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Resenha: A Escola do Bem e do Mal 3 – Infelizes para Sempre, Soman Chainani

ATENÇÃO: A Escola do Bem e o Mal 3 – Infelizes para Sempre é o último livro da trilogia de Soman Chainani, então, se você ainda não leu os outros 2 livros, pode haver SPOILERS.

Após Sophie aceitar o diretor da escola como seu verdadeiro amor beijando-o e mandando Ágatha e Tedros para o Mundo dos Leitores, o mal domina a escola. Agora, a Escola do Bem se chama a Escola do Novo, onde os alunos aprendem a ser maus, como de praxe. Já a Escola do Mal é a Escola do Velho, onde os antigos vilões, após voltarem à vida, têm a chance de matar seus inimigos e reescrever suas histórias. Sophie é professora e divide o reinado com o diretor, o qual acredita ser o único que a conhece e ama de verdade.

No Mundo dos Leitores, Ágatha e Tedros vivem um dilema. Tedros, desiludido com o mundo “real” e saudoso de seu reino, culpa Ágatha por sua sorte. Essa, por sua vez, amargurada por não ser o bastante para o seu príncipe, o culpa por sua tristeza. Ambos começam a duvidar se o que sentem é mesmo o verdadeiro amor e se tomaram o rumo certo em sua história. Mas, em uma coisa eles concordam: sentem falta de Sophie. Assim, com essa certeza e com a ajuda da mãe de Ágatha que esconde mais segredos do que aparenta, os dois conseguem voltar para o Mundo das Histórias a fim de resgatar Sophie e reconstruir seu conto de fadas.

O que eles encontram, porém, não é nada do que esperavam. Sophie não é prisioneira do diretor da escola, mas sim, sua aliada, sua rainha. Os antigos heróis dos contos de fadas estão sendo assassinados por seus antigos inimigos que, inexplicavelmente, voltaram à vida. Os poucos heróis sobreviventes vivem, agora, escondidos por Merlim, e o único jeito de colocar tudo no lugar novamente é fazer Sophie matar o diretor da escola, algo praticamente impossível.

Neste último volume da saga, Soman Chainani nos mostra que o céu é o limite. Ele vai muito além do que podíamos imaginar, amarrando todas as pontas soltas e nos mostrando que os contos de fadas, por mais antigos e batidos que sejam, sempre podem ser reinventados. Em uma história a qual pensávamos ter um triângulo amoroso como trama principal, o autor expande muito mais com vários mistérios sendo revelados. Personagens antes insignificantes tomam proporções gigantescas e mostram o motivo de estarem ali. Finalmente, conhecemos toda a história da mãe de Sophie e descobrimos a razão do maior de todos os mistérios: por que, afinal, Sophie é má e Ágatha é boa? Qual é a ligação entre as duas? Ágatha e Tedros são, realmente, o verdadeiro amor um do outro? E, se o diretor da escola precisa morrer, quem vai ser o verdadeiro amor de Sophie?

Terminamos o livro 2 cheios de perguntas e expectativas e, em A Escola do Bem e do Mal – Infelizes para Sempre, todas são respondidas, até as perguntas que nem achávamos que tínhamos! Soman Chainani criou um mundo magnífico, reinventou os contos de fadas, mostrou uma nova face de personagens tão conhecidos e, principalmente, nos mostrou que o Felizes para Sempre nem sempre é igual para todos, cada um tem o seu.

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Resenha: Projeto Manhattan Vol. 2, Hickman e Pitarra

Como prometido semana passada, postamos agora a resenha de Projeto Manhattan Vol. 2. O segundo livro da série continua sendo assinado por Hickman e Pitarra, mas as cores ficaram por conta de Jordie Bellaire – exceto o capítulo 10, colorido por Ryan Browne. Bellaire é uma colorista de histórias em quadrinho estadunidense; entre outros trabalhos, ilustrou a HQ Nowhere Man, que foi vencedora do Eisner Award de “Melhor Colorização” em 2014. Browne, além de colorista, é o criador de duas histórias em quadrinhos, God Hates Astronauts e Blast Furnace.

O que Hickman nos apresenta agora é a sua versão do período conhecido como Guerra Fria, momento da História marcado por uma disputa ideológica entre Estados Unidos e União Soviética (URSS). Nesse período, a disputa entre os países não aconteceu pela via do combate armado, mas por conflitos indiretos. Um dos mais famosos deles foi a Corrida Espacial, e adivinhem só qual grupo estadunidense de cientistas supergênios estava envolvido. Isso mesmo, o do Projeto Manhattan.

Do outro lado, no território que hoje conhecemos como Rússia, somos apresentados ao projeto Cidade das Estrelas, que seria a versão soviética do P.M. Ele era ultra secreto no período soviético, e assim como o P.M., sequestrou os principais cientistas do nazismo no final da Segunda Guerra. Foi a URSS, aliás, a responsável por construir e lançar o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik I.

Mas falemos propriamente do livro. Nele vemos o Projeto Manhattan tomando proporções ainda maiores, não só porque os conflitos se intensificaram, mas porque a capacidade tecnológica deles aumentou, bem como seu poder, o que mexeu com suas cabeças.

Já sabemos desde o volume 1 que Hickman e Pitarra gostam de explorar várias histórias simultâneas, com vários personagens em cada uma delas. Neste volume os autores intensificam a prática, nos entregando várias narrativas que se conversam para formar o contexto geral, o seu pano de fundo. Vejamos um pouco de cada uma dessas histórias.

1) Lembram-se daquele cientista nazista, Helmutt, que se esconde dos companheiros e é dado como morto durante o ataque dos EUA à cidade científica alemã? Pois bem, ele volta no volume 2 sequestrado pelo exército da URSS, e através dessa história Hickman faz uma comparação entre nazistas e soviéticos (que nessa época estavam já sob o comando stalinistas). Quando é encontrado e sequestrado, Helmutt enfrenta dificuldades, mas acaba acreditando que lá na URSS as coisas seriam diferentes, que lá encontraria respeito e liberdade. Não foi o que aconteceu. Tanto servindo aos nazistas quando aos soviéticos, Helmutt é tratado como simples peça na engrenagem do sistema, seja ele qual for.

