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Resenha: Justiceiro Max – Mercenário, Jason Aaron & Steve Dillon

“Os planos de Wilson Fisk funcionaram e ele agora é de fato o Rei do Crime. Mas isso o mantém na mira de Frank Castle, um risco que o Rei não está disposto a correr por muito tempo. Para se livrar do Justiceiro, Fisk contrata o assassino mais letal que o mundo já conheceu. Embora seus métodos pareçam pouco ortodoxos, até mesmo insanos, dizem que ele jamais falhou em matar seu alvo. Ninguém sabe qual é seu nome, todos o chamam apenas de Mercenário.”

Frank Castle teve sua família brutalmente assassinada em uma troca de tiros entre gangsteres, retornando das cinzas como o Justiceiro. Castle então, decide vingar-se dos criminosos, executando-os violentamente, mas não para por ai, ele segue fazendo justiça com as próprias mãos, matando incontáveis bandidos e deixando vários com o pé na cova.

O Roteiro escrito por Jason Aaron é repleto de cenas agressivas e sangrentas, condizendo com o personagem que é conhecido por ser extremamente brutal, recorrendo a tortura e execuções para conseguir atingir o seu principal alvo e isso é muito bem abordado na história. A arte desenhada por Steve Dillon, o mesmo responsável pelos contornos da HQ “Mercenário – Anatomia de um Assassino”, é caracterizada por traços suaves e um contraste leve, sempre capturando bem a essência dos personagens.

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O Mercenário foi contratado pelo Rei do Crime para matar o Justiceiro, mas não será tão fácil como imagina, Castle prova-se um alvo difícil de ser eliminado, então, o assassino inicia um processo para entrar na mente do Justiceiro e assim prever os seus passos, recorrendo inúmeras vezes a métodos cruéis para recriar as experiências de seu alvo e sentir-se em sua pele para enfim executá-lo.

Do outro lado, percebendo que se tornou o novo alvo de um assassino mortal, o Justiceiro prepara-se para confrontar seu caçador e o Rei do Crime. Com todos os seus esconderijos sendo destruídos e cada vez mais próximo de ser capturado, Frank Castle está preparado para tudo, o anti-herói tortura, persegue e executa qualquer um que tenha informação sobre o paradeiro de seus inimigos, assim Mercenário e Justiceiro irão enfim se encontrar para uma batalha sangrenta, que decidirá quem vive e quem morre.

“Justiceiro Max – Mercenário” é uma das HQs mais violentas da Marvel, por se tratar do Justiceiro não chega a ser surpresa, mas ao juntar este com o Mercenário temos uma combinação que faz as páginas sangrarem, a expectativa criada a cada decisão tomada por ambos os personagens transformam o final em algo sensacional. Um roteiro bem elaborado e com cenas memoráveis, algo digno de o Justiceiro, um dos poucos personagens que fazem a faixa etária das HQs fazer sentido.

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Resenha: Objetos Cortantes, Gillian Flynn

Recém-saída de um hospital psiquiátrico, onde foi internada para tratar a tendência à automutilação que deixou seu corpo todo marcado, a repórter de um jornal sem prestígio em Chicago (EUA), Camille Preaker, tem um novo desafio pela frente. Frank Curry, o editor-chefe da publicação, pede que ela retorne à cidade onde nasceu para cobrir o caso de uma menina assassinada e outra misteriosamente desaparecida.

Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri (EUA), oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã, praticamente uma desconhecida. Mas, sem recursos para se hospedar na cidade, é obrigada a ficar na casa da família e lidar com todas as reminiscências de seu passado.

Entrevistando velhos conhecidos e recém-chegados a fim de aprofundar as investigações e elaborar sua matéria, a jornalista relembra a infância e a adolescência conturbadas e aos poucos desvenda os segredos de sua família, quase tão macabros quanto as cicatrizes sob suas roupas.

Objetos Cortantes, primeiro romance de Gillian Flynn, apresenta todo o talento da autora em conduzir tramas misteriosas e destrinchar a mente humana da maneira mais brutal possível. Cheio de reviravoltas, constrói personagens incríveis e é impossível parar de ler depois que iniciamos.

A narrativa, em primeira pessoa, nos apresenta Camille Preaker, uma repórter de um jornal em Chicago que recebe a missão de investigar em Wind Gap, sua cidade natal, um caso de assassinato e, mais recentemente, o desaparecimento de garotinhas. Mas voltar para casa significa voltar para o centro de sua dor, pois foi justamente nesse local que Camille viveu suas experiências mais traumatizantes e o que não faltam são fantasmas e marcas desse passado perturbador para lembrá-la.

“Eu estou aqui, falei, e essas palavras pareceram chocantemente reconfortantes. Quando entro em pânico eu as digo a mim mesma em voz alta. Eu estou aqui. Não costumo sentir que estou.”

