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Hugo Gloss
Filmes, Séries

“Em vários momentos pensei em desistir do Hugo Gloss”, revela Bruno Rocha em entrevista

Na atual edição do podcast “De Carona na Carreira”, a administradora Thais Roque recebe como convidado Bruno Rocha, um dos nomes mais importantes e influentes da internet com seu personagem Hugo Gloss. Acostumado a ser abordado como uma celebridade ou questionado sobre como é viver rodeado delas, dessa vez, a pauta da conversa foi sua carreira profissional e de empreendedor revelando até que, em alguns momentos, chegou a pensar em desistir da internet para seguir carreira na TV Globo, onde trabalhava na produção do Caldeirão do Huck.

É certo que, como alguém que vive da internet, os influenciadores digitais fizeram parte do papo e Bruno fez questão de fazer um alerta a quem tem planos de trabalhar com o mesmo meio: “seguidor não é independência financeira”.

“Eu acho que as pessoas associam a fama a dinheiro muito pela glamourização que existe em relação a isso. As pessoas pensam ‘eu vou ter muitos seguidores, vou ficar rico, vou ganhar muita coisa’, mas isso não quer dizer que você vai conseguir transformar aquilo em dinheiro de fato. Permuta não paga a conta, né?”, destacou. No entanto, acrescentou: “Dependendo da inteligência que a pessoa tiver para o business ela pode transformar uma coisa em outra, sim, mas ela precisa se estruturar como empreendedora, como uma empresa. Porque, chega uma hora que você deixa de ser uma pessoa e se torna uma marca”.

“Não me vejo como influenciador”

Bruno reforça que ele não é uma marca, ele criou uma marca. “Não me vejo como um influenciador, eu sou responsável por uma marca. Claro que meu rosto foi associado a ela ao longo dos anos, mas ela é muito mais do que eu. É uma equipe, um portal de muita credibilidade que foi muito difícil de construir. Eu acho que eu sou um profissional de comunicação, o que é diferente de ser influenciador, que são pessoas que transformam suas vidas em uma marca pessoal”.

Quando Thais pergunta o que Bruno e Hugo em tem comum, ele se diverte: “a gente tem a mesma cara (risos) e uma paixão imensa pelo trabalho”. E faz questão de destacar também uma diferença: “eu gostaria de ser tão feliz quanto o Gloss. Ele está sempre feliz, sempre sorrindo, e a vida a gente sabe que não é assim, né? É aí que a gente se separa, quando eu tiro a emoção e o Bruno se torna CEO de uma empresa”.

“Já tive muito problema com rejeição”

Apesar de se posicionar como um empresário e dono da marca Hugo Gloss, Bruno é uma pessoa pública e, como tal, está exposto aos julgamentos das pessoas, algo com o que ele aprendeu a lidar com tempo. “Já tive muito problema com rejeição, com coisas ruins, negativas, com o povo falando mal de mim. Isso me consumia, eu ficava triste de verdade. Hoje em dia, não, eu já me acostumei, não dou tanta importância”.

Sobre a cultura do cancelamento, Bruno não se assusta tanto e tem uma opinião bastante particular. “As pessoas públicas que sofrem cancelamento, são pessoas que estão produzindo muita coisa e ganhando muito dinheiro. Se você parar para pensar na Anitta, na Bianca Andrade (a Boca Rosa), são pessoas que já foram canceladas um milhão de vezes e continuam aí se reinventando, ganhando dinheiro, vendendo produtos, fazendo campanha. Você não pode se dar a importância que as pessoas estão dando, então a gente vai ganhando uma casca na vida que acaba virando combustível. Você sabe que passou por coisa pior, que você vai se levantar. Hoje em dia, na internet, qualquer cancelamento dura 30 minutos”.

“Não via o Hugo Gloss como trabalho”

Bruno conta que causou estranhamento e insegurança o fato de começar a ganhar dinheiro com algo que para ele era tão natural, um hobby.

“O Hugo Gloss nunca foi o que eu queria fazer de verdade. Para mim é uma coisa tão fácil, e tão da minha essência. Eu nunca olhei para aquilo e pensei que poderia ser um trabalho. Eu demorei muito tempo para entender, porque eu vivia em negação ‘isso não pode ser um trabalho, tá muito fácil’. Eu me culpava, eu dizia ‘não é possível, isso não pode estar acontecendo’”.

Seus planos eram outros, mas ele ainda não desistiu deles. “Eu tinha o sonho de escrever dramaturgia, eu ainda tenho. Eu falava em novela, hoje em dia não sei se precisa ser uma novela, pode ser uma série, alguma outra coisa. Esse é um lado muito do Bruno, eu não quero que o Gloss assine nada. Eu tenho várias ideias, mas hoje o trabalho me consome bastante, então vai ter um momento que eu vou ter que me afastar um pouco para colocar essas coisas em prática, tirar do plano das ideias e colocar no plano real”.

“Eu pensei que não precisava mais do Hugo Gloss”

Thais relembra que, enquanto Bruno esteve na Rede Globo ele tinha uma jornada dupla, trabalhava com o Luciano Huck e mantinha o Hugo Gloss ativo nas redes sociais. Um período que, para ele, foi muito complicado, já que o seu personagem na internet crescia rapidamente e ele fazia tudo sozinho.

