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Resenha: A Escola do Bem e do Mal 2, Soman Chainani

ATENÇÃO: “A escola do bem e do mal” é uma trilogia e esta resenha refere-se ao segundo volume. Se você ainda não leu o primeiro volume, cuidado ao ler a resenha, pois há spoilers.

Em “A escola do bem e do mal 2: um mundo sem príncipes”, de Soman Chainani, Sophie e Agatha voltam para casa e tentam retomar a sua vida depois de terem passado meses na Escola do bem e do mal, matado o diretor da escola e descoberto suas verdadeiras inclinações: Sophie é do mal e tem uma bruxa escondida dentro de si, enquanto que Agatha é do bem e se apaixonou por um príncipe.

Depois que a fama passou, a cidade parou de adorá-las por terem acabado com a maldição e suas vidas voltaram a ser comuns, Agatha tem um desejo inesperado: voltar para Tedros. Sim, ninguém nunca esperaria por isso, já que ela era a que mais queria voltar para casa junto com sua melhor amiga, mas, ao contrário de tudo que poderia acontecer, Sophie já não é suficiente para ela e seu príncipe ocupa cada vez mais seus pensamentos.

Esse desejo desencadeia uma série de acontecimentos que as mandam de volta para a escola, que não é mais a mesma. Quando Agatha escolheu Sophie ao invés de Tedros, ela provou que uma princesa não precisa de um príncipe para ter seu final feliz e, agora, todas as princesas estão fazendo a mesma coisa, expulsando seus príncipes de seus reinos e se salvando sozinhas. A Escola do Bem virou a Escola de Meninas e a Escola do Mal, Escola de Meninos, e eles se declararam inimigos mortais. Todas as histórias tiveram seus finais mudados, onde as mulheres não precisam de homens e a única forma de mudar tudo é se Agatha desejar sinceramente voltar para casa com Sophie, como era antes.

A história ainda não chegou ao fim, é uma trilogia e eu nem tenho que dizer como estou ansiosa para o último volume. Esse autor, até então, desconhecido para mim, se revelou uma grande surpresa, pois conseguiu explorar um tema tão batido hoje em dia de forma inédita. Esse segundo livro é mais emotivo, intenso e vemos claramente que não se divide as pessoas, simplesmente, em boas e más. Uma frase bem famosa de uma outra saga notável nos diz que todos temos o bem e o mal dentro de nós, o que nos define são nossas escolhas e isso fica bem claro em “Um mundo sem príncipes”. Até onde você iria pelo seu verdadeiro amor? Uma amizade basta para deixar a vida completa? O amor rejeitado vira ódio? Vale a pena ler e conferir.

harry potter
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“Harry Potter e a Criança Amaldiçoada” já é o livro mais vendido do ano na Amazon

O universo de Harry Potter é tão apaixonante, que toda novidade sobre ele, toda pequena informação, toda continuação já se torna um enorme sucesso, vimos isso com as novidades que J.K.Rowling disponibiliza no Pottermore, com “Animais Fantásticos e Onde Habitam” e não seria diferente com o roteiro de “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada”.

O livro, que na verdade é uma adaptação do roteiro da peça teatral de mesmo nome que foi apresentada em Londres, já é o livro mais vendido de 2016 pela Amazon. Ele é uma parceria entre J.K.Rowling e os roteiristas Jack Thorne e John Tiffany e tem a trama centrada a partir do final do último livro, 19 anos após a Batalha de Hogwarts.

“Harry Potter e a Criança Amaldiçoada” conta a história da família de Harry Potter e Gina Weasley, que são casados e tem três filhos, Tiago, Alvo e Lílian, e do agora casal Hermione Granger e Rony Weasley, com seus dois filhos Rosa e Hugo. O enredo foca em Alvo, filho do meio de Harry, que muito diferente do pai, não gosta de ir para Hogwarts e se sente bastante excluído, tem apenas um amigo, Escórpio, curiosamente filho de Draco Malfoy.

Os dois meninos se envolvem em uma grande aventura que coloca em risco todo o mundo bruxo. Vale muito a pena a leitura, para os fãs é uma grande alegria entrar em contato com esse mundo mágico de novo. O que explica o grande sucesso nas vendas do livro, segundo Chris Schluep, editor sênior da Amazon.

“O poder de ‘Harry Potter’ continua crescendo, e os leitores de todas as idades não se cansam de Hogwarts. O livro foi o mais aguardado do ano, quebrando recordes de pré-vendas ainda meses antes do lançamento”

E você, já leu? O que achou? Se ainda não, corre que dá tempo, a gente promete que você não vai se arrepender!

