O premiado curta-metragem “Inabitável”, dirigido por Matheus Farias & Enock Carvalho, foi selecionado para a Mostra Competitiva do Festival de Sundance, que acontece de 28 de janeiro a 03 de fevereiro de 2021, em formato presencial e online. Trata-se do único curta-metragem representando o Brasil em Sundance.Exibido em 18 festivais no segundo semestre de 2020, incluindo o 48º Festival Gramado – onde conquistou os troféus de Melhor Filme pelo Júri da Crítica, Roteiro, Atriz e Prêmio Canal Brasil de Curtas,– “Inabitável”foi o curta-metragem brasileiro mais premiado do ano, com 10 prêmios.
O curta pernambucanoé protagonizado pela baiana Luciana Souza (“Bacurau”, “Ó Paí Ó”, “Flores Raras”), que além de Gramado, foi premiada no Festival Mix Brasil. O elenco conta tambémcom as atrizes pernambucanas Sophia William, Erlene Melo, Laís Vieira, Eduarda Lemos; e os atores Val Júnior e Carlos Eduardo Ferraz. O filmenarra a história de Marilene (Luciana), que procura por sua filha desaparecida depois de não retornar de uma festa. Por meio de uma narrativa fantástica, linguagembem conhecida pelos diretores de “Caranguejo Rei”, Enock e Matheus retratam de forma poética a violência rotineira do país que mais mata a população LGBTQIA+.
“Estamos muito felizes com o fato de o filme estar na seleção oficial do Festival de Sundance porque isso significa que muitas pessoas descobrirão ‘Inabitável’ a partir de agora. Isso gera uma nova onda de pensamentos em torno do filme, novos debates e críticas. Sundance é uma maravilhosa vitrine para o cinema mundial e o filme toca em questões sobre o Brasil que são muito importantes“, afirma Enock Carvalho, roteirista e diretor do filme.
“A exibição do filme em festivais online permite que mais pessoas, inclusive as que não frequentam habitualmente os festivais de cinema, consigam assisti-lo. Desde a estreia em agosto,‘Inabitável’ tem participado de vários festivais brasileiros e internacionais e já soma 10 prêmios. Estamos muito felizes com essa trajetória e é muito importante pra gente que ele continue circulando, sendo assistido e discutido. Diante de tudo o que vem acontecendo no Brasil nos últimos tempos é incrível perceber como ele reverbera de forma única através de cada exibição“, completa Matheus, que além de roteirizar e dirigir o filme, também montou o curta ao longo de quatro meses.
A estreia mundial de “Inabitável” aconteceu na Mostra Competitiva do 31º Festival de Curtas-metragens de São Paulo. Em setembro, foi exibido na competição de Curtas-Metragens Brasileiros do 48º Festival de Cinema de Gramado e, em outubro, na Mostra Olhares Brasil do 9º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Cinema de Curitiba. Também foi selecionado para a competição do 30º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema e do 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ambosem dezembro.
“Inabitável”teve a participação de aproximadamente 40 pessoas na equipe, entre profissionais pernambucanos e de outros estados. O filme tem produção executiva de Vanessa Barbosa, direção de produção de Amanda Guimarães, figurino e caracterização de Libra, direção de fotografia de Gustavo Pessoa, produção de elenco de Felipe André Silva e trilha sonora de Nicolau Domingues. O curta foi filmado em dezembro de 2019 e finalizado ao longo do primeiro semestre de 2020. É incentivado pelo Funcultura Audiovisual, através da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE), e do Governo do Estado de Pernambuco.
Há três anos, os diretores Matheus Farias e Enock Carvalho desenvolvem o roteiro do primeiro longa-metragem assinado por eles. O projeto já participou do LaboratórioNovas Histórias, iniciativa do Sesc e Senac São Paulo voltada para o desenvolvimento de roteiros e o aperfeiçoamento do ofício de roteirista no cinema nacional. O filme flerta com o cinema de gênero e se aprofunda na crise que o Brasil vive hoje, costurando passado, presente e futuro.
Do papel para a vida real, ficam os temas das tirinhas de Charles Schulz para espalhar mensagens sobre cuidados e resiliência. A iniciativa “TAKE CARE WITH PEANUTS” alinha a propriedade com os movimentos culturais e relembra a todos de sermos bons cidadãos globais, tirar uma pausa para cuidarmos de nós mesmo, dos outros, do nosso lar, dos animais e do planeta.
Take Care with Peanuts apresenta três mensagens vitais – Take Care of Yourself (com foco no bem-estar físico e mental), Take Care of Each Other (comunidade e filantropia) e Take Care of the Earth (natureza e sustentabilidade) – que inspiram um grande esforço em todo o mundo filantrópico, entre outros componentes.
“TAKE CARE WITH PEANUTS é uma iniciativa que vem do meu coração, pois celebra todos os temas que meu marido apresentava regularmente em seus quadrinhos”, disse Jeanne Schulz, viúva do criador de Peanuts, Charles Schulz. “Sparky compartilhou mensagens de cuidar uns dos outros e respeitar a natureza por anos – ele sempre foi um homem à frente de seu tempo!”
A estratégia do programa Take Care with Peanuts localmente irá envolver: produtos exclusivos, eventos, áreas tematizadas, ações de varejo e co-branding a partir do 1º semestre de 2021. Abaixo estão alguns programas desenvolvidos globalmente e futuros lançamentos, locais e internacionais.
