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Crítica de Cinema: Caminhos da Floresta (2014)

Eu desejo. Eu desejo que muitos e muitos musicais da Broadway sejam adaptados e bem preparados, também produzidos e bem encenados. Eu desejo. Eu desejo que o público se acostume a ver musicais e como de costume peçam mais e mais… Rimas à parte, senhoras e senhores, apresento a vocês “Caminhos da Floresta”, originalmente “Into the Woods”, o mais novo musical adaptado da Brodway diretamente para os cinemas do mundo todo.

O longa-metragem dirigido por Rob Marshall nos insere num grande medley de contos de fadas que pessoas ao redor do mundo e de diferentes idades cresceram ouvindo. “Cinderela”, “João e o Pé de Feião”, “Chapeuzinho Vermelho” e outros personagens consagrados da literatura “infantil” – se é que podemos colocar dessa forma – estão presentes nesse tão aguardado musical produzido pela Disney.

“Caminhos da Floresta” conta a história de um padeiro e sua esposa, sem filhos, que amaldiçoados por uma bruxa se veem sem esperança de ter um bebê. Além deles, a história segue Cinderela, que, assim como no clássico, é maltratada pela madrasta e suas “irmãs” e impedida de ir ao baile conhecer o príncipe. Enquanto isso, numa pequena cabana, João vive o dilema de vender sua vaca leiteira para conseguir dinheiro e colocar comida na mesa de casa. Claro, não podemos esquecer de Chapeuzinho, a conhecida garotinha que precisa atravessar a floresta para levar doces para sua avó. Nessa versão conhecemos também a Bruxa, uma malvada que mantém a filha de longos cabelos louros presa em uma torre alta, sem portas ou escadas.

Até aí, nada de diferente. O enredo começa a se desdobrar quando cada um dos contos se cruza de diferentes maneiras dentro da floresta. Tudo basicamente tem relação com a maldição do Padeiro, que precisa coletar quatro objetos importantes para que a bruxa possa desfazer o feitiço e permita que ele e sua esposa tenham um filho. Os objetos são uma “capa vermelha como sangue”, “uma vaca branca como o leite”, “um pedaço de cabelo amarelo feito milho” e um “sapato tão puro quanto o ouro”.

O filme num primeiro momento pode parecer uma bagunça histórica recheada de canções e magia, mas, enquanto a trama se desenvolve, o espectador é presenteado com músicas apressadas, mas bem executadas por atores, agora cantores, talentosos e cheios de energia.

Por se tratar de uma adaptação de um musical conhecido e muito bem encenado na Broadway, a expectativa de quem assiste ao filme é de que o longa chegue o mais próximo das sensações do musical. Claro, não tive a oportunidade de assistir ao espetáculo em Nova York, porém, depois de assistir a algumas apresentações gravadas e reproduzidas na internet, posso falar que “Caminhos da Floresta” é uma ótima adaptação com roteiro, produção e direção de alta qualidade.

As músicas do filme, claro, são as mesmas do espetáculo. Apesar do espectador brasileiro ficar pouco confortável se tratando de um musical estrangeiro, as letras são muito bem exploradas e a melodia das canções trancam a atenção do público durante as duas horas de filme.

A atuação de Meryl Streep como a Bruxa está – como sempre, fantástica. O elenco conta ainda com Anna Kendrick (Cinderela), Emily Blunt (Esposa do Padeiro), Chris Pine (Encantado), Johnny Depp (Lobo), Daniel Huttelstone (João) e James Corden (Padeiro). De maneira geral, todos, sem exceção, convencem com a interpretação de cada personagem.

A fotografia do filme nos leva a um ambiente digno de um conto de fadas, com castelos e florestas bem construídos, cenas bem montadas e iluminação adequada para dar o clima de “imaginação” que se espera em um filme do gênero.

Uma curiosidade do longa é a interiorização que cada personagem passa durante o filme. Somos apresentados a uma Cinderela confusa a respeito das decisões que precisa tomar, um príncipe arrogante e egoísta que acredita ser capaz de tudo por sua “amada” e, entre outros, a uma Bruxa que na sede pela vaidade acaba por trazer sofrimento à vida de pessoas inocentes. Essas são questões pouco exploradas nos contos de fadas originais apresentados às crianças.

“Caminhos da Floresta” é recomendado para toda a família e está sendo exibido nos cinemas nacionais tanto na versão original quanto na versão dublada – mais indicada para crianças pequenas já que a música se mantém e a fantasia persiste tomada após tomada. O filme é longo, são pouco mais de duas horas de filmagem que talvez pudessem ser reduzidas em pelo menos vinte minutos, mas que não provocam cansaço ao espectador, que acaba por usufruir das vozes de um elenco talentoso, uma produção visualmente linda e tecnicamente bem executada.

Se você ainda não assistiu ao último musical da Disney, pode ver o trailer aqui. Se teve interesse em conhecer a produção original, encenada pela Broadway, pode assistir aqui e, claro, se já assistiu e gostaria de ouvir a belíssima trilha sonora original, pode ouvi-la aqui.

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Crítica de Cinema: A Teoria de Tudo (2014)

The Theory of Everything merece toda a expectativa que recebeu durante 2014. Da forma que poderia captar uma história tão densa, a produção de “A Teoria de Tudo” o fez. Rompeu-se a forma de produzir filme biográfico. Geralmente assistimos a diversas camadas divididas na tela, como fizeram com “La Môme” (Filme inspirado na vida de Edith Piaf, cantora francesa, que foi nomeado ao Oscar de 2008). Na produção de James Marsh encontra-se o oposto: o drama não é gradativo, muito menos piramidal, o filme feito nos moldes da Academia (é a primeira vez que isso soa bem) é puramente alucinante. Do primeiro minuto ao último “A Teoria de Tudo” mantém o ritmo predileto de qualquer fã da sétima arte. É pulsante e robusto do Stephen jovem até o cadeirante reconhecido mundialmente.

Organizado sem saudosismo (apenas com o que será empregado nesta crítica, pois é preciso) o enredo transcorre facilmente. Começamos com Hawking universitário, atuante tanto entre as paredes acadêmicas quanto fora delas. Nos primeiros dez minutos nos é apresentada Jane, futura namorada e esposa do cientista. A partir daí um duelo conciliável entre relacionamento e carreira profissional é incluído na trama e só se despede no momento em que as letras do créditos sobem. O filme varia muito bem entre o Stephen namorado, marido, pai e cientista, um dos grandes acertos da produção.

