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Gabu Camacho

Você tem direito ao abono salarial?
Atualizações

Você tem direito ao abono salarial?

O Abono Salarial do PIS/Pasep é um benefício pago anualmente para alguns trabalhadores pelo Governo Federal e pode chegar até a um salário mínimo. 

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Para ter direito ao Abono Salarial, o trabalhador precisa:

  • Ter trabalhado por pelo menos 30 dias (não precisam ser seguidos) no ano-base da apuração;
  • Ter tirado carteira de trabalho há pelo menos cinco anos;
  • Ter recebido, em média, até 2 salários mínimos por mês;
  • Ter seus dados atualizados pelo empregador na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).

O pagamento dos valores do Abono Salarial varia de acordo com o período trabalhado no ano-base. Quem trabalhou o ano inteiro, recebe um salário mínimo, e quem trabalhou menos, recebe de acordo com a porcentagem. Em 2019, esse valor foi de R$ 84 por mês trabalhado, de acordo com o salário mínimo vigente na época.

Os trabalhadores recebem de acordo com o mês do seu aniversário, de forma escalonada até 29 de dezembro, no caso do PIS (trabalhadores da iniciativa privada), e de acordo com o número final da sua inscrição no caso do Pasep (funcionários públicos). 

Calendário de pagamentos do abono salarial

PIS

Mês de nascimento x Data de pagamento

Janeiro – 08/02/2022

Fevereiro -10/02/2022

Março – 15/02/2022

Abril – 17/02/2022

Maio – 22/02/2022

Junho – 24/02/2022

Julho – 15/03/2022

Agosto – 17/03/2022

Setembro – 22/03/2022

Outubro – 24/03/2022

Novembro – 29/03/2022

Dezembro – 31/03/2022

Pasep

Número de inscrição x Data de pagamento

0 e 1 – 15 de fevereiro

2 e 3 – 17 de fevereiro

4 – 22 de fevereiro

5 – 24 de fevereiro

6 – 15 de março

7 – 17 de março

8 – 22 de março

9 – 24 de março

O saque do dinheiro do PIS pode ser feito por meio da Caixa Econômica Federal, usando o Cartão do Cidadão. Os abonos do Pasep são feitos pelo Banco do Brasil, com um documento de identificação. Se o trabalhador não sacar seu dinheiro até o limite do prazo, os valores não podem ser sacados posteriormente e são devolvidos do Fundo de Amparo ao Trabalhador.

Lembra que é valente como as águas do mar
Autorais, Livros

Lembra que é valente como as águas do mar

Algumas semanas aparecem pra gente lembrar o quão valente a gente é. E com grandes responsabilidades e realizações, vem grandes dores e sofrimentos também. Nada é tão quentinho fora da nossa zona de conforto. Essa foi uma semana daquelas e eu me peguei dando voltas pra responder “por quê?”.

+ Meus quase 20 anos

Será que tudo isso vale a pena mesmo? Será que mereço tudo isso? Será que não posso só deitar na cama, chorar, desistir e esperar que as coisas aconteçam? Assim, pelo menos eu vou ter o controle, nem que seja na sabotagem. Quando eu me saboto, eu não realizo o que eu quero, mas pelo menos escolho meu destino. Quando vivo, levanto da cama e dou às caras, eu não tenho controle do que vai acontecer. E se eu não for tão valente assim?

Leia ouvindo: Valente, Mc Tha
Eu sei que sou. Eu sei que consigo. Mas preciso? Será que quero? Será que é autossabotagem ou será que é só falta de vontade? Ou será que excedi no ponto? Quantas perguntas sem respostas girando nessa mente ansiosa que voz fala. Eu sei que a gente tem que sentir tudo: alegria, tristeza, tudo é importante. Mas pra quê? Vale a pena mesmo?

Esse é o preço de ser humano, eles dizem. Que preço caro a se pagar só porque nos anos 90 duas pessoas resolveram se entender no Carnaval e que ocasionou meu nascimento. Eu pedi pra nascer? Meu Deus, agora tô sendo ingrato? Será que tô sendo ingrato com tudo o que eu conquistei?

Será que vou perder tudo isso se eu questionar? É, eu não sou tão valente assim. Eu não sei se consigo ser tão valente assim, eu não sei se consigo sorrir agora que vejo que tudo deu certo. Não foi fácil. Quem disse que seria fácil?

Tem que ser Valente, Thaís. Vai. 

Tô Ryca! 2
Críticas de Cinema, Filmes, Séries

Crítica de Cinema: Tô Ryca! 2 (2022)

Seis anos depois, a tão esperada continuação de “Tô Ryca!” chegou aos cinemas (pelo menos por mim, que assisto ao filme um milhão de vezes e morro de rir em todas elas, como se estivesse assistindo pela primeira vez). Para quem não conhece, o primeiro filme conta a história de Selminha Oléria Silva, mais conhecida como S.O.S., uma frentista que tem a chance de deixar para trás seus dias de pobreza depois de descobrir que um tio desconhecido, que estava no final da vida, deixou uma fortuna de R$ 300 milhões para ela. No entanto, para chegar ao dinheiro, ela precisa cumprir o desafio de gastar R$ 30 milhões em 30 dias, sem poder comprar nada, acumular nada e nem contar para ninguém.

