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Crítica: 1922 (2017)
Crítica: 1922 (2017)
Atualizações, Críticas de Cinema, Filmes

Crítica: 1922 (2017)

Ontem (20/10) estreou 1922, filme de terror psicológico, e que é mais uma adaptação de Stephen King feita pela Netflix; e que está fazendo parte do Especial de Halloween do Beco Literário. O longa é uma adaptação do conto homônimo de King — conto esse que faz parte do livro Escuridão Total Sem Estrelas, lançado aqui no Brasil em 2015 pela Suma de Letras — e de todo o livro, considerado pelos fãs o mais pesado e macabro. 1922 é dirigido e roteirizado por Zak Hilditch (As Horas Finais), que foi muito elogiado pelo próprio Mestre do Terror.

Imagem: Thomas Jane, Netflix

1922 é ambientado no ano que dá nome ao longa, e segue a história da família James, composta pelo patriarca Wilfred James (Thomas Jane, em uma de suas melhores performances), sua mulher Arlette James (Molly Parker), e seu único filho Henry James (Dylan Schmid ), que moram em uma fazenda no Nebraska. Wilfred como um típico fazendeiro e patriarca de uma família de 1922 há apenas duas coisas que ele mais se importa: suas terras e seu filho varão, que herdará as suas terras.

No entanto, sua esposa Arlette nunca gostou de morar em uma fazenda, e seu sonho é morar na cidade grande, e abrir uma butique de roupas. Esse sonho se torna possível, quando ela herda um pedaço de terra próximo a ferrovia, e decide vendê-lo, para ter o dinheiro necessário para se mudar para a cidade. Wilfred prontamente não concorda com a decisão, e mesmo com vários argumentos da esposa, não quer vender as terras e morar na cidade. Mas, como bem pontua Arlette, as terras eram dela, então a decisão de vender era dela. Ela venderia as terras, e se mudaria para a cidade grande com o filho, com ou sem o marido, e restava Wilfred aceitar ir com ela ou não.

Porém, há uma escuridão em cada ser humano, e como Wilfred bem pontua em sua narração, há um Wilfred calculista e perverso dentro do fazendeiro; e influenciando o seu filho— que também não deseja abandonar sua vida na fazenda — decidem matar Arlette. No entanto, essa decisão se mostrará uma das piores decisões de suas vidas, já que a partir de então tudo na vida de pai e filho começará a ruir, assim como o corpo de sua esposa e mãe sendo decomposto e comido por ratos.

ATENÇÃO ALGUNS SPOILERS ABAIXO

 

Imagem: Molly Parker, Netflix

 A culpa e como ela pode enlouquecer um ser humano sempre foi um dos temas mais explorados pelo Gênio do Terror, Edgar Allan Poe (e com toda certeza o meu escritor preferido), um dos seus contos mais famosos, O Coração Delator (The Tell-Tale Heart), trata justamente disso:  um homem após matar um velho para quem trabalhava e escondê-lo embaixo do assoalho, passa a ouvir o som dos batimentos cardíacos do velho morto, justamente quando a polícia vai interroga-lo. Só ele pode ouvir o som, e é tão enlouquecedor que ele acaba de entregando para a polícia.

Outro tema muito explorado por Poe, é a escuridão que cada ser humano tem dentro de si, que o faz cometer atos terríveis; Poe vai chamar esse lado perverso do ser humano de Demônio da Perversidade em um conto/artigo teórico maravilhoso. Stephen King utilizou esses dois temas do terror em 1922, com Wilfred sendo “tentado” por um “demônio interior e perverso” em que a única solução que ele via para aquela situação era o assassinato da esposa. O Wilfred calculista e perverso que existia dentro do fazendeiro criou uma trama de uma lógica perversa para seu filho Henry compactuar do mesmo pensamento, onde matar a mãe seria um mal necessário, algo que até Deus os perdoaria. Feito o ato eles teriam que lidar com o peso da culpa.

Mas antes, deve-se cobrir os rastros do crime. Então pai e filho escondem o corpo da mãe em um poço, assim como roupas e joias, para simular para a polícia que Arlette fugiu. Era 1922 afinal, e dizer que a esposa fugiu, evitaria muitas perguntas da polícia, até mesmo para preservar a “honra” do marido abandonado, mesmo que muito da história não batesse. Wilfred e Henry seguem com suas vidas, trabalhando na fazenda, Henry cada vez mais sério com sua namorada Shannon (Kaitlyn Bernard); mas ambos não conseguem esquecer o que fizeram. Henry fica cada vez mais irritado e distante, e começa a perder a noção do certo e errado, já Wilfred não consegue esquecer a última imagem que tem da mulher: morta no poço e sendo comida por ratos. Ratos esses que parecem estar infestando a casa.

Tudo começa dá errado para os dois. Henry engravida a namorada e eles fogem, virando criminosos, a casa começa a cair em ruinas, com ratos roendo tudo nela, e a casa começa a cair aos pedaços. E Wilfred começa a ser assombrado pela sua esposa morta. Será que o espírito dela veio atormentá-lo? Ou Wilfred está enlouquecendo com a culpa? A sua vida parece estar em ruínas, e como uma praga divina, os ratos estão por toda parte, atormentando Wilfred, cada vez mais sendo consumido pela culpa.

