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Gabu Camacho

Livros, Resenhas

Resenha: Ricardo & Vânia, Chico Felitti

Conheci Ricardo & Vânia há algum tempo, por intermédio da minha amiga Stephanie. Na época, por algum motivo, entramos no assunto do livro, Ricardo – antes conhecido como Fofão, personagem caricato da Rua Augusta. Eu não sabia da repercussão da sua matéria no Buzzfeed, não sabia sequer de sua história. Mas já tinha o visto em uma das minhas passagens por São Paulo, a trabalho.

Não sendo de São Paulo, quando o vi, eu achei curioso mas não sabia que era uma figura tão caricata da cidade, que era tão conhecido por todos. Li a matéria do Buzzfeed durante alguns dias, era extensa e eu aproveitava os intervalos no meu trabalho para entender aquela história. Sentia um misto de querer saber tudo com ler com cuidado pra não acabar logo e não apreciar da forma correta. Sequer sabia sobre o jornalista que a escrevera também.

Tempo depois, Stephanie virou amiga do autor e me indicou o livro variadas vezes. Numa dessas indicações, resolvi comprar o e-book e jogar no Kindle, pra ver quando eu teria tempo de ler. Acabei na mesma semana.

Ricardo & Vânia conta a história do Fofão, apelido ofensivo que ganhara e quase virou seu nome, mas felizmente não virou e esse livro traduz perfeitamente o porquê e o porquê de nós, jornalistas, temos que cumprir nosso papel social. Seu nome é Ricardo Correa da Silva. Circulava pela rua Augusta há 20 anos, anônimo por muitos (exceto pelo apelido), onde panfletava, pedia esmola e às vezes, assustava algumas pessoas com o seu jeito, para não dizer aparência.

O que a gente não sabia, ao ver aquela figura, é que Ricardo foi um cabeleireiro disputado nos anos 70 e 80, mas que sua história foi ao céus ao mesmo tempo em que atingiu o inferno. Frequentador do underground, esquizofrênico, drag queen, artista de rua e muitas outras coisas, Ricardo chegou do interior e viveu sua vida no auge, por muito tempo, atendendo famosas e a elite paulistana.

Sua história, sobretudo a sua relação com o silicone que injetava na face, é curiosa. Ele tinha a obsessão pela fama, ao mesmo tempo em que sua doença o fazia acreditar que já era muito famoso (o que não deixa de ser uma verdade) e Chico consegue ir fundo na sua história e trazer de volta sua identidade, que há muito havia sido esquecida, inclusive pela família.

Nessa investigação, ficamos boquiabertos com as descobertas ao mesmo tempo em que sentimos raiva e gratidão. Pelo menos eu. Raiva pelo descaso. Ricardo esteve no meio de gente influente e terminou sem ninguém ao seu lado. Ele era indomável, nisso podemos concordar, mas ainda sim abre o parêntese da reflexão por todo o descaso em que passou em vida. Lhe fora negado seu nome, sua identidade, seu status como ser humano. Ricardo, chamado de Fofão, sequer era um ser humano para as pessoas que passavam ao seu lado.

Gratidão pela reportagem de Felitti. Por ir tão fundo e devolver a identidade a Ricardo, por recusar veementemente a chama-lo de Fofão e ir ao infinito para descobrir seu nome. Todos tem um nome e tem direito a ele. Gratidão por não transformar sua história em um espetáculo que faria todos se divertirem às custas de alguém que não está ouvindo a mesma música. E sequer teve uma mão amiga que perguntou se queria que trocassem o som.

Perguntamos onde ele aprendeu a falar línguas. “Eu já corrigi erros de tradução da Bíblia antiga. Quando a Bíblia era transmitida através de mantras.”

Nessa investigação, também conhecemos Vânia, que um dia se chamou Vagner e foi o grande amor da vida de Ricardo. Vânia foi o amor da vida, não para a vida. Ela seguiu em frente, foi morar na Europa e reconstruiu sua vida de incontáveis maneiras. Ela é o contraste e isso que torna tudo tão especial.

Acompanhamos os últimos dias de Ricardo em vida e o recomeço de Vânia, cuja história poderia ser coadjuvante com a história de Ricardo, mas o acaso é algo que não conseguimos prever.

Ricardo & Vânia tem histórias que beiram a fantasia. É incrível reviver tantas memórias, de pessoas comuns, de forma que você para alguns minutos para digerir e imaginar como aquilo pode realmente ter acontecido na vida real, porque a gente só vê em filmes. A escrita de Felitti é leve e te leva na viagem na busca da identidade, junto com ele e sua mãe, personagem presente nas páginas.

