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Cena deletada de Convergente (Allegiant)!

Oito páginas de uma cena deletada do último livro da série Divergente de Veronica Roth foram divulgadas e nelas descobrimos sobre as tatuagens, medos, Tori e muito mais! Confiram as páginas em inglês e logo depois, a tradução:

“Essa cena acontece um pouco antes que Tris, Tobias e os outros deixam a cidade pelo mundo a fora. Nele, Tori reuniu um grupo da Audácia para comemorar sua antiga facção, fazendo tatuagens dos seus ‘números de medos’ originais, desafiando o novo regime dos Sem-facção. Eu cortei essa parte para resolver a morte dos personagens, mas inicialmente eu escrevi porque estabelece muitos personagens e dinâmicas e emoções em um espaço pequeno, e é a ultima comemoração dos membros da Audácia, meio que terminando a série. Talvez você reconheça umas partes dele – algumas das informações nessas passagens estão espalhadas pelo livro.” -Veronica Roth

Tris

Tori. Que está carregando uma pequena caixa de papelão, coloca-a no chão e sobe em uma das mesas. Então, ela levanta a mão, buscando silencio. Ele vem em partes e pedaços.

“Marquei essa reunião em parte para jogar na cara de Evelyn Johnson-”

Comemorações.

“-e em parte por outra razão.”

Ela alcança a caixa em seu pé e tira uma agulha de tatuagem.

“Para criar algo que nos mantenha juntos.” Ela segura a agulha em ambas as mãos, tão gentil quanto se estivesse segurando uma criança.

Os membros da Audácia se juntam em fila rapidamente. O tempo junta enquanto passa. Eu fico mais e mais ciente do que estamos prestes a fazer esta noite. Sair da cidade. Quebrar a lei. Talvez nunca retornar. Encontrar o mundo la fora. Ouvir as respostas de todas as nossas perguntas.

Somos mesmo apenas experimentos? Há quanto tempo está aqui fora? Você esteve nos assistindo? O que quer de nós?

E, para mim, a mais importante: Quem é Edith Prior?

Christina retorna da fila da tatuagem com o numero 13 em seu braço. Eu noto umas pequenas formas flutuando sob o 3, e ela me da um sorriso maligno.

“Mariposas,” ela explica. “Durona como bola de algodão, certo?”

Eu rio, e então imagino se posso rir, pois foi isso que Will falou quando descobriu que ela tinha medo de mariposas. Mas acho que, depois que alguém morre, está tudo bem sentir o que você sente. E Christina ainda está sorrindo.

“É bom pensar nisso,” ela diz enquanto senta do meu outro lado. “Sabe?”

Concordo, e mesmo que eu seja uma ‘careta’ e eu não faço essas coisas, eu seguro sua mão e aperto.

Tobias e eu estamos na fila do Bud, e Shauna manobra sua cadeira de rodas para a fila de Tori, na frente de Zeke. Checo meu relógio. Temos algumas horas até executarmos nosso plano de fuga – não era minha intenção gastar essas horas esperando por uma tatuagem, mas talvez é assim que vai ser.

“Eu realmente vou sentir saudades daqui,” Digo.

“Sério?” Ele indaga. “Eu penso mais como, ‘Boa viagem.’”

“Você não vai sentir falta de nada? Nenhuma memória boa?” Eu dou uma cotovelada nele.

“Tudo bem, tem algumas.” Ele sorri.

“Alguma que não me envolve?” Digo. “Isso soa meio egocêntrico. Você me entendeu.”

“Claro. Eu acho.” Tobias encolhe os ombros. “Digo, eu consegui ter uma vida diferente aqui, um nome diferente até. Aqui sempre fui Quatro, graças ao meu instrutor. Ele que inventou esse apelido.”

“O legendário Quatro.”

“De fato.” Ele espalha seus braços abertos. “E quão sortuda você é por estar em minha presença.”

Eu o espeto nas costelas com meu braço.

“Por que eu não conheci esse instrutor?”

“Porque ele está morto.” Tobias diz “morto” como se fosse apenas outra palavra, mas seus olhos encontram os meus e posso dizer que isso é qualquer coisa menos um tópico casual. “Amar era Divergente.”

Toco seu braço, gentilmente, mas não há muito a dizer. Ele se mexe como se estivesse desconfortável.

“Viu?” Ele diz. “Muitas memórias ruins aqui. Estou pronto para ir embora.”

Ficamos quietos por um instante, e isso é confortável, o que é estranho pra mim. Usualmente, o silencio está carregado com todas as palavras que as pessoas não dizem, ou não conseguem encontrar uma forma de dizer, mas com ele, sinto que minha presença é o bastante.

Nos movemos cada vez mais perto da agulha de tatuagem, e quando estamos a alguns pés de distancia, Tori diz sem levantar a cabeça, “Vocês dois, venham pra minha fila.”

Fico nervosa, mas não quero que ela saiba que tenho medo dela, então faço o que ela diz.

Vou antes de Tobias, e quando Tori termina com a mulher da Audácia que estava na minha frente, ela enrola os dedos pra mim. “Sua vez.”

Ela troca a agulha antiga por uma nova, e prepara a tinta. Suas mãos estão nuas e são pequenas, duras como qualquer mãos que eu já vi. Elas quase parecem estar descansando no ar, como se estivesse em uma mesa, sem movimento.

Sento a frente dela.

“Pode vem mais perto, sabia,” ela diz, “Não vou morder.” Ela inclina sua cabeça. “Oh, espera. Eu fiz essa, não foi?”

Eu vou mais perto.

“Sei que acima do seu braço já está cheio, então você pode escolher um lugar diferente,” ela diz, e sua voz é inesperadamente macia. Seus olhos, que se curvam gentilmente pra baixo, encontra os meus.

“Okay.” Eu digo.

“Seu número?” ela diz. “Ou a melhor aproximação dele?”

Meu número de medos, quando fui na Paisagem do Medo durante a iniciação, era sete. Mas tenho os mesmos medos agora, dos que eu tinha na iniciação? Ainda tenho medo de ser responsável pela morte da minha família, quando eles já se fora,? Ainda tenho medo de estar com Tobias, daquela forma?

“Se estiver tendo problemas, pense na tatuagem como uma memória dos seus medos como uma iniciante da Audácia,” diz Tori. “O numero pode mudar, mas a memória sempre será a mesma, e é isso que está gravado, não a quantia de seus medos.”

Assim é mais fácil. “Meu número era sete.”

Ofereço meu braço a ela, e ela limpa meu antebraço com anti-séptico, e então, toca a agulha na minha pele. Estou acostumada com o espetar da agulha e da dor que enche meus olhos de agua. Não tenho nem que olhar pro lado dessa vez. Apenas observo a agulha se mover, e sua mão limpando o excesso de tinta, e minha pele ficando vermelha ao redor. Ainda não gosto do som que ele faz – tipo o som de abelhas.