“Foi muito difícil, em vários momentos eu pensei em desistir do Hugo Gloss, porque, como eu falei, para mim era como um hobby. Então, entre ter um trabalho e ter um hobby e ia escolher ter um trabalho. Meu plano de carreira naquele momento era a TV Globo, o Hugo Gloss tinha sido só um meio para eu chegar lá. Então, houve momentos em que eu pensei que não precisava mais dele”.

“Fui ameaçado de demissão”

“Logo que eu fui trabalhar na Globo eu tive vários perrengues, porque a rede social estava crescendo e eu fui trabalhar na maior emissora do país e, antes, eu falava tudo o que eu pensava na internet. Várias vezes fui chamado em sala de diretoria, fui ameaçado de demissão. Porque, de repente eu via uma cena de novela que eu não gostava e comentava ‘nossa, que cena mal feita’. Eu esquecia que eu era funcionário, pra mim eram coisas separadas. Na verdade, em um momento eu cheguei a ser demitido da TV Globo por conta da internet. Minha vida tinha acabado, eu chorava, fui para a casa da minha mãe dizendo que eu tinha estragado tudo, o meu sonho. Foi a época que eu pensei em desistir do Gloss”, revelou durante a entrevista.

Para dar conta da jornada dupla foram vários desafios. “Teve uma vez que eu fui fazer um trabalho em Roma pelo Hugo Gloss, eu ainda trabalhava na TV Globo, e o aeroporto de Roma pegou fogo. Cancelaram todos os voos e eu tinha uma gravação com o Luciano e a Angélica no dia seguinte. Eu tinha que chegar no Brasil. Dei um jeito, fiz várias conexões, cheguei do aeroporto direto para o estúdio.

“Chegou uma hora que eu tive que escolher”

Bruno acabou não desistindo do Hugo Gloss e, como quem acompanha sua carreira deve saber, ele acabou desistindo da TV, afinal, a internet passou a ser sua principal fonte de renda. “Chegou uma hora que eu tive que escolher ou eu ia começar a fazer uma coisa ruim. Ou ia fazer meu trabalho ruim na TV Globo ou ia fazer algo ruim na internet”.

Mas revela que a decisão não foi tão simples porque, não era só o dinheiro que estava em jogo, mas um sonho de infância. “Foi muito difícil para mim abrir mão daquilo, trabalhar na Globo era o meu sonho. Quando eu era criança eu falava que eu ia ser apresentador do Vídeo Show. Hoje eu tenho meu próprio Vídeo Show que é o Hugo Gloss.”

Hoje, ele tem certeza que optar pelo Hugo Gloss foi a melhor opção e que deve à ele muito de suas conquistas. “A coisa mais incrível que o Hugo Gloss me proporcionou foi conseguir a casa para a minha mãe, ajudar na criação da minha afilhada, poder trazer conforto para a minha família inteira, saber que, se tudo acabar hoje, a base está ali muito bem feita”.

Contudo, ele fez questão de dizer seus planos a longo prazo não se limitam ao Hugo Gloss. Tem o sonho de desenvolver um trabalho em dramaturgia assinando como Bruno. “Eu não quero ser Hugo Gloss para sempre, eu gosto muito de ser Bruno”.

Para conferir o papo na íntegra com esses e outros detalhes curiosos e divertidos da carreira de Bruno Rocha e seu personagem Hugo Gloss, ouça o podcast “De Carona na Carreira”, de Thaís Roque, no link: ‎De Carona na Carreira: 035. Da internet pro mundo – Bruno Rocha (Hugo Gloss) no Apple Podcasts

Estopim do fim
Autorais, Livros

Crônica: O estopim do fim

O fim chegou. Tão temido, tão louco. Mas, ele chegou em um estopim sintomático. Tudo é sintoma de uma doença que acomete o organismo silenciosamente.

Uma comorbidade que não dialogou com o outro. Não entrou no jogo da vida. Não se enturmou com o balanço dos órgãos. O sintoma veio servido como banquete em taça de cristal.

https://youtu.be/2_zUE_stWOg

De onde veio? Pra onde vai? Quem me passou essa maldita praga? Não sei. Não tem culpados. Eu não conseguia lembrar se tinha sido aquela ida ao supermercado ou aquela festa clandestina no bar de portas fechadas.

De que adianta culpar alguém agora, sozinho, no leito de morte? O estopim foi o sintoma. O sintoma indicou a doença. A doença levou tudo como enxurrada. Foi-se. Ninguém ficou.

Enquanto me vou, festejam-se clandestinamente nas ruas, nos becos, nas coberturas, nos porões… Festeja-se clandestinamente. A importância enevoa-se conforme o álcool sobe. As desculpas aparecerão quando o eclipse passar e o dia amanhecer.

E então, já estarei do outro lado. Talvez não todos os pedacinhos vermelhos, mas certamente que a maioria deles estará ao meu lado. O tempo sabe ser fiel, mas também sabe ser cruel.

O universo não dá segundos. Ele dá primeiros. Os segundos passam, se vão. Fogem das nossas mãos. Escapam das nossas tentativas. Parece que estão zombando de nós. Mas, não, não estão.

Estão apenas vivendo os primeiros, enquanto abrem mão dos segundos. Segundos estes que eu já quis. Hoje, me vou com meus primeiros.

“-pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver.” — Clarice Lispector

Tenho os meus primeiros e não preciso dos teus primeiros. Tampouco quero os segundos. Deixe com que eles se vão… Deixe com que os segundos voem, com os minutos e as horas.

