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Gabu Camacho

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Autorais, Livros

Autoria: Edward & eu na última noite

Acordei. Sofrendo, como sempre. Sofrendo por alguém que sequer liga pra isso. Sofrendo por quem não me merece. Sofrendo por deixar minha felicidade depender de alguém que a massacra como uma daquelas bolinhas que nos obrigam a apertar quando doamos sangue. Nunca doei sangue, por sinal. Me vesti como sempre: uma calça legging preta, uma camisa xadrez vermelha e um coturno. Balancei meu cabelo e fui andando daquele jeito de sempre, bem negativo.

Leia ouvindo: One last night, Vaults

Trabalhei na velocidade mínima, eu não conseguia render nos sábados. Ainda estava sofrendo por alguém e não queria mais isso. Eu não merecia ser a segunda opção. Prefiro andar sozinha que interpretar um papel de suporte, se não posso ser a protagonista.

Ultimamente, tenho conversado muito com um amigo, que chamarei aqui de Edward, como o de Crepúsculo. Ed, pra simplificar. Ele era um cara muito legal, que compartilhava alguns gostos comigo. Fazia inclusive a faculdade que eu pretendia iniciar no próximo ano.

Conversei uma época com ele no passado, quando comecei um relacionamento com o J – como chamarei aqui -, sim, o mesmo que citei indiretamente no começo do texto. O Ed tinha sido amável comigo. Conversamos sobre carteira de motorista, faculdade… Ele até tinha dito que tinha um crush em mim! E eu também confesso que tinha desenvolvido certo crush por ele. Mas ficou por isso mesmo, porque as coisas com J foram tomando uns rumos um pouco absurdos, né.

Voltando ao meu dia de merda, eu estava trabalhando quando Edward me chamou para ir com ele na Starbucks, que vínhamos combinando há séculos, mas nunca tinha rolado de verdade. Confesso que fiquei bem feliz de ele ter me chamado pra valer, sabe. Cheguei a achar, por um momento, que essas coisas ficariam só naquele limbo onde combinamos as coisas e nunca fazemos de verdade.

Cheguei em casa, animadíssima, como uma animação que fazia tempo que eu não sentia. Era algo despreocupado, até.

Me atrasei, claro. Se não me atrasasse, não seria eu. J estava me mandando algumas mensagens com ciúmes porque eu sairia com o Ed. Mas que porra, né? Eu havia passado a semana toda dizendo que estava com saudades e nada… Nada de ações, só palavras. Parecia que as ações só vinham de mim e isso me cansava. Deixei-o falando sozinho, no limbo da dúvida em que ele sempre me deixava.

Minha cabeça, talvez comprometida pela alegria que eu estava sentindo, não se conectava mais a dele. Nem meu coração. Estava livre, afinal. Tomei banho, me arrumei e devo dizer que caprichei, mesmo. Fiz limpeza de pele, a sobrancelha, maquiagem… Coloquei um vestido novo e um chapéu coco. Minha mãe me deixou na porta do shopping que eu marquei com Edward.

Estava chovendo, e fiquei um pouco triste por me molhar. Dei umas voltas no shopping para me secar, enquanto conversava com uma amiga por mensagem de texto. “Estou com medo do que vai rolar”, eu disse. “Deixa rolar. Mesmo, ele pode ser um cara incrível e você não pode perder certas oportunidades na vida”. Isso me encorajou bastante.

“Cheguei no shopping”, enviei para Edward. “Estou no carro. Vem aqui.”

Segui para a portaria, mandando mais mensagens para minha amiga, desesperada. Ed me buscou ali na porta e disse para voltarmos ao carro porque ele tinha esquecido o bilhete do estacionamento. Uma parte interna de mim sorriu quando entrei no banco de trás.

Estava óbvio o que aconteceria a seguir e eu estava bem nervosa. “Vou ficar aí atrás com você”, e ele foi, afastando os bancos para a frente. Conversamos aleatoriamente por alguns minutos e ele ligou o rádio. Tocava Love Me Like You Do, da Ellie Goulding.

“Tô com medo de te beijar agora, você sempre diz sim pra todo mundo”, ele disse. E eu deixei, como um dos meus desejos mais íntimos se tornando realidade. As coisas que compartilhávamos em comum deixava tudo mais incrível para mim.

Eu sei que beijamos muito, explorei com a minha boca cada centímetro daquela boca maravilhosa que Edward tinha. Meu celular vibrava com mensagens de J, mas nem meus profundos pensamentos lembravam-se dele. Joguei meu celular embaixo do banco. Dane-se. Estávamos dentro do carro, com os vidros embaçados pela chuva, no estacionamento do shopping. Era proibido, era melhor.

As mãos dele exploravam meu corpo embaixo do vestido, e apesar de insegura, deixei. Deixei que elas percorressem minhas pernas ao som de Take me to church, do Hozier, suas mãos alcançaram a barra da minha calcinha e os beijos se tornaram mais quentes. Aliás, tudo se tornou mais quente, e eu preciso reforçar que estava amando?

“Cansou já?” Ele parou, com as mãos na minha cintura. Como resposta, beijei mais e sua mão começou a puxar minha calcinha pra baixo. Tirei o vestido pela cabeça em um golpe só e o ajudei a tirar minha calcinha. Abri sua calça e tirei seu suéter e sua camiseta, juntos. Estávamos ali, praticamente sem roupas e ali ficamos, enquanto várias músicas tocavam.

Lembro-me de comentar algo sobre Thinking out loud, ao mesmo tempo em que agradecia mentalmente por ele estar me dando novas – e melhores – lembranças para aquela música. Engraçado como a música afeta a gente.

Eu estava em seu colo, completamente nua, e ele ainda estava de cueca. Senti uma pressão no meio das minhas pernas e não sei descrever as sensações que eu tinha naquele momento. Wow, que sensação. Sou incapaz de descrever profundamente, apesar de estar gostando para caralho. Uma pontada de medo surgiu em mim quando me afastei para tirar sua cueca. Apesar de tudo, eu ainda era virgem.

Tocava One last night, da Vaults, que está na trilha sonora de Cinquenta Tons de Cinza. Olhei para os olhos dele, como se lembrássemos do filme e ele assentiu com a cabeça. E então, se já não estava bom o suficiente, a força e a intensidade com me voltei a ele, triplicou. Eu estava de volta, em seu colo, dessa vez sem nenhuma barreira entre nossos corpos.

Me lembro de puxar seu cabelo, arranhar suas costas, morder seu lábio perfeitinho e deixar uma marquinha… talvez não tão pequena assim. Não consigo falar sobre todos os detalhes de tudo o que fizemos no banco de trás daquele carro sem sentir um arrepio que percorre cada centímetro da minha pele. Tudo era muito novo pra mim e vou me limitar a dizer de novo que quero repetir. Ai, como eu quero repetir.

