Casa- escola; escola- casa. Fiz isso durante o ensino médio, mesmo ônibus, mesmo caminho até chegar em casa. Uma caminhada de uns trinta minutos com pouca iluminação, passava por casas conhecidas da minha família e isso nunca me preocupou, sentia alívio por estarem no trajeto. De certa forma, reconfortava meu retorno solitário.
O mal de toda situação que nos deixa assim é fazer perder o medo e confiar. Eu confiei demais. Não devia. Errei.
Numa dessas noites, voltando da escola, senti que alguém me seguia. Virei-me, mas não vi sequer vestígios de quem ou o que seria. Apesar disso, a sensação de perseguição me assombrava. Segui o trajeto por mais uns quinze minutos, até alguém me agarrar por trás.
Naquele momento, gelei, fiquei impassível de reação. Com uma mão percorria meu corpo, com a outra mantinha minha boca fechada. Ele sabia o que queria, havia um ponto fixo e desejado, sabia que o tempo era curto e precisaria ser ágil e certeiro nos próximos movimentos.
Parou a mão livre onde queria, desceu minha calça jeans e me virou para vê-lo. A pouca luz da lua que iluminava a noite, revelou traços conhecidos, um homem por volta dos seus cinquenta anos. O medo crescia em ritmo acelerado, sua vontade que eu soubesse meu invasor, a minha de escapar o quanto antes.
Aquilo fez forças surgirem de onde outrora o pavor tomava conta. Reagi então, empurrei-o e corri, o quanto e o mais que pude. Trêmula, ofegante, traumatizada, cheguei em casa. Sem acreditar na sorte que tive.
Contei o ocorrido para minha família, meus pais contataram a polícia. Ele negou, sua palavra contra a minha. No final não ficou preso, eu abandonei a escola. Mudei o rumo e minha vida por ele, ex amigo dos meus pais, que frequentou por anos minha casa e parecia confiável.
Carrego as consequências daquela invasão e ele continua vivendo como se nada tivesse acontecido.
recomeçar, verbo que significa começar de novo. junção de ré e começar, por vezes temos que voltar um passo ou dois para retomar caminho. acalmar o coração e tentar outra vez, duas ou três. é andar três léguas e decidir depois por outro lugar. é se destemer. encerrar ciclos. escrever em folha branca.
ir sem medo, se aprende muito mais pelo desconhecido que por aquilo que já se é sabido. nunca sinônimo de fraquejo, recomeçar é coragem mesmo para quem tem medo. querer mais uma vez, é ir catando os pedaços para transformá-los em coisa nova e assim ser gente nova. são os erros com cara de aprendizado.
é não pensar muitas vezes e ir logo fazendo. quando o nadador toma fôlego para mais uma braçada, porque sabe que no final há medalha. é fazer curva numa reta. é ver arco íris logo depois da tempestade.
é ser florada para cultivo de outros frutos. poder acordar todos os dias com vontade em fazer diferente. viver mil quatrocentos e quarenta minutos em um dia e saber que o relógio começará a contar a cada amanhecer os minutos mais uma vez. ser agradecimento pelas novas oportunidades.
é isso que estou fazendo agora, depois de muito tempo. por mim. por você.
Muito tempo já se passou desde que você fez o que fez. Agora você finge que não me conhece e que eu nunca cruzei sua existência. Desculpa quebrar essa pra você: eu cruzei e tem sido mais difícil que eu pensava.
Eu me mudei. Mudei de cidade, também. Mas, resolvi passar vinte dias na casa nova da minha mãe. Sabia que ela comprou uma casa enorme pra morar com a minha irmã? Pois é. Fui passar férias lá e minha irmã me chamou pra ir nessa festa onde tudo foi meio atravessado.
Leia ouvindo: Processed Beats, Kasabian
Eu relutei, mas depois eu topei. Sei que meu noivo ia querer ir junto, mas ele estava em outro país, viajando a trabalho. Fui com a minha irmã na festa, com uma roupa meio ralé e minha bolsinha de ombro. Sim, aquela de tantos anos que a gente comprou juntos na viagem do décimo terceiro. Esperei por horas naquela fila. Você se lembra de todas as vezes em que estivemos juntos nessa fila? Eu me lembro, mas não queria. Claramente não tenho mais idade pra isso. Acho que você não se lembra, afinal, você fez o que fez e agora finge que não me conhece.
Quando chegou minha vez de pagar e entrar, eu precisava muito ir no banheiro. Deixaram que eu entrasse e voltasse para pagar depois. Corri para a cabine… Tudo estava tão diferente de quinze anos atrás, quando a gente era adolescente e nos beijávamos na fila para o mesmo banheiro. O banheiro não era o mesmo. Eu não era o mesmo. Será que você lembraria das coisas caso viesse aqui da forma que estou lembrando?
Saí e voltei para a recepção. Minha neurose continua a mesma. Preciso das coisas certinhas. Droga, esqueci a bolsa no banheiro, pendurada atrás da porta da cabine. Voltei e você estava lá, dentro da cabine. Você sabia que a bolsa era minha e que eu precisaria falar com você para pegar. Você me olhou maliciosamente como se eu não fosse falar.
Mas eu falei e peguei a bolsa. Você ficou estático, não respondeu. Me olhei no espelho antes de sair e eu não estava tão bem vestido quanto você, e você percebeu. Me olhou da cabeça aos pés. Socorro, eu estou preso! Você quebrou meu diálogo interno, gritando no banheiro.
