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Série de "Não se apega, não" ganha trailer oficial!

Como postamos anteriormente aqui, os direitos do livro Não se apega, não de Isabela Freitas haviam sido comprados pela Rede Globo para uma adaptação que será exibida no Fantástico, aos domingos, estrelando Rafael Vitti e Laura Neiva.

A série, que tem estreia prevista para o dia 7 de novembro, ganhou agora um trailer oficial! Confira:

#NãoSeApegaNão, a série que vai te ensinar a dar a volta por cima. Estreia domingo que vem (8) no #Fantástico!

Posted by Fantástico – O Show da Vida on Sunday, November 1, 2015

Ansiosos?

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Divulgado vídeo de bastidores de "Jogos Vorazes: A Esperança – O Final"

Foi divulgado no dia de ontem (2), um vídeo sem som do capítulo final da saga Jogos Vorazes, A Esperança – O Final, onde vemos os bastidores das filmagens. Confira na íntegra:

https://www.youtube.com/watch?v=hUpxJqWWQsw

Em “Jogos Vorazes: A Esperança – O Final”, a nação de Panem está em plena guerra, Katniss decide montar uma resistência com um grupo de amigos próximos – incluindo Gale, Finnick e Peeta – para derrubar o Presidente Snow. Eles arriscam suas vidas em uma missão para tentar assassinar o tirano líder, que fica cada vez mais obcecado em destruir Katniss. As armadilhas mortais, inimigos e escolhas morais que esperam por Katniss, porém, vão desafiá-la mais do que qualquer área que ela já enfrentou.

“Jogos Vorazes: A Esperança – O Final” tem estreia confirmada no Brasil para o dia 18 de Novembro.

 

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Traduzido: Confira os dois primeiros capítulos de "Career Of Evil", de Robert Galbraith

Foram divulgados há alguns dias, os dois primeiros capítulos de Career Of Evil, terceiro livro da série Cormoran Strike, de Robert Galbraith, pseudônimo da rainha mundialmente conhecida, J.K. Rowling.

O livro tem lançamento previsto para o final deste ano nos Estados Unidos e no Reino Unido, e para 2016 no Brasil. Sem mais delongas, confira os dois capítulos traduzidos abaixo pela equipe do Potterish:

CAREER OF EVIL
Capítulo 1 publicado pelo The Guardian

Traduzido por: Luiza Miranda.
Revisado por: Pedro Martins.
2011

Este Não é o Verão do Amor

Ele não havia conseguido se livrar de todo o sangue dela. Uma linha escura, como um parêntese, jazia sob a unha do seu dedo médio esquerdo. Ele se pôs a removê-la, apesar de gostar bastante de vê-la ali: uma lembrança dos prazeres do dia anterior. Depois de um minuto de raspagem em vão, ele colocou a unha sangrenta na boca e chupou. O amargor do ferro o remeteu ao grande fluxo que escorrera desenfreado pelo chão de azulejos, respingando nas paredes, encharcando seus jeans e transformando as toalhas de banho cor de pêssego – macias, secas e dobradas com cuidado – em trapos ensopados de sangue.

As cores pareciam mais vibrantes naquela manhã e o mundo, um lugar mais agradável. Ele se sentia sereno e revigorado, como se a houvesse absorvido, como se a vida dela houvesse sido transferida para dentro dele. Uma vez que os matasse, eles pertenciam a você: era um prazer muito superior ao sexo. O simples fato de saber quais eram suas expressões no momento da morte era uma intimidade que ia além de qualquer coisa que dois corpos vivos podiam experimentar.

Com um sentimento de entusiasmo, ele refletiu que ninguém sabia o que ele havia feito, nem o que planejava fazer em seguida. Ele chupou o dedo médio, feliz e plácido, recostado na parede morna ao sol fraco de abril, seu olhar voltado à casa do outro lado da rua.

Não era uma casa elegante. Comum. Inegavelmente um lugar melhor para morar do que o minúsculo apartamento onde sacos de lixo preto com as roupas enrijecidas de sangue de ontem aguardavam incineração, e onde suas facas, reluzentes depois de lavadas com água sanitária, haviam sido socadas em um compartimento debaixo da pia da cozinha.