O que encontramos com sua chegada é uma cidade perturbada pelos acontecimentos recentes. Camille busca a ajuda da polícia, que se recusa a colaborar com a imprensa. Enquanto isso, a cidade enche-se de fofocas e muitos querem fazer parte daquilo para ter seu nome aparecendo no jornal. A investigação nos permite conhecer as relações que permeiam a cidade. Intercalamos com o passado da jornalista e logo podemos começar a supor o que vem acontecendo. Vários suspeitos são apresentados e não temos a menor ideia se devemos ou não confiar em alguém. Afinal, essa não é uma trama onde existe pessoas totalmente boas ou totalmente más. Isso fica bem claro. Todos os personagens são bem reais e complexos.

Além da investigação, o outro foco da história é o relacionamento de Camille com sua família. Logo de cara fica evidente o quão desestruturada essa casa é. A mãe, Adora, parece abominar tudo que a filha mais velha faz. Entre as duas paira a morte da irmã de Camille, que era adorada pela mãe. Alan, o padrasto, parece ser uma pessoa pacífica e alheia a tudo que acontece. Já a meia irmã de Camille, Amma, é a nova princesinha da casa e assim é tratada, tendo todas as suas vontades atendidas.

“Sempre me senti triste pela garota que eu era, porque nunca me ocorrera que minha mãe poderia me consolar. Ela nunca me disse que me amava, e nunca supus que sim. Ela cuidava de mim. Ela me administrava.”

Usando esses ingredientes, Gillian Flynn cria uma história arrebatadora. Objetos Cortantes não é apenas um livro investigativo. Aqui, mergulhamos na mente humana, em sua parte mais obscura e complexa. Com temas polêmicos e diálogos extraordinários, é psicologicamente perturbador. Em cada página entendemos o peso que a protagonista carrega nas costas, que a fez recorrer à automutilação como mecanismo de escape.

O final, claro, não poderia ser menos que surpreendente. Se você gosta de suspenses psicológicos, a leitura está mais que indicada. Sendo esse o primeiro livro da autora e o primeiro contato que tive com uma obra dela, agora é praticamente impossível não ler o restante de suas narrativas.

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Resenha: Inferno, Dan Brown

No coração da Itália, Robert Langdon, o professor de Simbologia de Harvard, é arrastado para um mundo angustiante centrado em uma das obras literárias mais duradouras e misteriosas da história – O Inferno, de Dante Alighieri. Numa corrida contra o tempo, Langdon luta contra um adversário assustador e enfrenta um enigma engenhoso que o arrasta para uma clássica paisagem de arte, passagens secretas e ciência futurística. Tendo como pano de fundo o sombrio poema de Dante, Langdon mergulha numa caçada frenética para encontrar respostas e decidir em quem confiar, antes que o mundo que conhecemos seja destruído.

Inferno é o quarto livro de Dan Brown com o simbologista Robert Langdon à frente e, assim como os outros, traz uma trama bem amarrada e cheia de reviravoltas. A fórmula é a mesma que vemos em Anjos e Demônios, O Código da Vinci e O Símbolo Perdido. Portanto, se você não gostou desses livros citados, não encontrará algo muito diferente nessa nova história.

Dessa vez, o professor de Harvard acorda desmemoriado em um hospital e logo sofre um atentado contra sua vida. A partir daí, ele conta com a ajuda da Dra. Sienna Brooks para decifrar um enigma que envolve um objeto encontrado no seu paletó e o poema épico escrito por Dante Alighieri: A Divina Comédia.

“Os lugares mais sombrios do Inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral.”

A principal característica da narrativa de Brown, e o que particularmente mais me agrada nela, é seu ritmo frenético e a estrutura da trama.  Como um quebra-cabeça, as peças vão sendo encaixadas e novos enigmas estão sempre surgindo. Nenhuma informação é dada antes da hora. Isso impulsiona o leitor de maneira ímpar e garante uma leitura bem rápida. Sem falar que o final sempre guarda pelo menos uma grande revelação de tirar o fôlego. Nunca sabemos em quem confiar.

As descrições de obras de arte e monumentos, assim como os fatos históricos, também são fatores que me agradam bastante nos livros desse autor. Conseguimos mentalizar muito bem o ambiente descrito, tornando tudo mais vívido e realista. Além disso, sempre existe a possibilidade de pesquisar o que está sendo mostrado, garantindo uma maior interatividade com o livro (nunca li nenhuma história de Dan Brown sem pesquisar no Google imagens dos locais e obras citadas). Mesmo assim, é compreensível que algumas pessoas achem tais descrições extensas demais, a ponto de “quebrar” o ritmo de leitura. Outro ponto negativo pode ser o fato de Dan utilizar a mesma fórmula, meio que roteirizada, em todos os seus livros (para mim isso não tem tanta influência).

No geral, a única coisa que me desagradou foi parte da explicação para alguns acontecimentos (que infelizmente não posso colocar aqui – seria um grande spoiler). Esperava algo mais elaborado. Mesmo assim, é um problema pequeno comparado à obra completa. Apenas uma questão de preferência.

Inferno cumpre seu dever de casa e garante uma excelente leitura. Promove uma boa reflexão sobre assuntos atuais (envolvendo ciência e o futuro da humanidade), possui cenários magníficos e nos permite conhecer mais a fundo a vida e a obra de Dante Alighieri, assim como sua influência, que perdura até hoje. Se você gosta de thrillers de conspiração, esse livro é perfeito.