Cada voo que ele dá fora de nossas mãos, é um voo que eu dou em direção aos meus cristais estilhaçados para começar de novo.

histórias de amor
Livros

5 histórias de amor para se apaixonar neste dia 14

Valentine’s Day está chegando e o clima romântico já se instala no ar, e apesar de serem poucos valorizados no Brasil, os livros são excelentes oportunidades para viver um grande e intenso romance; para os solteiros uma grande aventura e para os comprometidos fortes inspirações. E pensando no entretenimento para essa data tão acalorada, reunimos alguns livros diferentes de romance para serem lidos no dia 14 de fevereiro.

Suíte 2121
Escrito por Rachel Fernandes, o conto é uma excelente opção de leitura para aqueles que gostam de uma história curta, leve, apaixonante e bem-humorada. Taxado por muitos como “O Melhor Pior Dia Dos Namorados”, o livro gira em torno de Lorena, uma camareira de um hotel luxuoso, entrando na suíte presidencial e encontrando Cícero, um-namorado, algemado à cama. Tudo piora quando ela percebe que ficou presa na suíte em pleno Dia dos Namorados com o seu ex-namorado.

Enlaçado Pela Cowgirl
Lançado em novembro de 2020 pelo Grupo Editorial Coerência, esta é uma obra de A.K. Raymond que narra a história de Dandara, mulher apaixonada por cavalos e natureza, vivendo momentos tensos após ser colocada de frente com o milionário Miguel. O homem tem grandes planos de destruir o haras Setti, mas a personalidade dos dois se encontram de maneira explosiva, consequentemente criando uma competição sem limites que pode transformar a vida de todos que os cercam.

Simon vs. A Agenda Homo Sapiens
Escrito por Becky Albertalli, este é um romance gay lançado em 2016 no Brasil pela editora Intrínseca. Na história acompanhamos Simon, um jovem de 17 anos, decidindo sair ou não do armário. O que ele não esperava, é que um estudante da mesma escola iria chantageá-lo ao descobrir sua troca de emails com Blue, pseudônimo de um garoto misterioso que faz o coração do protagonista bater mais forte. A obra ganhou adaptação cinematográfica e trata de assuntos delicados com muito amor e leveza.

Teto Para Dois
Lançado em 2019 no Brasil pela editora Intrínseca, a obra escrita por Beth O’Leary é uma excelente opção de leitura ao narrar duas pessoas recentemente conhecidas dividindo o mesmo apartamento por meio de um contrato que dura seis meses. Porém, o que aparentemente estava dando certo, começa a sofrer resistência quando algumas pessoas completamente diferentes e do ciclo social dos dois decidem se manifestarem sobre a forma inusitada como eles dividem o mesmo apartamento.

Procura-se um Marido
Esta é uma obra escrita por Carina Rissi, lançada em 2013 pela Verus, e na história acompanhamos Alicia sendo surpreendida com a morte do seu avô. Como se o falecimento não fosse tudo, ela se choca ao descobrir que ele a excluiu da herança por não ter maturidade o suficiente para assumir seu império — a não ser, é claro, que ela esteja devidamente casada. Burlando as regras, a protagonista faz um anúncio no jornal e apesar de vários candidatos se manifestarem, um faz o seu coração bater mais forte.

de volta aos 15
Filmes, Séries

De Volta aos 15 é a nova dramédia da Netflix

Era apenas uma ligação de vídeo entre Klara Castanho, João Guilherme, Pedro Ottoni, Amanda Azevedo, Pedro Vinicius e Caio Cabral para aquecer para as gravações de De Volta aos 15, nova série da Netflix, baseada no livro homônimo de Bruna Vieira. Mas a aparição surpresa de Maisa para anunciar que interpretará a jovem Anita, de 15 anos, uma das personagens centrais da trama, deixou os participantes surpresos e (muito) entusiasmados. A série conta ainda com a presença dos atores Lucca Picon, Antônio Carrara, Gabriel Wiedemann, Fernanda Bressan e Paulo Mucheroni, como parte do elenco adolescente, e começa a ser gravada no fim de fevereiro, em São Paulo. Confira a reação hilária dos atores no vídeo!

Sobre De Volta aos 15
De Volta aos 15 é uma produção divertida e emocionante, que mostra a jornada de autodescoberta e amadurecimento de Anita. Aos 15 anos, a jovem, interpretada por Maisa, tinha uma grande expectativa da vida adulta: queria sair da pequena cidade de Imperatriz, viajar para vários lugares e conhecer muita gente. Só que aos 30, sua vida não é nada daquilo. Com poucos amigos, morando em um apartamento recauchutado e sem nem sinal de vida amorosa, Anita volta à cidade natal para o casamento da irmã, Luiza.

Depois de eventos desastrosos, ela se refugia no quarto onde passou a adolescência e, como mágica, é catapultada para o primeiro dia do colegial: uma cabeça de 30 anos, no corpo de uma adolescente de 15! É aí que Maisa entra em cena para dar vida à versão adolescente de Anita, que tenta consertar a vida de todos ao seu redor: de Carol (Klara Castanho), sua prima que está envolvida com o maior um boy lixo da cidade; de Luiza (Amanda Azevedo), sua irmã que vive presa no papel de princesinha da cidade; de César (Pedro Vinicius), seu novo amigo que precisa de coragem para ser quem é; e de Henrique (Caio Cabral), seu melhor amigo nerd que é secretamente apaixonado por ela. Só que cada mudança no passado impacta o futuro de todos – e nem sempre para melhor.