A doença que afetaria o professor futuramente mostra seus sinais iniciais no primeiro quarto do longa, até que sem aviso prévio ela aterrissa, e é aí que você, mesmo que esteja odiando tudo aquilo, é obrigado a pensar. As barreiras impostas a Hawking também são colocadas frente a frente para com o apreciador, com seu balde de pipoca ou seja lá o que esteja ingerindo. É um diálogo fulminante entre seres, os que atuam e os que assistem, “A Teoria de Tudo” proporciona sentimentos nunca estimulados, é a imersão de ideias, de filmes em um filme, de histórias em uma só, que por acaso ganhou a adaptação para as telas.

A tensão colocada no relacionamento de Stephen e Jane é adequada para a situação, quem conhece a história do cientista ficará surpreso com a riqueza de detalhes. O enredo passa do bem-estar ao incômodo causado pelos problemas que emergem em uma constante. Muito se deve também ao fato das atuações brilhantes de Eddie Redmayne, como Stephen (vencedor do Oscar 2015 de melhor ator com esse papel) e Felicity Jones, como Jane Hawking. Eddie conseguiu captar os movimentos e “os não movimentos” do professor britânico. Já era de se esperar uma representação à altura, estamos falando de Felicity e Eddie. O ator apresenta um histórico curto, mas eficiente. Em “Les Miserables” (2012) Redmayne interpretara Marius, revolucionário apaixonado por Cosette (Amanda Sayfred), com uma voz já conhecida na Broadway, Eddie empregou novos ares ao personagem de Victor Hugo. Em “The Theory of Everything” não foi diferente. Cada segundo, cada trecho, cada palavra dita pelo ator transparece o verdadeiro Hawking, Redmayne é parada dura para Benedict Cumberbatch (Favorito na categoria “Melhor Ator”  por  O Jogo da Imitação, indicado ao Oscar também na categoria”Melhor Filme”), do mesmo modo que deixa para trás o rosto bonito do Oscar 2015, Bradley Cooper (American Sniper), que ao certo sairá da Cerimônia sem uma estatueta.

Felicity Jones faz com que a balança das atuações fique equilibrada. Conhecida por seus papéis na franquia “O Espetacular Homem-Aranha”, a atriz apresenta um desempenho formidável, mas não é garantia certa de Oscar. A indicada recebeu um dos papéis mais pesados de 2014 e o fez da melhor forma, Feliciy conseguiu capturar a alegria, a frustração, o medo e outros sentimentos de Jane, ela foi Jane por duas horas para o público. Entre os coadjuvantes temos nomes famosos: Emily Watson, que em 2013 era Rosa Hubermann em “A Menina que Roubava Livros”, tornou-se Beryl Wilde em “A Teoria de Tudo”. Outros dois quesitos fortes do filme são a fotografia e a trilha sonora. A caracterização das décadas variadas foi feita sob medida, os anos 60 de uma Inglaterra interiorana, a chegada da tecnologia norte-americana, a universidade mundialmente conhecida, tudo isso foi capturado no aspecto mais natural possível que, com a ajuda de uma soundtrack íntima aos bons ouvintes, cria o estado sublime que o filme prometera trazer.

Hawking aprovou, o mundo concordou com o professor e o Beco Literário não poderia discordar, “A Teoria de Tudo” tem o ar devorador de estatuetas.

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Crítica de Cinema: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) [2014]

Flutuando. É dessa forma que Michael Keaton inicia seu papel em Birdman, filme que tem Alejandro G. Iñárritu na direção e que é indicado na categoria de Melhor Filme na maior premiação do cinema mundial: o Oscar.

“Birdman ou (a inesperada virtude da ignorância)” nos apresenta a história de Riggan Thomson, um ator bem conhecido por interpretar o “Homem-Pássaro” nos cinemas na década de noventa, mas que hoje vive seu tempo de geladeira. Na tentativa de ter sua influência e status de volta, assim como dar uma nova guinada em sua carreira, Thomson decide roteirizar, dirigir e também estrelar a adaptação de um texto consagrado nos espetáculos da Broadway.

Vivendo sua rotina de ator em decomposição, Riggan é “assombrado” por seu ego congelado que foi fatalmente inflado na década passada através de seu mais rentável papel. O “Homem-Pássaro” ainda vive na memória de mães e pais que hoje levam seus filhos ao cinema para assistir a um filme da Marvel e todas as inúmeras sequências dele. Além disso, o herói abatido vive numa espécie de consciência dentro da cabeça de Riggan, que escuta sua voz e suas reclamações.

Dentro do teatro, nos bastidores para ser mais exato, a vida continua. Talvez, e digo talvez por não conhecer exatamente como funciona os bastidores de uma peça de teatro – fica a dica de convite, produtores – seja assim mesmo que as coisas funcionem dentro de um teatro de nível Broadway. Riggan tem sua filha, Sam (Emma Stone), como ajudante e vive um relacionamento conturbado entre um trabalho e outro com Laura (Andrea Riseborough). Após o acidente de um dos atores de sua peça, Riggan se vê sem alternativa a não ser contratar por indicação de uma colega de palco o ator Mike Shiner (Edward Norton), que ironicamente representa tudo o que Riggan Thomson foi no passado, quando viveu sua glória de homem-pássaro.

Entre as intrigas causadas por um ator com a carreira em queda livre e um outro vivendo seu posto de “queridinho da América”, “Birdman” nos apresenta uma maneira diferente de se fazer cinema, principalmente quando somos bombardeados semanalmente com blockbusters pré-programados ou adaptações muito descuidadas de best-sellers da literatura contemporânea.

A direção de Alejandro G. Iñárritu preenche a tela com cenas que levaram mais de quinze minutos para serem gravadas numa única tomada. Os cortes são praticamente imperceptíveis e a forma como a passagem do tempo é apresentada no longa é de uma sutileza que nos traz de volta o sentido de “sétima arte” para o cinema. Exageros à parte, a direção é de excelente qualidade e atenção aos detalhes. Os efeitos especiais passam despercebidos e não se apresentam com nenhum tipo de falha. Os jogos de câmera usados para alternar entre um personagem e outro fazem uma transposição entre o amador e o “super profissional”, pois exige muita técnica por parte de quem segura o equipamento de filmagem.

A popularidade é como o primo pobre do prestígio.

Resumindo o restante da questão técnica, Birdman não peca – se você souber por onde olhar. As metáforas estão espalhadas por toda a sequência. A música instrumental que toca nos momentos pouco lúcidos de Riggan nos remete aos teatros e, mais especificamente, às cenas de comédia, como quando um ator faz uma piada ruim – o famoso “ba dum tss”. A forma como Hollywood é tratada no filme mostra um pouco do lado quase sem glamour das celebridades. Principalmente no Brasil, é muito comum vermos em programas de variedades aquele quadro que busca um famoso antigo e procura saber como ele está – quase sempre, na pior. É assim que Riggan se encontra, quando busca uma nova forma de se inserir no meio e reconquistar seu espaço entre os nomes reconhecidos pela mídia e pela crítica.

