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Autoria: Ei, Vitória

Ei Vitória, me conta o que tá havendo na tua vida?
Cochicha bem pertinho da minha orelha os teus segredo, os teus medos.
Não tenho pressa, ela se dissipou a muito tempo, quando você não passava de um sentimento.
Aquele sabe, que te arranha de levinho e você só sente que ele está ali quando a água bate.
Me conta vai, conta o por quê dessas lagrimas desenfreadas.
Se isso lhe ajuda, eu te fiz de ninho.
Te aninhei entre as artérias do meu coração. Fiz dele a tua falsa morada.
Você não sabia né?
Já faz um tempo. Um longo tempo que ele está preparado pra você, esperando sua chegada.
Na entrada eu coloquei um seja bem-vindo, por via das dúvidas, para quando você chegasse e eu não estivesse em casa.
Às vezes saio, as vezes me perco.
É isso que está acontecendo com você? Está se perdendo?
Não se desespere. Um caminho leva ao outro.
Vem cá, entre, vamos conversar.
O tapete de entrada está desgastado, eu sei. Algumas coisas estão empoeiradas, outras emboloradas.
Mas não ligue, ninguém mais entrou aqui.
Esses são só sinais da minha espera.
Vem comigo, se quiser posso preparar um café. Um para você e dois pra mim.
Vem Vitória, me conta o que tá havendo na tua vida.
Atualizações, Filmes

Finalmente liberado o trailer final de “A Série Divergente: Convergente”!

Foi liberado há poucos minutos o trailer final da primeira parte do desfecho da série Divergente nos cinemas, Convergente. A franquia, adaptada da série de livros de Veronica Roth, tem seu penúltimo filme lançado no mês de Março nos cinemas do mundo todo. Confira:

A Série Divergente: Convergente – Trailer Final

SAIU! Confira agora o trailer final de A Série Divergente: Convergente, LEGENDADO!

Posted by Divergente Brasil on Sunday, February 14, 2016

Ainda não sabemos que rumos a série irá tomar nas telonas, tendo em vista as crescentes mudanças desde o filme anterior, Insurgente, e com o anúncio de um filme posterior, Ascendente. Tudo o que nos resta é esperar e torcer para que Tris e Quatro saiam ilesos de toda essa batalha épica.

Atualizações

Beco Awards 2016 – Conheça as Categorias

O dia 29 de fevereiro se aproxima para darmos início à primeira Beco Awards 2016, que consiste em: Uma votação pública para escolhermos as melhores séries, melhores filmes, atores, atrizes, cantores e cantoras de 2015. Em contagem regressiva lançamos a lista de categorias em suas devidas seções (Literatura, Cinema, Música e Séries) abaixo:

 

  • LITERATURA
  • Melhor Livro NACIONAL (6 Indicados)
  • Melhor Autor ou Autora NACIONAL (6 Indicados)
  • Melhor personagem em Literatura NACIONAL (6 Indicados)
  • Melhor Livro ESTRANGEIRO (6 Indicados)
  • Melhor Autor ou Autora ESTRANGEIRA (6 Indicados)
  • Melhor Personagem em literatura ESTRANGEIRA (6 Indicados)

 

  • CINEMA
  • Melhor filme NACIONAL (6 Indicados)
  • Melhor atuação em filme NACIONAL (6 Indicados)
  • Melhor Trilha-sonora de filme NACIONAL (6 Indicados)
  • Melhor filme ESTRANGEIRO (6 Indicados)
  • Melhor atuação em filme ESTRANGEIRO (6 Indicados)
  • Melhor trilha-sonora de filme ESTRANGEIRO (6 Indicados)

 

  • MÚSICA
  • Melhor álbum NACIONAL (6 Indicados)
  • Melhor cantor ou cantora NACIONAL* (6 Indicados)
  • Melhor show NACIONAL (6 Indicados)
  • Melhor álbum ESTRANGEIRO(6 Indicados)
  • Melhor cantor ou cantora ESTRANGEIRO(A) (6 Indicados)
  • Melhor video-clipe ESTRANGEIRO (6 Indicados)

* Nesta categoria estão inclusos e inclusas cantores, cantoras e interpretes. 