Esta casa tinha um pequeno quintal na frente, uma cerca preta de metal e o gramado que precisava ser podado. Duas portas brancas haviam sido espremidas lado a lado, dando a entender que a construção de três andares fora convertida em apartamentos superiores e inferiores. Uma garota chamada Robin Ellacott morava no térreo. Mesmo que estivesse determinado a descobrir o seu verdadeiro nome, ele mentalmente a chamava de A Secretária. Ele acabara de vê-la passando em frente à janela projetada, facilmente reconhecida pelo seu cabelo brilhante.

Observar A Secretária era um extra, um bônus prazeroso. Ele tinha algumas horas de folga, então decidira vir e olhar para ela. Hoje era um dia de descanso, entre as glórias de ontem e de amanhã, entre a satisfação do que fora feito e a empolgação para o que aconteceria em seguida.

A porta da direita se abriu inesperadamente e A Secretária saiu, acompanhada de um homem.

Ainda encostado na parede morna, ele fitava o resto da rua, com a silhueta voltada para eles de tal modo que parecesse estar esperando por um amigo. Nenhum dos dois prestou atenção nele. Eles se afastaram subindo a rua, lado a lado. Depois de lhes dar um minuto de vantagem, ele decidiu segui-los.

Ela usava jeans, uma jaqueta leve e botas rasteiras. O longo cabelo ondulado ficava ligeiramente ruivo agora que ele a via sob a luz do sol. Ele pensou notar uma certa limitação entre o casal, que não conversava entre si.

Ele era bom em desvendar pessoas. Ele havia desvendado e seduzido a garota que morrera ontem entre as toalhas cor de pêssego encharcadas de sangue.

Mais adiante na longa rua residencial, ele os acompanhava com as mãos nos bolsos, vagando como se fosse em direção às lojas, os óculos de sol adequados para esta brilhante manhã. As árvores balançavam suavemente com a leve brisa da primavera. No fim da rua, a dupla à frente virou à esquerda em uma avenida larga, movimentada, ladeada por escritórios. Janelas de vidro cintilavam com os raios de sol à medida que eles passavam pelo prédio da câmara municipal de Ealing.

Agora, o colega de quarto, ou namorado, ou o que quer que ele fosse – vaidoso e de maxilar quadrado – d’A Secretaria estava falando com ela. Ela respondeu rapidamente e não sorriu.

Mulheres eram tão mesquinhas, malvadas, sujas e pequenas. Vadias rabugentas, todas elas, esperando que os homens as façam felizes. Apenas quando jaziam mortas e vazias na sua frente era que se tornavam puras, misteriosas e até maravilhosas. Naquele momento, elas eram inteiramente suas, incapazes de discutir ou lutar ou ir embora, suas para você fazer o que desejasse com elas. O cadáver da outra tinha ficado pesado e mole ontem, depois que ele drenou todo o seu sangue: seu passatempo em tamanho real, seu brinquedo.

Ele seguiu A Secretária e seu namorado pelo movimentado shopping Arcadia, deslizando atrás deles como um fantasma ou um deus. Será que os compradores de sábado conseguiam vê-lo, ou ele havia de alguma forma se transformado, duplamente vivo, agraciado com a invisibilidade?

Eles haviam chegado em um ponto de ônibus. Ele se demorou ali por perto, fingindo olhar através da porta de um restaurante de curry, as frutas empilhadas na frente de uma mercearia, máscaras de papelão do Príncipe William e Kate Middleton penduradas na janela de uma banca, tudo enquanto observava o reflexo do casal no vidro.

Eles pegariam o número 83. Ele não tinha muito dinheiro nos bolsos, mas estava gostando tanto de acompanhá-la que ainda não queria que isso acabasse. Ao embarcar depois deles, ele ouviu o homem mencionar Wembley Central. Ele comprou uma passagem e os seguiu escada acima.