É uma leitura que, se ainda não é, deveria ser obrigatória nos cursos de Jornalismo por aí. Não li na faculdade, mas sinto que se tivesse lido, minha visão e relação com as fontes seria outra.

Atrás de cada fonte, há uma pessoa. Atrás de cada pessoa, há uma história, há amores, há desencontros, há acasos. E se é uma pessoa, se é uma história… ela vale a pena ser contada.

Livros

5 livros sobre racismo para ler esse mês

Nas últimas semanas, diversas manifestações foram feitas após o assassinato de George Floyd, um homem negro de 46 anos,  sufocado por um policial branco nos Estados Unidos. O acontecimento trouxe à tona um assunto que tanto os Estados Unidos como o Brasil precisam resolver há séculos: o racismo. Como forma de ajudar a trazer mais conhecimento o tema, o time do Clube de Autores, maior plataforma de autopublicação da América Latina, selecionou alguns livros. Confira:

1 – Branquitude, Música Rap e Educação. Compreenda de uma vez o racismo no Brasil a partir da visão de rappers brancos, Jorge Hilton

O autor, ativista e pesquisador negro, se aventura no mergulho aprofundado desse território expondo e analisando esta tensão racial. A obra não é sobre lugar de fala dos rappers brancos, mas sim o lugar de reflexão sobre o que essas falas revelam: O que eles e elas pensam sobre relações raciais e racismo? A autodeclaração racial que fazem, condiz com seus olhares de como a sociedade os percebe racialmente? Quais suas visões sobre privilégio branco? Conclui discutindo o papel da educação racial na mudança de pensamentos e atitudes, educação pela abolição do racismo, como processo fomentador da alteridade, sociabilidade e respeito às diferenças.

2 – O Debate Nacional do Preconceito e da Discriminação, Conrado Luciano Baptista

A discriminação e o preconceito no Brasil são práticas amplamente proibidas por várias leis, normas, princípios e atos de governo. A CRFB/1988, por exemplo, em seu art. 3º, especialmente no inciso IV, declara que o Estado precisa “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.” Particularmente, interessa ao estudo saber se o art. 3º, inciso IV da CRFB/1988 é ou não eficaz socialmente, ou seja, se ele produz os resultados e os efeitos desejáveis.

3 – Relações Étnico-raciais Educação e Sociedade, John Land Carth

Essa obra é um conjunto de textos que abordam a problemática da educação e da formação da sociedade brasileira em seus conflitos de gênero, étnica, racismo, política e currículo. Durante anos o professor John Carth acompanhou de perto as transformações sociais e educacionais vendo e vivendo próximo aos dilemas sociais. Trata-se apenas de reflexões que possibilitam entendimentos sobre as necessidades da sociedade neste Terceiro Milênio.

4 – Relações Étnico-Raciais e Diversidade Cultural, Organização: Bruno G Fellippe 

Trata-se de uma coletânea de artigos onde é reunido quatro professoras pesquisadoras, no presente volume cada uma apresenta um pouco de seus estudos e pesquisas com referência às relações étnico-raciais.A Face Negra do Brasil Multicultural – Dulce Maria Pereira; Restinga Seca/RS: uma identidade que se conformou pela diversidade étnico-cultural – Elaine dos Santos; Experiências bem sucedidas: inserção dos estudos da história e cultura da África e afro-Brasileira – Luciene Ribeiro da Silva; A experiência de material didático próprio na Rede Municipal de Santo André: A abordagem da Educação das Relações Étnico-Raciais entre 2010 e 2012. – Regina Maria da Silva

5 – No Limiar das Raças: Sílvio Romero (1870-1914), Cícero João da Costa Filho

A discussão em torno da unidade do gênero humano fomentou, desde os primórdios da existência humana, calorosos debates na busca pelo centro de criação. Se o homem surgiu num único centro, qual a razão para as diferenças? O que explica e como se explica que seres da mesma espécie ao longo da história se diferenciam de tal modo que se torna impossível encontrar o ponto de partida deste surgimento? Quais são os fatores que interferem na diferenciação entre as espécies segundo os cientistas? As espécies já nascem diferentes ou é a interação entre estas e as forças naturais que explicam as variações entre as raças? As raças constituem espécies separadas ou são apenas variações de uma espécie?

Livros

Dia dos Namorados: confira dicas de eBooks para ler com a sua companhia especial

No dia dos namorados, não há nada melhor do que apreciar uma boa leitura com o seu amor, e com as infinitas possibilidades que os eBooks na Loja Kindle trazem. Se gosta de futebol, ou de culinária; se prefere ficção para se transportar para outro universo, ou o relato documental para se manter terreno; se gosta de contos curtos ou de verdadeiros livrões (mas sem o peso), está muito fácil achar a leitura perfeita para o seu namorado ou namorada, juntos ou distantes, sem precisar sair de casa. O Kindle separou 6 dicas de livros que podem ser lidos em e-readers Kindle ou pelo app.