Falando em crítica, a presença de uma “vilã” cruel e rancorosa no filme é o espelho daquilo que não vemos quando as luzes se acendem e a cortina desce. As “tramoias” no meio do entretenimento existem desde sempre e, a não ser que valha muito a pena, as coisas não são tão fáceis como deveriam ser. Uma peça não vai ser boa por ser boa, e sim, se alguém influente disser que é. Parece sádico e cruel, mas é a realidade.

Por fim, os papeis. Michael Keaton, Edward Norton, Naomi Watts, Emma Stone… Elenco bom, conhecido, cheio de glamour para um filme que critica tudo isso. Todos desempenham bem o seu papel, principalmente Norton. Seu comportamento de “eu sou o dono do pedaço” é a sátira daqueles que adoram dar “carteirada” na porta dos eventos para os quais não foram convidados. É o elemento que te faz pensar nas perguntas do filme.

“Birdman ou (a inesperada virtude da ignorância)” é um excelente filme e mostra claramente o motivo de tantas indicações ao Oscar. Sendo um dos preferidos pela crítica, o filme levanta reflexões interessantes sobre o cinema e o universo do entretenimento. Uma das cenas finais, após o último ato em palco de Riggan, é o retrato mais descarado disso. Nela, elementos bem conhecidos do cinema mainstream lutam (ou dançam?) no palco por um espaço que chame mais atenção enquanto o ator decaído enfrenta a passagem da sombra para a luz ao som de tambores e baquetas. Não é um filme que vai ser curtido ou absorvido por todos, mas é uma opção para se inserir um pouco mais nos bastidores das claquetes e, ainda mais, adentrar os “camarins mentais” das estrelas de Hollywood.

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Crítica de Cinema: Sniper Americano (2014)

Indicado na categoria de “Melhor Filme” no Oscar deste ano, Sniper Americano se insere na crescente lista de filmes ambientados na histórica guerra entre Estados Unidos e Iraque. Neste caso, além de ser mais uma biografia que exalta o patriotismo e mostra o quão importante é nos alistarmos – seja lá qual for o fim, o longa dirigido por Clint Eastwood mostra o reflexo da guerra na vida do “atirador mais letal da história militar dos Estados Unidos”.

Baseado no livro de memórias de Chris Kyler, Sniper Americano segue a vida do veterano de guerra desde os tempos de cowboy até se tornar o atirador mais mortal da história americana. Kyler nasceu no Texas e teve uma educação um tanto quanto rígida por parte de seu pai. Cresceu ouvindo que deveria sempre proteger “os seus” e honrar a própria palavra.

Kyler se alistou e seguiu carreira na Marinha Americana até se tornar um homem honrado dos “SEALs”, grupo de elite das forças armadas. O jovem militar passou então a treinar pesado com o grupo e com o tempo mostrou destaque naquilo que fora ensinado a fazer desde pequeno: atirar.

Seguindo os fatos, o 11 de setembro acontece e Chris é enviado até o Iraque para auxiliar as tropas na busca por um perigoso terrorista islâmico. Kyler foi atirador durante quatro missões especiais que duraram cerca de dez anos ao todo. Entre idas e vindas, o sniper concluiu sua missão com êxito – e algumas baixas, mas levou de volta para casa mais de 150 mortes de alvo inimigo, o que o marcou como o “atirador mais letal” da história americana.

Disso, todo mundo já sabia. O que não se conta na maioria das histórias de guerra é o que vem depois. Enquanto Kyler estava em campo de batalha defendendo sua nação, sua esposa estava em casa tentando manter a calma e o ritmo da própria vida. Entre uma missão e outra, Taya dá a luz aos dois filhos de Chris que crescem sem o pai por boa parte do tempo.

Esse drama geralmente apagado das histórias é o ponto principal de Sniper Americano. É óbvio que isso seria retratado no filme já que é uma adaptação da biografia homônima, entretanto, a forma como é retratada no longa-metragem traz questionamentos importantes para qualquer um que esteja pensando em se alistar ou, mais especificamente para os americanos, se tudo “aquilo” realmente valeu a pena.

A ambientação do filme é excelente, se não fosse pelos closes absurdos e a companhia sempre presente dos soldados seria fácil dizer que eram cenas de guerra reais feitas em primeira mão por qualquer emissora de TV que se preze. O cenário das gravações, os efeitos e até as locações externas contribuíram para tornar o filme tão real quanto deveria ser – afinal, é uma biografia, certo?

Em vários momentos durante os conflitos é possível sentir a pressão de se ter na mira de um rifle militar uma criança com seus poucos anos de idade. Esse feeling acontece parte pelos efeitos sonoros, que trazem toda a tensão do ambiente para dentro do universo particular do espectador e parte pela atuação. É obrigatório ressaltar a importância do trabalho de Bradley Cooper vivendo Chris Kyler. O ator se entregou completamente à personagem e para deixar tudo com total semelhança com a realidade, trabalhou desde a caracterização até a respiração que um atirador de elite tem durante o trabalho.

Passada a parte técnica, voltemos então ao drama… Seguindo a sequência da narrativa, não é difícil entender o porquê de Taya, esposa de Chris, chorar em boa parte de suas cenas. Cuidar da família, da casa e ver os filhos crescerem sem um pai presente é uma rotina comum, principalmente para os americanos que têm o patriotismo nato – diferente dos brasileiros, onde surge sazonalmente quando a tarifa sobre a gasolina fica mais cara. Quem nunca ouviu aquela história de que, na saída dos cinemas que exibiam o filme Capitão América, sempre havia um representante das forças armadas para conversar com os jovens sobre os benefícios de ser um amigo do país, querendo ou não.

No caso específico de Sniper Americano o “buraco” é um pouco mais embaixo. Até hoje veem-se nos noticiários manchetes que endossam o quão importante foi a missão dos EUA no Iraque na busca e extermínio de Osama Bin Laden – ou, como a teoria da conspiração costuma dizer, procurando artefatos nucleares ou, ainda mais além, tentando conquistar terras ricas em petróleo. Independente da verdade conveniente a todos, a dúvida é: foi necessário? Quão longe foi preciso ir para se provar o tamanho da potência militar americana? Quantos homens feridos e mortos em combate tiveram de ir e não voltar para mostrar ao mundo o brilho dos fuzis importados da terra do tio Sam?