Um menino que estava ao lado correu para a sua cabine e sua cabeça estava meio presa entre a porta. O que você estava tentando espiar do lado oposto da cabine? O seu novo crush da vida fazendo xixi? É, deve ser isso.
Eu fui mais perto, tentando ajudar o menino que te puxava e você gritou mais uma vez. Não deixa ELE se aproximar de mim. Demorou um pouco mas eu entendi. Você se referia a mim. Eu não podia me aproximar para te ajudar. Então, parei, estático. Eu posso ajudar, ele não vai conseguir te soltar sozinho, te respondi, mas você não se dignou a me dirigir a palavra.
Deixa qualquer um entrar, menos ele. Ele não pode me ver assim. E eu entrei na cabine, mesmo contra sua vontade, para tentar ajudar aquele que te puxava antes que tivéssemos que chamar uma ambulância. NÃO, EU TÔ PELADO!
De todas as coisas, você só pensava nisso. As coisas não mudam. Não tinha nada ali que eu não tivesse visto de todas as formas possíveis. Em todos os ângulos e com todos os meus sentidos. É, você fez o que fez e finge que não me conhece. Finge que não conhece cada centímetro da minha pele. Finge que nunca transamos em cada pedacinho daquela cidade de todas as formas possíveis.
A gente conseguiu te soltar. Você se vestiu e eu me afastei, me arrumando no espelho. Eu precisava voltar, pagar e tomar uma bebida. Parecia inacreditável tudo aquilo. Qual é a chance do seu ex-namorado da adolescência entalar a cabeça na cabine do banheiro da balada que vocês iam, ainda por cima pelado? Certas coisas só acontecem comigo, mesmo.
É, parece que só um de nós melhorou o estilo. Você me mediu de cima aos pés, disse isso com desdém e saiu porta afora. Você fez o que fez e se esqueceu. Se esqueceu de que já te vi em todos os ângulos, de todas as formas, com roupa ou sem.
“Ele vai estar na faculdade, desencana”. Você se lembra de quando a sua melhor amiga de infância me disse depois que você comemorou que ia estudar em outro estado? Foram exatamente essas palavras. Eu estava feliz por você, mas não sabia que era isso que estávamos comemorando. Eu sabia que era fruto do seu esforço e que você merecia isso.
O problema é que eu gostava mesmo de você. Pra valer. Você me acordava com um sol no rosto todas as manhãs e eu queria isso pra sempre. Eu estava caindo rápido por você, como naquela música da Avril Lavigne.
Em um mês, você era meu porto seguro. Eu sentia que você sempre estaria lá por mim. E agora você está indo embora. Não é pra sempre, não é por algo ruim. Você não morreu e essa é a coisa certa a ser feita. Lembra que você viu que eu estava triste, estragando a sua despedida e você então, me chamou num canto e perguntou, como você me vê?
Eu não soube responder. Minha vontade de chorar estava insana. Como eu te via? Como alguém que eu estava perdidamente apaixonado. Condenado, como você me disse uma vez no parque, que sem você saber, agora considero como nosso.
Eu amo ser exagerado, mas não é exagero quando digo que realmente gosto muito de você. E acho que é muito para o meu final feliz. Eu não valho tudo isso, você diz e eu sempre discordo na mesma hora. Hoje em dia, eu sei que você não vale a roupa que veste. Mas eu sempre te enxerguei mais do que você era.
Houve uma época em que eu sempre discordaria disso, porque você está marcado em mim. Sei que você vai ler tudo isso, apesar de não dever. Só sei que me sinto dentro de um livro daqueles que chorei muito ao ler. E Deus sabe o quanto eu desejava estar dentro de um deles, mas precisava ser tão ao pé da letra?
Hoje eu sei que devia ter deixado você ir embora. Na época, eu não sabia.
Eu seria hipócrita de dizer que não sentirei saudades dos nossos sábados em São Paulo, dos cafés na Starbucks, de dormir com você e de te beijar na praça de alimentação do shopping. Está tudo guardado dentro de mim.
Sei que esse parece um texto triste, mas não é. Estou orgulhoso de você. Mas hoje, não estou orgulhoso da pessoa que você se tornou como eu achei que estaria anos atrás.
Eu sempre achei que você era muito para o meu final feliz. Mas a verdade é que eu era muito. Muito pra você merecer. Eu é que era muito para o seu final feliz.
“Eu vou te ajudar com isso e você vai ganhar esse concurso”, e eu queria mesmo te ajudar naquele dia. Eu tinha prometido naquele dia que você me chamou pra ir na Starbucks. Cada centímetro meu estava implorando pela próxima vez que nos veríamos. Ok, implorando não. Eu só estava torcendo muito, e você sabia disso. E ela veio mais rápido que eu imaginei, porque você conhecia alguns lugares que poderíamos ir em segurança.
Você me disse que queria ir no cinema e eu topei, sem pensar duas vezes. Me atrasei, como sempre, mas cheguei no shopping com aquele sorriso no rosto que eu mantinha desde a última quarta-feira e que todo mundo tinha reparado, em todos os lugares.
Leia ouvindo: I know places, Taylor Swift
Cheguei e te abracei. Corri tanto pra pegar aquele ônibus. Poucas vezes eu corri assim por coisas que eu realmente queria. Ajudei você com o que você precisava para ganhar o tal concurso. Você me deu brownie na boca enquanto eu trabalhava. Você sabia que aquilo me deixava balançado.
