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Autorias: A volta do que jamais deveria ter partido, por Gabu Camacho

Talvez você tenha pensado que eu escreveria sobre você. Sobre como eu sonho com a sua volta triunfal. Sobre como você talvez tenha pensado que poderia me conquistar de novo, como fez da primeira vez. Você não poderia estar mais enganado. Afinal, escrevo sobre a volta de mim mesmo. Sim, aquele eu que você sugou a força como um vampiro. Você era uma pessoa vampira.

Pessoas vampiras são aquelas que ficam ao nosso redor só esperando para sugarem qualquer coisa que te faz feliz. Elas te paralisam como dementadores, e te afastam de quem você é de verdade. Nunca gostei de ser mudado, ou domado. Mas era além de mim, era involuntário.

Eu escrevia cada vez menos, algo que nunca julguei viver sem. Não lia mais nenhum livro. Não conseguia forças para prestar atenção naquela aula maravilhosa de Comunicação que a professora tanto me amava. Era impossível ficar sem olhar para os alertas do celular, e pensar em que parte de mim você estaria literalmente destruindo agora.

Cada parte destruída, era uma parte de mim que eu deixava para trás, sim, evitava sentir. Evitava admitir que estava cada vez mais longe de mim mesmo. Então, você destruiu por completo o que eu tinha e em um lapso de sanidade que um outro alguém me trouxera, te expulsei com um feitiço do patrono, daqueles fortes, daqueles que usamos a memória mais feliz que alguém pode nos trazer. E infelizmente, ela não vinha de um momento com você. Ela vinha, de um momento qualquer. Não é estranho? Que um momento qualquer possa me trazer mais alegria do que todos aqueles com você?

Então, você tentou voltar, sem sucesso, várias vezes. Eu não deixava mais, jamais deixaria de novo. Estava retornando a mim mesmo, a quem eu realmente era antes de você. Mas sabe, me afastar assim de mim mesmo não foi de todo ruim. Voltei melhor, decidido de quem eu realmente era, e do que eu realmente queria. Sabia agora quem eu queria ser, e aos poucos, conquistava de novo a minha liberdade antes privada e assistida. Era a minha volta. A volta do que jamais deveria ter partido. Era meu sangue retornando às minha veias, sim, aquele que você tinha engolido como o bom vampiro que era. Mas sabe, é preciso perder para encontrar, não é assim que dizem? E eu me perdi, me perdi tremenda e dolorosamente nas entrelinhas das suas presas, mas consegui encontrar o caminho de volta.

E isso, foi contra tudo o que eu acreditava antes. E eu consegui voltar. Consegui ressuscitar e não foi graças a alguém de fora. Foi graças a mim mesmo. Então, por favor, pelo seu próprio bem, não tente mais atravessar esses portões maciços de novo, porque eu não vou me quebrar com seus golpes, por mais forte que seja o seu aríete. O único quebrado aqui, meu amor, é você.

Quebrado por si mesmo.

Porque, obviamente, pessoas completas e intactas, jamais precisam de partes das outras para sobreviverem. E você, precisa muito.

Por isso, ainda tenho um sentimento por você. Ele é leve, mas existe.

Chama-se pena.

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Autoria: Nós só nos sentimos vivos, morrendo de amores, por Gabu Camacho

Desembarcamos na rodoviária lotada de São Paulo. Era um lugar enorme, e eu estava colidindo com pessoas em todos os lados. Era gente carregando mala, gente carregando gente, e eu, com uma mochila apenas, tentando enxergar coisas que minha estatura não permitia. Nunca havia ido para uma cidade grande assim, tão depressa.

Eu estava seguindo Nick, com os olhos, tentando não me perder naquele mar de pessoas enquanto subíamos e descíamos pelas mais variadas escadas procurando o portão de desembarque, aquele lugar era um verdadeiro labirinto espiral, como alguém sabia andar com propriedade lá dentro? Era algo que ia um pouco além das minhas capacidades de aluno de humanas.

Mas conseguimos sair de lá, e então seguimos para desbravar a grande selva de pedras. Nick ia um pouco a frente, e eu gostava de observá-lo falando. Eu gostava muito de observar as pessoas assim, calmas. Todo mundo deveria se ver assim, e ver como a beleza se mostra na sua maneira mais simples e primitiva. Todo mundo, deveria se ver sorrindo despreocupadamente.

Nossos olhares se encontravam hora ou outra, quando ele se virava para falar comigo. Você sorri sempre que olha para mim. Por quê? Eu era péssimo com disfarces, sempre fui um livro aberto e continuaria sendo, provavelmente. Mas era verdade. Eu era incapaz de olhar para o rosto de Nick sem soltar um sorriso bobo.

Andamos bastante, peguei metrô pela primeira vez, talvez me sentindo especial, talvez me sentindo um pouco besta por nunca ter feito aquilo antes. São Paulo era um lugar incomum, com uma beleza primitiva, sem lapidações. São Paulo não tinha máscaras, talvez por isso dissessem que não há amor em SP. Mas o que eu via, era o contrário. Casais apaixonados se beijando na porta do metrô, dormindo de mãos dadas nas estações e se despedindo carinhosamente nas ruas.