1922 é um bom filme de terror psicológico, com uma ótima atuação de Thomas Jane, que realmente se entregou ao personagem. Toda a caracterização do personagem o fez ficar completamente irreconhecível de outros trabalhos do ator, como o seu Frank Castle, em o Justiceiro de 2004. Molly Parker aparece pouco, porém faz um ótimo trabalho. A única falha no quesito atuação é Dylan Schmid, que não consegue acompanhar a atuação de Thomas Jane, nos entregando uma atuação fraca e sem muitas expressões.

Imagem: Thomas Jane, Netflix

O ritmo do filme também é um problema, sendo arrastado em alguns momentos, mas Zak Hilditch consegue entregar um bom filme de terror psicológico, com uma atmosfera sufocante, cada vez mais que a culpa vai consumindo Wilfred James e sua adorada fazenda e filho. No entanto, das duas adaptações de Stephen King da Netflix, Jogo Perigoso ainda segue como o meu favorito.

1922 já está disponível na Netflix.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=q6v1mDCKgjk&w=560&h=315]

Especial Halloween: 

Maratonar séries: até que ponto isso é bom?
Maratonar séries: até que ponto isso é bom?
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Maratonar séries: até que ponto isso é bom?

Outro dia, um post aqui do site me chamou muita atenção: a Netflix divulgou os países que mais faziam maratona de séries e quais eram as séries mais maratonadas.

Não estou aqui de forma alguma para falar mal da Netflix ou de quem faz maratonas. Acho que a Netflix foi uma das melhores invenções do ser humano e maratonar séries é meu esporte favorito. Faltei aula e ainda acordei às 6 da manhã para ver “Gilmore Girls: A Year in the Life” em novembro do ano passado. Só não faltei aula para maratonar “13 Reasons Why” porque realmente não dava, mas, ainda assim, acabei a série no dia seguinte e fui no trem pra faculdade assistindo aos episódios baixados. Obrigada por essa tecnologia, Netflix!

Porém, tem me chamado muito a atenção como maratonar séries foi algo que cresceu. Pessoas que nem ligavam tanto para séries agora assistem a todos os episódios 24 horas depois da Netflix liberar a temporada. Séries são assuntos nos mais variados lugares. Eu curso Comunicação na faculdade, então séries são assunto inclusive de aulas.

Mas, em algum lugar no meio do caminho, parece que assistir série deixou de ser só entretenimento e passou a ser um pouco obrigação. A maioria das pessoas não assiste mais no seu próprio ritmo, elas assistem correndo para serem as primeiras, para fazerem parte dos assuntos, para não pegarem spoilers, para se vangloriarem! Qual o sentido?

Às vezes me pego assistindo séries que nem gosto tanto só porque todos assistem e comentam. Larguei 4 séries ano passado quando vi que tinha se tornado uma obrigação assisti-las.

Você é julgado por só assistir séries que são canceladas na primeira temporada, ou só as que são “modinha”, ou só séries desconhecidas. Nunca é o suficiente.

Além disso tudo, até que ponto é saudável largar a sua vida para assistir uma série? Não me arrependo de ter faltado aula para assistir Gilmore Girls, mas isso foi algo pontual. Há pessoas que cancelam compromissos ou não os marcam para aquela data, dizem que estão doentes no trabalho, as mais diversas desculpas para verem uma série antes de todo mundo.

Os conteúdos “On demand” e as plataformas de streaming vieram, teoricamente, para nos livrar da escravidão de depender da programação da televisão. Agora nós assistimos o que quisermos quando quisermos. Mas acho que erramos em algum lugar e acabamos nos tornando escravos disso também.

Críticas de Cinema, Filmes

CRÍTICA DE CINEMA: Thor – Ragnarok (2017)

Thor: Ragnarok chega aos cinemas dia 26 de outubro, mas o Beco teve acesso a uma sessão exclusiva para jornalistas no dia 17 e, devido às regras de embargo, só pudemos falar a respeito hoje. O filme que é o terceiro da franquia continua a saga de Thor dentro do universo dos Vingadores, com participação do Dr. Estranho e Hulk.

Depois de passar dois anos atrás das jóias do infinito, Thor (Chris Hemsworth) resolve voltar para Asgard, já que, em sua jornada, notou que os nove reinos estavam se juntando para se rebelar contra Odin, quem não parecia estar se importando muito, além de acreditar que já havia cumprido sua missão de evitar o Ragnarok. Desconfiado, ele concretiza suas suspeitas e desmascara Loki (Tom Hiddleston), o levando para a Terra para buscar Odin (Anthony Hopkins) que estava exilado. É nessa hora que o Dr. Estranho faz uma participação de 5 minutos totalmente desnecessária e que deixou bem claro ser só para inseri-lo na franquia, fazer um link entre ele e os Vingadores. Quando eles encontram Odin, o pai de todos diz que está morrendo e conta sobre Hela (Cate Blanchett), sua primogênita que era mantida presa enquanto ele permanecesse vivo. Com sua morte, ela voltaria a fim de reivindicar seu direito ao trono, dominar Asgard e instaurar seu reino de terror, já que ela é a Deusa da Morte. E isso acontece imediatamente após Odin sumir em partículas de luz. Assim, bem imediatamente mesmo. Thor e Loki não tem nem tempo de sofrer o luto e já são atacados pela irmã mais velha.

