias ainda faz seu coração bater mais forte. Nós queremos ouvir a sua história e publicar aqui, no Beco Literário na nossa nova seção: anti-heróis.

Baseado no álbum novo do Jão, Anti-herói, que conta a história de um amor que devastou e foi embora, nós vamos ouvir a sua história e reescrevê-la aqui no Beco Literário para que possa ser eternizada e ressignificada, afinal todo mundo tem o seu the one that got away. 

ATENÇÃO: O RELATO ABAIXO TEM GATILHOS DE SUICÍDIO, TRANSTORNOS MENTAIS, RELACIONAMENTOS ABUSIVOS E AGRESSÃO VERBAL E EMOCIONAL. NÃO PROSSIGA CASO VOCÊ SEJA SENSÍVEL A UM DESSES ASSUNTOS E NÃO DISPENSE AJUDA PROFISSIONAL.

CVV – Centro de Valorização da Vida – Ligue 188 se precisar conversar

A gente se conheceu na minha casa. Ele era cliente da minha mãe e sempre ia lá com um amigo, o Gustavo*. O amigo e eu estudávamos na mesma escola.

Gustavo chegou em mim um dia e disse que o Fábio estava afim de mim e no dia seguinte, ele apareceu na saída da escola. Não ficamos nesse dia, mas nos encontramos de novo alguns dias depois e então, ficamos pela primeira vez.

Fábio era um garoto amoroso. Sempre dizia que eu era uma menina maravilhosa e divertida. Ele era só amores comigo. Depois disso, apareceu algumas vezes para me buscar na escola e começamos a namorar escondido.

Ele quis oficializar, então. Pediu aos meus pais.

– Sr. Antônio, eu gostaria de namorar a sua filha, Renata. – Ele disse.

– Não. – A reposta veio seca, cortante. E eu fiquei bem triste. Eu não era do tipo que pedia para sair nem nada do tipo. Achei que tivesse a confiança dos meus pais quando começasse a namorar, mas ela não veio.

Minha mãe intercedeu por mim.

– Antônio, deixa a garota namorar! Não tem mal nenhum, ela já tem 18 anos! – Ela dizia, o dia todo. – Melhor aqui em casa, com a gente sabendo, que escondido pelas beiradas da rua, hein?

Começamos a namorar duas semanas depois. Ele me levava para almoçar na casa dele aos fins de semana, rasgava elogios até não querer mais. Nosso começo de namoro foi lindo. Até que eu comecei a desconfiar.

– Amor, você é uma menina incrível! Eu amo quando você vem almoçar comigo, que você fica aqui comigo… – ele começava – O que seus amigos acham disso?

E eu, ingênua, respondia.

– Hum, não seria melhor se você não andasse mais tanto com o Mário? Nunca confiei muito nele. Ele repara muito em você. – Ele completava.

Eu, inocente, achava que eram sugestões para o meu bem. Ele sempre rasgava elogios sobre mim. Mas foi então que as coisas começaram e eu sequer percebi: me afastei de amigos, de pessoas que cresceram comigo. Me afastei de todos os rapazes que eu conhecia. Todos eles misteriosamente davam em cima de mim.

Foi quando o Gustavo começou a me vigiar na escola. Se eu falasse com um garoto no intervalo, ele corria para contar para o Fábio depois da aula. Sempre acabava em briga e eu sempre acabava me desculpando. Eu sempre era a culpada, afinal.

O controle avançou.

– Ei, você não acha essa blusinha muito decotada, não? Todo mundo tá olhando pra você. – Ele dizia.  – Esse shorts é muito curto, suas pernas são grossas. Todo mundo vai olhar.

Passei a mudar minhas roupas. Eu fui definhando. Hoje eu vejo o quanto morri aos pouquinhos naquela época. Comecei a andar de camiseta e calça. Nem sandália eu podia usar.