Filantropia: Parceria com a Foundation for Hospital Art
Projetos filantrópicos serão o componente chave das iniciativas, começando com o programa de murais em hospitais. Em parceria com a Foundation for Hospital Art, a Peanuts Worldwide está doando 70 murais de Snoopy e Woodstock para serem colocados em hospitais ao redor do mundo. Os primeiros murais foram lançados em 01/10/2020 em Nova York e na Califórnia, e seguirão o cronograma para implementação em outros hospitais, sendo que a mesma arte será replicada em demais regiões ao redor dos seis continentes. Esse projeto é apenas o começo de um esforço filantrópico de vários anos, com o objetivo de expandir e reativar relacionamentos existentes com organizações sem fins lucrativos, trazendo à tona uma carinha amigável já conhecida mundialmente.
Plano de Aulas: Ensinando mensagens sobre cuidados às crianças
Conteúdo para professores e pais com temas específicos estão sendo disponibilizados no site da Peanuts, desde novembro. Projetado para estudantes de 4 a 11 anos, as aulas apresentarão os personagens da Peanuts com temas exclusivos do Take Care with Peanuts, ajudando crianças a desenvolverem suas habilidades, incluindo linguagem e estudos sociais.
Conteúdos na Apple TV+
A partir de 05/02/2021, a nova série “The Snoopy Show” será lançada na Apple TV+. Os episódios, com target para crianças de 6 a 10 anos, são estrelados por Snoopy e suas várias personas com uma porção de episódios relacionados ao programa Take Care with Peanuts, incluindo alguns temas especiais, como o Dia da Terra.
Sobre a Peanuts
Os personagens de Peanuts e propriedade intelectual relacionada são propriedade da Peanuts Worldwide, que é 41% propriedade da WildBrain Ltd., 39% propriedade da Sony Music Entertainment (Japão) Inc. e 20% propriedade da família de Charles M. Schulz, que apresentou Peanuts ao mundo em 1950, quando a história em quadrinhos estreou em sete jornais. Desde então, Charlie Brown, Snoopy e o resto da gangue Peanuts deixaram uma marca indelével na cultura popular. Além de desfrutar dos amados programas e especiais do Peanuts na Apple TV +, fãs de todas as idades celebram a marca Peanuts em todo o mundo por meio de milhares de produtos de consumo, bem como atrações de parques de diversões, eventos culturais, mídias sociais e histórias em quadrinhos disponíveis em todos os formatos, do tradicional para o digital. Em 2018, a Peanuts fez uma parceria com a NASA em um Acordo Espacial de vários anos com o objetivo de inspirar uma paixão pela exploração espacial e pelas ciências entre a próxima geração de estudantes.
O Papel da Lotus Global Marketing
A Lotus Global Marketing Brasil é uma empresa líder na América Latina que atua nos segmentos de marketing e licenciamento e opera no mercado há mais de 30 anos, representando, na área de produtos de consumo, empresas com atuação mundial e líderes nos seus segmentos, bem como na geração de conteúdo e construção de marcas, representando empresas líderes no segmento de entretenimento, esportes, games, digital, etc. Além da divisão de licenciamento, a empresa atua também em mais dois segmentos: entretenimento, através da produção de shows infantis ao vivo e eventos, desenvolvendo o negócio em suas várias etapas de produção, do roteiro ao casting, passando pelo design do set e figurinos, música e trilha sonora, pós-produção, marketing e exibição; e digital, desenvolvendo campanhas e gerenciando as redes sociais de seus clientes, interagindo e buscando soluções para melhorar o engajamento dos fãs das marcas através de ações de marketing digital.
Fim de ano é sempre uma boa época para aquecer o coração e desfrutar de momentos ao lado de quem amamos. Entretanto, em 2020 os encontros serão atípicos. Pensando nesse cenário e a fim de unir quem está longe, a Viva Colaborativo lança uma novidade para movimentar a economia local e valorizar produtos feitos à mão. Recém-inaugurada em Florianópolis, a loja conta com produtos que são resultado da união de profissionais de várias áreas dispostos a compartilhar materiais, ideias e contatos. O empreendimento que já reúne mais de 20 marcas expositoras é resultado de muitas pesquisas e referências, trazendo para a Capital um espaço colaborativo e dedicado à arte, design e beleza.
“Nossa história começou com as caixas, que foram reformuladas para o fim de ano, agora com a loja aberta. Como grande parte de nossos clientes nos procuram para presentear pessoas queridas, foi a forma que encontramos de unir quem está distante levando nosso conceito e transformando objetos em um canal de afeto”, explica a empresária Vitória Facini.
Personalizadas, as caixas são montadas de acordo com os gostos, peculiaridades e mensagens a serem passadas. Estão inclusos recados escritos à mão e aromas com diferentes características, transformando o presente em uma experiência sensorial.
“A Viva Colaborativo nasceu com o intuito de proporcionar uma nova experiência de consumo. Priorizamos em nossa curadoria produtos da região, favorecendo o locavorismo, marcas handmade, autorais e orgânicas, sempre aliadas ao design e à arte. Queremos dialogar com todos aqueles que buscam utilizar no cotidiano produtos saudáveis e que estão alinhados com um estilo de vida sustentável”, complementa a empresária Cristina Nunes.