  • SÉRIES
  • Melhor Série ESTRANGEIRA (8 Indicadas)
  • Melhor atuação Feminina em série ESTRANGEIRA (8 Indicadas)
  • Melhor atuação Masculina em série ESTRANGEIRA (8 Indicados)
  • Melhor minissérie ESTRANGEIRA (8 Indicadas)
  • Melhor roteirista em série ESTRANGEIRA (8 Indicados)
  • Melhor fotografia de série ESTRANGEIRA (8 Indicadas)

Eis todas as categorias da Beco Awards 2016. Ao todo são 156 indicados que serão divulgados ainda esta semana, nesta ordem:

Quarta-feira (17/02)– Anúncio dos indicados em LITERATURA

Quinta-feira (18/02) – Anúncio dos indicados  em CINEMA

Sexta-feira (19/02) – Anúncio dos indicados em MÚSICA

Domingo (21/02) – Anúncio dos indicados em SÉRIES

Em breve mais detalhes sobre a Beco Awards e você que está ansioso pela votação assim como nós, comece a cogitar os indicados e torça por seus favoritos.

Atualizações, Música

“O Dia em que Beyoncé virou negra”

Parece que a música “Formation” de Beyoncé e sua performance no Super Bowl geraram muita polêmica. Abraçando seu lado político, Beyoncé se engajou na campanha americana “Black Lives Matter”, seu clipe fez uma crítica merecida ao preconceito racial nos Estados Unidos e a forma como a polícia é violenta e injusta com os negros (Onde eu já vi isso acontecendo? Ah é, no Brasil!)

Como uma forma de sátira ao comportamento de certas pessoas brancas e conservadoras (e racistas), que se sentiram desconfortáveis com esse novo lado de Beyoncé, o programa Saturday Live Night fez uma sátira com a situação, destacando a reação dos brancos vendo o clipe de Beyoncé e entrando em pânico por perceber que ela é negra.

https://www.youtube.com/watch?v=EScm4OMwV9k

Atualizações, Críticas de Cinema, Filmes

Crítica de Cinema: Mad Max – Estrada da Fúria (2015)

Quando terminei de assistir Mad Max, tive plena convicção que nunca assisti nada parecido em toda minha vida. George Miller voltou 30 anos depois da primeira trilogia com uma originalidade impressionante. Embora seja uma continuação, distanciou-se de seus antigos filmes, trouxe novas ideias, críticas sociais pesadas e muita, mas muita ação.

No longa, Immortan Joe (Hugh Kneays) é um ditador cruel, um mito, praticamente um Deus na Terra. Em um mundo pós apocalíptico, em que a água e o combustível são recursos escassos e motivo de guerra, quem os possui em abundância exerce dominação sob aqueles que não os possuem, e é exatamente assim que Immortan Joe exerce seu poder. Ele é dono de tecnologia capaz de captar água e cultivar em solo estéril.

O tirano tem tudo sob seu controle, mantém escravas sexuais, com a única função de procriar. Outras mulheres são usadas para produzir leite e são ordenhadas como se fossem vacas, é horrível de se ver a objetificação dessas mulheres e como a situação retratada não está tão distante da realidade.

Aliás, a objetificação do ser humano é um tema bastante abordado pelo filme, quando Max (Tom Hardy) é capturado no início do filme, ele é usado como bolsa de sangue para Nux (Nicholas Hoult), um jovem de meia-vida, dos chamados War Boys, soldados de Immortan, que o veneram como um Deus e que estão dispostos a morrer por ele.

A Imperatriz Furiosa (Charlize Teron) é motorista de um caminhão de combustível e é mandada ao Vale da Gasolina por Immortan. Mal sabia ele, que Furiosa havia libertado as escravas e fugia com elas na esperança de encontrar o Vale Verde. O tirano, quando percebe que foi enganado, manda um exército de peso atrás dela, é nas cenas de perseguição que o filme se concentra e onde Max encontra Furiosa e passa a ajudá-la em sua fuga.

A perseguição é completamente surreal, o caminhão de Furiosa é seguido por carros híbridos, caminhões, War Boys suicidas, fogo, explosivos, tudo ao som de uma guitarra elétrica flamejante tocada em um caminhão lotado de amplificadores. É uma maluquice enorme, você fica sem fôlego de assistir à quase 2h de pura ação. O diretor quis usar o mínimo possível de efeitos especiais, então tudo é retratado de maneira muito realista.

