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Crimes reais brasileiros: O caso Nardoni
Andre Penner e Sérgio Castro
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Crimes reais brasileiros: O caso Nardoni

O ano de 2007 testemunhou um dos crimes mais notórios e controversos do Brasil: o caso Nardoni. A tragédia ocorreu em São Paulo, onde Isabella Nardoni, uma menina de 5 anos, foi defenestrada do sexto andar de um edifício residencial. O que a princípio foi considerado um acidente logo deu lugar a uma investigação minuciosa e a um julgamento que capturou a atenção do público e da mídia. Os culpados pelo assassinato? O pai e a madrasta da menina.

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A investigação

A investigação do caso Nardoni foi conduzida meticulosamente pelas autoridades. O apartamento onde a família morava tornou-se uma cena de crime complexa. A janela do quarto de Isabella estava danificada, o que sugeriu que a queda foi de uma altura considerável. Inicialmente, o casal, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, alegou que uma invasão e um roubo havia ocorrido, mas a falta de evidências sustentáveis para essa versão logo levou a suspeitas mais sérias.

Um elemento central da investigação foi a análise das lesões no corpo de Isabella. Elas eram inconsistentes com uma queda acidental, sugerindo a possibilidade de estrangulamento antes da queda e de machucados realizados dentro do apartamento . A reconstrução da noite do incidente e as declarações conflitantes do casal aumentaram as suspeitas sobre a participação deles na morte da criança.

Perícia do caso Nardoni

O papel da perícia foi fundamental na investigação e no julgamento do caso. Dada a natureza do crime e as circunstâncias nebulosas em torno da morte da criança, a perícia desempenhou um papel crucial em estabelecer os fatos e fornecer evidências sólidas para o julgamento.

O trabalho da perícia incluiu várias áreas de expertise, tais como:

  1. Perícia Criminalística: Peritos em criminalística foram responsáveis pela análise da cena do crime, coletando evidências e documentando detalhes cruciais. Eles examinaram o apartamento onde Isabella caiu e analisaram a janela e quaisquer vestígios que pudessem lançar luz sobre o que realmente aconteceu naquela noite.
  2. Perícia Médico-Legal: Médicos legistas e peritos médicos foram cruciais para determinar a causa da morte de Isabella. Eles conduziram autópsias detalhadas e examinaram o corpo da vítima em busca de lesões que pudessem indicar a natureza da queda e a possibilidade de estrangulamento.
  3. Análise de Provas Científicas: Isso incluiu a análise de amostras de sangue, DNA e outros vestígios encontrados no local do crime e no corpo da vítima. Essas análises foram essenciais para determinar se havia evidências que ligavam os acusados à morte da criança.
  4. Reconstrução da Cena do Crime: Peritos em reconstrução de cena do crime trabalharam para recriar a sequência de eventos que levaram à morte de Isabella. Isso envolveu a análise de testemunhos, evidências físicas e as condições da cena.

Os resultados da perícia foram fundamentais no processo de julgamento do caso. Os peritos conseguiram estabelecer que as lesões encontradas no corpo da vítima eram incompatíveis com uma queda acidental, o que fortaleceu a teoria de que houve estrangulamento antes da queda. Além disso, a análise das evidências deu suporte à ideia de que o casal Nardoni estava envolvido na morte de Isabella.

Julgamento

O julgamento do caso Nardoni foi amplamente divulgado na mídia brasileira. O Ministério Público apresentou um caso sólido contra Alexandre e Anna Carolina, alegando homicídio doloso. O júri, após ouvir depoimentos, examinar provas e considerar as circunstâncias, os declarou culpados, ao som de comemorações em frente ao tribunal e em todo o país.

As penas

Em 27 de março de 2008, o veredicto foi anunciado. Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram condenados por homicídio doloso, resultando em longas penas de prisão. Alexandre recebeu uma sentença de 31 anos e 1 mês, enquanto Anna Carolina foi condenada a 26 anos e 8 meses de prisão.