2) A equipe do Projeto Manhattan, que agora parece ter o nazista von Braun como porta-voz oficial, se encontra com a da Cidade das Estrelas e propõe uma parceria que aconteceria sem o consentimento ou o conhecimento do Estado. Aparentemente, alienígenas furiosos representariam um perigo muito maior para a humanidade do que o sistema capitalista ou o comunista, algo que os governos e seus antigos representantes não poderiam compreender. Dessa forma, caberia apenas a eles lidar com a situação.

3) Quando os cientistas do projeto se rebelam contra o Estado, agindo como se tivessem uma compreensão superior da situação da Terra, os representantes do poder tradicional precisam tomar medidas drásticas. Truman e Roosevelt I.A. se unem a outros poderosos líderes: um príncipe catalão, uma figura misteriosa que serve de canal para a riqueza das Organizações Religiosas, um egípcio que serve de conexão  com a Magia do velho mundo e um representante do que chamam de mundo emergente. Eles se opõem aos cientistas e usam todo o poder do Estado para pará-los, nos dando muitas cenas sangrentas e reveladoras.

4) No último capítulo do quadrinho, que é colorido por Ryan Browne, adentramos ao maravilhoso (ou terrível) mundo dos Oppenheimers. Este capítulo interessantíssimo nos mostra um pouco mais do funcionamento da mente de Joseph, que a essa altura é como uma cidade repleta de cópias, cada qual com sua personalidade e função. O capítulo, assim como o livro, se encerra deixando muitas possibilidades em aberto, e sem esclarecer de que forma os problemas de Oppenheimer irão interferir na história e no Projeto a partir dali.

 

Projeto Manhattan Vol. 2 é ainda melhor do que o primeiro. Os autores constroem um todo cada vez mais complexo, mas conseguem manter uma história bem coerente, com boas ligações entre todas as narrativas paralelas. Novas figuras históricas são apresentadas, como o presidente Kennedy, a cadela laika e o Ministro Ustinov. Além deles, conhecemos personagens que não foram tão diretamente baseados em personalidades reais, como todos aqueles que se uniram aos presidentes contra o P.M. e que eu já mencionei.

Terminada a leitura, fica a sensação de que todos estamos a mercê de decisões tomadas muito acima de nós, por indivíduos que nem sempre agem de acordo com necessidades maiores. Nazismo, Stalinismo e Capitalismo… Em nenhum desses contextos apresentados por Hickman o avanço tecnológico, o domínio da natureza e o conhecimento científico aparecem como neutros, porque estão sob o controle de alguém, e quanto mais a ciência avança, maior o poder de quem a detém. É nesse sentido que podemos entender o subtítulo da série: “Ciência. Ruim”

É claro que a história que Hickman e Pitarra nos contam é fictícia, e é importante ter isso em mente. O fato de seu tema ser extraído da História é só um elemento a mais no todo que ela representa. Projeto Manhattan é um desses livros que a gente só para de ler quando acaba, a história te prende e a última página de cada capítulo praticamente te obriga a ler a próxima. Para quem não conhece a HQ, recomendo muito a leitura. Para quem já chegou até aqui, nos resta esperar que a Devir publique o volume 3 o mais rápido possível, para solucionar as questões deixadas em aberto até agora.

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Resenha: Não Olhe!, FML Pepper

ATENÇÃO: Não Olhe! é o volume 2 da série Não Pare! de FML Pepper, então, se você ainda não leu o livro 1, CUIDADO! Esta resenha pode conter spoilers.

Após a disputa entre os quatro clãs no meio do deserto do Saara, Nina acorda do outro lado do portal e descobre que está em Zyrk. Cuidada por Richard, sua Morte/badboy/lindo/amor, ela é levada para o clã do resgatador, Thron, um lugar sombrio, frio e escondido no meio de um vulcão adormecido. Possuir a híbrida traz o poder ao clã e, junto com ele, glória eterna a Richard, o responsável por tal proeza. Isso, de certa forma, parte o coração de Nina que acredita ter sido usada o tempo todo como uma moeda de troca pelo trono de Thron.

Após alguns probleminhas básicos no lugar que mais parece o mundo inferior, Nina é transportada para o clã de Storm, onde é entregue aos cuidados de John. Tudo parecia resolvido já que o rei de Storm era o único interessado em manter a híbrida viva. Mas, como nem tudo são flores na vida de Nina, o rei começou a ficar meio esquisito, então, se aproveitando do interesse do resgatador John por sua pessoa, Nina o convence a levá-la para Windston, o clã de seu falecido pai e que, até onde sabe, é governado por seu avô. John trai seu pai e parte em uma missão suicida pelos lugares mais perigosos de Zyrk a fim de proteger Nina e, finalmente, levá-la para um lugar seguro.

Eles até chegam em Windstom, Nina reencontra o avô e tudo parece que vai ficar bem, maaas… o clã é muito fraco em questão de exército e, assim que a notícia de que a híbrida estava com eles se espalhou, os outros três clãs vieram atrás, principalmente Thron, o mais forte de todos. É nessa hora que Richard ressurge das cinzas para salvar Nina e poupar Windston de um massacre desleal e cruel, mas as feridas ainda não cicatrizaram e a híbrida ainda acredita que seu tão amado resgatador a entregou de mão beijada para o rei de Thron em troca do trono e uma porção de ouro.

A partir daí, John (de novo) e Nina enfrentam as paisagens mais hostis de Zyrk em direção a um portal para a segunda dimensão (Terra). Fugir de volta para casa é a única chance que Nina tem de se manter viva e salvar o clã de seu avô da destruição.

Existe vida após a morte? Bom, isso depende. Depende do que você considera ‘vida’. Depende do que a morte significa em sua vida. Para mim, dependia do fato quase incompreensível de que, para me sentir viva, tudo o que eu mais desejava era estar nos braços da minha morte. Uma morte personificada na figura de um rapaz cheio de cicatrizes, fulgurantes olhos azuis-turquesa e um rosto tão perfeito e atormentado quanto suas atitudes. Uma morte que poderia me tirar a vida com um simples sopro, porém, vil e inescrupulosa, resolveu fazer isso com requintes de crueldade, reduzindo meu coração em pedaços. – Nina.

Nesse segundo volume da série, Não Olhe! se passa dentro da terceira dimensão. Conhecemos mais sobre os perigos de Zyrk, bem como seus clãs e seus habitantes. Aos poucos, Nina vai se distanciando daquela menina ingênua que achava que seu maior problema era ter uma mãe super protetora e se conscientizando mais sobre o que significa ser uma híbrida e seu papel na história de Zyrk.

