Categorias

Histórias

Colunas

The Epic Battle: Sou de Esquerda sim, e você?

O compositor e cantor, Chico Buarque de Holanda, junto a um grupo de amigos, fora surpreendido em uma rua do Rio de Janeiro por senhores bem vestidos e encharcados de sarcasmo barato. Sim, você pode conferir esse vídeo no youtube ou no próprio facebook, está circulando há alguns dias. Chico Buarque, com dezenas de discos e livros nas costas, esse Chico que contribuiu e contribui para a identidade cultural do país, fora agredido verbalmente por conta de suas atitudes e escolhas políticas. Pararam Chico Buarque em uma esquina qualquer, lhe chamaram de santo e ainda por cima se acham no direito de se autonomearem “salvação do Brasil”. Tudo isso porque Chico é apoiador fiel do Partido dos Trabalhadores, filiado e membro ativo da instituição. Chico foi chacoteado em via pública porque não apresenta opinião semelhante a daqueles senhores de bem. Vou lhe dizer o que está acontecendo: É um sentimento fascista que se disfarça na democracia que por tanto tempo fora cultivada. Fascistas sim, esses que defendem uma unificação da ideologia. Eu sou de esquerda, e digo mais, não teria toda a paciência que Chico Buarque teve.

Para começo de conversa, está estampado em todas as vias, em qualquer placa de bom senso, de lei, que intolerância é crime. Agredir pessoas verbalmente e fisicamente por conta de suas escolhas políticas (ou por qualquer motivo) é algo inaceitável e não pode ficar impune por que fulano é filho de tal juiz, ou de um empresário com suas diversas posses. Tenhamos em mente que o exemplo dado aqui, o de Chico Buarque, não é caso isolado, isso ocorre diariamente. Certa vez vi um vídeo de um ato parecido (de proporção gigantesca) no centro do Recife. Um senhor, com camisa vermelha, com a foice e o martelo estampados nesta mesma camisa, foi perseguido por bem mais de cem pessoas. Ele corria enquanto dezenas de pessoas lhe xingavam de “Ladrão” “Comunista safado” “Vai pra Cuba” entre outros adjetivos criados por aqueles que se acham “a direita que vai endireitar” o Brasil. Após esse vídeo tive medo de sair na rua com qualquer que seja o artefato referente ao meu partido (Que faço questão de divulgar aqui, pois não preciso me esconder sob máscaras, assim como o partido do qual faço parte também não precisa. O “Rede Sustentabilidade” sempre buscou o diálogo, divulga diariamente essa fusão de ideias, sejam elas de esquerda ou direta. Mas hoje vou contra à ideologia do Partido, vou porque se faz necessário e digo: Sou de Esquerda sim). Em épocas como essa que vivemos é obrigação de todos defenderem suas bandeiras, dizerem sim: Eu sou de Direita. Eu sou de Esquerda. Mas antes de tudo, essas pessoas devem saber que o respeito entre os lados não machuca, não denigre, não é falta de coragem. Cordialidade na política é algo que está faltando, não só nas ruas, mas até no próprio Congresso.

Você, meu caro leitor, pode ligar a qualquer hora do dia na “TV Câmara” e esperar alguns minutos e verá nem que seja uma ofensa direcionada a qualquer que seja o parlamentar. Não digo que isso seja o fim do mundo, claro que não, as pessoas se exaltam e muitas vezes soltam palavras que naquele momento parecem ser convenientes, mas são essas mesmas palavras que se transformam em discurso de ódio nas ruas (Claro, existe, e como existe, discurso de ódio explícito no senado e na câmara, esses já vão pré-fabricados para a população). O que se deve praticar é o respeito e nada além disso, se encararmos a opinião alheia, opinião essa que não vá de contra à Constituição, com respeito teremos um avanço na política. Como disse, todo esse respeito está para as ideias que buscam o fortalecimento da democracia, que tentam criar um estado de segurança e dignidade. Agora para com os discursos que denigrem as correntes políticas, para os ideais que defendem extermínio, intolerância e soberania de uma determinada classe, bem, para esse tipo de pensamento devemos responder com a lei e a justiça que durante esses vinte e quatro anos de democracia tentamos deixar estável. Para essas pessoas que dizem “Eu sou de Esquerda” e buscam o ódio, respondamos com o que já está escrito, o que consta na legislação. Para os que falam “Eu sou de Direita” e saem nas ruas para ridicularizar os outros, respondamos com esse mesmo peso e medida. Para a intolerância não revidamos, apenas aplicamos a lei e essa irá resolver o problema. Agora fica a pergunta: Qual a eficácia desta tão falada “Lei”? Será que os homens que a representam também não servem à intolerância e ao ódio?