Fomos para o cinema. Antes do filme começar, você me beijou ali na porta. Você me abraçou. Eu deitei no seu colo, você passou a mão no meu cabelo. Eu sequer me lembro do filme que estávamos assistindo, se não era sobre o nosso amor. Eu estava gostando mesmo de você. E você sabia.
Eu achava tão fofa a maneira com a qual você me tratava. Você me beijava, não só na boca. O filme ficou em segundo plano e eu não sabia que estava no cinema. Eu só queria guardar aquelas memórias o máximo possível porque meu inconsciente devia saber que nós tínhamos um prazo de validade. Eu disse que você era alguém saído de um livro da Jane Austen.
Aquele lugar era tranquilo, com você. Era um refúgio, de tudo o que o mundo podia fazer. Aquele abraço que você fechou com os nossos rostos enquanto segurava a minha mão e eu cantarolava Taylor Swift. Just grab my hand and don’t ever drop it… DON’T EVER DROP IT. Talvez tenha sido uma das melhores noites da minha vida. E você sabia disso.
Eu poderia ficar aqui, escrevendo páginas e páginas sobre como me senti, como me descobri ou ainda poderia escrever a próxima continuação de Cinquenta Tons de Cinza. Eu poderia descrever em detalhes quando o filme estava próximo de acabar e você me puxou pela mão e me beijou com gosto de cereja na porta de saída do cinema, no escuro. Quantas reticências.
O meu sorriso estava dez vezes mais forte que qualquer outra vez na minha vida e era interminável. Nada conseguia tirar o meu bom humor naquele momento, porque eu sou assim quando estou gostando pra valer de alguém. Parece que tenho poderes mágicos. Crio histórias, danço no ritmo da música, tudo ganha um significado especial em forma de palavras. E droga, você sabia disso.
O meu rosto se ergue feito botox, a pele melhora, o sono some ou vem avassalador com os sonhos do futuro perfeito. Nós éramos infinitos aquela noite, aceitando o amor que achamos que merecemos, nem parecia que a página seguinte do meu capítulo estaria manchada de lágrimas.
Eu te acho perverso. Como alguém que me beijou com gosto de cereja na porta do cinema e me deu brownie na boca poderia ser tão… frio? Você fez tudo isso comigo e com mais outras cinco pessoas nos outros dias da semana. Você sabia que eu estava me apaixonando. Você sabia que me tinha na mão, que eu era seu, que eu sempre fui. Até hoje eu não sei o porquê.
Porque você sabia. E isso te dava mais vantagem nesse jogo que eu não queria ser o ganhador.
É, eu não sei como essas coisas funcionam direito, ele disse. Eu sou ruim no amor, sempre cometo os mesmos erros.
Perguntei como assim. Não era possível que uma pessoa espetacular, como aquela que se apresentava pra mim nas entrelinhas das mensagens fosse “ruim no amor”. A narrativa não batia com a vida real e dessa vez era de uma forma positiva, ao contrário de quando um livro não condiz com um filme, por exemplo.
Leia ouvindo: Bad At Love, Halsey
Foi então que ele começou sua narrativa no dia em que perdeu a virgindade com o menino que seria seu amor por três anos a partir daquela fatídica noite. Eles eram muito diferentes, mas mesmo assim tudo tinha corrido bem e continuou correndo. Ele nunca o apoiou no sonho de ser escritor, achava que deveria desistir daquele curso de marketing na faculdade e seguir carreira na loja de carros do pai.
Mas ele queria mesmo era escrever. Assim como eu, sentia muito, transparecia pouco. As pessoas achavam que ele era besta. Achavam que aquela voz de sono e aquele jeito de quem não liga pra nada sob o moletom preto com rosa escondiam só mais um garoto fútil que tinha ficado preso no ensino médio. Não, eu não era assim. Sempre fui mais que as coisas podiam transparecer, ele falava, como se precisasse provar algo pra mim, para si mesmo.
Eles ficaram juntos por muito tempo até que o garoto começou a exigir algumas coisas bem esquisitas. Você precisa malhar mais essa bunda. Não gostei do seu corte de cabelo. Eu não vou tocar em você se você não de depilar por completo, credo… Isso é só a ponta do iceberg de coisas que ele me falava, sabe? Eu não podia ser eu mesmo, ele choramingava pra mim entre uma frase e outra no mensageiro verdinho.
A saída daquele calabouço veio de quem ele menos esperava. Do ex-namorado do seu então namorado. Nós estamos juntos há três meses agora. Mas eu já terminei tem mais de um ano.
O ex do ex veio a se tornar seu melhor amigo. Ele ouvia todas as lamentações e acariciava seu cabelo cor de mel naquelas noites que não eram tão silenciosas assim. As coisas pareciam ficar mais fáceis quando ele estava por perto e agora, ele parecia se convencer que estava apaixonado. Ele me pediu em namoro depois de uma briga, a gente estava em um evento público, disse e eu imaginei que ele estava corando.
Eu não sei se ele estava perdidamente apaixonado pelo ex do ex nessa altura do campeonato, mas me parecia que não. Ele queria mais, queria conquistar o mundo, queria escrever quatro livros, viajar para o Egito e conhecer a França. Queria assinar contrato para ter seus livros adaptados para o cinema. Queria vender os direitos para a Warner produzir parques temáticos…. Mas estava ali, preso de novo.