Graças à covardia de Loki diante da destruição do Mjölnir, os dois acabam levando Hela para Asgard sem querer e, durante o transporte naquele feixe de luz multicolorido, ela consegue jogar os dois para fora, fazendo com que caiam em um planeta estranho onde cai tudo o que está perdido. Lá, Thor é escravizado como um lutador em um esporte que se assemelha à luta livre e é dominado por um neurótico que se chama Grão-Mestre (Jeff Goldblum). É aí que ele encontra o Hulk que é o grande campeão e que está dominando o corpo do Dr. Benner por dois anos seguidos, desde a batalha contra o Ultron. O interessante aí é que vemos o Hulk de uma forma diferente, mais humanizada. Ele fala mais, expressa suas frustrações, seus medos, sua dor por assustar as pessoas e sua busca por aceitação. Mostra um Hulk com consciência de quem é e seu desejo de existir, não só ficar controlado dentro do Dr. Benner. Vemos a intenção clara de reafirmar o Hulk como um herói, um vingador, não um monstro. Quanto ao Thor, vemos a construção de sua identidade como o Deus dos Trovões. Sem o martelo, ele tem que aprender a usar seu poder por si só e isso lhe causa muitas dúvidas e crises de identidade e merecimento. Vemos também o lado mais humano dele, menos deus. O lado que teme em falhar, o lado que sofre a perda do pai, o lado que só queria estar em casa.

A ação propriamente dita começa quando Thor resolve fugir desse planeta, voltar para Asgard e derrotar Hela. Ele consegue alguns aliados pelo caminho que incluem o próprio Hulk e Loki que, para variar, tenta trai-lo de novo, mas não consegue. A comicidade continua presente junto com boas frases de efeito, bem mais do que em Thor: Um mundo sombrio. Para quem gosta de muitas cenas de ação, não vai se decepcionar, além dos efeitos especiais excelentes. Só achei a trilha sonora meio fraca. Na verdade, só tem uma música, a mesma usada no filme Mulher Maravilha, da concorrente DC Comics. Não há como comparar os três filmes e dizer qual é o melhor, muito menos avaliar dentro de todo o universo Marvel, mas o filme é bom, atende às expectativas, tem uma boa história, uma boa produção e responde muitas perguntas, como, por exemplo, o que aconteceu com o Hulk quando ele entrou naquele jato e sumiu.

Pode-se dizer que é um filme que buscou mais a humanidade do que o heroísmo, apesar das grandes cenas de lutas e o poder extraordinário que o Thor desenvolve ao não poder mais se apoiar no martelo. Mas é um filme que desconstrói o monstro, o deus e até o vilão. Apesar de tudo, o Loki sofre quando Odin morre e volta para salvar seu irmão quando ele mais precisa. Há duas cenas pós-crédito, mas nada muito surpreendente. Aliás, essa é uma marca constante no filme porque foi revelado tanto nos trailers, que não sobrou nada para nos surpreender. Afinal, todos já sabíamos sobre a Deusa da Morte, a destruição do Mjölnir, o reencontro com o Hulk, o corte do cabelo icônico do Thor (a qual, aliás, é uma das cenas mais engraçadas do filme), então, sobrou pouca coisa de novidade.

Atualizações, Cultura, Filmes

ESPECIAL: 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Acontece em São Paulo, entre os dias 19 de outubro e 1º de novembro, a 41ª Mostra Internacional de Cinema. O festival, que é um dos maiores e mais importantes eventos de audiovisual do país, traz na programação desse ano 394 produções de vários países e diversas atividades em mais de 30 espaços, entre cinemas, espaços culturais e museus espalhados pela cidade.

De acordo com Renata de Almeida, diretora da Mostra, a seleção de 2017 traz filmes ligados a diferentes vertentes do cinema contemporâneo, com destaque para obras que abordam a questão dos refugiados, a degradação ambiental e a intersecção de linguagens.

FILME DE ABERTURA

Além de assinar a arte do cartaz da 41ª edição, o artista plástico chinês Ai Weiwei também dirige o filme de abertura da Mostra. O documentário Human Flow – Não Existe Lar Se Não Há Para Onde Ir aborda a crise dos refugiados de maneira detalhada e intimista, com cenas e entrevistas que percorreram mais de 22 países, nas quais o próprio diretor participa.

A trajetória do artista também será relembrada com a apresentação especial do documentário de Alison Klayman, Ai Weiwei – Sem Perdão, vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Sundance em 2012.

Ai Weiwei (Divulgação)

A questão da crise dos refugiados será um tema bem presente na programação deste ano, a exemplo dos títulos Happy End, de Michael Haneke, Bem-Vindo à Suíça, de Sabine Gisiger, O Outro Lado da Esperança, de Aki Kaurismaki, Além das Palavras, de Urzula Antoniak, entre outros.

MEIO AMBIENTE

Al Gore volta a alertar sobre a importância da preservação ambiental, ao lado dos diretores Bonni Cohen e Jon Shenk, em Uma Verdade Mais Inconveniente – sequência do documentário Uma Verdade Inconveniente (2006), vencedor do Oscar. O filme inclui polêmicas atuais, como a decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de romper com o Acordo de Paris. Segundo Gore, a posição do presidente é “imprudente e indefensável”.

Trazendo a discussão sobre meio ambiente para o Brasil, a Mostra vai exibir o filme Rio de Lama, de Tadeu Jungle. “Este filme não é inédito em São Paulo, mas mesmo assim vamos mostrá-lo, pois trata de tema que merece muitas vitrines: a tragédia de Mariana, cidade histórica de MG, que perdeu vidas e viu lama tóxica poluir brutalmente as águas de seu rio”, explica Renata.