Terminamos, recolocamos nossas peças de roupa amassadas, ajeitamos a aparência, limpamos os vidros e seguimos shopping adentro, para a Starbucks. Pedi um café e um cookie, enquanto Ed pediu um brownie. “Você já experimentou?”, ele perguntou e eu só neguei com a cabeça. Ele cortou um pedaço e levou até minha boca.

Preciso comentar o quão fofo achei que esse gesto foi? Apesar de extremamente simples e efêmero. Sou ridícula, mas sorri internamente e isso foi suficiente para me deixar feliz.

Terminamos de comer e fomos na livraria. Edward também gostava de Jane Austen e agora discutia comigo – e ainda citava trechos – de Orgulho & Preconceito. Ficamos pouco, falamos sobre alguns livros aqui e ali, sobre como era bom ganhar livros de presente. Cada vez mais surgiam coisas em comum.

Saímos dali, passando rapidamente no mercado e então, ele me disse que levaria para casa. Fomos, rindo no caminho como poucas vezes eu tinha rido na vida. Eu expliquei pra ele como eu era incapaz de fazer algumas coisas na vida e acho que ele pensou que eu era louca. Expliquei, também, precariamente, como chegar na minha casa.

Droga, eu era uma perdida. Péssima em localizações. Enquanto isso, eu ria mais e percebia mais coisas que eu era incapaz.

Chegamos e eu tentei, sem sucesso, explicar como ele voltaria para sua casa. Caralho, o que eu tinha feito com o garoto? Esperei que ele desligasse o carro e tiramos uma foto bem escura no Snapchat. Ele se rendeu ao GPS e foi embora.

Subi saltitante para o meu apartamento e vi que J me mandou algumas mensagens de que ele sairia para uma festa com alguns amigos. Ele disse que só iríamos nessa festa se estivéssemos juntos. Jamais iríamos separados. Mas tudo bem, estava tudo acabado mesmo e nada poderia afetar meu humor hoje. Eu estava bem feliz com tudo o que tinha acontecido.

Cheguei e fui direto pro banho, mas sei que fiquei um bom tempo contando para algumas amigas o que tinha acabado de acontecer. Elas surtavam comigo da maneira como deveria ser. E eu ainda tinha o gosto da boca dele predominando a minha. Atípico, salpicado com menta e cereja. Eu amava cereja.

Tomei banho, finalmente, coloquei um moletom confortável e mandei mensagem para ele perguntando se ele tinha chegado bem. Enquanto ele não me respondia, escrevi um textinho, agradecendo pelo dia maravilhoso, dizendo que queria de novo.

Edward provavelmente mencionaria que eu era muito fofa, que também queria de novo. E eu me sentiria bem, como há muito tempo não me sentia. Eu tinha conseguido ser minha própria âncora, sabe? Minha ponte de felicidade.

A mensagem chegou, foi visualizada. No segundo seguinte, sua foto, seu status e seu nome sumiram do meu WhatsApp. Edward tinha me bloqueado? Mandei uma interrogação, que nunca mais chegou.

É, eu não enviaria o textinho agradecendo e ele não mencionaria nada daquilo.

No fim das contas, é só a gente por a gente.

Enem: livros e períodos literários que caem na prova
Atualizações

Especialista dá dicas de Inglês que podem fazer a diferença no ENEM 2021

O calendário de provas do ENEM 2021, o primeiro no cenário de pandemia, começa no próximo dia 17 (provas tradicionais) e 31 (provas digitais). Vale lembrar que, desde 2010, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passou a cobrar conhecimentos de línguas estrangeiras, Inglês ou Espanhol. Das 45 questões totais da área de linguagens, códigos e suas tecnologias, cinco são da língua estrangeira escolhida pelo aluno no ato da inscrição. Ou seja, representação de 11%, suficientes para fazer a diferença no resultado e, consequentemente, na classificação dos processos seletivos das universidades.

Apesar de o inglês estar presente no currículo escolar do Ensino Fundamental e Médio, grande parte dos candidatos acaba escolhendo o espanhol por achar essa língua mais fácil para os falantes de português. Contudo, aqueles que escolhem prestar a prova de inglês acabam apresentando um desempenho melhor. De acordo com os microdados do Enem, a média de acertos de questões de Inglês é de 45%, enquanto a de Espanhol é de 34%.

“A prova de inglês do Enem não é difícil, sendo verificado realmente o que é básico e necessário para quem vai precisar de ter acesso e compreender textos em inglês na vida acadêmica ou profissional,” afirma o Professor Amadeu Marques, autor de “Inglês para o ENEM”, livro publicado pela Disal Editora.  “Para um bom desempenho nessa prova é importante que o candidato tenha tido, ao longo do curso do ensino médio, de forma extensiva, uma boa prática de leitura, com domínio das estruturas básicas, de um vocabulário diversificado e esteja habituado a trabalhar com textos de vários gêneros, utilizando as estratégias de leitura mais importantes”, completa.

Estratégia objetiva de leitura dos textos da prova do Enem

  • Para ser bem objetivo e ganhar tempo, aconselha-se ler o enunciado de cada questão e as respectivas alternativas, antes mesmo da leitura do texto em inglês propriamente dito. Como o enunciado e as alternativas estão em português, o candidato ganha tempo, porque antes mesmo da leitura do texto, já sabe do que ele trata.
  • Na primeira leitura do texto em inglês, é bom usar a estratégia de skimming, na qual se busca saber apenas a essência do texto, a ideia geral, do que ele trata, e não de detalhes específicos.
  • Voltar ao texto e fazer uma leitura mais atenta, procurando a “topic sentence”, a frase que contém a ideia essencial do parágrafo ou do texto. É geralmente “em cima” dessa frase que a alternativa correta é proposta, na maioria das questões da prova.
  • Os textos do Enem, em geral, são curtos, de um parágrafo ou dois.  A “topic sentence” , em que o autor resume a ideia essencial do texto, é geralmente a que abre o parágrafo.  O candidato deve focar no sentido da frase inicial de cada parágrafo para encontrar a topic sentence. Nos textos onde há título ou manchete, a “topic sentence” pode ser o próprio título ou manchete.
  • Uma vez encontrada a “topic sentence”, é preciso encontrar a alternativa onde a mesma ideia está expressa, de forma explícita ou, às vezes, implícita. É preciso fazer inferências, ler nas entrelinhas, “read between the lines”.  A alternativa que expressa o mesmo sentido da “topic sentence”, tem sido, na maioria das questões das provas de inglês, a resposta correta.
  • É claro que, para se compreender o sentido da topic sentence e de todo o texto é preciso conhecer os aspectos linguísticos, a estrutura da frase e o vocabulário que ela contém. Para isso, como sabemos, é bom que o candidato tenha tido uma prática extensiva de leitura de textos, valendo inclusive os textos contidos nas provas anteriores, desde 2010. A boa notícia é que a prova do Enem está livre de “pegadinhas” ou de armadilhas para os incautos. Com um bom conhecimento do inglês básico, é possível ter um excelente desempenho na prova de inglês do Enem.