Sob a produção de Carolina Alckmin e Mayra Lucas, da Glaz Entretenimento, e direção de Vivi Jundi e Dainara Toffoli, a série foi adaptada e roteirizada por Janaina Tokitaka. Renata Kochen, Alice Marconi e Bryan Ruffo, também assinam o roteiro. De Volta aos 15 contará com seis episódios de 40 minutos cada, prometendo risadas, surpresas e muita emoção.

aquário
Atualizações

Lua Nova em Aquário pode mexer com as emoções

A partir desta quarta-feira, 11, as emoções mais rebeldes podem aflorar, isso porque a Lua Nova de fevereiro é em Aquário, evento que encoraja a liberar o passado e entrar em uma nova fase com ousadia.

A Lua Nova representa novos começos. É um bom momento para plantar sementes, começar projetos, dar os primeiros passos em direção a uma nova meta ou começar a manifestar algo que deseja trazer para a vida. A astróloga Sara Koimbra conta como a Lua Nova pode mexer com as emoções. “As luas novas obviamente trazem noites mais sombrias, então também são consideradas um momento ideal para reflexão, permitindo que você se interiorize e entre em contato com seus objetivos. Você pode se sentir menos social”, afirma a especialista.

Considerando que Aquário governa a casa das amizades, quando a Lua se move para este signo é possível sentir necessidade de mais proximidade com o coletivo, com amigos e grupos, além de aspirar novas metas e interagir. “É um momento de projetar as coisas em relação ao coletivo, ter novas expectativas, novos conceitos e novos planos, mas não é um momento de colher isso. São novas sementes, mas entre o plantar e o colher tem um momento”, explica.

“A Lua em Aquário também pode provocar emoções mais rebeldes, podemos nos sentir sedentos por liberdade e quebra de rotina. Dar adeus aos hábitos de sempre. A Lua Nova de Aquário nos encoraja a liberar nosso passado para que possamos entrar com ousadia na próxima fase de nossas vidas”, finaliza Sara Koimbra.

Colunas

FIXO: Cadê o Beco Literário? É tempo de mudanças…

Se você acessa o Beco Literário diariamente, você deve ter percebido que está cheio de mudanças por aqui. Layout novo, novos nomes, novos cabeçalhos…. E a verdade é que essa mudança demorou para acontecer, mas já deveria ter acontecido há muito tempo.

Já falei em milhares de textos que criei o Beco Literário para que eu pudesse ser eu mesmo, em uma época em que eu ainda não era. Muitas coisas mudaram: os objetivos, a vida, o que eu quis entregar pro mundo, etc. Tentei fazer o Beco se encaixar em cada uma dessas fases, mas a verdade é que ele não poderia se encaixar sendo o que era antes. Era preciso uma mudança drástica e real.

Criei um blog com meu nome, no ano passado e mantive os dois em paralelo. Acabou que eu não consegui me dedicar nem a um, nem a outro. Eu sentia que não cabia mais no Beco, mas o meu blog parecia grande demais, sem história. A minha história foi trilhada aqui.

Demorei para perceber que os meus dois blogs eram complementares. Demorei para perceber que eu era o Beco, mas o Beco ainda não era eu. E, como um estalo, resolvi juntar as duas coisas. Os dois blogs agora viraram um só, só somando entre si. Eu sempre vou ser o Gabu Camacho do Beco Literário. E o Beco Literário sempre vai ser cada um de vocês. Cada leitor, participante da comunidade fechada…. A comunidade não vai mudar de nome. Sempre vai ser o nosso Beco.

Por aqui, não sei se é definitivo. Não sei se nada é definitivo, mas por enquanto, é o que achei certo. É o que achei viável e é o que fez sentido para mim. Todas essas mudanças.

Tenho muitos planos para 2021. Quero expandir minha escrita, minhas análises, minhas mensagens que acolhem. Quero estar mais presente, como Gabu. Como uma pessoa.

E aí, você vem comigo nessa?

a nova fase
Colunas

Anti-heróis: A nova fase

Todo mundo tem uma história trágica de amor. Aquele romance que tinha tudo para dar certo e não deu. Aquele romance que deu certo por muito tempo e algo trágico separou. Alguém, que mesmo com o passar do tempo e das circunstâncias ainda faz seu coração bater mais forte. Nós queremos ouvir a sua história e publicar aqui, no Beco Literário na nossa nova seção: anti-heróis.

Baseado no álbum novo do Jão, Anti-herói, que conta a história de um amor que devastou e foi embora, nós vamos ouvir a sua história e reescrevê-la aqui no Beco Literário para que possa ser eternizada e ressignificada, afinal todo mundo tem o seu the one that got away.

ATENÇÃO: O RELATO ABAIXO TEM GATILHOS DE SUICÍDIO, ESTUPRO, RELACIONAMENTOS ABUSIVOS E AGRESSÃO VERBAL E EMOCIONAL. NÃO PROSSIGA CASO VOCÊ SEJA SENSÍVEL A UM DESSES ASSUNTOS E NÃO DISPENSE AJUDA PROFISSIONAL.

CVV – Centro de Valorização da Vida – Ligue 188 se precisar conversar

Eu tentei suicídio uma vez. Quase deu certo. Algumas semanas depois, conforme as coisas foram se assentando, eu concordei em deixar isso pra trás e começar uma nova fase da minha vida. Eu só não esperava que essa nova fase fosse ser uma pior que a anterior.

