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Resenha: Corte de Espinhos e Rosas, Sarah J. Maas

Nesse misto de A Bela e A Fera e Game of Thrones, Sarah J. Maas cria um universo repleto de ação, intrigas e romance. Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação. Arrastada para uma terra mágica e traiçoeira — que ela só conhecia através de lendas —, a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, senhor da Corte Feérica da Primavera. À medida que ela descobre mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade até uma paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra e antiga sombra avança sobre o mundo das fadas e Feyre deve provar seu amor para detê-la… ou Tamlin e seu povo estarão condenados.

Faz um tempinho que não venho aqui falar sobre o que ando lendo por inúmeros fatores… é a faculdade? é sim, mas principalmente é a falta de ânimo que venho tendo com as minhas leituras. Sempre as mesmas histórias base, disfarçadas por personagens com os outros nomes e cometendo os mesmos erros… estaria eu enjoada do mundo young adult? Para me tirar da minha monotonia e me fazer mergulhar completamente numa história nova e diferente de tudo que lá li chega Corte de Espinhos e Rosas.

O livro começa nos apresentando Feyre, uma jovem de 19 anos que luta sozinha pela sobrevivência da sua família. Após a morte da sua esposa, o pai de Feyre tomado pela depressão, negligenciou a família e Feyre se vê na obrigação de sair e caçar comida para ela e para suas irmãs, bem como cozinhar e cuidar de todos.
Em uma noite fria, nossa protagonista mata um lobo especialmente estranho e ameaçador. Feliz em voltar com comida que duraria semanas, Feyre nem imagina que ali mudou o completamente o destino de sua vida.

Quando comecei a ler confesso que estava bem desanimada… mais uma distopia, mais uma mocinha de caráter forte, que batalha pela sua vida mas espera docemente por um príncipe para começar a viver de verdade. Como fiquei feliz em conhecer Feyre. Na verdade ela passa longe de ser uma dama aguardando o homem perfeito. Ela é mal humorada, não sabe ler nem escrever, é excelente no arco e flecha e tem um caso (sexual, não amoroso) com seu vizinho. Nesse momento do livro conhecemos pouco seu pai e suas irmãs, o que me parece uma perda enorme. Mas com o passar da leitura eles se tornam extremamente importantes para a série como um todo, principalmente Nesta, que até os dias de hoje ainda não decidi se amo ou odeio.

Em mais uma noite fria, a cabana da família é invadida por uma fera imensa nunca antes vista. Com ele, o ar de magia não deixa dúvidas: a besta é um féerico e foi até ali buscando vingança pela morte do seu amigo, o lobo. E como pagamento ele exige que Feyre se entregue. Com medo do que a fera pode fazer a sua família, Feyre parte rumo ao desconhecido: é levada ao outro lado da muralha, erguida há muitos anos para separar o território dos humanos do lado dos feéricos.

Do outro lado Feyre descobre que a fera é na verdade um homem… Tamlin, que assumiu sua forma de batalha para ir busca-lá. Ali ela descobre que Tamlin e todos os outros feéricos que vivem na Corte Primaveril usam uma máscara no rosto, resultado de uma praga mágica que há quase 50 anos assola todos os moradores.

É nesse momento em que vamos sendo conquistados. Sarah J. Maas cria um universo encantador, com personagens imensamente ricos. Podemos ver uma protagonista que cresceu em meio a dificuldades e repleta de ódio no coração conhecer o cuidado e o amor. Somos envolvidos com o mistério das máscaras que nunca saem, imaginando junto com Feyre o rosto de cada personagem e claro, tendo nossos corações conquistados aos poucos pela atenção de Tamlin.

Porque sua alegria humana me fascina, o modo como vivencia as coisas em sua curta existência, tão selvagem e intensamente e tudo de uma vez, é… hipnotizante. Sou atraído por isso, mesmo quando sei que não deveria, mesmo quando tento não ser.”

Sarah J. Maas já é conhecida pela sua escrita impecável e por personagens apaixonantes, e dessa vez ela se supera. Não são poucas as surpresas e reviravoltas no final da leitura. Em determinado momento é humanamente impossível parar de ler. E mesmo no fim a autora não para de nos surpreender. Corte de Espinhos e Rosas entrou bruscamente na minha lista de favoritos e espero que entre na sua (o quanto antes!).

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Vale Influenciadores: Vem ver tudo o que rolou! #03

No último dia 02 de setembro, o Beco Literário organizou com o Estante LZ, o primeiro encontro de influenciadores digitais visando o networking e a produção de conteúdo entre eles do Vale do Paraíba, o Vale Influenciadores! Para quem acompanha as redes sociais, viu que os últimos dias foram uma correria para arrumar os brindes, conseguir os últimos patrocinadores e ainda manter todo mundo informado sobre o que estava acontecendo no evento. Não foi uma tarefa fácil, mas conseguimos! E para mostrar um pouquinho de como foram as coisas, produzimos um vídeo no formato de daily vlog, olha só:

O evento aconteceu na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) de São José dos Campos e contou com a presença de nomes como Nicole Oliveira, Gabriel Lucas, Henrique Silva e Armindo Ferreira em um debate totalmente aberto para o público, que beirou as 100 pessoas na manhã de sábado. E essa foi só a primeira edição! Com certeza teremos mais.