Então, eu comecei a adoecer fisicamente. O diagnóstico? Histeria. Quando aflições mentais começam a somatizar, isto é, encontrarem uma forma de saírem pelo corpo. Quanto mais a gente esconde, mais esses afetos saíam de mim em sintomas físicos.

Eu estudava perto de casa e consegui uma bolsa em uma escola cara da cidade. Ninguém poderia me vigiar lá e ele perderia seu controle sobre mim.

– Amor, você não acha que essa distância só vai nos separar? – Seu jogo mental começava. – É isso que as pessoas querem, deixar a gente enfraquecido, separado….

Eu passei a não dormir. Convulsões começaram a ser frequentes, assim como os desmaios. Eu mal andava na rua porque tinha medo de alguém ver e ir correndo contar para ele. Eu era um peso morto por dentro.

Comecei a tomar calmantes para dormir.

Um dia, eu estava com um outro amigo na rua. Ri como há muito tempo não ria. Tive uma crise de riso. Ele passou seu braço pelo meu ombro e pelo ombro de outra amiga, que estava do outro lado. O Gustavo viu e correu para contar ao Fábio.

– VOCÊ ME TRAIU!!!!!! – Ele esbravejava. – Eu faço de tudo por você e você fica aí, pra rua, me traindo feito uma piranha qualquer? Você me enoja, Renata. E você não dá a mínima pra mim e pro nosso relacionamento….

Minha mãe apareceu.

– Fábio, melhor você ir embora. – E então, se voltou para mim. – Assim, a Renata não faz mais coisas erradas para te magoar.

Fiquei sem reação. Minha mãe deveria ter me defendido. Mas ela não parou por aí.

– Você não tem vergonha não, Renata? – Seu tom era incisivo. – O garoto faz de tudo por você e você fica aí, brigando com ele… Assim não dá, né, minha filha? Não tem quem te aguente!

E nesse instante, eu cansei. O peso morto tomou conta de mim. Peguei minha cartela de calmantes e fui ao banheiro. Minha mãe achava que eu tinha tomado um comprimido para me acalmar.

Eu tomei os dez. 

No segundo seguinte, estou deitada na cama e todos os fantasmas vêm aos meus olhos meu saudar. Borrões disformes.

Ouço um barulho de sirene ao fundo, pessoas me carregando. Um médico? Alguém me amarrou. Eu vomito, mais de uma vez, repetidas vezes.

Meu pai tem mania de limpeza. Assim que alguém sai, ele entra pra ver se não fez bagunça. Ele achou um comprimido no chão. Minha mãe tentou se arrepender, mas já era tarde demais. Eu já estava entregue ao peso morto. Completamente grogue. Chamou a ambulância, fizeram lavagem estomacal. Sobrevivi, acordei dois dias depois.

Fábio sequer foi ao hospital. Fiquei dois dias apagada e ele não deu a mínima.

Voltei para a minha casa e ele apareceu.

– Oi, dona Márcia. Sou eu, Fábio. – Ele disse do portão. – Pode deixar que eu assumo a Renata a partir de agora.

Assumir. Como se eu fosse o volante de um carro. Como se eu estivesse grávida, mesmo sem nunca ter rolado nada. O peso morto virou uma bomba relógio em mim enquanto minha mãe falava.

– Fa, não estou encontrando a chave… Espera um minutinho só.

Peguei tudo de força que tinha dentro de mim e fui até a cozinha. Abri a segunda gaveta, das facas. E eu fui até o portão.

Depois da minha tentativa de suicídio, eu finalmente acordei. Eu sabia que era culpa dele e eu queria ele morto.

Vi seus olhos arregalarem, assim como os do seu pai, que estavam com ele. Ele correu para o carro. Foram embora arrancando pneu.

Ele nunca mais apareceu, eu me desfiz de tudo que envolvia Fábio na minha vida e nunca agradeci tanto pela chave que fora abduzida para baixo da mesa e ninguém viu. Ele finalmente estava morto pra mim.