Estava anoitecendo quando chegamos perto do lugar em que eu mais queria visitar no mundo: a avenida Paulista. Eu adorava a maneira com a qual falavam dela por aí, e quando diziam que era a Times Square de São Paulo, minha vontade de andar por lá só aumentava.

São Paulo é incomum, é interessante. As pessoas são quem elas querem ser, e todos vivem despreocupadamente. Um mendigo apertou minha mão e me desejou boa noite. As pessoas cantavam e se abraçavam aleatoriamente, meninos beijavam meninos sem serem julgados, e meninas andavam de mãos dadas com outras meninas como se o mundo fosse acabar ali, e precisassem provar seu amor ao mundo. E isso é lindo porque, de certo modo, me fez perceber que só estamos realmente vivos, quando morremos de amores. Amor é o que move o mundo e portanto, existe amor em SP, sim, por mais que digam o contrário.

Chegamos na Haddock Lobo e subimos até o último andar da Starbucks. Nick não sabia, mas eu o associava muito àquele lugar. Por inúmeros motivos. Era um terraço, aberto, rodeado por vidros e com sofás extremamente confortáveis, de uma maneira em que podíamos ver a rua povoada com o pessoal lindo que habita aquela região, enquanto podemos ainda, observar as estrelas. Sentei ao seu lado, e ele me abraçou, porque estava um pouco frio. Eu queria sorrir mais, mas não acho que seria justo, meus amigos provavelmente comentariam que eu estava com cara de apaixonado de novo. Mas já não adiantava negar, não é mesmo? Defendo que a vida é curta demais para me negar a certos prazeres. Então, se gosto, vou. Se não gosto, não vou.

Não sou de engolir palavras, não gosto de me privar. Então, aproveitei o momento, assim como vinha fazendo desde que havia chegado. Aproveitando cada segundo, porque a verdade é que nunca sabemos o dia de amanhã, e portanto, devemos aproveitar enquanto estamos vivos. Enquanto respiramos, e enquanto somos capazes de irradiar as coisas boas que sentimos. Talvez eu tenha feito coisas erradas, talvez não. Mas sempre temos a chance de experimentar coisas novas, sentir novos aromas e despertar coisas novas.

É fácil se prender ao passado, é fácil remoer coisas que não darão em nada. Não sei se saberia dar meus primeiros passos sozinhos, mas sei que posso sempre tentar.

“Ed, você é maravilhoso.” Nick escreveu, me tirando dos meus devaneios e lutas internas.
“Mas você, é incrível.” Escrevi de volta.
“Eu só queria fazer você feliz.”

Então eu, Edwin, me permiti sorrir para Nick mais uma vez, e ele apertou minhas mãos nas suas, e sorriu de volta. E eu poderia jurar que, mesmo naquela noite escura, cada canto daquela cidade, se iluminou de uma só vez.

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The Epic Battle: A inutilidade de nossas ações e o vício de procrastinar

ULTIMATUM

Mandato de despejo aos mandarins do mundo

Fora tu,
reles
esnobe
plebeu
E fora tu, imperialista das sucatas
Charlatão da sinceridade
e tu, da juba socialista, e tu, qualquer outro
Ultimatum a todos eles
E a todos que sejam como eles
Todos!

Monte de tijolos com pretensões a casa
Inútil luxo, megalomania triunfante
E tu, Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral
Que nem te queria descobrir

Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular
Que confundis tudo
Vós, anarquistas deveras sinceros
Socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores
Para quererem deixar de trabalhar
Sim, todos vós que representais o mundo
Homens altos
Passai por baixo do meu desprezo
Passai aristocratas de tanga de ouro
Passai Frouxos
Passai radicais do pouco
Quem acredita neles?
Mandem tudo isso para casa
Descascar batatas simbólicas

Fechem-me tudo isso a chave
E deitem a chave fora
Sufoco de ter só isso a minha volta
Deixem-me respirar
Abram todas as janelas
Abram mais janelas
Do que todas as janelas que há no mundo

Nenhuma idéia grande
Nenhuma corrente política
Que soe a uma idéia grão
E o mundo quer a inteligência nova
A sensibilidade nova

O mundo tem sede de que se crie
Porque aí está apodrecer a vida
Quando muito é estrume para o futuro
O que aí está não pode durar
Porque não é nada

Eu da raça dos navegadores
Afirmo que não pode durar
Eu da raça dos descobridores
Desprezo o que seja menos
Que descobrir um novo mundo

Proclamo isso bem alto
Braços erguidos
Fitando o Atlântico

E saudando abstratamente o infinito.