+ “Tô Ryca!” tem trailer divulgado

O que parece fácil em uma primeira vista, acaba sendo mais difícil do que Selminha imaginou. Podendo doar apenas uma parte dos R$ 30 milhões e com pessoas querendo puxar o seu tapete a todo momento, ela encabeça uma campanha política para a prefeitura do Rio de Janeiro, ajuda muitas pessoas, tira um candidato ruim da disputa e de quebra, ganha o desafio e fatura os R$ 300 milhões. Tudo isso com um humor genuíno e uma pitada de crítica social dignas da Samantha Schmütz para tornar a história ainda mais verossímil.

Em Tô Ryca! 2, alguns anos se passaram e Selminha está morando em uma mansão enorme, com vista para o Cristo Redentor e milhares de funcionários que fazem a casa funcionar bem. Namorando com Rubens, ela não esqueceu suas raízes e ainda vai fazer as unhas no salão da Nilze e até fundou um programa na sua comunidade, o “S.O.S. Dignidade”, que ajuda os comerciantes locais, os autônomos e até os artistas. Selminha ostenta como se não houvesse amanhã, não fazendo questão de trocos ou de trocados, já que, segundo ela, “R$ 900 é dinheiro desde quando?”

Luane, por sua vez, está trabalhando em mais de um emprego para juntar economias para seu casamento com Nico, mesmo após Selminha insistir para que ela largue tudo e viva com ela. Até que, ao mesmo tempo, Luana decide largar tudo e Selminha recebe uma intimação judicial: houve um engano e era outra Selminha Oléria Silva que devia ter ganhado a herança e não ela. Sem conseguir fazer teste de DNA para provar que de fato, ela é sobrinha do tio distante, a multimilionária tem seus bens bloqueados pela justiça e agora precisa viver com um salário mínimo e sob o mesmo teto que a nova Selminha.

Claro que isso não dá certo por muito tempo e Selminha precisa se retirar da casa, voltar para sua comunidade e dormir em um sofá na casa do Nico e de Luane. Esperando o resultado do processo, ela diz “Tô Pobre!” e precisa arrumar um emprego em casa de família para sobreviver.

A trama de “Tô Ryca! 2” conseguiu dar uma boa continuidade ao que “Tô Ryca!” tinha iniciado, mantendo as doses de humor necessárias para manter as pessoas gargalhando em muitos momentos, de forma a não ficar desconectado do roteiro inicial, como acontece com muitas continuações. A trilha sonora é impecável e as cenas sem falas, em câmera lenta, com música de fundo deram um ar de “vídeo de humor do Youtube”, e fez parecer que o tempo nem passou. Quando o filme acabou, ouvi muitas pessoas dizendo “ué, mas já? se passou quanto tempo?”

Não vou dar spoilers da forma com a qual a trama de “Tô Ryca! 2” se encaminha depois disso, mas digo que vale muito a pena assistir, tanto pelo humor, quanto pelo roteiro muito bem construído com críticas sociais seríssimas e acessíveis, ou seja, até mesmo uma pessoa que não é ligada em pautas sociais, vai parar, entender e refletir. Queria muito uma terceira continuação porque gosto muito do universo de Selminha e Luane, mas acho que a franquia teve um final digno e que fechou muito bem a trama.

Museu Egípcio de Curitiba - o melhor passeio!
Lugares

Museu Egípcio de Curitiba – o melhor passeio!

Fui no Museu Egípcio de Curitiba no dia que tinha marcado para voltar para São Paulo. Não estava no nosso roteiro principal, que vou deixar como sugestão de leitura abaixo, mas acabou que sobrou um tempinho antes do embarque e resolvemos ir. E olha… Eu teria ficado muito arrependido de não ter ido. Com sorte, conseguimos ir com tempo e com calma, porque tem muita coisa para ver e tudo é maravilhoso. Sou suspeito para falar porque amo a cultura egípcia, mas, mesmo quem não liga muito, tenho certeza que vai se impressionar.

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O Museu Egípcio de Curitiba se formou a partir da doação de réplicas de objetos egípcios antigos confeccionados pelo artista plástico Eduardo D’Àvila Vilela. Foi inaugurado em 1990 e desde então oferece ao público exposições sobre a história, a arte e a cultura do Egito Antigo. Às primeiras peças recebidas se uniram diversas outras, até que em 1995, o Museu Egípcio recebeu a doação de uma múmia egípcia de cerca de 2700 anos, chamada Tothmea.

Ao chegar no museu, precisamos escolher se queremos visitar apenas o museu ou todo o combo (exposições, áreas externas e afins). Escolhemos visitar tudo e começamos pelo Museu Egípcio e Rosacruz.

Museu Egípcio e Rosacruz + Complexo Luxor

  • Inteira: R$ 10;
  • Meia: R$ 5 (estudantes, crianças de até 12 anos, idosos, professores com documento comprobatório, doadores de sangue e pessoas com necessidades especiais).