* Os nomes foram trocados para manter as devidas identidades preservadas.

CVV – Centro de Valorização da Vida – Ligue 188 se precisar conversar

Tem uma história como “Eu queria ele morto” e quer contar aqui na “Anti-heróis”? Envie para [email protected]. *Os nomes foram e serão trocados para manter as identidades devidamente preservadas.

Ressignificar: uma imagem com um arco-íris de fundo e uma placa mostrando uma mãe e filho de mãos dadas para atravessar a rua
Autorais, Livros

Um ano de ressignificar tentativas

Eu já fiz tanta coisa. Tentei abrir vinte e cinco empresas diferentes, quarenta e nove projetos e já quis ser arquiteto, médico, dentista, engenheiro…. Acabei me formando como jornalista. Já entrei em tanta coisa que eu não queria entrar. E eu tive que ressignificar muito.

Eu já tentei de tudo e há quem veja de fora e diga: você não tem foco, não? A verdade é que eu, por muito tempo, achava que meu foco estava perdido. Mas quando o foco está perdido, a gente precisa encarar os fatos: estamos sem foco. E foi nessa que eu me meti em várias ciladas. Principalmente no âmbito profissional, onde pareço sublimar tudo o que acontece na minha vida.

Sabe, eu já tive zilhões de blogs. Vários perfis no Instagram de coisas diferentes. Eu já fui influencer wannabe de todos os nichos possíveis: finanças pessoais, comportamento, marketing digital, literatura e, acredite se quiser, moda masculina. E eu tentei, sabe? Mas essas tentativas me deixaram por muito tempo com medo de mudar.

Com medo de tentar mais, eu me estagnei em muitas coisas que não fizeram tanto sentido pra mim. E eu ficava ali, insatisfeito, com medo do que as pessoas iriam pensar. Quem? Não sei. Talvez eu mesmo.

Parece prepotência dizer que tudo o que eu fiz, e quis fazer, deu certo. Mas na verdade, é que as coisas sempre dão certo. Nada dá errado pra gente, porque no final, sempre tem um aprendizado. E foi assim que eu aprendi a ressignificar minhas coisas e não deixei me estatizar. Tenho cada vez mais, deixado o Beco Literário ir, seguir seu caminho e cada vez mais ele tem se tornado quem ele sempre foi: eu, o Gabu. Com a cara e a coragem.

Talvez eu não tenha dado meu nome porque eu sempre quis me esconder. Talvez eu tenha me fragmentado em vários projetos, porque sim, eu sou plural! Eu quero fazer e experimentar várias coisas no mundo. Gosto do quentinho da minha cama, mas também gosto do frio da barriga do novo e do desconhecido. Eu gosto de tentar.

E foi então que eu tenho entrado nessa jornada de ressignificar. Eu acho que estou conseguindo, mas não sei dizer com certeza. Alguns dias são melhores e eu consigo focar. Outros dias, não são tão bons assim e eu só quero entrar em um ciclo de autossabotagem. Mas hoje, quando olho pra trás, vejo que sim, meu caminho foi meio tortinho. Vejo que minha arma atirou pra vários lados.

Mas isso me possibilitou chegar aqui, são e salvo. Não é meu aniversário, mas é aniversário do Beco Vips, a comunidade do Beco Literário, a primeira coisa que ressignifiquei e quero continuar a ressignificar. Quando o site estava falido, a beira de fechar de uma maneira que eu não queria, a comunidade surgiu e hoje ela faz um ano. Nela, fiz amigos. Quem está lá, pode conhecer um pouquinho mais do Gabu e eu tenho a sorte imensa de todos eles terem compreendido as minhas mudanças, as minhas fases e as coisas que eu queria ou não fazer.