E claro, aproveitando esse post para deixar um super obrigado ao Matheus Malex, aqui do Beco, que capturou quase todas as imagens desse vídeo enquanto eu estava na correria da organização ou lá em cima do palco.

Para saber mais sobre o evento, clique aqui! Você também pode conferir o cronograma, as fotos oficiais de todos os participantes do dia e acompanhar as novidades das próximas edições na nossa página do Facebook!

Livros, Resenhas

RESENHA: Corações de Neve, Dragões de Éter, Vol. 2, Raphael Draccon

Continuando a história de Draccon, em Corações de Neve, segundo volume de Dragões de Éter, o tempo pula 8 meses e o reino de Arzallum parece começar a se recuperar de todas as tragédias que o assolaram. Anísio Brandfort assume o trono do pai com a promessa de honrar a fama do maior de todos os Reis, Maria e Axel engatam um romance digno de contos de fadas e João e Ariane enfrentam os desafios de crescer e assumir todas as responsabilidades que vem com isso. A caçada às bruxas parece cada vez mais inevitável, os segredos desse povo tão intrigante começam a ser revelados e mais personagens surgem, como um tal moço conhecido por roubar dos ricos e dar aos pobres.
A escrita continua a mesma, a marca de Raphael Draccon: quadro a quadro, como em um filme. A descrição é surpreendente, descrição esta que não é feita por um narrador frio e impessoal, mas pelo criador desse mundo tão fantástico. Comicidade e drama se misturam em um tempero perfeito e Nova Éter passa a se solidificar mais em nossas mentes. Conhecemos o reino dos Corações de Neve, a qual a filha foi prometida a Anísio e, após a quebra da maldição do príncipe/rei, vira a nova rainha de Arzallum. Claro que história boa tem que ter maldição, então, algo muito estranho começa a acontecer com o pai da rainha… As histórias não param. Os personagens não param. Tudo se entrelaça e, ao contrário do que se espera de um livro longo, não tem encheção de linguiça, nem enrolação. Cada página é necessária e vale a pena ser lida.
Esse livro voou mais rápido do que o primeiro e tenho que admitir que o Draccon me surpreendeu. Olhando de fora, tem tudo para deduzirmos que vai ser uma leitura longa e dolorida, me julgaram louca por andar de um lado para o outro com um livro de 500 páginas em plena era de e-books, mas valeu a pena! O mundo se torna muito mais bonito quando acreditamos que contos de fadas podem ser reais. Recomendo tanto quanto o primeiro, mas se preparem: você vai pular da última página para a primeira do terceiro volume, não vai conseguir parar. Agora, de volta para Nova Éter, pois tenho uma história para terminar. E um.. Dois… Três.
Livros

Romance gráfico dos sobreviventes: trauma e testemunho em “Maus”

Escrever um poema após Auschwitz é um ato bárbaro – Theodor W. Adorno

Maus é uma graphic novel de Art Spiegelman. Publicada inicialmente em capítulos na Raw, revista de quadrinhos e artes visuais de vanguarda editada pelo próprio Spiegelman e Françoise Mouly, entre 1980 e 1991, foi posteriormente publicada em duas edições: em 1986 a parte I História de um sobrevivente: meu pai sangra história e em 1991 a parte II E aqui meus problemas começaram, sendo, por fim, publicada em 1994 em edição completa contento as duas partes.

Segundo EISNER (2005, p. 8) entre 1965 e 1990 os autores das histórias em quadrinhos começaram a se interessar por conteúdos literários, acarretando em um mercado de distribuição e no surgimento de lojas especializadas.

Autobiografias, protestos sociais, relacionamentos humanos e fatos históricos foram alguns dos temas que passaram a ser abraçados pelas histórias em quadrinhos. As graphic novels com os chamados “temas adultos” proliferaram e a idade média dos leitores aumentou […]. Acompanhando essas mudanças, um grupo mais sofisticado de talentos criativos foi atraído por essa mídia e elevou seu padrão. (Ibidem)

Esta obra de Spiegelman se encaixa no que Eisner chamou de “temas adultos”, já que nos apresenta uma narrativa sobre o Holocausto por meio da biografia de seu pai, Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu aos campos de concentração.

O sucesso e aceitação da obra são tamanhos que Maus passa a ser o único quadrinho a ganhar, em 1992, o Prêmio Pulitzer, importante premiação norte-americana dada a obras e instituições que se destacam nas áreas de jornalismo, literatura e composição musical.

Maus nos traz várias dimensões dentro da obra como, por exemplo, o caráter jornalístico, a metalinguagem e a autobiografia. Art nos mostra não só uma história do Holocausto, mas o processo de “contação” e de “investigação” dessa história (já que ele se coloca como personagem). Sendo assim, o autor vai além ao fundir sua própria autobiografia àquela do pai, é uma história sobre consequências acima de tudo e como o evento traumático vivido por Vladek pôde influenciar sua relação com o filho e demais pessoas que o cercam.

Autobiografia e investigação em Maus. Fonte: SPIEGELMAN, 2009, p. 13.