Um dia, de David Nicholls
Atendo-se ao tema que o Dia dos Namorados evoca, o amor, a primeira dica é o clássico romance de David Nicholls, Um Dia, que conta a história de Dexter Mayhew e Emma Morley, que depois de um dia especial juntos, não parecem conseguir se afastar nem por obra do destino. Ao longo dos vinte anos que seguem, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Para quem gosta de um dramalhão daqueles que dá vontade de comer pipoca enquanto lê, esse é a escolha perfeita.
Cozinha a quatro mãos, de Rita Lobo
Existe maneira melhor que comemorar um Dia dos Namorados do que preparar um jantar especial junto com o seu amado? Nesse livro da Rita Lobo, Cozinha a quatro mãos, você aprende dicas preparar refeições práticas a dois, em menos tempo e sem pesar para ninguém. Além de ajudar a organizar uma refeição especial, também é ótimo para a cozinha do dia a dia, ensinando a fazer um PF (prato-feito) perfeito e dicas para elaborar uma boa lista de compras.
Somos o Brasil, de Nelson Rodrigues
Para os apaixonados por futebol e literatura, o livro Somos o Brasil, de Nelson Rodrigues é uma ótima opção para os saudosistas do futebol brasileiro, e que apreciam a obra de um dos maiores cronistas de futebol do mundo. O livro reúne matérias de jornal do autor em ordem cronológica, mostrando também fotos e manchetes históricas do que estava acontecendo no Brasil e no mundo quando Nelson escreveu.
Falando sobre a realidade brasileira, uma ótima opção é a coletânea de contos Olhos D’Água, de Conceição Evaristo. A obra é considerada por muitos uma das mais importantes da renomada autora, retratando e trazendo para a literatura com grande talento narrativo a população afro-brasileira e as condições que ela enfrenta na pobreza e na violência urbana por meio das histórias de diversas personagens femininas, que apesar de viverem experiências diferentes, compartilham a dureza da vida. Uma leitura fundamental nos tempos em que vivemos.
A Guerra dos Tronos: As Crônicas de Gelo e Fogo Vol. 1, de George R. R. Martin
A Guerra dos Tronos é o primeiro livro da série best-seller internacional As Crônicas de Gelo e Fogo, que deu origem à adaptação de muito sucesso da HBO, Game of Thrones. A série de televisão já acabou, mas os livros recheados de detalhes de um universo assustador e magnífico ainda estão disponíveis, fazendo perdurar a tradição dos domingos (ou qualquer dia da semana) com Game of Thrones.
Larissa Start, de Rafael Caputo
Quem busca literatura brasileira contemporânea de qualidade tem um prato cheio com a obra independente Larissa Start. O livro de Rafael Caputo foi uma das 5 obras finalistas da 4ª edição do Prêmio Kindle de Literatura, um evento que prestigia os autores independentes do Kindle Direct Publishing, ferramenta gratuita de autopublicação da Amazon. A narrativa conta o romance entre Ricardo, um professor frustrado de educação física e Larissa Mueller. O que ele não imaginava é que a jovem e divertida bailarina de vinte e três anos fosse um algoritmo desenvolvido pelo CVV, Centro de Valorização da Vida, criado para ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade mental. O romance diz respeito sobretudo ao amor, que mesmo às vezes impossível, continua sendo o melhor remédio para salvar vidas.
A história de Joe Shuster: O artista por trás do Superman, de Julian Voloj e Thomas Campi
Para os apaixonados por quadrinhos, a Loja Kindle também oferece diversas opções. A graphic novel A história de Joe Shuster: O artista por trás do Superman, escrita por Julian Voloj e ilustrada por Thomas Campi, é uma homenagem à vida de Joe Shuster, criador de um dos maiores super-heróis do mundo. Junto com Jerry Siegel, Shuster mudou para sempre a histórica das HQs de super-heróis, e é um marco da chamada Era de Ouro dos Quadrinhos. A obra mostra o que há por trás dessa criação, contando as origens secretas e o início dessa trajetória que já tem mais de 80 anos de publicações.
Todos os livros listados estão disponíveis na Loja Kindle em versão eBook, podendo ser adquiridos e lidos com o aplicativo gratuito Kindle para computadores, tablets e smartphones Android ou iOS, além de e-readers Kindle.
Livros, Novidades

6 livros para te ajudar a superar a crise nos negócios

Sabemos que esse é um momento muito difícil para todos, mas principalmente para os empreendedores e gestores, que se veem com as contas acumulando e baixa procura pelos produtos, serviços e soluções oferecidos por suas empresas no mercado. A pandemia do novo coronavírus está afetando todas as empresas, mas principalmente os pequenos e médios negócios. Por isso, no meio de tanto caos, o melhor a fazer é pensar em soluções para enfrentar o atual cenário e se preparar para a retomada dos negócios que, com certeza, acontecerá após a pandemia.