No fim, te respondo: Do jeito que está, do modo que vemos as coisas, ou se defende o seu, ou nada resta. Ou abandonamos esse estado de inércia ou nada acontece, não, pior, acontece sim, mas não quer dizer que seja algo de bom. Acontece, mas não se evolui.

Autorais

Autoria: Para eu não me doer

Foi quando Iracema teve sua primeira face pintada, foi lá, que ela nasceu. Rebentou como faz menino que não avisa à genitora que está por vir, vem de lá seu rosto de índia, seu olho e pele de índia. Nativa de terras estranhas, filha de deuses desconhecidos por todos e por ela mesma, Deuses vingativos e carniceiros, esgotados de paixão e raça nas tintas e penas que se vestem. Gentios para os crentes em um só, mas guerreiros e sábios para os que em tudo acreditam. Índia que provoca guerra entre tribos e homens que qualquer pingo de honra almejam. Guerreira por ter nascido onde nascera, brotado entre as vitórias-régias que por sorte lá estavam, é uma mistura de América do Sul com Europa transcendente, trás consigo a delicadeza de Parisienses, mas quando mexem com os seus, transforma-se em onça que cruza Amazônia, Sertão, Rio e Mar. Mulher dos deuses, não, mulher sobre todos esses.

É mania sua escrever o que sente e o que não conhece, mas conhece por que acusa saber, nem que seja de um modo supérfluo, mas conhece porque afirma: Eu sei. E sabe, que de longe, entre Palmeira e Pau-Brasil, está seu sangue, cunhado de tristeza e raiva. Ódio da existência que lhe propiciou tanta maldade e rancor. Filha do fogo de Ogum, é cicatriz na história de todo um povo, vem banhada das águas de Janaína, emergindo no mar de ouro, é rainha de corações que nem ela mesmo tem conhecimento. Entre tantos reinos, os menos valiosos são seus, mas ela é flecha  certeira, sabe bem o que deseja e o que lhe motiva é nada mais que o melhor entre todos.

Quando pisaram os primeiros aqui na costa, como caranguejos sedentos de água e lama, lá estava, sobre o monte, derrubando cruz e sacerdote, lhe jogando de volta para o inferno de onde viera. Ela é problema, é mistério a ser decifrado. Mulata que aguenta meses no tronco de qualquer senhor, porque é forte como nenhum homem consegue ser. Despejo tudo que conheço sobre ela e ela repudia, menospreza o pouco saber que obtive neste tempo que Deus deu, para ela é pouco, e sabemos, é pouquíssimo para tamanha beleza, tamanha mente maquiavélica e necessitada não de profetas e ciências, mas de amor e do mais bruto. Ela é bruta como aquela pedra desprezada por alguns, mas cobiçada por milhões, pedra escura e profunda, presente na mais afogadora lagoa de toda a Bahia.

Me incomoda saber que um ser desses caminha por ai, entre todos nós, como se fosse comum termos alguém assim respirando o mesmo ar, sentindo o mesmo odor que os esgotos expelem. Me incomoda pois tenho medo de topar com essa pessoa, temo seus movimentos e suas palavras. Ela é perigosa como os raios que pendem nas noites de verão, como o sol escaldante guiado por Carcarás nos dias de inverno. Maltrata saber que ela vive por viver, desde que viera para este lugar. Não é que os compositores sejam tolos, longe disso, mas é que ela sintetiza todas as letras, transformando-se em sinfonias e xotes do mais talentoso sanfoneiro de meu Pernambuco. Ninguém consegue definir quem seja a Índia dos olhos de Índia. Olhos que reúnem paixão e desprezo, quando ela se move a terra entra em transe apenas para observar cada traço de seu corpo, moldado perfeitamente por uma natureza que não erra. Se a natureza errasse, ela seria o único acerto. Mas não, ela não consegue falhar, e toda a perfeição, todo o sincretismo de meu povo, toda a mística de São Luís até Salvador vive em seu trejeito. Meu cérebro cultiva tumores só ao primeiro rastro de sua lembrança, é devastadora como um mar de gente.