– Portões do Paraíso? Mas eles não ficam… no Céu?

– Na verdade – disse Langdon, abrindo um sorriso de ironia e se encaminhando para a porta – se você souber onde procurar, Florença é o Céu.

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Resenha: O Teste, Joelle Charbonneau

O Teste – No dia de formatura de Malencia ‘Cia’ Vale e dos jovens da Colônia Cinco Lagos, tudo o que ela consegue imaginar – e esperar – é ser escolhida para O Teste, um programa elaborado pela Comunidade das Nações Unificadas, que seleciona os melhores e mais brilhantes recém-formados para que se tornem líderes na demorada reconstrução do mundo pós-guerra. Ela sabe que é um caminho árduo, mas existe pouca informação a respeito dessa seleção. Então, ela é finalmente escolhida e seu pai, que também havia participado da seleção, se mostra preocupado. Desconfiada de seu futuro, ela corajosamente segue para longe dos amigos e da família, talvez para sempre. O perigo e o terror a aguardam.

Será que uma jovem é capaz de enfrentar um governo que a escolheu para se defender?

Oi gente, eu sei que ando meio sumido com as resenhas por aqui, mas não tá fácil, enfim… Hoje eu vim falar com vocês sobre O Teste, uma distopia que foi lançada pela editora Única. Eu não vou falar sobre a história porque estou com medo de dar spoiler e meio que afastar vocês do livro, então fiquem com a sinopse acima.

Vamos lá comentar um pouco sobre a história da Malencia.

Quem me conhece ou acompanha o grupo do Beco no Viber, sabe o quão louco sou por distopias. Eu já li mais de 20 e realmente posso dizer que já vi tudo o que o gênero possa oferecer. Em O Teste, nos deparamos com diversas situações já vistas em outras histórias. Uma garota que é convocada para algo do governo e acaba descobrindo que a sociedade em que vive não é o que ela imaginou. Isso te lembrou algo, não é? Então, Charbonneau apesar de apresentar algo que der um tom de originalidade em sua obra, acabou utilizando muitos, muitos artifícios já utilizados, o que acabou deixando o livro não tão legal.

Além de não trazer nada de novo, os personagens não são nem um pouco cativantes. É difícil se apegar à eles, sentir algo por eles. E tudo isso misturado com uma narrativa não tão cativante, acabou acarretando uma leitura arrastada e cansativa do livro. Juro pra vocês que tentei ver algo de bom na obra em si. Mas a única coisa que ressalto com louvor, é a edição da editora Única. O livro tem folhas grossas, é bem diagramado e possui um trabalho visual de dar inveja. Outra coisa que gosto de destacar é a preocupação da Única com o leitor, além de possuir uma edição ótima, ainda colocaram um marcador de páginas do livro na orelha. Eu admiro muito esse cuidado com o cliente.

Enfim, O Teste vale a pena pela curiosidade e pela experiência. Espero que o segundo volume eleve o patamar deste. Estarei no aguardo para que Joelle Charbonneau me surpreenda.

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Resenha: A Escolha, Nicholas Sparks

“Às vezes, as pessoas não têm noção das promessas que estão fazendo no momento em que as fazem”

Travis Parker possui tudo o que um homem poderia ter: a profissão que desejava, amigos leais, e uma linda casa beira-mar na pequena cidade de Beaufort, Carolina do Norte. Com uma vida boa, seus relacionamentos amorosos são apenas passageiros e para ele, isso é o suficiente. Até o dia em que sua nova vizinha, Gabby, aparece na porta.
Apesar de suas tentativas de ser gentil, a ruiva atraente parece ter raiva dele. Ainda sim, Travis não consegue evitar se engraçar com Gabby e seus esforços persistentes o levam a uma jornada que ninguém poderia prever.
Abrangendo os anos agitados do primeiro amor, casamento e família, A Escolha nos faz confrontar a questão mais cruel de todas: Até onde você iria manter o amor de sua vida?

Este não foi, nem de perto, o primeiro livro de Nicholas Sparks que peguei para ler. É sempre bom pegar um de seus livros para ler pois ele faz jus à fama que tem no quesito de “livros que te fazem chorar baldes d’água”. Obviamente, peguei uns lencinhos e me preparei psicologicamente para as lágrimas que deveriam aparecer no decorrer dessa leitura.

O livro é contado em terceira pessoa, de modo que temos a visão dos dois personagens principais: Travis e Gabby.

Gabby é uma assistente médica que trabalha incansavelmente numa clínica pediátrica. Ela muda-se de Savannah na companhia de sua cadela Molly para Beautford, uma pequena cidade do interior, para ficar mais perto de seu namorado perfeito, porém enrolado, Kevin. Tirando o fato de que ele vinha se esquivando há quase cinco anos de um evidente matrimônio, Gabby ficou feliz em poder estar ao lado dele e achava que, dessa forma, o relacionamento poderia atingir um novo patamar.
Já Kevin não tinha os mesmos planos. Era o tipo de cara que não pensava muito no futuro, e estava mais interessado em seu trabalho com seu pai, no ramo comercial.
Dessa forma, Gabby foi se sentindo cada vez mais sozinha nessa nova cidade, afinal, não tinha ali mais nada que ela conhecesse e pudesse passar o tempo, além de sua cadela Molly. Até que ela percebe que a cadela vem agindo de forma estranha, começa a ganhar peso e bom… ela estava grávida, algo que deixou Gabby extremamente furiosa. Tão furiosa que, sem nem pensar, ela toma a decisão de atravessar o gramado e a cerca que divide seu terreno com o de Travis, dono de Moby, um cachorro que ela havia visto rondando por ali e acreditava ter engravidado sua cadela, para tirar satisfações e fazer com que ele arque com a sua parte na responsabilidade do que houve.