O filme tem poucos diálogos, isso é verdade. Mas a interpretação dos atores foi maravilhosa, suas ações e olhares supriram a falta de falas de maneira impressionante e transmitiram com eficácia a mensagem que o longa quis transmitir.

Furiosa é uma personagem grandiosa. A maneira como as mulheres foram representadas no filme, romperam com o clichê da frágil mulher que precisa ser salva por um homem. Ela não é masculinizada, é apenas uma mulher querendo mais do que tudo salvar outras mulheres que precisam dela, o empoderamento feminino é enorme.

Nesse novo filme, Max não é mais aquele “machão” autossuficiente. Ele, como todo ser humano, possui suas fraquezas, suas dores e traumas, quebrando o estereótipo da masculinidade. Os homens não são super heróis, também precisam de ajuda. A relação de Max e Furiosa é de parceria e companheirismo, um homem e uma mulher se ajudando com igualdade, ela o salvando em várias ocasiões e ele a salvando também, um não é melhor do que outro. Traz uma lição de que homens e mulheres devem trabalhar juntos.

Outra atuação impressionante foi de Nicholas Hoult, que trabalha para Immortan Joe e possui uma vida curta, pois está repleto de tumores por conta da radiação a que foi exposto. Ele é enérgico, insano, suicida, daria sua vida com prazer pelo tirano, mas depois se decepciona com ele e o enxerga como realmente é, por isso muda de lado e ajuda as meninas a fugir.

A fotografia, o cenário, os objetos se encaixaram perfeitamente nesse universo apocalíptico e distópico. O clima desértico, quente, seco, há o uso de tons alaranjados e vermelhos. Tudo parece desgastado e sujo, os carros são formados por partes de diferentes automóveis. O figurino também ajudou muito na construção de personalidade dos personagens. A roupa de Immortan Joe é a mais assustadora, é quase como uma armadura para esconder seus defeitos físicos, a máscara com dentes animalescos é assustadora, admito que fiquei com um pouco de medo dele.

O que mais gostei da trama foram as diversas críticas realizadas. Temos a questão ambiental em pauta, a escassez de água, a infertilidade do solo, a radiação causada por guerras termonucleares. As mulheres questionam: “Quem destruiu o mundo?”.Homens gananciosos, que só pensam em si próprios e acabam prejudicando todo o planeta. É um drama real e que serve de alerta com o que estamos fazendo com o meio ambiente.

Outra crítica muito bem abordada foi a escravização de mulheres para fins sexuais. Gostaria de dizer que isso é história de filme, uma ficção distante e triste. Mas, não. Sabemos que essa é a realidade de milhares de mulheres, principalmente em áreas dominadas por terroristas, que adquirem territórios e estupram mulheres e meninas constantemente, para o prazer masculino ou mesmo para perpetuação de sua ideologia. A cena em que elas quebram uma calcinha de ferro que eram obrigadas a usar é um ótimo simbolismo da busca de liberdade, empoderamento e independência feminina em um mundo dominado por homens. Mulheres se unem para mudar o que está errado e gritam: “Nossos filhos não serão filhos da guerra.”

Ideologias doentias também são abordadas. A lavagem cerebral em jovens em nome de um Deus, de uma religião, fazem-os realizar atos horríveis e desumanos. Não preciso nem me alongar nesse assunto, basta ligar a televisão e ver todos os dias notícias de jovens recrutados por grupos jihadistas, esse futuro pós apocalíptico é muito mais plausível do que podemos imaginar.

Devo confessar que na primeira vez em que assisti ao filme não gostei muito, achei que tinha muita ação para pouco diálogo. Mas depois percebi a profundidade da história, que deve servir de modelo para os próximos filmes do gênero, pois não é ação pela ação. Mas é uma trama política, social e revolucionária, revolução essa, que deve partir das mulheres.

https://www.youtube.com/watch?v=V3_s8gltmNg

Atualizações, Música

“Make Me Like You” é o novo single de Gwen Stefani, confira capa!