Seu rastro tem cada mulher que por aqui passou, seu passado é nutrido de histórias e histórias, não apenas suas, mas de todos, pois é seu rosto um emblema para cada Capitu. Capitu, ah, cigana dos sonhos, você é a realidade que duela com essa, você se transformou em personagem da vida, Capitu, e deixou, o pobre escritor, o desolado escritor sem reação. Cada sorriso seu brilha como os símbolos de minha bandeira, você é o Recife beijando Olinda, é a estrela que do mar nasceu, dançando entre os corais de Iemanjá, é o que de mais belo existe e que venha a existir.

Colunas

Feliz aniversário, Ralph Fiennes!

Completando 53 anos, hoje é aniversário do nosso querido Lord Voldemort, Ralph Fiennes.

Além de Harry Potter, o ator atuou em vários outros grandes filmes, como A Lista de Schindler, Dragão Vermelho, Fúria de Titãs, entre tantos outros.

É através dessa postagem que nós do Beco desejamos a ele todas as felicitações, e que ele possa continuar nos encantando com suas atuações por muitos e muitos anos. Parabéns!

Autorais

Autoria: Vá se amar

You think tou broke my heart, oh… for goodness sake!

A vida é frágil. Não só no sentido de morte. Aliás, existem várias maneiras de se morrer. A que lido hoje é a morte camuflada. A morte cuja investida vem da pessoa a qual você menos espera.

A falta de capacidade de seguir em frente parece algo comum, mas se tem uma coisa que aprendi, é que atraímos para nós mesmos o que nós já temos. Não atraímos amor com amargura. Não atraímos amor desacreditando nele.

Foi ali, naquele corredor rodeado de livros estrangeiros, ao som de Owl City que conheci o amor da minha vida entre minha abundância de infinitos numerados e interminados, entre livros do Stephen King e fugas sagazes dos meus próprios eus.

Todo mundo tem medo de alguma coisa. Exceto que o maior dos meus medos era eu mesmo. Prazer, me chamo Otávio. Assumi-me gay em um turbilhão de acontecimentos, litros de lágrimas e misto de sentimentos. Na época, fui tratado bem pelo meu pai. Minha mãe ficou sem falar comigo e me tratou como lixo por alguns dias. Ela dizia que eu era egoísta o suficiente pra não querer a felicidade dela. A felicidade de ter um filho hétero, talvez. Mas a verdade é que eu não podia mais me privar da minha própria felicidade.

As pessoas, na verdade, não se importam com você.

É tudo sobre elas.

Depois de certo tempo, a poeira abaixou. Tudo estava bem, e como o final de Harry Potter, a cicatriz não me incomodava mais. Mas claro, as pessoas vivem de camuflagens. Era tudo uma mentira. A minha vida, por mais autêntica que eu seguisse, era uma mentira pelas minhas costas.

Os seres humanos tem mania de controle.

Cortam as asas dos seus pássaros assim como escondem o lado mais sombrio e vergonhoso de si mesmos.

Talvez você, que me cortou, devesse ter um pingo de amor próprio.

Sem amor próprio você é assim, exatamente como é.

Sim.

Um nada.

Sabe, existe um clichê que diz que não podemos voltar atrás das palavras ditas. Mas graças ao cosmos, eu nunca deixei nada que você disse chegar perto da minha bolha. Porque coisas ruins são inúteis para mim. Você pode alegar que disse sem pensar, mas não pode ir atrás.

Sabe outro clichê que diz isso e você mesmo já me citou ele? Quebre um vaso. Peça desculpas. O dia que ele voltar intacto, você pode ter o mínimo de direito de se arrepender.

Honre cada uma das suas ações.

Um pingo de decência e dignidade, às vezes vem a calhar.

Para de se camuflar, porque você não pode voltar atrás de nada disso mais. Você já machucou tanta gente. Mas continua machucando.

Porque é egoísta o suficiente para achar que o sol é o seu umbigo.

Mas posso te contar um segredinho, aqui?

Ele não é.

Você é um grão de poeira.

Então, se ainda me permite, o que eu duvido, deixo aqui um último conselho:

Vá se amar.