Travis é vizinho de Gabby. Um solteirão bonito e apaixonado por esportes radicais. Todos os seus amigos de infância se casaram, formaram família e esperam que ele faça o mesmo.
Ele gostava de levar uma vida livre e radical. Até queria formar uma família algum dia, mas isso não era algo em que ele pensasse muito… até a noite em que Gabby atravessa seu gramado acusando Moby, seu cachorro, de ter engravidado a sua cadela.
Ela chega como um furacão. Num momento de extrema loucura e abalada por tantos problemas na cabeça, Gabby faz um escândalo por acreditar que o cachorro dele tinha algo a ver com o incidente com sua cadela.

Mas a partir daí, o rumo de suas vidas muda completamente.

A atração foi instantânea. Travis não teve como se defender, mas de alguma forma, ela tomou seu coração com todo aquele jeito louco e meio impulsivo. Ele tentou se desculpar, mas Gabby não permitiu que ele falasse de maneira nenhuma.
No dia seguinte, ela levou sua cadela numa clínica e, para seu espanto, Travis era o veterinário. E para piorar sua situação, apesar de Molly estar grávida, Moby não podia ser o pai, pois ele era castrado.
Depois de muito se desculpar por suas gafes, os dois acabam se tornando amigos. Em um final de semana em que Kevin não estava na cidade, Gabby aceitou um convite de Travis para um passeio de barco com ele e seus amigos, como forma de esquecerem o que houve anteriormente. E embora fique bastante claro que os dois não se parecem em nada, é inevitável que eles se apaixonem durante o tempo que passaram juntos.

Então Gabby precisa decidir se continua com Kevin que, apesar de se esquivar do matrimonio que ela tanto deseja, ela já o conhece e sabe como ele é, ou se deve abandoná-lo para ficar com Travis, que tem um jeito muito diferente do dela.

A essa altura da história, pensei que essa era a tal escolha a que se refere o título do livro e, para falar a verdade, fiquei bem desanimada, pois achei que o restante da história era só “encheção de linguiça”, pois se a história é sobre os dois, é óbvio que ela escolheria o Travis e fim do romance, certo?

Bem, eu estava enganada. Não sobre Gabby escolher Travis, pois isso realmente acontece, como já era de se esperar. Mas a tal escolha não era essa.
Considero Nicholas Sparks um bom autor, ele sabe como envolver e tem uma narrativa muito gostosa de se ler, mas ele não seria quem é se não introduzisse em suas histórias uma boa dose de drama ou tragédias.

Depois de alguns anos de casamento e duas lindas filhas, Gabby vai trabalhar no hospital da cidade e se depara com o caso de um senhor cuja esposa está em coma há alguns anos e acompanha o sofrimento do homem, e como todo o seu amor e devoção a esposa acabaram se tornando ressentimento devido ao seu quadro clínico que nunca mudara. Esse caso deixou Gabby tão chocada que ela chega a ter uma séria conversa com Travis exigindo que, caso ela se encontrasse nas mesmas condições, e seu quadro não mudasse em 3 meses, ele deveria prometer que desligaria os aparelhos e a deixaria morrer.

E como um bom clichê, isso realmente acontece. Gabby sofre um acidente e está há 3 meses em coma, sem sinais de melhora. Travis se vê obrigado a tomar uma decisão. Mas como prosseguir? Honrar com sua promessa e realizar o pedido de sua esposa? Permitir que ela morra e o deixe sozinho, junto de suas duas filhas? Impedir que ela parta, ignorando sua promessa e o testamento (que o obriga, por lei, a seguir o que foi escrito) deixado por ela?
Durante essa segunda fase acompanhamos todo o drama envolto a decisão que Travis deve tomar, mergulhando direto em suas emoções e sentindo sua angustia crescente a cada frase lida, conforme a história vai avançando.

Até onde devemos ir em nome do amor? Isso eu vou deixar que vocês descubram durante a leitura.
Uma conclusão surpreendente e uma história que nos faz refletir sobre nossas escolhas, como tudo o que fazemos gera consequências e como elas afetam a vida de outras pessoas.

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Resenha: Pantera Negra – Quem é o Pantera Negra? – Reginald Hudlin & John Romita Jr.

“Por séculos o reino africano altamente avançado de Wakanda foi protegido pelo seu nobre rei guerreiro, o Pantera Negra. Agora, o atual soberano, T’Challa, precisa lutar para proteger seu povo de um novo grupo de invasores que deseja saquear suas terras e os incríveis recursos naturais que lá existem.”