Nesta quinta-feira (11), Gwen Stefani divulgou, em seu perfil oficial do twitter, a capa de seu novo single, intitulado “Make Me Like You”. A cantora também publicou em suas redes sociais que irá apresentar seu videoclipe em uma performance ao vivo durante os intervalos do Grammy Awards 2016 na próxima segunda-feira, dia 15.

A música “Make Me Like You” vai fazer parte de seu novo álbum, chamado “This Is What The Truth Feels LIke”, que será lançado em marco desse ano.  Confira a capa do single abaixo:

https://twitter.com/gwenstefani/status/697906645301497856/photo/1

Atualizações

Crítica: O quarto de Jack (2015)

Não estou nas melhores condições para iniciar essa crítica, mas penso que mesmo que passem horas e horas, não conseguirei escreve-la do mesmo modo, esse é o efeito que “Room” provoca nas pessoas que o assistem. Um filme feito para devastar e provocar no ser humano as piores sensações, leva-lo aos seus maiores pesadelos, deixa-lo estagnado no chão, sem saber para onde ir ou o que fazer, é uma obra-prima em cada segundo, uma mistura de medo e esperança que engana em seu cartaz, em seu trailer e em toda sua propaganda. Quem leu a sinopse de “O Quarto de Jack”, surpreendeu-se ao assistir o filme, que leu o livro de Emma Donoghue, inspiração para o longa, também ficou atônito ao ver toda a produção. No mais, qualquer pessoa, independente de sua bagagem vital, cairá aos prantos após o primeiro minuto de “Room”, lidará com seus preceitos e visões, será confrontado a encarar o modo que encara o mundo. O mundo e o espaço, sim eles são diferentes, não é, Jack? O quarto, o mundo, o espaço, a árvore. Jack conhece todos eles ao mesmo tempo que não os reconheça, Jack é um pequeno garoto com seus cinco anos de idade. Jack tem uma mãe. E um cachorro que não existe chamado Lucky. Jack é toda a verdade invertida, colocada em um pequeno quarto. Em um pequeno e tenebroso quarto que serve como prisão para Jack e sua mãe, mas não, ele não sabe, ele sabe de muitas coisas, menos dessa, por hora.

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O filme relata a história de Jack e sua mãe, Joy, ambos vivem aprisionados em um “barraco” no quintal daquele que Jack conhece como “Velho Nick”. Todo o longa se passa pela visão de Jack, ou seja, nós vamos descobrindo as coisas aos poucos, junto à criança, mesmo supondo e tendo algumas certezas antes que ele tome conhecimento do que realmente ocorre. Não falarei mais sobre o enredo pois não quero lançar spoilers sobre o filme, você não pode perder as diversas sensações que este provoca só porque não consegui segurar minha ansiedade de querer falar mais e mais sobre tão fantástico filme. O que posso adiantar é que temos uma visão totalmente inocente em primeiro momento sobre o quarto, pois é apenas isso que transparece ser para Jack, todo seu encantamento pela história fantasiosa criada por sua mãe para evitar que ele tome conhecimento do que realmente está acontecendo invade nossa experiência e em certos momentos nos encantamos juntos ao garoto, mas isso são raras oportunidades, pois o real, o bruto, o medo e o terror se espalham na tela a partir que a porta se abre e o “Old Nick” invade o lugar. Causa náuseas e nos faz tremer de ódio certos momentos do longa.