Pensando nisso, o Book Advisor Eduardo Villela, selecionou seis livros de gestão e negócios, que vão ajudar empreendedores e gestores, de forma positiva e saudável, a repensar seus negócios, evitando a tomada de decisões desfavoráveis neste momento. Confira:

Gerenciando a Crise: dominando a arte de prevenir desastres – Este livro, de Richard Luecke, auxilia gestores, líderes e empreendedores a lidar com os fundamentos da gestão de crises. Buscar antecipar as crises é a melhor escolha que uma empresa pode fazer: saber planejar é fundamental e é exatamente o que Richard propõe na obra.

Sem cortes: lições de liderança e gestão de um dos maiores especialistas do Brasil em salvar empresas – Aqui o assunto é a restruturação de empresas. Claudio Galeazzi fala sobre a importância de saber tomar decisões difíceis e como planejar e executar as mudanças necessárias para salvar empresas em dificuldades. O autor revela os bastidores do processo de recuperação de empresas nas quais atuou diretamente.

Dobre seus lucros: como reduzir custos, aumentar as vendas e melhorar drasticamente os resultados de sua empresa em seis meses – Um dos maiores clássicos da literatura de gestão e negócios, o conteúdo deste livro entrega exatamente o que se propõe em seu subtítulo. É um manual de referência seguido à risca por vários executivos e empresários de algumas das melhores empresas brasileiras.

Vendas em tempos de crise: como gerar resultados quando ninguém está comprando – As crises exigem estratégias, ações e atitudes específicas de todos aqueles que cuidam das vendas para a continuidade dos negócios de suas empresas. Uma das raras obras sobre como vender durante crises em língua portuguesa.

Como administrar o fluxo de caixa das empresas: guia de sobrevivência empresarial – Problemas de caixa são apontados entre as principais causas que levam tantas empresas ao encerramento de suas atividades. Este livro é uma obra de referência para uma gestão eficaz e profissional do fluxo de caixa.

Comunicação Inteligente e Storytelling para Alavancar Negócios e Carreiras – Rafael Arruda, a partir de uma linguagem acessível, envolvente e direta, traz a empreendedores, profissionais liberais e autônomos, colaboradores e gestores de pequenas e médias empresas as melhores e piores práticas em comunicação e storytelling, mostrando que o sucesso de carreiras e empresas encontra na comunicação um de seus principais pilares. O autor revela como as empresas e profissionais podem aumentar seus resultados por meio da comunicação e do storytelling.
Atualizações, Talks

Entrevista: Gunda Windmüller, autora de “Mulher, solteira e feliz”

Gunda Windmüller, jornalista e mestre em Literatura, tem sacudido a sociedade alemã com perguntas incômodas. Em uma sociedade com 41 milhões de mulheres, cerca de 2 milhões a mais do que homens, a população feminina do país lida com a disparidade salarial e debate a igualdade de direitos. Em um país liderado por Angela Merkel, a imagem de progressista – de acordo com as feministas do país, como Anne Wizorek – é maior do que a realidade. Nesse contexto socioeconômico, Gunda decidiu investigar como as sociedades, não apenas a alemã, têm lidado com as mulheres solteiras.

Com base em estatísticas, digressões históricas e sociológicas, experiências pessoais e entrevistas conduzidas com especialistas no comportamento humano e com mulheres em idades entre 30 e 60 anos, a jornalista e escritora desafia a falsa noção de que somente um relacionamento amoroso confere sentido à vida feminina. Autora de Mulher, solteira e feliz, ela estreia no Brasil com o lançamento da obra pela Primavera Editorial. A ideia de escrever o livro surgiu, segundo a autora, quando terminou um relacionamento de anos e constatou que as pessoas próximas estavam realmente preocupadas com o presente e futuro dela: casamento, filhos, solidão à noite.

Em entrevista para Larissa Caldin, publisher da Primavera Editorial, Gunda Windmüller conta sobre os achados nessa jornada em busca de respostas sobre a construção do conceito do amor romântico – que permanece reduzindo as mulheres a um parceiro, relegando às solteiras a condição de coitadas. Um comportamento social que perpetua a falsa noção de que somente um relacionamento amoroso confere sentido à vida feminina.

Conte-nos um pouco sobre você e como surgiu a ideia de escrever este livro?