Quanto aos gêneros textuais, é possível prever textos curtos, extraídos de notícias, artigos de revistas, publicações on-line, trechos de livros, poemas, letras de música, cartuns ou tirinhas.

Os temas recorrentes são questões da atualidade e da sociedade em que vivemos, com destaque para temas sociais, como o da pobreza, desigualdades sociais, da necessidade de um mundo mais pacífico, além da defesa das questões ambientais, principalmente o aquecimento global.

invasão ao capitólio
Livros

Leituras para entender a invasão ao Capitólio

Os Estados Unidos sofreu, na última quarta (6), o que é considerado por especialistas políticos o maior atentado à democracia do país. O episódio foi protagonizado pelos apoiadores do presidente Donald Trump, que invadiram o Capitólio, sede do Congresso do país. O ataque foi uma tentativa de interromper o reconhecimento da vitória de Joe Biden.

A crise sem precedentes da democracia representativa tem origens que vão muito além da conjuntura criada pelas redes sociais. Esta é a opinião do geógrafo francês Christophe Guilluy, autor de O fim da classe média, e dos professores ingleses Roger Eatwell e Matthew Goodwin, autores de Nacional-populismo. O filósofo Michael J. Sandel, um dos maiores pensadores da atualidade, também aponta sérias questões estruturais que contribuem para a divisão da sociedade americana entre vencedores e perdedores.

Outros dois títulos desta lista dão um panorama histórico para quem quer se aprofundar na história do país mais poderoso do mundo desde sua Independência.

A tirania do mérito, de Michael J. Sandel 

Descrição: Descrição: https://www.record.com.br/wp-content/uploads/2021/01/9788520014165_imagensadicionais_01-192x300.jpgAs democracias liberais estão em risco. E, de acordo com o filósofo Michael J. Sandel, o princípio do mérito, um de seus pilares básicos, é o responsável por esse cenário. Vivemos em uma constante competição, que separa o mundo entre “ganhadores” e “perdedores”, esconde privilégios e vantagens e justifica o status quo por meio de ideias como “quem se esforça tudo pode” e “se você pode sonhar, você pode fazer”. O resultado concreto é um mundo que reforça a desigualdade social e, ao mesmo tempo, culpabiliza as pessoas, o que gera uma onda coletiva de raiva, frustração, populismo, polarização e descrença em relação ao governo e aos demais cidadãos. A resposta pública se manifesta em eventos como as eleições de Donald Trump, nos Estados Unidos em 2016, e de Jair Bolsonaro, no Brasil em 2018. Ao analisar conceitos em torno da ética do estudo, do trabalho, do sucesso, do fracasso, da tentativa e de quais são os meios considerados legítimos para trilhar esses caminhos, Sandel sugere um novo olhar para essas relações. O autor salienta as contradições do discurso meritocrático, seus contextos estruturais e a arrogância dos “vencedores”, que julgam duramente os “perdedores”. A tirania do mérito (Ed. Civilização Brasileira, 350 págs, R$ 49,90) propõe que para existir uma ética diferente e dignificadora, o sucesso deve ser compreendido em prol da coletividade. Indica que uma alternativa de pensamento guiado pela humildade, pela compreensão do papel do acaso na vida humana e pela criação real da oportunidade poderá ser, então, a melhor bússola para a democracia, para o bem comum.

Capitalismo na América, de Alan Greenspan 

Descrição: Descrição: https://www.record.com.br/wp-content/uploads/2021/01/9788501116215..-211x300.pngUm livro do lendário ex-presidente do Fed e do aclamado historiador e jornalista da Economist. A história épica e
completa da evolução dos Estados Unidos: de uma pequena colcha de retalhos de colônias maltrapilhas até se tornar a mais poderosa máquina de riqueza e inovação que o mundo já viu. Em Capitalismo na América: Uma história (Ed. Record, 518 págs, R$ 74,90), Alan Greenspan (ex-presidente do Conselho do Federal Reserve) e Adrian Wooldridge (célebre historiador e jornalista da Economist) analisam o desenvolvimento do capitalismo norte-americano. Com um texto acessível, a história contada por eles envolve as vastas paisagens do país, figuras titânicas, descobertas triunfantes, sucessos impensáveis e terríveis falhas morais de grandes líderes. O que há de mais crucial no debate sobre a evolução dos Estados Unidos está neste Capitalismo na América: do papel da escravidão na economia sul-americana pré-guerra, passando pelo impacto real do New Deal de Roosevelt até as maiores mudanças ocorridas no país ao se abrir para o comércio global. No momento atual, em que o crescimento da produtividade parou novamente, provocando as fúrias populistas, resta saber se os Estados Unidos preservarão sua preeminência ou se verão sua liderança passar para outros poderes, inevitavelmente menos democráticos. Parece ser, portanto, o melhor momento para aplicar as lições da história a fim de compreender os desafios a serem enfrentados. 

O fim da classe média, de Christophe Guilluy 

Este O fim da classe média (Ed. Record, 154 págs, R$ 59,90) explica, com linguagem direta, a onda populista que atravessa o mundo ocidental, das urnas às ruas, materializando-se em Brexit, nas eleições de Trump e Bolsonaro, e na ascensão do Vox na Espanha – essas sendo expressões apenas da porção visível de um soft power exercido pelas classes populares para forçar o “mundo de cima”, progressivamente alienado, a se curvar ao movimento real da sociedade, sob pena de desaparecer. Neste livro, Christophe Guilluy detalha o desprezo da elite pelas classes populares e trata das consequências de não se atentar a seu descontentamento; isso enquanto a antiga classe média, o próprio equilíbrio entre extremos, dissolvia-se para aprofundar um fosso de ressentimentos. Haveria um mundo subterrâneo a explodir, que emite sinais de erupção próxima e talvez mesmo já inevitável. Crises de representação política, atomização de movimentos sociais e gentrificação das cidades são alguns dos sinais de esgotamento de um modelo que não constrói mais sociedades. Guilluy sustenta que, ao ser confrontadas com a deserção da burguesia, tensões e paranoias identitárias, as classes populares resistem, tentando preservar seu capital social e cultural. No entanto, sem poder econômico ou representação política, exercem pressão sobre o grupo que o autor denomina ”mundo de cima“, que, de alheio a defensivo, entra em declínio geográfico e cultural.