Álvaro de Campos – 1917

 

Amanhã vai ser outro dia. Bela música por sinal, mas que frase sem conteúdo, ela se enquadra perfeitamente na seção de auto-ajuda. E vamos lá, vamos conversar sobre livros de auto-ajuda: Como alguém consegue ler algo daquele tipo? (Lembrando, se você gosta e tem vários desses na estante, não peço perdão por conta de minha opinião, peço que compartilhe sua defesa a esse material conosco, nada melhor no mundo literário que um caloroso debate) Temos vários modos de ajudar uma pessoa e não precisa ser de forma direta, nada disso, só o fato de ser “Livro” já se torna uma ajuda, um conforto, uma motivação. Algo que preciso declarar sem delongas: Uma xícara de café pode te deixar bem mais alegre que trezentas páginas sobre “mude seu estilo de vida”, “converse com seus amigos”. Sente aqui, criança, se a pessoa for seu amigo ela que vai te procurar nos momentos difíceis, ela que vai ter ajudar até mesmo quando a literatura ou qualquer outra arte não puder. Mas a coluna de hoje não se restringe a livros desse tipo, nós iremos além.

Estávamos no “Amanhã vai ser outro dia”. Fazemos dessa frase uma palavra e busquemos sua etimologia. Onde surgira essa oração… Digamos que foi na Grécia (Me diga, o que não surgiu lá, até a crise surgiu lá), e lá estava o filósofo, Arisofonés (Sim, pesquisei no google agora mesmo e esse homem não existe, se não está no google não existe, fim, sem poréns (Até minha avó está no google, pode procurar)). Arisofonés tinha a mania de criar frases assim, sem procurar significado para as coisas, até que um dia, em uma reunião na Escola de Atenas, com Platão apontando para as nuvens, procurando seu mundo das ideias, com a presença ilustre do até então desconhecido Rafael Sanzio (Que usou a TARDIS é claro para captar aquele momento ilustre e colocar em um afresco inquietante) e com Hipátia da Alexandria que cruzara o Mediterranio apenas para aquela reunião sem sentido. Lá estavam todos, homens e mulheres, todos discutindo suas teses, tentando provar a existência de um mundo redondo, quadrado, plano, triangular, a inexistência de um mundo, e no meio deles, Arisofonés que ao ver tal balburdia, para não ficar por fora, gritara: “Amanhã vai ser outro dia”. No momento ninguém prestara atenção, como você pode perceber na pintura abaixo:

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Se não identificou Arisofonés, aqui está para facilitar a busca:

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Ai está nosso amigo, escorado como você há alguns instantes, debruçado sobre problemas e mais problemas e sem vontade alguma de resolve-los. Nesse momento ele tivera algum despertar e falara a frase que está nos guiando na “The Epic Battle” desta semana. “Amanhã vai ser outro dia”, Sanzio não pintara seu instante de alegria e esperança, mas veja nosso outro amigo, bem ao lado de Arisofonés, ele está escrevendo algo, com toda certeza deve ser alguma fanfic de época (Entendeu a referência? Hein, de época…) e seria esse escritor anônimo que observara o grito de Arisofonés e o guardara para a posteridade. Dia após dia as pessoas repetiram: “Amanhã vai dar certo” “Amanhã eu o peço em namoro” “Amanhã eu escrevo aquele capítulo que estou com um bloquei tremendo” “Amanhã eu vivo”. E vem sendo assim, sem tomarmos a atitude correta, sem termos um grito mais prolongado, sem procurarmos transformar um sussurro em canção, sem  ter atitude, sim, essa é a palavra certa. Sempre existe algo a mais para fazer, sempre tem aquela coisa que cairia muito bem na quarta-feira, quando estamos na terça, ou na quinta, quando estamos na quarta. Mexa-se, inútil. Mexa-se enquanto o tempo nos pertence. Esse século vive a preguiça, respira a perca de tempo, nada se cria, é um amontoado de mais do mesmo, essa expressão também deve ter surgido na Grécia, mas não vamos focar nela, não hoje. Para explicar um terço de que não existe o fatídico amanhã, que tudo se resume ao agora, precisei brincar com filósofos e matemáticos, necessitei de uma pintura renascentista que já tornou-se clichê, tudo isso produções e mais produções de outros, de homens e mulheres que se moveram quando ninguém mais desejava sair do lugar. Não é questão de auto-ajuda, mas sim de vergonha na cara. Nunca tivemos vergonha na cara e sim, viva às frases prontas.

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Autoria: Entre as nuvens cinza de paranoia, por Gabu Camacho

Era verdade que eu sempre me encolhia quando perguntavam de você, ou ainda, se eu estava bem. Dizia que sim, e sorria. Mas disso, passava longe.

Eu tinha certas paranoias, e era só tocar Taylor Swift que um curta (ou devo dizer longa?) passava pela minha cabeça. E eu ouvia sua voz de novo, sentia seu toque e seu gosto.

Eram tiros, e diziam que só o tempo era capaz de curá-los. Mas o tempo nunca fez nada por mim, e confesso, não queria que fizesse. O tempo provavelmente me faria esquecer o ritmo da sua respiração, a textura da sua pele ou onde estava cada pinta do seu corpo. E para isso, eu não estava preparado.

