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Crônica: Talvez eu me ferre no final por você…

Paixão. Palavra que vem do Latim passio, cuja tradução seria algo como “sofrimento, ato de suportar”, de pati, “sofrer, aguentar”, do grego pathe, “sentir ”. Vamos traduzir isso para os dias de hoje, então. Paixão nada mais é que a expressão talvez eu me ferre no final.

Então, estou apaixonado por você. Talvez eu me ferre no final por você. E é isso, sabe. Só por você mesmo, que faço certas coisas, carregado da incerteza do que vem a seguir. Mas sabe, não ligo muito porque sempre esqueço o tempo, e ele continua sendo meu pior inimigo. Eu já disse que ele jamais fez algo de útil por mim.

Não me ajudou quando eu estava quebrado, porque você fez isso. Quando estou contigo, ele corre. Quando estou prestes a te ver, ele se arrasta. E ainda ousam dizer que ele é nosso amigo, que só ele pode dar um jeito em certas coisas. Ha-ha. Não.

Mas talvez ele tenha feito bem em me fazer esperar. Esperar pelo amor bater à porta, entrar devagarinho para logo depois derrubar tudo da melhor maneira possível. Talvez, ele tenha feito bem em me fazer caminhar e encontrar o amor. Porque sabe, nos dias de hoje, é mais difícil encontrar o amor do que a magia dos castelos de Hogwarts.

E quando você encontra, o tempo continua correndo, mas não precisamos mais dele. Quem precisa de um tempo para viver um amor de verdade, talvez precise de um tempo para entender mais da vida em si. Não seja tão covarde a ponto de pedir algo ao tempo. Porque ele não vai te ouvir quando você bem entender. Ele vai te satisfazer quando quiser ser satisfeito – sim, ele é egoísta.

Então, meu amor, talvez eu me ferre no final por você. Mesmo depois de todo esse tempo e sabe, eu não me importo. Porque foi por você. E eu faço de tudo por você, convicto de tudo, com certeza de absolutamente nada. E nós descobrimos nossa América, encontramos o nosso país das maravilhas… Você viveu os amores da sua vida, e eu vivi os meus. Agora encontramos o nosso. E um dia, tudo vai embora, porque o tempo, mais uma vez, vai levar. E nada vai mais importar afinal, de que serve a vida quando todo o resto já se foi?

Pra quê pedir um tempo sendo que ele virá de qualquer forma, hora ou outra? A covardia é a chave da desesperança. E a esperança, a única coisa mais forte que o medo. De nada adianta adiar, também. Dar o troco é coisa de comediante. Enfrente seus medos de cabeça erguida. Viva intensamente, ame não só com o coração, mas com todos os órgãos, células e átomos. E diga isso em voz alta.

Sinta o coração pulsar. A cabeça esquentar. As lágrimas saírem pelos olhos. E as palavras fluírem. Olhos nos olhos. Visão na alma. Eu te amo. Sempre foi você.

Obrigado, tempo. Obrigado por não me fazer dar certo com ninguém antes. Você pode ser um babaca filho da puta, mas sabe das coisas. Sempre soube o que eu precisaria saber quando chegasse a hora dos cacos serem fundidos em um só de novo.

O tempo sempre soube de nós dois. Sempre soube que você seria a peça que se encaixaria no meu quebra-cabeças. Talvez não de imediato, mas que iria, uma hora. E então, nada mais importaria.

Porque sabe, eu e você. Podemos ser a melhor coisa de todas. E seremos.

Sempre foi você.

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