Trocadilhos à parte, é fato que Sniper Americano concorre ao Oscar de “Melhor Filme” e não é por mera publicidade patriota. A narrativa extensa (são mais de duas horas de filme) é repetitiva, porém, rica em detalhes que tornam a história mais envolvente. Para nós, brasileiros, o filme pode não ter muito peso histórico ou até mesmo psicológico, mas, para quem tem um pai, irmão ou filho do outro lado do mundo segurando uma arma contra o terrorismo, o filme tem todo o direito de levar com honra ao mérito uma estatueta dourada para casa.

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Crítica de Cinema: Cinquenta Tons de Cinza (2015)

Anastasia Steele (Dakota Johnson) é uma estudante de literatura de 21 anos, recatada e virgem. Uma dia ela deve entrevistar para o jornal da faculdade o poderoso magnata Christian Grey (Jamie Dornan). Nasce uma complexa relação entre ambos: com a descoberta amorosa e sexual, Anastasia conhece os prazeres do sadomasoquismo, tornando-se o objeto de submissão do sádico Grey.

Após mais de um ano esperando a adaptação cinematográfica do livro de E.L. James, Cinquenta Tons de Cinza, eis que chega o meu dia de assistir. Ansiedade atingindo níveis estratosféricos para ver como seria retratada uma obra tão polêmica para os cinemas. Será que mostrariam demais? Será que cortariam muito? E a fidelidade ao livro, como ficaria? Essas e outras perguntas que sempre perambulam pela mente dos leitores quando vão assistir a uma adaptação.

O filme mostra a história da jovem estudante de literatura, Anastasia Steele, que tem a missão de entrevistar o enigmático e extremamente rico empresário, Christian Grey, dono de um império, detentor de um poder digno de um imperador. O enredo se desenrola a partir dessa entrevista, completamente desastrosa, que serve de passo inicial para um relacionamento confuso e atribulado pelos gostos peculiares de Grey.

A maneira que o filme inicia, ao som de I Put a Spell on You de Annie Lennox, contribui bastante para a criação de uma atmosfera ousada, tudo o que seria, de fato, necessário para uma boa adaptação de um romance erótico. A fidelidade para com o livro nessa introdução não é algo que eu possa comentar, já que cumpriu o prometido. Frases marcantes como “O Sr. Grey irá vê-la agora”, e sua queda desastrosa ao adentrar o gabinete do CEO da Grey House foram mantidas para o bem estar geral da comunidade.

Logo depois disso, a história começa a correr de maneira gradual, cada vez mais acelerada. Pode ser apenas impressão, mas no livro, apesar da rapidez com que o relacionamento dos dois protagonistas se consolida, no filme, a velocidade foi muito maior! Não pareceu nada verossímil, tudo acontecendo de maneira extremamente fácil. Mas é algo que podemos relevar facilmente, já que é uma adaptação de duas horas para um livro de trezentas páginas. A velocidade para que se possa manter a maior quantidade de fatos fiéis possível é compreensível. Até certo ponto, porém.

O roteiro não foi algo que me agradou muito. Gostei bastante das frases marcantes que foram mantidas, das cenas e da ambientação, mas acredito que tenha faltado um pouco mais de diálogo real. A realidade não pareceu muito presente no longa-metragem, ao meu ver. Era tudo muito simples, tudo muito comum… E não é bem assim.

Muitos pontos da história (no filme) pareceram avulsos e apresentaram furos, já que não foi explicado exatamente quais circunstâncias levaram àquilo. O passeio de helicóptero é um exemplo disso. No filme, só acontece, numa mudança de cena repentina, com direito a música de Ellie Goulding de fundo. Claro que, avaliado por alguém que leu o livro, a adaptação está perfeita, apesar de baunilha, mas, observando nos olhos de alguém que só assistiu à película, os furos podem representar grandes interrogações.

Como leitor, o longa-metragem está perfeito, dosado perfeitamente com a sensualidade e o romantismo, com muitos momentos dignos de suspiros, conjugados com calafrios de excitação. As cenas de sexo foram minimizadas, obviamente, não explorando muito o fato do sadomasoquismo, no entanto, entendemos que existem pessoas chocadíssimas só com essa introdução, então podemos imaginar como seria caso tudo fosse extremamente como foi escrito por James.

A fotografia está divina, assim como os cenários e ambientações. Gostei muito, mesmo. A atuação de Dakota Johnson como Ana está perfeita, e ao meu ver, a atriz conseguiu dar vida à personagem com extrema fidelidade e clareza. Jamie Dornan, apesar dos apesares, conseguiu interpretar um Christian Grey mais baunilha que o normal, mas sem perder a essência e o caráter principal que conhecemos.

Outro ponto positivo no longa metragem, foi a trilha sonora. Uau! O que dizer daquelas músicas que baixei imediatamente após acabar o filme? Beyoncé, The Weeknd, Frank Sinatra e outros… Não tenho nem o que comentar, se não, deixar aqui expressa minha tamanha satisfação. Souberam mesclar bem o clima das músicas com a atmosfera do livro.

Concluindo, portanto, eu gostei sim, do filme, assim como gostei do livro. Claro que sempre temos um choque de realidade quando assistimos e nossa mente automaticamente compara com cada capítulo do livro. Mas depois, paramos para pensar, comparamos com outras adaptações, e então percebemos que o trabalho foi muito bem feito. Meus sinceros parabéns à diretora Sam Taylor-Johnson, que conseguiu amenizar o romance erótico para donas de casa sem perder sua real essência pelo caminho. E aos reclamões de plantão, alô, Edir Macedo! por favor, só peço que parem de julgar. É algo diferente, sim, é algo que tem sexo, sim, mas nem por isso é algo ruim. Tenho certeza que todos estão loucos para assistir, e eu só digo uma coisa: VÃO! Tenho certeza que arrependimentos não existirão, se você souber apreciar o longa-metragem que foi feito para te satisfazer.

Críticas de Cinema

Crítica de Cinema: I Origins (2014)

Há muito tempo acredita-se que “o olho é a janela da alma”, a ponte para o outro lado, a porta de entrada para tudo o que acontece durante a vida. Claro, para os de fé mais religiosa esse tipo de ditado tem grande peso na forma de se interpretar o mundo ao redor. Mas, será que possui o mesmo peso para aqueles que creem na verdade física, concreta, que aceitam apenas fatos e não suposições ou superstições? Poderia o olho, tão simples e complexo ao mesmo tempo, ser o ponto de ligação entre duas vidas? Questões como essas ecoam em debates espirituais sobre a vida humana, seu passado e seu caminho futuro. Essas questões ecoam também durante todo o diálogo em I Origins, o mais novo filme de ficção roteirizado e dirigido por Mike Cahill (Another Earth, 2011).