Nacional-populismo: A revolta contra a democracia liberal, de Roger Eatwell e Matthew Goodwin 

Descrição: Descrição: https://www.record.com.br/wp-content/uploads/2021/01/9788501118561_imagensadicionais_01-195x300.jpgNeste estudo aprofundado, os autores discutem o que há por trás da ascensão do nacional-populismo no Ocidente,
quem apoia esses movimentos (e por que) e como eles vão mudar a cara da política nos próximos anos. Em todo o Ocidente, há uma maré crescente de pessoas que se sentem excluídas, alienadas da política dominante e que se mostram cada vez mais hostis às minorias, aos imigrantes e à economia neoliberal. Muitos desses eleitores estão se voltando para movimentos nacional-populistas, que representam a ameaça mais séria ao sistema democrático liberal ocidental e seus valores desde a Segunda Guerra Mundial. Dos Estados Unidos à França, da Áustria ao Reino Unido, o desafio nacional-populista à política dominante está à nossa volta. Os nacional-populistas priorizam a cultura e os interesses da nação e prometem dar voz a essas pessoas que se sentem negligenciadas e desprezadas por elites distantes e corruptas. Seus líderes são fascistas e suas políticas, antidemocráticas; sua existência é um espetáculo paralelo à democracia liberal. Mas essa versão dos eventos, como mostram Roger Eatwell e Matthew Goodwin, não poderia estar mais longe da verdade. Escrito por dois dos principais especialistas sobre fascismo e ascensão da direita populista, Nacional-populismo: A revolta contra a democracia liberal (Ed. Record, 350 págs, R$ 74,90),  é um guia lúcido, resultado de uma profunda pesquisa acerca das transformações radicais do cenário político de hoje, que revela os motivos pelos quais as democracias liberais em todo o Ocidente estão sendo desafiadas. O que está por trás dessa onda excludente? Quem apoia esses movimentos e por quê? O que a ascensão deles nos diz sobre a saúde da política democrática liberal?  O que pode ser feito para conter essa maré? A edição brasileira conta com texto exclusivo sobre a eleição e os primeiros meses do governo de Jair Bolsonaro no Brasil, analisando como ele pode ser identificado com essa tendência mundial.

Liderança em tempos de crise, de Doris Kearns Goodwin

Descrição: Descrição: https://www.record.com.br/wp-content/uploads/2021/01/9788501118516..-1-197x300.jpgOs líderes já nascem prontos ou tornam-se líderes? De onde vem a ambição? Como a adversidade afeta o crescimento da liderança? O líder faz os tempos ou os tempos fazem o líder? Liderança em tempos de crise (Ed. Record, 560 págs, R$ 84,90) é o resultado de cinco décadas de estudo sobre a história presidencial norte-americana. A vencedora do Pulitzer Doris Kearns Goodwin escolheu quatro presidentes que analisou de forma mais atenta — Abraham Lincoln, Theodore Roosevelt, Franklin D. Roosevelt e Lyndon B. Johnson — para mostrar como eles reconheceram suas próprias qualidades de liderança e foram identificados como líderes pelos outros. Apesar das diferenças de contexto, habilidades e temperamentos, estes homens compartilhavam uma ambição e resiliência determinantes, que lhes permitiram superar as dificuldades mais incomuns. Esta obra de referência oferece um mapa acessível para líderes em qualquer área, seja em treinamento ou já estabelecidos no mercado.

Sol da meia-noite
Livros, Resenhas

Resenha: Sol da Meia-Noite, Stephenie Meyer

Sol da Meia-Noite, o livro de Crepúsculo, agora narrado pelos olhos de Edward Cullen demorou muito, mas finalmente saiu, lançado há pouco tempo. Até então, conhecíamos a história somente sob o olhar de Bella Swan, protagonista que vem a ser seu par romântico ao longo dos quatro livros da série.

Sou fã de Crepúsculo de carteirinha e como tal, esperei igual doido por Sol da Meia-Noite. Eis que ele chegou e eu devorei em pouco menos de um mês. A diferença é que li Crepúsculo no auge dos meus 13 anos. Já esse, eu li dez anos depois, com vinte e três, e quase me formando psicanalista. Não perdi a chance de analisar o Edward sob os olhos da psicanálise, é claro.

Separei alguns pontos e acho justo começar por um que já era presente em Crepúsculo, mas veio a ficar mais forte em Sol da Meia-Noite: a obsessão do Edward com relação a Bella. Ele acha que precisa sempre estar perto dela para protege-la, ou o encanamento de gás da rua pode estourar, um vampiro pode aparecer do nada…. Quer dizer, quais as chances disso acontecer normalmente? Nenhuma. Ele só quer justificar sua obsessão com base em que se tratando de Bella, essas coisas acontecem.

Além disso, vemos um Edward que briga muito consigo mesmo. O tempo todo ele fica encabeçando atritos entre seus desejos, suas pulsões (ID) e sua moral (superego), incapaz de encontrar um meio de satisfazer as duas. Ele não pode matar a Bella e ainda sim, continuar na dieta vegetariana de Carlisle e sua família, por exemplo. Ele acha que precisa silenciar, matar, esse monstro que há dentro de si, demorando para perceber que o monstro, isto é, seu ID, faz parte de si. Ele precisa conviver com ele e encontrar formas de dar vazão a essas pulsões, ainda é claro, agradando suas regras morais.

Uma pausa aqui é necessária pra gente analisar a Bella também. Ela não tem nenhum senso de autopreservação. Suas pulsões se sobressaem sem dificuldade nenhuma aos instintos, mesmo aqueles que são para deixa-la viva. Alô pulsões de morte? Temos alguém aqui com deficiência de pulsões de vida. Ela simplesmente não se importa que o Edward pode mata-la. Ela torna tudo mais fácil para ele, sem se preocupar um instante sequer com a própria vida.

A Bella tem um desejo incontrolável pelo Edward, que conseguimos ver sobressaindo quando ela dorme e sempre sonha que está com ele. Certas horas, o vampiro também deixa escapar que gostaria de dormir para poder sonhar com a Bella, porque sim, essa seria a única forma de satisfazer os desejos do seu ID sem estragar tudo. Nos sonhos, ele poderia matar a Bella no campo da fantasia, poderia ficar com ela, fazer tudo o que ele quisesse, sem causar danos maiores.

Um outro ponto que eu julgo ser o mais interessante de toda a história, é o enredo com a romã presente na capa. Para Edward, ficar com ele é como ficar para sempre no inferno. E ele acha que Bella é sua Perséfone, figura da mitologia grega que é condenada a ficar no submundo com Hades e a cada palavra que eles trocam, cada confissão e segredo é uma semente de romã que Bella ingere, condenada a passar mais tempo ao seu lado. No mito grego, cada semente de romã que Perséfone engolia, era um período que ela tinha que passar no inferno com Hades.