“Aparentemente, você não precisava da Jeanine viva,” Tori diz rapidamente. “Você não precisava dela viva pra mostrar o video.”

“Não sabia disso naquela hora.”

“Ou uma parte de você não queria saber. Queria deixa-la viva.”

“Estou feliz que ela está morta.”

“Hmm.”

“Hey,” digo severamente, então ela pausa, levanta a agulha. “Eu odiava ela. Estou feliz que ela está morta. Você não é a única a ter vidas tiradas por ela, então para de agir como tal.”

Ela não responde. Em vez disso, ela volta pra tatuagem, traçando cada linha, enchendo os espaços entre elas. Quando ela termina, a pele envolta do numero 7 está vermelho claro, mas não dói muito. Ela faz um curativo e percebo que a sala está quieta. Bud está guardando seus suprimentos, e Tobias está atras de mim, ele é o ultimo da fila. O silencio é pra ele.

Tobias
“Todos nós sabemos seu numero Tobias Eaton,” diz Tori.

Ainda sinto uma pitada de medo quando alguém fala meu nome em voz alta, como se fosse uma palavra proibida. Por um longo tempo pertencia apenas a mim, até que eu dei para Tris, mas ai a Franqueza alcançou ele com o soro da verdade, e agora pertence a todos.

Minha camiseta tem mangas longas que são coladas ao redor do pulso, então eu as puxo pra cima tão rápido quanto possível – para o meu cotovelo – e sento, oferecendo minha pele vazia para ela marcar. Ja estou quente de vergonha, nessa sala que não deveria estar em silencio, mas está. Ela levanta o cotovelo pra mim.

“Não lembro de ter colocado uma tatuagem em seu braço,” ela diz, dando um tapa no meu ante-braço. “Vamos, deixe-nos ver esse belo trabalho que eu fiz nas suas costas.”

Ela me perguntou, uma vez, porque eu fiz tantas tatuagens se eu sempre as deixaria cobertas, mesmo no calor do verão, quando a maioria da Audácia usa poucas roupas. Eu não a dei uma razão, mas ainda me lembro – queria as tatuagens para cobrir todos os lugares que ele me machucou.

Muitas pessoas odeiam cicatrizes, mas antes que eu me juntei a Audácia, eu sempre quis ter algumas. Eu queria ter lembretes que, enquanto as feridas saram, elas não desaparecessem para sempre – nos carregamos elas pra todo canto, sempre, e esse é o jeito das coisas, das cicatrizes. E eu fiz as tatuagens, ao invés disso.

E eu escondo elas, porque eu não quero que as pessoas vejam essas feridas, mesmo que elas não saberão o que estão olhando.

Eu enrolo os dedos em volta da bainha da minha camiseta e puxo ela pela cabeça. Sento reto, minhas costas para a sala, as chamas dos meus lados expandindo e contraindo com minha respiração apressada. Tori limpa a pele no meu braço e sinto que minha pele aquece mais a cada segundo que eles passam olhando pra mim.

São silenciosos enquanto ela desenha o número, e no começo sinto que seu silencio é cruel. Mas enquanto ela desenha as ultimas linhas em mim, eu percebo que os membros da Audácia gritam quando sentem companheirismo, e são silenciosos quando respeitam. Para eles, ainda sou o homem com quatro medos.

Olho abaixo, para o 4 enquanto ela faz o curativo, e percebo que essa, diferente das outras tatuagens, é algo que tenho orgulho de carregar para todo lugar, orgulho até de carregar para fora da cerca, para qualquer coisa que venha a seguir.

Tradução e Fonte

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Octavia Spencer confirmada como Johanna Reyes em Insurgente!

As gravações da sequência de Divergente, Insurgente já estão próximas do início, e com isto, tivemos nossa primeira confirmação para o elenco: Octavia Spencer, que interpretará Johanna Reyes nas adaptações para as telonas, líder da facção da Amizade.

A atriz possui mais de 100 filmes em seu currículo além de um Oscar e um Globo de Ouro por Histórias Cruzadas. Intérprete de peso pra nossa líder, não? O que acharam da escolha? Comentem!

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Inseto recém descoberto é nomeado "Dementador" em homenagem a Harry Potter

Uma espécie de Vespa recém descoberta pelo Museu de História Nacional de Berlim, na Alemanha, foi batizada de Ampulex dementor, em uma estratégia publicitária que realizou uma enquete para nomearem o novo animal.

Segundo pesquisadores, O comportamento fictício dos dementadores e seus efeitos, nos lembram do comportamento da Ampulex quanto à sua presa.

Além do nome escolhido, Ampulex bicolor, Ampulex plagiator e Ampulex morr estavam na disputa.

Fonte

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Novas imagens e vídeos das expansões do "Wizarding World of Harry Potter"

Como todos sabemos, o Wizarding World of Harry Potter de Orlando, na Flórida, está ganhando novas atrações e aos poucos, estão saindo novas fotos das obras de expansão e até mesmo vídeos que apresentam tais expansões.

A seguir podemos ver imagens da construção do Beco diagonal, da plataforma do Expresso de Hogwarts em Hogsmeade e de outras lojas do povoado. Confira:

Além disso, o canal da Universal Orlando Resorts liberou um vídeo que mostra alguns detalhes do interior do Banco de Gringotes no Beco Diagonal. No vídeo podemos ver os duendes e o hall principal do Banco, onde um dos duendes nos pergunta se desejamos abrir uma conta.

Mal podemos esperar para ver como ficarão as novas atrações!

Fonte

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Duas novas atrizes são confirmadas no elenco de "A Esperança" + Slogan oficial

Há alguns dias, a Lionsgate, empresa responsável pelos filmes da franquia Jogos Vorazes, divulgou através do seu Twitter, duas novas atrizes para o elenco dos últimos filmes da série, divididos em duas partes “A Esperança: Parte 1 e 2”.

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A primeira atriz confirmada foi Eugenie Bondurant no papel de Tigris – uma ex estilista da Capital que tem tatuagens que a fazem parecer um tigre. A atriz é conhecida por dar aulas de teatro durante muito tempo, e entre suas alunas, temos Jessica Alba.

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A outra confirmação foi Michelle Forbes no papel de Capitã Jackson – atiradora do Distrito 13, que substitui Boggs no comando – e é conhecida por sua participação na série True Blood e Chicago Fire.

Além disso, saiu na internet o slogan oficial de A Esperança: Parte 1, graças a uma fã que fotografou o pôster do Hôtel Majestic Barrière Cannes, onde acontecerá a divulgação do filme e traduziu a frase!