Essa foi a primeira parte que fui. Estava tendo uma exposição de longa duração chamada “Akhet: O Horizonte dos Deuses”, com um acervo de peças que contam a história dos faraós, da religião egípcia e do cotidiano da civilização. O acervo é formado por réplicas idênticas às originais, as quais estão expostas em diversos museus do mundo. Esses objetos foram elaborados pelos artistas plásticos Eduardo D’Ávila Vilela, Moacir Elias Santos, Luiz César Vieira Branco, Tathy Zimmermann, Christopher Zoellner e Aylton Tomás.

O Museu Egípcio possui cerca de 700 peças relacionadas ao Antigo Egito. Entre elas, temos duas múmias verdadeiras, que não podem ser fotografadas: a Tothmea, que foi provavelmente uma cantora ou musicista de um templo egípcio dedicado à deusa Ísis e também uma múmia de uma criança apelidada de Wanra.

Ao sair dessa parte interna, fomos para o Complexo Luxor, na área externa do museu. Como estava bastante sol, dava a sensação de estar no Egito de verdade (nunca fui ao Egito, para constar). O Complexo é formado por três áreas: Alameda das Esfinges, Obelisco de Tutmés III e Atrium Romano, onde se encontra a estátua de Augusto César.

A Alameda das Esfinges do Museu Egípcio representa simbolicamente a avenida das esfinges que ligava o templo de Karnak ao templo de Luxor por cerca de 2,5 km. Nós podemos percorrer o caminho, assim como faziam os sacerdotes quando havia procissão em épocas faraônicas. As esfinges eram símbolos de proteção, e por isso geralmente flanqueavam os templos. Inspiradas na esfinge do faraó Tutmés III, encontrada no templo de Karnak, as esfinges do Bosque Rosacruz homenageiam este soberano egípcio, que também está diretamente relacionado à Tradição Rosacruz, já que organizou a primeira Fraternidade de Iniciados no Egito.

O Obelisco da Ordem Rosacruz, ao final da Alameda das Esfinges é uma réplica da peça egípcia datada de 2433 a.C., originalmente erguida em Heliópolis, no Egito. Para os antigos egípcios, era símbolo do deus-sol Ra. Geralmente era disposto nos templos, sempre aos pares, na frente de um pilone (fachada do templo), e servia magicamente para protegê-lo.

Museu O Rei Menino de Ouro: Tutankhamon em Curitiba

  • Inteira: R$ 24;
  • Meia: R$ 12 (estudantes, crianças de até 12 anos, idosos, professores com documento comprobatório, doadores de sangue e pessoas com necessidades especiais).

O faraó Tutankhamon foi uma das figuras mais conhecidas do Egito, graças aos tesouros encontrados em sua tumba, no ano de 1922, pelo egiptólogo britânico Howard Carter, cujas réplicas estão expostas nessa exposição. As réplicas dessa área do museu foram produzidas em parceria com a Universidade do Cairo, o Conselho do Ministério de Antiguidades da República Árabe do Egito e pelos artistas brasileiros Prof. Dr. Moacir Elias Santos e Eduardo d’Ávila Vilela.

Esse museu, destinado ao Rei Tua (aqueles íntimos) foi a minha parte preferida de toda a visitação. Eu já conhecia a história do rei menino, então talvez seja por isso que tenha sido tão impactante para mim. Ela é dividida em algumas partes. Logo ao entrar, no térreo, vemos como foi o procedimento de descoberta da tumba Tutankhamon, com fotos enormes e reais do processo de escavação. É muito doido! Para quem nunca viu, parece que estamos vendo ao vivo. As fotos enormes com os vídeos e textos dão um ar de proximidade e realismo.

Em seguida, ainda no térreo, passamos a conhecer como foi a vida do rei com objetos de sua infância como cetros, piões, jogos, tronos, etc. As réplicas são feitas com muito realismo, a riqueza de detalhes é de tirar o fôlego. No segundo andar, temos a parte dedicada à religião e à vida após a morte, com toda a mitologia egípcia. É uma área mais séria, mais sóbria, mas com peças igualmente impressionantes. Vemos imagens de deuses feitas inteiramente em ouro, artefatos que eram enterrados junto com o faraó para garantir uma boa passagem com os deuses “do outro lado” e coisas do gênero.

Por fim, temos a parte de morte e sepultamento, onde vemos os objetos da procissão funerária de Tutankhamon, que morreu aos 19 anos, segundo estudos. Aqui vemos os três ataúdes, o seu sarcófago, como ele foi encontrado e como os estudiosos fizeram até chegar à sua múmia. Impressionante, impressionante, impressionante!

Bom, se eu não consegui te convencer a visitar o Museu Egípcio de Curitiba é porque você não se interessa por história mesmo. Brincadeiras à parte, é um passeio que vale muito a pena. Perdi umas três horas dentro do museu e nem vi, teria ficado mais umas cinco tranquilamente. Ainda tem uma lojinha, onde comprei um marca páginas feito em Papiro e que veio do Egito de verdade. Também tem alguns livros e outros materiais para quem quiser saber mais. O pessoal do Museu Egípcio é muito simpático e eu com certeza quero voltar.