O casal se acomodou lado a lado, bem na frente do ônibus. Ele escolheu um lugar não muito longe, próximo de uma mulher mal-humorada a quem ele forçou que afastasse as sacolas de compras. Ora ou outra, as vozes deles podiam ser ouvidas sobre o murmúrio dos outros passageiros. Quando não estavam conversando, A Secretária olhava através da janela, séria. Ela não queria ir para seja lá onde estivessem indo, ele tinha certeza disso. Quando ela afastou uma mecha de cabelo dos olhos, ele notou que ela usava um anel de noivado. Então ela ia se casar… ou assim ela pensava. Ele sorriu discretamente por trás da gola levantada da sua jaqueta.

O sol quente do meio-dia atravessava as janelas sujas do ônibus. Um grupo de homens embarcou e ocupou os assentos restantes. Alguns usavam camisetas de rugby vermelhas e pretas.

Subitamente, ele sentiu que o brilho daquele dia havia se apagado. Aquelas camisetas, com a lua crescente e a estrela, remetiam-no a coisas de que ele não gostava. Elas o lembravam de um tempo em que ele não se sentia como um deus. Ele não queria que este dia feliz fosse manchado por memórias antigas, memórias ruins, mas sua euforia de repente começou a se esvair. Nervoso – um adolescente do grupo o encarou, mas logo virou o rosto, alarmado –, ele se levantou e voltou para as escadas.

Um pai e seu pequeno filho se agarravam firme a barra do lado das portas do ônibus. Uma explosão de raiva na boca de seu estômago: ele deveria ter tido um filho. Ou melhor, ele ainda devia ter um filho. Ele imaginou o menino parado ao seu lado, admirando-o, considerando-o um herói – mas seu filho não estava mais ali, e era tudo culpa de um homem chamado Cormoran Strike.

Ele iria se vingar de Cormoran Strike. Ele iria devastar a vida dele.

Quando desceu na calçada, ele ergueu o olhar para as janelas frontais do ônibus e avistou pela última vez a cabeça dourada d’A Secretária. Ele a veria em menos de vinte e quatro horas. Essa ideia acalmou a raiva repentina que o acometeu com a visão daquelas camisetas do Saracens. O ônibus partiu com um ruído e ele tomou a direção contrária, tranquilizando-se enquanto caminhava.

Ele tinha um plano maravilhoso. Ninguém sabia. Ninguém suspeitava. E ele tinha algo muito especial aguardando-o na geladeira de casa.


CAREER OF EVIL
Capítulo 2 publicado pelo Time

Traduzido por: Luiza Miranda.
Revisado por: Pedro Martins.
Uma rocha através de uma janela nunca vem com um beijo.
Blue Öyster Cult
Madness to the Method

Robin Ellacott tinha 26 anos e estava noiva há mais de um ano. Seu casamento deveria ter acontecido três meses antes, mas a morte inesperada de sua futura sogra levou ao adiamento da cerimônia. Muito aconteceu desde então. Será que ela e Matthew estariam se dando melhor se houvessem trocado votos?, ela se perguntava. Eles estariam discutindo menos se uma faixa dourada repousasse abaixo do anel de noivado de safira que se tornara ligeiramente largo no seu dedo?

Tentando passar pelos cascalhos da Tottenham Court Road na segunda-feira de manhã, Robin mentalmente reviveu a briga do dia anterior. As sementes foram plantadas antes mesmo de eles saírem de casa para o jogo de rugby. Parecia que, sempre que se encontravam com Sarah Shadlock e seu namorado Tom, Robin e Matthew acabavam se desentendendo – algo que Robin mencionou enquanto a discussão, que começou a tomar forma no jogo, arrastava-se pelas primeiras horas da manhã.