Vi sua foto no Facebook e bombava de curtidas e compartilhamentos. Uma garota trans, de pouca idade, carpindo ramas de batata. A legenda dizia que travesti rejeitada e odiada pela família trabalha duro e não dispensa trabalho nenhum. Parece uma linda história de superação se não fossem apenas fatos que evidenciam a decadência social de um grupo que mal é representado dentro de sua própria comunidade. O T no cenário LGBTQ+ ainda é alvo de muito preconceito e violência. Segundo pesquisa do G1, 9 em cada 10 pessoas trans acabam na prostituição. E ainda piora: sua expectativa de vida é de 35 anos, segundo dados do Senado Brasileiro. Metade da média nacional.
Entrei em contato com ela, é de poucas palavras e de família humilde. No começo, ainda como quem não confia em qualquer um, se mostra meio tímida ao contar sua história. “Nasci em uma família muito religiosa e preconceituosa, sempre tive a certeza que tinha algo de errado comigo e que ser menino não era o meu destino”, começa a desabafar S.C., de 16 anos, cursando o terceiro ano do ensino médio em Sapé, no interior da Paraíba. “Dos meus 8 anos em diante, meus pais perceberam que eu fugia muito do meio masculino e me fizeram ter medo de ser eu mesmo. Sofri muito bullying e tive que mudar de escola 5 vezes”, conta.
Dificuldades
S.C. começava a entender que não era igual as outras crianças quando começou a ser perseguida na escola. Apanhava e era excluída de todas as outras. Ainda sem se descobrir mulher trans, fazia de tudo para sua mãe não deixar ir para a escola no dia seguinte. “Meu desempenho nos estudos começaram a cair. Eu não prestava atenção na aula e só pensava o quão rápido eu teria que correr para chegar em casa e os meninos não me baterem na hora da saída”, relembra.
Aos 12 anos, veio o divórcio dos pais. Sua mãe mudou de estado e ela ficou porque ainda estava na metade do ano letivo. Seus pais trabalhavam em uma fazenda e vinham vê-la somente a cada dois meses. “Tive que morar sozinha durante um ano na nossa antiga casa, foi aí que comecei a trabalhar. Foi muito difícil arrumar algo decente, mas sempre busquei ganhar meu dinheiro da forma mais honesta possível”, confessa.
Trabalho infantil
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2016, o Brasil tem aproximadamente 2 milhões de crianças e jovens trabalhando, com idades entre 5 e 17 anos e, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), estão entre as atividades que mais oferecem risco à saúde, ao desenvolvimento e à moral das crianças e adolescentes, o trabalho nas ruas, nas carvoarias, nos lixões, na agricultura e no trabalho doméstico.
“Fiz amizade com uma vizinha que me deu todo o apoio. Ela tinha um barzinho e lá eu comecei a trabalhar atendendo as pessoas, servindo mesas”, continua S.C., que apesar da pouca idade, era um “rapaz” bem desenvolvido, alto e com aparência de 17 anos, segundo explica. E foi nesse cenário que sua inocência começou a ser corrompida.
No bar em que trabalhava, vários homens tentaram a aliciar, oferecendo dinheiro em troca de relações sexuais. “Segundo eles, ‘um novinho era muito bom’”, revela, enquanto se atropela para dizer que sempre dispensou, mas trabalhava também em outros lugares. “Fazia serviços em um salão de beleza, juntava reciclagem para vender e aos poucos ia conseguindo meu dinheiro”, avalia.
“O que vemos com a utilização de mão de obra infantil não é algo que ‘enobrece’, como disse o presidente Bolsonaro”, afirmou o Senador Paulo Rocha, da Paraíba, em pronunciamento após declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, em defesa o trabalho infantil. “Quem explora a mão de obra das crianças, na verdade, só procura reduzir os custos para aumentar seus lucros”, completa.
Ao fazer 13 anos, S.C. se mudou para morar com a irmã. Contra sua vontade, foi e ficou 3 meses sem trabalho, até que saiu pelas ruas e encontrou um emprego em um lava-jato. “Percebi que não era aceito pelos meus outros colegas de trabalho, por causa do meu jeito afeminado, decidi sair depois que um me acertou no pescoço com aquele jato de água, que inclusive, doeu”, aponta. E de fato, as maiores dificuldade das empresas, nos dias de hoje, está em repassar suas culturas de diversidade por toda a hierarquia, e a população trans é a que mais sofre com assédios morais e muitas vezes, sexuais.
Os estudos somados à rotina intensa de trabalho começaram a sobrecarregar a garota, que ainda estava no auge de sua infância. “Eu também fazia bicos, carpia quintais, frente de casas e ia pra casa no fim do dia, só dava tempo de me trocar e ir pra escola, a pé, mesmo sendo bem distante. Perdi as contas de quantas vezes eu chegava em casa quase meia noite”, evidencia. E em casa, ainda fazia o trabalho doméstico da irmã que trabalhava demais. Lavava louça, lavava roupa e ainda deixava o café da manhã pronto para o dia seguinte. “Vivi assim por quase 2 anos até que vim morar com a minha mãe, e foi quando decidi ser eu mesma. Eu já tinha me assumido gay aos 14 anos e aos 16, decidi que viveria como mulher trans”, explica S.C. cheia de determinação, como quem parece estar cansada de viver com sua felicidade às custas de terceiros.