Atualmente, Jatobá já cumpre pena em regime aberto, enquanto Nardoni luta para conquistar o mesmo direito (e deve conseguir em pouco tempo).

Homicídio doloso

Homicídio doloso se refere a um tipo de homicídio intencional, no qual o autor do crime age com a intenção de matar a vítima ou com a intenção de causar lesões graves que resultam na morte da vítima. Em outras palavras, no homicídio doloso, o autor age de forma deliberada, consciente e com a intenção de tirar a vida de outra pessoa.

Repercussão midiática do caso Nardoni

O caso Nardoni não se limitou às paredes do tribunal. Tornou-se um evento altamente midiático que envolveu debates intensos em todo o Brasil. A cobertura da mídia focou não apenas nos detalhes do crime, mas também nas questões mais amplas, como a eficácia do sistema judicial e a importância de um julgamento justo. Durante o julgamento, multidões iam para a frente dos tribunais exigir a condenação do casal. A comoção foi tanta, que chegou a ser comparada à final de Copa do Mundo pela mãe de Isabella Nardoni, Ana Carolina Oliveira, que foi proibida de acompanhar o júri.

Hoje em dia

O caso Nardoni continua a ser um dos crimes mais notórios e trágicos do Brasil. Ele destacou a importância de proteger as crianças e garantir que a justiça seja cumprida, independentemente da complexidade e da comoção que possam cercar um caso.

Isabella Nardoni tornou-se um símbolo da necessidade de proteção infantil. O caso também sublinhou a importância da justiça, imparcialidade e respeito pelas leis em um sistema jurídico.

5 crimes reais que inspiraram filmes
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Filmes

5 crimes reais que inspiraram filmes

Suspense é aquele gênero de filme que adora dar um rolê na vida real em busca de inspiração, desenterrando histórias reais tão complexas quanto os maiores mistérios. Ao mergulhar nessa realidade de crimes reais, o cinema ganha um cenário rico em nuances e reviravoltas inesperadas, que muitas vezes falamos: isso aconteceu mesmo? ou Isso só acontece em filme, mesmo.

+ Resenha: A Clínica – A farsa e os crimes de Roger Abdelmassih, Vicente Vilardaga

Pensando nisso, separamos cinco filmes de suspense que foram inspirados em crimes reais e estão disponíveis no streaming, confira:

“O Silêncio dos Inocentes” (1991)

“O Silêncio dos Inocentes” está disponível no Amazon Prime Video e Hulu.

Qual dos crimes reais é inspirado: Caso Ed Gein

“O Silêncio dos Inocentes”, dirigido por Jonathan Demme, é baseado em parte na vida e crimes de Ed Gein, um assassino em série e necrófilo da década de 1950. Gein inspirou não apenas esse filme, mas também outros clássicos do gênero, como “Psicose” e “O Massacre da Serra Elétrica”.

“Zodíaco” (2007)

“Zodíaco” pode ser assistido no Amazon Prime Video, Hulu e Paramount+.

Qual dos crimes reais é inspirado: Os assassinatos do Zodíaco

“Zodíaco”, dirigido por David Fincher, é um thriller que investiga os crimes do assassino em série conhecido como “Zodíaco”, que aterrorizou a área da Baía de São Francisco nos anos 1960 e 1970. O filme é baseado em eventos reais e em detalhes dos assassinatos e das investigações em torno do criminoso, que nunca foi capturado.

“Fargo” (1996)

“Fargo” pode ser assistido no serviço de streaming do Hulu.

Qual dos crimes reais é inspirado: Caso Jerry Lundegaard

O filme dos irmãos Coen, “Fargo”, é uma história fictícia que incorpora elementos do mundo real. A trama é inspirada em um caso de fraude ocorrido em Minnesota, envolvendo um vendedor de carros chamado Jerry Lundegaard, que contratou dois criminosos para sequestrar sua própria esposa e exigir um resgate de seu sogro rico.