Colunas, Música

Há exatos sete anos, grupo RBD dava adeus aos fãs

Hoje faz sete anos desde quando Poncho, Any, Christian, Christopher, Dulce e Maite, após anunciarem a resolução de seguir seus caminhos sozinhos, colocaram fim então, a toda uma geração, que tenho certeza que marcou a vida de muita gente, inclusive a minha.

Rebelde e o posterior grupo RBD foi a infância de muitos que leem este texto agora, assim como foi a minha. Nossos primeiros ídolos, primeiras músicas de outra língua que sabíamos de cabeça… E quantos de nós não tirou boas notas em espanhol só por acompanhar a banda e tentar entender as entrevistas sem precisar das legendas? Era uma conquista.

E hoje, há exatos sete anos, ainda sabemos seus nomes, ainda lembramos suas músicas e tenho certeza, ainda acompanhamos, meio que de longe, a carreira solo de cada um deles. Ainda temos nossas revistas, CDs ou DVDs… Surtamos com o último encontro, e surtaremos caso algo parecido venha a acontecer no futuro, não importa nossa idade.

Porque, contradizendo o que eu disse acima, RBD se separou, mas a geração criada por eles ainda continua vivíssima na memória de cada um de nós. E não importa se são sete ou setenta anos, ainda continuará por toda a eternidade.

RBD 7 AÑOS DEL ADIÓS

Autorais

Crônica: Sobre letras e palavras

O AMOR VERDADEIRO E O VERDADEIRO AMOR É O QUE MAIS QUEREMOS ENCONTRAR.

Os finais de ano para Derek eram sempre iguais, fugia nas madrugadas frias com cobertores e agasalhos que arrecadava para distribuir para aqueles que tinham a infelicidade de enfrentar o frio como ele é. Sua mãe mal imaginava que ele já fazia isso há dois anos, já que tudo era muito bem planejado. Nos meses anteriores ele conseguia doações com amigos e em bairros afastados de sua casa, para que ninguém o reconhecesse, pois se sua mãe soubesse de suas aventuras noturnas seria quase impossível que ele saísse de casa novamente para esses fins. Não que a mãe dele seja egoísta, ela simplesmente é super protetora.

Todas as doações eram guardadas no sótão de sua casa só esperando o momento que ele sairia para as ruas novamente.

. . .

Era sua primeira noite na madrugada fria daquele ano, ele se agasalhou e recolheu tudo que iria entregar, era tudo sempre incerto, mas ele acreditava na possibilidade de ajudar os outros. Ele abre a porta de sua casa e o frio grita fazendo todo seu corpo tremer e sendo um incentivo maior para ele sair de sua casa e levar tudo que havia conseguido.

Derek decidiu ir a um posto abandonado, que não ficava tão longe de sua casa, lá famílias inteiras se espremiam para tentar suportar a dor que as frias noites de Campos do Jordão ocasionavam. As ruas estavam desertas, mesmo sendo véspera da véspera de natal, eram poucas as pessoas que tinham coragem de sair com tamanho frio.

Algumas pessoas se assustavam quando Derek aparecia com aqueles sacos no meio da madrugada. Um menino branco, não muito alto e com sardas na cara, era difícil entender o que ele estava fazendo ali sozinho. No ano passado uma senhora chegou a perguntar se ele era filho do prefeito fazendo campanha para as próximas eleições, outra perguntou se era um anjo e uma criança chegou a pedir para ele nunca ir embora. A comoção tomava seu coração nesses momentos e sem saber o que responder, ele dizia que sempre voltaria.

O coração de Derek nunca teve dona, porque ele não procurava por uma, tudo era confuso na cabeça dele, nunca havia se apaixonado por ninguém, pensava somente em ajudar as pessoas e torcer para quem sabe um dia ser presenteado com o amor de sua vida.

Derek se aproxima do posto e já sabe que está sendo visto pela maioria das pessoas que ali estavam, porque dormir exposto naquele frio era praticamente impossível, ele vislumbra cerca de doze pessoas e uma lamparina acesa. Um garoto estava ajoelhado em frente a uma caixa e perto de uma senhora que estava deitada em um fino papelão, ele claramente não era dali, suas vestes diziam isso. O garoto olha na direção de Derek, ao escutar os passos dele em sua direção.