Vida nova, trabalho antigo
“Meu pai se negou a falar comigo”, relembra como quem não quer dar muita importância ao assunto e continua, “mas aqui fiz bons amigos que me aceitaram da forma que sou”. No entanto, o preço que se paga por ser quem é pode ser caro para algumas pessoas. S.C. comenta que ainda luta com alguns pensamentos da mãe, mas que continua firme em busca de sua independência. “Aqui na minha cidade é muito ruim de trabalho”, suspira. Porém, o buraco é mais embaixo. As políticas sociais estratégicas para o enfrentamento do trabalho infantil, somada às declarações polêmicas do líder do Executivo, assim como a precarização da fiscalização, trata-se de um visível mascaramento da realidade social trágica de milhões de crianças e adolescentes. Fato que só piora com a proibição da educação sexual nas escolas, cujo preconceito acaba por recair diretamente em pessoas trans, como S.C.
“Apesar de eu não ser aceita, sou uma mulher feliz só pelo fato de ter perdido todo medo que eu tinha de ser eu mesma.”
Hoje em dia, S.C. trabalha carpindo ramas de batata. “Carpir ramas é pesado, pagam pouco para muito trabalho. E trabalho pesado”, revela. Durante as 7 horas de expediente diário, com 15 minutos de descanso por 40 reais sob extrema pressão, ela ainda encontra sua motivação para ser quem é. “Tô seguindo tentando vencer, sempre fui uma mulher esforçada sem medo de trabalho pesado, sou uma ótima aluna na escola e me encontro com notas muito boas”, sorri em meio a tantas injustiças. “Outras pessoas com quem trabalho, recebem 50 reais por diária, e eu recebo só 40. Existe uma desigualdade apesar do trabalho ser o mesmo”, denuncia.
Escola
Dividindo-se entre carpir ramas, reciclar lixo e a escola, perguntei a S.C. como era lidar com tudo isso. “O que mais tem por aqui é lixo nas ruas, eu vou no meu ritmo e decido minha carga horária na reciclagem. Acho que assim estou ajudando minimamente o planeta”, comemora.
Na escola, ela se considera feliz com a aceitação dos colegas e professores. “É a primeira escola que vejo abraçar tanto a causa LGBTQ+. Todos os eventos a gente aborda esse tema com várias áreas diferentes, lá eu me sinto em casa e amada”, declara.
E além de tudo, S.C. diz que é feliz. “Apesar de eu não ser aceita, sou uma mulher feliz só pelo fato de ter perdido todo medo que eu tinha de ser eu mesma. O V. (nome de batismo) não existe mais. Agora é a S.C. e sempre foi ela que me deu forças pra seguir”, se emociona e finaliza, “Porque não foi fácil. Mas ainda tenho mais objetivos para conquistar.”
Leia ouvindo: Thinking of you, Katy Perry (Acústico)
Futuro ex-namorado,
Sei que quando você estiver lendo essa carta, já vai ter desistido de tentar entender o que está acontecendo. Tampouco vai entender porque te chamei de futuro ex-namorado. Se tudo correu conforme planejei, você agora está parado em um quiosque na entrada da praia e um garçom te entregou esse papel. Você chegou aí entrando em um Uber que mandei te buscar, falando que ia chegar em casa, mas ele seguiu direto para o litoral.
Desculpa por ter te assustado. Mas agora é hora de esclarecer algumas coisas.
Sei que você gosta de mim, não me entenda mal. Sei que você pode até me amar da sua maneira, mas não sou o amor estrela cadente da sua vida. Não sou o amor que cruza seu céu e te leva ao inferno. Não sou o amor que vai encher seu mundo de glórias. E está tudo bem. Eu amo você e só o meu amor pode justificar tudo o que eu fiz hoje.
Eu percebi que quando a gente foi no karaokê, antes da quarentena, você cantou Thinking of you da Katy Perry de uma forma muito emotiva. Eu sabia que você não estava pensando em mim. Eu sabia que era pro seu amor estrela cadente. Alguém que tinha cruzado tão rápido seu céu e que não havia sido capaz de ficar.
Eu percebi que era com ele que você sonhava todas as noites. E juro, está tudo bem. Ele é a sua pessoa. E eu ainda sei que um dia vou encontrar a minha. Espero ser tão sortudo quanto você, meu amor.
Mas agora, é a sua vez. Planejei tudo isso durante a quarentena e agora ela acabou. O coronavírus foi embora e se tem algo que a gente aprendeu com tudo isso, é a não desperdiçar mais tempo.
Se tudo correu como planejei, o Benji vai estar sentado um pouco além de você, com o pai dele, em uma mesa. Ele já contou tudo para a família. Ele sabe que talvez você apareça. Eu sei que é ele. Vai lá!
Capture sua estrela cadente. Não a deixe escapar mais. Você e o Benjamin nasceram um para o outro.
Mais de dois milhões de pessoas possuem deficiência auditiva severa no Brasil, número que tende a aumentar em progressão aritmética nos próximos anos. Considerando que o país tem 207 milhões de habitantes, o número eloquente de surdos, de acordo com o censo do IBGE de 2010, corresponde à população do Distrito Federal.
Tamanha expressividade não pode ser deixada de lado e o debate da inclusão dos surdos no sistema educacional é de extrema importância, principalmente para a sociedade em que vivemos que parece estar sempre em ritmo acelerado em todos os aspectos, esquecendo-se da empatia pelo próximo. É preciso pensar que existem pessoas com necessidades diferentes da generalidade considerada “normal” e é preciso incluí-las de maneira efetiva no sistema educacional, com professores bilíngues não só na teoria, mas também na prática.