Meu nome é Gunda Windmüller, sou jornalista e mestre em Literatura; moro em Berlim, na Alemanha. Quando tinha 34 anos, eu terminei um relacionamento com um namorado de longa data e logo percebi que muitas pessoas estavam realmente preocupadas comigo. “Você não quer se casar, e os filhos? Você não se sente sozinha à noite?”, eram as perguntas que me faziam. Essas preocupações me intrigaram, pois eu estava realmente feliz à época. E foi aí que percebi que não somente eu desperto pena por ser uma mulher solteira, mas muitas outras mulheres também. E foi aí que decidi escrever um livro sobre isso!

Na sua opinião, qual é a maior mentira que a sociedade conta sobre as mulheres na casa dos trinta?

Que elas precisam se apressar, porque sua vida está prestes a acabar! E isso não é verdade. Nós vendemos essa ideia da beleza desaparecendo com a idade; por muito tempo, reduzimos a nossa existência à aparência que temos. Conversei com tantas mulheres na casa dos trinta que sentem que as suas vidas apenas começaram!

No livro, você diz que sente falta de uma sociedade que acredita em sua história. Na sua opinião, como as mulheres – que também escrevem coisas horríveis sobre as mulheres – podem contribuir para mudar essa sociedade? Qual é o nosso papel nessa transformação?

Acho que todos precisamos entender que também fazemos parte da mudança social. Se queremos mudar a conversa sobre as mulheres, precisamos começar a falar de forma diferente. Precisamos ser mais gentis conosco e com nossas irmãs. Por sermos mulheres, sempre pensamos que devemos ser perfeitas e – quando as mulheres se comportam de uma maneira “não tão perfeita” –, somos rápidas em apontar isso e culpá-las. Entretanto, esse não é o caminho a seguir; todos cometemos erros, estamos juntas nisto!

Você traz, em “Mulher, solteira e feliz” o conceito de “libertar o amor”. O que isso significa? Como podemos libertar o amor – e o príncipe encantado?

Acho que colocamos o amor em um pedestal. Esperamos tudo desse o amor: queremos estar apaixonadas, ser compreendidas, fazer um sexo incrível, sermos cuidadas, admiradas. Nosso parceiro deve ser tudo para nós. Mas isso não é justo; não é justo amar dessa forma. É por isso que eu gostaria de libertar o amor. Vamos ver o que é o amor, não um ideal louco, mas algo que pode unir as pessoas. É por isso que eu também gostaria de me livrar do príncipe encantado. Não é justo esperar que uma única pessoa nos salve e pinte as nossas vidas de ouro. Eu gostaria que mais mulheres se considerassem as rainhas das próprias vidas; não esperassem que algum príncipe aparecesse.

Como a ideia de “rosa e azul” influencia nosso modelo mental do que é o amor?

Esses estereótipos de gênero influenciam muitos aspectos de nossas vidas, mas principalmente na forma como pensamos nas mulheres: pessoas que desejam amar, são mais carinhosas e românticas e homens – que consideramos menos românticos, mais duros e menos necessitados de companhia. É por isso que chegamos a pensar que as mulheres precisam, desesperadamente, de um parceiro romântico; pensamos que esse é o desejo “natural” nas mulheres, enquanto consideramos os homens cowboys solitários que não precisam de ninguém. E isso não é verdade! Estudos psicológicos mostram que os homens anseiam mais por relacionamentos íntimos do que as mulheres e sofrem mais quando não estão em um relacionamento romântico. Mas, a nossa noção do amor, no entanto, foi pintada por essa ideia rosa e azul dos gêneros. Acho que é hora de reavaliarmos essas noções.

Mulheres solteiras não têm uma boa reputação. Com uma perspectiva propositiva, como podemos mudar essa noção?

Antes de tudo, acho que todos precisamos ter mais consciência das situações em que as mulheres solteiras estão sendo envergonhadas. Ou seja, mesmo que seja apenas por meio de uma pergunta como “Não entendo, por que você ainda está solteira?”. Precisamos apontar essas situações e deixar as pessoas saberem como é inapropriado reduzir as mulheres ao status de relacionamento. As mulheres são mais do que potenciais parceiros. Somos pessoas inteiras!

O que é pior na perspectiva da sociedade: ser solteiro ou não ter filhos? O que guia esse julgamento social?

Do ponto de vista da sociedade, é considerado um dever natural feminino ter filhos. Portanto, por qualquer motivo, não tê-los faz parecer que a mulher é egoísta e obstinada. Mas, novamente, as mulheres solteiras também são vistas como egoístas – o mesmo vale para muitas mães solteiras, que são consideradas incapazes de “manter” um parceiro. Acho que todas essas atitudes em relação às mulheres são bastante ruins e prejudiciais. É direito de toda mulher não querer ter filhos ou ser solteira.