Já Richard, bem… Vamos do amor ao ódio por ele. Sentimos junto com Nina a decepção, mas, ao mesmo tempo, não queremos acreditar que ele é ruim. Bem, no fundo, sabemos que ele é um zirquiniano, mas não qualquer zirquiniano, e sim, o melhor representante da espécie. O resgatador principal de Thron, aclamado pelo seu povo, um guerreiro nato capaz de tudo para conseguir o que quer não usaria a híbrida para isso? Um zirquiniano pode se apaixonar? Ou tudo não passou de um jogo?

Junto com as cenas de aventuras pelo mundo de Zyrk e seus clãs, Não Olhe! vai bem mais fundo nas emoções humanas e zirquinianas, esse povo amaldiçoado a ser a Morte de todo um mundo e incapaz de amar.

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Resenha: Sem Limites para o Prazer, JC Ponzi

Eles desconhecem limites e pudores.
A única coisa que importa é concretizar seus desejos.Sem Limites para o Prazer conta a história de Jessica Becker, que é o tipo de garota invejada por todos. Linda e nascida em berço de ouro, ela sabe o poder que tem nas mãos e utiliza seus atributos para satisfazer suas vontades. Nem mesmo homens mais velhos, de reputação ilibada, conseguem resistir aos encantos da aluna mais popular da MVA.
Com planos bem traçados e prestes a concluir o último ano de high school, Jessica se vê balançada pelo novato Theodore e começa a questionar os meios que utiliza para alcançar seus objetivos.
Será o ingênuo rapaz capaz de despertar sentimentos verdadeiros na garota mimada e sem escrúpulos?

Que eu amo fanfics, livros do Wattpad, contos eróticos e coisas do gênero não é segredo pra ninguém. No entanto, na última Bienal do Livro, eu fui além nos meus níveis de fanboy quando vi o livro da JC Ponzi, que era do Wattpad, ser publicado em forma física. Claro, tive que comprar e ainda sofrer por conseguir ler só há pouco tempo.

O livro conta a história de Jessie, vinda de uma família rica e famosa de Nova Iorque, numa aura meio Gossip Girl. Ela é a típica loira de aparência estonteante, que transmite a imagem de santinha, mesmo não sendo. E seu “irmão postiço” que o diga: afinal, a relação entre eles não pode negar.

Isso mesmo, altas doses de incesto. Se você começou o cursinho com Cassandra Clare, JC Ponzi é uma boa forma de se pós-graduar no assunto, porque é pesado! O livro tem cenas de sexo explícito, pegação, e não é nada leve! Não vai achando que é só mais um Cinquenta Tons, porque realmente não há limites na narrativa.

Além do irmão, Jess mantém relações com o reitor da escola, um homem casado, seu filho recém-chegado e outras pessoas. Acostumada a sempre ter todos na palma de suas mãos, a garota se vê em um jogo de chantagens, descobertas, paixão, amor e muito, mas muito sexo!

O mais interessante, é o fato de termos narrativas em várias visões, o que nos faz conhecer os personagens de maneira mais ampla, dentro deles mesmos. Não só a visão do narrador. JC consegue te envolver do início ao fim e terminei já querendo reler. Sem Limites para o Prazer é muito bem escrito, cheio de reviravoltas completas, é uma leitura com certeza obrigatória para quem gosta do gênero.

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Resenha: Como O Segredo mudou minha vida, Rhonda Byrne

Lançado primeiramente como documentário em 2006 “O Segredo” de Rhonda Byrne se tornou um sucesso no mundo todo e presente na vida de milhões de pessoas até hoje, ganhando meses depois um livro baseado no documentário homônimo. Com grande repercussão do primeiro livro, foram elaboradas com o tempo uma série de títulos que aprofundam a prática da Lei da Atração em livros como “O Poder” e “A Magia”, que venderam juntos milhões de exemplares pelo mundo. Agora, continuando essa série de sucessos a Editora Sextante traz ao Brasil em belíssima edição de capa dura e jacket o mais novo livro de Rhonda Byrne “Como O Segredo mudou minha vida”.

Nesse novo livro, Byrne, tem como projeto realizar um compilado de histórias de pessoas que utilizaram O Segredo em suas vidas ao redor do mundo e mostrar todas as ações e mudanças que a Lei da Atração surtiu na vida dessas pessoas. São mais de 70 histórias que descrevem meios práticos de como executar essa lei que prega a positividade, para cada tema trabalhado em “O Segredo”. Alguns deles são: O Segredo para felicidade, receber riqueza, mudar os relacionamentos, saúde, carreira, vida.

 

Sinto que poderia ter escrito uma dessas histórias, afinal conheço O Segredo há muito tempo e fiquei estasiado quando assisti o filme, parece que tudo é tão simples a princípio, mas é uma missão trabalhosa no começo monitorar os pensamentos para evitar a negatividade e ser agradecido por todas as coisas, o mais legal é que você pode agradecer para quem quiser, para aquilo que você acredita ser maior, é uma lei que é obedecida por você e está sempre em atividade.

Vemos que esse novo livro acrescentou muito, pois nós sempre éramos apresentados aos mesmos pesquisadores e conhecedores da lei, usando exemplos práticos e que poderiam abranger o maior número de pessoas, já nessa nova obra as histórias trazem a emoção e principalmente a diversidade de exemplos para conseguir objetivos totalmente diferentes, as narrativas são enobrecedores e despertam a energia. Seria possível abrir um site só de frases desse livro, porque são experiências reveladoras e que provam que temos chances de alcançar nossos objetivos. Tenho certeza que algum dia em seu facebook você vai abrir uma imagem com a legenda de uma bela história e ela terá sido retirada dessa obra, portanto faça valer a leitura desse livro e coloque em prática o que fizer sentido para você.

No final das contas, sempre vai ser necessário que exista um livro relacionado ao O Segredo perto da gente, porque precisamos ser constantemente motivados e ensinados a melhor forma de usar os ensinamentos que o livro tem a oferecer, esse novo meio que a autora coloca é totalmente instigante, deixa o leitor próximo de uma realidade dele e que com certeza irá atingir outras milhares de pessoas no mundo que vão ver a vida com olhares renovados.