O tema já foi alvo da redação do Enem e buscou, exatamente, essa expressividade que falta para a população surda. As críticas existem, mas de maneira tão ferrenha aconteceu tão somente por conta da especificidade do tema. Mas não pode se esperar muito: pessoas que nascem com um direito social intrínseco e inextricável, jamais entendem pelo o que passa uma minoria que luta pelo o que eles julgam básico para sobrevivência.
Não se conhece o mundo de uma pessoa nessas condições só pela observação e estudo. É preciso estar inserido no meio em que vivem, e só dessa forma será possível entender suas cicatrizes e onde os sapatos apertam. Os caminhos são diferentes de uma pessoa para a outra, e todos são seres humanos, com direito a espaço, respeito e aprendizado.
No entanto, é a velha história da empatia inexistente. Não há espaço para a população surda na realidade brasileira atual. O assunto é específico e nesse mérito não podemos mexer. Mas é esta a hora de levantar bandeiras pelo o que precisa ser ouvido, e acima de tudo, entendido. Os jovens, maior público do Enem, são aqueles que irão moldar o futuro de toda uma massa e para tal, a conscientização precisa acontecer desde já.
O Brasil precisa acordar para a inclusão efetiva das pessoas com qualquer grau de deficiência, fato que é garantido pela Constituição Federal: é um dever de todos e o dever não é posto em prática sem conhecimento de causa, mesmo que de maneira superficial. É preciso saber e não fechar os olhos para a realidade.
Observa-se, também, que tal comportamento é facilmente explicado pelo discurso neoliberal que a sociedade brasileira prega. Palavras bonitas de inclusão e de aceitação ao diferente são proferidas aos quatro cantos do país, mas, na hora de colocar em prática, nada, senão a hipocrisia dos olhos fechados e das críticas que recaem sobre um simples tema de redação em que a população surda conquistou para sua luta de causa, contra muitos outros que foram dados para a população considerada dentro da normalidade.
Vai muito além de conquistar uma nota máxima na redação. São vidas e sua qualidade que entra em xeque-mate junto aos dois milhões de brasileiros esperando melhorias e outros quase sete milhões de jovens que prestaram a prova.
Mais do que nunca, é necessário conquistar novos espaços. A semente foi plantada e agora precisa germinar para todos os lados. É preciso que a Libras seja disciplina efetiva e não só optativa de maneira teórica, de forma que essa conquista seja apenas a primeira batalha dessa guerra, que só é nomeada de minoria. Sempre tiveram surdos no Brasil e não são poucos. São anos de luta, de busca por reconhecimento e voz nas esferas educacionais, políticas e sociais. A causa estava invisível, pendendo inclusive para a solução inconstitucional da educação segregada, o que diminuiria ainda mais a democratização dos estudos e aumentaria a distância entre alunos com e sem deficiência.
O histórico é de violência e violação de direitos básicos. No passado, a população surda chegava a ter as mãos amarradas, para que pudessem aprender a falar e não pudessem fazer sinais. No presente, existem adeptos da oralização, que defendem que as pessoas surdas compõem uma cultura própria e precisam ser segregados. Tamanho absurdo não pode ganhar força entre as pessoas.
São vidas, pessoas com sonhos e aspirações iguais ao de qualquer outra. E, para todos, empatia é a palavra-chave. Empatia essa que vem de berço e é cultivada no dia-a-dia para disseminação do amor e da responsabilidade social. Não são mais as crianças surdas que precisam se adaptar, negar a sua identidade ou serem convencidas a viver em uma comunidade a parte, mas as escolas que precisam se modificar e se adequar para acolhê-las de maneira justa.
De uns tempos pra cá, o Twitter virou uma loucura por todos os lados falando dos bookstans. Fulano era bookstan, Beltrano não era, mas era leitor…. Mas afinal, o que é ser um bookstan? A internet tem gírias que se renovam todos os dias e essa parece ser mais uma delas.
Confesso que eu também não sabia o que eram os bookstans, onde vive um bookstan e por isso, fui pesquisar bem a fundo. Antes de entender a palavra, você precisa se ambientar no Twitter/X, caso não conheça. A rede social de microblogs permite que seus usuários criem perfis e compartilhe pequenas atualizações em texto, imagens e vídeos, com poucos caracteres: os famosos tweets. De 2012 pra cá, a rede social vem ganhando cada vez mais espaço entre os fandons – legiões de fãs de determinados artistas. Esses fãs criam perfis para homenagear seus ídolos, enquanto se conhecem, compartilham informações e afins.
Com essa chegada dos fandons – palavra que pode se traduzir como fan kingdom, ou reino dos fãs – os leitores também precisavam de uma palavra que definisse o nome do seu fandom: fãs da Demi Lovato eram os Lovatics, da Katy Pery eram os Katy Cats, da Taylor Swift são os Swifites…. E como era o nome das pessoas que gostavam dos livros? Leitores, você pode responder. Mas não. São os bookstans, que além de lerem o livro, se tornam fãs dele, como um fã de qualquer banda, cantor ou cantora. Você é um bookstan?