Os olhos de Derek se aqueceram ao fitar aquela pessoa. Nunca tinha conhecido alguém que a feição lhe chamasse tanta atenção, era tudo harmônico. A sensação foi tão estranha que ele sentiu seu corpo se aquecendo entrando em contato com o frio do momento, o que deixava tudo mais quente.

— Você pode me ajudar aqui? — dispara o garoto.

Derek fica sem entender nada e se aproxima ainda mais.

— Ela está muito mal, me ajude a encontrar um remédio que trouxe para tentar melhorar essa tosse — aquiesce Derek.

Ele vasculha a caixa enquanto o garoto que aparenta ter a mesma idade de Derek pega uma garrafa e um copo, colocando um pouco de água nele. Derek acha uma cartela de comprimidos, o garoto vê que ele encontrou e destaca um e entrega para a senhora deitada no papelão.

— Vai te ajudar, tome — o garoto diz.

A senhora bebe o comprimido, mas o garoto ainda não estava satisfeito e Derek envolvido e encantado com a solidariedade dele.

— O que você trouxe nessas sacolas?

— Cobertores e agasalhos.

— Você é um anjo? É exatamente que essa senhora precisa urgentemente… Prazer, Théo.

— Derek — ele diz enquanto começa a abrir as sacolas com a ajuda de Théo.

Théo era alto e realmente chamava atenção, seus olhos claros que contrastavam com seu cabelo escuro e liso, faziam dele uma peça única e Derek já havia reparado nisso.

As mãos dos dois se chocam quando estão tirando o conteúdo das sacolas, fazendo os dois olharem face a face, algo aconteceu ali.

Eles se levantam e levam primeiramente para a senhora que estava doente um agasalho e dois cobertores, um para forrar o papelão e outro para ela se cobrir, os dois partem para auxiliar outras pessoas que ali estavam presentes, todas se mostram muito agradecidas e Théo que trouxe em sua caixa alguns mantimentos e remédios pede novamente a ajuda de Derek para distribuir entre os presentes.

A sintonia dos dois era clara, eles se completavam, o coração de Derek batia depressa e sua mão estava tão quente que poderia ajudar a aquecer qualquer pessoa com frio.

Tudo entregue, a missão daquela noite estava realizada, os dois se despedem de todos no posto e são muito elogiados e agradecidos pelo ato que fizeram. Os dois partem juntos e perguntas começam a ser feitas.

CONFIRA A PARTE II EM BREVE AQUI NO BECO LITERÁRIO.
Colunas

Feliz aniversário, Thais Pizzinatto!

Hoje, nessa sexta-feira ensolarada, nossa sagitariana, deus que me perdoe linda Thais Pizzinatto faz aniversário, e claro, que tínhamos que prestar essa singela homenagem para alguém que sempre deu 110% de si para o crescimento do Beco!

A Thaís entrou para o site há mais de um ano, com a proposta de cuidar apenas da parte de marketing e divulgação. Tempo vai, tempo vem, e agora ela é responsável por nada mais, nada menos que todas as nossas parcerias com editoras, toda a parte de recursos humanos e muito mais! E devo dizer, não é fácil, não…

Mas além disso, a Thais se tornou uma grande amiga pessoal, compartilhadora de segredos na madrugada no Clube dos Sluts, devedora de trufas e comidas gostosas… Ainda estou esperando sua visita, viu?

Enfim, esperamos que você esteja tendo um dia maravilhoso, mas não confunda isso como uma folga, tá? Aqui não tem isso, não, queridinha! Brincadeira.

Que você consiga realizar todos os seus sonhos, e seja a pessoa mais feliz do mundo, porque eu, além de muitas outras pessoas aqui, sabemos que você só merece o melhor. E saiba que, apesar das nossas tretas quase diárias por assuntos profissionais, estarei sempre aqui por você!

Feliz aniversário, idosa!

PS.: Relembrar, é viver!

https://www.youtube.com/watch?v=a7zESID2E9k

Atualizações, Autorais, Colunas, Críticas de Cinema, Cultura, Filmes, Livros, Lugares, Música, Novidades, Resenhas, Reviews de Séries, Séries

O que mudou? – Conheça o Beco Literário 4.0!

Olá, #BecoLovers, como estão?