O Beco Literário, o #BecoVIPs, antes era meu armário. Meu refúgio do mundo. Hoje ainda é um Beco, mas ele é mais iluminado, mais bem povoado e com mais pessoas no mesmo barco. Pode estar tudo bem, pode estar tudo ruim, mas é como ter sempre aquele abraço quentinho e fraterno, não importa se estejamos a uma rua ou a um oceano de distância. Agora, vejo que todas as vezes que pensei em fechar o site, eu não consegui levar pra frente porque precisávamos chegar nesse ponto em comum.

Mesmo que hoje em dia, eu não escreva tanto por lá, porque não me cabe ou porque não sinto vontade, é de onde eu vim. É de onde milhares de outras pessoas, outros escritores, virão. É o nosso pontapé inicial, e também é nosso ponto de referência. Depois de todos esses anos, dúvidas e tentativas de ressiginificar, o Beco não é só um site. O Beco é um pedacinho de mim e de cada pessoa que está lá.

Pode ser que não tenhamos o site no ano que vem, quem sabe? Pode ser que tenhamos por mais cinquenta anos, não sei. Mas tenho certeza que tem um pedacinho dele em cada um que teve sua vida mudada pelos ventos de lá. O Beco Literário é o Gabu Camacho. O Beco Literário é você, Becudo.

E ele sempre estará lá te dando as boas vindas e aquele abraço quentinho. Lá. No fundo do nosso coração. Obrigado pelo primeiro ano juntos. <3

partir
Autorais, Livros

Autoria: parte de ir, partir

parte de te deixar ir, era também partir
mas você partiu antes que eu te deixasse ir, até hoje penso que nunca deixei
você partiu e me partiu, como um bolo

leia ouvindo: palo santo, years & years

eu lido bem com o vazio, sozinho, pensando se alguém algum dia vai demonstrar amor como você me demonstrou, com a simples diferença de que essa pessoa realmente vai ter um amor para me oferecer. não vai demonstrar e partir;

sigo pensando se esse alguém vai estragar meus melhores dias e pedir desculpa logo em seguida da maneira mais descarada possível, sigo pensando se tudo aquilo no início não era um sinal para eu ter desistido, mas teimoso como sou, infringia as regras.

esperei.

você agora é a escuridão que existe em mim, com a diferença de que ela me abraça de uma tal forma que você nunca fez e me acolhe de forma desesperada.

Esse é mais um daqueles textos que esqueci quando fui publicar “contando estrelas cadentes“. Olhando agora, talvez eu saiba que o deixei de fora por fugir um pouco da estética de poesia do livro em si. Eu também queria que o livro fosse uma montanha russa que vai só para cima, para nunca mais descer. E esse texto, desce nas raízes mais profundas de mim. É uma ida e volta ao submundo. Como não pretendo escrever tantas poesias assim por algum tempo, também resolvi deixar registrado por aqui.

reserva de emergência
Atualizações

Reserva de emergência: você tem a sua?

Ter uma reserva de emergência é essencial para cobrir gastos que aparecem do nada na nossa vida. Eu mesmo, durante meu inferno astral, tive que trocar meu computador e meu celular, de uma vez só. Se eu não tivesse seguido esses passos, lá no passado, e ter criado minha reserva de emergência, com certeza eu estaria largado às traças agora ou endividado até o pescoço no cartão de crédito.

As dicas que separei aqui embaixo são as que deram certo para mim, mas elas podem não servir para a sua realidade, por isso, leia, entenda e adapte alguma forma de funcionar para você, combinado?

Defina seu custo de vida mensal

Antes de começar uma reserva de emergência, você precisa saber quando sua vida custa em um mês. Coloque todos os seus gastos essenciais, tudo aquilo que é importante para você (tire os supérfluos, que você vive sem, nesse momento) e some. Esse resultado, você multiplica por 6 para encontrar o valor mínimo da sua reserva de emergência. Vale a pena ressaltar que seu custo de vida mensal nem sempre é o valor do seu salário, por isso, o cálculo é importante.