Outra dimensão interessante dentro desta obra de Spiegelman é o caráter de fábula. Como se pôde perceber pela imagem acima, em Maus os humanos passam pelo processo de personificação (ou prosopopeia): judeus são representados como ratos, alemães como gatos, norte-americanos como cachorros, poloneses como porcos e franceses como sapos.

Em um primeiro momento, se considerarmos o conceito de fábula como: narrativa fantasiosa que apresenta uma lição de moral e na qual animais têm características humanas, podemos entender a escolha de Art Spiegelman como um meio de acentuar o caráter “surreal/absurdo” do tema, no sentido de se narrar um fato que foge à compreensão.

Diversos autores que trabalharam com esta temática ou vivenciaram o Holocausto deixaram trechos em que comentam a impossibilidade de se entender Auschwitz. Como, por exemplo, Sarah Kofman no livro Paroles suffoquées:

Sobre Auschwitz e depois de Auschwitz, não é possível narração, se por narração entende-se: contar uma história de eventos fazendo sentido. (KOFMAN apud SILVA, s.n.t., p. 6)

Ideia também presente no trecho de Adorno que escolhemos para epígrafe deste artigo.

O Holocausto perseguiu e exterminou cerca de seis milhões de judeus em uma operação que ficou conhecida como “Solução Final”. Múltiplas formas de assassinato foram utilizadas: fome, frio, trabalho forçado, além da mais conhecida: a morte nas câmaras de gás e posteriormente incineração dos corpos para que nada, nenhum vestígio, sobrevivesse.

Além da dimensão da fábula, o entendimento do Holocausto como um evento que recusa a interpretação lógica é abordado pelo próprio Spiegelman dentro da obra:

A incompreensão de Auschwitz. Fonte: SPIEGELMAN, 2009, p. 224.

Para além desta primeira explicação, o uso da personificação também pode ser considerado como parte do ideal nazista, já que uma das crenças que sustentavam o regime era a de que os alemães eram uma raça superior e os judeus, inferiores.

Isto é, ao não desenhar rostos humanos e suas particularidades, Spiegelman unifica as personagens e as coloca como pertencentes a um grupo homogêneo: aquele designado pela raça. Tal fator fica ainda mais visível ao analisarmos a epígrafe escolhida para Maus, uma conhecida frase de Hitler:

Sem dúvida os judeus são uma raça, mas não são humanos – (SPIEGELMAN apud Hitler, 2009, p. 10).

MAUS E A LITERATURA DE TESTEMUNHO

Nunca existiu um documento da cultura que não fosse ao mesmo tempo um [documento] da barbárie – Walter Benjamin

Literatura de testemunho é o relato de alguém (a testemunha) que passou por algum evento ou experiência traumática. Esse tipo de literatura está primeiramente associado à literatura do Holocausto, aquela feita pelos sobreviventes dos campos de concentração da II Guerra Mundial como, por exemplo, Primo Levi e sua obra mais conhecida É isto um homem? (1947).

Contudo, tal conceito também pode se estender aos depoimentos feitos por sobreviventes de outros genocídios, como os massacres indígenas da América Latina, ou mesmo aqueles que foram perseguidos e sobreviveram a outros períodos ditatoriais.

Segundo Márcio Seligmann-Silva, narrar o trauma assume, para além da importância histórica, o desejo de “estabelecer uma ponte com o outro”, encaixando na categoria de “outro” aqueles que não vivenciaram tal experiência e por isso são incapazes de entender sua total complexidade.

Por outro lado, há inúmeros fatores que dificultam tal processo. Além da já mencionada dificuldade de narrar um evento de natureza tão traumática, há a condição “psicológica” do sobrevivente.

Aquele que produz o depoimento sente dificuldade de se afastar para poder produzir um testemunho lúcido e íntegro, “mais especificamente, o trauma é caracterizado por ser uma memória de um passado que não passa” (SILVA, 2008, p. 69).

O muro não é derrubado por completo e o estranhamento entre o enunciador e o outro e entre a realidade vivida como trauma e a realidade exterior permanecem. A inverossimilhança, o absurdo e o surreal dos eventos vividos precisam ser traduzidos por meio da lógica linguística e da verossimilhança atribuída ao mundo exterior, surge, então, o desafio de se “narrar o inenarrável”. Tal fato pode ser visto em inúmeras passagens de Maus.

Art x Vladek. Fonte: SPIEGELMAN, 2009, p. 6.

Logo nas primeiras páginas da obra somos apresentados a uma remota lembrança de Art durante sua infância em um diálogo com o pai, Vladek. Neste momento, já podemos perceber como um fato corriqueiro da vida entre pai e filho (o aconselhamento) é mediado pela experiência de Vladek nos campos de concentração.

Ademais, outro fator presente em inúmeras páginas é a obsessão de Vladek por economia e organização.

Consequências do Holocausto. Fonte: SPIEGELMAN, 2009, p. 100.

Esta personalidade não é compreendida pelo filho e é o motivo da maioria das brigas entre os dois, contudo, colocando o comportamento atual de Vladek em paralelo às experiências vividas por ele em Auschwitz relatadas ao filho, fica evidente ao leitor a ligação entre as duas realidades.