O Pantera Negra é o primeiro super-herói negro do mundo e é considerado um dos ícones culturais mais importantes da Marvel. Antes disso os personagens negros nunca eram os protagonistas das HQs. Dois anos após a aprovação da Lei Dos Direitos Civis nos EUA, um marco histórico, Pantera Negra fez sua primeira aparição.

O roteiro criado por Hudlin foi um grande acerto, lidando com temas políticos e com o protecionismo africano, o roteirista deu início a uma era de ouro do Pantera Negra, uma época em que o personagem se tornou famoso entre os fãs de quadrinhos. O artista escolhido para dar vida ao personagem, John Romita Jr, foi uma escolha que combinou perfeitamente com o roteiro, não sendo conhecido por fazer uma arte realista, mas sim algo mais cartunesco, os seus traços fortes e bastante expressivos fazem da HQ algo mais que apenas uma ótima história.

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Wakanda é o principal alvo de inúmeras invasões durante os séculos, porém sua maior vantagem sempre foi o Pantera Negra e a tecnologia avançada de seu povo, no século V eles já estavam 500 anos tecnologicamente a frente do mundo, e no século XIX sua tecnologia já era tão mais avançada que Wakanda era temida por magia negra e bruxaria, sem nunca atacar nenhuma outra tribo ou nação, o reino pacífico defendia seus recursos naturais sem nunca sofrer perdas e sempre dando a chance de seus inimigos recuarem ilesos, o que nunca acontecia.

Agora um novo inimigo surge e tentará conquistar as riquezas de Wakanda à força, criando um esquadrão poderoso que tentará destruir o Pantera Negra e abrir espaço para uma invasão em larga escala, T’Challa terá que enfrentar múltiplos inimigos para proteger seu reino, seus recursos e segredos.

“Pantera Negra: Quem é o Pantera Negra?” é uma HQ surpreendente, com temas importantes e fortes, marcando uma mudança nos quadrinhos. Antes do personagem não existiam super-heróis negros, o cenário africano criado e a própria ascensão de T’Challa ao se tornar o Pantera Negra, derrotando seu tio em batalha, já faz valer a pena a leitura da HQ. Além de Wakanda se mostrar um reino poderoso, sem o Pantera Negra não teriam sido capazes de deter todos os seus invasores, tendo em seu histórico derrotado tanto o Capitão América quanto o Quarteto Fantástico. Com tantos inimigos as portas de Wakanda é inevitável não torcer para o super-herói em uma HQ repleta de ação.

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Resenha: À Flor da Pele, Helena Hunting

Tudo na tímida Tenley Page intriga o tatuador Hayden Stryker de um modo que ninguém jamais conseguiu: do cabelo longo e esvoaçante com aroma de baunilha até a curva suave do quadril… E o interesse dele só aumenta quando ela pede que ele tatue um desenho incomum em suas costas.
Com seu jeito durão, Hayden é tudo que Tenley nunca se atreveu a desejar. A química entre os dois é instantânea e desperta nela o desejo de explorar o corpo escultural que há por baixo de tantas tatuagens. Traumatizada por um passado trágico, Tenley vê em Hayden a chance de um recomeço. No entanto, o que ela não sabe é que ele também tem segredos que o impedem de manter um relacionamento por muito tempo.
Quando os dois mergulham em uma relação excitante e enfim passam a confiar um no outro, lembranças e problemas batem à porta — e talvez nem mesmo a paixão entre eles seja capaz de fazê-los superar seus traumas.

Quando recebi “À Flor da Pele” em casa, logo me apaixonei. Não foi pela sinopse (na verdade, eu nunca nem tinha ouvido falar dessa série) mas sim pela capa maravilhosa (me atrevo a dizer que é uma das mais bonitas que já vi). Mas como aprendi a nunca julgar um livro pela capa (valeu pela lição, Easy!) fui interessada procurar saber mais. E confesso, me assustei demais com a notícia: são cinco livros!!!!!!!

Já comecei desconfiada porque achei um exagero! Conheço poucas outras séries que publicaram tantas sequências e o resultado disso pode ser ou maravilhoso (Harry Potter, Maze Runner) ou desastroso (A maldição do Tigre). Para sustentar cinco livros, a história tem que ser uma combinação de empolgante e misteriosa. Por exemplo: A Maldição do Tigre é uma história sensacional, e o primeiro livro da série é um dos meus favoritos da vida, mas ao esticar a história por muito mais livros que o necessário, eu senti que a história perdeu o fôlego e começou a embolar um pouco no meio de campo. Então pensei comigo como um livro new adult e sobre romance se estenderia tanto? Resposta: sendo maravilhoso.

Em A Flor da Pele, conhecemos Tenly, uma jovem que chega na cidade de Chicago para recomeçar. Após perder seu noivo e toda a sua família e amigos em um acidente, Tenly, se sentindo culpada e solitária se muda para um apartamento próximo ao seu novo emprego de meio período para se dedicar ao seu mestrado e esquecer de toda a solidão que carrega consigo. Determinada a afastar qualquer vínculo emocional e social com as pessoas (para não perdê-las de novo), ela vê seu plano ir por água a baixo quando conhece Hayden.