Nos últimos dias tiramos o site do ar para passar pela nossa maior e melhor reformulação até o momento. Instigamos vocês ao máximo pelas redes sociais e enfim chegou a hora de lhes apresentar o Beco Literário 4.0!

O Layout
Optamos por não fazer mudanças drásticas no layout, uma vez que elas já estariam presentes no conteúdo. Então, em uma reunião com toda a equipe, que conta com designers, jornalistas, publicitários e outras pessoas do ramo, mantemos o mesmo estilo, modificando apenas poucos detalhes. Foi o que chamamos de releitura da nossa versão 3.0, uma vez que melhoramos, consertamos erros e mantemos o mesmo formato que já era ótimo para todos nós.


Novas Seções
Talvez essa tenha sido a maior bomba da versão 4.0, mas o que seria do Beco só mudando o layout, não é mesmo? Mas Gabu, o site não chama Beco LITERÁRIO? Sim, precisamente. No entanto, sentimos a necessidade de expansão, assim como surgiu demanda do público e esperamos que tenha uma boa aceitação. Então agora, além de Literário, somos Lifestyle, Gourmet, Gossip…


O que esperar?
Bom, cada seção nova tem sua proposta única:

Literatura: A literatura sempre foi nosso carro-chefe e portanto, não mudaremos isso. O foco principal do Beco, continuará sendo nela, para sempre! Aqui você verá sempre as novidades sobre seus livros preferidos e claro, nossas resenhas, autorias e crônicas de sempre.

– Cinema e TV: Mantendo os padrões, continuaremos a informar vocês sobre tudo o que acontece no mundo do cinema e da televisão, incluindo seriados e Netflix! O que antes era exclusivo para adaptações literárias, agora se expande para novas vertentes.

– Música: Quem vive sem música? Ninguém! As boas e velhas notícias sobre o mundo musical, nossas indicações de playlist, e as opiniões no formato fucking de sempre.

– Colunas: Aqui nós falamos de tudo, sem tabus ou qualquer tipo de bloqueio. Opiniões sobre diretores, filmes, política, história… O que der na telha, tem coluna sobre!

– Eventos: Presente nas versões anteriores, apesar de inativa, a seção de eventos agora contará com coberturas mais periódicas de tudo o que acontece na mídia, e claro, que o Beco participou!

– Lifestyle: Inspirações para fotografias, dicas de todos os tipos, coisas aleatórias… Nisso consiste o Beco Lifestyle. Tudo para os mais variados estilos de vida, num lugar só.

– Mundi: Quer viajar mas está com dúvidas? Você está no lugar certo. Dicas de viagens e o que fazer nelas, orçamentos, fotos, hotéis…

– Gourmet: Sábado a tarde, sozinho em casa. Nada melhor que preparar aquele brigadeiro. Mas que tal conhecer novas receitas tão simples e saborosas quanto? Além, é claro, de saber como se manter na dieta!

– Gossip: Tudo sobre o mundo dos famosos e seus bastidores! Porque no final das contas, todos nós queremos saber o que acontece quando as cortinas se fecham.

– Tech: Últimas novidades sobre tecnologia, reviews de aparelhos eletrônicos e a parte mais nerd do novo Beco!

– College: Dúvidas sobre o que fazer após o ensino médio? Quer saber como se portar na faculdade? Vem que nós ajudamos você, e compartilhamos experiências.


Esperamos que tenham gostado da nova apresentação do Beco Literário, e fiquem despreocupados: nosso foco jamais mudará, apenas se ampliará!

Sejam bem-vindos ao Beco Literário 4.0 e lembre-se: Qualquer coisa é possível se você tiver coragem!

Atualizações, Autorais

Autoria: Relógio Interno

Morra morra morra corra morra fuja

Um tic tac incessante.
Um vai e vem nauseante de ideias confusas.
Um relógio quebrado.
No sentido anti horário do próprio sentido errado.
Sim não sim não sim não claro
No entanto, não tente conserta-lo.
Deixo-o trabalhar marcando horas erradas.
Não se arrisque, apenas risque da lista de compras um novo relógio.
O seu funciona;
Só não é do modo convencional.
Você acha? Você quer? Por que não faz fujafujafuja
Sem demora, já demorando, tente racionalizar seu atraso interior.
Tic tac, alguém lhe chama.
Você (se) chama.
Interprete da forma que quiser.
Hora tarde cedo, sim ou não? Refaça
Ponha o alarme.
Colunas

O crítico e o diretor: os dois cinemas de Ozualdo Candeias

O início da carreira de Ozualdo Candeias, um dos mais importantes diretores do cinema brasileiro, deu-se de forma curiosa. No final dos anos 1940, trabalhando como caminhoneiro e viajando por todo o país, Candeias decidiu compra uma câmera com o objetivo de registrar discos-voadores.