Um dos motivos que fizeram Vladek Spiegelman sobreviver ao Holocausto foi sua habilidade para negociar. Racionava porções de comida para mais tarde trocar por objetos de seu interesse, negociava com guardas e outros prisioneiros, sempre tentando sobreviver e melhorar, ainda que minimamente, seu tempo no campo de concentração.

Com relação à organização, ela pode ser atribuída à disciplina exigida dos prisioneiros dentro de Auschwitz. Em um dos momentos do relato, Vladek menciona que durante um tempo teve a profissão de bettnachzieher – um “arrumador de cama”, depois que todos arrumavam as camas e saiam dos pavilhões, ele era o responsável por ficar e deixar tudo mais organizado e arrumado.

Um ponto interessante ainda a ser tratado diz respeito ao personagem de Art dentro da obra. As conclusões chegadas acima, por exemplo, são subentendidas pelo leitor. O comportamento de Vladek permanece uma incógnita para o filho.

A incompreensão de Art. Fonte: SPIEGELMAN, 2009, p. 174.

 

Há dois momentos-chave na obra para entender tal relação. O primeiro em uma conversa entre Art e sua esposa, Françoise, e o segundo entre Art e seu analista, Pavel, também sobrevivente dos campos de concentração. Em tais situações, o autor revela a relação conturbada e os sentimentos conflituosos que nutre com relação ao pai e a Auschwitz.

Retomando a teoria da literatura de testemunho, percebemos que há também em Art Spiegelman a dificuldade do narrar. O próprio autor, ainda que não tenha sido perseguido pelos nazistas, também é um sobrevivente e faz parte do trauma já que teve sua vida inteiramente modificada pelo Holocausto, o qual desencadeou a morte do irmão mais novo, Richieu, o suicídio da mãe, Anja, e os problemas de relacionamento com o pai.

Art Spiegelman faz parte de um grupo de quadrinistas que retratam em suas obras temas polêmicos e complexos como o Holocausto. Para além de suas habilidades técnicas e as dimensões do testemunho dentro de sua obra, o livro aqui analisado é um documento importante para a compreensão das grandes catástrofes produzidas pela humanidade.

Em uma era como a nossa, em que regimes de direita sobem novamente ao poder, em que guerras civis se espalham pelo mundo e a aversão entre diferentes povos e religiões parece cada vez maior, é fundamental o conhecimento e compreensão das atrocidades do passado para que, talvez, não cometamos os mesmos erros novamente.

BIBLIOGRAFIA

ADORNO, Theodor W. Crítica cultural e sociedade In:____ Indústria cultural e sociedade. Trad. Juba Elisabeth Levy. Paz e Terra: São Paulo, 2002, 5. e.d., p. 61.
EISNER, W. Narrativas gráficas. Trad. Leandro Luigi Del Manto. Devir Livraria: São Paulo, 2005.
Enciclopédia do Holocausto. Disponível em: < https://www.ushmm.org/ptbr/holocaust-encyclopedia>. Acesso em: 5 dez. 2016.
GERHARDT, Rosani Ketzer; UMBACH, Carla Carine. Uma leitura de Maus: a história de um sobrevivente. Revista Eletrônica Literatura e Autoritarismo. Santa Maria, n. 22, p. 46 – 55, 2013. Disponível em: < https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/12972/pdf>. Acesso em: 5 dez. 2016.
SALGUEIRO, Wilberth. O que é literatura de testemunho (e considerações em torno de graciliano
ramos, alex polari e andré du rap). Matraga: Estudos Linguísticos e Literários. Rio de Janeiro, v. 19, n. 31, p. 284 – 303, 2012. Disponível em: < http://www.pgletras.uerj.br/matraga/matraga31/arqs/matraga31a17.pdf>.
SILVA, Márcio Seligmann. Testemunho da Shoah e literatura. s.n.t. Disponível em: < http://diversitas.fflch.usp.br/files/active/0/aula_8.pdf>. Acesso em: 5 dez. 2016.
SILVA, Márcio Seligmann. Narrar o trauma: a questão dos testemunhos de catástrofes históricas. PSIC. CLIN., Rio de Janeiro, v. 15, n. 2, p. 65 – 82, 2008. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/pc/v20n1/05>. Acesso em: 5 dez. 2016.
SILVA, Rodrigo Vieira da. Quando a guerra alquebra o pai: a falência da figura paterna em Maus, de Art Spiegelman. Editora EDUEPB: Campina Grande, 2009, 13p.
SPIEGELMAN, Art. Maus: a história de um sobrevivente. Trad. Antonio de Macedo Soares. Companhia das Letras: São Paulo, 2009.