Museu Egípcio de Curitiba – Ordem RosaCruz AMORC

Terça a sexta-feira, das 10h às 16h30, com permanência nas exposições até 17h30;
Finais de semana e feriados, das 10h às 16h, com permanência nas exposições até 17h.
Rua Nicarágua, 2453 – Bacacheri, Curitiba – PR

Visite o site clicando aqui e compre seus ingressos clicando aqui.

Resenha: Além do princípio de prazer, Sigmund Freud
Livros, Resenhas

Resenha: Além do princípio de prazer, Sigmund Freud

Além do princípio de prazer é um livro de Sigmund Freud, criador da psicanálise, que trata de um assunto que me interessa bastante, enquanto psicanalista e enquanto analisado. A compulsão pela repetição. Calma, vou explicar mais adiante nesse texto e você vai ver como ela faz bastante sentido.

De leitura curta, mas não rápida ou tampouco fácil, em Além do princípio de prazer, Freud investiga os nossos padrões inconscientes e nos mostra que tendemos a repetir comportamentos, mesmo sem perceber. Sabe aquela pessoa que só cai de relacionamento abusivo em relacionamento abusivo e dizem que tem dedo podre? Então, eis um exemplo da compulsão pela repetição. A gente repete tudo aquilo que ainda não foi elaborado conscientemente. Mas, o que a gente repete?

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A gente repete tudo. A forma como aprendemos a nos relacionar na infância. A forma como nossos pais nos criaram. A forma como reagimos aos nossos sintomas. Tudo na nossa vida é uma repetição inconsciente. Sabe aquela pessoa que você odeia? Provavelmente, ela te faz lembrar (conscientemente ou não) alguém que te fez mal, você não gosta e que te causa os mesmos sentimentos. A nossa repetição normalmente tem raízes na infância e chegam até a vida adulta. E nós continuamos a repetir, repetir, repetir…

Para Freud, precisamos traduzir em palavras tudo aquilo que encenamos e repetimos no ato, por meio do processo psicanalítico. Precisamos rastrear e compreender nossas repetições, para que elas sejam acessíveis à consciência e assim, possamos falar várias vezes, até elaborar e racionalizar o que falamos, para poder então, perlaborar, isto é, substituir um sintoma pela palavra. Claro que, nada é tão fácil quanto parece.

Um comportamento repetido por várias vezes durante uma vida é um sintoma forte. E o sintoma não vai embora, ele não desaparece. Por isso, ao tornar acessível à consciência a nossa repetição, passamos a ter ciência de que ela acontece, quando ela acontece. E nesse ponto, passamos a ter escolha: vamos repetir ou vamos tentar mudar a rota? Sim, precisamos parar, respirar e agir. Nunca de imediato. A repetição faz parte de nós como seres humanos e possivelmente sempre continuará fazendo, mesmo que ela esteja além do princípio de prazer que internalizamos.

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Resenha: Talvez você deva conversar com alguém, Lori Gottlieb, o livro preferido de todos os tempos
Livros, Resenhas

Resenha: Talvez você deva conversar com alguém, Lori Gottlieb

Vou iniciar essa resenha dizendo que ela vai ser complicada de escrever. Talvez você deva conversar com alguém é um livro complexo, emocional e feito para ser sentido e por isso, nesse texto, quero me atentar mais a descrever o que ele me fez sentir, as feridas que ele abriu e menos a história, porque na verdade, ela não é tão relevante assim para o bom andamento. O que conta é a história que ele cria com a gente.

+ As melhores frases de “Talvez você deva conversar com alguém”

Talvez você deva conversar com alguém é um livro que fala de Lori, a escritora. Ela é terapeuta. Logo de início, começamos a conhecer alguns de seus pacientes pela ótica dela e o que ela sente enquanto está os atendendo. Para quem faz terapia, é como ver o outro lado da moeda. Vemos Lori tentando compreender o que o paciente está falando, tentando ter empatia, tentando separar e afastar aquilo que é seu e o que não é… Um grande trabalho, que requer muita concentração. Ao mesmo tempo, Lori também é paciente de outro terapeuta, o Wendell. E nesse ponto, conhecemos as questões que ela tem e que ela trabalha em sua análise.

O livro permeia por mais de quatrocentas páginas dessa forma. Lori vendo seus pacientes semanalmente, com suas idas e vindas, e indo para Wendell, tratar suas próprias questões. Para quem é adepto da análise, Talvez você deva conversar com alguém é um prato cheio. Enquanto Lori ouve seus pacientes, nós nos encontramos nele e nas intervenções que ela dá. Eles parecem um pouco nossos pacientes também (ou talvez só me pareça isso porque sou psicanalista), ao mesmo tempo em que nos sentimos um pouco eles, um pouco elas. Será que é por isso que o subtítulo consta “uma terapeuta, a terapeuta dela e a vida de todos nós”? Provavelmente sim. É um livro que mais parece um espelho.

+ As 100 primeiras páginas de Talvez você deva conversar com alguém

Dividido em quatro partes, vamos avançando. Vemos pacientes melhorarem, evoluírem, regredirem, viverem, morrerem, desistirem da terapia, começarem um processo analítico… Ao mesmo tempo em que vemos Lori como o ser humano além da analista. Vemos ela colocando de lado seus próprios sentimentos para ajudar a desatar os nós dos seus pacientes, enquanto vemos ela desatando seus nós com seu terapeuta depois. É um livro que, entre frase e outra, nos traz uma avalanche de autorreflexão e autoconhecimento. Essa é a terceira postagem que faço dele aqui no Beco, já fiz outras duas só de frases. Eu tenho certeza que grifei quase o livro todo e ainda levei algumas passagens para a minha terapia.