Ian Gray (Michael Pitt) é um biólogo molecular que estuda o olho humano em busca de uma forma de provar, cientificamente, que o homem não precisou de um “designer inteligente” para ser criado. Em seus estudos Ian utiliza o olho como a cobaia principal e procura um gene de origem para que assim possa criar o órgão a partir do zero, tal como o Criador – seja ele de qualquer religião – fez no “início de tudo”.

O discurso “ciência versus religião” está presente durante as duas fases do filme. A primeira, que se passa antes do prólogo apresentado logo nos primeiros minutos do longa, em que Ian, o jovem biólogo, conhece os olhos que vão mudar sua vida. E a segunda, sete anos depois, quando já é um renomado cientista e vê seu filho se tornar objeto de estudo de um projeto com o mesmo ideal que o seu, abrir a visão do mundo a respeito do olho, mas trabalhado por um ângulo completamente diferente.

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“Você já sentiu que, ao conhecer uma pessoa, é como se ela preenchesse um buraco dentro de você e, quando ela se vai, você sente aquele espaço dolorosamente vago?”

Durante uma festa, Ian conhece uma garota com quem tem logo uma conexão estranha e inexplicável. Por costume, pede para tirar uma foto de seus olhos para guardar em seu registro pessoal – que já conta com centenas de fotos de olhares, os mais diferentes possíveis. Após essa noite, Ian não consegue se esquecer da jovem vestida de pássaro que conheceu na festa e utiliza a única chave que possui para encontrá-la: os olhos.

Após encontrar a jovem Sofi Elizondo (Astrid Berges-Frisbey) num enorme anúncio de outdoor, a vida de Ian passa por inúmeros contextos e momentos. Sofi tem um lado espiritual bem carregado e acredita que ela e Ian estão conectados por alguma força anterior a eles e em diversos momentos tenta explicar ao biólogo as razões metafísicas de estarem juntos.

Enquanto leva a vida feliz ao lado da modelo, sua vida profissional dá um salto quando sua assistente Karen (Brit Marling) acaba por descobrir a origem da formação do olho, através do gene que Ian vem trabalhado durante toda a vida e assim podem seguir com o trabalho de construir um olho a partir do zero, misturando e recombinando as mutações presentes nos diversos tipos de olhos existentes.

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“A melhor coisa de viver como um rato de laboratório é que às vezes, poucas vezes, você realmente descobre algo e na noite da descoberta, quando você está deitado na cama, é a única pessoa no mundo a saber da verdade.”

A trama transcorre lentamente até que um acidente marca a vida de Ian e abre sua mente a pensamentos subjetivos a respeito da própria origem, científica e espiritual. A partir de então a atmosfera do filme muda completamente dando início ao que citei anteriormente como segunda parte, a narrada após o prólogo do filme.

Visualmente o longa-metragem se permite a essa tal divisão, mesmo que de forma subjetiva, em uma metade de escuridão e outra de clareza, tanto no lado científico quanto no “espiritual”. Em certa cena, quando Sofi está junto de Ian no quarto e começa sua lição sobre “aquilo que não se vê”, ela cita a porta como o meio de passagem de um lado para o outro, tendo a imagem do quarto escuro sendo iluminado por um feixe de luz que entra por uma fresta na porta. Essa visão é finalmente quebrada ao final do filme quando o biólogo atravessa uma porta de vidro, bem iluminada e quase de todo transparente.

Esse tipo de observação se dá conta pela excelente fotografia presente no filme. Uma espécie de filtro carrega as cenas com um ar melancólico e reflexivo, ótimo para quem tem essa sensibilidade visual e gosta de apreciar a arte em forma de imagem e luz.

Continuando uma análise mais técnica de I Origins, o clima do longa-metragem se deve não só de sua atmosfera mórbida – e ativa ao mesmo tempo, mas também pela trilha sonora. A música da festa em que Ian conhece Sofi gira numa espécie de eco aos ouvidos do telespectador. Ao ser reproduzida outras vezes é possível sentir a carga emocional que o som unido às cenas traz aos sentidos de quem as assiste.

Não só a trilha como a própria sonorização produzem um efeito quase que alucinógeno, tanto que pode – e deve ser – ouvida por qualquer pessoa em qualquer situação. Esse texto, por exemplo, foi escrito em sua maioria ao som de “Lucky Elevens”, uma das músicas tocadas para ambientação da trilha original.

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“O olho é o ponto de discórdia que as pessoas religiosas usam para desacreditar a evolução.”

Toda a sequência de cenas tem sua origem na análise da visão não como sentido único, mas subjetivo. Seja a visão física, aquela por onde a luz refletida nos entra pelos olhos e forma a imagem em nosso cérebro, ou a visão “lateral”, aquela que permite ao homem enxergar “aquilo que não se vê”, ou seja, uma forma mais mística e além da física. O lance da sombra e luz, citado anteriormente, se repete do início ao fim do filme e é perfeitamente percebido nesses dois extremos. Na festa, escura, quando Ian, como biólogo cético, desenvolve seu interesse por uma desconhecida; até a saída do mesmo biólogo, agora com o esclarecimento margeando seus sentidos, de um hotel na Índia em direção à luz.

I Origins é um filme que provoca a reflexão e age em todos os sentidos. Mike Cahill assina seu nome numa lista de referência no gênero da ficção trabalhada com jogadas de fé e religiosidade – já presentes em outro filme do diretor. O longa tem seus aspectos bem trabalhados e pode ser interpretado de diversas formas dependendo do pensamento que o espectador tenha, seja baseado em crença ou ciência. Entretanto, se não for visto com uma certa distância, pode se tornar um nó na cabeça de quem não espera ter suas convicções contestadas, mesmo que por meio de uma obra não real, e ser o início de longas discussões a respeito da nossa origem, do nosso presente e do nosso destino como ser humano, físico ou não.

Se interessou pelo filme? Assista ao trailer oficial aqui e comente nas redes sociais com a tag #BecoLiterário.

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Crítica de Cinema: Boyhood – Da Infância à Juventude (2014)

Boyhood chegou em terras brasileiras já com algumas dezenas de prêmios na bagagem. Com seis indicações ao Oscar deste ano e tendo vencido três das cinco categorias a que foi indicado no Globo de Ouro – incluindo a de melhor filme na lista de vitórias, o longa-metragem levou doze anos para ser filmado, do início ao fim, com o mesmo elenco e com inúmeras modificações no roteiro.