O ex do ex era só um algoz liberando de outro algoz. E eu não entendia o porquê. Eu não sabia porque ele estava me contando aquilo, então lhe perguntei. A gente só tinha se trombado na saída da faculdade ontem e começamos a conversar sobre Taylor Swift. Minha van chegou e eu precisei ir, mas deixei meu número com ele. Estamos conversando desde então. E já estamos na segunda aula do segundo dia.
Daqui a pouco são vinte e quatro horas, só interrompidas para o sono dos justos.
Você pode me encontrar no meu carro? Ele disse. Eu disse que sim e saí da sala com a minha bolsa laranja no ombro. E eu nem sabia que ele tinha carro.
Por que ele estava esperando a van se ele tinha carro, afinal?
Eu saí e fui em direção ao pátio e depois em direção ao portão. Eu o vi e achei que fosse sorrir, mas senti minha cara arder.
Ele beijava um garoto uma cabeça menor que ele, com piercing no septo e uma camisa xadrez amarrada de forma brega na cintura. Não, não era o ex do ex. Era outra pessoa e eu imaginei que era pra ser eu.
O ano virou e a expectativa de uma vacina se tornou iminente, porém o isolamento social ainda é uma realidade sem previsão de acabar. Mas não é por isso que devemos ficar em casa sem novas leituras. O ano de 2021 reserva lançamentos que animam todos os tipos de leitores.
Para você não perder esses grandes lançamentos, Eduardo Villela, book advisor com mais de 15 anos de experiência no mercado editorial, separou algumas leituras imperdíveis com previsão de estarem nas prateleiras este ano. Vamos a elas:
The Last Days of John Lennon
Como o título sugere, a obra detalha os últimos momentos de uma das personalidades mais reconhecidas de todos os tempos. John Lennon morreu de uma forma trágica cercado de polêmicas. Essa história é contada por três autores consagrados: James Petterson, Casey Sherman e Dave Wedge. A publicação foi lançada em inglês em três edições (e-book, capa dura e capa normal) e já está disponível para o público brasileiro.
Minha Mocidade
Nessa obra, uma das maiores figuras históricas do século XX, Winston Churchill, relembra momento de sua infância, os estudos, os anos como correspondente na África do Sul durante a guerra dos Bôeres e o início da vida política. O livro descreve a formação de um grande líder inglês ou nas próprias palavras do autor ” panorama de uma época extinta”. Minha mocidade será lançado pela editora Harper Collins em 15 de janeiro, nas versões digital e física.
Jack Kirby: A Épica Biografia do Rei dos Quadrinhos
Talvez você não conheça Jack Kirby, mas com certeza, já ouviu falar de alguma de suas criações. Junto com Stan Lee, Jack deu vida a personagens como Capitão América, Thor, Pantera Negra e muitos outros. Mas a vida do quadrinista não se resume apenas aos “gibis”. Jack viveu nas ruas de Nova York durante a Depressão, lutou na Segunda Guerra Mundial antes de chegar nos escritórios da Marvel e fazer história com Stan Lee. Como não poderia deixar de ser, a sua história também foi contada em quadrinhos por Tom Scoli. A Biografia será lançada dia 20 de janeiro, pela editora Conrad nas versões digital e capa dura.
Como evitar um desastre climático: As soluções que temos e as inovações necessárias
Esse livro é para aqueles que se interessam e se preocupam pelas mudanças climáticas. O autor dispensa apresentações, é o bilionário da Tecnologia, Bill Gates. Essa obra é o resultado de 10 anos de pesquisa de Bill Gates com ajuda de pesquisadores e especialistas de diversas áreas, com o objetivo de listar ações para evitar um desastre ambiental global. O lançamento será feito dia 19 de fevereiro pela Cia da Letras, nas versões digitais e físicas.
Kamala Harris: La vida de la primera mujer vicepresidenta de los Estados Unidos
Esse livro exige do leitor compreensão do idioma espanhol, mas vale a pena. É a biografia da primeira vice-presidente americana, Kamala Harris. A obra traz a trajetória da filha de imigrantes que se tornou uma das políticas mais importantes da atualidade. O livro será lançado no formato ebook no dia 19 de fevereiro pela Editora Roca Editorial.
Acordei. Sofrendo, como sempre. Sofrendo por alguém que sequer liga pra isso. Sofrendo por quem não me merece. Sofrendo por deixar minha felicidade depender de alguém que a massacra como uma daquelas bolinhas que nos obrigam a apertar quando doamos sangue. Nunca doei sangue, por sinal. Me vesti como sempre: uma calça legging preta, uma camisa xadrez vermelha e um coturno. Balancei meu cabelo e fui andando daquele jeito de sempre, bem negativo.
Leia ouvindo: One last night, Vaults
Trabalhei na velocidade mínima, eu não conseguia render nos sábados. Ainda estava sofrendo por alguém e não queria mais isso. Eu não merecia ser a segunda opção. Prefiro andar sozinha que interpretar um papel de suporte, se não posso ser a protagonista.
Ultimamente, tenho conversado muito com um amigo, que chamarei aqui de Edward, como o de Crepúsculo. Ed, pra simplificar. Ele era um cara muito legal, que compartilhava alguns gostos comigo. Fazia inclusive a faculdade que eu pretendia iniciar no próximo ano.