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5 livros que nos lembram dos horrores do Holocausto judeu

Nesta sexta-feira (27), é comemorado o 72º aniversário da libertação do campo de concentração nazista de Auschwitz, que em 27 de janeiro de 1945 foi tomado por soldados do Exército vermelho após quatro anos de funcionamento. Por causa disso, hoje é comemorado o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Mais de 6 milhões de judeus foram exterminados durante a Segunda Guerra Mundial no que foi o maior genocídio da História e isso deve ser lembrado e passado pelas gerações para que tragédias como essa não se repitam.

Para comemorar essa data que, mesmo triste, serve para manterem vivas as memórias de todos aqueles que sofreram, foram perseguidos e morreram nessa caçada injusta e cruel, o Beco selecionou 5 livros sobre o tema que não vão deixar que eles sejam esquecidos.

1 – O diário de Anne Frank, Annelies Marie Frank

O Diário de Anne Frank é um livro escrito por Annelies Marie Frank entre 12 de junho de 1942 e 1º de agosto de 1944 durante a Segunda Guerra Mundial. Em 9 de julho 1942, Anne, seus pais, sua irmã e outros judeus (Albert Dussel e a família van Daan) se esconderam em um Anexo secreto junto ao escritório de Otto H. Frank (pai de Anne), em Amsterdã, durante a ocupação nazista dos Países Baixos. Inicialmente, Anne Frank usa seu diário para contar sobre sua vida antes do confinamento e depois narra momentos vivenciados pelo grupo de pessoas confinadas no Anexo.

Em 4 de agosto de 1944, agentes da Gestapo detiveram todos os ocupantes que estavam escondidos em Amsterdã. Separaram Anne de seus pais e levaram-nos para os campos de concentração. O diário de Anne foi entregue por Miep Gies a Otto H. Frank, seu pai, após a morte da menina ser confirmada. Anne Frank faleceu no campo de concentração Bergen-Belsen em fevereiro de 1945, quando tinha 15 anos.

2 – O menino do pijama listrado, John Boyne

A história se passa durante o período do Holocausto, tendo como personagem principal, Bruno, filho de um militar alemão, que tem 8 anos e não sabe nada sobre o Holocausto e os horrores que aconteciam com os judeus. Também não faz ideia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim, perto de seus avós e a mudar-se para uma região isolada, onde ele não tem ninguém para brincar e nem nada para fazer.

Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixavam com frio na barriga. Em um de seus passeios Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca, que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno fica intrigado e, vai aos poucos tentando entender o mistério que ronda as atividades de seu pai. Bruno e seu amigo Shmuel, vivem diversas aventuras juntos, com um final que surpreende até para os mais preparados.

3 –Depois de Auschwitz, Eva Schloss

Em seu aniversário de quinze anos, Eva é enviada para Auschwitz. Sua sobrevivência depende da sorte, da sua própria determinação e do amor de sua mãe, Fritzi. Quando Auschwitz é extinto, mãe e filha iniciam a longa jornada de volta para casa. Elas procuram desesperadamente pelo pai e pelo irmão de Eva, de quem haviam se separado. A notícia veio alguns meses depois: tragicamente, os dois foram mortos.

Este é um depoimento honesto e doloroso de uma pessoa que sobreviveu ao Holocausto. As lembranças e descrições de Eva são sensíveis e vívidas, e seu relato traz o horror para tão perto quanto poderia estar. Mas também traz a luta de Eva para viver carregando o peso de seu terrível passado, ao mesmo tempo em que inspira e motiva pessoas com sua mensagem de perseverança e de respeito ao próximo – e ainda dá continuidade ao trabalho de seu padrasto Otto, pai de Anne Frank, garantindo que o legado de Anne nunca seja esquecido.

4 – A história de Irena Sendler: a mãe das crianças do Holocausto, Anna Mieszkowksa

A dramática e surpreendente história de uma heroína ignorada – na verdade, da maior heroína da Segunda Guerra Mundial. Baseado em relatos diretos da própria Irena Sendler, de outros membros da resistência polonesa (incluindo alguns dos mais destacados, como Jan Karski) e de sobreviventes salvos por ela e seu grupo, o livro descreve, detalhadamente, a vida e as ações de uma das maiores personagens desse tempo trágico – que ficaria praticamente desconhecida até a queda do Muro de Berlim.

O livro, portanto, também relata as circunstâncias desse longo anonimato, e aquelas que afinal revelaram ao mundo o nome de Irena Sendler. À época uma garota polonesa iniciando sua carreira no serviço de assistência social, Irena Sendler viu-se no centro da brutal história do século XX quando Varsóvia foi ocupada pelos nazistas, em setembro de 1939, e os judeus encarcerados no gueto para morrer de fome. Os sobreviventes seriam levados aos campos de extermínio.

Irena Sendler integra-se então à Zegota, organização clandestina de ajuda aos judeus, na qual organiza e lidera um grupo de voluntários poloneses que, dia a dia, esquivando-se dos agentes alemães, entravam e saíam do gueto, salvando assim da morte mais de 2 mil crianças judias. O preço seria alto – muitos dos voluntários são capturados e mortos, e a própria Irena Sendler é presa, torturada e condenada à morte pela Gestapo. Mas ela escapa e retoma seu ‘trabalho’ – salvar da morte quantas crianças judias pudesse.

Irena Sendler passou as décadas seguintes ao fim da Segunda Guerra Mundial atrás da ‘cortina de ferro’. Malvista pelas autoridades pró-soviéticas da Polônia, que desconfiavam dos ativistas não-comunistas e, principalmente, dos ativistas pró-judeus, viveria uma espécie de segunda clandestinidade, desta vez histórica. A história de Irena Sendler – a mãe das crianças do Holocausto é parte fundamental do resgate de seu nome, de sua memória e do significado de sua vida.

5 – Uma criança de sorte: memórias de um sobrevivente de Auschwitz, Thomas Buergenthal

À primeira vista, parece não existir sorte alguma em sua vida – ainda não tinha seis anos quando ele e seus pais foram obrigados a viver num gueto na Polônia e, em 1944, aos dez anos, foi enviado a Auschwitz com sua família. Após ser separado dos pais, o pequeno Thomas, forte e esperto, trabalha para escapar da morte nas câmaras de gás, e assim consegue resistir à tragédia que assolou o mais conhecido campo de concentração da Segunda Guerra Mundial.