“Alpha Dog” (2006)

Você pode encontrar “Alpha Dog” no catálogo do Amazon Prime Video.

Qual dos crimes reais é inspirado: Sequestro de Nicholas Markowitz

“Alpha Dog” é um drama policial inspirado no sequestro e assassinato de Nicholas Markowitz em 2000. O filme retrata a vida do líder de um grupo de adolescentes envolvidos no crime, explorando o complexo mundo das gangues suburbanas.

“Helter Skelter” (2004)

Disponível para streaming no Amazon Prime Video e no serviço gratuito Crackle.

Qual dos crimes reais é inspirado: Os assassinatos de Charles Manson

O famoso caso dos assassinatos cometidos por seguidores de Charles Manson, incluindo a atriz Sharon Tate, serviu de base para o filme “Helter Skelter”. O longa explora o culto e a violência brutal associados a Manson e seus seguidores.

Resenha: A Clínica - A farsa e os crimes de Roger Abdelmassih, Vicente Vilardaga
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Livros, Resenhas

Resenha: A Clínica – A farsa e os crimes de Roger Abdelmassih, Vicente Vilardaga

A Clínica – A farsa e os crimes de Roger Abdelmassih, de Vicente Vilardaga apareceu para mim no Kindle Unlimited e resolvi dar uma chance. Como gosto e sou fã de livros de true crime, ainda mais os brasileiros, devorei essa leitura em pouco mais de dois dias.

A cronologia do livro é dividida de acordo com a vida do ex-médico Roger Abdelmassih, desde sua formação na faculdade, sua especialização em clínica masculina e posterior formação em reprodução humana. Com isso, passamos a entender sua “ascensão” e a sua “queda”, que foram tão bruscas quanto rápidas, e o poder midiático que proporcionou esses dois momentos tão distintos.

O livro que mostra tudo sobre a farsa e os crimes da medicina reprodutiva que chocaram o Brasil. Este livro-reportagem de apuração precisa tem como foco Roger Abdelmassih: um mito da medicina reprodutiva, incensado nos melhores salões paulistanos, homem admirável acima de qualquer suspeita, mas cujo espantoso edifício de crimes chocou a todos os brasileiros. Com um texto primoroso e uma reconstituição detalhada dos fatos, o repórter Vicente Vilardaga esmiúça a inacreditável trama de mentiras que cercam o médico condenado a 278 anos de prisão por mais de 48 delitos de abuso sexual a suas pacientes.

O primeiro capítulo, A festa, mostra o auge de Roger Abdelmassih, quando ele se posicionava como o maior especialista em reprodução humana do Brasil, quiçá, do mundo, com números impressionantes e taxas de acerto acima da média, cobrando valores exorbitantes. O fato era: o ex-médico dizia ser instrumento de Deus para criar bebês, oferecendo certezas em um universo onde elas são cada vez mais escassas.

Na sequência, inicia-se A investigação, quando a casa do ex-médico começa a cair. Uma jornalista da Globo leva um caso pessoal de assédio até seus colegas de trabalho e, por conta disso, a investigação começa a tomar corpo no Ministério Público, em sigilo. Abdelmassih, em quanto isso, continua vivendo seu auge, andando nos carros mais caros, morando nos endereços mais prestigiosos e atendendo estrelas, famosos e pessoas que juntaram a economia da vida toda em busca do sonho do filho.

A investigação dura muito tempo, vai e volta da justiça milhares de vezes, novos fatos surgem a todo momento e nem isso é capaz de parar o ex-médico, que conta com a melhor equipe jurídica e de gestão de crise que o dinheiro pode pagar. Sim, gestão de crise. Sua presença e relação com o jornalismo era tão próxima, que pode-se afirmar que ele virou referência no assunto e em outros, só com a ajuda de uma boa assessoria de imprensa e do seus números inflados, bem como seu ego, como A Clínica nos mostra.