Conversei uma época com ele no passado, quando comecei um relacionamento com o J – como chamarei aqui -, sim, o mesmo que citei indiretamente no começo do texto. O Ed tinha sido amável comigo. Conversamos sobre carteira de motorista, faculdade… Ele até tinha dito que tinha um crush em mim! E eu também confesso que tinha desenvolvido certo crush por ele. Mas ficou por isso mesmo, porque as coisas com J foram tomando uns rumos um pouco absurdos, né.
Voltando ao meu dia de merda, eu estava trabalhando quando Edward me chamou para ir com ele na Starbucks, que vínhamos combinando há séculos, mas nunca tinha rolado de verdade. Confesso que fiquei bem feliz de ele ter me chamado pra valer, sabe. Cheguei a achar, por um momento, que essas coisas ficariam só naquele limbo onde combinamos as coisas e nunca fazemos de verdade.
Cheguei em casa, animadíssima, como uma animação que fazia tempo que eu não sentia. Era algo despreocupado, até.
Me atrasei, claro. Se não me atrasasse, não seria eu. J estava me mandando algumas mensagens com ciúmes porque eu sairia com o Ed. Mas que porra, né? Eu havia passado a semana toda dizendo que estava com saudades e nada… Nada de ações, só palavras. Parecia que as ações só vinham de mim e isso me cansava. Deixei-o falando sozinho, no limbo da dúvida em que ele sempre me deixava.
Minha cabeça, talvez comprometida pela alegria que eu estava sentindo, não se conectava mais a dele. Nem meu coração. Estava livre, afinal. Tomei banho, me arrumei e devo dizer que caprichei, mesmo. Fiz limpeza de pele, a sobrancelha, maquiagem… Coloquei um vestido novo e um chapéu coco. Minha mãe me deixou na porta do shopping que eu marquei com Edward.
Estava chovendo, e fiquei um pouco triste por me molhar. Dei umas voltas no shopping para me secar, enquanto conversava com uma amiga por mensagem de texto. “Estou com medo do que vai rolar”, eu disse. “Deixa rolar. Mesmo, ele pode ser um cara incrível e você não pode perder certas oportunidades na vida”. Isso me encorajou bastante.
“Cheguei no shopping”, enviei para Edward. “Estou no carro. Vem aqui.”
Segui para a portaria, mandando mais mensagens para minha amiga, desesperada. Ed me buscou ali na porta e disse para voltarmos ao carro porque ele tinha esquecido o bilhete do estacionamento. Uma parte interna de mim sorriu quando entrei no banco de trás.
Estava óbvio o que aconteceria a seguir e eu estava bem nervosa. “Vou ficar aí atrás com você”, e ele foi, afastando os bancos para a frente. Conversamos aleatoriamente por alguns minutos e ele ligou o rádio. Tocava Love Me Like You Do, da Ellie Goulding.
“Tô com medo de te beijar agora, você sempre diz sim pra todo mundo”, ele disse. E eu deixei, como um dos meus desejos mais íntimos se tornando realidade. As coisas que compartilhávamos em comum deixava tudo mais incrível para mim.
Eu sei que beijamos muito, explorei com a minha boca cada centímetro daquela boca maravilhosa que Edward tinha. Meu celular vibrava com mensagens de J, mas nem meus profundos pensamentos lembravam-se dele. Joguei meu celular embaixo do banco. Dane-se. Estávamos dentro do carro, com os vidros embaçados pela chuva, no estacionamento do shopping. Era proibido, era melhor.
As mãos dele exploravam meu corpo embaixo do vestido, e apesar de insegura, deixei. Deixei que elas percorressem minhas pernas ao som de Take me to church, do Hozier, suas mãos alcançaram a barra da minha calcinha e os beijos se tornaram mais quentes. Aliás, tudo se tornou mais quente, e eu preciso reforçar que estava amando?
“Cansou já?” Ele parou, com as mãos na minha cintura. Como resposta, beijei mais e sua mão começou a puxar minha calcinha pra baixo. Tirei o vestido pela cabeça em um golpe só e o ajudei a tirar minha calcinha. Abri sua calça e tirei seu suéter e sua camiseta, juntos. Estávamos ali, praticamente sem roupas e ali ficamos, enquanto várias músicas tocavam.
Lembro-me de comentar algo sobre Thinking out loud, ao mesmo tempo em que agradecia mentalmente por ele estar me dando novas – e melhores – lembranças para aquela música. Engraçado como a música afeta a gente.
Eu estava em seu colo, completamente nua, e ele ainda estava de cueca. Senti uma pressão no meio das minhas pernas e não sei descrever as sensações que eu tinha naquele momento. Wow, que sensação. Sou incapaz de descrever profundamente, apesar de estar gostando para caralho. Uma pontada de medo surgiu em mim quando me afastei para tirar sua cueca. Apesar de tudo, eu ainda era virgem.
Tocava One last night, da Vaults, que está na trilha sonora de Cinquenta Tons de Cinza. Olhei para os olhos dele, como se lembrássemos do filme e ele assentiu com a cabeça. E então, se já não estava bom o suficiente, a força e a intensidade com me voltei a ele, triplicou. Eu estava de volta, em seu colo, dessa vez sem nenhuma barreira entre nossos corpos.