Em Talvez você deva conversar com alguém, sentimos a necessidade de conversar e de nos salientar como seres humanos enquanto seres relacionais. Nós sentimos vontade de conversar com alguém. De falar, de escutar e de ouvir e ser ouvido. É um livro que vai ressoar de formas diferentes em cada pessoa, tratando de assuntos como compulsão à repetição, traumas, morte, vida, luto, luto em vida, mudanças… Como Wendell diz em uma passagem, a tendência da vida é de mudar e a nossa é de resistir a mudança. Eu daria todo o céu de estrelas para esse livro porque cinco não são suficientes.

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Roteiro: Curitiba no feriado prolongado
Lugares

Roteiro: Curitiba no feriado prolongado

No meu último aniversário, meu namorado (Patrik) me levou para minha primeira viagem de avião para Curitiba. Resolvemos algumas pendências de trabalho por lá e conseguimos aproveitar um feriado prolongado para conhecer a cidade, seus principais pontos turísticos e comer muuuuuito bem.

Com uma vida noturna agitada, ainda mais nas ruas (mesmo durante a pandemia), a fria Curitiba é a capital do estado do Paraná e tem um dos melhores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil. Conhecida como centro cultural, ela abriga vários espaços para apresentações e é chamada de “Cidade Sorriso”, apelido dado em 1929 pelo jornalista sergipano Hermes Fontes, apelido muito usado na década de 80.

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Visitei Curitiba no meio de novembro, mais precisamente no feriado de Proclamação da República, no dia 15. Achei que estaria um pouco mais quente (até então, só tinha ouvido falar que era muito frio) mas, pelo menos nos dias que fui, até abriu um sol e estava um pouco mais abafado, mas era só dar 16h ou 17h que aparecia um vento cortante e muito gelado de todos os lados. Tive que correr até os brechós (maravilhosos, por sinal) para comprar blusas novas, porque as que levei não deram conta do recado.

Hospedagem

Ficamos hospedados no Hotel Johnscher by San Juan Hotéis, no Centro Histórico da cidade. O edifício construído no início do século XX é lindo e foi completamente renovado para virar o hotel. Ficamos na Suíte Charm, que tinha uma cama enorme e maravilhosa (uma das melhores que já dormi), banheira e de quebra, fui recebido por um bolo de chocolate de surpresa porque era meu aniversário. A suíte também tem uma janela enorme que dá para tirar fotos lindas.

Todos os dias a noite pedimos a carta de vinhos, que tem um valor acessível e em um dos dias, solicitamos também uma tábua de frios para acompanhar. Estava maravilhoso e o café da manhã então, nem se fala! Minha única ressalva é que deveriam organizar melhor os horários do café, já que em um dos dias ficamos sem lugar para sentar.

Onde comer bem em Curitiba

Nós comemos MUITO em Curitiba. Achei o valor da comida de lá bem mais barato que aqui, no estado de São Paulo. Nós não ligamos muito para luxo, então até McDonald’s comemos em um dos dias e gostamos de experimentar os PFs da cidade pelo iFood. Recomendo!

Mercado Municipal de Curitiba & Al Almasor Restaurante

Não tem muitas opções baratas, mas felizmente, encontramos esse restaurante árabe (Al Almasor) no andar de cima que servia um prato feito maravilhoso de filé de frango à parmegiana. Um prato deu para nós dois comermos (e olha que a gente come muito). Gostei porque, além das opções árabes, eles também servem opções brasileiras. O Mercado Municipal também tem lojas ótimas para comprar comidinhas importadas com um valor bem em conta. Comprei um chocolate Toblerone por R$ 8 no box 270, da Adega Brasil.

Confeitaria das Famílias

Foi o primeiro e o último lugar que comemos em Curitiba. Quando chegamos, nosso quarto ainda não estava pronto e por isso, fomos andar nos arredores do hotel. Entramos na Confeitaria das Famílias por acaso e foi lá que comemos um salgado maravilhoso e doces melhores ainda e pagamos MUITO barato. Sério, vale a pena demais. Experimenta tudo o que seu estômago permitir.

Lanchonete Dois Corações

Nos disseram que era a melhor coxinha de Curitiba e eles estavam certíssimos. Não é a toa que tem uma fila imensa, né? Mas não demora e, mesmo se demorasse, valeria muito a pena. A coxinha de frango com catupiry é para comer rezando e agradecendo de tão boa.

Hard Rock Café

Minha pior experiência em Curitiba. Não sei que tipo de expectativas eu estava cultivando para o Hard Rock, mas, logo que chegamos, o local estava muito cheio e sem controle nenhum de segurança para a pandemia. Nos colocaram na fila de espera para sentar, mas a espera estava passando de duas horas e meia e, caso o prazo fosse cumprido, teríamos apenas vinte minutos para sentar, fazer o pedido e comer. Estava impossível de ficar em pé ou de pedir qualquer coisa. Fomos embora.