O que eu acho mais interessante de Sol da Meia-Noite é que com certeza, Stephenie Meyer estudou psicanálise para compor seus personagens. Os traços são fortes, muito bem pensados e planejados, o que não me deixa sequer imaginar que foram concebidos a esmo. Eu ainda amo Crepúsculo e toda a série, não se enganem, mas, precisamos debater esse outro lado da história. Romantizar relacionamentos neuróticos e obsessivos é romantizar relacionamentos tóxicos e abusivos, que lotam consultórios de psicanálise em todo o país. É preciso conscientizar, não romantizar.

gostei de você
Autorais, Livros

quando gostei de você

quando gostei de você
assim como quando gostei de outros
virei e disse
tudo bem, não precisa mudar nada no seu corpo por minha causa

leia ouvindo: eu sou problema meu, clarice falcão

você sorriu
nunca mudou nada
e realmente estava tudo bem
ninguém deve mudar o próprio corpo apenas para o prazer de outrém

e no segundo seguinte
você me entregou um papel
com tudo o que gostava em outro alguém
fazendo eu mudar meu corpo
só pra ter seu requinte
jogue fora seu chapéu.

Esse poema ficou esquecido no primeiro manuscrito de “contando estrelas cadentes”, que até então se chamaria “costume”. Não sei porque o deixei de lado, porque o deixei passar. Achei encolhido num canto e acho que ele tem um poder muito forte. Não pretendo escrever tantas poesias regularmente como fiz na época em que escrevia o livro, por isso achei importante deixa-lo registrado. “quando gostei de você” me parece um texto inacabado, nunca terminado, quando olho agora. Inclusive, quando o encontrei, achei que não tinha colocado porque nunca tinha finalizado, mas sim, eu finalizei. Não sei qual foi o sentimento que o motivou agora, nem tampouco quais são os sentimentos que ele vai te causar. Por isso, deixa aí nos comentários, combinado?

autossabotagem
Colunas

Um dia de cada vez: Autossabotagem

“Um dia de cada vez” é uma editoria escrita por pessoas que contam histórias em sua jornada de autoconhecimento, convivência ou recuperação de transtornos mentais. Os relatos são anônimos e enviados por leitores do blog. Hoje, leremos um relato de autossabotagem, que é consciente apesar do inconsciente ser confiante.

Por que a gente se cobra tanto? A gente precisa aceitar e entender que existe mais de um caminho para se chegar no mesmo destino. Eu, às vezes, acho que ele é único. Que não tenho para onde correr senão aquele caminho tortuoso. E eu fico me cobrando de percorrer por ele.

Eu tenho muita vontade de fazer as coisas. Eu faço as coisas, e sei que tudo o que vou me propor a fazer, vou dar conta e vou fazer bem. Sei que vai dar certo. Mas a que preço? O preço sou eu, minha saúde mental e meu bem-estar. Eu dou conta das coisas mas não dou conta de mim mesmo.

Parece que a autossabotagem não vem tão de dentro assim. Lá dentro, nas profundezas tenho a vontade e a certeza de que vai dar certo. Quando se torna real, quando vem pra fora de mim, o problema está armado: eu quero sabotar e terminar tudo. Eu sinto vontade de encerrar as coisas quando elas começam a acontecer.

Sou apaixonado pelos inícios, mas também pelos finais. Eu gosto de começar, de ver acontecer. Mas também gosto de terminar tudo. Vira e mexe sinto vontade de por fim em tudo e começar outra coisa. Sempre quero ter alguma coisa em mente para começar.

Quero, mas não quero. Sempre tenho algo em mente ou crio algo em mente pra começar. Mas eu quero ter um pouco da paz que me resta e quero levar algo pra frente de verdade. Quero entregar pro mundo de verdade essa mensagem. Não quero sentir vontade de terminar as coisas, de jogar tudo pro alto. Eu vou até o fim. Eu consigo finalizar. Mas por que eu quero finalizar do nada coisas que sequer começaram?

É o bichinho da autossabotagem que fica falando na minha orelha como se fosse um diabinho. Não era pra ser diferente? Eu já fiz tudo o que precisava fazer, todos os desafios para por em prática. Por que desistir quando já deu certo? Por que cancelar algo que coloquei tanto empenho para acontecer?

Foram tantas as coisas que eu já fiz e só agora entendo porque fiquei pulando de galho em galho. Porque eu nunca quis ter a responsabilidade de ver algo dando certo. Eu sei o que acontece quando dá errado: a gente vai pra próxima coisa. Mas e quando dá certo? O que a gente faz depois?

Eu antecipo o meu dar errado sem efetivamente dar errado. Simplesmente porque sei lidar e sei o que acontece. Mas será que eu preciso de uma coisa nova para dar certo? Será que não estou somente em outro caminho? Existem tantos para chegar na linha de chegada….

Aliás, existem vários caminhos para várias linhas de chegada diferentes. E a autossabotagem é aquela pessoa que fica ali, nas margens, dizendo que você nunca vai encontrar qual é o caminho certo e precisa urgentemente trocar de caminho. Você troca, troca, troca e só se atrasa para encontrar sua linha. Você nunca se deixa chegar no seu objetivo porque fica trocando de caminho várias vezes no meio do percurso.

Por que trocar tanto? Por que não ignorar essa vozinha e ir mesmo assim? Seguir em frente? A autossabotagem vai estar ali, de qualquer forma. Vale a pena dar voz ou ignorar o que ela diz?

Tem um relato da sua jornada e quer compartilhar com outras pessoas aqui no “Um dia de cada vez”? Envie para [email protected]. *Os relatos são publicados de forma anônima.

morar sozinho
Atualizações

O que comprar para morar sozinho?

Morar sozinho é um grande passo. A gente sai da casa dos pais achando que as coisas vão acontecer da forma que acontecem lá: quase que em um passe de mágica. Se ninguém te disse isso, desculpa ter que ser eu. A roupa não se lava sozinha, não se cozinha sem panela e nem se come sem talher.

Por isso, separei essa lista com cinco (mais) itens que você precisa pensar em adquirir quando for morar sozinho, olha só!

Eletrodomésticos – fogão, geladeira e máquina de lavar, pelo menos!

Você vai precisar comer, guardar a sua comida e lavar a sua roupa. Talvez, a máquina de lavar não seja tão necessária logo de início, caso você ainda possa voltar para a casa dos seus pais. No entanto, fogão e geladeira são imprescindíveis e acredite, eu falo isso por conta própria. Achei que ia conseguir sobreviver uma semana sem geladeira e não passei da primeira noite sem água fresca. Caso você não consiga investir grandes quantias nele, procure em sites de usados como OLX e Enjoei, ou até mesmo, em brechós especializados em móveis de segunda mão.