Os capítulos são longos, detalhados e trazem muitos personagens da história à tona, afinal, a teia de pessoas que protegiam Roger Abdelmassih parecia interminável: funcionários de confiança, laranjas, parentes… Afinal, o dinheiro, para ele, parecia valer mais que qualquer outra coisa na vida.

Nos três capítulos finais, A prisão, A condenação e A fuga, a história passa a tomar um tom que o leitor quase segura o fôlego, em um jogo que parecia ser ficcional. Condenações, prisões preventivas, tentativa de anulação de processo, negar acusações, olhares feios na rua… Quando Abdelmassih se torna o inimigo número um e a justiça resolve tardar, mas não falhar, vem o inesperado: ele se torna foragido e assim permanece por mais de três anos.

Mais uma vez, ele depende de uma extensa rede de proteção para manter seu padrão de vida foragido, contando apenas com seus rendimentos passivos (um negócio secundário com plantação de laranjas, no interior de São Paulo) e um esquema faraônico de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e muitos outros crimes, além dos quais já fora condenado por mais de 200 anos de cadeia.

É interessante ler, do ponto de vista jornalístico de Vicente Vilardaga, que trouxe apenas os fatos já divulgados de forma organizada e cronológica, escritos com uma redação espetacular que faz o leitor mais jovem, que conhecia a história de Abdelmassih pelos noticiários mas não acompanhou por conta da idade, entender do começo ao fim um dos maiores esquemas criminosos da justiça brasileira. Para quem não sabe, além dos crimes de estupro, atentados ao pudor, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e muitos outros, Abdelmassih e A clínica também foram investigados pela manipulação de material genético humano para além dos limites permitidos pela ciência – sim: pais e mães podem ter tido filhos sem o próprio código genético, com DNA de terceiros desconhecidos, DNA do próprio médico ou até mesmo, com o DNA de mais de duas pessoas, já que ele costumava “turbinar” gametas sexuais mais velhos com organelas de células mais novas.

É uma leitura igualmente chocante, surreal e capaz de tirar o fôlego, principalmente quando a gente percebe que poderia ser inverossímil e digna de um romance de ficção científica futurista, mas é só um relato de algo que aconteceu bem embaixo dos nossos narizes.

Lifetime estreia série de true crime com histórias reais de mulheres desaparecidas
Atualizações

Lifetime estreia série de true crime com histórias reais de mulheres desaparecidas

A série documental de true crime #AvisaQuandoChegar (#TextMeWhenYouGetHome), que o Lifetime estreia em 9 de abril, apresenta histórias reais de mulheres desaparecidas que deixaram uma mensagem de texto como última pista. A produção inédita mostra os depoimentos de familiares e sobreviventes de crimes e sequestros que mobilizaram a polícia, a imprensa e comunidades inteiras.

A hashtag #AvisaQuandoChegar desencadeou um movimento global em 2021 após a morte de Sarah Everard no Reino Unido, para aumentar a conscientização sobre a vulnerabilidade que as mulheres sentem quando deixadas sozinhas.

Cada episódio da nova série de true crime relata o caso de uma mulher que, enquanto levava sua vida normal, foi sequestrada, ferida ou até morta. Os fatos são contados pelas sobreviventes em primeira pessoa, em entrevistas emocionantes, recriações, textos, registros telefônicos e outras pegadas digitais que autoridades usaram para resolver os casos.

Na estreia, o Lifetime exibe dois episódios inéditos:

Kenya Monge: a família de Kenya compartilha os detalhes do desaparecimento desta garota de 19 anos. O seu pai, a irmã e as autoridades explicam como as mensagens de texto do celular de Kenya foram peças fundamentais que ajudaram a encontrar o seu sequestrador, o que finalmente acabou levando-os a reencontrar a garota.

April Millsap: a mãe de April ainda se lembra do dia em que pediu à filha de 14 anos que mandasse uma mensagem logo que chegasse em casa, depois de passear com o cachorro. Mas ela nunca respondeu à sua mãe. Além disso, o namorado dela recebeu uma mensagem de texto enigmática antes de seu desaparecimento. O que aconteceu?

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