Me lembro de puxar seu cabelo, arranhar suas costas, morder seu lábio perfeitinho e deixar uma marquinha… talvez não tão pequena assim. Não consigo falar sobre todos os detalhes de tudo o que fizemos no banco de trás daquele carro sem sentir um arrepio que percorre cada centímetro da minha pele. Tudo era muito novo pra mim e vou me limitar a dizer de novo que quero repetir. Ai, como eu quero repetir.
Terminamos, recolocamos nossas peças de roupa amassadas, ajeitamos a aparência, limpamos os vidros e seguimos shopping adentro, para a Starbucks. Pedi um café e um cookie, enquanto Ed pediu um brownie. “Você já experimentou?”, ele perguntou e eu só neguei com a cabeça. Ele cortou um pedaço e levou até minha boca.
Preciso comentar o quão fofo achei que esse gesto foi? Apesar de extremamente simples e efêmero. Sou ridícula, mas sorri internamente e isso foi suficiente para me deixar feliz.
Terminamos de comer e fomos na livraria. Edward também gostava de Jane Austen e agora discutia comigo – e ainda citava trechos – de Orgulho & Preconceito. Ficamos pouco, falamos sobre alguns livros aqui e ali, sobre como era bom ganhar livros de presente. Cada vez mais surgiam coisas em comum.
Saímos dali, passando rapidamente no mercado e então, ele me disse que levaria para casa. Fomos, rindo no caminho como poucas vezes eu tinha rido na vida. Eu expliquei pra ele como eu era incapaz de fazer algumas coisas na vida e acho que ele pensou que eu era louca. Expliquei, também, precariamente, como chegar na minha casa.
Droga, eu era uma perdida. Péssima em localizações. Enquanto isso, eu ria mais e percebia mais coisas que eu era incapaz.
Chegamos e eu tentei, sem sucesso, explicar como ele voltaria para sua casa. Caralho, o que eu tinha feito com o garoto? Esperei que ele desligasse o carro e tiramos uma foto bem escura no Snapchat. Ele se rendeu ao GPS e foi embora.
Subi saltitante para o meu apartamento e vi que J me mandou algumas mensagens de que ele sairia para uma festa com alguns amigos. Ele disse que só iríamos nessa festa se estivéssemos juntos. Jamais iríamos separados. Mas tudo bem, estava tudo acabado mesmo e nada poderia afetar meu humor hoje. Eu estava bem feliz com tudo o que tinha acontecido.
Cheguei e fui direto pro banho, mas sei que fiquei um bom tempo contando para algumas amigas o que tinha acabado de acontecer. Elas surtavam comigo da maneira como deveria ser. E eu ainda tinha o gosto da boca dele predominando a minha. Atípico, salpicado com menta e cereja. Eu amava cereja.
Tomei banho, finalmente, coloquei um moletom confortável e mandei mensagem para ele perguntando se ele tinha chegado bem. Enquanto ele não me respondia, escrevi um textinho, agradecendo pelo dia maravilhoso, dizendo que queria de novo.
Edward provavelmente mencionaria que eu era muito fofa, que também queria de novo. E eu me sentiria bem, como há muito tempo não me sentia. Eu tinha conseguido ser minha própria âncora, sabe? Minha ponte de felicidade.
A mensagem chegou, foi visualizada. No segundo seguinte, sua foto, seu status e seu nome sumiram do meu WhatsApp. Edward tinha me bloqueado? Mandei uma interrogação, que nunca mais chegou.
É, eu não enviaria o textinho agradecendo e ele não mencionaria nada daquilo.
Os Estados Unidos sofreu, na última quarta (6), o que é considerado por especialistas políticos o maior atentado à democracia do país. O episódio foi protagonizado pelos apoiadores do presidente Donald Trump, que invadiram o Capitólio, sede do Congresso do país. O ataque foi uma tentativa de interromper o reconhecimento da vitória de Joe Biden.
A crise sem precedentes da democracia representativa tem origens que vão muito além da conjuntura criada pelas redes sociais. Esta é a opinião do geógrafo francês Christophe Guilluy, autor de O fim da classe média, e dos professores ingleses Roger Eatwell e Matthew Goodwin, autores de Nacional-populismo. O filósofo Michael J. Sandel, um dos maiores pensadores da atualidade, também aponta sérias questões estruturais que contribuem para a divisão da sociedade americana entre vencedores e perdedores.
Outros dois títulos desta lista dão um panorama histórico para quem quer se aprofundar na história do país mais poderoso do mundo desde sua Independência.
A tirania do mérito, de Michael J. Sandel
As democracias liberais estão em risco. E, de acordo com o filósofo Michael J. Sandel, o princípio do mérito, um de seus pilares básicos, é o responsável por esse cenário. Vivemos em uma constante competição, que separa o mundo entre “ganhadores” e “perdedores”, esconde privilégios e vantagens e justifica o status quo por meio de ideias como “quem se esforça tudo pode” e “se você pode sonhar, você pode fazer”. O resultado concreto é um mundo que reforça a desigualdade social e, ao mesmo tempo, culpabiliza as pessoas, o que gera uma onda coletiva de raiva, frustração, populismo, polarização e descrença em relação ao governo e aos demais cidadãos. A resposta pública se manifesta em eventos como as eleições de Donald Trump, nos Estados Unidos em 2016, e de Jair Bolsonaro, no Brasil em 2018. Ao analisar conceitos em torno da ética do estudo, do trabalho, do sucesso, do fracasso, da tentativa e de quais são os meios considerados legítimos para trilhar esses caminhos, Sandel sugere um novo olhar para essas relações. O autor salienta as contradições do discurso meritocrático, seus contextos estruturais e a arrogância dos “vencedores”, que julgam duramente os “perdedores”. A tirania do mérito (Ed. Civilização Brasileira, 350 págs, R$ 49,90)propõe que para existir uma ética diferente e dignificadora, o sucesso deve ser compreendido em prol da coletividade. Indica que uma alternativa de pensamento guiado pela humildade, pela compreensão do papel do acaso na vida humana e pela criação real da oportunidade poderá ser, então, a melhor bússola para a democracia, para o bem comum.