O maior desastre socioambiental do país também é tema do segmento dirigido por Walter Salles no longa Em Que Tempo Vivemos?, que reúne cineastas dos cinco países do BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

MULHERES NA MOSTRA E HOMENAGEM A AGNÈS VARDA

Uma das pioneiras da Nouvelle Vague e ícone do feminismo no cinema, Agnès Varda será homenageada com o Prêmio Humanidade, que a cada edição da Mostra é entregue a um cineasta cuja obra reflete questões humanísticas. A preocupação social presente em seus filmes será relembrada em um retrospectiva com 10 longas da diretora, além da exibição do seu último filme, Faces Places. Eleito pelo público do Festival de Toronto como Melhor Documentário, o filme acompanha Varda – que receberá um prêmio honorário na próxima edição do Oscar – e o fotógrafo e muralista J.R. numa viagem pelas áreas rurais da França.

Agnès Varda (Divulgação)

Contando com o longa de Agnès Varda, a seleção da Mostra conta com 98 títulos dirigidos ou codirigidos por mulheres, incluindo 21 diretoras brasileiras. Destaque para Esplendor, de Naomi Kawase, premiado pelo júri ecumênico de Cannes, e Nico,1988, de Susanna Nicchiarelli, eleito o Melhor Filme da mostra Horizontes, no Festival de Veneza.

PRÊMIO LEON CAKOFF PARA PAUL VECCHIALI

Reconhecido por sua cinematografia apaixonada e heterogênea, o veterano diretor francês Paul Vecchiali terá oito longas restaurados exibidos na programação, junto de seus três últimos trabalhos lançados no Brasil, além da estreia mundial de Os 7 Desertores, do curta inédito Três Palavras de Passagem e do documentário Revisitando La Martine, de Pascal Catheland, que registra o processo de produção do curta.

Paul Vecchiali (Divulgação)

Também reconhecido por ser o primeiro realizador a abordar a questão da AIDS dentro da comunidade homossexual, o diretor vem a São Paulo para receber o Prêmio Leon Cakoff.

FOCO SUÍÇA

A cada ano, a Mostra seleciona um país diferente e faz um panorama de sua produção cinematográfica. Nesta edição, o país escolhido foi a Suíça. Uma retrospectiva de sete títulos do cineasta Alain Tanner e sete curtas animados do diretor Georges Schwizgebel foram selecionados para a programação, além de vários filmes contemporâneos que participaram de festivais internacionais. Outro destaque é um filme “inédito” do cineasta Jean-Luc Godard, feito para a TV em 1976.

Jean-Luc Godard (Divulgação)

FILMES SELECIONADOS PARA O OSCAR

Dos filmes selecionados para a Mostra, treze obras de diferentes países concorrem à vaga para o Oscar de melhor filme estrangeiro:

    • ARGENTINA: Zama, de Lucrecia Martel (trailer abaixo);
    • ÁUSTRIA: Happy End, de Michael Haneke;
    • COREIA DO SUL: O Motorista de Táxi, de Jang Hoon;
    • GEÓRGIA: Scary Mother, de Ana Urushadze;
    • IRÃ: Respiro, de Narges Abyar;
    • IRLANDA: Canção de Granito, de Pat Collins;
    • ISLÂNDIA: A Sombra da Árvore, de Hafsteinn Gunnar Sigurðsson;
    • NOVA ZELÂNDIA: Mil Cordas, de Tusi Tamasese;
    • REPÚBLICA TCHECA: Mãe no Gelo, de Bohdan Sláma;
    • RÚSSIA: Loveless, de Andrey Zvyagintsev;
    • SUÉCIA: The Square, de Ruben Östlund;
    • SUÍÇA: Mulheres Divinas, de Petra Volpe;
    • VENEZUELA: El Inca, de Ignacio Castillo Cottin.

REALIDADE VIRTUAL

A inovadora tecnologia de realidade virtual estará presente na Mostra pela primeira vez, em exibições especiais para apresentar ao público essa nova linguagem. São sessões com os 19 curtas-metragens em realidade virtual, que serão exibidos durante todo o festival nas salas parceiras.

EXIBIÇÕES AO AR LIVRE

A tradicional programação de exibições ao ar livre no Vão Livre do MASP acontece diariamente, de 23 a 28 de outubro, sempre às 19h30. Eles Não Usam Black-Tie, filme vencedor do Leão de Prata no Festival de Veneza, será exibido em homenagem aos 80 anos no cineasta Leon Hirszman (1937-1987). O Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual – estabelecido pela UNESCO como forma de chamar a atenção para a necessidade de conservação dos arquivos audiovisuais ao redor do mundo e a importância destes arquivos para formar a identidade cultural das nações – será lembrado com a exibição do filme Quando o Carnaval Chegar, de Cacá Diegues. A Mostra também homenageia o ator Paulo José com o Prêmio Leon Cakoff e apresenta três filmes estrelados por ele: Macunaíma e O Padre e a Moça, de Joaquim Pedro de Andrade, e, em tempos de perseguição e censura à arte, O Homem Nu, de Hugo Carvana.

O Homem Nu (Divulgação)

Realizada anualmente, a projeção ao ar livre na área externa no Auditório Ibirapuera vai exibir a cópia restaurada da comédia romântica O Homem Mosca, de 1923, dirigida por Fred C. Newmeyer e Sam Taylor, e estrelada por Harold Lloyd. A trilha sonora será executada, ao vivo, pela Orquestra Jazz Sinfônica.