Hayden é completamente oposto ao seu ex noivo: um tatuador que não liga para regras ou em como se apresentar a sociedade. E é justamente isso que a atraí: a possibilidade de ser totalmente diferente, de se reconstruir. Ao se conhecerem, Tenley logo mostra a tatuagem que ela deseja fazer e essa aproximação é só um gostinho do quanto a sua vida vai mudar ao lado dele.

Qualquer tipo de alteração, seja para modificar as características físicas, como a cirurgia plástica, ou para decorar, como piercings e tatuagem, causa algum tipo de desconforto. Mas essa é a intenção, não é? É catártico porque é a promessa de mudança, de um jeito ou de outro.”

A Flor da Pele se desenvolve muito bem por diversos fatores. Entre eles, a narração compartilhada (um capítulo de Tenley e outro de Hayden) faz o leitor se solidarizar com todos os personagens e entender cada pensamento por trás das atitudes deles. Os personagens secundários também funcionam muito bem, sendo todos interessantes e participantes ativos da história do casal principal. A escrita é fluída (com algumas cenas bem 50 tons, vale ressaltar) e fácil. A edição está impecável com a capa mais linda do ano e a boa e velha folha amarelada.

Todo mundo tem cicatrizes,Tenley.Com sorte, elas permanecem só do lado de fora.

Ainda não sei se A Flor da Pele tem fôlego suficiente para se manter firme e nesse nível ótimo em mais quatro livros, mas após essa leitura sensacional, eu não duvido nem um pouco! Já estou ansiosa pelo próximo livro “Marcados para sempre“. Para quem se interessou ou quem já leu este título, a série conta com um ebook disponível na Amazon sobre os dois antes de se conhecerem “Doce tatuagem“. Leitura recomendada!

Não se iluda, não, Isabela Freitas
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Resenha: Não se iluda, não, Isabela Freitas

Não se iluda, não é continuação de Não se apega, não. Depois de passar um ano sem namorado, Isabela está determinada a realizar o grande sonho de ser uma escritora reconhecida. Resolve dar os primeiros passos anonimamente, criando um blog onde assina como ‘A Garota em Preto e Branco’. Em seu diário virtual, ela desabafa, fala dos amigos, dos não tão amigos assim, e confessa suas aventuras e desventuras amorosas. Assunto é o que não falta. Durante uma temporada agitada em Costa do Sauípe, na Bahia, acompanhada por Pedro, Amanda e sua insuportável prima Nataly, Isabela conhece o irresistível Gabriel, um sujeito praticamente perfeito, a não ser por um pequeno detalhe… Entre shows e passeios na praia, Isabela precisa admitir para si mesma que sente uma atração cada vez maior pelo seu melhor amigo. Em seu segundo livro, Isabela Freitas dá sequência às histórias dos personagens de ‘Não se apega, não’. Dessa vez, com a cabeça nas nuvens e os pés firmemente no chão, a personagem Isabela vai em busca daquilo que seu coração realmente deseja, mesmo quando seu caminho é bem acidentado e cada curva parece esconder uma nova surpresa.

Começo essa resenha afirmando que eu criei muitas expectativas para essa leitura. A estrutura de livros da Isabela (meio história e meio comentários da personagem sobre os acontecimentos) nunca foi a minha preferida, mas ela conseguiu me conquistar em “Não se apega, não” de uma maneira que nunca achei ser possível, e quando terminei seu primeiro livro já comecei uma contagem regressiva para o segundo.

Confesso que sou uma pessoa sonhadora, e grande parte disso se deve aos livros. Passo boa parte do meu dia em um mundo literário que é maravilhoso, mas inexistente (entenda leitor, isso não é uma reclamação. Acredito que poder “viver” dentro de um mundo imaginário traz um pouco de magia às nossas vidas). Mas é cansativo ler sobre personagens maravilhosos quando de verdade, não conheço ninguém assim. Em um mundo onde os mocinhos são tão perfeitos e as heroínas tão intocáveis que nem um fio de cabelo sai do lugar, é bom ler um livro real. Em que as pessoas são como eu e você, onde elas cometem erros e se arrependem (ou não) deles. Onde existem dúvidas, incertezas e os sentimentos são mutáveis. Nessa temática, Isabela Freitas consegue atingir todas as melhores expectativas.

Em “Não se iluda, não” temos a sequência da história entre a personagem Isabela e seus amigos. Neste livro temos uma mocinha muito mais madura em relação aos seus sentimentos. É notável a evolução da Isabela do primeiro livro para o segundo. Em meio a continuação da sua vida amorosa, a personagem corre atrás do seu maior sonho: escrever.

“Escrever é como uma terapia pra mim, os sentimentos vêm e eu preciso colocá-los para fora. Em forma de palavras. Tem um modo mais bonito de sentir? Se tiver, desconheço. É como se o ato de colocar um sentimento em palavras fizesse com que ele se concretizasse.

Embora a temática gire em torno de relacionamentos, este está longe de ser o foco da autora. Acredito que o objetivo de seus textos tenha sido incitar o leitor a sempre correr atrás dos seus sonhos e não desanimar mesmo que a vida não se mostre fácil. Superar as suas dificuldades e ser capaz de sonhar (e não se iludir) é a mensagem passada ao fim de cada capítulo.

