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The Epic Battle: Um continente chamado Brasil

Não é saudosismo não. Acompanha isso comigo, Beatriz Sarlo, escritora Argentina, estava na Festa Literária Internacional de Paraty e deu esta declaração: “Todos rezam para que seja um país bem-sucedido, porque todos serão bem-sucedidos  junto com ele.” Beatriz declarou isso e devemos tomar esta frase e muitas outras com diversos olhares. O olhar político, literário, musical, social. Olhar de brasileiro, não de pessimista. Olhar realista, não de remorso.

Livros, vamos falar de livro. Existe uma nascente, inegável, sim, inegável, que vomita a todo instante escritores e mais escritores em nosso país. Não falo que todos tem o mesmo proposito ou ideal, longe disso. É um turbilhão de motivos e propostas, é uma multidão de mãos levantadas, as desocupadas, pois as que escrevem entram em ritmo frenético, em um transe psicodélico, onde obras e mais obras são produzidas. Acreditem, quando se deseja ver, se vê. Por anos fechei os olhos para a literatura nacional, descartei as diversas manifestações de Amados e Machados, mas tudo tem sua hora e aqui estou, para protestar contra você que motiva-se ao gritar: Nem Machados nem Amados mais existem. Ah, meu amigo, como eles existem. É um jovem ali, enfurnado na livraria, procurando um resquício de silêncio para a construção de um mundo lotado de vozes. É uma mulher que alterna os horários, aproveita o momento em que os filhos dormem para embarcar em uma batalha cruel entre cansaço e obrigação. Obrigação com si e com seu ideal. É pau, é pedra, é o fim do caminho. É um autor ali e aqui procurando espaços que não são ofertados por editoras. Editoras que valorizam o internacional. O badalado. Que antiquado falar badalado, não? Mais antiquado é idolatrar Europas, e matar, mas matar impiedosamente o Brasil. Ah, o Brazil tá matando o Brasil. Já falamos em diversos momentos aqui, equilibremos essa paixão desenfreada por tudo que vem e não pelo que vai, saibamos observar os diversos horizontes. Porque não? Clássico, novo, ruim, bom, tudo isso existe em qualquer que seja o país.  Foco, continuemos no foco. Este paragrafo está ficando imenso, se minha antiga professora de redação mirasse isso eu já estaria morto. Mas prossigamos. O que Beatriz falou não foge da realidade, temos o peso de uma América, irei repetir: Não é saudosismo. O furor que um dia pode embalar Argentina, Chile, Uruguai, surge aqui, no centro de uma tabuleiro gigantesco. Beatriz também falara em outros momentos do evento que os críticos literários não serviam para nada. Nem os amadores, mas veja só. Aqui estamos, Beatriz, errando e acertando como você.

Não, não é saudosismo. Eu falo de Maria Bethânia, Chico Buarque, Gal, Gil, Gonzaga, filho e pai, Elis, Zé, o Tom e o Ramalho, Novos e velhos Baianos, Fafá, Rei Reginaldo, Cartola, ah, o sol nascerá, Renato, mais brasileiro que nunca, Ney, Rico e Milionário, Elba, Fagner, Alceu, tu vens, tu vens, com Cícero, Vanguart, a mais bela e mais bonita Banda de toda a cidade, Noite Ilustrada, Benito, Bendito, salve Marisa, Jovelina, mas me dá meu boné, porque Clementina tem hora, Nara tem hora, Zeca tem hora, Caetano, esse tem mais que isso, tem Tom, tem Vinicius, é um canto de Ossanha intimidador, como os olhos de Maysa, como a bruta e gigantesca música brasileira. Me diga, você que ama projetar o Brasil como o orifício do mundo, tem certeza que não estamos mais acima? Tem total certeza que seus xingamentos não passam de desejo de saber ser o Brasil? O Brasil que não consegue ser alcançado pela corrupção, pelos erros, pelos desleixos? O Brasil que representa a felicidade e a fome, a esperança e o medo, a guerra e a paz, o passado e o presente, tem certeza que você não deseja ser isso? Eu vejo, meus amigos, uma tremenda falta de ótica,  um temor pelo próximo, que não morde ao ser tocado.

Não, não é saudosismo.

É fato.

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