Vamos para a etimologia:
Bookstan = Book + stan
Aí você me pergunta, ótimo, o que é um stan? É como se fosse um fã, quando a palavra fã é pouco para descrever o sentimento. Se pensarmos pelo lado da etimologia mais uma vez, temos:
Stan = stalker + fan
Aquele fã que acompanha, sabe tudo sobre o assunto e está sempre bem informado. Por isso, o fandom dos leitores não poderia ser somente “leitores”. Além de ler, eles acompanham as novidades, sabem da vida do autor, analisam aquilo a fundo. Um bookstan é um leitor, só que a palavra “leitor” é muito pouco para descreve-lo.
Bookstan = Book + stalker + fan
Os bookstans, portanto, podem ser descritos como aquelas pessoas que ultrapassam os limites tradicionais de serem apenas fãs de livros. Eles não apenas apreciam a leitura, mas também se dedicam de maneira notável a seguir de perto seus autores favoritos, acompanhar lançamentos, e talvez até interagir fervorosamente nas redes sociais para expressar seu amor pela literatura.
Essa intensidade pode se manifestar de várias maneiras. Por exemplo, um bookstan pode estar sempre atualizado sobre as atividades de seus autores preferidos, participar ativamente de eventos literários, compartilhar suas leituras nas redes sociais, criar conteúdo relacionado a livros, e até mesmo se envolver em discussões aprofundadas sobre enredos e personagens.
É importante notar que, embora o termo “stalker” tenha uma conotação negativa, no contexto de “bookstan” a ideia não é a de perseguição real, mas sim de um acompanhamento intenso e apaixonado. Essas pessoas não estão invadindo a privacidade dos autores (ou pelo menos não deveriam), mas sim demonstrando um alto nível de dedicação à sua obra.
E aí, você se considera apenas um leitor ou também um bookstan? Me conta aí nos comentários!
O terceiro travesseiro, romance de Nelson Luiz de Carvalho, poderá ganhar uma adaptação audiovisual nos próximos anos! A notícia foi dada diretamente pelo autor, por meio do seu perfil do Facebook e ainda não há previsões para lançamento, apesar de ainda ter grandes nomes envolvidos na produção.
A obra é uma ficção baseada em relatos reais e teve seu primeiro lançamento em 1998, se tornando um grande marco na literatura LGBTQIAP+ brasileira, com 5 milhões de cópias vendidas apenas em 2005. No enredo, dois adolescentes, Marcus e Renato, passam a compartilhar suas fantasias amorosas e a descobrirem juntos a sua sexualidade. Com uma grande carga de erotismo, descoberta e autoconhecimento com uma linguagem crua e sem muitos rodeios, o livro logo se tornou um best-seller.
Com um final trágico, mas do jeito que a gente gosta, O terceiro travesseiro já foi adaptado para os teatros em 2005, lotando o Teatro Augusta durante seus cinco meses em cartaz. Segundo o autor, a adaptação audiovisual terá elementos tanto do livro, quanto do teatro, que tinha um tom de comédia que não estava alinhado com o livro mas acabou por agradar o público. Além disso, o caminho que deve ser seguido é de uma série, e não de um filme. Veja:
Além da possível adaptação audiovisual, “O terceiro travesseiro” deve ganhar uma segunda parte, que contará como foram os anos seguintes ao término do livro. Ainda não há previsão de lançamento.
Eu sei que a série Cinquenta Tons de Cinza te deixou órfão ou órfã quando você terminou a leitura. A história envolvente de Christian Grey e Anastasia Steele tem esse poder sobre a gente e deixa uma ressaca literária imensa. No entanto, procurar por outros livros parecidos ou com a mesma temática pode ser uma grande saída para conseguir voltar a respirar com a ausência do casal.
A estudante de literatura Anastasia Steele, de 21 anos, entrevista o jovem bilionário Christian Grey, como um favor a sua colega de quarto Kate Kavanagh. Ela vê nele um homem atraente e brilhante, e ele fica igualmente fascinado por ela. Embora seja sexualmente inexperiente, Anastasia mergulha de cabeça nessa relação e descobre os prazeres do sadomasoquismo, tornando-se o objeto de submissão do enigmático Grey.
Se você gostou de Cinquenta Tons de Cinza ou se não gostou tanto mas ainda sim quer dar uma chance para o gênero, veja essas indicações:
Tessa Young é uma jovem com uma vida simples, ótimas notas na escola, muitos amigos e um bom namorado. Todos os próximos passos de sua vida já estão planejados, mas as coisas mudam quando ela conhece um homem atraente e cheio de segredos sombrios.
Do coração de Londres, passando pelo cenário rural da Cornualha até a sombria e ameaçadora beleza dos Bálcãs, Mister é uma história de amor e suspense que vai deixar os leitores de E L James apaixonados.
Uma estagiária ambiciosa. Um executivo perfeccionista. E um relacionamento ardente e totalmente perigoso! Esperta, dedicada, prestes a cursar um MBA, Chloe Mills tem apenas um único problema: seu chefe, Bennet Ryan. Ele é exigente, insensível, sem consideração – e completamente irresistível. Um belo cretino. Bennet acaba de retornar da França para assumir um cargo importante na empresa de comunicações de sua família. Mas o que ele não poderia imaginar era que a pessoa que o ajudava enquanto ele estava no exterior era essa criatura linda, provocadora e totalmente irritante que agora ele tem de ver todos os dias. Ele nunca foi do tipo que se envolve em relacionamentos no ambiente de trabalho, mas Chloe é tão tentadora que ele está disposto a flexibilizar essa regra – ou quebrá-la de uma vez – para tê-la. Por todo o escritório! Mas o desejo que um sente pelo outro cresce tanto que Bennet e Chloe terão de decidir o que estão dispostos a perder para ganhar um ao outro.