Fire burns brighter in the darkness.
O fogo brilha intensamente na escuridão.

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O filme chega nas telonas brasileiras em 21 de novembro. Ansiosos?

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Veja todas as músicas liberadas da trilha sonora de "A Culpa É das Estrelas até agora

A estreia de A Culpa É das Estrelas está se aproximando cada vez mais (05 de junho no Brasil) e como é de costume, estão sendo liberadas as músicas que farão parte da trilha sonora do irresistível romance de John Green. Confira todas liberadas até agora nos players abaixo e comente sua opinião!

Ed Sheeran – All Of The Stars

Jake Bugg – Simple As This

Grouplove – Let Me In

Kodaline – All I Want

Tom Odell – Long Way Down

Charli XCX – Boom Clap

Starfucker – While I’m Alive

The Radio Dept – Strange Things Will Happen

Afasi Filthy – Bomfallarella

Ray Lamontagne – Without Words

Birdy – Not About Angels

M83 – Wait

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(Encerrada – Resultados) Promoção: O que te faz diferente, te torna perigoso. #Divergente

GANHADORES: 

  1.  Leticia Gomes
  2.  Álison Pereira
  3.  Gabriela Rocha

Favor mandar o endereço completo através da nossa página do Facebook ou do e-mail [email protected] até o dia 05/01 depois dessa data, serão realizados novos sorteios. Os kits serão enviados de maneira aleatória.

Em uma futurista Chicago, as pessoas estão divididas em cinco facções distintas com base nas suas qualidades: Abnegação, Erudição, Amizade, Franqueza e Audácia. Beatrice Prior descobre que não se encaixa em só uma facção, ela é Divergente, o que significa que corre grande perigo de ser descoberta. Logo descobre um plano da Erudição, para dominar o governo da sociedade aparentemente perfeita.

Divergente estreou nos cinemas no último dia 17 e já é sucesso de bilheterias no mundo todo, assim como os livros que originaram a adaptação cinematográfica. Por isso, em parceria com a Paris Filmes, o Beco Literário está sorteando três kits exclusivos do filme, para você que é fã ou admirador deste viciante mundo criado por Veronica Roth!

Veja nossa crítica do filme e nossas resenhas de DivergenteInsurgente e Convergente (Allegiant).

Serão três kits distintos e portanto, três ganhadores! Os kits foram envelopados, cada um com seus respectivos prêmios e serão enviados aleatoriamente para os três sortudos.

Kit 1: Audácia
– Um mini pôster do filme;
– Uma cartela de adesivos do filme;
– Uma cartela de tatuagens;
– Um livreto contendo o primeiro capítulo do livro;
– Um ingresso para assistir a Divergente nos cinemas;

Kit 2: Amizade
– Um mini pôster do filme;
– Uma cartela de adesivos do filme;
– Um livreto contendo o primeiro capítulo do livro;
– Dois ingressos para assistir a Divergente nos cinemas;

Kit 3: Abnegação
– Uma cartela de adesivos do filme;
– Uma cartela de tatuagens;
– Um livreto contendo o primeiro capítulo do livro;
– Dois ingressos para assistir a Divergente nos cinemas;

Para participar, basta apenas seguir os requisitos abaixo:
– Ser morador do Brasil;
– Seguir @ParisFilmes no Twitter;
– Seguir @BecoLiterario no Twitter;
– Curtir a página da Paris Filmes no Facebook;
– Curtir a página do Beco Literário no Facebook;
– Compartilhar esta postagem no Facebook;
– Clicar em Quero Participar neste link.

O resultado será dado no dia 02/05!
Boa sorte a todos!

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#TMITuesday: Primeiro capítulo de “Cidade do Fogo Celestial”

Olá leitores!

Então, como todos já sabemos, Cassandra Clare – autora de Os Instrumentos Mortais e A s Peças Infernais- está liberando, toda terça-feira algo relacionado com Cidade do Fogo Celestial, último livro da saga Os Instrumentos Mortais.

E hoje, Cassie começou a TMI Tuesday  ( Terça-feira Instrumentos Mortais) publicando um cartão postal que vocês conferem a seguir:

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Com a legenda:

 Outro cartão postal brilhante da Cassandra Jean para a #TMITuesday. Quebre a cabeça nele por um tempo! Uma antiga estátua com uma placa alarmante… 

E, além disso, o site oficial TMI Tuesday, divulgou hoje também o primeiro capitulo de Cidade do Fogo Celestial. Confiram a seguir:

Jace interrompeu o beijo e, antes que Clary pudesse protestar, aplausos sarcásticos vieram da colina mais próxima. Simon, Isabelle e Alec acenaram para eles. Jace disse:

— Vamos nos juntar aos nossos amigos irritantes e voyeuristas?

— Infelizmente, são o único tipo de amigos de temos. — Clary encostou seu ombro contra o braço dele e eles se foram até as rochas.

Simon e Isabelle estavam lado a lado, conversando em voz baixa. Alec estava sentado um pouco distante, olhando fixamente a tela do seu celular, com uma expressão de concentração intensa.

Jace sentou-se ao lado de seu parabatai:

— Ouvi dizer que, se você olhar para essa coisa por tempo suficiente, ela toca.

— Ele tem mandado mensagens para Magnus — disse Isabelle, olhando com um olhar de desaprovação.

— Não tenho não, — disse Alec, automaticamente.

— Sim, você tem, — disse Jace esticando o pescoço para olhar por cima do ombro de Alec — E tem ligado. Estou vendo as chamadas efetuadas.

— É aniversário dele. — Alec virou o celular.

Nota: Voyeuristas são pessoas que sentem prazer ao observar outras pessoas realizando atividades sexuais.

Continuação do trecho:

Ele parecia mais magro ultimamente, quase pele e osso em seu gasto pullover azul, buracos nos cotovelos, com os lábios mordidos e rachados. O coração de Clary entristeceu-se por ele. Ele passou a primeira semana depois de terminar com Magnus em uma espécie de torpor de tristeza e incredulidade. Nenhum deles poderia realmente acreditar. Ela sempre pensou Magnus amava Alec, realmente o amava; claramente Alec pensara assim também.

— Eu não quero que ele pense que eu não… que eu esqueci.

— Você está definhando — disse Jace.

Alec deu de ombros:

— Olha quem fala. “Ah, eu amo ela. Ah, ela é minha irmã. Ah, por quê, por quê, por quê…”

Jace jogou um punhado de folhas mortas em Alec, fazendo com que ele se arranhasse.

Isabelle estava rindo:

— Você sabe que ele está certo, Jace.

— Me dá seu celular — disse Jace, ignorando Isabelle. — Anda, Alexander.

— Não é da sua conta — Alec disse, segurando seu celular longe. — Apenas esqueça isso, okay?