Quase um ano depois de sua chegada a Auschwitz e de sobreviver à Marcha da Morte e a Sachsenhausen – outro campo de concentração sob o comando da guarda alemã -, onde sofreu com a fome e o frio, Thomas afinal estava livre… e sozinho. Thomas Buergenthal procura relatar, nesta autobiografia, todos os detalhes de uma história comovente, para que o Holocausto seja finalmente compreendido “através dos olhos daqueles que sobreviveram a ele”.

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Aniversário de SP: livros sobre a cidade de São Paulo

Como Caetano Veloso já cantou em “Sampa”, é difícil entender a dura poesia concreta de tuas esquinas, mas São Paulo é uma cidade inspiradora e isso está marcado em diversas poesias e livros. Por isso, aqui traremos uma breve sinopse de 8 livros sobre a cidade que não dorme para comemorar seu aniversário:

São Paulo, Literalmente – João Correia Filho

Esse livro é um guia turístico da cidade de São Paulo pelos seus grandes autores. Dividido em regiões e bairros, o jornalista João Correia Filho conta um pouco sobre cada ponto turístico da cidade e traz poesias e frases sobre ela. Além disso, as fotos únicas que recheiam o livro são do próprio autor e transmitem a beleza e grandeza de sampa. Para conferir uma entrevista completa com João Correia Filho sobre seu livro que ganhou o prêmio Jabuti 2012 na categoria Turismo e sobre suas impressões pessoais sobre São Paulo, clique aqui: A beleza de ser só mais um.

eles eram muitos cavalos – Luiz Ruffato

“eles eram muitos cavalos” deve ser um dos retratos mais trabalhados da cidade. No livro, Luiz Ruffato narra histórias que se passam num mesmo dia com personagens totalmente anônimos e independentes em diversos pontos da cidade. O propósito do livro é fazer um perfil sobre a cidade caótica e multifacetada. Nele, os cavalos são todos e o um dia serve para mostrar as inúmeras coisas que acontecem na megalópole em questão de horas.

As Meninas – Lygia Fagundes Telles

Num dos romances mais consagrados de Lygia Fagundes Telles, São Paulo é cenário na história de três universitárias tentando em constante movimento e tentando se encontrar durante 1973, uma época opressora e de grande violência, principalmente numa das principais cidades do país. Lygia Fagundes Telles faz uma bela transição entre narrador personagem e narrador observador e explora a cidade junto ao movimento das garotas.

Alguma coisa acontece – Herbert Carvalho

O livro de Herbert Carvalho traz o depoimento de 22 personalidades que ajudaram a construir São Paulo como é hoje e que, graças a isso, têm seus nomes em ruas, prédios, entre outros. É quase uma coleção de perfis que fazem o perfil da cidade.

Conte sua história de São Paulo – Milton Jung

“Conte sua história de São Paulo” foi, na verdade, um quadro da Rádio CBN, onde o âncora Milton Jung pedia para os ouvintes mandarem suas histórias com a cidade e os textos eram narrados pelos jornalistas da rádio. Essas narrativas viraram o livro de 110 textos em 12 capítulos e traz o lado mais humano da cidade pelos olhos dos seus cidadãos.

São Paulo Cidade Azul – Andrea Barbosa

Nesse livro, Andrea Barbosa tem uma pauta super interessante de avaliar a representação da grande metrópole a partir dos filmes de cineastas paulistanos da década de 1980. Ela busca entender o que era a São Paulo daquela época, o que era mostrado e escondido e traz seu olhar antropológico para seu estudo, além de incluir no livro diversas imagens belas.

A capital da solidão – Roberto Pompeu de Toledo

O jornalista Roberto Pompeu de Toledo fez uma pesquisa intensa sobre a primeira vila que começou a formar São Paulo e transformou todo o seu material em livro para contar os primeiros anos de vida da cidade que hoje é a maior do país. A pesquisa vai desde o começo da vila até 1900 e traz iconográficos, mapas, entrevistas e muito mais.

Saudades de São Paulo – Claude Lévi-Strauss

Se você estuda cultura e história, com certeza já ouviu falar de Lévi-Strauss. Ele foi um importante filósofo e antropólogo belga que, por acaso, deu aulas na Universidade de São Paulo (USP). O professor viveu na cidade entre 1935 e 1937 e resolveu registrar seu olhar antropológico em um depoimento memorável quando revisitou as imagens da cidade.

Gostou das recomendações? Se sim, veja mais do nosso especial em comemoração ao aniversário de São Paulo nas matérias Músicas sobre a cidade de São Paulo e 10 contas no Instagram para curtir São Paulo.

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13 livros que Obama leu e recomenda

Após 8 anos de governo, um dos presidentes mais populares da História, Barack Obama, deixou a Casa Branca neste dia 20. Tão influente quanto popular, Obama faz parte da lista de celebridades que exaltam a importância da leitura, junto com Oprah Winfrey, Mark Zuckerberg, Emma Watson, Bill Gates, entre outros. O Beco traz para você uma lista com 13 livros recomendados pelo ex-presidente que estão disponíveis em língua portuguesa:

1 – Toda luz que não podemos ver, Anthony Doerr

O romance foi publicado em 6 de maio de 2014 nos Estados Unidos pela editora Scribner e venceu o Prémio Pulitzer de Ficção em 2015, assim como o prémio Andrew Carnegie Medal for Excellence in Fiction. A história do romance passa-se na França ocupada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e centra-se numa menina francesa cega e num rapaz alemão que acabam por se encontrar.

2 – Harry Potter e as relíquias da morte, J.K. Rowling

Sim, Obama é Potterhead. Em um vídeo de 2007, o ex-presidente comentou sobre as expectativas para o lançamento de Harry Potter e as relíquias da  morte, último volume da saga que foi lançado em junho daquele ano. A saga Harry Potter foi escrita pela britância J.K. Rowling e é composta por 7 livros. Conta a história de um pequeno bruxo chamado Harry Potter que, junto com seus amigos, vive muitas aventuras na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, faz feitiços, poções e luta contra um grande vilão para salvar o mundo bruxo.

O universo de Rowling conquistou fãs em todo o mundo, sendo o livro mais traduzido depois da Bíblia Sagrada e uma das maiores bilheterias da História, com 8 filmes. A franquia também mantém 2 parques dentro do complexo Universal, na Flórida, 1 em Los Angeles e uma exposição de cenários, figurinos e afins nos estúdios Warner, em Londres.