Ópera Arte – Bar da Ópera de Arame

Gente, que lugar gostoso. A única ressalva aqui é que chegamos faltando meia hora para fechar, então só conseguimos beber um drink e comer uma porção de pastel que estava divina. Queríamos ter chegado antes para sentar no deck e curtir a música ao vivo por mais tempo, então, se você tiver a oportunidade, fique no deck e aproveite!

Vila Strogonoff

Quando não conseguimos comer no Hard Rock, fomos embora e pedimos um delivery de strogonoff com arroz pelo iFood desse lugar. Pensa num strogonoff de frango bom! O preço estava super em conta, conseguimos comer incrivelmente bem (duas pessoas que comem muito) e ainda ficamos felizes porque harmonizou bem com o vinho que pedimos no hotel.

Onde não deixar de ir em Curitiba

Meu roteiro foi baseado em história e cultura, que é tudo o que a gente mais gosta de ver quando visitamos uma cidade. Então, o ônibus turístico (falei mais abaixo) vale mais a pena que ficar pedindo Uber para todos os lados.

Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais

Uma construção super imponente no centro de Curitiba, que conta com algumas estátuas de cera por dentro e é aberta para visitação. Vale a pena ver de perto toda a magnitude arquitetônica.

Memorial de Curitiba

Encontramos por acaso, estava aberto e o segurança nos convidou para conhecer. É um local enorme, aberto, com luz natural e que tem exposições variadas no decorrer do ano. Quando fomos, tinha a “Curitiba: Tempo e Memória”, que contava toda a história da cidade.

Solar do Barão e Gibiteca de Curitiba

Um local simpático para quem gosta de imaginar como era a vida antigamente. Conta com exposição de fotos, quadrinhos e obras de arte, que fazem o passeio valer a pena. Mas, o que mais me impressionou foi o tamanho dos cômodos do solar.

Parque Passeio Público

Arrisco dizer que foi um dos meus passeios preferidos. O parque é um dos mais lindos que já vi, muito bem cuidado, com flores e plantinhas lindas em todos os lugares. Também tem animais resgatados e com ameaça de extinção para conhecermos. Acabei fazendo amizade com uma Arara Azul super simpática.

Jardim Botânico de Curitiba

Para quem é apaixonado por plantas igual a mim, é impossível ir no Jardim Botânico e não querer encher a bolsa de mudas. No dia que fomos, eu estava um pouco resfriado por conta do frio, estava muito cheio e chuviscando, então não conseguimos ver com calma tudo o que queríamos, mas com certeza é um passeio que precisa estar no roteiro.

Bosque do Papa

É um local caminho, arborizado e com muitas flores bonitinhas. Não tem muito o que fazer, mas vale a pena para tomar um ar, fazer uma trilha pequena e tirar umas fotos.

Memorial Ucraniano

Esse é de tirar o fôlego! Tem uma arquitetura incrível e muita história sobre a Ucrânia. Para quem não conhecia, assim como eu, é uma super aula. Quando estávamos lá, tinha uma família ucraniana bastante emocionada.

Museu Oscar Niemeyer

Lindo, lindo e mais lindo ainda. A arquitetura é incrível, daquelas que a gente olha pessoalmente e nem parece que é real. Quando fomos, estava com a exposição dos Gêmeos no olho, que também é linda de se ver. Se você busca um local que mistura arte com cenários para fotos incríveis, esse museu é imprescindível.

Ópera de Arame

É impressionante como conseguiram construir um teatro lindo, inteiro de arame, no meio do mato. Sério, esse foi o meu pensamento em todo o tempo em que estive lá dentro. Deve ser espetacular ver qualquer coisa apresentada lá mas, no dia que fomos, tiramos algumas fotos, subimos no palco e comemos no Ópera Arte. Já valeu muito! Ah, chegue cedo, porque fecha cedo!

Universidade Livre do Meio Ambiente

Ok, vou dizer mais uma vez que fiquei de queixo caído com esse lugar. A gente não dá nada quando chega, parece só uma trilha traiçoeira e que não acaba nunca. Mas, depois que passa por ela, você chega na universidade em si. Um prédio lindo, feito de madeira, que você vai subindo, subindo, subindo… Tudo isso em meio a umas pedras com um lago no meio cheio de patinhos. Sério, não sei descrever a beleza desse lugar.

Museu Egípcio Rosa Cruz

Eu sou alucinado por qualquer coisa da cultura egípcia e esse museu, MEU DEUS, é espetacular de bom. Quando fui, tinham três exposições: a primeira, acredito que era fixa, e mostrava artefatos e história geral do Egito. A segunda, a melhor, na minha opinião, era uma exposição com artefatos reais do Rei Tut. Sério, eu vi o sarcófago REAL dele e pude até tocar. É emocionante. A terceira, é uma exposição ao céu aberto com esfinges e hieróglifos. Parece que a gente está no Egito mesmo. Esse museu é tão lindo que pretendo fazer um post apenas falando dele depois.