Qual é a principal mensagem que você gostaria de enviar às leitoras brasileiras?

Você é o suficiente! As mulheres são continuamente informadas de que nos falta algo: um parceiro, uma família perfeita, o corpo certo. Mas, não precisamos de nada disso. Nós somos o suficiente como somos. Amem a si mesmas – é o amor que definitivamente vai durar até o fim.

Livros

Dia da Língua Portuguesa: obras modernas e clássicas para celebrar a data

Em 10 de junho comemora-se o Dia da Língua Portuguesa. A data foi instituída pelo governo de Portugal no ano de 1981, escolhida em homenagem a Luís de Camões, que faleceu em 10 de junho de 1579 e é considerado um dos maiores autores de língua portuguesa de todos os tempos. Para celebrar o idioma, a Disal selecionou obras modernas e clássicas de celebres autores portugueses.

Confira os títulos:

Na obra “Poesia de Luis de Camões Para Todos” poemas sobre o amor e a vida, alguns contando pequenas histórias, outros de um humor irresistível. O livro é indicado para muitas crianças e jovens terem o primeiro contato com a obra de Luís de Camões, pois nele se reúnem poemas líricos de leitura mais acessível, a par de outros que, de tão conhecidos, ficaram guardados na memória desde a juventude.

Certamente a peça mais conhecida de Gil Vicente, Auto da barca do Inferno é uma representação alegórica do destino das almas humanas assim que deixam seus corpos, quando encontram duas barcas com seus respectivos arrais, um Anjo e um Diabo. As duas entidades acusam os vícios e faltas cometidos em vida pelas personagens, a fim de ensinar aos vivos os perigos e enganos da vida transitória. A peça, que foi escrita para a cena palaciana, mostra-se uma sátira impiedosa sobre os costumes da sociedade da época. Ninguém é poupado, nem mesmo padres, fidalgos e magistrados. Auto da barca do Inferno é a primeira parte da trilogia das barcas, seguido das barcas do Purgatório e da Glória. Estima-se que tenha sido escrita em 1516, mas foi publicada, assim como as demais obras de Gil Vicente, apenas em 1562.

Uma terrível “treva branca” vai deixando cegos, um a um, os habitantes de uma cidade. Com essa fantasia aterradora, Saramago nos obriga fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu. Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma “treva branca” que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas. O Ensaio sobre a cegueira é a fantasia de um autor que nos faz lembrar “a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”.

“Um ônibus incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que grassa por toda parte em Moçambique. Como se sabe, depois de dez anos de guerra anticolonial (1965-75), o país do sudeste africano viu-se às voltas com um longo e sangrento conflito interno que se estendeu de 1976 a 1992. O veículo está cheio de corpos carbonizados. Mas há também um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala que abriga os “”cadernos de Kindzu””, o longo diário do morto em questão. A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente: a viagem de Tuahir e Muidinga, e, em flashback, o percurso de Kindzu em busca dos naparamas, guerreiros tradicionais, abençoados pelos feiticeiros, que são, aos olhos do garoto, a única esperança contra os senhores da guerra. Terra Sonâmbula de Mia Couto foi considerado pelo júri especial da Feira do Livro de Zimbabwe um dos doze melhores livros africanos do século XX e agora reeditado no Brasil pela Companhia das Letras.

É o livro da vida de Fernando Pessoa, finalmente editado como o autor queria, respeitando todos os semi-heterônimos que fazem parte dele, devidamente assinados – Vicente Guedes, Barão de Teive e Bernardo Soares. Vale explicar que a expressão “semi-heterônimo” é do próprio Pessoa, que considerava como heterônimos apenas três: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Ainda assim, são vozes muito próprias, que partem de biografias inventadas como personagens de teatro. Não estarem misturados ou até preteridos como em publicações passadas é a grande novidade dessa edição, preparada por uma das mais respeitadas especialistas na obra de Fernando Pessoa, Teresa Rita Lopes. Por isso a sugestão do plural do nome:  Livro(s) do Desassossego . Assim como o autor foi vários, o livro também é.

Autorais

Autoria: Não é por mal, Gabu Camacho

Provavelmente serei aleatório mais de uma vez. Vou me atrasar por passar perfume demais. Direi coisas que não deveriam ser ditas. Vou me portar de forma inapropriada. Vou ser estranho.

Não que eu seja assim de propósito, sei lá. É só o meu jeito, sabe?

Não consigo ser diferente. Talvez seja parte da minha síndrome de porco-espinho. Ela era bem desenvolvida, avançada. Eu poderia dizer que gostaria que você tivesse me conhecido antes dela, mas não. Talvez eu nunca fosse bom o bastante sem ter sofrido tanto antes.