Pedir um tempo é admitir para o mundo que você é covarde demais para dar uma conclusão. Quem precisa de um tempo para viver um amor talvez precise de um tempo para entender um pouco mais a vida em si.

Assim como no primeiro livro, a linha do tempo da história se divide entre os momentos narrados pela personagens e alguns textos (maravilhosos) relacionados. A leitura é fácil e fluí numa rapidez que se você não tomar cuidado termina a leitura em uma sentada! Eu continuo não sabendo classificar essa série. Não é autoajuda, nem um romance, nem ficção, semi-baseado na realidade… E olha, rotular pra quê? Acho que é justamente o fato de o livro ser uma mistura que o torna especial.

O amor é engraçado, e pode acontecer de diversas formas. Você pode ajudar a reacender aquele amor de outra pessoa que está fraco, quase apagando. Você pode entregar o seu amor em uma bandeja e não deixar sobrar nada dentro de si… Ou você pode dividir esse amor com alguém e ter dois corações pulsantes em corpos diferentes.

Leitura mais que recomendada!  
P.S. Vale ressaltar para as leitoras de plantão: quanto ao final um tanto polêmico, fiquem tranquilas pois a série será uma trilogia!

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Resenha: Tocando as estrelas, Rebecca Serle

Quando Paige Townsen deixa de ser uma simples aluna do ensino médio para se tornar uma celebridade, sua vida muda do dia para a noite. Em menos de um mês, ela troca as ruas da sua cidade natal por um set de filmagem no Havaí e agora está conhecendo melhor um dos homens mais sexies do planeta segundo a revista People. Tudo estaria perfeito se o problemático astro Jordan Wilder não fincasse o pé em uma das pontas desse triângulo cinematográfico. E Paige começa a acreditar que a vida, pelo menos para ela, imita a arte.

Logo que li a sinopse desse livro, me lembrei de outro lançamento deste ano com a mesma temática. Em “Entrelinhas” da Tamara Webber, também temos uma jovem que sempre teve uma vida normal e que vê sua vida mudar completamente quando é escolhida para viver a protagonista de um filme baseado em uma série de livros de sucesso. Lá a mocinha conhece dois astros (e inimigos) de Hollywood, um extremamente simpático, que se torna seu melhor amigo em diversas situações, e o outro misterioso e enigmático, com quem ela tem uma aproximação inexplicável. E sim, isso acontece nos dois livros. E sim, a semelhança é perturbadora.

Em “Tocando as estrelas” conhecemos Paige, uma adolescente de 17 anos que sonha em ser atriz e vive numa casa extremamente movimentada (pais, irmãos, irmã, sobrinha…) e passa seu tempo de verdade com seus melhores amigos, Cassandra e Jake. E é por influência de Cassandra, que Paige se inscreve nos testes para viver August, a personagem principal de uma trilogia de sucesso chamada “Locked”. Foi exatamente nesta parte da leitura que senti falta de um pouco mais… O processo entre o teste de Paige e sua chamada para o filme ocorreu de uma forma abrupta: em um parágrafo ela falava sobre a audição, e no outro ela já tinha sido chamada. Senti falta dos detalhes do teste, da ansiedade do resultado, da reação da sua família etc…

Essa é uma verdade sobre o sucesso. Muita coisa muda, mas nem tudo. Você ainda tem dias de cabelo ruim. Amizades que se desfizeram não serão reparadas milagrosamente. E pessoas que não amavam você antes continuarão a não amar. Uma coisa que o sucesso não muda, não importa a que nível você chegue, são as coisas que já viraram passado

Em poucos meses já acompanhamos a mudança de Paige para o Hawai, onde começam as filmagens de Locked. Logo de cara ela conhece Reiner, o mocinho simpático e engraçado, que facilita sua vida no set. Com seu jeito sedutor e divertido, Reiner conquista todos no estúdio, e se torna o melhor amigo e conselheiro de Paige para todas as dúvidas de uma recém-celebridade. É muito gostoso de ler a fluidez da amizade dos dois, os sutis flertes escondidos entre as frases de dois amigos. Tudo anda as mil maravilhas até a chegada de Jordan, o terceiro elemento do triângulo amoroso de Locked (e de “Tocando as estrelas” também). Jordan tem uma fama de encrenqueiro e mal encarado, mas seus segredos vão muito além de umas brigas no set. Desnecessário falar que, assim como a August em Locked, Paige em “Tocando as estrelas” também se encontra dividida nessa história.

“Isso não importa mais. É como um guarda-chuva no meio de uma tempestade depois de estar completamente molhado. Exatamente o que você precisava, o que você queria, mas já é tarde”

Talvez por já ter lido “Entrelinhas” ou talvez pela história ser realmente fundamentada em um clichê, achei a história bastante previsível, porém agradável. Embora sem muitas surpresas e reviravoltas, “Tocando as estrelas” atinge seu objetivo e consegue divertir com facilidade. O livro é o primeiro de uma trilogia “Famous in Love”. O segundo livro  “Truly, Madly, Famously” será lançado este ano nos EUA, ainda sem previsão para o Brasil. A Novo Conceito fez um trabalho maravilhoso com a edição: a capa é linda e o interior do livro é repleto de detalhes cinematográficos que só deixam a edição ainda mais especial! Eu já estou curiosa para saber o fim das duas mocinhas – Paige e August-  e ansiosa para o lançamento do próximo.