No filme, um jovem inexperiente toma a decisão de abandonar sua pequena cidade natal, no interior, e partir para a cidade grande em busca de sucesso profissional. Depois de um tempo, finalmente consegue um emprego como vendedor em uma grande loja de departamentos, sem imaginar que este seria o início de muitas aventuras e que algumas poderiam até colocar sua vida em risco.

Em 2017, o personagem que marcou a carreira de Harold Lloyd completa 100 anos. O rapaz de óculos, que muitas vezes tinha o nome do próprio ator e ficou imortalizado pela cena em que fica pendurado num relógio, apareceu pela primeira vez em Over The Fence, de 1917.

O Homem Mosca (Divulgação)

Esses são apenas alguns destaques da 41ª Mostra Internacional de Cinema. No site oficial é possível encontrar maiores informações, a programação completa do festival e valores dos ingressos. No prédio do Conjunto Nacional, em São Paulo, é possível conhecer a Central da Mostra, onde, além dos ingressos, o visitante pode adquirir produtos oficiais do evento. Há também um estande para troca de ingressos, localizado no Shopping Frei Caneca.

Críticas de Cinema, Filmes

CRÍTICA DE CINEMA: Thor (2011)

Thor é um filme americano de 2011 baseado no personagem homônimo da Marvel Comics, produzido pela Marvel Studios e distribuído pela Paramount Pictures. É o quarto filme do Universo Cinematográfico Marvel. O filme foi dirigido por Kenneth Branagh, escrito por Ashley Edward Miller & Zack Stentz e Don Payne, e estrelado por Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Stellan Skarsgård, Colm Feore, Ray Stevenson, Idris Elba, Kat Dennings, Rene Russo e Anthony Hopkins.

Em 965 D.C., Odin, rei de Asgard, declara guerra contra os Gigantes de Gelo de Jotunheim e seu líder, Laufey, para os impedir de conquistar os nove reinos, começando pela Terra. Os guerreiros Asgardianos derrotam os Gigantes de Gelo e conseguem pegar a fonte do seu poder, uma caixa de gelo. No presente, o filho de Odin, Thor, se prepara para ascender ao trono de Asgard, mas é interrompido quando os Gigantes de Gelo tentam recuperar a caixa. Contra a ordem de Odin, Thor viaja para Jotunheim para enfrentar Laufey, acompanhado por seu irmão Loki, sua amiga de infância Sif e os Três Guerreiros Volstagg, Fandral e Hogun. Uma batalha acontece até Odin intervir para salvar os Asgardianos, destruindo a frágil trégua entre as duas raças. Devido à arrogância de Thor, Odin tira-lhe todo o poder divino e bane-o para a Terra como um mortal acompanhado de seu martelo Mjölnir, agora protegido por um encantamento para permitir que apenas os dignos possam empunhá-lo.

Sam Raimi desenvolveu primeiro o conceito de uma adaptação cinematográfica de Thor em 1991, mas logo abandonou o projeto, o deixando em “desenvolvimento parado” por vários anos. Durante este tempo, os direitos foram adquiridos por vários estúdios de cinema até que a Marvel Studios contratou Mark Protasiewicz para desenvolver o projeto em 2006, e planejava financiá-lo e lançá-lo através da Paramount Pictures. Matthew Vaughn foi originalmente contratado para dirigir o filme numa tentativa de lançamento para 2010. No entanto, depois que Vaughn saiu do projeto em 2008, Branagh foi contratado e o lançamento do filme foi reprogramado para 2011. Os personagens principais foram escalados em 2009, e as filmagens ocorreram na Califórnia e Novo México de janeiro a maio de 2010. O filme foi convertido para 3D na pós-produção.

Thor estreou em 17 de abril de 2011, em Sydney, Austrália, e foi lançado nos Estados Unidos em 6 de maio de 2011. O filme foi um sucesso financeiro e recebeu críticas geralmente positivas de críticos de cinema. O personagem é caracterizado por sua fala clássica e, ao contrário dos outros heróis da Marvel, não é visto como um herói, mas um deus. Thor veio de um mundo de deuses, onde magia e ciência se misturam e coisas tão complexas para nós como o conceito de espaço-tempo são muito simples para ele, por isso é interessante ver sua interação na Terra e sua evolução também quanto homem, mostrando o lado frágil do grande Deus do Trovão. Isso fica muito claro quando ele se envolve romanticamente com a cientista Jane que, junto de sua equipe, tenta o ajudar a recuperar o martelo. A comicidade é extremamente presente como já ficou característico nos filmes da Marvel e podemos considerar como uma estreia perfeita de um personagem tão icônico dos quadrinhos ao mundo dos Vingadores.

Atualizações, Filmes

Netflix lança dados sobre as séries mais maratonadas no Brasil e no Mundo

Os serviços de streaming e de tv on-demand mudaram a forma que o telespectador se relaciona com as séries. Se antes era preciso esperar a exibição de um episódio por semana na TV para aí sim poder assistir (ou baixar) ou esperar alguns meses para que o DVD chegasse ás lojas, hoje podemos consumir estes conteúdos de uma vez através das plataformas disponíveis no mercado.