Porque a vida é meio assim. É sempre mais escuro antes do Sol. A gente sofre para ser feliz. Nos mais diversos aspectos da vida. No amor, quem nunca sofreu por algo que não era seu antes mesmo de ter? Após fazer uma entrevista de emprego foda, quem nunca sofreu de ansiedade esperando os resultados?

A vida é assim. Nós temos que lidar com essas coisas o tempo todo. Caso contrário, de que serviriam as partes boas se nem sequer sabemos como diferencia-las das ruins?

Todos nós já vimos a chuva caindo num dia de Sol. E o que aconteceu depois? A calmaria. Sempre vem a calmaria depois do furacão. E consequentemente, a felicidade depois da tristeza.

Todos nós merecemos ser felizes.

Todos nós precisamos passar pelas montanhas russas antes, para que então saibamos como reconhecer a alegria genuína. Não é maldade, é valorização. Se tudo fosse sempre bom, em algum momento você seria grato?

Passe por tudo de cabeça erguida. Lide com os seus problemas. Um de cada vez.

Reconheça a felicidade, saiba valoriza-la. Ela não é eterna, assim como a tristeza também não é. Viva intensamente. Uma página de cada vez.

Olhe para o céu, conte as estrelas, seja efêmero, ache beleza onde não tem…. A vida é apenas um livro.

Vivemos uma página de cada vez.

Atualizações, Livros

Escrito há 39 anos, livro ficcional apresenta fatos que coincidem com a atual pandemia

A obra mais polêmica de 2020, Os olhos da Escuridão do autor norte-americano Dean Koontz, que se popularizou por apresentar fatos que coincidem com o atual cenário em que vivemos e ganhou destaque nas mídias do mundo, como: CNN InternacionalDailymailThe GuardianFolha de S.PauloCorreio Braziliense e G1, chega com exclusividade ao Brasil pela Citadel Editora!

Publicada originalmente em 1981, o livro aborda a chegada de um vírus letal chamado Wuhan-400, e 39 anos depois, Wuhan é o mesmo nome da cidade chinesa que foi o primeiro epicentro da pandemia da COVID-19. Isso seria apenas uma incrível coincidência ou premonição sobre a atual pandemia?

Todos os detalhes dessa história você confere no Book Trailer do livro Os olhos da Escuridão.  É nessa apresentação perturbadora e realista que se passa a história de Tina Evans, uma mãe desesperada em busca respostas sobre a morte de seu filho, que faleceu em um acampamento de férias, onde todos presentes no local também tiveram o mesmo fim trágico: uma morte misteriosa.

Envolvida em um emocionante suspense, Tina começa a receber sinais que indicam que seu pequeno Danny possa estar vivo. Tomada por uma obsessão que a levará até a verdade por trás do que realmente aconteceu, ela encontrará segredos mortais sobre o vírus Wuhan-400 que podem estar relacionados ao seu filho.

Sinopse do livro: Um ano se passou desde a morte do pequeno Danny. Um ano desde que sua mãe iniciou o doloroso processo de aceitação. Mas Tina Evans poderia jurar que acabou de vê-lo dentro do carro de um estranho. Na última perturbadora noite sonhou com seu filho. Ao acordar, foi até o quarto de Danny e para sua surpresa lá estava uma mensagem. Três palavras perturbadoras rabiscaram no quadro-negro: NÃO ESTÁ MORTO.

Foi a piada sombria de alguém? Sua mente pregando peças nela? Ou algo … mais? Para Tina Evans, era um mistério que ela não podia escapar. Uma obsessão que a levará até as últimas consequências atrás da verdade por trás da morte de seu filho. Um terrível segredo que não foi visto por ninguém, apenas pelos Olhos da escuridão.

Sobre o autor: Dean Koontz, autor de vários best-sellers de ficção nos Estados Unidos, vive no sul da Califórnia com sua esposa, Gerda, sua golden retriever, Elsa, e os espíritos de seus pets, Trixie e Anna.

Sol da meia-noite
Atualizações, Livros

“Sol da meia-noite”: Stephenie Meyer lança primeira prévia do livro

É hora do surto, twilighters! A autora Stephenie Meyer, da saga Crepúsculo, divulgou há pouco por meio do seu blog, a primeira prévia do livro “Sol da meia-noite”, que será a visão de Edward dos fatos narrados por Bella no primeiro livro da série.

O livro, que será lançado no dia 4 de agosto, tanto nos Estados Unidos, quanto no Brasil, pela editora Intrínseca, foi muito esperado por todos os fãs e já teve seu lançamento cancelado no passado por conta de um vazamento na internet.