Capitalismo na América, de Alan Greenspan
Um livro do lendário ex-presidente do Fed e do aclamado historiador e jornalista da Economist. A história épica e
completa da evolução dos Estados Unidos: de uma pequena colcha de retalhos de colônias maltrapilhas até se tornar a mais poderosa máquina de riqueza e inovação que o mundo já viu. Em Capitalismo na América: Uma história (Ed. Record, 518 págs, R$ 74,90), Alan Greenspan (ex-presidente do Conselho do Federal Reserve) e Adrian Wooldridge (célebre historiador e jornalista da Economist) analisam o desenvolvimento do capitalismo norte-americano. Com um texto acessível, a história contada por eles envolve as vastas paisagens do país, figuras titânicas, descobertas triunfantes, sucessos impensáveis e terríveis falhas morais de grandes líderes. O que há de mais crucial no debate sobre a evolução dos Estados Unidos está neste Capitalismo na América: do papel da escravidão na economia sul-americana pré-guerra, passando pelo impacto real do New Deal de Roosevelt até as maiores mudanças ocorridas no país ao se abrir para o comércio global. No momento atual, em que o crescimento da produtividade parou novamente, provocando as fúrias populistas, resta saber se os Estados Unidos preservarão sua preeminência ou se verão sua liderança passar para outros poderes, inevitavelmente menos democráticos. Parece ser, portanto, o melhor momento para aplicar as lições da história a fim de compreender os desafios a serem enfrentados.
O fim da classe média, de Christophe Guilluy
Este O fim da classe média(Ed. Record, 154 págs, R$ 59,90) explica, com linguagem direta, a onda populista que atravessa o mundo ocidental, das urnas às ruas, materializando-se em Brexit, nas eleições de Trump e Bolsonaro, e na ascensão do Vox na Espanha – essas sendo expressões apenas da porção visível de um soft power exercido pelas classes populares para forçar o “mundo de cima”, progressivamente alienado, a se curvar ao movimento real da sociedade, sob pena de desaparecer. Neste livro, Christophe Guilluy detalha o desprezo da elite pelas classes populares e trata das consequências de não se atentar a seu descontentamento; isso enquanto a antiga classe média, o próprio equilíbrio entre extremos, dissolvia-se para aprofundar um fosso de ressentimentos. Haveria um mundo subterrâneo a explodir, que emite sinais de erupção próxima e talvez mesmo já inevitável. Crises de representação política, atomização de movimentos sociais e gentrificação das cidades são alguns dos sinais de esgotamento de um modelo que não constrói mais sociedades. Guilluy sustenta que, ao ser confrontadas com a deserção da burguesia, tensões e paranoias identitárias, as classes populares resistem, tentando preservar seu capital social e cultural. No entanto, sem poder econômico ou representação política, exercem pressão sobre o grupo que o autor denomina ”mundo de cima“, que, de alheio a defensivo, entra em declínio geográfico e cultural.
Nacional-populismo: A revolta contra a democracia liberal, de Roger Eatwell e Matthew Goodwin
Neste estudo aprofundado, os autores discutem o que há por trás da ascensão do nacional-populismo no Ocidente,
quem apoia esses movimentos (e por que) e como eles vão mudar a cara da política nos próximos anos. Em todo o Ocidente, há uma maré crescente de pessoas que se sentem excluídas, alienadas da política dominante e que se mostram cada vez mais hostis às minorias, aos imigrantes e à economia neoliberal. Muitos desses eleitores estão se voltando para movimentos nacional-populistas, que representam a ameaça mais séria ao sistema democrático liberal ocidental e seus valores desde a Segunda Guerra Mundial. Dos Estados Unidos à França, da Áustria ao Reino Unido, o desafio nacional-populista à política dominante está à nossa volta. Os nacional-populistas priorizam a cultura e os interesses da nação e prometem dar voz a essas pessoas que se sentem negligenciadas e desprezadas por elites distantes e corruptas. Seus líderes são fascistas e suas políticas, antidemocráticas; sua existência é um espetáculo paralelo à democracia liberal. Mas essa versão dos eventos, como mostram Roger Eatwell e Matthew Goodwin, não poderia estar mais longe da verdade. Escrito por dois dos principais especialistas sobre fascismo e ascensão da direita populista, Nacional-populismo: A revolta contra a democracia liberal (Ed. Record, 350 págs, R$ 74,90), é um guia lúcido, resultado de uma profunda pesquisa acerca das transformações radicais do cenário político de hoje, que revela os motivos pelos quais as democracias liberais em todo o Ocidente estão sendo desafiadas. O que está por trás dessa onda excludente? Quem apoia esses movimentos e por quê? O que a ascensão deles nos diz sobre a saúde da política democrática liberal? O que pode ser feito para conter essa maré? A edição brasileira conta com texto exclusivo sobre a eleição e os primeiros meses do governo de Jair Bolsonaro no Brasil, analisando como ele pode ser identificado com essa tendência mundial.