Eu ainda estava muito fragilizada, com tudo o que aconteceu e com toda a minha vida. Eu me sentia muito perdida com as coisas que aconteciam e como eu daria continuidade nas coisas.

Foi então que conheci um rapaz chamado Bruno*, por acaso. Eu nunca o tinha visto antes e me chamou a atenção o quanto ele era legal. Fiquei na minha, eu não queria me envolver com mais ninguém. As pessoas me incentivaram a querer ficar com ele. Uma pessoa que eu nunca tinha ouvido falar. Mas, como eu queria começar uma nova fase na minha vida, acabei topando. Uma amiga minha até tentou me alertar, me trazer de volta para a realidade, dizendo que eu não o conhecia muito bem, mas eu acabei ignorando.

Conversamos poucas vezes até que viramos namorados. Tudo em menos de um mês. Ele demonstrava ser bem fofo e eu sentia vontade de te-lo perto de mim. Ele me fazia bem e eu acabei achando que minha nova fase seria incrível. Foi então que as coisas começaram a mudar e eu não tive mais forças de lutar.

Os momentos que eram para serem especiais, legais, não foram. Ele começou a querer coisas que eu não queria. Ele queria me agarrar. Passar a mão em lugares que eu não gostava. E eu não conseguia fazer nada. Ele era mais forte que eu. Comecei a ter muito nojo dele e de mim mesma.

Tudo isso era muito ruim para mim. Eu não sentia como se houvesse respeito comigo. Fui desvalorizada, perdi minha voz. Eu não tinha ninguém que pudesse me ajudar. A pessoa que eu deveria confiar era a pessoa que eu menos confiava.

Quando eu tomava banho, eu sentia um nojo intenso de mim mesma. Eu me culpava demais por estar começando minha nova fase e estar passando por aquilo. Eu não conseguia terminar com ele, porque eu ainda sentia algum tipo de afeto. Apesar de hoje eu perceber que não sei que tipo de afeto era aquele.

Me senti presa a ele. Mas ao mesmo tempo, eu pensava: se não for com ele, não vai ser com mais ninguém. Eu já tinha passado por tanta coisa ruim, o próximo poderia ser bem pior. E se ninguém mais me querer? Por que alguém mais iria me querer depois de tudo isso?

Dias se passaram e ele me tocou de novo. Mas dessa vez foi de outra forma. Ele simplesmente fez aquilo que eu mais temia. Não tentei me afastar porque nunca adiantou. Esse dia, da minha “nova fase” ficou marcado pra sempre na minha vida.

Nunca mais me vi digna de ser amada. Eu tinha perdido aquilo que tinha mais orgulho de ter. Senti muita vergonha do que aconteceu.

Algumas semanas depois ele terminou comigo e saiu falando por aí que eu era louca. Mas se tem uma coisa que eu sou, é vítima. Ainda é difícil admitir e pensar que fui estuprada, desrespeitada, violada. Já faz alguns anos e até hoje me sinto mal por não ter forças para me livrar daquilo.

Eu não sei se conseguiria evitar o pior naquele tempo. Faziam poucos meses que eu tinha quase morrido. E de certa forma, isso só me deixou ainda pior.

Tem uma história como “A nova fase” e quer contar aqui na “Anti-heróis”? Envie para [email protected]. *Os nomes foram e serão trocados para manter as identidades devidamente preservadas.

histeria
Atualizações, Sociedade

Histeria e gaslighting: o machismo presente na sociedade contemporânea

O termo “histeria” é datado de mais de 2000 anos. Tendo passado por várias transformações ao longo dos séculos, saiu de significado para enfermidades do útero até para categoria descritiva de condições psíquicas. O fato é, ele foi empregado de diversas maneiras ao longo da história, por isso, entender histeria corresponde a entender um pouco da história etimológica e etiológica do termo.

Hoje, vivemos na sociedade da informação e cada vez mais, movimentos contra o machismo e o patriarcado tem ganhado forças, com razão. Uma das pautas desse movimento corresponde ao paralelo que traçarei nesse texto, entre histeria e gaslighting, já que, um homem com opiniões fortes é alguém socialmente importante, e uma mulher, que se porta da mesma maneira, é tida como “histérica”.

A histeria

Supõe-se que o termo “histeria” tenha sido usado pela primeira vez por Hipócrates, considerado por muitos como o “pai da medicina”. O termo originou-da palavra grega “hysterikos”, que se referia a uma condição clínica peculiar a mulheres, causada por enfermidades no útero. Acreditava-se, nessa época, que a causa da histeria fosse um movimento irregular de sangue do útero para o cérebro.

Foi então, que no final do século XIX, Jean-Martin Charcot, neurologista francês, passou a empregar a hipnose para estudar a histeria, demonstrando que o quadro histérico acontecia por causas psicológicas e não físicas, como se acreditava até então. Sigmund Freud, pai da psicanálise, estudou um tempo com Charcot e seus métodos hipnóticos e posteriormente, compreendeu e postulou que a histeria era uma neurose causada por um trauma psíquico na infância cuja representação se separava do afeto aflitivo causado pelo trauma e vinha a trazer sintomas somáticos aos pacientes (o que ficou conhecido como conversão histérica).

A histeria foi o que permitiu Freud a dar seus primeiros passos para criar a Psicanálise e o que hoje conhecemos como cura pela fala. Dando um pequeno salto temporal, hoje, é sabido que a histeria não é uma neurose que acomete somente as mulheres, isto é, ela também pode estar presente nos homens, no entanto, devido a grande popularidade que o termo ganhou com o passar dos anos, ele não é mais usado na psiquiatria contemporânea, por exemplo, por estigmatizar pessoas, sobretudo, mulheres.