– A Sarah p-provocou, pelo amor de Deus, você não percebe? Foi ela quem ficou perguntando sobre ele, várias vezes, não fui eu que comecei…

As obras sem fim ao redor da estação Tottenham Court Road obstruíam o caminho para o trabalho de Robin desde que ela começara na agência de investigação particular na Denmark Street. Seu humor não melhorou quando ela tropeçou num pedaço enorme de cascalho; ela cambaleou por alguns metros antes de recuperar o equilíbrio. Uma enxurrada de assobios e comentários obscenos emergiu de um buraco profundo no meio da rua cheio de homens em capacetes e coletes fluorescentes. Sacudindo os cabelos louro-avermelhados para longe dos olhos, o rosto vermelho, ela os ignorou, involuntariamente voltando a pensar em Sarah Shadlock e suas perguntas dissimuladas e persistentes sobre o chefe de Robin.

– Ele é estranhamente bonito, não é? Um pouco surrado, mas eu nunca liguei para isso. Ele é sexy de verdade? É um cara grandão, não é?

Robin viu o maxilar de Matthew enrijecer conforme ela tentava responder calma e indiferente.

– São só vocês dois no escritório? Sério? Mais ninguém?

“Vadia”, pensou Robin, cujo bom humor natural nunca se estendeu a Sarah Shadlock. Ela sabia exatamente o que ela estava fazendo.

– É verdade que ele foi condecorado no Afeganistão? É? Uau, então estamos falando de um herói de guerra também?

Robin tentara com todas as suas forças terminar com o monólogo de apreciação de Sarah por Comoran Strike, mas sem sucesso: ao fim do jogo, uma frieza havia se instalado nas atitudes de Matthew para com a sua noiva. No entanto, seu desgosto não o impediu de rir e brincar com Sarah no caminho de volta do Vicarage Road, e Tom, que Robin sempre achou chato e estúpido, gargalhou junto, alheio a quaisquer entrelinhas.

Empurrada por pedestres que também tentavam passar pelas trincheiras na rua, Robin finalmente chegou à calçada oposta, passando pela sombra do obelisco de concreto quadriculado que era o Centre Point e se enraivecendo novamente ao lembrar o que Matthew havia lhe dito à meia-noite, quando a briga voltara à vida.

– Você não consegue calar a boca sobre ele, consegue? Eu ouvi você para a Sarah…

– Eu não comecei a falar sobre ele de novo, foi ela, você nem estava ouvindo…

Mas Matthew a havia imitado, usando a voz genérica que representava todas as mulheres, aguda e imbecil:

– Oh, o cabelo dele é tão atraente…

– Pelo amor de Deus, você é completamente paranoico! – Robin gritara. – Sarah estava enlouquecendo pela merda do cabelo de Jacques Burger, não pelo do Cormoran, e eu só falei…

– “Não pelo do Cormoran” – ele repetiu naquele guinchado estúpido.

Enquanto fazia a curva para entrar na Denmark Street, Robin se sentiu tão furiosa quanto estava oito horas atrás, quando saíra do quarto batendo os pés e fora dormir no sofá.

Sarah Shadlock, maldita Sarah Shadlock, que tinha frequentado a universidade com Matthew e tentado com todas as forças roubá-lo de Robin, a garota que ele deixou para trás em Yorkshire… Se Robin tivesse certeza de que jamais veria Sarah novamente, estaria satisfeita, mas Sarah estaria no casamento deles em julho, e Sarah sem sombra de dúvidas continuaria a atormentar sua vida de casados, e quem sabe um dia ela tentaria se esgueirar para dentro do escritório de Robin para conhecer Strike, se seu interesse fosse genuíno e não uma mera manobra de semear a discórdia entre Robin e Matthew.

“Eu jamais vou apresentá-la a Cormoran”, pensou Robin com selvageria quando se aproximou do carteiro que estava do lado de fora da porta do escritório. Ele tinha uma prancheta em uma mão enluvada e um pacote retangular comprido na outra.

– É para Ellacott? – perguntou Robin assim que chegou perto o suficiente para ser ouvida.

Ela estava aguardando um pedido de câmeras descartáveis de papelão branco que seriam lembrancinhas do seu casamento. Suas horas de trabalho estavam tão irregulares ultimamente que ela achou mais fácil endereçar os pedidos feitos pela internet direto para o escritório ao invés do apartamento.