Separe 10% do seu salário todos os meses

Se for possível, assim que seu salário cair na conta, tire 10% dele, no mínimo e guarde para a sua reserva de emergência, depois você direciona o resto. Se isso não for possível, arredonde seu saldo depois de pagar a sua conta. Se tem R$ 122,90 na sua conta, por exemplo, mande R$ 22,90 para a reserva. Se isso não for possível, mande R$ 2,90 ou então, R$ 0,90. Qualquer quantia é válida.

Não deixe a reserva de emergência morrer

Nada de guardar esse dinheiro embaixo do colchão! A reserva precisa ser investida para que você não perca dinheiro para a inflação com o passar do tempo. Invista em uma modalidade de investimento com rentabilidade diária, isto é, que você pode sacar a qualquer momento. O intuito da reserva não é te deixar rico, e sim, estar lá, protegida da inflação para quando você precisar. O MercadoPago, o PicPay e até o Nubank, oferecem opções para fazer o saldo bancário render.

Procure não deixar o dinheiro parado na sua conta bancária, em uma caderneta de poupança (rende menos que a inflação) ou em investimentos arrojados que apresentem um alto risco, como ações.

E aí, você já tem uma reserva de emergência? Como ela está atualmente? Devo confessar que a minha está zerada. Estava invicta até que precisei trocar de celular e computador (eles quebraram, não foi por luxo), por isso usei sem medo. Quando o momento de usar chegar, vai sem fundo. O dinheiro está ali pra isso!

Gosto de começar as coisas
Autorais, Livros

Autoria: Gosto de começar as coisas

É engraçado que esse ano de 2020 está me fazendo contradizer tudo o que eu já escrevi em meus quase vinte e quatro anos de vida. Sempre disse que eu era apaixonado pelos finais, mas recentemente descobri que gosto de começar as coisas.

Nós, seres humanos, temos uma tendência grande a reprimir as coisas, principalmente o que é doloroso. Isso é psicanalítico, até. Na linguagem técnica, a gente recalca certas coisas no nosso inconsciente e esse recalque, essa barreira, não deixa com que as coisas vazem de lá para a nossa consciência, para o nosso dia-a-dia.

Leia ouvindo: Love Ballad, Tove Lo

Eu tenho reprimido muitas coisas em mim há muito tempo. Sempre gostei de escrever sobre comportamento, sobre relacionamentos, sobre reflexões… Sempre me inspirei muito em nomes como Isabela Freitas, Daniel Bovolento, Igor Pires, Thalita Rebouças, Bruna Vieira. Meu primeiro livro foi inteiramente inspirado em um da Bruna.

Eu sempre quis escrever sobre o amor. Sobre mim. Sobre meus sentimentos. Quando foi que eu reprimi toda essa vontade e todos esses sentimentos? Quando foi que eu ignorei e segui outros caminhos? Quando foi que eu desisti de tudo isso? Quando foi que eu gostei de começar outras coisas tão longes do meu caminho?

Sempre que a gente reprime alguma coisa, ela vem à tona. Sempre. As coisas vem, e se não vem por bem, vem por mal, por meio de sintomas físicos e psíquicos. E essas coisas sempre esperam alguns momentos para irem de zero a um milhão.

Pode ser que espere um momento ruim, pra ir de zero a um milhão negativo. Mas também pode ser o contrário.

Desde o final da minha faculdade, minha presença na internet e no conteúdo que produzo não tem sido mais tão passiva. Eu não conseguia ficar só no entretenimento de resenhas sobre livros. Ou de opinar sobre romances de época. Eu precisava de mais. Eu precisava começar mais.

Eu comecei a questionar, entender que as coisas tem um buraco mais embaixo do que realmente vemos. Passei a cutucar, entender e então, exemplificar, falar, demonstrar. Eu gosto de dividir o meu conhecimento, as minhas reflexões e tudo o que aprendo.