Boyhood – da Infância à Juventude (título no Brasil) segue a história de Mason Evans Jr. (Ellar Coltrane) dos seis aos dezoito anos de idade. Durante esse período, várias mudanças ocorrem em sua vida, que é retratada desde a separação de seus pais, Olivia Evans (Patricia Arquette) e Mason Evans Sr. (Ethan Hawke), até sua entrada na faculdade. O filme tem seu foco no relacionamento entre as personagens à medida em que o tempo passa e as crianças crescem.

O filme já chama a atenção pelo fato de ter sido gravado por doze anos sem alteração no núcleo principal de elenco, porém essa é apenas a cereja do bolo que deve colocar Boyhood na lista de filmes que deixaram uma grande marca na história do cinema mundial. Dirigido por Richard Linklater, o longa possui vários elementos históricos do cotidiano dos americanos num período posterior a 11 de setembro e também acrescenta itens da cultura pop que vão mudando com o passar dos anos.

Para quem tem hoje por volta dos vinte anos de idade, vários momentos do filme irão parecer incrivelmente familiares à memória. Por mais novas que as pessoas fossem na época, sete ou oito anos de idade, não é difícil se lembrar das manchetes nos jornais e reportagens na TV a respeito dos atentados ao World Trade Center, em Nova Iorque nos Estados Unidos. A mídia mundial foi bombardeada no que hoje é conhecido como um dos maiores ataques terroristas da história moderna. A agitação política que se sucedeu aos trágicos eventos também não vai passar despercebida por quem assistir ao filme.

Momentos em que Bush, presidente americano da época, é criticado pela família e cenas que mostram Mason e o pai espalhando placas em prol da campanha política de Barack Obama pela vizinhança mostram como foi dinâmica a trajetória do roteiro na produção do filme.

Linklater comentou em algumas entrevistas que o roteiro nunca foi fechado e durante todo o tempo esteve disponível para que o próprio elenco sugerisse alterações. No decorrer das filmagens a história da família Evans foi mudando de curso, indo de realizações a separações.

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É fácil se inserir no filme, principalmente os mais jovens. A cultura pop é bem presente durante todo o filme, principalmente na questão de trilha sonora. De Beatles a Lady Gaga, Boyhood traz momentos cômicos em que, ainda criança, Samantha – irmã de Mason – canta Britney Spears no auge de sua carreira. Anos depois, numa viagem de carro, Samantha é questionada pela atual esposa de seu pai por estar assistindo ao icônico videoclipe de Lady Gaga, Telephone, em seu smartphone. Situação comum entre os jovens da época.

Boyhood atrai toda a família para o enredo. Em todos os lares temos uma mãe feito Olivia, um pai feito Mason Sr., um irmão ou irmã como Sam e Mason Jr. Assim como também temos elementos negativos como o alcoolismo, que é um problema grave e presente em inúmeras famílias por todo o mundo, como também está na família Evans durante os três casamentos de Olivia.

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É possível crescer outra vez assistindo ao longa. Nos sentimos parte da família, vendo o crescimento físico e psicológico das personagens, vendo-os realizar feitos importantes e concluir etapas marcantes na vida de qualquer pessoa. Quando Mason Jr. se forma e entra para a faculdade é como se acabasse mais um ciclo da própria vida do espectador.

Após cerca de duas horas e quarenta minutos de filme, um único pensamento pode vir à tona: e agora? A sensação depois que o filme termina leva qualquer um a uma autorreflexão sobre aquilo que tem feito até agora, como foram seus últimos doze anos, o que vai ser daqui pra frente. Dúvidas que não são respondidas no filme, mas que, ao serem criadas, consagram Boyhood como uma obra de arte digna de todos os aplausos.

Imagens: filmcaptures.com

Críticas de Cinema

Crítica de Cinema: Maze Runner – Correr ou Morrer

Depois de muita espera, eis que temos em cartaz o filme Maze Runner: Correr ou Morrer. Adaptado da série homônima de James Dashner, o filme já arrecadou alguns milhões acima do esperado pela distribuidora, Fox Films, ainda em seu fim de semana de estreia.

Correr ou Morrer trata do primeiro livro de uma série de quatro e narra a história de um grupo de garotos presos no centro de um gigantesco labirinto. A Clareira, como é chamado o lugar, abriga meninos de várias idades que construíram juntos uma espécie de sociedade própria, com vocabulários e tarefas especiais. Todos vivem sua rotina costumeira até a chegada de Thomas.

Do lado de fora da Clareira, um enorme Labirinto separa os garotos da vida normal. Sem memória alguma, os Clareanos se dividem em grupos de tarefa, cabendo aos “corredores” a missão de vasculhar o labirinto atrás de respostas. Entretanto, como nada é fácil, escondidos pelos enormes muros de concreto e hera estão os Verdugos, criaturas meio máquina, meio bicho – imagine um inseto asqueroso – que carregam um veneno capaz de tornar a pessoa mais humana no ser mais irracional possível.

A rotina dos meninos muda completamente quando, de surpresa, uma garota é enviada para a Clareira carregando a seguinte mensagem: ELA É A ÚLTIMA. A partir daí, os perigos do Labirinto se tornam cada vez mais próximos e a busca por uma saída se torna extremamente necessária.

Antes de mais nada é bom deixar uma coisa clara: não sou nenhum ser formado em cinema, logo, minha opinião aqui é apenas de um cinéfilo comum, um mero mortal. Dito isso, vamos ao que importa.

Maze Runner é a adaptação de um livro, ou seja, é meio impossível não comparar uma coisa com a outra. Mas, farei o possível para evitar.

Sempre que assisto a um filme eu costumo observar alguns pontos, como fotografia, sonorização, atuação e roteiro. Com Correr ou Morrer não foi diferente.

Primeiramente devo elogiar a parte de sonorização. Confesso que fui ao cinema com uma expectativa tremenda de sentir as mesmas sensações que senti ao ler o livro. Me lembro das narrativas sobre os sons de metal e pedra, de passos, de gritos… O filme não faltou com isso. Em algumas cenas, principalmente nas de ação com os Verdugos, a sonorização foi excelente, o que me deu uma sensação muito maior de imersão na história.

O filme possui basicamente três tipos de cena. As na Clareira durante o dia, as na Clareira durante a noite e as do Labirinto. É interessante observar como foi trabalhada a luz nesses três ambientes principais. Durante o dia, a luz do Sol tornava tudo monótono, calmo, até meio chato. Durante a noite, a luz alaranjada das tochas acesas pelos Clareanos deixava tudo com um ar mais sombrio e tenso. Palmas para a fotografia. Destaque para as cenas em que os muros e os portões ficavam no segundo plano da cena. Lindo. Sobre o Labirinto, uma palavra resume tudo. CINZA. Era tudo cinza. Tudo repetitivo, o que deu a sensação de se estar perdido. Um ponto positivo pra equipe de efeitos especiais pois, além de imensos, os muros foram bem retratados no longa, com suas cortinas de hera e relva.