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BECO NA BIENAL: ESPECIAL FML PEPPER #21

Encerrando os nossos especiais do Beco na Bienal (aaaaaaah) sobre a Bienal do Livro, hoje temos o especial da FML Pepper. Autora carioca com nome gringo, Pepper conquistou o público infanto-juvenil com a trilogia Não Pare!, publicada pela editora Valentina. Agora, na Galera Record, ela promete surpreender com seu novo livro Treze, lançamento da Bienal do Livro Rio 2017. Confira a programação e vá lá pegar um autógrafo com ela, é um amor de pessoa. http://bienaldolivro.com.br

FML PEPPER

Ser apaixonada por leitura não ia de encontro à minha origem. Vinda de uma família humilde, eu não tive acesso a livros de ficção no decorrer de minha infância. Eles eram caros e meus pais esforçavam-se por comprar os estritamente necessários (e chatos!), tais como: matemática, física, química, etc.
Tive que deixar minha paixão pela leitura de lado e começar a trabalhar desde cedo. O tempo se esvaía, como água entre os dedos, e não me sobravam minutos para os sonhos. Nunca. Minha vida foi tomando outros rumos e acabei me formando em Odontologia (que, por sinal, aprendi a amar também).
Porém, a mesma vida que me fez mudar de direção, deu uma guinada em sua trajetória e me colocou face a face com meu antigo e fulminante amor: Os Livros de Ficção, mais especificamente, os livros infanto-juvenis. Wokaholic assumida, vi meu mundo ficar de cabeça para baixo quando meu médico me disse que estava grávida, mas que era uma gravidez de risco e que teria que ficar de repouso durante os nove meses, caso realmente quisesse segurar o bebê em meus braços.
De início, achei o máximo ficar algumas semanas sem fazer nada, só comendo besteiras e vendo todos os programas da televisão ( que nuca tive a oportunidade de assistir!). Mas, os dias foram passando e, com eles, a minha paciência. Após um mês deitada, comecei a ficar nervosa e estava a um passo da depressão quando meu marido (e nas horas vagas, meu super herói) entrou em ação. Vou me recordar até os últimos dias de minha vida quando ele chegou em casa carregando um presente envolto num lindo embrulho e disse com um sorriso travesso nos lábios:

“Você já dormiu demais. Está na hora de começar a sonhar.”

Abri o pacote e lá estava o meu grande amor piscando para mim: um livro de ficção e não de odontologia. E era infanto –juvenil!
Bom, dali em diante, devorei quantidades absurdas deles. Não sei se vale a pena dizer, mas eu li quase 100 livros em menos de um ano. Loucura, não? Mas é a pura verdade.
O resto são detalhes.
Obras: Trilogia Não Pare! (Não Pare!, Não Olhe!, Não Fuja!), Treze.
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Colunas, Livros

Ensaio: Elementos estruturais da narrativa – Foco Narrativo #01

Hey leitores do Beco! Espero que esteja tudo bem com vocês!

Reservei algo super interessante para discutir com vocês hoje: Elementos Estruturais da Narrativa. Não é muito interessante quando se lê um livro narrativo e não se entende quem é a voz que está a contar e desenvolver a trama. Causa um tipo de fragmentação e a leitura se torna complicada e, para alguns tipos de leitores, nem um pouco apreciável.

Por este motivo, trouxe algumas teorias da literatura para te ajudar a reconhecer o foco narrativo do seu livro em leitura, e concretizar a beleza e a doçura de se ler um livro e entendê-lo completamente. Ao se fazer a análise de qualquer livro (seja ele romanceado ou não) numa macrovisão, ou conto ou crônica numa microvisão textual, é preciso se atentar para cinco elementos base de estudo:

• FOCO NARRATIVO (NARRADOR)
• PERSONAGENS
• TEMPO
• ESPAÇO
• ENREDO

Este ensaio tem o objetivo de discutir o foco narrativo com exemplificação e profundidade teórica.

Um dos grandes nomes da análise literária é Gérard Genette, teórico literário e crítico francês que elaborou a sua própria abordagem poética a partir do viés estruturalista. Para este autor, a narrativa se concretiza como DIEGESE: “termo empregado para indicar a história, a fábula, conjunto dos acontecimentos num texto literários”, em tal abordagem estrutural, a análise literária se torna cabível a partir do reconhecimentos de dois planos congruentes, correlacionados que preexistem na atmosfera artística das letras.

São eles:
– Plano da Enunciação
– Plano do Enunciado

Enquanto o Plano da Enunciação se restringe em estudar a voz que perfaz a ação de narrar, o Plano do Enunciado se propõe a discutir o que já está escrito, o plano do discurso ou da narrativa. Para Gérard Genette, “narrativa” é: “todo discurso que nos apresenta uma história imaginária como se fosse real, constituída por uma pluralidade de personagens, cujos episódios de vida se entrelaçam num tempo e num espaço determinados.”

Mas quem é a voz que tem o trabalho de descrever ao leitor todo esse sistema dito na citação anterios?
– Somente uma resposta cabível: o narrador.

Em uma grande área, existem dois tipos de narradores. O narrador em primeira pessoa e o narrador em terceira pessoa.

O narrador em primeira pessoa também é conhecido como um narrador personagem e possui quatro tipos.

– Narrador Personagem: Segundo Pouillon, o narrador personagem está fundamentado na teoria do “Visão com”, isto é, um personagem envolvido na história assume o papel de narrador e o leitor passa a conhecer a história pela ótica do mesmo.

– Narrador Personagem Protagonista: identifica-se como personagem principal que vive os fatos da narrativa e acumula o papel de sujeito da enunciação e do enunciado.