Hoje, dia 29, era o dia marcado para começar a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, mas devido a pandemia pela COVID-19, os planos tiveram que ser adiados. Visando acalmar um pouco o nosso coração apaixonado pela Flip, escrevi esse roteiro para você aproveitar Paraty em sua totalidade assim que as coisas se normalizarem.
Sem badalação noturna mas muito festiva, Paraty é dona de um dos meus belos conjuntos arquitetônicos do Brasil. Fundada em meados do século XVII (17), em torno da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, sua padroeira, preserva até hoje as construções das épocas do ouro e da cana de açúcar, tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Localizada no litoral sul do Rio de Janeiro e a 237 km da capital, tem como principais características a simpatia, o bom atendimento e a hospitalidade a todos os turistas que por lá passam. Historicamente falando, Paraty tem tudo para ser um destino LGBT-friendly: a cidade já teve um prefeito gay e vemos casais LGBTQ+ andando de mãos dadas livremente pelas ruas com direito a sorriso de aprovação dos moradores.
Visitei Paraty em duas épocas distintas do ano: em Julho, durante a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty -, e em Setembro, durante a festa de Nossa Senhora dos Remédios e nesse roteiro, você vai ver um pouquinho do melhor dos dois mundos e o que você precisa aproveitar na sua ida, não importa quando seja, afinal, tem festa o ano inteiro.
O que você precisa ver no Centro Histórico de Paraty (e próximo dele)
O Centro Histórico de Paraty é o meu lugar preferido. Tem muita coisa pra ver e você pode passar despercebido por várias se não ficar muito atento. Não se entra de carro, é protegido por correntes imensas e você precisa desbravar a pé.
Igreja da Matriz – Nossa Senhora dos Remédios
Localizada na Praça Monsenhor Hélio Pires, também conhecida como Praça da Matriz, o núcleo mais antigo da cidade. A Igreja da Matriz abre para visitação de segunda a sexta das 9h às 12h e das 13h às 17h30. Aos sábados, das 8h às 12h e de 13h às 16h. É cobrada uma taxa no valor de R$3,00 por pessoa. Não é permitida a entrada com trajes de banho, filmar e fotografar.
Museu de Arte Sacra de Paraty
Funciona na Igreja de Santa Rita e possui um acervo de peças de barro, madeira e metal desde o século XVII (17), todas encontradas em Paraty. Muitas das peças expostas no Museu podem ser vistas pelas ruas do Centro Histórico em festas como Semana Santa, Festa do Divino, Corpus Christi e outras. Aberto de terça a domingo, das 9h às 12h e das 14h às 17h. É cobrada uma taxa de R$ 4,00 por pessoa, exceto às terças, que tem entrada gratuita.
Parte externa da Igreja da Matriz durante as datas comemorativas. Imagem: Beco Literário
Altar do museu de arte sacra. Imagem: Beco Literário
Casa da Cultura de Paraty
Localizada próxima à praça da Matriz, tem como objetivo preservar e valorizar o patrimônio cultural de Paraty. Tem exposições que se renovam periodicamente, visando fomentar à criação, produção e difusão de todas as manifestações artísticas da cidade. Aberta de terça a sábado, das 12h às 21h, e aos domingos das 16h às 20h. A entrada é gratuita.
Livraria de Paraty
Local aconchegante, misto de livraria com café, possui um grande acervo de livros sobre Paraty e a cultura brasileira, inclusive em outros idiomas. Funciona todos os dias das 9h às 21h na esquina da Rua Samuel Costa com a Rua Dona Geralda, no Centro Histórico.
Igreja de Nossa Senhora das Dores
Também conhecida como “Capelinha”, é localizada na Rua Fresca, também no Centro Histórico, rodeada por uma pequena praça, onde os adolescentes de Paraty costumam se reunir à noite. Em datas especiais, ganha iluminação diferenciada. Abre aos sábados das 13h30 às 18h e não tem taxa de visitação.
Museu Forte Defensor Perpétuo
Localizado no Pontal, próximo ao Centro Histórico, é o único Forte que ainda existe em Paraty. É possível chegar nele através de uma trilha super agradável, e no alto, consegue-se uma belíssima vista de Paraty e sua Baía. Funciona de terça a domingo, das 9h às 12h e depois das 13h às 17h. Não tem taxa de visitação.
Praias e escunas
Não sou muito fã de praias no geral, mas as de Paraty me deixaram surpreso. Bem conservadas e extremamente limpas, vão te encantar desde a primeira vista.
Cais de Paraty
É aqui que você escolhe e embarca para os passeios de escuna. Tem muitas opções, por isso é importante pesquisar todas antes de fazer sua escolha. Pechinchar e pedir um desconto também é uma ótima opção, principalmente se você estiver em grupo ou próximo ao horário de partida, que geralmente é por volta das 11h. Fui na escuna da Maninha, em setembro de 2018, e paguei R$ 50 para duas pessoas, em um domingo.
Cais de Paraty. Imagem: Beco Literário
Praia do Pontal
Uma das praias mais movimentadas da cidade, por estar praticamente ao lado do Centro Histórico. Tem um calçadão, bares, quiosques… É parada certa. Não é muito bom para entrar na água, mas é ótima para relaxar após o passeio de escuna. É também próxima ao Forte Defensor Perpétuo.