Sem mais delongas, leia o trecho abaixo, já traduzido:

Sol da meia-noite

Nós nos olhamos por um momento, enquanto eu processava que, enquanto ela era meu primeiro amor, eu também era sua primeira… paixão, pelo menos… Essa constatação me atingiu de uma forma estranha, mas também me deixou confuso. Certamente isso foi uma armadilha, uma forma nada saudável dela começar sua vida romântica.

A autora ainda acrescentou que a partir de agora, todas as terças e quintas teremos novas prévias de trechos de “Sol da meia-noite”. Preparados? Porque eu não tô!

Livros, Resenhas

Resenha: O garoto quase atropelado, Vinicius Grossos

O garoto quase atropelado foi um livro que me atropelou. Recebi a prévia dele de supetão, comecei a ler e logo comprei a versão completa porque era difícil de largar logo nas primeiras páginas.

Escrito na forma de diário, dia após dia de um mês de novembro, conhecemos a história do garoto quase atropelado. Não conhecemos seu nome em momento algum, mas isso é o que deixa a história mais única. Não descobrimos seu nome, mas embarcamos em uma longa viagem de autodescoberta e da recuperação dos poderes da nossa mente.

Quando me sinto tomado pela vergonha, o senso do ridículo me alcança com uma eficácia admirável.

Sabemos que o menino sofreu algum acontecimento muito traumático, logo de cara, e por isso, está lutando contra a depressão e este diário é um dos exercícios sugeridos pela sua psicóloga para lidar melhor com tudo aquilo que precisa descobrir e curar em si mesmo. Ele precisa escrever religiosamente os fatos de todos os dias. Nos primeiros relatos, percebemos sua relutância em narrar os acontecimentos, mesmo porque não acontece nada.

Até que ele é literalmente quase atropelado por uma garota com cabelo de raposa, que depois descobrimos ter o nome de Laís. Ela apresenta um novo mundo ao garoto quase atropelado e ele, claro, fica perdidamente apaixonado por ela. Mas, como Laís mesmo diz, ela tem a mente quebrada.

E são nesses altos e baixos que o garoto, juntamente com Laís, embarca numa montanha russa de sentimentos bons e ruins. Ele também conhece Acácio e Natália, que eram os melhores amigos de Laís e acabam por ser seus melhores amigos também. Em certa passagem do livro, a amizade deles é descrita como um triângulo com uma bolinha no meio. Laís, Acácio e Natália são o triângulo, uma amizade perfeita, mas com segredos que são escondidos uns dos outros e o garoto quase atropelado é a bolinha no meio, que transita entre cada um e conhece coisas que nem eles mesmos parecem conhecer logo de cara. Ele se torna o elo do grupo.

(…) apesar de legalmente ter se separado apenas da minha mãe, a separação também aconteceu comigo e com o Henrique. De um pai normal, aos poucos, ele foi se transformando num estranho.

Numa avalanche de sentimentos e pensamentos, vemos o desenrolar de toda a história no mês de novembro e de toda a recuperação do garoto com seu passado traumático, que descobrimos não estar tão no passado assim. A desgraça havia sido há poucos meses e ele ainda tentava fazer as pazes com os fantasmas que o assombravam. E ele consegue. A partir do momento que vemos que ele está preparado para nos contar tudo, o livro traz um turbilhão muito forte de emoções que mal sei descrever.

Me arrancou lágrimas, sorrisos, gritos de desespero e no seu clímax final, foi um dos poucos que me causou mal estar. A gente sente as dores do garoto quase atropelado, e esse mal estar, confesso que achei que não fosse ser curado até o final do livro: mas foi. Vinicius Grossos consegue conduzir a história de uma forma surreal, controlando não só os sentimentos do garoto quase atropelado, mas também do leitor. É uma avalanche, um incêncio e uma montanha russa, tudo ao mesmo tempo.

Devo confessar que eu, particularmente, me deliciei com a minha mãe, enfim, colocando meu pai em seu devido lugar. Não que eu sentisse ódio ou raiva dele, mas meu pai meio que não era mais meu pai. Ele nos abandonara e não tinha mais espaço em nossa família.

É perceptível também as ótimas referências musicais durante o livro (se eu surtei quando vi Arctic Monkeys e Marina and the diamonds? Nããaao, imagina!) e as referências de outras obras da literatura como As Vantagens de ser Invisível e História é tudo o que me deixou. É um livro cinco estrelas e a única coisa que me decepcionou, foi ter lido no Kindle e não ter conseguido prestar uma homenagem final para a Laís. Mas tenho certeza que Acácio, Natália e o garoto quase atropelado fizeram isso com magnitude e representando todos nós.