O carteiro assentiu e estendeu a prancheta sem retirar seu capacete de moto. Robin assinou e recolheu o pacote grande, que era muito mais pesado do que ela esperava; parecia que um único objeto grande deslizou dentro dele quando ela colocou o pacote debaixo do braço.

– Obrigada – ela disse, mas o mensageiro já havia virado as costas e lançado uma perna sobre a moto. Ela o ouviu dirigir para longe enquanto entrava no prédio.

Ela subia pelas escadas de metal que ecoavam ao redor do elevador quebrado em forma de gaiola, os saltos batendo no metal. A porta de vidro brilhou enquanto ela a destrancava e abria, e a legenda gravada – C. B. STRIKE, DETETIVE PARTICULAR – se destacava, escura.

Ela chegara propositalmente cedo. Eles estavam abarrotados de casos no momento e ela queria se atualizar com a papelada antes de voltar à sua vigilância diária de uma jovem dançarina russa.

Pelo som das passadas pesadas logo acima, ela deduziu que Strike ainda estava em seu apartamento.

Robin deixou o seu pacote grande na mesa, tirou o casaco e o pendurou juntamente com a bolsa em um gancho atrás da porta, acendeu as luzes, encheu a chaleira e a colocou para ferver, então alcançou o afiado abridor de cartas na mesa. Lembrando da recusa categórica de Matthew em acreditar que era o cabelo ondulado do flanqueador Jacques Burger que ela estivera admirando, e não o cabelo curto e – francamente – com cara de pelos púbicos de Strike, ela apunhalou a ponta do pacote com raiva, abriu-o e desmontou a caixa.

A perna decepada de uma mulher havia sido enfiada à força dentro da caixa, os dedos do pé dobrados para que coubessem ali.

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Crônica: Questão de rotina.

A reunião começou tranquilamente. O orador daquela noite era um vizinho meu, o Euclides. Nunca vi o seu Euclides tão bem vestido como ele está hoje. Uma camisa social azul claro, com listras finas, cabelo bem penteado e sob o braço um volume do Evangelho. Ele começou a falar;

“Meus irmãos, que a paz de nosso senhor Jesus Cristo esteja conosco hoje e sempre.

Todos nós respondemos em coro.

“Que assim seja.”

“Iremos abordar hoje o capítulo XV, ‘Fora da Caridade não há salvação'”.

Cada qual abriu seu Evangelho. Dona Mirtes passou alguns minutos procurando a página, até que seu neto sacou o livro e colocou na seção certa para a ocasião. Quando nos acomodamos, Euclides prosseguiu com a palestra. Foram belos sessenta minutos, todos prestando atenção, um silêncio absoluto. O relógio bateu oito e meia e quem iria tomar passe foi até a sala ao lado para entrar na fila. Eu estava bem ali, não queria ser mais uma e congestionar a fila, sem contar que ao chegar em casa ainda tinha um trabalho para digitar e enviar para o professor. Decidi por fim que seria melhor voltar para casa. Fui andando, até topar com o ponto de ônibus. Estava lotado e algumas luzes quase piscavam anunciando que a qualquer momento poderiam apagar de vez. Vi no meio das pessoas o meu vizinho, seu Euclides. Pensei em acenar, parabenizar pela palestra, dizer que gostei muito, mas ele estava concentrado demais olhando para o nada. O homem já tinha uma certa idade, mamãe dizia que ele era mais velho que ela uns vinte anos. Nas minhas contas isso dava cinquenta e alguma coisa. Mas lá estava ele de cabeça erguida, pensando em diversas coisas, imagino. Alguém foi se aproximando de seu Euclides, era um senhor que mal se aguentava em pé. Sua camisa pelo que consegui ver tinha alguns rasgões e seu rosto era invadido por uma barba densa.

O homem maltrapilho estendeu a mão para Euclides, ele respondeu com um olhar desconfiado. O homem continuou com a mão estendida, mas nada de Euclides lhe dizer nem que sim nem que não, até que o senhor encostou em meu vizinho, para tentar lhe chamar atenção. Seu Euclides renegou o ato se afastando do homem, lhe disse algumas palavras nada felizes que de onde estou não consigo entender.