— Você não come, não dorme, fica olhando para seu celular, e eu que tenho queesquecer isso?  — disse Jace. Havia uma surpreendente quantidade de agitação em sua voz; Clary sabia como ele estava chateado pela tristeza de Alec, mas ela não tinha certeza se Alec sabia disso. Em circunstâncias normais, Jace teria matado, ou pelo menos ameaçado, quem machucasse Alec; isso era diferente. Jace queria ganhar, mas não se poder ganhar quando há um coração partido, mesmo não sendo o seu. Mesmo sendo o de alguém que você ama.

Jace se inclinou e pegou o telefone da mão de seu parabatai. Alec protestou e estendeu a mão para pegá-lo de volta, mas Jace o afastou com uma mão, habilmente percorrendo as mensagens no telefone com a outra. Magnus, me liga de volta. Preciso saber se você está bem… Ele balançou a cabeça:

— Ok, não. Não. — Com um movimento decisivo ele arrebentou o telefone pela metade. A tela apagou quando Jace deixou cair as peças no chão — Agora sim.

Alec olhou para as peças quebradas, desacreditado:

— Você QUEBROU meu CELULAR.

Jace deu de ombros:

— Rapazes não deixam outros rapazes ficarem ligando para outros rapazes. Okay, isso soou um pouco errado. Amigos não deixam amigos ficarem ligando para seus ex-namorados e não serem atendidos. Sério. Você tem que parar.

Alec pareceu furioso:

— E por isso você quebrou meu celular novinho? Muito obrigado.

Jace sorriu serenamente e deitou-se na grama:

— De nada.

— Veja pelo lado bom, — disse Isabelle. — Você não vai mais precisar receber mensagens da mamãe. Ela me mandou seis mensagens hoje. Desliguei meu celular. — Ela deu um tapinha no bolso com um olhar expressivo.

— O que ela queria? — perguntou Simon.

— Reuniões constantes, — disse Isabelle. — Depoimentos. A Clave continua querendo ouvir o que aconteceu quando nós lutamos contra Sebastian no Burren. Todos nós já tivemos de prestar contas umas cinqüenta vezes. Como Jace absorveu o fogo celestial da Gloriosa. Descrições dos Caçadores de Sombras Negros, o Cálice Infernal, as armas que eles usavam, as Marcas que estavam neles. O que estávamos vestindo, o que Sebastian estava vestindo, o que todo mundoestava vestindo. . . como sexo por telefone, mas chato.

Simon fez um barulho de sufoco.

— O que nós achamos que Sebastian quer, — acrescentou Alec. — Quando ele vai voltar. O que ele vai fazer quando voltar.

Clary apoiou os cotovelos nos joelhos.

— É sempre bom saber  que a Clave tem um plano discreto e confiável.

— Eles não querem acreditar, — disse Jace, olhando para o céu. — Esse é o problema. Não importa quantas vezes nós dissermos a eles o que vimos no Burren. Não importa quantas vezes nós dissermos o quão perigoso os Caçadores de Sombras Negros são. Eles não querem acreditar que os Nephilim realmente podem ser corrompidos. Que Caçadores de Sombras podem matar Caçadores de Sombras.

Clary estava lá quando Sebastian criou o primeiro Caçador de Sombras Negro. Ela vira o vazio em seus olhos, a fúria com a qual eles lutaram. Eles a aterrorizaram:

— Eles não são mais Caçadores de Sombras, — ela acrescentou em voz baixa.  — Eles não são pessoas.

— É difícil de acreditar, se você ainda não viu, — disse Alec. — E Sebastian tem apenas alguns deles. Uma pequena força, espalhada… eles não querem acreditar que ele é realmente uma ameaça. Ou, se ele é uma ameaça, eles preferem acreditar que é mais uma ameaça para nós, para Nova York, do que para os Caçadores de Sombras como um todo.

— Eles não estão errados quando dizem que se Sebastian se preocupa com alguma coisa, é com Clary, — disse Jace, e Clary sentiu um calafrio na espinha, uma mistura de repulsa e apreensão. — Ele realmente não tem emoções. Não como nós. Mas se tivesse, ele as depositaria em Clary. E ele emoções sobre Jocelyn. Ele a odeia. — Ele fez uma pausa, pensativo. — Mas não acho que ele atacaria diretamente aqui. Seria muito… óbvio.

— Espero que você tenha dito isso à Clave, — disse Simon.

— Umas cem vezes, — disse Jace. — Não acho que eles levam muito em conta minhas ideias em particular.

Clary olhou para suas mãos. Ela fora interrogada pela Clave, assim como o resto deles; ela tinha dado respostas a todas as perguntas. Ainda havia coisas sobre Sebastian que ela não lhes tinha dito, não tinha contado a ninguém. As coisas que ele disse que queria dela.

Ela não tinha sonhado muito desde que tinham voltado do Burren com as veias de Jace cheias de fogo, mas quando ela tinha pesadelos, era sobre seu irmão.

— É como tentar lutar contra um fantasma, — disse Jace. — Eles não podem acompanhar Sebastian, eles não podem encontrá-lo, eles não conseguem encontrar os Caçadores de Sombras que ele transformou.

— Eles estão fazendo o que podem, — disse Alec. — Eles estão aumentando as proteções em torno de Idris e Alicante. Todas as barreiras, na verdade. Eles enviaram dezenas de especialistas para a Ilha Wrangel.

A Ilha de Wrangel era a sede de todas as proteções do mundo, os feitiços que protegem o mundo, e Idris, em particular, dos demônios e da invasão demoníaca. A rede de proteções não era perfeita e, às vezes, demônios escapavam, de qualquer maneira, mas Clary só podia imaginar o quão ruim seria se não existissem as barreiras.

— Ouvi mamãe dizer que os bruxos do Labirinto Espiral estão em busca de uma maneira de reverter os efeitos do Cálice Infernal, — disse Isabelle. — É claro que seria mais fácil se eles tivessem corpos para estudar…

Ela parou de falar; Clary sabia o porquê. Os corpos dos Caçadores de Sombras Negros mortos no Burren tinham sido trazidos de volta para a Cidade dos Ossos para os Irmãos do Silêncio examinarem. Os Irmãos não tiveram essa chance. Durante a noite, os corpos tinham apodrecido ao equivalente a cadáveres de uma década de idade. Não havia nada a fazer além de queimar os restos mortais.

Isabelle encontrou sua voz novamente:

— E as Irmãs de Ferro estão produzindo armas. Estamos recebendo milhares de lâminas serafim, espadas, chakhrams, tudo… forjado em fogo celestial. — Ela olhou para Jace. Nos dias que se seguiram à batalha no Burren, quando o fogo se alastrou pelas veias de Jace violentamente o suficiente para fazê-lo gritar, às vezes, com a dor, os Irmãos do Silêncio lhe tinham examinado mais e mais, ele tinha testado gelo e chama, com metal abençoado e ferro frio, tentando ver se havia alguma maneira de drenar o fogo para fora dele, para contê-lo.