Tal objetivo nunca foi alcançado, mas se iniciou aí uma carreira no cinema que muito tem relação com essa origem: o cinema de Candeias muitas vezes se propôs a mostrar o lado feio, sujo e pobre do país, aquele encontrado pelas suas andanças como caminhoneiro. Em entrevista, disse certa vez que fazia filmes que precisavam ser feitos: aqueles que mostram o Brasil e personagens que vivem às margens.

Foi considerado por muitos o mais marginal dos diretores e teve participação ativa nas produções da chamada Boca do Lixo, o principal centro de produção cinematográfica de São Paulo entre os anos 1960 e 1990. A Boca reunia produtores, atores, atrizes, diretores e técnicos e tinha como rua principal a Rua do Triunfo, no bairro Santa Ifigênia, e como ponto de encontro o Bar Soberano, onde muitos projetos foram concretizados e equipes formadas.

A importância de Candeias é tamanha, que muitos críticos o consideram o precursor do Cinema Marginal com seu filme A Margem, de 1967, obra que também seria responsável pelo nome do movimento.

O CINEMA POLÍTICO E SOCIAL DE CANDEIAS

Durante sua carreira no cinema, Candeias exerceu 14 funções diferentes. São elas: diretor, roteirista, produtor, ator, diretor de fotografia, cinegrafista, editor, diretor e gerente de produção, desenhista (de cenários e de roupas), diretor de segunda unidade, fotógrafo de cena e assistente de direção.

Considerando apenas as obras em que trabalhou como diretor/roteirista, temos 20 produções entre curtas, médias e longas metragens, tanto de ficção quanto de documentário. Dono de um cinema que ele mesmo chamou de “vanguardista”, as obras de Candeias se caracterizam pelo pouco uso de diálogos, poder de expressão do olhar das personagens, montagem fragmentada e poder dos enquadramentos.

Ozualdo rejeitava o epíteto de cineasta “intuitivo” e dizia que seu cinema era produto de muito estudo e dedicação, produto do uso de técnica, não de intuição. Por isso a valorização da montagem, da experimentação e do poder dramático dos enquadramentos e objetivas.

Assim como outros diretores da Boca do Lixo, alguns filmes de Candeias não chegaram a ter lançamento comercial (como o caso de As Bellas da Billings, 1987) sendo as exibições restritas a universidades, cineclubes e cinematecas. Mesmo assim, suas fitas ganharam alguns prêmios, como: Coruja de Ouro (direção, música e atriz coadjuvante – A Margem), Festival do Cinema Brasileiro de São Carlos (menção honrosa por Meu nome é Tonho), Air France e Governador do Estado de São Paulo (pela direção de A Herança), entre outros.

Em Candeias temos não só a importância da linguagem e técnica cinematográficas, mas também da temática de seus filmes. Em vários deles vemos histórias que discutem a violência, a prostituição, a pobreza, a presença do negro na sociedade, a desilusão, a burguesia, o caipira, a cidade, o sertão, o governo, o operário, o explorado, entre outras questões e personagens que compõem a realidade nacional, mas que são esquecidos ou não problematizados, são deixados à margem. Segundo o próprio Candeias:

“Reconheço que meus filmes não são bonitos nem engraçados e não me interessa fazer fitas que as pessoas vão ver pra rir, chorar ou levantar o pinto. Eu procuro outro tipo de reação em outro tipo de plateia” (REIS, 2010, p.78).