“Room” é indicado nas seguintes categorias pela Academia: Melhor filme, Melhor Atriz, Melhor Direção e Melhor Roteiro Adaptado. Comecemos pelo último quesito. Emma Donoghue publicou “Room” em 2010, de lá para cá o livro da escritora irlandesa só arranca elogios da crítica, concorrente em diversas premiações, a obra de Donoghue é um achado da literatura contemporânea, o que provoca um clima de tensão na produção do filme. A adaptação poderia arruinar a narrativa literária, poderia ser um erro adaptar livro tão complexo e pregador de artimanhas naqueles que o interpretam. O livro encontra-se indisponível em todas as livrarias e sites do país (ISSO MESMO), de repente “Quarto”, publicado pela Record, some das prateleiras e estantes virtuais. O filme causou um pandemônio nas vendas, primeiro, por que é uma releitura fiel da obra, segundo, por que só deixou os fãs da arte ainda mais curiosos. Não é surpresa termos “Room” sendo indicado a Melhor Roteiro Adaptado. Aqui, em nosso Especial Oscar rasguei elogios ao filme “Carol”, tendo colocado tal como principal favorito nesta categoria, mas errei, e errei bruscamente. “Carol” encara “Room” com olhos estranhos, pois ambos apresentam um potencial incrível para levar a estatueta, mas existe um diferencial no modo como as histórias foram adaptadas: Carol decola da metade do filme para o fim, enquanto “Room” é intenso do início até sua conclusão, chegando a ser desafiador assisti-lo sem tentar fechar os olhos em algumas cenas por medo, nojo, ou impaciência. É revoltante e o roteiro conseguiu captar isso do livro.(Detalhe: A roteirista do filme é a própria Emma Donoghue, ou seja, facilita bem as coisas…) Através da inocência de Jack somos lançados em um mundo totalmente desumano e cruel. Mundo esse que dilacera o telespectador, que se encarrega de nos oferecer um choque de realidade e medo. No minúsculo quarto da tortura e do sofrimento somos reféns da incapacidade, de vermos aquilo acontecer diante de nós e não pudermos fazer nada, absolutamente nada. Inúteis somos a cada cena e nenhum ser humano gosta de se sentir assim.

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A atuação do garoto e de sua mãe são arrebatadoras, comecemos a listar os acertos do pequeno Jacob Tremblay. A voz narrativa do filme é de Jacob, e este oferece toda fragilidade de sua idade para compor o clima de inocência referente a Jack. Seus momentos de felicidade, de surpresa ao encarar os fatos, de ira. É de uma habilidade incrível o modo como Tremblay interpreta, colocando cada sentimento em seu devido lugar, lidando com certas situações que outros atores não conseguiriam encarar. O garoto mereceu o SAG que levou para casa na semana passada, e merece bem mais que uma só estatua, tem um futuro brilhante e podemos ver isso graças ao produto de seus esforços em “Room”. Vibramos com o garoto, choramos, damos as melhores risadas contidas, sonhamos com os gestos da criança e caímos em uma abismo chamado ilusão. Ilusão de que tudo está harmônico, de que se mudar estraga, de que a verdade é o que nos contam e nada mais. Jacob deixou de ser Jacob para encarnar Jack e de uma forma singular, o ator perfeito para um papel desafiador.

Sobre Brie Larson, bem, é indescritível o que a atriz fizera em “Room”, mas vamos devagar e quem sabe conseguimos falar um pouco sobre a brilhante interpretação de Brie. Antes de mais nada, você não reconhecerá Brie Larson de primeira, não achará a atriz no papel, a única parcela de Larson que encontramos neste filme é seu talento, ela está completamente transfigurada, é a garota que passou sete anos enclausurada sendo estuprada diariamente. É a mulher que teve seu filho dentro de um minusculo quarto, que lidou com isso todo miserável dia, que questionou aos céus, única coisa que conseguia ver do mundo por meio de uma claraboia. É o rosto do sofrimento que vemos em cena e isso coloca Larson bem a frente de todas as candidatas à melhor atriz. Dona do SAG 2016, de tantas outras premiações, Brie Larson chega forte na briga e por justa causa, por ser a Joy que o filme exige, temos uma vencedora, senhoras e senhores, temos?

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Todo o cenário, não exclusivamente do quarto, mas principalmente deste, foi pensado de uma forma espetacular. Os desenhos de Jack refletem muito o que ele sente diariamente referente a tudo aquilo, temos, graças aos planos escolhidos pelo diretor, algumas cenas que evidenciam apenas estes, desenhos feitos entre acontecimentos que qualquer criança desejaria esquecer. Entre uma espiada pela claraboia até sequência de estupros bem ali, ao seu lado, mas a mente pura do garoto deixam isso passar, o que nos deixa ainda mais aflitos.