Eles não conseguiram nada. O fogo do Gloriosa, tendo sido uma vez capturado em uma lâmina, parecia não ter pressa para habitar outra, ou mesmo para deixar o corpo de Jace por qualquer tipo de veia. O Irmão Zacariah havia dito a Clary que nos primeiros dias de Caçadores de Sombras, os Nephilim haviam tentado capturar o fogo celestial em uma arma, algo que poderia ser empunhado contra os demônios. Eles nunca conseguiram, e, eventualmente, lâminas serafim haviam se tornado sua melhor opção de armas. No final, mais uma vez, os Irmãos do Silêncio tinham desistido. O fogo de Gloriosa enroladou-se nas veias de Jace como uma serpente, e o melhor que se podia esperar era controlá-lo para que ele não o destruísse.

O barulho alto de uma notificação de mensagem de texto soou; Isabelle ligara seu celular novamente.

— Mamãe disse para voltarmos ao Instituto agora, — disse ela. — Há alguma reunião. Nós temos que estar lá. — Ela levantou-se, tirando a sujeira de seu vestido. — Eu convidaria você para ir, — disse a Simon — mas você sabe, banido por ser morto-vivo e tudo mais.

— Eu me lembro disso, — disse Simon, levantando-se. Clary se levantou e estendeu a mão para baixo para Jace. Ele a pegou e ficou de pé.

— Simon e eu estamos indo fazer compras de Natal, — disse ela. — E nenhum de vocês pode vir, porque nós temos que escolher seus presentes.

Alec olhou horrorizado:

— Ah, Deus. Isso significa que eu tenho que dar presentes para vocês também?

Clary balançou a cabeça.

— Caçadores de Sombras não participam, sabe… do Natal? — Ela se lembrou, de repente, do angustiante jantar de Ação de Graças na casa do Luke, quando Jace, ao ser convidado a cortar o peru, tinha furado a ave com uma espada até que houvesse apenas pequenas lascas de peru. Talvez não?

— Trocamos presentes, honramos a mudança das estações do ano, — disse Isabelle. — Costumava haver uma celebração de inverno do Anjo. Comemorávamos o dia em que os Instrumentos Mortais foram dados a Jonathan Caçador de Sombras. Acho que os Caçadores de Sombras ficam irritados por serem deixados de fora de todas as celebrações mundanas, porém, por isso um monte de Institutos têm festas de Natal. A de Londres é famosa. — Ela encolheu os ombros. — Só que acho que não vamos fazer… este ano.

— Ah. — Clary se sentiu horrível. É claro que eles não queriam celebrar o Natal depois de perder Max. — Bem, vamos levar presentes, pelo menos. Não precisa ter uma festa, ou qualquer coisa assim.

— Exatamente. — Simon jogou os braços para cima. — Tenho que comprar presentes de Hanukkah. É obrigatório pela lei judaica. O Deus dos judeus é um Deus irritado. E muito adepto de presentes.

Clary sorriu para ele. Ele estava achando cada vez mais fácil dizer a palavra “Deus” ultimamente.

Jace suspirou, e beijou Clary — um rápido arranhar de lábios contra sua têmpora, mas isso a fez estremecer. Não ser capaz de tocar Jace ou de beijá-lo corretamente estava começando a deixá-la muito irritada. Ela prometeu a ele que isso nunca faria diferença, que ela o amaria mesmo que nunca pudesse tocá-lo novamente, mas ela odiava isso de qualquer maneira, odiava perder a tranquilidade da maneira como eles sempre se encaixaram fisicamente.

— Vejo você mais tarde, — disse Jace. — Vou voltar com Alec e Izzy…

— Não, você não vai, — disse Isabelle inesperadamente. — Você quebrou o telefone de Alec. Com certeza, todos nós já estávamos querendo fazer isso há semanas…

— ISABELLE, — disse Alec.

— Mas o fato é que você é o parabatai dele, e você é o único que não foi falar com o Magnus. Vá falar com ele.

— E dizer o quê? — Disse Jace. — Não dá para convencer as pessoas a não terminarem com você… Ou talvez dê. — acrescentou apressadamente, ao ver a expressão de Alec. — Quem pode dizer? Vou tentar.

— Obrigado. — Alec segurou no ombro de Jace — Ouvi dizer que você pode ser encantador quando você quer ser.

— Já ouvi a mesma coisa, — disse Jace, virando-se para correr para trás. Ele sempre foi gracioso fazendo isso, Clary pensou melancolicamente. E sexy. Definitivamente sexy. Ela levantou a mão num aceno indiferente:

— Te vejo mais tarde, — ela gritou. Se eu não morrer de frustração até lá.

Os Frays nunca foram uma família observadora da religião, mas Clary adorava a Quinta Avenida na época do Natal. O ar cheirava a doces castanhas torradas, e as vitrines brilhavam de prata e azul, verde e vermelho. Neste ano havia grandes flocos de neve redondos de cristal presos a cada poste de luz, refletindo os raidos do sol de inverno em tons de dourado. Isso para não mencionar a enorme árvore no Rockefeller Center. A árvora jogava sua sombra entre eles enquanto ela e Simon agitavam-se no portão da pista de patinação, vendo os turistas caírem no chão enquanto tentavam navegar no gelo.

Clary tinha um chocolate quente envolto em suas mãos, seu calor penetrando no corpo dela. Ela sentiu quase normal — isso, vir até a Quinta para ver as vitrines e a árvore, era uma tradição de inverno para ela e Simon desde quando ela podia lembrar:

— Parece os velhos tempos, não? — ele disse, ecoando os pensamentos dela enquanto apoiava seu queixo sobre os braços cruzados.

Ela arriscou olhar para ele. Ele estava vestindo um sobretudo preto e um lenço que enfatizava a palidez de inverno de sua pele. Seus olhos estavam sombreados, indicando que ele não tinha se alimentado de sangue recentemente. Ele parecia um vampiro cansado e com fome. Bem, ela pensou. Quase como nos velhos tempos.

— Temos mais pessoas para presentear, — disse ela. — Além disso, tem a sempre traumática questão “o que comprar para alguém com quem você está saindo no seu primeiro Natal com ela”.

— O que comprar para o Caçador de Sombras que tem tudo, — Simon disse com um sorriso irônico.