Praia de São Gonçalo
Localizada entre Paraty e Ubatuba, na rodovia Rio-Santos. Muito tranquila, limpa e perfeita para se passar o dia, no entanto, é um pouco longe do Centro Histórico e com acesso complicado sem carro. Há algumas linhas de ônibus específicas para o local e você também pode tentar a sorte pedindo um Uber. Para chegar à praia, é preciso atravessar um pequeno riacho. Se a maré estiver alta, a água chega à altura da cintura, senão fica à altura da canela. Mas alguns moradores oferecem a opção de travessia por canoa, cobrando um pequeno valor.
Ilha da Bexiga
A primeira parada do passeio de escuna. Seu nome vem do século XX (20), quando as vítimas de varíola (chamadas de “bexigas” na época) eram ali mantidas em quarentena. Hoje em dia, sedia o projeto Escola do Mar, do navegador Amyr Klink, que forma crianças carentes da região em velejadores. Por ser uma propriedade privada, não podemos desembarcar na ilha, mas se der sorte, vai poder ver a Paratii 2, embarcação de alumínio com mais de 28m de comprimento de Klink.
Praia de Jurumirim
Também de propriedade de Amyr Klink, foi a segunda parada da escuna, e nessa podemos desembarcar apenas em um pequeno pedaço da orla, já que além desta, tem uma mata densa e algumas ruínas, interditadas por uma cerca. Com águas extremamente limpas, foi dali que o navegador partiu para sua viagem à Antártica.
Praia Vermelha
Essa praia é LINDA! Tem uma vegetação fechada que impressiona tanto quanto suas areias vermelhas. Também foi uma das paradas da escuna, e oferece alguns bares com mesas e cadeiras à beira-mar. De um lado, há a infraestrutura e do outro, apenas natureza. Ideal para ver estrelas do mar e caranguejos. O acesso acontece apenas de barco, mas vale muito a pena.
Lagoa Azul e Ilha do Mantimento
Não é exatamente uma praia, mas é um ponto de parada bem popular entre as escunas de Paraty. O local, cercado por rochas e mata verde, é uma grande piscina natural, repleta de vida marinha. Podemos alimentar os peixes e vê-los bem próximos da superfície. Ainda é possível mergulhar e se der sorte, ver um mico leão-dourado na mata acenando para você.
Ilha do Mantimento, vista da escuna / Foto: Beco Literário
Para comer e beber bem
Conhecida por suas cachaçarias enormes, Paraty também oferece ótimas opções para quem não abre mão de uma boa comida (como eu).
Bar e Tabacaria Cana da Praça
Localizado bem ao lado da Igreja da Matriz, o Cana da Praça é passagem obrigatória se você gosta de uma boa caipirinha de cachaça. Com sua promoção de dois copos por R$ 15, você ainda consegue dividir com alguém, porque é bem forte, mas igualmente deliciosa.
Paraty 33
Esse é para você que não abre mão de uma boa balada durante a noite. Com música ao vivo, o Paraty 33 tem atrações para os mais variados públicos, dependendo do dia. Também é um restaurante, então há a garantia de se comer e beber bem.
Praça da Matriz. Imagem: Beco Literário
Pizzaria Manjerona
Localizada próxima ao Centro Histórico (dá pra ir a pé), a Pizzaria Manjerona tem um cardápio bem variado com pizzas acessíveis que servem até quatro pessoas tranquilamente. Vale a pena dar uma passada se você quer uma noite mais tranquila em Paraty.
Restaurante do Ditinho
Sediado na orla da Praia do Pontal, o Restaurante do Ditinho é uma boa pedida se você quer ficar sentado à beira-mar curtindo a vista enquanto come uma boa comida. Possui opções acessíveis em pratos individuais ou conjuntos.
Dicas extras para você ter uma experiência completa em Paraty
Para você ter uma experiência completa em Paraty, ainda há algumas dicas que você não pode deixar de seguir e que para mim, são de lei.
Flip – Festa Literária Internacional de Paraty
A Flip acontece anualmente em Paraty e é um dos maiores eventos culturais do Brasil. As casas do Centro Histórico se transformam em casas temáticas de editoras, autores e projetos literários e você fica louco querendo ir em todas. É uma época bastante movimentada em Paraty, por isso, é aconselhável se planejar bem antes. Também é possível encontrar várias pessoas famosas andando nas ruas, bem ao seu lado.
Paraty durante a Flip 2019
Imagens: Beco Literário
Caipifruta
Não importa a época do ano, não deixe de experimentar a tradicional Caipifruta de Paraty, que geralmente é vendida em bancas nas ruas, durante a noite. Você escolhe a fruta, a bebida e a mágica acontece. O valor é um pouco elevado, R$ 15 por um copo de 500 mL, mas o sabor vale cada centavo.
Gabriela e Jorge Amado
Antes de ir embora, visite uma cachaçaria e leve sua garrafa de Gabriela Cravo e Canela pra casa. A cachaça Paraitiana é símbolo da cidade e rende drinks ótimos, como o Jorge Amado, cuja receita você provavelmente receberá em um papelzinho junto com a sua garrafa.
Para quem gosta de apreciar cachaças, Paraty tem uma grande variedade. Imagem: Beco Literário
PARA ENTENDER:
– LGBT-Friendly: Termo usado para se referir a lugares ou instituições que criam um ambiente agradável para pessoas LGBTQ+.