Filmografia

  • Tambaú, Cidade dos Milagres , P&B, 14 min (1955).
  • A Margem , P&B, 96 min (1967).
  • O Acordo, P&B, 42 min (1968).
  • Meu Nome é Tonho, P&B, 95 min (1969).
  • A Herança , P&B, 90 min (1971).
  • Uma Rua Chamada Triumpho, P&B, 11 min (1969/70) e P&B, 9 min (1970/71).
  • O Desconhecido, P&B, 50 min (1972).
  • Zézero , P&B, 31 min (1974).
  • Caçada Sangrenta, cor, 90 min (1974).
  • Candinho, P&B, 33 min (1976).
  • A Visita do Velho Senhor , P&B, 13 min (1976).
  • Boca do LixoCinema ou Festa na Boca, P&B, 35 min (1977).
  • História da Arte no Brasil , cor (1979).
  • Aopção ou As Rosas da Estrada, P&B, 87 min (1981).
  • Manelão, o Caçador de Orelhas, cor, 81 min (1982).
  • A Freira e a Tortura , cor, 85 min (1983).
  • As Belas da Billings , cor, 90 min (1987).
  • Senhor Pauer, cor, 15 min (1988).
  • Lady Vaselina, cor, 15 min (1990).
  • O Vigilante, cor, 77 min (1992).

A MARGEM (1967)

130951161

Em depoimento para o jornalista Moura Reis, Ozualdo justifica a temática de A Margem: “resolvi então fazer um filme sobre uma realidade nossa, principalmente paulistana” (REIS, 2010, p.69). Com roteiro escrito a partir da observação das pessoas que passavam pela margem do rio Tietê em São Paulo e também a partir das notícias que lia nos jornais, Candeias criou uma história que pretende falar da realidade nacional, do lado “feio”, pobre, violento, recusando o cinema que se debruça sobre um Brasil rico, branco e de natureza exuberante.

Por isso uma protagonista negra, para falar “da presença e importância do negro na formação do Brasil” (REIS, 2010, p.71-72). Por isso um burguês desesperançoso que caminha pelas margens e aos poucos transforma seus belos trajes em farrapos. Por isso também um homem meio louco que se apaixona por uma vendedora de café. Por isso personagens marginais: para falar sobre um Brasil marginal.

O filme se inicia com a passagem de um barco pelo rio e nos mostra a reação das quatro personagens principais ao vê-lo. Nesses planos iniciais já temos contato com duas características que irão aparecer por todo o filme: as tomadas subjetivas e a falta de diálogo, dando grande importância às expressões das personagens.

A Margem apresenta uma narrativa fragmentada com planos que não mostram uma ligação lógica. As personagens andam a esmo, sem destino certo, pelas margens do rio Tietê. Nessas andanças, os espectadores se deparam com a miséria, a fome, a prostituição, a violência, a desigualdade e a loucura.

O fim inevitável é a morte, simbolizada no filme por uma mulher, “guia” daquele barco que vemos no início. Ainda que Candeias tenha negado a referência nas entrevistas que deu sobre a obra, impossível não associarmos a barca ao Mito de Caronte, o barqueiro do Hades, na mitologia grega, que transporta as almas dos recém-mortos.

Numa atmosfera realista (com toques surrealistas) o filme apresenta a morte como o momento de libertação no qual as personagens podem sorrir e correr livremente para um destino comum e, talvez, de esperança.

A obra, com um baixo orçamento, foi rodada toda em locações e se passa basicamente em dois ambientes: as margens do rio e algumas (poucas) cenas pelas ruas de São Paulo. A precariedade da produção acarreta em um momento cômico na obra, quando o louco e uma grávida brigam, o preenchimento da roupa desta, o qual fazia às vezes de barriga, cai no chão.

O crítico Jean-Claude Bernardet, ao comentar sobre a obra de Candeias, menciona que encontrou “dois cinemas” nesse diretor:

Um deles eram os filmes que ele fazia, com suas preocupações. Outro, eram os filmes que nós víamos. Esses dois cinemas ficavam superpostos, mas não se entrelaçavam necessariamente. Pouco nos importavam as recomendações morais (BERNARDET, 2002).

Seja pela temática de engajamento e denúncia social da obra, valores importantes para o diretor, ou pelas técnicas de filmagem e montagem, importantes para o crítico, a obra de Ozualdo Candeias é inegavelmente um marco no cinema nacional.

REFERÊNCIAS

BERNARDET, Jean-Claude. O filme de lugar nenhum. Folha de São Paulo: 2002. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs2807200204.htm>. Acesso em 27/11/2015.

REIS, Moura. Ozualdo Candeias: pedras e sonhos no cineboca. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.