O ônibus chegou. Bairro das Indústrias, 104. O meu. O de Seu Euclides, que apressado para fugir do velho correu e foi o primeiro a entrar. Eu subo quase por última, passo o cartão no leitor e vou andando entre o aperto do ônibus e o mal humor das pessoas. Acabo parando defronte a seu Euclides que naquele momento está observando a rua. Faço o mesmo, dou as costas para ele e fico olhando a lagoa, os prédios que a circundam, dez minutos se passam e o ônibus está mais lotado, não consigo mover nem um dedo do pé.

Alguém encosta em mim por trás, não para passar ou descer do coletivo, nada desse gênero, sinto uma mão tocando minha cintura e descendo até pressionar o lado esquerdo de minha bunda. Paraliso. Não sei como reagir, não consigo falar. Penso em gritar, mas ninguém acreditaria em mim. “Eu só resvalei em você, garota”, a pessoa diria. Penso em virar e bater no cretino, se for o caso de ser um homem, mas todos olhariam para mim como se fosse louca. Não sei o que fazer. Meu evangelho cai. O livro rola e vai parar ao lado do meu pé esquerdo. Olho para ele e vejo sapatos sociais pretos, vou subindo o olhar enquanto aquele toque vai ganhando proporções maiores, encontro uma calça também preta e a mais para cima uma camisa azul, com listras finas. Ele me faz ficar colada ao apoio de ferro do ônibus. Ninguém está vendo isso? Ninguém?

Minha parada está chegando. Aguente. Aguente. Cinco, quatro, três, um minuto. Quando penso em sair dali, poder correr para chegar em casa, a mão desgruda de mim. Aquele maldito corpo descola do meu.

Olho para frente e vejo seu Euclies descer, com seu livro debaixo do braço e um sorriso no rosto.

Eu descerei na próxima parada, é melhor. Chegarei em casa, dormirei, é melhor. Nada além disso. No fim, bem, eu não deveria estar ali, certo?

Certo?

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The Walking Dead é renovada para a sétima temporada!

A sexta temporada da série está sendo a melhor de todas até o momento. Com três episódios intensos, veio a confirmação que os fãs tanto esperavam: a AMC anunciou que The Walking Dead está oficialmente confirmada para sua sétima temporada!

Junto com a confirmação da nova temporada, a AMC também renovou o Talking Dead – talk-show que vai ao ar nos Estados Unidos logo após a estreia de um novo episódio. Scott M. Gimple continuará como showrunner da próxima temporada, juntamente com a produção executiva de Robert Kirkman, Gale Anne Hurd, David Alpert, Greg Nicotero e Tom Luse.

A expectativa é que a nova temporada inicie em outubro de 2016, assim como todas as outras temporadas. No Brasil a série ainda será transmitida pela FOX.

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Jessica Jones, Segunda série da parceria Netflix e Marvel ganha trailer oficial

Na série, Jessica Jones (Krysten Ritter) tenta construir sua carreira de detetive particular em Nova York ao mesmo tempo em que tenta superar uma trágica experiencia como super heroína.

No trailer percebemos também Jessica conhecendo Luke Cage (Mike Colter), super-herói casado com a heroína nas HQs.

O trailer nos permite vislumbrar a personalidade perturbada de Jessica, que sugere ter feito algo horrível no passado por causa dos poderes de controle da mente de Killgrave (Homem Púrpura), interpretado pelo ator David Tennant (“Doctor Who”).

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=nWHUjuJ8zxE&w=560&h=315]

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Vazaram primeiras imagens de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”

Um dos filmes mais aguardados teve suas filmagens iniciadas! “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, o primeiro filme de uma trilogia que narrará outro lado do mundo mágico de Harry Potter, baseado no livro homônimo escrito por Rowling, teve suas primeiras filmagens ao ar livre essa semana. Com isso vieram as primeiras imagens e vídeos das gravações que acontecem na cidade de Liverpool:

O filme será lançado no Brasil no dia 17 de Novembro de 2016.