Não estava preparado para ter só as fotos do país das maravilhas que encontramos e fingimos ser para sempre. Um para sempre numerado e limitado. Se tivesse dormido de olhos abertos, talvez tivesse aproveitado mais, observado mais.

Mas agora tudo o que resta são fotografias e lembranças. Gosto das fotos por isso. Elas são as provas de que pelo menos, por um milésimo de segundo, tudo estava perfeito. Tudo era realmente, o país das maravilhas em que nos perdemos por um infinito finito.

Eu sabia que minha escapada da realidade duraria pouco, de certo modo. Sempre soube. Mas não queria admitir para mim mesmo. Mas eu sabia. Soube quando foi a primeira vez, e quando foi a última. A vida nunca foi tão ruim, mas também, nunca foi tão boa. E bota boa nisso.

Então, tempo, obrigado por me deixar nesse limbo. Porque nem eu sou capaz de decidir o que eu quero. Aliás, eu sou, sim. Eu decido ficar. Fico por todos que jamais ficaram, fico porque é preciso. Mas acima de tudo, fico por mim mesmo – afinal, eu ainda não encontrei o caminho de volta do nosso país das maravilhas que você há tanto tempo partiu.

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(ESPECIAL) Nascidos ao fim do sétimo mês

Tenho um recado para você que passou horas e horas em uma fila, seja na livraria ou no cinema, sim, um recado direto para você que esperou anos e anos por um final e quando este chegara, chorou, e como chorou, parecia uma criança ao quebrar seu brinquedo predileto. Você não está só, nunca esteve. Aposto que na manhã de hoje, assim que pulou da cama (ou se arrastou) um alarme disparou em sua mente: “Hoje é dia 31, caralho!”. Sim, um baita dia 31. Para seus parentes pode não ser nada demais, seu cachorro nem liga para isso, sua irmã não tira os olhos da televisão enquanto come o cereal, mas você sabe o significado deste dia. Você tem que saber, pois se não souber todos esses anos foram em vão. Mas você conhece o simbolismo, se pudesse tatuaria todas as linhas, todos os parágrafos, de certa forma eles estão fixos em seu corpo, vivem a cada símbolo das Relíquias da Morte que você desenha sem querer nos cadernos por ai.

Vamos recordar um pouco, mas só um pouco, estamos em um dia feliz, se puxarmos mais e mais de nossas mentes acabaremos caindo aos prantos. Há alguns anos aguardávamos com todo esforço do mundo um livro novo, não daremos nomes ou datas por fora assim com os sete, e com os depois desses. Não sabíamos o que ela iria aprontar dessa vez, quem morreria, quem venceria, em que enrascada nossos amigos iriam se meter, mas aguardávamos como se o mundo fosse acabar depois daquele lançamento. Atordoávamos a moça da livraria todo dia perguntando “Já chegou”, mesmo sabendo que existia uma data exata para que eles chegassem, xingávamos aquela mulher todos os dias depois da reposta negativa mesmo tendo consciência de que ela não tinha responsabilidade alguma sobre aquilo. Eis que um dia eles chegavam e nós, com as moedas reunidas durante meses, corríamos até à livraria, sempre alguém tinha chegado antes, sempre era esse inferno, mas lá estavam eles, sorrindo, em posição de duelo, bradando varinhas e lhe convocando para a mais bela e rápida leitura, claro, aquela espera de anos resultaria em poucas horas. Nós devorávamos cada página, cada capítulo, era uma leitura sem cansaço, sem receios. Minto, existia um receio sim em tudo aquilo e ele se encontrava nas folhas finais, estava acabando, ficávamos desolados quando acabava, mas existia uma certeza. “Vai ter mais, eu sei que vai”. Mas um dia a fonte secara, não saía um pingo se quer de Harry, Ron ou Mione, isso foi o que pensamos quando lemos aquele “Tudo estava bem”.

Mas aqui está meu recado: Ela é Joanne Rowling. Ela é a escritora mais influente que o mundo literário já viu. Ela pode começar e terminar histórias quando bem entender e nós, seus pequenos leitores, apenas iremos aplaudir e captar sentimentos singulares, sentimentos esses que nenhum outro escritor pode nos proporcionar. Ela é Joanne, nascida ao fim do sétimo mês, assim como sua criação, capaz de derrotar todos os obstáculos, servir de inspiração até para o mais desacreditado homem. Foram sete anos de luta, sete anos sonhando com um garoto que corria até uma estação de trem e atravessava sua parede, foram sete anos sobre os papéis imaginando, tornando aquele castelo sua realidade, nossa futura realidade, sete pequenos anos quando comparados com os que virão, com os que passaremos lembrando e transformando a magia.