Pratos, copos e talheres

Você pode até usar descartáveis, mas vai contribuir para a criação de mais lixo no mundo e isso é a última coisa que precisamos nesse momento. Tenha em casa pelo menos um prato, um copo e um jogo de talheres (e não receba visitas!). Você vai me agradecer por ter te dado esse toque lá na frente. Se você não puder comprar, veja com os seus familiares. Sempre tem alguém que ganhou um jogo de pratos ou talheres no casamento há 20 anos atrás e nunca usou ou tirou da caixa. Incentive-os a praticar o desapego! Foi assim aqui em casa.

Panelas, principalmente uma leiteira

Você não consegue cozinhar sem panelas, por isso, tenha pelo menos duas panelas e uma leiteira. Em último caso, priorize sempre a leiteira, porque você pode fazer tudo com ela, desde fritar ovos, até sopas e miojos. Só depende da sua habilidade e criatividade em coloca-la para trabalhar e eu tenho certeza que isso não vai faltar quando você for morar sozinho.

Lençol e jogo de cama

Tenha pelo menos dois jogos de lençóis, os famosos jogos de cama. Você não pode dormir no colchão sem nada, nem tampouco contar com a sorte de não ter uma troca para quando for lavar. Investir em bons lençóis é investir na qualidade do seu sono, por isso, não se mude sem ter aquele jogo aconchegante pra você dormir na nova casa. Afinal, todos sabemos que um bom cobertor protege de qualquer fantasma, né?

E aí, o que você acrescentaria na minha lista de itens essenciais para morar sozinho? Tentei listar as coisas pelas quais não conseguimos viver sem, logo de cara. O resto, a gente dá um jeitinho aqui e ali, empurra como dá. Me conta aí nos comentários o que você achou!

planejamento de leitura
Estreias, Livros

Passo a passo: saiba como fazer seu planejamento de leitura para 2021

Perder peso, se alimentar melhor, ler mais, essas são algumas das resoluções de ano novo mais comuns. Mas para atingir esses objetivos durante o ano é preciso fazer um bom planejamento. No caso da leitura, é normal não conseguirmos manter um ritmo periódico e ler todos os livros que gostaríamos. Isso acontece por não termos um plano de leitura.

Estudos mostram que cada vez mais o brasileiro está perdendo o hábito da leitura. De 2015 a 2019, a porcentagem de leitores no Brasil caiu de 56% para 52%, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró Livro. Segundo Eduardo Villela, especialista do mercado editorial e book advisor, uma das principais causas disso é o uso das redes sociais. “As pessoas têm trocado a leitura pelo uso excessivo das redes sociais durante o tempo livre”, afirma Villela.

A pesquisa ainda revela que 82% dos entrevistados gostaria de ter lido mais e 47% não o fizeram por falta de tempo. Para aumentar a frequência de leitura é importante seguir um planejamento, para isso Villela elenca abaixo um passo a passo para que as pessoas possam criar um plano de leitura.

1º passo – Defina quais livros deseja ler durante o ano e divida pela quantidade de meses. Por exemplo, caso você tenha escolhido 20 livros, terá que ler mais de um livro por mês. Separe mais tempo para ler os livros maiores ou mais complexos.

2º passo – Tenha em mente épocas do ano que poderá se dedicar mais ou menos à leitura. Por exemplo, em época de provas ou mais intensas de trabalho você sabe que não terá tanto tempo para ler os livros que planejou. Por outro lado, nas férias poderá pôr a leitura em dia.

3º passo – Tenha o seu plano de leitura por escrito. Fica muito mais fácil de manter o planejamento e saber, exatamente, qual livro vai ler e quando.

4º passo – Mantenha o ritmo da leitura. O ritmo vai depender muito da quantidade de livros escolhidos. Você pode dividir a sua leitura pela quantidade de páginas ou capítulos de cada livro. Outra forma é definir quanto tempo vai ler por dia ou por semana.

5º passo – Escolha um local tranquilo para fazer a sua leitura. É muito fácil se distrair em ambiente barulhentos. Outra dica é manter o celular afastado.

Essas foram algumas dicas para você poder fazer o seu planejamento de leitura para 2021. Boa leitura!

Uma menina do lado esquerdo jogando embusticida com a ajuda de um menino do lado direito. Boy lixo no meio perguntando o que foi que ele fez para merecer isso.
Atualizações, Sociedade

Manual: Você sabe identificar um “boy lixo”?

O manual definitivo do boy lixo chegou, senhoras e senhores. Vocês pediram muito no Instagram e eu levei a sério. Mas antes de começar, precisamos conversar algumas coisinhas importantes.

Existem vários tipos de boy lixo. Aqui, nesse manual, eu com a ajuda de algumas pessoas incríveis reunimos uma série de pontos que você precisa se atentar dentro do seu relacionamento. Existem mais uma série de milhares de pontos. Muitos, que poderiam dar um livro. Por isso, peça ajuda quando achar necessário. Não se cale.

Além disso, os pontos aqui elencados precisam ser analisados no contexto do seu relacionamento. Não pegue algum item a esmo e vá tirando conclusões. Entenda, analise e perceba. Ficou com dúvida? Siga a sua intuição, porque ela nunca vai te enganar. Além disso, o boy lixo criado aqui não serve só para mulheres que se relacionam com homens não, viu? Se você é homem que se relaciona com homem, não-binárie que se relaciona com homem, qualquer pessoa que se relacione com homens está sujeita ao crivo do boy lixo.

Além disso, relacionamento não é só namoro não. Relacionamento é convivência, é qualquer tipo de sentimento. Fica de olho aí, por favor! E vamos de ver os pontos? Faz a soma aí na sua casa.

Ele pede pra você pagar tudo sozinho(a)

Estamos no século 21. Me recuso a escrever em números romanos para deixar bem claro que os tempos mudaram. Não é dever de nenhum dos dois bancar todos os encontros e todas as coisas para ambos. A gente entende que existem momentos de vulnerabilidade, desemprego ou dificuldades financeiras. No entanto, quando a pessoa tem condições e ainda sim faz com que você pague todos os encontros, sem nem dividir a conta, fique de olho. Você pode querer muito sair, todos os dias, mas ainda sim não pode querer por dois. Divida a conta sempre que possível ou pague por encontros intercalados.

Ele critica sua vida e seus amigos

Se ele critica a vida que você está construindo e diz o quanto suas amizades são horríveis por serem diferentes da dele, é hora de ficar atento. Suas amizades são parte da pessoa que você é, e se são amigos, são porque te fazem bem, porque são importantes para você. Te afastar de pessoas que fazem sua vida melhor, além de insegurança da parte dele, é uma forma de fazer com que você não tenha mais ninguém além dele.