— Jace gosta mais de armas, — Clary suspirou — Ele gosta de livros, mas eles têm uma enorme biblioteca no Instituto. Ele gosta de música clássica… — Ela se iluminou. Simon era músico; apesar de sua banda ser terrível, e sempre mudar de nome (no momento, eles eram Lethal Soufflé) ele treinava: — O que você daria para alguém que gosta de tocar piano?

— Um piano.

— Simon.

— Um enorme metrônomo que poderia servir, também, como arma?

— Clary suspirou, exasperada.

— Partituras. Rachmaninoff é difícil, mas ele gosta de um desafio.

— Agora você está falando. Vou ver se tem alguma loja de música perto daqui. — Clary, que já tinha terminado seu chocolate quente, jogou o copo numa lixeira próxima e pegou seu celular. — E você? O que vai dar pra Isabelle?

— Não faço ideia, — Simon disse. Eles começaram a andar em direção à avenida, onde um fluxo constante de pedestres que se admiravam com as vitrines entupiam as ruas.

— Ah, qual é. A Isabelle é fácil.

— É da minha namorada que você está falando. — As sobrancelhas de Simon se juntaram — Acho. Não tenho certeza. Não discutimos isso ainda. A relação, quero dizer.

— Você realmente precisa DAR, Simon.

— O quê?

— Definir a relação. O que é, aonde ela vai. Vocês são namorados, ou só estão se divertindo, ‘é complicado’, ou quê? Quando ela vai contar para os pais dela? Você está permitido a ver outras pessoas?

Simon empalideceu:

— O quê? Sério?

— Sério. Nesse meio-tempo… perfume! — Clary agarrou Simon pela parte de trás do casaco e puxou-o para uma loja de cosméticos que fora, um dia, um banco. Ele era enorme por dentro, com fileiras de garrafas brilhando em todos os lugares. — E algo incomum, — disse ela, dirigindo-se para a área das fragrâncias. — Isabelle não vai querer cheirar como todos os outros. Ela vai querer cheirar como figos, ou vetiver, ou…

— Figos? Figos têm cheiro? — Simon pareceu horrorizado; Clary estava quase rindo dele quando seu celular tocou. Era a a mãe dela.

ONDE VOCÊ ESTÁ?

Clary revirou os olhos e mandou uma mensagem de volta. Jocelyn ainda ficava nervosa quando pensava que  Clary estava com Jace. Mesmo que, como Clary apontara, Jace fosse provavelmente o namorado mais seguro do mundo já que ele foi praticamente banido de (1) ficar nervoso, (2) fazer avanços sexuais, e (3) fazer qualquer coisa que produzisse uma descarga de adrenalina.

Por outro lado, ele havia sido possuído; ela e sua mãe tinham visto quando ele deixou Sebastian ameaçar Luke. Clary ainda não tinha falado sobre tudo o que ela tinha visto no apartamento que tinha partilhado com Jace e Sebastian por um breve tempo fora do tempo, uma mistura de sonho e pesadelo. Ela nunca disse à mãe que Jace tinha matado alguém; havia coisas que Jocelyn não precisa saber, coisas que nem mesmo Clary queria enfrentar.

— Tem tanta coisa nesta loja que eu imagino Magnus querendo, — disse Simon, pegando uma garrafa de vidro de glitter corporal suspenso em algum tipo de óleo. — É contra algum tipo de regra comprar presentes para alguém que terminou com seu amigo?

— Acho que depende. Magnus é seu amigo mais próximo, ou Alec?

— Alec se lembra do meu nome, — disse Simon, colocando a garrafa de volta para baixo. — E eu me sinto mal por ele. Eu entendo por que Magnus fez isso, mas Alec está tão destruído. Acredito que quando alguém ama, a pessoa deve perdoar, se você realmente se arrepender.

— Acho que depende do que você fez, — disse Clary. — Não quis dizer sobre Alec… quis dizer em geral. Tenho certeza de que Isabelle iria perdoá-lo por qualquer coisa, — acrescentou apressadamente.

Simon parecia duvidoso.

— Fique quieto, — anunciou ela, empunhando uma garrafa perto da cabeça dele. — Em três minutos vou cheirar seu pescoço.

— Bem, eu nunca, — disse Simon. — Você esperou muito para fazer sua jogada, Fray, vou dizer isso por você.

Clary não se incomodou com a inteligente resposta; ela ainda estava pensando no que Simon havia dito sobre perdão, e lembrando de outra pessoa, a voz, o rosto e os olhos de outra pessoa. Sebastian sentado em frente a ela em uma mesa em Paris. Você acha que pode me perdoar? Quero dizer, você acha que o perdão é possível para alguém como eu?

— Existem coisas que nunca se pode perdoar, — disse ela. — Eu nunca poderei perdoar Sebastian.

— Você não o ama.

— Não, mas ele é meu irmão. Se as coisas fossem diferentes… — Mas elas não são diferentes. Clary abandonou o pensamento, e se inclinou para cheirar o pescoço de Simon. — Você está cheirando a figos e damascos.

— Você realmente acha que Isabelle quer cheirar a um prato de frutas secas?

— Talvez não. — Clary pegou outra garrafa. — Então, o que você vai fazer?

— Quando?

Clary parou de ponderar a questão de como uma tuberosa era diferente de uma rosa regular, para ver Simon olhando para ela com perplexidade em seus olhos castanhos. Ela disse:

— Bem, você não pode viver com Jordan para sempre, certo? Tem faculdade…

— Você não vai fazer faculdade, — disse ele.

— Não, mas sou uma Caçadora de Sombras. Continuamos estudando após dezoito anos, temos que visitar outros Institutos… essa é a nossa faculdade.

— Não gosto da ideia de você ir embora. — Ele enfiou as mãos nos bolsos do casaco. — Não posso ir para a faculdade, — disse ele. — Minha mãe não vai exatamente pagar por isso, e eu não posso tomar empréstimos estudantis. Estou legalmente morto. E, além disso, quanto tempo seria necessário, na escola, para perceberem que eles estão ficando mais velho, mas eu não estou? Jovens de dezesseis anos não se parecem com os idosos de faculdade, não sei se você notou.

Clary colocou a garrafa no lugar:

— Simon…

— Talvez eu devesse dar alguma coisa para minha mãe, — disse ele amargamente. — Que tal: “Obrigado por ter me expulsado de casa e por fingir que morri”?

— Orquídeas?

Mas o humor de Simon tinha acabado:

— Talvez, não seja como nos velhos tempos, — disse ele. — Normalmente, eu teria te dado lápis, materiais de arte, mas você não desenha mais, não é, a não ser com sua estela? Você não desenha, e eu não respiro. Não é como no ano passado.

— Talvez você devesse falar com Raphael, — Clary disse.

— Raphael?