A fotografia de “Room” é excelente. Em alguns momentos ela brinca conosco, por exemplo: Temos várias visões do quarto. Em algumas cenas ele é enorme, pois é assim que Jack o vê, em outras, tornar-se o menos lugar do mundo, tudo isso varia de acordo com o roteiro, produzindo sensações mistas no telespectador, nos jogando naquele lugar. É bela graças a sua realidade extrema. A direção de Lenny Abrahamson também merece elogios, pois cada tomada foi corretamente utilizada, não existe cena desnecessária, não vemos falhas, nada de mais e mais coisas apenas para encher fita até o ápice, nada disso em “Room”, tudo que aparece no longa é altamente necessário para a compreensão da história e a direção de Abrahamson surge para afetar diretamente nisto.

Este é “o filme” da Academia. É aquela obra em que a Academia assiste e sugere logo de cara para melhor filme, não me surpreenderia se levasse a estatueta, ou melhor, tendo assistido todos os indicados a Melhor Filme, aposto em “Room” para vencedor da mais cobiçada categoria da premiação, é merecedor de tal prêmio. É um longa desafiador, que busca em cada cena transmitir mensagens diferentes, que mostra o horror, o que tais situações podem causar na vida de pessoas e mais pessoas. Parece ser pequeno, coisa pouca, por sua propaganda e sinopse, mas é grandioso segundo após segundo, é emocionante e avassalador como nenhum outro é. Entre todos os filmes que a Academia indicara este é aquele que podemos assistir daqui a vinte anos e saberemos o que acontece em cada cena, pois marca todo ser humano, produz sensações agonizantes em quem assiste. É arte brutal o que vemos, arte que imita a tão desafiante vida, um retrato de casos e mais casos mundo a fora. Você não será o mesmo após “Room”, não encarará as pessoas do mesmo jeito, não olhará para o céu como o faz todo dia. “Room” nos arremessa, nos faz deitar no chão frio e chorar, por indignação e repulsa, nos faz comemorar junto ao garotinho em seu momento de glória e por fim, dar adeus. Adeus.

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Deadpool estreia hoje e já tem sequência em andamento

O sucesso do filme Deadpool, que como todos devem saber, estreia hoje no Brasil, é tão grande que um sequência já esta sendo planejada.

O Hollywood Reporter informou que a FOX já entrou em contato com os roteiristas, para que eles escrevam a história do próximo filme. Tim Limmer, que é o diretor, também foi escalado para a continuação, não se sabe se irá dirigir, mas é certeza que fará parte da criação.

Agora é só correr para o cinema e esperar ansiosamente por mais informações sobre o nosso querido anti-herói.

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Feliz aniversário, Donadone

Hoje o recôncavo vai parar, todos nós sabemos disso, e não, não me mande “Calabok” porque hoje não vai funcionar, Dona Rafaela, ou chamo de Sra Donadone? Hoje é o dia da nossa Meredith Grey, da meia-médica do Beco, da dona da estante mais organizada de toda a Bahia, eleita por anos consecutivos Miss Beco e quase uma Weasley, detentora do título “Louca do Viber” por justa causa e na Escola de Samba do Beco Literário é nossa velha-guarda, e por isso mesmo amamos em dobro (Todo respeito e admiração pelos idosos). Hoje é dia de gritar: VAI SAFADONE!

Agora vamos parar de brincadeira, porque o assunto é sério. Temos imagens da nossa escritora Rafaela Donadone, aniversariante e estrela do dia, diretamente de Salvador para o mundo. Confiram o estado desta hoje:

Nós entendemos, Rafa, nós entendemos como é chegar nessa etapa da vida (mas não sabemos mesmo…) e sobre tudo queremos te parabenizar, por ser uma escritora fantástica, por conseguir ultrapassar as barreiras do Wifi com tua paciência (as vezes essa paciência some, mas é melhor ficar calado…) e também por ter uma parcela italiana, igual nosso amigo Joey ali. O Beco não seria o mesmo sem Donadone, uma lacuna ficaria ali, exposta sem que existisse alguém para preenche-lá, e convenhamos, nós temos a pessoa que já leu mais de metade do mundo literário, é até a queridinha de uma Editora (Quero ver quem tem esse título, ninguém tem…). É por ser essa amiga que sempre responde ao chegar do plantão, que senta a mão em quem ficar de mimimi, que não para nem que seja por um segundo, que te parabenizamos, por mais um ano sendo essa pessoa incrível que consegue ofuscar até a estreia de Deadpool. Te desejamos o que de melhor a vida tem para oferecer, vários e vários outros aniversários e muitos, mas muitos livros, mas vamos parando por aqui porque sei que você não tem paciência para quem está começando. Parabéns, Rafa, e obrigado por tudo, em nome do Beco, em nome da minha avó que acabou de te convidar para o grupo de ginástica dela e por ser a chata que de tanto falar sobre Greys Anatomy me fez assistir tão assassina série. Abre a garrafa e levanta o copo que teu dia chegou!