“Você não entendeu, não é? Já estamos mortos.”

Em relação à atuação do elenco não há muito o que falar. Todos são bons e estão de parabéns. OK! Vou apenas destacar as cenas de desespero. É legal ver como a expressão no rosto de um ator consegue provocar uma sensação diferente no público. Nas cenas mais desesperadoras, principalmente durante as corridas, o espectador fica vidrado na ação. Eu fiquei. O elenco conseguiu, na maioria das vezes, passar a ideia de “estamos mortos”.

Finalizando, o roteiro. Não é que o trabalho tenha sido ruim, muito pelo contrário. Acredito que alguns detalhes que ficaram de fora foram recuperados no decorrer do longa. Entretanto, senti que o foco do filme foi outro. Sem querer fazer comparações, mas já fazendo, o enredo foi baseado todo em cima das relações entre os meninos, na busca pela saída e nos problemas para se conseguir isso. Tá, e o Labirinto? Ah, sim, o Labirinto estava lá. Porém, o filme não mostra muito bem “o que é” o Labirinto. Só muros de pedra que guardam algumas criaturas sedentas por morte.

Fazendo uma ligação imprópria, me lembrei do romance naturalista de Aluísio Azevedo, “O Cortiço”, no qual o próprio cortiço era o personagem principal da trama. Ao contrário do que eu esperava, o Labirinto foi retratado apenas como uma passagem e fim. Tanto que, mais pro final do filme, conseguimos ver toda a extensão dos muros, o que na minha opinião quebra todo o frenesi do longa.

Como era de se esperar, o filme traz tantas respostas quanto o livro. As dúvidas são tão frequentes na nossa cabeça quanto na língua dos Clareanos, o que pode ser um ponto muito negativo principalmente para aqueles que nunca tiveram contato com a literatura de James Dashner.

“Que lugar é esse? Quem nos colocou aqui? O que há lá fora?  CRUEL é bom?”

Correr ou Morrer é um bom filme. Tem seus pontos fortes e seus pontos fracos, como qualquer filme comercial tem. Sendo uma adaptação, a preocupação principal é lidar com a possível frustração dos fãs, algo que acho que não aconteceu de forma muito grave. Temos o herói, o vilão, o conflito, ingredientes básicos de qualquer história, porém, não temos um desfecho. Algumas explicações são dadas, mas muitas outras dúvidas ficam no ar. Algo do tipo “tá, e agora?”.

Nos resta então sentar e esperar por 2015, já que Prova de Fogo, a sequência, já teve sua data de estreia marcada para setembro do ano que vem. Enquanto o dia não chega, é mais do que hora de abrir o segundo volume da série e começar a leitura, imediatamente.

Críticas de Cinema

Crítica de Cinema: A Culpa É das Estrelas (2014)

Diagnosticada com câncer, a adolescente Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) se mantém viva graças a uma droga experimental. Após passar anos lutando com a doença, ela é forçada pelos pais a participar de um grupo de apoio cristão. Lá, conhece Augustus Waters (Ansel Elgort), um rapaz que também sofre com câncer. Os dois possuem visões muito diferentes de suas doenças: Hazel preocupa-se apenas com a dor que poderá causar aos outros, já Augustus sonha em deixar a sua própria marca no mundo. Apesar das diferenças, eles se apaixonam. Juntos, atravessam os principais conflitos da adolescência e do primeiro amor, enquanto lutam para se manter otimistas e fortes um para o outro.

Dizer que criei pouca expectativa para este filme seria uma grande hipocrisia da minha parte. Desde que li o livro pela primeira vez, em meados de 2013, comecei a fantasiar com uma adaptação para as telonas. Na época, não havia sido informado ainda que haveria um filme baseado na obra, então apenas imaginar como seria, era tudo o que restava.

Bom, sobre o livro vocês já sabem a minha opinião (leia a resenha aqui), e devo dizer que na época que li, era uma história em ascensão, que se espalhou rapidamente na boca do povo, uma ótima coisa aliás, mas criei um carinho especial pela obra assim como Hazel criou por Uma Aflição Imperial e uma pitada de ciúmes foi inevitável.

Meu livro favorito era, de longe, Uma aflição imperial, mas eu não gostava de falar dele. Às vezes, um livro enche você de um estranho fervor religioso, e você se convence de que esse mundo despedaçado só vai se tornar inteiro de novo a menos que, e até que, todos os seres humanos o leiam. E aí tem livros como Uma aflição imperial, do qual você não consegue falar — livros tão especiais e raros e seus que fazer propaganda da sua adoração por eles parece traição.

Agora, com relação ao filme, tenho apenas uma observação inicial a fazer: maior quantidade de pessoas chorando por metro quadrado já vista por mimtirando aquele pessoal nojento e fingido que ama fazer ceninha e se passar por reis do drama, o filme conseguiu cativar a todos que estavam assistindo, mesmo aqueles que se dizem não emotivos.

Hazel Grace Lancaster é uma paciente terminal com câncer na tireoide, originalmente, e com uma respeitável colônia satélite há muito tempo instalada nos pulmões, e por isso, é obrigada a carregar um cilindro portátil de oxigênio com uma cânula que vai até seu nariz, para que consiga receber a oxigenação suficiente.

Depois de sua mãe se convencer que está deprimida, a garota é obrigada a frequentar um grupo de apoio, com pessoas dos mais variados tipos de doenças, que se juntam no coração de Jesus, literalmente, em um porão da Igreja, para uma espécie de apoio mútuo. Hazel, obviamente, não gosta de ir, mas faz apenas para agradar seus pais, e é numa dessas idas, que ela conhece Augustus Waters, o Gus, que teve osteossarcoma há um ano e meio, o que acabou lhe levando uma de suas pernas.

Estou numa montanha-russa que só vai para cima, amigão.

Entre encaradas, piscadelas e sobrancelhas erguidas, começa essa cativante história entre duas pessoas extremamente improváveis, e cá entre nós, impossível de não shippar. A amizade, que se transforma em romance em pouquíssimo tempo, nos mostra o quão injusta a vida pode ser, e que apesar da maior quantidade de obstáculos que podemos encontrar em nossa jornada, sempre há um jeito de passar por cima de tudo, se tiver força de vontade.

De início, tudo parece ir as mil maravilhas. Filmes na casa do outro, livros trocados, interesses mútuos… Até mesmo uma viagem para Amsterdã, patrocinada pelos Gênios, uma organização que concede desejos a crianças com determinados tipos de doença, cujo principal objetivo era conseguir respostas acerca de Uma Aflição Imperial, livro preferido de Hazel, e que de certa forma, passou a ser o de Gus também.

namoro oficial começa na cidade de Peter Van Houten – autor do livro -, e apesar do objetivo oficial não ter saído da forma que esperavam, a viagem não poderia ter sido mais propícia e agradável para o casal, perdidamente apaixonado.