O termo hoje pode causar confusões diagnósticas e por isso, alguns especialistas denominam a histeria como um “transtorno dissociativo”, ou seja, os sintomas quando não advém de um quadro orgânico, possivelmente vem de um quadro psiquiátrico com bases mais severas, como a depressão, por exemplo. Além disso, a classificação internacional de doenças (CID-10), divide a histeria em vários grupos diagnósticos, como o “Transtorno de Personalidade Histriônica”.

Concluímos que o termo histeria, apesar de ser usado para caráter de estudo e compreensão, deve ser utilizado com cautela e sempre especificado de acordo com o que é compreendido nos dias de hoje para evitar a estigmatização que já é tão presente em nossa sociedade como compreenderemos ao final deste texto.

O gaslighting

“Gaslighting” é o termo inglês usado para designar uma forma de abuso psicológico que, basicamente, faz as vítimas duvidarem de si mesmas e das informações que possuem. Também popularizado simplesmente como “manipulação”, está muito presente em relacionamentos abusivos, principalmente, mas não exclusivamente, entre homens e mulheres.

O termo surgiu com a peça teatral “Gas Light”, de 1938, em que havia uma manipulação psicológica intensa utilizada pelo protagonista com a sua vítima. O enredo fala de um marido que tenta convencer sua esposa de que ela é louca, manipulando pequenas coisas, insistindo no seu erro, nas suas incoerências e enganos, quando ela percebe. Esse breve resumo da peça, por si só, é um exemplo clássico de como o gaslighting pode acontecer dentro de relacionamentos afetivos.

O abuso psicológico acontece na distorção. O abusador distorce informações, omitindo ou inventando de forma sutil e seletiva para o seu próprio favorecimento, de forma com que a vítima passe a duvidar de sua própria memória, percepções e sanidade mental. Ele pode acontecer de forma mais simples, com negações do agressor sobre abusos anteriores (um exemplo famoso é o “isso não aconteceu dessa forma, você percebeu errado…”) até de formas mais severas como a desorientação total da vítima (por exemplo, esconder objetos, apagar provas concretas e coisas que possam comprovar a percepção do sofredor).

A estratégia do gaslighting é fazer com que a vítima se sinta paranoica. Todos os seus pensamentos, ações, emoções e percepções são reduzidos a fantasias, coisas que só acontecem em sua cabeça, segundo o abusador.

O gaslighting e a histeria: conclusão

O machismo ainda é muito presente em nossa sociedade. Por muitos anos, o mundo se construiu em uma sociedade totalmente patriarcal, em que a mulher era tida somente para servir ao homem. Essas morais foram passadas de geração para geração, sem perceber que os tempos mudaram. As mulheres não são inferiores aos homens e essa é uma luta encabeçada diariamente pelo movimento feminista, que busca a equidade entre os gêneros. Equidade para que as mulheres tenham e sejam vistas de forma correspondente aos homens, fato que não acontece na maioria das vezes, sobre tudo nessa ótica em que analisaremos a histeria e o gaslighting.

O termo “histeria”, como apresentamos, era destinado, há dois mil anos, para designar patologias relacionadas a mulheres. Isso mudou, mas os estigmas permaneceram. Hoje em dia, mesmo com todos os adventos informativos, um homem que se impõe, mostra opiniões fortes e agressivas de forma inesperada e repentina, é alguém que tem a personalidade forte.

Mas, e a mulher? A mulher que precisa se impor devido ao machismo diário da sociedade, que precisa aumentar o tom de voz para ser ouvida e muitas vezes, ser agressiva, é tida como histérica. O homem é alguém de personalidade forte (o que muitas vezes é proferido em tom positivo, de elogio), já a mulher, é uma pessoa histérica (com tom pejorativo, negativo).

O discurso de quem comete o gaslighting, principalmente em relacionamentos heterossexuais, é de que a mulher é histérica. Que as coisas não aconteceram daquela forma que ela relata, denuncia. Que ela está louca. Que ela está exagerando. E a vítima, acaba por parar e pensar “Será que estou mesmo louca? Será que as coisas realmente estão exageradas agora na minha mente?”

A nossa percepção é única e quando alguém nos faz duvidar dela, é hora de dar um passo para trás e compreender da forma mais fiel possível o que estamos sentindo e o que queremos denunciar. O gaslighting é uma estratégia perversa, sutil e muito ardilosa. Ele é uma forma de abuso disfarçada de brincadeira, de confusão. Você dificilmente estará errado ou errada com a sua percepção. Mas, o abusador quer que você se questione. Ele quer que você duvide de si mesmo e comece a ter cada vez menos autoestima para que seus abusos se tornem cada vez mais fáceis e imperceptíveis.

Vale a pena ressaltar que, apesar do exemplo citado ser em um relacionamento heterossexual, com o abusador sendo um homem e a vítima, uma mulher, o gaslighting pode acontecer em qualquer tipo de relacionamento, seja afetivo ou não. Ele pode estar presente em um relacionamento entre dois homens, duas mulheres, ou então, a vítima pode ser um homem e a abusadora, uma mulher. Além disso, ele também pode estar presente numa relação entre mãe e filho, pai e filho.