3 – Cem anos de solidão, Gabriel García Marquez

É uma obra do escritor colombiano Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel da Literatura em 1982, e é atualmente considerada uma das obras mais importantes da literatura latino-americana. Esta obra tem a peculiaridade de ser umas das mais lidas e traduzidas de todo o mundo. Durante o IV Congresso Internacional da Língua Espanhola, realizado em Cartagena, na Colômbia, em março de 2007, Cem anos de solidão foi considerada a segunda obra mais importante de toda a literatura hispânica, ficando apenas atrás de Dom Quixote de la Mancha.

Sua história passa-se numa aldeia fictícia e remota na América Latina chamada Macondo. Esta pequena povoação foi fundada pela família Buendía – Iguarán. A primeira geração desta família peculiar é formada por José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán. Este casal teve três filhos: José Arcadio, que era um rapaz forte, viril e trabalhador; Aureliano, que contrasta interiormente com o irmão mais velho no sentido em que era filosófico, calmo e terrivelmente introvertido; e por fim, Amaranta, a típica dona de casa de uma família de classe média do século XIX. A estes, juntar-se-á Rebeca, que foi enviada da antiga aldeia de José Arcadio e Ursula, sem pai nem mãe.

A história desenrola-se à volta desta geração e dos seus filhos, netos, bisnetos e trinetos, com a particularidade de que todas as gerações foram acompanhadas por Úrsula (que viveu entre 115 e 122 anos). Esta centenária personagem dará conta que as características físicas e psicológicas dos seus herdeiros estão associadas a um nome: todos os José Arcadio são impulsivos, extrovertidos e trabalhadores enquanto que os Aurelianos são pacatos, estudiosos e muito fechados no seu próprio mundo interior.

4 – Destinos e fúrias, Lauren Groff

Aos 22 anos, Lotto e Mathilde são jovens, perdidamente apaixonados e destinados ao sucesso. Eles se conhecem nos últimos meses da faculdade e antes da formatura já estão casados. Seguem-se anos difíceis, mas românticos: reuniões com amigos no apartamento em Manhattan; uma carreira que ainda não paga as contas; uma casa onde só cabem felicidade e sexo bom. Uma década depois, o caminho tornou-se mais sólido. Ele é um dramaturgo famoso e ela se dedica integralmente ao sucesso do marido. A vida dos dois é invejada como a verdadeira definição de parceria bem-sucedida.

Porém, nem tudo é o que parece; toda história tem dois lados, e em um casamento essa máxima se faz ainda mais verdadeira. Se em “Destinos” somos seduzidos pela imagem do casal perfeito, em “Fúrias” a tempestuosa raiva de Mathilde se revela fervendo sob a superfície. Em uma reviravolta emocionalmente complexa, o que começou como uma ode a uma união extraordinária se torna muito mais.

5 – Entre o mundo e eu, Ta-Nehisi Coates

Ta-Nehisi Coates é um jornalista americano que trabalha com a questão racial em seu país desde que escolheu sua profissão. Filho de militantes do movimento negro, Coates sempre se questionou sobre o lugar que é relegado ao negro na sociedade. Em 2014, quando o racismo voltou a ser debatido com força nos Estados Unidos, Coates escreveu uma carta ao filho adolescente e compartilha, por meio de uma série de experiências reveladoras, seu despertar para a verdade em relação a seu lugar no mundo e uma série de questionamentos sobre o que é ser negro na América.

O que é habitar um corpo negro e encontrar uma maneira de viver dentro dele? Como podemos avaliar de forma honesta a história e, ao mesmo tempo, nos libertar do fardo que ela representa?

Em um trabalho profundo que articula grandes questões da história com as preocupações mais íntimas de um pai por um filho, Entre o mundo e eu apresenta uma nova e poderosa forma de compreender o racismo. Um livro universal sobre como a mácula da escravidão ainda está presente nas sociedades em diferentes roupagens e modos de segregação.

6 – Garota exemplar, Gillian Flynn

O livro começa no dia do quinto aniversário de casamento de Nick e Amy Dunne, quando a linda e inteligente esposa de Nick desaparece da casa deles às margens do rio Mississippi. Sinais indicam que se trata de um sequestro violento e Nick rapidamente se torna o principal suspeito. Sob pressão da polícia, da mídia e dos ferozmente amorosos pais de Amy, Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamento inapropriado.

Ele é evasivo e amargo – mas seria um assassino? Ao mesmo tempo, passagens do diário de Amy revelam um casamento tumultuado – mas ela estaria contando toda a história? Alternando entre os pontos de vista de Nick e Amy, Flynn cria uma aura de dúvidas em que o cenário muda a cada capítulo. À medida que as revelações surgem, fica claro que, se existe alguma verdade nos discursos de Nick e Amy, ela é mais sombria, distorcida e assustadora do que podemos imaginar.

7 – F de falcão, Helen Macdonald

O relato emocionante de uma mulher que se empenha para superar a dor do luto por meio da excêntrica arte de treinar falcões. Aclamado best-seller do The New York Times, F de Falcão é uma autobiografia nada usual sobre superação e autodesenvolvimento. A autora, Helen Macdonald, conta sua história a partir do momento em que viaja até a Escócia para comprar um falcão. A depressão que lhe acometera após a morte do pai criara um abismo entre ela e as demais pessoas e nada mais fazia sentido em sua vida. Porém, ao praticar a falcoaria com Mabel, sua nova ave de rapina, e ler os diários de T. H. White, clássico autor da literatura inglesa, Helen começa a entender que o luto é um estado que não pode ser evitado, mas que pode ser superado, inclusive, com a ajuda de um inusitado açor.

Muito mais do que explicar como domesticar ou caçar com falcões, a prosa magnética de F de falcão narra a angustiante história de uma mulher que se sente infeliz e sem rumo. Uma mulher que, na ânsia por superar a melancolia, encontra ao lado de um dos mais ferozes animais o caminho para expulsar os próprios demônios.

8 – A garota no trem, Paula Hawkins

Todas as manhãs, Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas d’água, pontes e aconchegantes casas. Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho.

E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes – a quem chama de Jess e Janson -, Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess – na verdade Megan – está desaparecida. Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos.

9 – Onde vivem os monstros, Maurice Sendak

Neste livro, o leitor poderá acompanhar Max, um garoto agitado que se sente incompreendido pela família, numa viagem de barco, cruzando os mares à procura de outros mundos. Ele encontra a ilha dos monstros, um lugar onde ser selvagem não é um problema. Os monstros coroam Max e ele tem de reinar numa terra de batalhas amigáveis, cachorros de 30 metros de altura, fortalezas gigantescas e perigosas perseguições. A vida na ilha também apresenta outros desafios – os monstros esperam muito de seu rei e, se não estiverem contentes, eles podem muito bem devorá-lo.