Nunca pensei que seria um Jornalista da televisão. Sempre soube que seria da internet. E sempre soube que eu seria questionador, mas também, que eu escreveria sobre esses sentimentos que temos vergonha de sentir. Ou que recalcamos dentro do nosso inconsciente.

Esse ano, com a quarentena, foi o meu momento bom de ir de zero a um milhão. Eu fui. E as coisas explodiram dentro de mim. Eu entendi que deveria ter começado a escrever sobre sentimentos, autoconhecimento e comportamento há pelo menos cinco anos atrás. Eu só não podia ainda.

Agora eu posso e explodo por isso. Cada vez que você aceita quem você é de verdade, você explode, você cresce e começa a ir mais alto.

E aí, nos encontramos lá no topo?

banho de sete ervas
Estreias

Você conhece o banho de sete ervas?

Não sou uma pessoa ligada em só uma linha de espiritualidade: vou na igreja católica, no centro de umbanda, jogo tarô, tomo banho de sete ervas… até brinco com os meus amigos que sou politeísta. Melhor pecar pelo excesso que pela falta, né?

Sempre que eu me sentia com a energia carregada, ruim ou pesada, eu ia lá e tomava um banho de sal grosso. Colocava o sal grosso na água e plau. Até que uma amiga me disse que o tal banho era bom, mas que ele descarregava toda a energia e não renovava. Então, se eu descarregasse e continuasse em um ambiente com a energia pesada, de nada ia adiantar.

Até que conheci o banho de sete ervas, por meio da mesma amiga. Além de descarregar, ele renova suas energias. Combo completo. Eu sempre mantenho um saquinho com as ervas secas em casa e uso sempre que me sinto mal ou que as coisas não dão certo. Vou explicar meu processo nesse post pra vocês (inclusive já mostrei em vídeo lá no Instagram), mas você pode adaptar pra como você se sente melhor, combinado?

  1. Compre um saquinho do banho de sete ervas em lojas de artigos religiosos. Sim, basta pedir banho de sete ervas, que eles vão te entregar um saquinho contendo uma mistura de comigo-ninguém-pode, espada de são jorge, arruda, alecrim, guiné, manjericão e pimenta. Não deve custar mais que cinco reais um saquinho pequeno;
  2. Eu deixo para tomar o banho na parte da noite, quando não vou mais sair de casa naquele dia. Recomendo que você faça o mesmo. Tome o banho e relaxe, faça algo que você gosta depois;
  3. Para preparar o banho, coloque uma leiteira de água para ferver e um punhado das ervas para cozinhar junto – a quantidade é correspondente à palma da sua mão fechada;
  4. Deixe a água ferver com as ervas por um tempinho. Quando a água começa a evaporar e você sente aquele cheiro característico das ervas, é hora de desligar;
  5. Coe o banho: vai ficar parecendo um chá fraco. As folhas, você deixa secar e não joga no lixo. Faça com que elas voltem para a natureza. Eu, por exemplo, coloco como adubo nas minhas plantas depois;
  6. Pegue o cházinho e leve para o banho com você. Tome seu banho normalmente e quando terminar, faça um ritual próprio. Reze para algum santo que você goste, converse com o universo ou então, só pense coisas positivas e jogue do pescoço para baixo (cuidado para não se queimar – deixe o líquido esfriar antes);
  7. Não enxágue. Só se enxugue e aproveite as boas energias. Tome um banho normalmente no dia seguinte e vida que segue.

Vale a pena ressaltar que esse é o meu ritual e a maneira com a qual ensino os meus amigos a tomarem o banho de sete ervas! Você pode descobrir o seu ritual, adequar aqui e ali, não tem regra não, ok? Cada um encontra o seu caminho na espiritualidade e ele não é igual pra todo mundo.

Também não sei se esse banho é ligado a alguma religião em específico. Eu faço, amo e indico para todo mundo. 😉