Exemplo:
Livro: Dom Casmurro
Narrador Personagem Protagonista: Bentinho
Escritor: Machado de Assis

– Narrador Personagem Secundário: o personagem/narrador não está em primeiro plano, embora participa da narrativa, sua função é mais importante no nível da enunciação.

Exemplo:
Livro: O Morro dos Ventos Uivantes
Narrador Personagem Secundário: Sr. Lockwood
Escritora: Emily Bronte

– Narrador Testemunha: personagem presente no texto só para narrar os acontecimentos. O termo testemunha diz respeito ao fato de o personagem narrador contar tudo aquilo que viu, ouviu ou que leu em algum lugar.

Exemplo:
Livro: O resto é silêncio
Narradores Testemunhas: Doutor Lustosa; Norival; Tônio Santiago; Aristides Barreiro; “Sete- Meis”; Chicarro e Marina.
Escritor: Érico Veríssimo

Narrador em terceira pessoa é um tipo específico que possui um dom chamado ONISCIÊNCIA. Ele sabe de tudo. Entretanto, uma teoria fora discutida por Friedman, elenca quatro subáreas para o narrador pressuposto, são elas:

– Onisciente Neutro
– Onisciente intruso
– Onisciente seletivo
– Narrador Câmera

Em linhas gerais, o narrador pressuposto é uma entidade da narrativa que sabe de todas as coisas, inclusive dos pensamentos e sentimentos das personagens e detalhes de cada acontecimento. Para Gérard, um exemplo claro seria a Morte no livro “A menina que roubava livros”. Estava em todos os lugares, sabia de detalhes dos acontecimentos e os sentimentos das personagens ao morrer.

E aí, curtiram? Espero ter ajudado vocês! Um grande abraço e até a próxima.

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Beco na Bienal: Especial Gayle Forman #20

Gayle Forman estará na Bienal do Livro Rio 2017 e o Beco traz um especial sobre a autora que é conhecida por seus romances para o público jovem com conteúdos atuais e reflexivos. Não esqueça de conferir no site da Bienal toda a programação http://bienaldolivro.com.br

Gayle Forman começou sua carreira escrevendo para a Revista Seventeen, com a maioria de seus artigos com foco nos jovens e preocupações sociais. Mais tarde, ela se tornou uma jornalista freelancer para publicações como Details Magazine, Jane Magazine, a Revista Glamour Nação, da Revista Elle, e a Revista Cosmopolitan. Em 2002, ela e seu marido, Nick, fizeram uma viagem ao redor do mundo, o que a ajudou a acumular experiências e informações que, mais tarde, serviu como base para seu primeiro livro, um diário de viagem, You Can’t Get There From Here: A Year On The Fringers Of A Shrinking World (Você não Pode Chegar Lá a Partir Daqui: Um Ano À Margem De Um Mundo cada vez menor). Em 2007, publicou seu primeiro romance para jovens adultos Sisters In Sanity (O Que Há de Estranho em Mim), que é baseado em um artigo que escreveu para a Seventeen.

Em 2009, Gayle lançou Se Eu Ficar, um livro sobre uma jovem de 17 anos chamada Mia, que se envolveu em um trágico acidente de carro. O romance segue a experiência de Mia, enquanto ela está deitada em coma plenamente consciente do que está acontecendo ao seu redor e tudo o que seu visitantes dizem e fazem. Sentindo a agonia da perda das pessoas mais próximas a ela e ainda ciente do grande amor daqueles que permanecem, ela deve fazer a escolha de aguentar firme ou se deixar ir. Forman ganhou o Prêmio de Livro do Ano do NAIBA, em 2009, e foi o vencedora do Prêmio de Honra do Indie Choice Awards, em 2010. A adaptação do filme “Se eu Ficar”, estrelado por Chloë Grace Moretz, foi lançado nos Estados Unidos em 22 de agosto de 2014. A sequência, intitulada Where She Went (Para Onde Ela Foi), foi lançado em 2011. Contado a partir do ponto de vista de Adam, o romance é sobre o relacionamento de Adam e Mia depois do acidente.

Em janeiro de 2013, Gayle Forman lançou Apenas Um Dia (Just One Day). O romance segue Allyson Healey, que, no último dia de viagem pela Europa, pós-formatura do Ensino Médio, conhece um ator holandês vagabundo chamado Willem. Em uma decisão não-característica de momento, Allyson vai para Paris com Willem, onde passam um dia juntos antes que ele desapareça. A sequência para “Apenas Um Dia”, intitulada Apenas Um Ano, foi lançada em outubro de 2013. O romance segue o mesmo caminho cronológico da primeira história, mas contada a partir da perspectiva de Willem. O capítulo final da história de Allyson e Willem, intitulado Apenas Uma Noite, é uma novela de 50 páginas, que foi lançada em formato de ebook em 29 de Maio de 2014.

Em janeiro de 2015, Gayle lançou Eu Estive Aqui, que é uma história sobre uma garota de 18 anos de idade lidando com o súbito suicídio de sua melhor amiga. Os direitos cinematográficos do livro foram apanhados pela New Line Cinema um mês mais tarde. Em 2016, ela lançou seu primeiro romance adulto, Leave Me. Com 47 anos, atualmente, Gayle Forman mora no Brooklyn, Nova Iorque, com o marido e as duas filhas.