É preciso conhecer e tirar estigmas para que cada vez menos vítimas sejam encarceradas por esse tipo de abuso.

dedo podre
Atualizações

Um olhar sobre a pulsão de morte: o famoso “dedo podre”

A famosa expressão “fulano tem o dedo podre” ganhou a boca do povo e não é de hoje. Tanto na vida real, quanto na ficção, pessoas vem dizendo que outras tem o “dedo podre” quando escolhem parceiros aparentemente incompatíveis com quem elas se mostram para o mundo. Um grande exemplo disso, é a personagem Marilda, no seriado “A Grande Família”, exibido pela Rede Globo nos anos de 2001 a 2014.

Na trama, a cabeleireira vivia em busca do namorado perfeito e acabava sempre por se relacionar com “cafajestes”, como ela mesmo chamava. Sua busca era incessante e em vários episódios, era comum de ver ela contando para Nenê, sua melhor amiga e protagonista do seriado, que iria cortar o seu dedo fora, porque ele era “podre” para escolher parceiros. O fim do seriado se deu com a personagem indo embora com um grande amor que ela conheceu em uma fazenda do interior e nunca mais retomando contato com a família Silva.

Esse exemplo, conhecido por quase todos os brasileiros expressa bem uma visão psicanalítica da pulsão de morte, isto é, o contrário daquela pulsão de vida, de prazer.

A expressão dedo podre

A origem da expressão “dedo podre” não é fácil de ser encontrada. Apesar de não constar em nenhum dicionário ou registro formal, ela está na boca do povo. De acordo com o Dicionário Informal, alguém que tem o dedo podre, é alguém que sempre faz as escolhas erradas, que não acerta uma, principalmente em relacionamentos. Aquela pessoa que faz más escolhas em relação ao amor e às amizades.

Psicanalisando a expressão, podemos dizer que alguém que tem dedo podre é alguém que te tem uma compulsão pela repetição. E esse estado, segundo o emprego de Freud em suas obras, denomina quando “[…] o sujeito [está] sendo obrigado, contra sua vontade, a agir de determinada forma” (Hanns, 1996, p. 100). Por isso, podemos observar que a compulsão pela repetição resulta de um conflito pulsional, que impõe ao sujeito algo que ele deve fazer, ao mesmo tempo em que isso o faz sofrer.

Observando pela perspectiva de Lacan, denominamos como o gozo. Aquele prazer, que mesmo sendo um desprazer, satisfaz, alimenta. E essa alimentação não é tudo o que a gente busca dentro de um relacionamento? Pode ter coisas erradas, mas se tem essa alimentação, “está tudo bem”, na grande maioria dos casos.

A pulsão de morte

Quando conceituamos o “dedo podre” como compulsão pela repetição, estamos vinculando o conceito à pulsão de morte.

Pulsão, para Freud, é um “impulso, inerente à vida orgânica, a restaurar um estado anterior de coisas” (Freud, [1920] 1976, p. 54). No começo de sua conceituação, Freud acreditava em duas pulsões, a sexual e a de autoconservação, que se contrapunham. Com o tempo, ele entendeu que o princípio do prazer não era único e não representava o inconsciente como um todo. Tinha um algo a mais, além do prazer.

Foi então que Freud conceituou e introduziu a pulsão de morte. Aquela pulsão desligada, desvinculada de representações, com tendência destruidora, se mantendo estagnada: sem se descarregar e sem se vincular a alguma representação.

Como toda pulsão, ela quer satisfazer o seu desejo, mas não consegue. A tendência que “sobra”, então, é a tendência pela repetição. Enquanto não há uma vinculação, a pulsão de morte se repete, retomando sofrimentos que o sujeito viveu em fases anteriores da vida, ou também, o que chamam popularmente de “repetir padrões”.

A pulsão de morte quer ser satisfeita, como toda pulsão, e quer pela via mais curta, pela descarga imediata. E para isso, ela usa da transferência de alvos – quase uma sublimação, mas uma “sublimação ruim, malvada”.

A problemática da repetição e da pulsão de morte

Como vimos, o “dedo podre” está completamente ligado à pulsão de morte e esta, totalmente ligada a tendência pela repetição. Ao não trabalhar certos traumas, encaminhando essas pulsões que precisam ser realizadas e descarregadas de uma forma saudável (a sublimação, em sua forma verdadeira), a pessoa que “tem o dedo podre”, acaba por transferir inconscientemente suas pulsões para alvos errados e por isso, nunca há uma descarga e uma satisfação plena.

A grande problemática disso tudo são os relacionamentos abusivos. Pessoas que se denominam ou que são denominadas com “dedo podre” acabam se envolvendo em relacionamentos amorosos destrutivos, tal qual observamos, no começo do texto, a personagem Marilda, da ficção. E aqui, neste ponto, podemos questionar esses relacionamentos e vincular com o conceito de gozo de Lacan. Se o gozo é aquele prazer, que mesmo sendo um desprazer, satisfaz, não é muito perverso dizer que há essa “alimentação necessária” para o relacionamento ir adiante, mesmo sendo abusivo? Uma pessoa com pulsões de morte não descarregadas de forma adequada, a portadora do tal “dedo podre” não tem consciência do seu ciclo de autossabotagem e de violência em que pode estar inserida.

Por isso, dizer que ela obtém seu gozo dentro do relacionamento é tão cercado de perversidade. Seria o mesmo que dizer que comer um bolo mofado é bom, porque, pelo menos, o sujeito está inserindo alguma comida.