Liderança em tempos de crise, de Doris Kearns Goodwin
Os líderes já nascem prontos ou tornam-se líderes? De onde vem a ambição? Como a adversidade afeta o crescimento da liderança? O líder faz os tempos ou os tempos fazem o líder? Liderança em tempos de crise (Ed. Record, 560 págs, R$ 84,90)é o resultado de cinco décadas de estudo sobre a história presidencial norte-americana. A vencedora do Pulitzer Doris Kearns Goodwin escolheu quatro presidentes que analisou de forma mais atenta — Abraham Lincoln, Theodore Roosevelt, Franklin D. Roosevelt e Lyndon B. Johnson — para mostrar como eles reconheceram suas próprias qualidades de liderança e foram identificados como líderes pelos outros. Apesar das diferenças de contexto, habilidades e temperamentos, estes homens compartilhavam uma ambição e resiliência determinantes, que lhes permitiram superar as dificuldades mais incomuns. Esta obra de referência oferece um mapa acessível para líderes em qualquer área, seja em treinamento ou já estabelecidos no mercado.
Sol da Meia-Noite, o livro de Crepúsculo, agora narrado pelos olhos de Edward Cullen demorou muito, mas finalmente saiu, lançado há pouco tempo. Até então, conhecíamos a história somente sob o olhar de Bella Swan, protagonista que vem a ser seu par romântico ao longo dos quatro livros da série.
Sou fã de Crepúsculo de carteirinha e como tal, esperei igual doido por Sol da Meia-Noite. Eis que ele chegou e eu devorei em pouco menos de um mês. A diferença é que li Crepúsculo no auge dos meus 13 anos. Já esse, eu li dez anos depois, com vinte e três, e quase me formando psicanalista. Não perdi a chance de analisar o Edward sob os olhos da psicanálise, é claro.
Separei alguns pontos e acho justo começar por um que já era presente em Crepúsculo, mas veio a ficar mais forte em Sol da Meia-Noite: a obsessão do Edward com relação a Bella. Ele acha que precisa sempre estar perto dela para protege-la, ou o encanamento de gás da rua pode estourar, um vampiro pode aparecer do nada…. Quer dizer, quais as chances disso acontecer normalmente? Nenhuma. Ele só quer justificar sua obsessão com base em que se tratando de Bella, essas coisas acontecem.
Além disso, vemos um Edward que briga muito consigo mesmo. O tempo todo ele fica encabeçando atritos entre seus desejos, suas pulsões (ID) e sua moral (superego), incapaz de encontrar um meio de satisfazer as duas. Ele não pode matar a Bella e ainda sim, continuar na dieta vegetariana de Carlisle e sua família, por exemplo. Ele acha que precisa silenciar, matar, esse monstro que há dentro de si, demorando para perceber que o monstro, isto é, seu ID, faz parte de si. Ele precisa conviver com ele e encontrar formas de dar vazão a essas pulsões, ainda é claro, agradando suas regras morais.
Uma pausa aqui é necessária pra gente analisar a Bella também. Ela não tem nenhum senso de autopreservação. Suas pulsões se sobressaem sem dificuldade nenhuma aos instintos, mesmo aqueles que são para deixa-la viva. Alô pulsões de morte? Temos alguém aqui com deficiência de pulsões de vida. Ela simplesmente não se importa que o Edward pode mata-la. Ela torna tudo mais fácil para ele, sem se preocupar um instante sequer com a própria vida.
A Bella tem um desejo incontrolável pelo Edward, que conseguimos ver sobressaindo quando ela dorme e sempre sonha que está com ele. Certas horas, o vampiro também deixa escapar que gostaria de dormir para poder sonhar com a Bella, porque sim, essa seria a única forma de satisfazer os desejos do seu ID sem estragar tudo. Nos sonhos, ele poderia matar a Bella no campo da fantasia, poderia ficar com ela, fazer tudo o que ele quisesse, sem causar danos maiores.
Um outro ponto que eu julgo ser o mais interessante de toda a história, é o enredo com a romã presente na capa. Para Edward, ficar com ele é como ficar para sempre no inferno. E ele acha que Bella é sua Perséfone, figura da mitologia grega que é condenada a ficar no submundo com Hades e a cada palavra que eles trocam, cada confissão e segredo é uma semente de romã que Bella ingere, condenada a passar mais tempo ao seu lado. No mito grego, cada semente de romã que Perséfone engolia, era um período que ela tinha que passar no inferno com Hades.
O que eu acho mais interessante de Sol da Meia-Noite é que com certeza, Stephenie Meyer estudou psicanálise para compor seus personagens. Os traços são fortes, muito bem pensados e planejados, o que não me deixa sequer imaginar que foram concebidos a esmo. Eu ainda amo Crepúsculo e toda a série, não se enganem, mas, precisamos debater esse outro lado da história. Romantizar relacionamentos neuróticos e obsessivos é romantizar relacionamentos tóxicos e abusivos, que lotam consultórios de psicanálise em todo o país. É preciso conscientizar, não romantizar.