Ele não faz questão de te expor para amigos, família e afins

Ele esperar as coisas ficarem sérias para te apresentar é uma coisa, agora te esconder para sempre são outros quinhentos. Você não vai viver se escondendo para sempre ao lado dele, vai? Até quando você vai ter que fingir que é só uma amizade quando alguém da família dele aparecer de supetão no shopping em que vocês estão passeando? Um relacionamento precisa ser assumido. Entendemos que existem casos em que a homofobia nas famílias impossibilita um relacionamento aos olhos de todo mundo. Mas ele demonstra formas pelas quais vocês podem passar por isso juntos? Vocês se ajudam? Não dá para viver se escondendo para sempre.

Ele comenta com amigos sobre outras pessoas na sua frente

Quando vocês saem com os amigos dele, ele comenta sobre outras pessoas com eles na sua frente? Fala sobre o quão fulana é pegável ou o quanto ele se arrepende de não ter beijado o ciclano naquela festa antes de vocês assumirem o namoro? Foge bem rápido porque é boy lixo. Se ele está com você, em um relacionamento monogâmico e fechado, o mínimo que ele te deve é respeito. Deslizes nesse aspecto é um princípio de traição, só que de forma velada, por isso demoramos tanto tempo para perceber.

Ele fala que hoje em dia não existe relacionamento sem traição

Alô? Planeta Terra chamando? Estando em qualquer tipo de relacionamento, a traição pode acontecer. Não se engane com esses papos de ah, aquilo não é traição. Se foge do que vocês combinaram para o relacionamento funcionar, é um tipo de traição, seja em um relacionamento fechado ou aberto. Relacionamentos sem traição não só existem, como são os relacionamentos saudáveis. Um relacionamento com traição é insistência, não amor.

Ele trata mal pessoas que prestam serviços para ele: garçons, faxineiros, empregados, etc.

Ele trata mal pessoas quando está em uma determinada situação de poder? Ele xinga o garçom e fala sobre o quanto a empregada é incompetente por não passar a roupa dele direito? É assim que ele vai te tratar a partir do momento em que vocês tiverem algum tipo de contratempo ou briga. Além disso, é assim que ele vai falar de vocês caso vocês terminem e ele tenha o poder de contar a história para quem quiser. Essa será a versão do boy lixo dos fatos.

Ele some sem explicação

Chegou sexta-feira e ele sumiu sem te explicar nada? Voltou com a cara lavada na segunda-feira dizendo que usou o final de semana para pensar e refletir sobre o relacionamento de vocês e aquele desentendimento antes do final de semana? Ele não quer debater nada com você. Ele só quer procurar formas de terminar o relacionamento e ficar bem com ele mesmo, sem ser o culpado da história. Além disso, por que ele sumiu? Não te falou nada? Por que ele não avisou que precisava do espaço dele? Ao te negar um aviso, ele te nega a possibilidade de reparo ou participação. O relacionamento é feito de dois, não de um só. As decisões não devem ser egoístas.

Ele não quer rotular o relacionamento que vocês tem

Ah, somos amigos que se pegam! Mas somos exclusivos, tá? Isso é namoro. Essa de não dar nome as bois, não rotular o que vocês tem é fugir da responsabilidade. Sabe por quê? Porque se acontecer algum deslize, o papo vai ser “ah, mas a gente não tinha nada sério”. Se vocês querem ter uma amizade colorida, deixem isso bem claro. Se os dois não querem algo sério e funciona assim, beleza. Mas é preciso ter responsabilidade afetiva e um diálogo aberto. O sentimento está mais intenso? Vamos terminar ou vamos assumir um namoro? Chega uma hora que não dá mais só para empurrar com a barriga.

Ele não posta nenhuma foto com você

Qual é o medo que ele tem de te assumir nas redes sociais? Ele já era uma pessoa que não postava nada antes? Se ele é alguém que não usa redes sociais, a gente entende até certo ponto. Mas ele sai com você, posta foto do drink que vocês pediram, posta foto da galera e nenhuma foto sozinho com você? Por quê? A gente aceita o amor que acha que merece. Você merece viver essa vida dupla, escondida e camuflada de amizade? Diagnóstico? Boy lixo, lixão, chorume.

Ele não demonstra afeto publicamente com você

Não gostar de demonstrar afeto em público ou ter zelo por alguns lugares, principalmente com as violências que vemos diariamente com a comunidade LGBTQIAP+ é uma coisa e a gente entende. Mas ficar fugindo de momentos em que vocês podem demonstrar afeto? Em que é seguro? Não querer nunca pegar na sua mão porque tem pessoas perto, é normal? Andar distante como se vocês sequer se conhecessem é o que duas pessoas que se amam fazem?

Ele quer controlar o seu comportamento

Se ele quer mexer muito nos comportamentos que você tem, é hora de ficar alerta. Ele te conheceu e gostou de você de um jeito. A gente muda com o tempo. Nós evoluímos, trocamos comportamentos tóxicos por ações melhores. Mas se ele parece só piorar com o tempo, querendo controlar o que você veste, como você se porta ou até mesmo, a maneira com a qual você fala com as pessoas, é hora de dar tchau. Quem precisa saber o que te deixa confortável é você, não outra pessoa, por mais que essa pessoa diga te amar do infinito ao além.

Ele fala do ex-namorado ou ex-namorada de forma pejorativa

Ah, meu ex era louco! Minha ex era surtada, eu não sei como aguentei. Ele fala assim ou, fala excessivamente dos relacionamentos passados? Cuidado! Você pode ser o próximo ex surtado. Você pode ser a próxima ex louca, desequilibrada. E se ele não fala de outra coisa, senão sobre ex, ele provavelmente ainda não superou o relacionamento antigo e vai projetar todas as frustrações dele em você. Conversar sobre relacionamentos antigos é uma coisa. Entender o passado, compartilhar coisas que aconteceram dentro de um ambiente seguro em que ambos participam e querem saber é uma coisa. Falar compulsivamente e de forma não solicitada é outra.

Ele tem um ciúme excessivo de você

Ninguém é propriedade de ninguém. Se ele nutre um ciúme excessivo por você sem que haja motivos para isso, é hora de pedir pra ele tratar a insegurança dele. Ciúme é um sentimento ruim, que vem da posse. Não é prova de amor, não é tempero no relacionamento. As pessoas são livres. E se vocês se escolheram, a confiança é o mínimo que precisa existir pra esse relacionamento ir pra frente. Se ciúme fosse coisa boa, a gente ia desejar feliz aniversário, muita paz, amor, dinheiro, ciúme….

Ele acha que o relacionamento com ele é uma moeda de troca

Ele te paga um jantar e acha que você precisa beija-lo? Ele cozinha para você e acha que você precisa fazer algo em troca por ele? Corre que é cilada, Bino. Relacionamentos não são moedas de troca. É preciso que as coisas aconteçam e sejam feitas porque se quer fazer. Ele te pagou a refeição porque ele quis pagar. Você o beija porque quer beija-lo, não para retribuir alguma coisa. Dentro de um relacionamento, as pessoas são livres para escolherem. Nada é barganha, ele que é um boy lixo mesmo.