31 de Julho engloba bem mais do que podemos ver, trata-se do nascimento de um sentimento, uma vontade de querer mais e mais,  vimos isso nas páginas e páginas, não falo apenas do menino-que-sobreviveu, refiro-me também à Krystal, aos moradores de uma Pagford traiçoeira e encantadora, dirijo-me à Robin, a Cormoran e sua mania de sempre acertar, Rowling deixou depositou pedaços de sua alma em cada personagem, do Newt que está prestes a ganhar uma forma bem maior do que a que conhecemos até uma coruja que nos fez chorar por horas. Ela tem esse dom, de não temer o que está por vir, de não se importar por aceitação, fazendo seu trabalho da melhor forma possível e transformando vidas, mudando conceitos, inserindo em nosso dia-a-dia surpresas e mais surpresas, vejam só, chegamos ao tão esperado 31 de Julho e nesse encontro de criatura e criador estamos nós, bem no meio, prontos para abraçar quem quer se seja, prontos para nascermos também, neste sétimo mês.

À Joanne e a Harry só temos uma pequena frase a dizer: Obrigado por tudo. Tudo se resume a isso, agradecimento, por ter nos proporcionado experiências únicas (e continuar fazendo-as), por nos oferecer aquela palavra no momento exato mesmo nem estando ao nosso lado. Ela mesmo já dissera, “Nenhuma história vive, se não tiver ninguém para lê-la”, sendo assim garantimos que a magia persistirá, independente das eras, ela estará com sua chama mais que acessa, pois não pegamos chuva e sol atoa, não lemos está história várias e várias vezes (Em línguas diversas em alguns momentos) para desistirmos com o passar do tempo. Isso vai além da literatura ou do cinema, vai muito além de atores ou diretores, existe uma família, uma imensa família que abraça quem quer que seja, que comemora cada data como se fosse a primeira, que renasce a cada fim de julho.

 

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Autorias: Mas tudo bem… por Rodrigo Batista

Eu olho a noite, ela me traz tantas lembranças. Lembro do primeiro dia que nos falamos, foi à noite. Varamos a madrugada, sentimos a brisa noturna um no outro. Acordamos já com o celular na mão para conversar, para dizer um bom e sonoro bom dia, para falar de como era incrível o fato de ter nos conhecido. Desde muito tempo eu não sentia um carinho tão grande por alguém, uma vontade insana de ter uma pessoa por perto. Uma pessoa que mesmo falando de coisas idiotas tornava aquilo em algo inteligente e poético. Pode parecer até uma história saída de algum folhetim das 6 ou das 7, bobinho mas no fundo, intenso.

Posso parecer um completo tolo digitando isso para esse alguém que sequer vai ler todos os meus sentimentos. É trágico mas revigorante. Se um dia a pessoa para quem escrevo ler todo esses sentimentos quase saídos de um dramalhão mexicano, irá rir, olhar para a tela e dizer: por que fui me envolver logo com alguém assim? Não me importo, a única coisa que me importa agora é dizer que tudo o que passamos foi incrível, triste em alguns momentos, mas incrível.

É impressionante o quanto o ser humano passa por transformações quando está com alguém. Eu fui transformado de uma forma irreversível, estranho, não? Isso é o que o amor faz com as pessoas. Torna-as irreconhecíveis. Não me arrependo de ter me tornado outra pessoa, aliás, precisamos mudar constantemente, não é? O problema é quando mudamos mas com a mudança a marca da pessoa vem e fica em você. O relacionamento, a amizade, o vínculo acabam mas a pessoa continua dentro da sua alma. Vai entender esses mistérios da vida. Mas tudo bem, um dia superamos essas peripécias da vida…

E como dizia a música:

Não há salvação para mim agora
Nenhum espaço mais entre as nuvens
E eu sinto que eu estou indo para baixo
Mas tudo bem …
Tudo bem …

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Autorias: O garoto da coroa, por Victor Augusto

O amor já bateu em sua porta uma porção de vezes, entrou, se acomodou e por fim, saiu. A vida lhe mostrou caminhos intensos, lhe cruzou com novas pessoas e por fim, manteve poucas. Ele sempre tentou buscar razões nas complicações que a vida colocava a sua frente.

Ele era só um garoto. Um garoto diferente, talvez, único. Um garoto sensível por fora e por dentro, por dentro tinha sua armadura protetora. Por dentro existia um lado que poucas pessoas conheciam de verdade. Por trás de toda armadura, existia um menino. Um menino que ria sozinho de coisas bobas, um menino que tinha suas crises, seus problemas, suas paranoias, um menino que tentava achar graça nas coisas simples da vida. Um menino que andava pelas ruas com uma coroa e um sorriso frouxo no rosto.

Como eu havia dito, um menino diferente. Ele via as coisas com seus próprios olhos. Às vezes, o amor lhe cegava, mas quem nunca ficou cego de amor por alguém? Por trás de tanta bondade, ele tinha sua base. Ele não era inocente, só não estava preparado para tantas surpresas. Suas palavras descreviam seus problemas, mas o seu olhar, ele descrevia o que realmente não era notável.

Seu olhar tinha audácia própria, assim como ele tinha seu próprio controle. Seu coração não era descartável, suas palavras eram sinceras. Ele era expressivo. E talvez isso o destacasse tanto, expressar e sentir muito. O nosso maior problema é sentir muito por quem sente tão pouco. Somos reféns de sentimentos incabíveis, sentimentos que não cabem dentro da palma de uma mão. Certo dia, eu lhe disse, você não merece sofrer dessa maneira. E olha, sorte de quem o tem na palma da mão. A vida é uma montanha russa, quando tudo está indo para cima, ela te coloca de ponta cabeça sobre seus maiores medos.