Extra: Passeio no ônibus turístico

No primeiro dia, compramos a passagem do ônibus turístico de dois andares para visitar todos os pontos. Acabou que eu fiquei doente e não usamos quase nada. A mudança brusca de temperatura atacou minha sinusite e fiquei um dia de cama. Se você não ficar doente como eu, vale a pena comprar a passagem e visitar todos os pontos e muitos outros com ele.

Meu roteiro de brechós

Para todo alucinado por brechó, Curitiba é um paraíso. Sério, eu fiquei chocado com a quantidade e a qualidade das roupas dos brechós de lá, sem falar dos preços.

Brechó São Francisco, Brechó Pur Luxe e adjacentes

Ficam numa parte que tem muitos outros brechós do lado e nas ruas próximas. Esses são para garimpar, entre com paciência e vá fundo, talvez você encontre alguma coisa boa. Normalmente não aceitam cartão e cobram taxa para aceitar PIX, então, leve dinheiro.

Balaio de Gato

Achei que era um brechó, mas era uma loja colaborativa feita por mulheres e com artefatos incríveis. Também tinha a parte do brechó, mas a loja em si era bem mais interessante. Compramos um copo dobrável de silicone e um cachepô de crochê para colocar plantinhas.

Brechó Libelula

Esse foi a minha ruína. Um brechó de dois andares, todo organizadinhos e com roupas em perfeito estado. Fiz a festa. Comprei um suéter da Zara em estado de novo por R$ 70, uma outra bermuda, também da Zara por R$ 25 e outras peças incríveis. Deu para renovar bem o guarda-roupas. Ele é um pouco mais gourmet, mais organizado e por isso, os preços são mais elevados, mas vale muito a pena.

Brechó Dig for Fashion

Na mesma pegada do Brechó Libélula, parece uma grande loja, todo organizado e até com música ambiente. Não tem tanta roupa para homem como tem para mulher, mas mesmo assim, fiz a festa com peças novíssimas e bastante baratas, levando em conta que foram lavadas, organizadas e não precisamos de tanto trabalho de garimpo.

Afirmações para fazer no mês de Fevereiro
Lançamentos

Afirmações para fazer no mês de Fevereiro

Eu não acreditava em afirmações, até que comecei a fazer depois de ter lido “O Segredo” e de ter iniciado a minha recuperação artística para a criatividade, no livro “O Caminho do Artista”, da Julia Cameron. Foi então que as afirmações se tornaram poderosas na minha vida! Sempre que me sinto pra baixo, abro um caderno e começo a escrever, à mão, tudo o que eu quero manifestar na minha vida, sempre em tom positivo e sempre coisas boas. Os sonhos mais loucos, não importam quais sejam, e isso tende a me acalmar, a me deixar melhor.

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Ainda mais que, segundo os místicos, o mês de Fevereiro é um mês de caminhos abertos, portais energéticos e coisas boas para atrair prosperidade para a nossa vida. Eu sou do pensamento de que, se não faz mal, por que não tentar? Por isso, para te ajudar a começar nesse mundo das afirmações, vou compartilhar com vocês as que eu escrevi esse mês e quem sabe você não se inspira para as suas também?

Afirmações para o universo em Fevereiro

Bem-vindo, mês de fevereiro. Estou pronto para receber muitas bênçãos.

O universo sempre está ao meu lado, me fornecendo tudo o que eu desejo para criar a vida que eu preciso.

Estou pronto para aquilo que é novo na minha vida.

Eu atraio a abundância e a prosperidade.

Eu tenho alcançado estabilidade financeira na minha vida.

Eu estou cheio de gratidão e alegria, e eu amo o fato de que cada vez mais dinheiro flui para mim diariamente.

Eu mereço ser próspero e ter dinheiro abundante em minha conta bancária.

Vou conseguir ganhar dinheiro de verdade em meu trabalho e terei muito sucesso.

Eu atraio o pagamento do meu salário antes do dia neste mês.

Eu atraio abundância e prosperidade para o Beco Literário neste mês.

Eu estou cheio de calma e tranquilidade, sem angústias e ansiedade.

Meu coração está limpo para tudo que é novo, bom, belo e rico na minha vida. Estou pronto para isso.

Eu amo dinheiro e o dinheiro me ama. Sou um imã de dinheiro e o dinheiro concorda comigo.

Resenha: Além do princípio de prazer, Sigmund Freud
Frases, Livros

As melhores passagens de “Além do princípio de prazer”

De leitura curta, mas não rápida ou tampouco fácil, em Além do princípio de prazer, Freud investiga os nossos padrões inconscientes e nos mostra que tendemos a repetir comportamentos, mesmo sem perceber. Sabe aquela pessoa que só cai de relacionamento abusivo em relacionamento abusivo e dizem que tem dedo podre? Então, eis um exemplo da compulsão pela repetição. A gente repete tudo aquilo que ainda não foi elaborado conscientemente. Mas, o que a gente repete?

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As melhores passagens de “Além do princípio de prazer”

“Por isso a clínica psicanalítica propõe-se como uma fala do sujeito endereçada à escuta de um outro (o psicanalista).”

“Surge o conceito de pulsão de morte: uma energia que ataca o psiquismo e pode paralisar o trabalho do eu, mobilizando-o em direção ao desejo de não mais desejar, que resultaria na morte psíquica. É provavelmente a primeira vez em que se postula no psiquismo uma tendência e uma força capazes de provocar a paralisia, a dor e a destruição.”