A Netflix foi pioneira neste seguimento. Quando suas séries originais chegam ao catálogo, na maior parte das vezes, todos os episódios são lançados de uma única vez. E isso se tornou rotina para muitos fãs: esperar o lançamento oficial e assistir tudo em um único final de semana. Segundo um relatório disponibilizado pela companhia hoje, 8,4 milhões de assinantes possuem o hábito de terminar temporadas inteira em 24 horas após o lançamento.

Existe uma satisfação única ao ser o primeiro a terminar uma história – que seja a última página de um livro ou os últimos momentos da série de TV favorita“, disse Brian Wright, vice-presidente de séries originais da Netflix. O legado da gigante de streaming americana é muito maior do que se imaginava. Ela moldou o hábito do público. Hoje é um trunfo terminar a série antes de todos.

Pessoalmente falando, quando foi lançada uma temporada de Orange Is The New Black este ano, foi preciso que eu apressasse o meu ritmo de assistir aos episódios pois grande parte dos meus amigos assistiram a todos em um final de semana e já estavam comentando nos dias seguintes; enquanto isso, eu, que assistia um episódio por dia tive que me apressar para fugir dos spoilers.

Essa onda de maratonistas só aumentou, principalmente depois que a função de baixar os episódios para assisti-los offline foi disponibilizada. Um assinante brasileiro assistiu 21 séries completas no dia de seus lançamentos. 21 SÉRIES!

A série de mangá The Seven Deadly Sins foi a mais maratonada até agora no Brasil. Fuller House é a preferida no Equador. Os Defensores é #1 na Coréia do Sul. E assim vai. O país que mais assiste séries de uma única vez é o Canadá, mas nós não ficamos atrás. Estamos em 10º na lista dos mais maratonistas, confira o ranking:

  1. Canadá
  2. Estados Unidos
  3. Dinamarca
  4. Finlândia
  5. Noruega
  6. Alemanha
  7. México
  8. Austrália
  9. Suécia
  10. Brasil
  11. Irlanda
  12. Reino Unido
  13. França
  14. Nova Zelândia
  15. Peru
  16. Holanda
  17. Chile
  18. Portugal
  19. Itália
  20. Emirados Árabes Unidos

As 20 séries mais vistas são:

  1. Gilmore Girls: Um Ano para Recordar
  2. Fuller House
  3. Marvel – Os Defensores
  4. The Seven Deadly Sins
  5. The Ranch
  6. Santa Clarita Diet
  7. Trailer Park Boys
  8. F is for Family
  9. Orange Is the New Black
  10. Stranger Things
  11. Amigos da Faculdade
  12. Atypical
  13. Grace and Frankie
  14. Wet Hot American Summer
  15. Unbreakable Kimmy Schmidt
  16. House of Cards
  17. Amor
  18. GLOW
  19. Chewing Gum
  20. Master of None

E é claro, não podemos esquecer as 10 mais assistidas em 24 horas no Brasil:

  1. The Seven Deadly Sins
  2. Marvel’s The Defenders
  3. Santa Clarita Diet
  4. Gilmore Girls: A Year in the Life
  5. 3%
  6. The Ranch
  7. Atypical
  8. Stranger Things
  9. Fuller House
  10. You Me Her

 

"Pantera Negra" ganha novo trailer e pôster oficial
“Pantera Negra” ganha novo trailer e pôster oficial
Atualizações, Filmes

“Pantera Negra” ganha novo trailer e pôster oficial

A Marvel divulgou nesta segunda-feira (16) o novo trailer de Pantera Negra, filme solo do Rei de Wakanda, T’Challa, interpretado por Chadwick Boseman (Get On Up: A História de James Brown). Assista a seguir.

Pantera Negra acompanha T’Challa que, após os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil, decide voltar para casa – a isolada e tecnologicamente avançada nação africana de Wakanda – e assumir sua função como Rei. No entanto, quando um antigo inimigo reaparece, sua coragem é testada quando ele é levado para um conflito que coloca o destino de Wakanda e do mundo em risco”, diz a sinopse oficial.

"Pantera Negra" ganha novo trailer e pôster oficial

“Pantera Negra” ganha novo trailer e pôster oficial

Além de Chadwick Boseman, estão no elenco Michael B. Jordan (Quarteto Fantástico), Angela Basset (American Horror Story), Danai Gurira (The Walking Dead) e Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão).

Dirigido por Ryan Coogler (Creed: Nascido Para Lutar), Pantera Negra tem estreia programada para 15 de fevereiro de 2018 no Brasil.

Atualizações, Filmes

Sessão da Tarde: Programe-se para assistir os filmes da semana!

A semana na Sessão da Tarde promete ser divertidíssima! Teremos filmes de enorme sucesso, consagrados pelo público e que são impossíveis de não assistir, mesmo pegando do meio para o fim. Só para ter um gostinho do que está por vir, teremos aquela dobradinha amada de Meryl Streep e Anne Hathaway no fashionista “O Diabo Veste Prada” e o clássico de Steve Martin com os seus doze filhos, na continuação, “Doze é Demais 2”. Está preparado?

Confira as sinopses da semana:

17/10 – Lição de Vida (2010)

A professora Trish Fahey (Nancy Travis) não consegue entender a falta de esforço de seus alunos e porque os pais deles não se importam. Quando um dos estudantes, Justin Kremer (Cameron Deane Stewart), a estrela do time de basquete da escola, passa a dormir na aula e atrasa a entrega de um trabalho, ela o suspende da equipe esportiva até que se dedique aos estudos. A mãe dele, Cindy Kremer (Jana Lee Hamblin), vem lhe pedir para reconsiderar, mas Trish a acusa de ser uma mãe irresponsável. A situação muda quando a professora tem um acidente de carro. Ao acordar, ela descobre que está vivendo no corpo de Cindy. Então, conhece Molly (Yara Martinez), uma estranha que a ajudará a ver as coisas de modo diferente e valorizar quem está ao seu lado.