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Beco na Bienal: Especial Paula Hawkins #19

Os buracos na sua vida são permanentes. É preciso crescer ao redor deles, como raízes de árvore ao redor do concreto; você se molda a partir das lacunas.- Paula Hawkins (A Garota no Trem)

O livro A Garota no Trem, foi um sucesso mundial, líder de vendas nos EUA por 19 semanas em 2015, superando O símbolo perdido de Dan Brown. Mas o sucesso nem sempre foi conhecido por Paula Hawkins: antes de emplacar com o complexo thriller e se lançar na literatura policial, Hawkins havia fracassado nas vendas de seus quatro romances anteriores. Todos tinham temáticas bem diferentes da nova dama do suspense: eram todos de temática romântica e a autora usava o pseudônimo Amy Silver.

Hawkins sempre gostou de tramas policiais e suspense, e sempre quis escrever algo do gênero, e a mesma já teve um passado jornalístico, porém nada de reportagens criminais; Hawkins era free lancer no The Time e escrevia sobre a crise financeira.

Imagem: ABC-Tu diario en español

A autora britânica nasceu no Zimbábue, em 26 de agosto de 1972, mas se mudou para a Inglaterra com 17 anos, se estabelecendo em Londres. A transição árdua de se morar em uma cidade grande, em que as pessoas são distantes e individualistas, fez Hawkins se tornar paranoica e desconfiada, traços que ela busca trazer para os seus personagens. A paranoia vem também de sua inspiração em Alfred Hitchcock, o mestre do suspense, de quem é muito fã

Uma coisa que admiro em Hitchcock é a forma como constrói o suspense a partir de personagens que duvidam, que acreditam que estejam ficando loucos, que não conseguem confiar em si mesmos. Gosto dessa perspectiva paranoica.- Paula Hawkins para o El País

A Garota no Trem conta a história de Rachel, uma mulher já beirando aos seus 40 anos, que está desempregada e lida com o alcoolismo. Todas as manhãs, Rachel pega o mesmo trem, às 8h04, que vai de Ashbury para Londres, fingindo que ainda está trabalhando. Durante o percurso, o trem para em um sinal vermelho, e nessa rua, Rachel sempre observa uma casa de número 15, e fica obcecada com os seus moradores. Rachel passa a chamar o casal de Jess e Jason, e fica imaginando como deve ser a vida perfeita dos dois. Até que testemunha uma cena chocante, segundos antes do trem seguir a viagem; pucos dias depois ela descobre que a mulher que ela imaginava se chamar Jess, se chama Megan e está desaparecida. Ela resolve ira à polícia e contar o que viu, mas será que ela realmente viu aquilo, ou foi efeito do álcool? Como confiar em si mesma? O livro foi lançado no Brasil pelo Grupo Editorial Record.

Imagem: Grupo Editorial Record

 

Com essa trama hipnotizante, não foi à toa que o livro fez o maior sucesso, e como é o caminho natural dos best-sellers, A Garota no Trem virou um filme, em 2016, e foi estrelado por Emily Blunt, com direção de Tate Taylor.

Imagem: Divulgação

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Nesse ano, o Grupo Editorial Record lançou o mais novo thriller de Paula Hawkins: Em Águas Sombrias, que trata da relação conturbado de duas irmãs, Jules e Nel, que não se falam há um tempo. Um dia, Nel liga para Jules, que não atende o telefone. Nel, então, morre, fazendo com que Jules tenha que voltar para sua antiga casa e cuidar da filha adolescente de sua falecida irmã. Jules, agora terá que enfrentar o seu passado, e o que levou a sua irmã à morte.

Imagem: Grupo Editorial Record

 

Paula Hawkins estará na Bienal do Livro 2017, no Encontro com Autores, no dia 2/09 às 15h30. O local será no Pavilhão 4, Verde, Auditório Madureira.

 

Bienal do Livro
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Atualizações, Livros

Beco na Bienal: Bienal do Rio terá programação infantil na Praça da Leitura #18

Espaço interativo oferece contagem de histórias para crianças e distribuição de livros gratuitos aos finais de semana e feriado

As crianças que visitarem a XVIII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro, de 31 de agosto a 10 de setembro, terão uma programação infantil que inclui contagem de histórias, peças de teatro, distribuição de livros gratuitos, sessão de autógrafos e obras digitais e físicas para leitura em família. As atrações, que ocorrerão aos finais de semana e no feriado de 7 de setembro, fazem parte da Praça da Leitura, que tem o patrocínio exclusivo da Supergasbras, empresa de distribuição de gás. Sucesso na última edição da bienal, o espaço interativo volta nesse ano com mais novidades.

“Participamos da Bienal do Rio desde 2010 e acreditamos no incentivo à leitura como elemento de educação e transformação social. Recebemos centenas de livros novos doados por meio de uma campanha de arrecadação e estamos muito felizes de poder multiplicar o gosto pela leitura com as crianças. As famílias estão convidadas a interagir conosco e se divertir na Praça da Leitura aos sábados, domingos e feriado”, diz Lucinda Miranda, coordenadora de Responsabilidade Socioambiental da empresa.