10 – O sol é para todos, Harper Lee

Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça.

Um dos grandes livros da ficção norte-americana, a obra de Harper Lee apareceu no discurso de despedida de Obama realizado na semana passada.

Nesse momento de mudanças, é importante lembrar a palavra de Atticus Finch, um dos grandes personagens de nossa ficção que lutou pela dignidade de um povo e pregou a compaixão entre as raças.

11 – Pureza, Jonathan Franzen

A jovem Pip Tyler não sabe quem é. Ela sabe que seu nome verdadeiro é Purity, que está atolada em dívidas, que está dividindo um apartamento com anarquistas e que a sua relação com a mãe vai de mal a pior. Coisas que ela não sabe: quem é seu pai, por que a mãe a força a uma vida reclusa, por que tem um nome inventado e como ela vai fazer para levar uma vida normal. Um breve encontro com um ativista alemão leva Pip à América do Sul para um estágio numa organização que contrabandeia segredos do mundo inteiro – inclusive sobre sua misteriosa origem. Pureza é uma história sobre idealismo juvenil, lealdade e assassinato. O mais ousado e profundo trabalho de um dos grandes romancistas de nosso tempo.

12 – Sapiens, Yuval Noah Harari

Harari cita o livro Armas, Germes e Aço, do autor Jared Diamond, como uma das maiores inspirações para o livro, mostrando que era possível “pedir muitas grandes perguntas e respondê-las cientificamente”. Diamond caracterizou o livro como uma obra que “Ilumina as grandes questões da história e do mundo moderno”.

O livro aborda a História da Humanidade desde a evolução arcaica da espécie humana na idade da pedra, até o século XXI. Seu principal argumento é que o Homo sapiens domina o mundo porque é o único animal capaz de cooperar de forma flexível em largo número e o faz por ser a única espécie capaz de acreditar em coisas que não existem na natureza e são produtos puramente de sua imaginação, tais como deuses, nações, dinheiro e direitos humanos. O autor afirma que todos os sistemas de cooperação humana em larga escala – incluindo religiões, estruturas políticas, mercados e instituições legais – são, em última instância, ficção.

Traduzido para mais de 30 idiomas, o livro foi selecionado por Mark Zuckerberg, criador do Facebook, para o seu Clube do Livro Online, em 2015.

13 – O problema dos três corpos, Cixin Liu

China, final dos anos 1960. Enquanto o país inteiro está sendo devastado pela violência da Revolução Cultural, um pequeno grupo de astrofísicos, militares e engenheiros começa um projeto ultrassecreto envolvendo ondas sonoras e seres extraterrestres. Uma decisão tomada por um desses cientistas mudará para sempre o destino da humanidade e, cinquenta anos depois, uma civilização alienígena a beira do colapso planeja uma invasão. O problema dos três corpos é uma crônica da marcha humana em direção aos confins do universo. Uma clássica história de ficção científica e um jogo envolvente em que a humanidade tem tudo a perder. Primeiro volume de uma elogiada trilogia, foi o primeiro proveniente da Ásia a vencer o Prêmio Hugo.

Foi uma leitura muito divertida, pois percebi que meus desafios diários como presidente não se comparam a uma ameaça iminente de invasão alienígena, brincou Obama.

O que achou da lista? Já leu algum? Que livro você acrescentaria? Deixe aqui nos comentários!

 

Livros, Resenhas

Resenha: Não pare!, FML Pepper

Não Pare! é o livro 1 da primeira trilogia da queridíssima FML Pepper. Quem já teve o prazer de conhecê-la, sabe do que eu estou falando. Bem na capa do livro, temos a seguinte pergunta: “Para se sentir vivo, você entregaria sua vida nas mãos da morte?” Sentiu o drama? Pois é, eu também senti, por isso, não resisti ao ver esse livro na Bienal e ainda garanti um autógrafo super fofo! Mas, vamos à história…

À primeira vista, Nina é só uma menina extremamente azarada, com uma mãe super protetora e neurótica e uma deficiência peculiar nos olhos que faz suas pupilas parecerem com as de um gato. Estranho, você deve estar pensando, mas nada muito bizarro. Eu também pensei assim, até que a história começa a ficar mais estranha do que o “normal” e você percebe que os surtos de azar de Nina não são tão deliberados assim e começa a parecer que tem alguém tentando matá-la. Aí, você vai me perguntar: tem alguém tentando matar a menina e ela não sabe? Como assim? É, fica meio difícil identificar seu assassino quando ele é o assassino de todos nós: a própria morte.

Bugou geral? Eu sei como é. Fazia tempos que eu não me deparava com uma história tão bugante assim. A trama é totalmente fora do padrão que temos visto por aí, chega a ser viciante de tão boa! É uma trilogia, ou seja, tem muito ainda para acontecer e é meio difícil falar desse livro sem dar spoilers, pois a história flui frenética do início ao fim, mas, tentando dar uma ideia geral, posso dizer que, na história de Pepper, a morte é como mensageiros de um povo que vive em outra dimensão e vêm para a nossa para dar fim à vida daqueles de quem chegou a hora, uma maldição que eles carregam desde o início dos tempos.

Nina é o resultado de quando o encarregado da morte de alguém se apaixona por esse alguém e não o mata, pelo contrário, faz um filho com ele. Agora, ela é vista como uma ameaça a esse equilíbrio e deve ser eliminada antes de seu aniversário de 17 anos, quando terá acesso à dimensão de seu pai. No meio de tudo isso, temos Richard, o encarregado pela morte de Nina, descrito como um bad boy charmoso e sedutor, aiai…

Além de seu próprio resgatador, Nina também tem que se preocupar com os outros resgatadores de Zyrk, planeta desse povo amaldiçoado, formado por 3 clãs que lutam pela sua posse. Afinal, ela é uma híbrida (junção de uma humana com um zirquiniano) e, de acordo com a lenda, é dotada de uns poderes um pouco peculiares, como o poder de fazê-los “sentir”. Sentir? Sim, sentir bons sentimentos, como o prazer sexual. É, minha gente, em um lugar onde ninguém sente nada de bom e só faz sexo para procriação, Nina vale mais do que todo o ouro de todas as dimensões juntas, e isso causa muita confusão.