18/10 – Doze É Demais 2 (2005)

Tom (Steve Martin) e Kate (Bonnie Hunt) são os chefes da família Baker, que têm ainda 12 filhos. O casal precisa agora lidar com o afastamento de alguns dos seus filhos. Nora (Piper Perabo) está agora casada e grávida, sendo que ela e seu marido Bud (Jonathan Bennett) em breve mudarão de cidade. Lorraine (Hilary Duff) acaba de se formar e também pretende se mudar, para Nova York, onde poderá iniciar sua carreira profissional. Tentando reunir a família uma última vez, Tom propõe que todos passem uma temporada de férias em uma casa à beira do lago, onde já haviam se hospedado anos atrás. Após alguma relutância todos aceitam e partem para o local. Entretanto lá Tom reencontra Jimmy Murtaugh (Eugene Levy), um homem extremamente competitivo que também possui uma família grande e discorda do modo como Tom ensina seus filhos.

19/10 – Amor Plus Size (2012)

Nina (Lola Dewaere) é mulher jovem, bonita e gorda. Gaspard (Grégory Fitoussi), marido de Nina, só gosta de mulheres magras. Relutante, Nina tenta mais uma vez seduzir Gaspard e aceita um tratamento de emagrecimento em um resort. No local, ela conhece Sophie (Victoria Abril), uma bela advogada que quer controlar desde seu corpo até seu coração, e Emilie (Catherine Hosmalin), uma mulher que afirma “Gordo é bonito!”, mas que está no local devido a sua vida amorosa ter estagnado e o peso ter causado problemas de saúde. O encontro desse trio causará um maremoto nesse resort.

20/10 – O Diabo Veste Prada (2006)

Andrea Sachs (Anne Hathaway) é uma jovem que conseguiu um emprego na Runaway Magazine, a mais importante revista de moda de Nova York. Ela passa a trabalhar como assistente de Miranda Priestly (Meryl Streep), principal executiva da revista. Apesar da chance que muitos sonhariam em conseguir, logo Andrea nota que trabalhar com Miranda não é tão simples assim.

Não se esqueça, a Sessão da Tarde é exibida de segunda a sexta-feira às 15h05.

Chiquinha aparece em vídeo promocional de Stranger Things
Chiquinha aparece em vídeo promocional de Stranger Things
Atualizações, Filmes

Pois é, pois é: Chiquinha aparece em vídeo promocional de Stranger Things para a América Latina

A segunda temporada da série Stranger Things está chegando, e para promover os novos episódios, a Netflix divulgou um teaser muito especial. Feito apenas para o público latino-americano, a personagem Chiquinha, da série Chaves, aparece no papel de Eleven. Assista:

A nova temporada de Stranger Things estreia em 27 de outubro. Os novos episódios irão se passar 1 ano depois dos fatos ocorridos na primeira temporada, que mostraram a luta de Will com sua própria memória, que estará atordoada uada por conta dos ocorridos no Mundo Invertido.

Também foi divulgado o trailler oficial e a sinopse da nova leva de episódios, confira:

https://www.youtube.com/watch?v=QQI2UDte-Qs

É o ano de 1984 e os cidadãos de Hawkins, Indiana, ainda estão se recuperando dos horrores do Demogorgon e dos segredos do Laboratório de Hawkins. Will Byers foi resgatado do Mundo Invertido, mas uma entidade maior e mais sinistra ainda ameaça os que sobreviveram.”

 

 

Atualizações, Críticas de Cinema, Filmes

Crítica: Jogo Perigoso (Gerald’s Game, 2017)

Continuando o mini especial de Halloween, onde faço críticas de filmes de terror (ou similares) que assisti e assistirei durante o mês de Outubro; hoje farei a crítica de uma adaptação do mestre do terror Stephen King feita pela Netflix: Jogo Perigoso (Gerald’s Game).

Jogo Perigoso é dirigido por Mike Flanagan (Hush: A Morte Ouve), que também assina o roteiro juntamente com Jeff Howard (Ouija: A Origem do Mal) baseado no livro de mesmo nome, do autor Stephen King (é, esse está sendo o ano para as adaptações de King, não que eu esteja reclamando, inclusive façam mais!). A história segue um casal, Jessie Burlingame (Carla Gugino,  que está simplesmente fantástica) e Gerald Burlingame (Bruce Greenwood) que vão para uma casa de campo com a intenção de apimentar o casamento, em uma tentativa de uma segunda lua de mel.

Gerald , então,  propõe um joguinho sexual, Jessie topa e ele a algema (com algemas de verdade) na cama. Porém, o jogo dá absolutamente errado, e Jessie se vê sozinha, algemada na cama, sem poder se soltar, com ninguém para pedir ajuda. Os vizinhos mais próximos estão longe o suficiente para não ouvi-la gritar, e mesmo que pudessem ouvir não estão em casa. Não tem como alcançar o celular, e a chave das algemas está em cima da pia do banheiro. Sem comida, sem água. E para piorar a situação, um cachorro faminto entrou pela casa. A situação de Jessie é desesperadora, tanto que a mente da personagem começa a projetar figuras como uma forma de mecanismo de defesa. Jessie, começa a pensar em formas de como sobreviver e escapar, enquanto é atormentada por visões e lembranças traumáticas do passado, e por uma estranha figura na escuridão.