Ele beija outras pessoas na sua frente

Preciso comentar alguma coisa? Se vocês vivem um relacionamento fechado, é traição na certa. Se vocês vivem um relacionamento aberto, observe como você se sente com isso. Era um combinado não beijar outras pessoas na frente um do outro? O que aconteceu?

Ele te pune quando você faz algo que ele não gosta

Seres humanos erram. E ninguém é obrigado a agradar ou corresponder com as expectativas de ninguém. Se ele te pune quando você faz alguma coisa que ele não gosta, ele mostra que exerce poder sobre você e o relacionamento de vocês. Como já conversamos, o relacionamento é feito a dois. Ninguém tem poder sobre ninguém porque não há posses ou propriedades. Por isso, também não há moedas de troca, recompensas ou punições.

Hora ou outra ele diz “manda foto de agora”

Pode parecer inofensivo, mas é uma forma de controlar o seu comportamento. O simples “manda uma foto de agora” pode parecer que ele só sente saudade de você, quando na verdade ele quer saber como você está (e se está do agrado dele), se você está onde disse que estaria, com quem estaria e afins.

Ele fica nervosinho e quebra suas coisas

Ele dá soco na parede quando está nervosinho? Joga suas coisas longe? Quebra coisas que são importantes para você? Isso se chama violência patrimonial e também está relacionado ao joguinho de poder que ele acha que exerce sobre você. Hoje é a parede, o travesseiro e seus objetos. Amanhã, pode ser seu rosto, sua boca, seus dentes. Se ele é uma pessoa que sente raiva, precisa de tratamento psicológico para aprender a sublimar esse sentimento em coisas que não sejam destrutivas. Você não tem culpa se ele é estouradinho.

Ele só sabe falar sobre ele mesmo

Ele passa horas falando do quanto o trabalho dele é importante? Ou de como a faculdade que ele faz é a melhor de todo o país? Legal. Mas, ele pergunta de você? Ele se importa e presta atenção de verdade quando está no papel de ouvinte? Perceba se ele realmente se importa com você ou só quer mais uma pessoa para inflar seu ego frágil (o famoso boy lixo).

Ele diz que você é uma pessoa boa demais para ele

Vocês se desentendem, brigam e minutos depois ele volta arrependido, chorando e diz que você não merece um cara como ele? Que você é boa demais para ele? Que você é muita areia pro caminhãozinho dele? Que você merece mais porque você é uma pessoa foda? Esse é ele tentando te amolecer para que você tenha dó e perdoe as burradas que ele faz. Agressão não se perdoa, agressor se mantém longe. E agressão não é só soco no olho não, sabia?

De acordo com a Lei Maria da Penha, que além de proteger mulheres, também protege homens homossexuais conceitua violência como qualquer conduta – ação ou omissão – de discriminação, agressão ou coerção e que lhe cause dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, político ou econômico ou perda patrimonial. Essa violência pode acontecer tanto em espaços públicos como privados.

No artigo 7º, a lei tipifica os cinco tipos de violência. Resumidamente, são eles:

I – violência física
Conduta que ofende a integridade ou saúde corporal;

II – violência psicológica
Conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;

III – violência sexual
Conduta que constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;

IV – violência patrimonial
Conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;

V – violência moral
Conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.

Além de mim e das minhas experiências pessoais, contribuíram para a criação desse manual a maravilhosa Stephanie Ramos, a incrível Mirella Andrade e meu amorzinho Patrik Melero. Além, é claro, de todos que enviaram sugestões e histórias pela direct do meu Instagram.

Cético, eu?
Colunas

Cético, eu?

Cético – adjetivo substantivo masculino
1. partidário do ceticismo;
2. aquele que não confia, que duvida;
3. descrente, questiona crenças estabelecidas.

Quando eu era criança, talvez por influência de Harry Potter, eu queria ser bruxo. Misturava vinagre, óleo, tinta e tudo o que encontrava pela frente, fingindo que eram poções. Sempre gostei do místico e nem sei o porquê. Minha família, por um lado, é bem católica. De outro, nem tanto, mas ainda sim com suas crenças.

Eu amava química. Uma vez, pedi de presente vidrarias de laboratório: tubos de ensaio, erlenmeyers, béquers, pipetas…. Sim, eu sei os nomes até hoje. Cético era uma coisa que eu não era. Cresci vestindo capas pretas e me interessando por tudo aquilo que não podia tocar.

Na adolescência, vivi a modinha dos signos desde o começo. Os zodíaco dos jornais e dos folhetins se tornou um mapa astral e um guia para conhecer as pessoas com as quais a gente se relacionava. Era ascendente, lua, vênus…. Qualquer pessoa que cruzava o meu caminho não era párea para as minhas análises. Será que eu já estava gostando de entender o ser humano nessa época?

Jovem-adulto, conheci o tarô como se fosse um chamado. Um dia, tendo exatos cinquenta reais no bolso, fui até a livraria e vi um deck de tarô a venda, junto com um curso. Comprei. Aprendi sozinho, treinando com pessoas próximas de mim até começar os meus primeiros atendimentos para fora. Ainda comecei a gostar de incensos, de ervas, pedras, guias…. Eu não conhecia nenhuma religião a fundo, mas me atraía e acreditava igualmente em todas elas.

Brincava que era politeísta. Acreditava em tudo o que cruzava o meu caminho. Mais uma vez, longe do ceticismo. As energias da natureza, o karma, as pedras, meus guias, meu baralho e meus astros eram as armaduras que eu tinha para criar minha narrativa de mundo.

Esse ano, comecei a estudar psicanálise. Entendi um pouco o funcionamento do nosso inconsciente e peguei uma linha reta, direta ao ser cético. Os signos de repente não me atraíam mais. As cartas de tarô também não. Por quê?

Eu me questionei dias e noites. Ainda não sei, mas sei que sou 8 ou 80. Não sei se consigo acreditar em algo que é científico ao mesmo tempo que consigo ter minhas crenças, baseadas puramente no que elas são: crenças. Para mim sempre tem que ter algo a mais.

Eu tenho a síndrome de ter algo a mais. A realidade para mim não é suficiente. Eu preciso me apegar a algo além. As crenças precisam de provas. A ciência precisa se desdobrar na minha frente. E eu me pergunto: para quê?

Tenho buscado largar essas amarras e assim que finalizar esse texto, vou calcular um mapa astral. Eu sou do tipo que acredita desacreditando, sabe? É como diz a Betty, daquele trote famoso: comé que pode isso?