— Ele sabe como os vampiros vivem, — disse Clary. — Como tomam a vida por si mesmos, como ganham dinheiro, como conseguem apartamentos… ele sabe essas coisas. Ele poderia ajudar.

— Poderia, mas não ia querer, — disse Simon, com o cenho franzido. — Não ouvi nada do bando de Dumort desde que Maureen o assumiu de Camille. Eu sei que Raphael é o segundo no comando. Tenho certeza de que eles ainda pensam que eu tenho a Marca de Caim; caso contrário, já teriam mandado alguém atrás de mim até agora. Questão de tempo.

— Não. Eles sabem que não podem tocar em você. Seria guerra com a Clave. O Instituto foi muito claro, — disse Clary. — Você está protegido.

— Clary, — disse Simon. — Nenhum de nós está protegido.

Antes que Clary pudesse responder, ela ouviu alguém chamar seu nome; completamente perplexa, ela olhou e viu sua mãe abrindo caminho através de uma multidão de compradores. Pela janela, ela podia ver Luke, esperando do lado de fora na calçada. Em sua camisa de flanela ele parecia deslocado entre os elegantes nova-iorquinos.

Livrando-se da multidão, Jocelyn chegou até eles e jogou os braços em torno de Clary. Clary olhou por cima do ombro de sua mãe, perplexa, para Simon. Ele deu de ombros. Finalmente, Jocelyn a soltou e deu um passo atrás.

— Eu estava tão preocupada que algo acontecesse com você…

— Em Sephora? — disse Clary.

Jocelyn franziu a testa:

— Você não está sabendo? Pensei que Jace já teria te mandando uma mensagem a essa altura.

Clary sentiu uma fria lavagem repentina em suas veias, como se ela tivesse engolido água gelada.

— Não. Eu… O que está acontecendo?

— Desculpe, Simon, — disse Jocelyn. — Mas eu e Clary temos que ir para o Instituto agora mesmo.

Pouco mudou no prédio de Magnus desde a primeira vez que Jace esteve aqui. A mesma entrada e a mesma lâmpada amarela. Jace usou uma Marca de abertura para passar pela porta da frente e subiu as escadas de dois em dois degraus, tocando a campainha do apartamento de Magnus. Mais seguro que usar outra Marca, ele pensou. Afinal, Magnus poderia estar jogando video game nu ou qualquer outra coisa. Quem sabe o que feiticeiros fazem no tempo livre?

Jace apertou novamente, dessa vez se apoiando firmemente na parede. Mais dois toques, e Magnus finalmente abriu a porta, parecendo furioso. Ele estava usando um roupão de seda preto sobre uma camiseta e uma calça de moletom, com os pés descalços, seus cabelos escuros emaranhados e com uma barba rala.

— O que você está fazendo aqui?

— Meu Deus, — disse Jace — você não é nem um pouco receptivo.

— Isso é porque você não é bem-vindo.

— Pensei que fôssemos amigos — disse Jace, erguendo uma sobrancelha.

— Não, você é amigo do Alec, Alec era meu namorado então tive que aturar você. Mas agora ele não é meu namorado então não tenho mais que te aturar. Não que algum de vocês perceba isso, você deve ser o quarto do grupinho que vem me incomodar — Magnus começou a contar nos dedos. — Simon, Isabelle, Simon…

— Simon veio?

— Você parece surpreso.

— Não achei que ele estivesse interessado no seu relacionamento com Alec.

— Não tenho uma relação com o Alec — Magnus falou, sem ânimo, mas Jace já o havia empurrado para o lado e estava na sala, olhando curiosamente para o ambiente.

Uma coisa que Jace havia sempre gostado secretamente sobre o apartamento de Magnus era o fato de que raramente estava do mesmo jeito mais de uma vez. Às vezes, era um apartamento de solteiro grande e moderno, outras parecia com uma hospedagem francesa, ou uma casa vitoriana, ou até mesmo uma nave espacial. Agora, porém, estava bagunçado e escuro. Pilhas de potes de comida chinesa ocupavam a mesa de centro. Presidente Miau estava deitado no tapete, as quatro patas esticadas na frente dele como um veado morto.

— Aqui está cheirando a coração partido — disse Jace.

— É a comida chinesa — Magnus se jogou no sofá e esticou suas longas pernas. — Vá em frente, termine com isso. Diga o que quer que seja que tenha vindo dizer.

— Acho que você deveria voltar com o Alec — Jace falou. Magnus revirou os olhos.

— E por quê?

— Porque ele está extremamente triste — Jace explicou. — E sente muito. Ele pede desculpas pelo que aconteceu, e não fará de novo.

— Ah, ele não vai planejar com um dos meus antigos relacionamentos como diminuir minha vida pelas minhas costas? Muito nobre da parte dele.

— Magnus…

— Além do mais, Camille está morta. Ele não pode fazer outra vez.

— Você sabe o que eu quis dizer — Jace se defendeu. — Ele não irá mentir para você, ou te passar para trás, ou esconder coisas de você, ou seja lá com o que mais você está chateado — ele se jogou em uma cadeira de couro e levantou a sobrancelha. — E aí?

Magnus rolou no sofá:

— Por que se importa se o Alec está triste?

— Por que me importo? – Jace exclamou, tão alto que o Presidente Miau sentou no mesmo momento, assustado. — Claro que me importo com ele, é meu melhor amigo, meu parabatai. E está triste. E você também, pelo jeito. Fast food no apartamento todo, você não fez nada para arrumar o lugar, o seu gato parece morto…

— Ele não está morto.

— Eu me importo com Alec — Jace falou, olhando fixamente para Magnus. — Mais do que comigo mesmo.

— Você nunca achou — Magnus começou, tirando um pouco do esmalte da unha. — que esse negócio de parabatai é meio cruel? Você pode escolher quem vai ser, mas nunca mais pode trocar. Mesmo se eles se virarem contra você. Veja Luke e Valentim. E mesmo que seu parabatai seja a pessoa mais próxima de você no mundo, vocês não podem se apaixonar. E se eles morrem, uma parte sua morre também.

— Como você sabe tanto sobre parabatai?

— Eu conheço Caçadores de Sombras. — Magnus disse, batendo no sofá ao seu lado para que Presidente Miau pudesse subir, afagando Magnus com sua cabeça. O feiticeiro afundou os dedos longos nos pelos do gato. — Conheço há anos. Vocês são criaturas estranhas. Essa nobreza humana e frágil de um lado, e do outro a dureza e o fogo dos anjos — ele olhou para Jace. — Principalmente você, Herondale, já que você possui o fogo dos anjos em seu sangue.

— Você foi amigo de Caçadores antes?

— Amigos, — Magnus refletiu. — O que significa, na verdade?