Ela é sacana, mas comigo ela foi boa, me fez conhecer alguém que realmente veio fazer parte dos meus maiores dias. Como por exemplo, meu aniversário. Ele não merece alguém que não é capaz de preenchê-lo como ele preencheria um coração vazio.

Às vezes, às vezes ele errava, agia por impulso, caia de cabeça, se atirava sobre suas decepções e por fim notava que tudo não passava de uma grande neura, não é? Calma, ainda vamos enfrentar essas neuras juntos. Ele é incrível e tem sua própria originalidade, mas poucas vezes consegue reconhecer o quão bom consegue ser. Nós nunca nos olhamos em frente ao espelho e notamos todas nossas qualidades expostas. Alguns tem certa dificuldade. E quando o mundo o machuca, ele encolhe sobre o canto e assim desliza nas palavras, e assim descreve o que realmente sente. Como havia dito, ele tem seu próprio armamento.

Espero que seu coração não se despedace com a vida por pessoas que não o merecem, você só vai entender bem quando ver que a vida é curta demais pra quem não sabe valorizar os bens que cruzam nosso caminho. O para sempre é místico, e a certeza que a vida lhe dá é: você é para sempre, as pessoas, talvez. As passagens são necessárias, as idas principalmente, mas o que realmente vem a mudar nossa rotina se torna algo inesquecível.

“Escrevi um texto em que você é o personagem principal”, foi assim que o Victor havia me falado que tinha escrito algo sobre mim. Fiquei super curioso em saber o que ele falava, afinal, ele sempre soube de tudo o que se passava comigo, foi meu psicólogo particular inúmeras vezes e claro, escrevia de uma maneira de dar inveja. Nos encontramos no horário de almoço, certo dia, ele virou o notebook pra mim, com uma música que não lembro o nome, e que ele não quer me passar (chateado), e me mostrou o texto chamado “O garoto da coroa”. Li em um lugar público, e portanto não poderia chorar, então me limitei a cobrir o rosto, enquanto lia essas palavras que me descreveram com maestria. Sim, postei, primeiro como uma forma de agradecimento por me ouvir sempre, por entender todos esses dramas e segundo porque pessoas que escrevem tão bem assim merecem ser lidas e apreciadas. Espero que tenha gostado, e Victor, muito obrigado pelo texto, mais uma vez! <3
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The Epic Battle (ESPECIAL) – Loucos do mundo, uni-vos!

O Ministério da saúde adverte: Se você seguir esse caminho não poderá voltar. É simples, duas escolhas são dadas, ou você é, ou não é, claro demais para qualquer pessoa. Mas nós sabemos que você tem sérios problemas, seja lá psíquicos ou não, mas você tem problemas isto está evidente. Se você não tivesse contratempos em seu íntimo não seguiria esse caminho, não seria o que é.

Era manhã, ou noite, não lembro, mas naquele dia decidi disponibilizar o tempo que pudesse e não pudesse, depositar minhas energias, minhas verdades e inverdades, colocar tudo, mas exatamente tudo em folhas e mais folhas. Faz muito tempo, faz sim, nesse período já conheci muitos iguais, melhores, piores, mas parecidos comigo. Eles tem manias, essa espécie parece ser inquieta, acorda em horas exatas, ou não, eles são irregulares demais, temos vícios, como xícaras e mais xícaras de café ou simplesmente  uma lata de coca-cola para agitar as coisas, nos dar ânimo. Falando em animar a atmosfera, temos diversos guias, diversos faróis, eles variam muito, partem da música para o cinema, ficamos vidrados ali, escutando a mais bela sinfonia ou beijando a tela em uma cena sangrenta, uma cena mais real que qualquer realidade.

Somos os mais estranhos que você um dia sonhou em conhecer.

Sabe seu andar? Nós vemos milhões de coisas ali. Sabe aquele cachorro que cruza a BR sem motivo algum? Nós vemos uma alma aventureira, um ser querendo ser testado. Você já viu um pardal? Claro que viu, quem não viu não viveu, pois então, nós entranhamos naquele pássaro, voamos com ele, observamos o que ninguém deseja notar. Somos estranhos, eu falei. Ainda em nossos vícios, vou retratar mais alguns, como andar para qualquer lugar com um livro ou com um bloco de notas, mas acredite, sempre esquecemos a caneta. Mas pode ser proposital, é como se o amor de sua vida sempre tivesse uma caneta, e você, claro, pediria a maldita bendita caneta à essa pessoa.

Sonhamos muito. Mas muito.

Passamos horas e horas analisando as situações, podemos trocar de opiniões diversas vezes, mas quando chegamos à uma conclusão, pois bem, essa será a maior e melhor de todas. Podemos ser calados demais, ou os mais extrovertidos. Somos estranhos.