ATENÇÃO ALGUNS SPOILERS E CONTEÚDO SOBRE ABUSO SEXUAL INFANTIL E VIOLÊNCIA

Imagem: Netflix

Eu estava com altas expectativas para Jogo Perigoso, devido ao trailer e por ser uma adaptação de Stephen King, apesar de não ter lido o livro (algo, que após ter visto o filme, devo corrigir rapidamente). Apesar de nem todas as adaptações de King serem boas, as que são, geralmente entram para a minha lista de filmes de terror preferidos (alô Iluminado, Carrie), e Jogo Perigoso não foi uma exceção. Porém, foi um filme muito difícil de se assistir.

É um filme pesado. Principalmente para mulheres, pois aborda questões, de violências contra mulheres, que nós, de alguma forma já passamos, e infelizmente ainda passamos. Por isso, já deixo claro que o filme possui muitos gatilhos!

Imagem: Netflix

Jessie foi exposta desde muito cedo a misoginia e violência contra as mulheres. Aos 12 anos, ela foi abusada pelo pai, que a fez acreditar que a culpa era dela e que caso ela contasse para sua mãe, ela brigaria com Jessie e a culparia. Desde então, Jessie se silenciou sobre o assunto, mesmo que cada vez que ela olhasse para seu pai, alguém que deveria protegê-la de todo mal, a machucasse. Mesmo que estivesse com medo com a perspectiva de acontecer de novo, ou com sua irmãzinha. Jessie se calou pois aprendeu desde muito cedo que a culpa pela violência sofrida cairia nela, mesmo que ela fosse a vítima.

Anos se passaram, e Jessie já é adulta e casada com Gerald. Seu casamento não vai bem, e ela se culpa por isso, mesmo que não seja a culpada. Mas, afinal, a “culpa é sempre da esposa, caso o casamento vai mal”. É por isso que Jessie aceita fazer parte do jogo sexual arquitetado por Gerald, pois quem sabe era isso que estava faltando: apimentar um pouco a relação. Tudo ia bem, até que Gerald começa a ficar violento, pois o que excita ele é a violência, a submissão, e ela gritar por socorro. Jessie manda ele parar,mas ele insiste, ainda mais violento. Ela continua dizendo que não, e consegue empurrá-lo com os pés. Eles começam a discutir, ela manda soltá-la, mas ele diz que não e continua a discutir. Então,  Gerald tem um ataque cardíaco e morre, deixando-a ali sozinha e algemada na cama. Ela começa a gritar, mas não tem ninguém para ajudá-la, o celular está inalcançável, e a chave ainda mais distante.

Para piorar, um cachorro faminto entra pela porta que eles esqueceram aberta, e começa a comer o cadáver de Gerald, e ela sabe que será a próxima (aqui uma clara referência a Cujo, também de King). Jessie começa a ter um ataque de pânico, e sua mente como um mecanismo de defesa, projeta a figura de um Gerald vivo  — uma alusão ao seu desespero e estado de impotência, pois o tempo todo a figura de seu marido fica dizendo que ela não vai conseguir sair dali viva — e uma outra Jessie, que representa o seu instinto de sobrevivência, que fica lhe dando ideias de como sair daquela situação. Jessie fica o tempo todo conversando com essas figuras, pensando em modos de escapar, de conseguir água e tentando afugentar o cachorro que tenta o tempo todo mordê-la. E tendo lembranças. Nesse momento todas as lembranças ruins da infância voltam, além de outras ruins com o próprio Gerald, com Jessie percebendo um padrão misógino e violento que ela tinha decidido ignorar, pois a “culpa” seria, mais uma vez, dela.

Imagem: Netflix

Mike Flanagan — juntamente com a interpretação maravilhosa de Carla Gugino — conseguiu criar uma trama claustrofóbica e desesperadora, trazendo uma sensação de impotência para o expectador, da mesma forma que a personagem se sente. Em uma cena em que a personagem tenta pegar um copo de água, dá um frio na barriga, pois à todo momento você pensa que o copo vai cair de alguma forma. Além das próprias lembranças devastadoras de Jessie (destaco a atriz Chiara Aurelia, que a faz a Jessie com 12 anos, uma ótima atuação), que são um soco no estômago por si só.

O elemento terror é reforçado com a estranha figura que aparece no quarto a noite. Será mais uma alucinação? Ou será a morte? Devo dizer que a resolução do mistério me pegou totalmente de surpresa, me deixando com mais vontade de ler o livro de Stephen King. Outro destaque é a cena em que Jessie consegue escapar das algemas, uma cena muito agonizante de se assistir.

Jogo Perigoso  é um terror psicológico realmente desesperador e sufocante. Foi um filme pesado de se assistir, mas com certeza é mais uma boa adaptação de Stephen King. E espero que esse padrão se mantenha, nas próximas adaptações do mestre do terror. Porém, reitero que é um filme com muitos gatilhos, com discussões  mais que necessárias, mas ainda assim muito pesado.

Jogo Perigoso (Gerald’s Game) já está disponível na Netflix.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=N1be77YZWKI&w=560&h=315]

Primeira Crítica do Especial Halloween: Raw