— Você saberia, — Jace começou. — se tivesse tido algum. Teve? Algum amigo? Quer dizer, além das pessoas que vêm para suas festas. A maioria tem medo de você, ou parecem te dever algo, ou você até mesmo já dormiu com elas alguma vez, mas amigos… não vejo você com muitos desses.

— Bem, isso é original, — disse Magnus. — Ninguém do resto do seu grupo tentou me insultar.

— Está funcionando?

— Se você quer dizer que de repente eu me sinto obrigado a voltar com Alec, não, — disse Magnus. — Desenvolvi um estranho desejo por pizza, mas isso pode não ter nada a ver.

— Alec disse que você faz isso, — disse Jace. — Desvia perguntas sobre si mesmo com piadas.

Magnus estreitou os olhos.

— E eu sou o único que faz isso?

— Exatamente, — disse Jace. — Aprenda com quem sabe. Você odeia falar de si mesmo, e você preferiria deixar as pessoas com raiva a deixá-las te lamentar. Quantos anos você tem, Magnus? A resposta certa.

Magnus não disse nada.

— Quais eram os nomes de seus pais? O nome do seu pai?

Magnus olhou para ele com olhos verde-ouro.

— Se eu quisesse deitar em um sofá e reclamar com alguém sobre meus pais, eu contrataria um psiquiatra.

—Ah, — disse Jace. — Mas meus serviços são gratuitos.

— Já ouvi isso de você.

Jace sorriu e deslizou para baixo em sua cadeira. Havia uma almofada com uma textura de Union Jack sobre a poltrona. Ele a agarrou e a colocou atrás de sua cabeça.

— Eu não tenho que ir para nenhum lugar. Posso ficar sentado aqui o dia todo.

— Ótimo, — disse Magnus. — Vou tirar uma soneca. — Ele estendeu a mão para um cobertor amarrotado deitado no chão, ao mesmo tempo em que o telefone de Jace tocou. Magnus observava, parado, quando Jace procurou seu celular no bolso e o atendeu.

Era Isabelle:

— Jace?

— Sim. Estou na casa do Magnus. Acho que posso estar fazendo algum progresso. O que está acontecendo?

— Volte, — disse Isabelle e Jace sentou-se em linha reta, a almofada caindo no chão. A voz dela estava bem tensa. Ele podia ouvir a nitidez nela, como as notas de um piano mal afinado. — Para o Instituto. Imediatamente, Jace.

— O que foi?, — questionou. —O que aconteceu? — E ele viu Magnus sentar-se, também, o cobertor caindo de sua mão.

— Sebastian, — disse Isabelle.

Jace fechou os olhos. Ele viu sangue dourado e penas brancas espalhadas por um piso de mármore. Lembrou-se do apartamento, uma faca em suas mãos, o mundo aos seus pés, o aperto de Sebastian em seu pulso, os olhos negros insondáveis ​​olhando para ele com uma diversão negra. Havia um zumbido em seus ouvidos.

— O que foi? — A voz de Magnus cortou os pensamentos de Jace. Ele percebeu que ele já estava na porta, o celular de volta no bolso. Ele se virou. Magnus estava atrás dele, sua expressão dura. — É o Alec? Ele está bem?

— Por que você se importa?, — disse Jace, e Magnus se encolheu. Jace acho que ele nunca tinha visto Magnus recuar antes. Era a única coisa que impediu Jace de bater a porta ao sair.

E então Shadowhunters, ansiosos para CoHF ? Comentem!

E lembrem-se, Cidade do Fogo Celestial lança dia 27 de maio de 2014 nos Estados Unidos e no Brasil a previsão é para Junho de 2014.

 

Fonte 1
Fonte 2

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Vazou! Confira o segundo trailer oficial de "A Culpa É das Estrelas"

Conforme noticiamos anteriormente, o segundo trailer da adaptação de A Culpa É das Estrelas, baseada no livro homônimo de John Green, estava previsto para ser lançado hoje no lançamento americano do filme The Other Woman. E assim foi feito, e já vazou na internet! Confira-o abaixo, com baixa qualidade:

Perfeito não? Estou cada dia mais ansioso para este filme, vamos torcer para que agora saia a versão oficial em alta qualidade!

“A Culpa É das Estrelas” narra as aventuras de Hazel Grace e Augustus Waters, que passam a viver um romance incondicional a partir do momento que se encontram pela primeira vez em um grupo de apoio para crianças com câncer. Juntos, eles vivem a vida da maneira mais intensa possível, mostrando que nem a pior das doenças pode ser um obstáculo. (Leia nossa resenha do livro, clicando aqui).

A trama é baseada no livro homônimo de John Green, com direção de Josh Boone, nomes como Shailene Woodley e Ansel Elgort no elenco e tem lançamento previsto para 05 de junho no Brasil!

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Nova sinopse de “Cidade do Fogo Celestial”

Como todos já devem saber, faltam apenas algumas semanas para o lançamento de “Cidade do Fogo Celestial” último livro da saga “Os Instrumentos Mortais” de Cassandra Clare.

A alguns dias atrás, Cassie postou em seu site, uma nova sinopse para este incrível desfecho de uma saga maravilhosa. Confiram a baixo a nova sinopse de CoHF ( City of Heavenly Fire ou Cidade do Fogo Celestial) traduzida:

Na muito esperada conclusão da aclamada série Os Instrumentos Mortais, Clary e seus amigos lutam contra o maior mal que eles já enfrentaram: o próprio irmão de Clary.
Sebastian Morgenstern não para, sistematicamente colocando Caçador de Sombras contra Caçador de Sombras. Tendo o Cálice das Trevas, ele transforma Caçadores de Sombras em criaturas de pesadelos, destruindo famílias e casais conforme as fileiras de seu exército Negro vão crescendo.Em apuros, os Caçadores de Sombras procuram refúgio em Idris — mas nem mesmo as famosas torres demoníacas de Alicante podem conter Sebastian. E com os Nephilim presos em Idris, quem irá proteger o mundo contra os demônios?

Quando uma das maiores traições mais desconhecidas dos Nephilim é revelada, Clary, Jace, Isabelle, Simon e Alec devem correr — mesmo que sua viagem os leve profundamente nos reinos dos demônios, onde nenhum Caçador de Sombras jamais pôs os pés, e de onde nenhum ser humano jamais voltou. . .

Amores serão sacrificados e vidas serão perdidas na terrível batalha pelo futuro do mundo no final emocionante da clássica série de fantasia urbana Os Instrumentos Mortais!

E então Shadowhunters, com está sinopse vemos que nossa querida Alicante – Idris estará bem presente neste desfecho tão esperado de uma de minhas sagas favoritas.
Estão ansiosos para este final? E preparados? Porque pelo visto Cassandra não tem dó de nós e estará com tudo neste final surpreendente rsrs. Comentem!

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