É ter uma missão, sim, ninguém deposita obrigações sobre nós, porque quem tem esse papel somos nós mesmos. Queremos ser o novo Victor Hugo, queremos entrar para o panteão da literatura, queremos ao menos marcar uma pessoa, que seja, uma só e estamos satisfeitos. Criamos mundos, traçamos retas, quando amamos, amamos melhor que qualquer um, quando determinamos metas, as atingimos, nem que seja a última coisa que façamos na vida.

Tenha medo, tenha pavor de um escritor. Ele te rasgará por inteiro, trucidará suas teorias, investigará cada traço de sua medíocre existência, ele a transformará na mais bela história ou no terror de qualquer leitor. Não é uma escolha, menti no começo de tudo isso para que você se sentisse mais a vontade, somos assim, oferecemos as mais confortantes situações e após deixarmos todos acomodados, derrubamos a casa, encendíamos, acabamos com toda paz. Não, não é uma escolha, você pode não sentir nada agora sobre isso, pode não ter vontade alguma de escrever, mas isso despertará do nada, produzirá singulares sensações, as gratificantes e solitárias sensações.

Escrever é perigoso e a todo aquele que se entrega às palavras, ao mundo, só tenho uma coisa a dizer no dia de hoje: Ao trabalho, moças e rapazes!

(Feliz dia Nacional do Escritor!)

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Autorias: A primeira vez em que alguém havia me salvado dos meus próprios pensamentos, por Gabu Camacho

Todos temos inúmeras crushes durante a vida, durante a festa, durante o dia ou até mesmo, durante a ida de ônibus para a escola ou trabalho. Muitas delas, são efêmeras, vem e vão, e isso que talvez seja o mais gostoso nessa casualidade toda. Mas existem exceções, e algumas crushes ficam. Talvez não na sua vida, mas marcadas em você como tatuagem feita à ferro. Você pode começar a namorar, esquecer, deixar de falar com a pessoa… Mas o sentimento primitivo ainda está ali, só esperando a chance de se mostrar sem culpa, sem medo.

Eu sempre fui meio Augustus Waters, meus pensamentos são estrelas que jamais conseguirei organizar em constelações, não importa quantos moleskines eu compre, e quantas noites eu perca escrevendo coisas aleatórias no parque perto de onde eu trabalho. Nunca organizarei minha cabeça da maneira apropriada, nunca deixarei de sucumbir aos meus próprios pensamentos suicidas.

Confesso que não gosto de casualidades, não gosto muito de surpresas – mas amo ser surpreendido -, e fiquei um pouco sorridente quando você confirmou nossa ida ao café. Eu estava trabalhando, rodeado por pessoas, e não deveria mexer no celular. Mas foi impossível conter minha excitação, então, cheguei a afastar a cadeira da mesa só para que eu pudesse te responder da maneira mais apropriada possível. Achei que só iríamos ao café mesmo, a princípio.

Você, era uma daquelas pessoas pelas quais eu nutria o sentimento de crush, apesar de reprimido entre o turbilhão de outras coisas que se passavam pela ponte aérea entre minha cabeça e coração. Mas naquele dia, eu havia decidido me reinventar, eu estava com a minha mente limpa, tranquila, e fui com a cara e a coragem mostrar meus manuscritos mal feitos e manchados por eventuais lágrimas. É bom sentir a tranquilidade de novo, é bom se sentir valorizado.

Sempre me entreguei demais, e recebi de menos. Sempre fui o nadador que se joga de cabeça na piscina rasa, e acaba machucado no final. Nunca liguei muito para os conselhos que me davam, e talvez seja por isso que eu me arrastei tanto por algo que jamais teria um final feliz, e reprimi os sentimentos que deveria ter deixado aflorar logo naquela festa em que eu bebi um pouco além dos limites e talvez tenha feito bosta.

Apesar de tranquilo, apesar de bem resolvido, minha cabeça ainda estava totalmente bagunçada, sei que você percebeu. Mas tudo começou a seguir outro rumo quando você me beijou ao som de Take me to church com aquela chuva fria de julho como testemunha. Eu então, senti algo que jamais havia provado antes naqueles lábios maravilhosos com gosto de cereja mentolada. Aquela, havia sido a primeira vez em que alguém havia me salvado dos meus próprios pensamentos. Aquela, havia sido a primeira vez em que eu havia entendido o que era ser valorizado como a pessoa maravilhosa que eu era – sem joguinhos de ego inflado, dessa vez.

E ah, como foi bom te ter nos meus braços, como a âncora que eu precisava para manter os meus pés no chão, ou então, o balão que eu precisava para me libertar, e me deixar voar. Eu estava salvo dos meus próprios pensamentos que ameaçavam boicotar o bom funcionamento do meu coração. Eu estava, finalmente salvo, liberto.