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Atualizações

Ansiedade: mal do século ou mal da nova geração?

Há alguns anos, a depressão chegou a ser considerada como o “mal do século XXI”, com dados da própria Organização Mundial de Saúde (OMS), falando sobre uma suposta epidemia de depressão. Muitos debates foram levantados acerca da doença, inclusive aquele que questiona se os casos estão realmente aumentando ou se só estamos diagnosticando de forma melhor. No entanto, um outro mal parece assolar a maior parte da nova geração (chamada de geração Z), que desponta agora no mercado de trabalho e na vida: a ansiedade.

Se a depressão foi considerada o mal do século XXI até este momento, seria a ansiedade o mal da segunda metade do século, em que os jovens já estarão na terceira idade ou na meia idade?

A ansiedade

Antes de falar sobre a ansiedade e o suposto “novo mal do século”, precisamos entender o que ela é e de onde ela vem. Podemos dizer que ela é prima do medo, e se baseia em uma emoção vaga, bem desagradável e que nos traz tensão. Ela prepara o nosso “eu primitivo” para a batalha. Nós carregamos um DNA primitivo ainda, aquilo que chega pra gente por meio do instinto e, nas épocas primitivas, o medo e a ansiedade eram coisas boas, porque eram as coisas que nos mantinham vivos. Preparados para a fuga ou para a batalha. A ansiedade e o medo então, sinalizam para nós algumas ameaças antes mesmo delas acontecerem. Além disso, ela pode melhorar nossa performance, nos proteger de estranhos e reduzir o excesso de autoconfiança.

No entanto, tudo tem um limite e é além desse limite que está instaurada a “ansiedade-mal-do-século”. É quando todo esse medo se torna uma tensão constante que impossibilita o relaxamento, gerando insônia, tremedeira, palpitações, sudorese e outros sintomas.

Possíveis causas

Estar ansioso é diferente de ter uma ansiedade patológica, isto é, um transtorno de ansiedade. Todos nós experimentaremos os sentimentos que retratei no tópico anterior em algum momento da vida. Seja por medo, por alegria ou por expectativa, nós estaremos ansiosos e isso é um sentimento normal, que precisa ser acolhido. O ponto é quando isso passa do limite e se torna patológico. A ansiedade não se torna mais pontual e se torna quase que uma âncora na nossa vida.

É fato que o nosso mundo mudou e a ansiedade parece vir intrínseca a essa mudança. Se ela é prima do medo, ela é uma prima que pode se tornar uma visita indesejável, já que no medo, conhecemos as causas que geram aquele sentimento, na ansiedade, não. As causas são difusas, conflituosas e até mesmo, desconhecidas e vagas. É sentir medo por algo que nem sabe se vai acontecer. Mas, é compreensível nessa nova era do mundo, por isso, é preciso cuidado.

Estamos numa época em que a informação circula livremente, a todo o tempo. Nós temos acesso às informações literalmente na palma da nossa mão, pelo celular. E a primeira geração a ter que se adaptar com essa nova realidade, foram os jovens, que hoje citam a ansiedade como mal do século. Foi preciso se adequar ao novo mercado de trabalho para conseguir estar inserido nele – já que as dicas dos pais não valiam mais de nada. Foi preciso aprender as novas tecnologias na raça – já que não tinha ninguém antes para ensinar. Foi preciso quebrar paradigmas e preconceitos enraizados há muito tempo na sociedade – sem nada além das próprias convicções. A nova geração, chamada de geração Z (pessoas que nasceram entre a segunda metade dos anos 1990 até o início do ano 2010), chegaram para participar dessa mudança. E toda mudança exige lidar com o desconhecido. Mudança gera medo. E o medo do desconhecido é o quê? A ansiedade.

A grande quantia de informações e o medo de perder alguma coisa, também chamado de “FOMO – Fear Of Missing Out” é quase um sintoma “obrigatório” quando a gente fala de ansiedade na nova geração. A ânsia de sempre aprender mais, sempre estar a frente e sempre ser o primeiro está tornando a resposta biológica do nosso corpo, presente no nosso DNA desde a as eras primitivas, em patologia.

O que fazer, então?

É preciso falar sobre ansiedade. Explicar que ela é uma resposta biológica do nosso corpo e que devemos saber interpretar e sinalizar quando ela passa do limite, quando ela se torna patológica. E claro, também é preciso conscientizar sobre prevenção e tratamento.

Numa era de tanta informação, a informação de saúde acaba ficando em segundo plano. A geração Z não se desliga. Trabalha vinte e quatro horas por dia e nos intervalos, pesquisa notícias, curiosidades, informações…. O tempo todo lidando com o desconhecido.

Dessa forma, com a informação, que as pessoas já consomem (só não são 100% confiáveis ainda), a ansiedade pode não se tornar um mal do século, como é sabido da depressão. Ainda dá tempo de mudar o cenário.

É preciso conscientizar que os momentos de descanso, de ócio e de desligamento são tão importantes quanto os momentos de atividade. E claro, a visita ao médico sempre que sentir que algo saiu do limite.

A ansiedade, uma vez compreendida e entendida, pode ser facilmente manejada. Psiquiatras, psicólogos e psicanalistas devem atuar em conjunto para conscientizar e remediar – seja por medicamentos, por processos terapêuticos e até mesmo, pela fala. A fala cura e deixar alguém com ansiedade falar, é uma grande forma de colocar para fora todo aquele sentimento pressionado e escondido.