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Crítica de Cinema: Amy (2015)

Do mesmo diretor de Senna, Asif Kapadia, Amy é um dos documentários que concorre ao Oscar desse ano e que percorre a trajetória da cantora através de gravações de áudio, vídeos, fotos e depoimentos. O material coletado, parte dele inédito, é extremamente valioso e registra sua vida em detalhes, desde quando tem apenas 14 anos e brinca e canta com os amigos por diversão.

O filme mostra com sensibilidade o íntimo de Amy, aquele que não conhecíamos e que nunca foi mostrado pela grande mídia. Aliás, paparazzi e o exagerado consumo de notícias sensacionalistas são uma das causas apontadas pelo filme pela morte da artista. A associação da sua saúde fragilizada com a bulimia, doença que tinha desde criança, além do uso excessivo do álcool – e foi o álcool, e não as drogas, como se noticiou – que a fizeram morrer. Mas a perseguição e a falta de privacidade que ela passou, assim como a irresponsabilidade de seu pai e gerente, que marcavam shows sabendo que ela não estava bem física e mentalmente sentenciaram sua morte.

Antes que as drogas fossem sua principal válvula de escape, Amy fazia da música sua fuga do mundo exterior. Inspirada por grandes nomes do jazz, ela se tornou uma artista completa, como afirma seu grande ídolo Tony Bennet, com quem fez um dueto em uma de suas atuações mais revigorantes. Os fatos apresentados no documentário são feitos de forma cronológica, mostrando altos e baixos, com depoimentos de amigos de infância a colegas de trabalho.

Amy mostra também a vida pré Black and Black, antes que a cantora estourasse mundialmente. Vídeos caseiros e entrevistas para jornais locais ingleses mostram o quanto ela era apaixonada por música e o quão feliz ficava em se apresentar para públicos pequenos. Descrita como uma pessoa doce e engraçada, ela também sabia ser impetuosa e tinha uma personalidade forte, apesar da essência fragilizada. A chegada e partida de Blake, namorado tempestuoso que a guiou para drogas mais pesadas, o afastamento de amigos de infância e de Nick, ex-gerente que a acompanhou a maior parte da carreira, além da recusa de procurar tratamento foram as consequências trágicas e finais de uma carreira brilhante.

Apesar de ser um documentário completo no sentido emocional, Amy tem suas falhas. Depoimentos em off e vídeos que são excessivamente reproduzidos em câmera lenta cansam o espectador. O modo como o material fotográfico foi apresentado também deixou a desejar. O constante zoom in e a simples passagem de uma foto a outra lembra uma colagem infinita. Assim como as falas rasas e vagas dos principais “personagens”, como Mitch (pai de Amy), Blake e o seu último gerente Ray Cosbert. Aliás, a falta de representatividade e uma suposta manipulação de depoimentos descontentaram o pai de Amy, que garante que lançará sua própria versão sobre a vida da artista.

Com o filme, entendemos um pouco as inspirações e motivações de Amy, assim como seus demônios e frustrações. Como a falta da figura paterna na infância a faz se tornar uma adolescente arredia e indisciplinada. A exultação em gravar seu primeiro álbum mascarada em indiferença. A aversão à fama desde o início da carreira, onde mais de uma vez em depoimentos ela afirma que não saberia lidar e sucumbiria. A paixão viciante por Blake. O tom esperançoso do início dá então lugar ao melancólico e ao desesperador fim.  O peso emocional de Amy reflete a personalidade da artista, que se rendeu aos exageros das drogas como uma válvula de escape ao que sua vida se tornara. É uma obra comovente que nos leva a conhecer duas Amys: a da fase “Frank”, com a cantora sendo criativa, engraçada e empolgada e a da fase “Back and Black”, com a cantora autodestrutiva e sombria que, infelizmente, conhecíamos muito bem.