Nas estantes de livros da Praça da Leitura, as crianças terão livre acesso às obras para leitura no local. Também poderão escolher um livro de preferência para levar para casa. Ao final do evento, os livros restantes serão doados para a Biblioteca da Casa de Fraternidade Francisco de Assis, em Jardim Primavera, e para o setor de pediatria do Hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, ambos em Duque de Caxias (RJ).

A Bienal vem trazendo a cada edição novidades para atrair o público infantil. Além da Praça da Leitura, crianças e adolescentes poderão conferir os espaços EntreLetras, Geek & Quadrinhos, e Cafezinho Literário.

Atrações da Praça da Leitura
Contação de histórias “Era uma vez…” com grupo de atores
Dias 2, 3, 7, 9 e 10 de setembro
Horários: 10h30, 11h30, 14h, 15h30, 17h30 (2 histórias em casa horário)

Sessão de autógrafo com o autor do livro “Planeta Água em Cena 3”, Sergio Valle:
Dia 3 de setembro (domingo)
Horário: das 12h30 às 13h30h (pela manhã, 1.000 exemplares do livro serão distribuídos para as crianças que participarem de atividades no estande)

Contação de histórias:
“Gabriel e Balu. Quem tem medo de voar?”
Dias 2, 7 e 9 de setembro
Horário: 19h

Livros, Resenhas

Resenha: Perigosa Amizade, Gisela Bacelar

Para fãs de Gossip Girl, o volume zero da elogiada série independente Perigosa amizade, que conquistou mais de 40 mil seguidores no Instagram. Roberta é uma adolescente intensa. Ela é decidida, prática e sabe o que quer. Pelo menos enquanto o coração não resolve entrar na jogada e embaralhar seus sentimentos.
Melissa é uma figura. Loira, com os cabelos cacheados, é aquele tipo de menina que já chega logo dizendo: “Ei, você quer ser minha amiga?”. Quando as duas ainda eram crianças, Roberta respondeu que sim.
Denis, atacante do time de futebol, é cativante e extrovertido. Ainda é meio moleque, mas começou a chamar a atenção das meninas nos últimos anos. Com tantas mudanças, tem achado cada vez mais difícil sustentar a amizade que construiu na infância com Roberta e Melissa. Matheus tem dezoito anos. Assediado pelas meninas, já acabou o ensino médio e ainda não sabe o que quer fazer da vida. Vive no litoral com o pai que todo garoto desejaria ter: descolado, presente, fazendo todas as vontades do filho… Mas Matheus não é “todo garoto”. Seu melhor amigo, Gabriel, é um cara legal. Sensível, curte tocar bateria. Seu sonho é tocar numa banda de verdade, em shows ao redor do mundo. Para o pai dele, no entanto, isso seria um pesadelo.
Como – e quando – seus caminhos irão se cruzar? Em Perigosa amizade: o começo, a escritora e modelo Gisela Bacelar costura o destino desses garotos e garotas, formando uma rede de encontros e desencontros e trazendo à tona assuntos presentes na vida de qualquer adolescente, como o sexo e a perda da virgindade, a aceitação entre amigos e colegas, drogas e álcool e a difícil relação com os pais.

O Começo, esse é o subtítulo do livro de Gisela Bacelar, publicado pela Editora Planeta. “Perigosa Amizade” (2017), é um retrato fiel da realidade vivida pela geração Y, geração de jovens que precisam lidar com vários questionamentos como: primeiro beijo, virgindade, relacionamento familiar e vida online (redes sociais). Dentro da narrativa, participamos das histórias de alguns adolescentes e acompanhamos o crescimento e amadurecimentos de muitos deles.

Perigosa Amizade vai além do âmbito descritivo de uma obra ficcional e a conduta mimética faz com que, o leitor, reflita sobre o comportamento de jovens brasileiros e como cada personagem se apresenta a cada adversidade vivida.
Teria uma melhor resposta para dar a sociedade ao ser acusado de dormir com a namorada de outro? Teria eu coragem de me declarar para o meu melhor amigo? O que posso fazer para melhorar o meu relacionamento com o meu pai?

No desenvolvimento da trama escrito por Gisela Bacelar, é percebido os estereótipos sociais escolares: os populares, a classe nerd marginalizada, os atletas e aqueles que fingem ter uma vida social agitada só para saírem bem e se enturmarem com os “famosinhos” do colegial.

“Nós teremos sorte se nos encontrarmos outra vez…”
Era uma questão de tempo e de vários desencontros.

O livro é tão realístico, que até mesmo as batalhas travadas em redes sociais são retratadas. Não tem como falar de jovens contemporâneos sem citar os perfis de redes sociais e a busca incansável por curtidas e reconhecimento. Todos almejam a popularidade.

Poucos querem só ser felizes, de forma simples e nada mais.

O leitor se envolve com as ambições de Melissa, a simplicidade de Roberta, com os sonhos de Matheus, a frustração de Gabriel e a indecisão de Denis. Cada personagem lutando uma guerra interna que é bem representativa de todos os jovens.

Sobre a linguagem, só elogios. De forma simples e direta, a escritora alcança o entendimento de todas as idades sem perder o foco. Resumindo, uma ótima leitura e uma baita reflexão.