Não preciso nem dizer que recomendo a leitura e estou ansiosa para ler o resto da série e saber o que acontece com a menina, com o bad boy, com o equilíbrio, se mais alguém morre, enfim, as coisas de sempre. Não pare!, Não olhe! e Não fuja! estão disponíveis em livro físico e e-book em todo o país e, principalmente, na internet, já que foi na Amazon que a autora começou a vender a sua história, sendo publicada depois pela Editora Valentina.

Livros, Resenhas

Resenha: Projeto Manhattan vol. 1, Hickmam e Pitarra

Vocês provavelmente já ouviram falar do Projeto Manhattan. Ele aconteceu nos Estados Unidos, tendo como objetivo o desenvolvimento da bomba atômica. O projeto teve início em 1942 e durou até 1947, tendo apoio de outros países como Canadá e Reino Unido e chegando a ter 130 mil funcionários envolvidos.

No livro Projeto Manhattan Vol. 1, assinado por Hickman e Pitarra e publicado no Brasil em dezembro de 2013 pela editora Devir, a História, com H maiúsculo, é o pano de fundo. O que Hickman faz é contá-la do ponto de vista dos que participaram do Projeto, acrescentando elementos da ficção científica aos dados e podendo, dessa forma, explorar a aura de mistério e desconfiança que sempre o envolveu.

Jonathan Hickman desenvolve histórias em quadrinhos para a Image Comics, por meio da qual lançou Projeto Manhattan e outros trabalhos, e para a Marvel, onde contribuiu com Avengers, The New Avengers e outros. Nick Pitarra, por sua vez, é um desenhista estadunidense que já contribuiu em trabalhos como S.H.I.E.L.D., Teenage Mutant Ninja Turtles e Red Wing. As cores do volume 1 ficaram por conta da brasileira Cris Peter, que tem ganhado cada vez mais espaço no universo das histórias em quadrinhos; ela já desenvolveu trabalhos com a Marvel e com a DC, além de concorrer ao prêmio Eisner em 2012.

O título original da HQ, que é Manhattan Projects, dá a entender que o projeto estadunidense não se limitou a criar armas nucleares. O que a narrativa de Hickman propõe é que as tecnologias desenvolvidas e/ou trancafiadas nos laboratório do projeto seriam tão incríveis, assustadoras e questionáveis que a produção de bombas atômicas funcionou como um disfarce perfeito, algo impressionante o suficiente para que ninguém questionasse se havia algo a mais por trás daquilo.

No começo, duas histórias paralelas são contadas. Primeiro vemos General Leslie Groves entrevistando o Dr. Robert Oppenheimer, candidato a integrar o Projeto Manhattan. Nessa primeira cena já descobrimos que o Dr. tem um irmão, dando a deixa para a história paralela, na qual Joseph Oppenheimer nos é apresentado. A relação entre os irmãos é esclarecida aos poucos, por meio de páginas destoantes que interrompem a narrativa aparentemente central. No decorrer da história percebemos que essa relação é um dos mais interessantes elementos do volume. Tais flashbacks são responsáveis por nos mostrar mais profundamente alguns dos personagem, e em uma leitura mais atenta percebemos que todas as cenas do passado destacadas representam momentos essenciais de suas vidas, que reverberam de forma direta em suas atitudes e posicionamentos no momento atual, 1942. Além disso, esses momentos destacam o trabalho da colorista Cris Peter, que ao delimitar um padrão específico e fixo de cores para flashbacks nos ajuda a diferenciar esses momentos e cria mais um elemento bem bonito.

Outro aspecto que também nos ajuda a compreender a história são os trechos da Clavis Aurea, presentes entre os capítulos. Ela seria um diário do cientista Richard Feynman, um físico essencial ao Projeto. No site gringo CBR foi colocado que Projeto Manhattan “‘É um livro de conjunto. Ele apresenta o General Leslie Groves, Oppenheimer, Enrico Fermi, Wernher Von Braun, Einstein, FDR, Truman, Yuri Gagarin’, disse Hickman. ‘Se houver um personagem central, seria Feynman porque toda a coisa é contada a partir de sua perspectiva – de seus diários, Clavis Aurea – The Collected Feynman’”.

 

Personagens de Projeto Manhattan Vol. 1

 

Quase todos os personagens são figuras reais e estiveram envolvidos no desenvolvimento da bomba atômica, tecnologia responsável pela destruição das cidades japonesas Hiroshima e Nagasaki. Suas personalidades são bem exploradas pelo autor, que os coloca em situações que beiram o absurdo. É o caso de quando nos apresenta um portal chamado de Torii Vermelho, alimentado pela energia de monges budistas da morte; através dele saem centenas de soldados-máquina japoneses conhecidos como Máquina Mortífera Kamikaze, criados por Soichiro Honda (o mesmo que fundou a Honda Motor Company, e que chegou a produzir hélices para a Força Aérea Japonesa durante a Guerra). Além disso, o autor explora teorias da conspiração, como quando trata da relação entre humanos e criaturas extraterrestres, deixando claro que tal contato acontece há décadas.

O trabalho dos três, Hickman, Pitarra e Peter, é bem integrado, resultando em um livro de qualidade. Os traços de Pitarra dão mais sinceridade à obra, reforçam características como rugas, marcas de expressão, descuidos com a aparência… elementos que enriquecem a construção dos personagens. Nesse sentido, os trabalhos se conversam, se misturam.

Outro aspecto positivo é que o fato de ser baseado na História mexe com a curiosidade. Enquanto lia, pesquisava todos os nomes que apareciam querendo separar o real do ficcional, e percebi que em Projeto Manhattan Hickman utiliza aqueles elementos que permeiam o imaginário popular, como a relação com os alienígenas, o envolvimento entre americanos e alemães nazistas e tecnologias devastadoras sendo controladas por generais ignorantes, para construir uma ficção que, ainda que absurda, não pareça tão distante de nós e indiretamente nos apresente novos detalhes da própria História. Ele brinca com os limites entre real e fantástico.

Por tudo que mencionei, a leitura de Projeto Manhattan Vol. 1 é indicadíssima. O volume 2 foi lançado há menos de dois meses pela Devir, e já pode ser encontrado em várias livrarias. Em breve publicaremos uma resenha sobre ele. Até lá, leiam! Vale a pena.