Foi no final da viagem, que a choradeira começou, apesar de muitos chorarem quando “The Fault In Our Stars” apareceu na grande tela, quando Gus revela que acendeu como uma árvore de Natal. Seu câncer, aparentemente erradicado, voltou e com uma grande força, comprometendo grande parte de seus órgãos vitais.

Não direi que o filme superou o livro, afinal as palavras de Green foram extremamente emocionantes, mas a fidelidade com que as informações foram retratadas superou todas as minhas expectativas. Uma película extremamente comovente, que nos faz pensar e repensar sobre tudo o que fazemos em vida e como agimos, capaz de provocar emoções extremamente fortes em noventa e nove por cento da sessão.

Shailene Woodley interpretou seu papel com maestria, e conseguiu ser a Hazel mais perfeita que poderíamos pedir, assim como Ansel Elgort, cuja contratação rendeu ódio de grande parte dos fãs, é o Augustus Waters em pessoa, e todos os meus medos de confusão entre Tris-Caleb-Hazel-Gus foram dissolvidos com essa magnífica interpretação.

O roteiro não deixa a desejar em ponto algum, utilizando as frases de efeito apontadas no livro assim como inúmeros diálogos inteiros, o que contribuiu em gênero, número e grau para a trama. E por último, mas não menos importante, a direção e fotografia, magníficas, contribuindo na íntegra para a formação de tudo o que nós imaginamos, como leitores.

Não tenho palavras para descrever mais a adaptação, senão elogios extremamente exagerados, apesar de merecidos, e indico a película para todos aqueles com um discernimento mental para entender as verdadeiras mensagens entrepostas a cada cena. Digno de todas as premiações possíveis, A Culpa É das Estrelas é uma adaptação que com toda certeza entrou para a história do cinema.

Trailer:

Críticas de Cinema

Crítica de Cinema – Academia de Vampiros, O Beijo das Sombras

Esqueça tudo o que você aprendeu sobre vampiros – eles definitivamente não brilham à luz do sol, e vivem em uma sociedade bem mais complexa do que você imagina. Rose e Lissa sabem disso melhor do que ninguém. Lissa é a princesa de um clã muito importante de vampiros. Sua melhor amiga, Rose, é meio vampira, meio humana, e tem como missão se tornar guardiã de Lissa. Pressentindo que algo ruim vai acontecer, Rose decide que devem fugir. Elas passam dois anos assim, mas são encontradas e levadas de volta à escola de vampiros São Vladimir, onde terão que relembrar as causas de sua fuga e sofrer suas consequências. São paixões e vidas em jogo, traições e reviravoltas de tirar o fôlego, parte do mundo criado por Richelle Mead e povoado por personagens fortes e irresistíveis.

CONTÉM SPOILERS!

Bom galera, eu, sendo uma grande fã da saga Academia de Vampiros, não via a hora da adaptação de cinema ser lançada, mesmo tendo aquele medo de como iria ficar, enfim, confesso que esperava muito mais deste filme e me decepcionei bastante quando o assisti.

O filme começa com um flashback uma viajem de carro, cujo Lissa Dragomir, Rose Hathaway e a família de Lissa estão dentro, mas acaba acontecendo um imprevisto e com isso ocorre um acidente, que mata os pais e o irmão de Lissa.

Logo após este flashback, volta para os dias de hoje e mostra como Lissa e Rose estão vivendo, já que depois do acidente que quase as matou, começaram a ocorrer coisas estranhas, e para tentar acabar com isso, as duas resolvem fugir de São Vladimir, mais conhecida como Academia de Vampiros, um internato para Moroi e Dampiros estudarem e aprenderem a controlar suas habilidades.

Morois são os vampiros da Realeza, eles são inteiramente vampiros, bebem sangue, não podem ficar muito expostos a luz so sol, mas estão vivos. E eles tem poderes sobre os quatro elementos

Dampiros são os metade vampiros, metade humanos, que se alimentam tanto de sangue quanto de comida normal. São encarregados de proteger os Moroi dos Strigoi, uma raça de vampiros malignos que se alimentam de Morois.

O filme é narrado na perspectiva de Rose Hathaway, Dampira que está encarregada de cuidar de Vasilisa Dragomir – mais conhecida como Lissa, que é membro da realeza e além de ser apenas um membro, ela é uma Princesa, a última da linhagem Dragomir e a segunda na linha de sucessão ao trono.

Após um ano fugindo, os guardiões de São Vladimir as encontram e as levam de volta ao colégio, e é ai que a história realmente começa. Chegando na escola, Lissa e Rose se veem numa posição díficil. Lissa perdeu um ano de estudos, o que a prejudica na arte de se especializar em algum elemento ( Ar, Terra, Fogo ou Água) e Rose, que perdeu um ano de treinamento para lutas e batalhas, que a ajudaria na proteção dos Moroi.

Elas se encontram em um grande perigo quando voltam ao colégio, e coisas estranhas voltam a acontecer, e para conseguir supera-las, uma terá que ajudar a outra. Uma história envolvendo amor ( cada uma com o seu caso), mistério, suspense e drama.

Confesso que esperava BEM MAIS desta adaptação, fiquei bem decepcionada quando a assisti. A única que não deixou MUITO  a desejar foi Zoey Deutch, atriz que interpreta Rose Hathaway, ela seguiu certamente o que a personagem faz e sua atuação foi muito boa no contexto, já Lucy Fry, atriz que interpreta Lissa Dragomir, senti que ela poderia entrar um pouco mais no papel, no livro ela é uma garota que está passando por muitos problemas, algumas horas é fraca mas em outras é muito forte, e ela não conseguiu passar isto neste filme.

Por outro lado,  Danila Kozlovskyator que interpreta Dimitri Belikov, conseguiu entrar no papel e passar a imagem que nosso querido Dimitri passa nos livros, apenas achei que ele não foi muito explorado neste filme, o que foi um ponto ruim.

Na minha opinião, um livro de mais de 300 páginas teria que ter mais do que 1 hora e 44 minutos de filme, para pelo menos tentar passar a história nem que seja um pouco mais parecida com o livro. Enfim, é uma adaptação, e não podemos esperar muito de adaptações… Mas confesso que fiquei bem chateada com esta, achei que seria mais parecida com o livro e não foi. Senti falta de partes cruciais da história que poderiam ter sido colocadas neste filme.