“(…) Freud propõe uma instância psíquica denominada supereu. Essa instância, ao mesmo tempo em que possibilita uma aliança psíquica com a cultura, a civilização, os pactos sociais, as leis e as regras, é também responsável pela culpa, pelas frustrações e pelas exigências que o sujeito impõe a si mesmo, muitas delas inalcançáveis.”

“(…) acreditamos que esse fluxo seja sempre estimulado por uma tensão desprazerosa e então tome uma direção tal que seu resultado final coincida com uma diminuição dessa tensão, ou seja, com uma evitação de desprazer ou uma geração de prazer.”

“(…) o aparelho psíquico se empenha em manter a quantidade de excitação nele presente num nível o mais baixo possível, ou pelo menos constante.”

“(…) o trabalho do aparelho psíquico se orienta no sentido de manter baixa a quantidade de excitação, tudo o que é capaz de aumentá-la deve ser percebido como contrafuncional, isto é, como desprazeroso.”

“Vê-se que as crianças repetem na brincadeira tudo aquilo que lhes causou grande impressão na vida; que, ao fazê-lo, ab-reagem a intensidade da impressão e, por assim dizer, se tornam donas da situação.”

“Ele é antes obrigado a repetir o recalcado como uma vivência presente, em vez de, como o médico preferiria, recordá-lo como uma parte do passado.”

“Lembrar, repetir, elaborar.”

“É provável que essa compulsão não tenha podido se manifestar até que o solícito trabalho do tratamento tenha afrouxado o recalcamento.”

“Não há dúvida de que a resistência do eu consciente e pré-consciente se encontra a serviço do princípio de prazer; afinal, ela quer poupar o desprazer que seria causado pela liberação do recalcado, e nosso esforço se dirige no sentido de obter tolerância para esse desprazer, apelando ao princípio de realidade.”

A gente enfrenta nossos gatilhos pelo amor
Autorais, Livros

A gente enfrenta nossos gatilhos pelo amor

Saí da minha analista hoje parecendo que eu posso enfrentar o mundo. Eu até diria que ela me deu uma surra, mas não quero relacionar coisas boas com agressão. Diria então que ela chegou e despejou um caminhão de luz solar sobre mim. “Você tem muitos gatilhos, eu sei. Todos temos. Muitos sintomas. E a gente continua enfrentando todos esses gatilhos e todos esses sintomas na gente porque a gente ama. Pelo amor”, ela disse. Claro que eu rebati. Eu não o amo.

Sim, eu amo. E o amor nos força a olhar para um espelho. Ele nos força a chegar e ver no outro tudo aquilo que temos dentro da gente. Por isso incomoda tanto. Porque a gente não quer que o outro seja assim mas, ao acusar, nós relevamos aquilo que temos de mais importante em nós mesmos. Sim, a gente enfrenta os nossos gatilhos por amor. A gente enfrenta tudo aquilo que incomoda, que tira o sono e nos faz chorar em nome desse sentimento. Amor.

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Calma, não estou falando de aguentar tudo em nome do amor. Isso é discurso de abuso. Estou falando de detectar os nossos gatilhos inconscientes, aqueles que nos causam sintomas horríveis e não sabemos o porquê… Nós detectamos sua presença, sabemos que ele está ali, sabemos que ele nunca mais vai embora. E a partir disso, conscientemente, temos que dar um passo pra trás e lidar com ele. Sim, isso é igual não se desesperar com uma criança porque nós somos os adultos da situação. O gatilho é infantil. É você. É sua criança interior.

Quando sua criança interior grita, você pode se sentir impelido a gritar de volta. No calor do momento, sim, você pode até gritar. Mas, se você parar, der dois passos para trás e respirar, você não vai gritar. Você vai se organizar. Você vai escolher. Esses dois minutos entre o estímulo e a resposta é o nosso poder de escolha. Vamos escolher deixar nossa criança agir, com todos seus traumas e gatilhos (dos quais o outro não tem culpa) ou vamos acolher o que a criança sente, editar e mudar a nossa narrativa?

Em terapia, editamos histórias. Pegamos tudo aquilo que aconteceu com a gente e mudamos a forma com a qual reagimos a isso no presente. Temos a tendência a continuar encenando todo o nosso passado, de forma inconsciente, no nosso presente. Quando aprendemos a editar, percebemos o quão excitante é poder ter o poder de escolha. É poder mudar o caminho, é poder dizer “quero fazer diferente agora”, quero ter a chance de escolher como vou reagir.

No fim das contas, quanto mais acolhemos nossa vulnerabilidade e todos os nossos sentimentos, menos medo nós sentimos. Mas mesmo assim, o medo é importante. Ele dispara o gatilho, e quando você sabe lidar com o disparo, você se acolhe, põe as cartas na mesa, sai de cena e escolhe como agir.

Você escolhe agir diferente por aqueles que ama. Aquilo que vemos no outro e nos dá ódio, é aquilo que temos de mais profundo dentro da gente mesmo e não queremos admitir. Por isso, enfrentamos os sintomas dia após dia…