“E, veja bem, isso é o que eu não entendia. O que ninguém conta. Só porque você encontrou o amor, não significa que é para você guardar para si. O amor nunca pertence a você. Pertence ao universo. Ao mesmo vento que sopra nas ondas dos surfistas e na corrente que os carrega de volta à praia. Você não pode se apegar, porque ele é muito maior que qualquer coisa que alguém jamais poderia conceber ou tocar com as próprias mãos. É maior que tudo.”

 

Atualizações, Resenhas

Resenha: Eu estive aqui, Gayle Forman

Quando sua melhor amiga, Meg, toma um frasco de veneno sozinha num quarto de motel, Cody fica chocada e arrasada. Ela e Meg compartilhavam tudo… Como podia não ter previsto aquilo, como não percebera nenhum sinal?
A pedido dos pais de Meg, Cody viaja a Tacoma, onde a amiga fazia faculdade, para reunir seus pertences. Lá, acaba descobrindo muitas coisas que Meg não havia lhe contado. Conhece seus colegas de quarto, o tipo de pessoa com quem Cody nunca teria esbarrado em sua cidadezinha no fim do mundo. E conhece Ben McCallister, o guitarrista zombeteiro que se envolveu com Meg e tem os próprios segredos.
Porém, sua maior descoberta ocorre quando recebe dos pais de Meg o notebook da melhor amiga. Vasculhando o computador, Cody dá de cara com um arquivo criptografado, impossível de abrir. Até que um colega nerd consegue desbloqueá-lo… e de repente tudo o que ela pensou que sabia sobre a morte de Meg é posto em dúvida.
Eu estive aqui é Gayle Forman em sua melhor forma, uma história tensa, comovente e redentora que mostra que é possível seguir em frente mesmo diante de uma perda indescritível.

Quando me preparo para ler algum trabalho da Gayle Forman, tiro meu dia só pra isso. Infelizmente, é impossível ler aguma coisa dessa mulher no trânsito, no ônibus, na faculdade… porque das duas uma: ou eu vou começar a chorar, ou eu vou ficar eternamente reflexiva. Então tirei um domingo preguiçoso inteirinho pra me dedicar a “Eu estive aqui” e olha… foi a melhor coisa que fiz hoje.

Em “Eu estive aqui” conhecemos Cody, uma adolescente que cresceu com uma mãe ausente e pai desconhecido, e que tem como base familiar a familia da sua melhor amiga, Meg. A identificação por Cody é quase imediata e é impossível não torcer por ela. Cody é uma heroína literária maravilhosa: objetiva e esforçada, ela passa por situações impossíveis, e tem sentimentos confusos e dúvidas em grande parte do livro, coisa que adorei. Ela é uma personagem real, com medos e angústias, mas não deixa nada disso atrapalhar seus objetivos. Em uma cidade pequena, Cody e Meg cresceram juntas e inseparáveis, e foi com o maior choque do mundo que Cody (e eu) lemos, logo na primeira página do livro, a carta de despedida de Meg: sua melhor amiga, a melhor parte da sua vida, tinha se suicidado.

Afastadas desde que Meg foi para uma nova faculdade, Cody se sente culpada por nunca imaginar o que a amiga estava passando e então começa a investigar cada vez mais fundo a vida de Meg. Como poderia uma menina alegre, engraçada e badass perder absolutamente toda a esperança? Então, ao chegar na na faculdade da amiga, Cody se depara com um mundo inteiramente desconhecido em que sua Meg vivia. E é nessa nova cidade, conhecendo os novos amigos e hobbies da sua amiga, que Cody descobre uma nova Meg. E o melhor de tudo, também descobre uma nova Cody.

“A vida pode ser difícil, bonita e caótica, mas, com um pouco de sorte, a sua será longa. Se for, você verá que é também imprevisível e que há momentos de escuridão. Mas eles passam, às vezes graças a muito apoio externo, e o túnel se alarga, permitindo que os raios de sol entrem. Se você estiver na escuridão, pode parecer que vai continuar nela para sempre. Tateando às cegas. Sozinho. Mas não vai – e não está sozinho.”

Este não é o primeiro livro de suicídio que leio este ano. “Por lugares incríveis” tratou do tema de uma maneira maravilhosa e nunca antes vista, que me marcou profundamente e subiu para a lista dos meus livros favoritos.  O suicídio nunca foi um tema fácil, por ser ser cercado de tabus e difícil aceitação, mas Gayle o aborda com maestria, e me pego refletindo sobre todas as indagações e completamente mergulhada nesse mundo que aflige tanta gente e que nós nem imaginamos. “Eu estive aqui” é um livro completo: entre romance, mistério e muita reflexão, terminei a leitura transformada. Recomendo!