Colunas

The Epic Battle: Eu não sou daqui

Eu não sou daqui
Eu não tenho amor
Eu sou da Bahia
De são salvador

Marinheiro Só – Caetano Veloso

Vou lhe dar muitas justificativas para essa frase. “Eu não sou daqui”. Garanto, você, que vive nos livros, já desatinou diversas vezes, perdeu o controle do tempo e espaço e se viu em outro mundo, em outro ambiente, em uma sociedade muito diferente desta. Meu feed vive atormentado por essa febre, de querer viver em algo que há muito passara. Vídeos dos anos 60, 70, 80, textos de escritores que nem sonhavam em avistar o século XXI, tudo isso compartilhado por adolescentes, em uma faixa de dezessete, dezoito anos, afirmo com toda convicção sobre os dados pois faço parte deles. Olhamos para o passado saudosamente, avistamos os grandes festivais que esse país já proporcionou boquiabertos, vemos Charles Aznavour fazer o que nenhum cantor faz nos dias de hoje sobre um palco. Será mesmo, que com todos esses costumes que nos rodeiam de décadas passadas, será que com nosso ideal já difundido e muitas vezes batido, ainda permanecemos nesse trecho de tempo? Será que não somos diferentes? Melhores? Piores?

Vou tentar pegar um recorte de tempo. 1967, 1968, por ai, surgia o Tropicalismo, uma junção de tudo que era passado para ser modelo de um futuro que pessoas e mais pessoas idealizavam ser perfeito. Mas que curioso, esses somos nós neste exato momento, nos perdemos imaginando como seria se ainda tivéssemos uma Elis ou se fossemos os primeiros da fila para assistir “The Sound of Music” enquanto tentamos transformar esse presente em passado e o passado, junto ao presente, em futuro. Brincamos de modificar a cronologia, nossa cronologia mental, transformando tradicional e clássico em atual, moderno em desnecessário, antigo em novo e novo em mais um. Certo, existem as exceções, ainda toleramos algo aqui ou ali, mas eu digo, não somos daqui. Não somos dessa parte do tempo que vê Elsa, nós ainda assistimos Mulan, não, não escutamos sertanejo universitário, ou funk, acordamos todos os dias ouvindo Novos Baianos ou Beatles. Acabou chorare, ficou tudo lindo, cantarolamos horas e horas. Não lemos Meyer, imagina, nós somos discípulos assíduos de Hugo, o Victor de France. Somos o diferente, o novo, o diferencial no meio da multidão.

Nos achamos melhores que eles, não nos achamos? Claro que sim. Deixa eu contar outra história.

Eu não curto essa coisa toda de ficar ouvindo cantor que já morreu bem antes que eu nascesse, não, aquele ritmo de Elvis misturado com Nina seja lá quem for não me agrada, como alguém consegue ouvir aquilo? Me diz! Prefiro ler meu feed horas e horas do que me enfurnar nesses livros rebuscados. Um Jogos Vorazes aqui, um Divergente ali, esses são bons, tem ação, romance, sangue. Nada desse lenga lenga de oitocentas páginas. Faça-me o favor, eu tenho mais o que fazer. Coisa de velho, sério, coisa de antiquado metido a sabichão. Nós é que vivemos, que temos olhos para o futuro. Não me sinto parte desse grupo fanáticos por poeira e preto/branco, eles que morram junto com seus artistas. De overdose, pois me parece bem comum. Não, não sou daqui, sou de muito além. Sou melhor? Pior?

Uma crônica melhor que essa. Vem comigo.

Conheço um cara, amigo meu, lê de tudo, porque como ele sempre diz: “Tudo é literatura”. Mas ele também já me disse, nem tudo que é literatura realmente é bom, mas se é ruim não deixa necessarimente de ser literatura. Alguém trabalhou naquilo, muito ou pouco, não se sabe, mas ali está, pronto para ser avaliado. O mesmo ele fala da música, antiga, nova, tanta coisa boa já foi feita, mas também cada absurdo já fomos obrigados a ouvir. E os filmes, ah, os filmes, ele tem dia que se perde na netflix, não sabe se termina aquele de 40 ou se vê um lançamento. Ser acrônico, ele dizia, seria tão mais fácil. Mas ele não gostava de tudo isso, de ter que gostar de tal coisa ou não gostar, ele queria ver de tudo, ouvir de tudo, no final, concluiu que nunca se encaixaria nesses polos, não, ele mesmo me disse: “Eu não sou daqui”.

Você, é de onde? Aposto que não seria de onde estou, pois você não sabe, ou sabe? Não, você olha para o chão e não se encontra, tate-a as paredes, mas paredes não existem. Procura uma reta, um segmento, uma lasca de passado ou futuro, pois tem que se prender a algo, tem que ser por ser, ter porque todos tem, se você não tiver, quem serás no meio de tantos e tantos. Tu procura ser uma parcela de cada, preencher as lacunas, para no final, ser melhor que todos, pois possuis as qualidades de cada, um leviatã intelectual, uma remontagem das divisões, mas te garanto, quando chegar no fim do túnel e achar que uma longa estrada te espera, veras, é um beco sem saída. E no momento de deixar que o grito de touchdown corra desenfreado, você irá parar, pensar e dizer: “Porra, eu não sou daqui.”