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Resenha: “Anna e o homem das andorinhas”, Gavriel Savit

“Anna e o homem das andorinhas” se passa na Polônia atacada pelos alemães durante a 2ª Guerra Mundial, em 1939. Anna tem 7 anos quando seu pai, um professor de Linguística e dominante de várias línguas, vai a uma reunião na universidade em que lecionava e não volta mais. O que Anna não sabia é que seu pai havia sido mandado para um campo de concentração e ela nunca mais voltaria a vê-lo.

Ela é deixada sozinha em frente à porta trancada de seu apartamento pelo dono da farmácia que tinha a incumbência de cuidar dela só por algumas horas e não há nenhuma expectativa de que tudo ficará bem. Cansada de esperar e já sem muita esperança de que seu pai voltaria, Anna volta até a porta da farmácia, encontrando um misterioso homem que lembra muito seu pai por falar em várias línguas, mas uma em especial: ele fala com pássaros.

Sem nada mais a fazer, Anna resolve segui-lo, sai dos limites da cidade e, juntos, começam a caminhar pelos vales e florestas da Polônia, evitando ser encontrados. O homem das andorinhas, como Anna começa a chamá-lo, pois, segundo ele, nomes são muito perigosos em dias de guerra, cuida dela, a ensina a sobreviver e, assim, eles passam anos fugindo da crueldade dos homens.

Comparada a “Menina que roubava livros”, a obra é intensa e emocionante ao mesmo tempo, pois trata dos terrores da guerra pelos olhos de uma criança que não entende muito bem o que está acontecendo. Não fica muito claro porque o pai de Anna foi levado, então não sabemos se ela é judia. Também não fica claro porque o Homem das andorinhas foge, ele é um personagem enigmático, cheio de segredos e perguntas proibidas, como o seu nome e a sua verdadeira língua.

O que a gente percebe é um cenário muito bem definido, pois todos já conhecem os terrores que Hitler cometeu na Europa, mas os personagens não são, ou seja, poderia ser qualquer um. A Anna representa todas aquelas crianças órfãs que perderam seus pais em campos de concentração ou mortos na guerra. Imagino o Homem das andorinhas como alguém que não queria estar ali, nem fazer parte de nada disso, mas não tinha forças para lutar contra. Tudo o que eles queriam era sobreviver a tudo aquilo e, durante anos, suas vidas se restringem a isso: sobreviver acima de tudo, mesmo que isso signifique a queda de outros.

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Fallen: Sessão de autógrafos com Lauren Kate em SP

Com a estreia de Fallen nos cinemas dia 08/12, Lauren Kate está no Brasil. Além da Comic Con Experience amanhã (04/12), a autora esteve em São Paulo para uma sessão de autógrafos hoje (03/12) e vai estar no Rio de Janeiro dia 06. O Beco esteve na sessão de SP que aconteceu na Livraria Saraiva MegaStore do Shopping Pátio Higienópolis.

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Foram liberadas 250 senhas a partir das 16h, mas, às 10h da manhã, já tinha gente na fila. Eu cheguei por volta das 13h e já fiquei com o número 37. A autora chegou pontualmente às 18h (horário marcado para o início do evento) e foi extremamente simpática. Tenho que dizer: a Lauren é uma fofa! Magrinha e pequena, parece uma boneca! Se desfez em sorrisos para os fãs, acenou e o destaque foi seu esforço para falar em português: tudo bem? Obrigado! Eu amo vocês!

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Até as 20h, ainda tinham senhas disponíveis e tenho que dizer que a organização da livraria foi exemplar. Às 16h, as pulseiras foram entregues e só tivemos que voltar no horário marcado. As filas foram organizadas pela ordem da senha e não houve tumulto, só os gritos e choros dos fãs, o que já é de praxe. A Lauren autografou 2 livros de cada pessoa, sendo que 1 deles tinha que ser um dos lançamentos comemorativos de Fallen: capa dura ou capa do filme. O único problema foi o equívoco da livraria que, até às 15h, deixou um segurança no fim da fila avisando que só pegaria a senha quem tivesse um dos lançamentos, sendo que havia sido divulgado que, caso a pessoa só quisesse autografar 1 livro, poderia ser qualquer um da autora. O equívoco foi resolvido, mas não antes de várias pessoas comprarem os exemplares desesperadamente.
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Mesmo com toda a organização, o espaço era pequeno, o banner só foi colocado depois que o evento começou e toda estrutura se resumia a uma mesinha no canto da livraria. Ah, também não foi dado nenhum brinde, o que é de costume nessas sessões de autógrafos, afinal, foram mais de 1,5 milhões de cópias vendidas no Brasil, esperava-se um pouco mais. Mas, nada disso tirou o brilho da Lauren, nem a alegria dos fãs que, mesmo depois de pegarem seu autógrafo, continuavam pelos arredores, a admirando de longe.

Lauren Kate também estará em duas pré-estreias de Fallen com a atriz Addison Timlin que interpreta a protagonista da série, Lucinda Price:

São Paulo – 05/12 às 21h, Cinemark do Shopping Eldorado

Rio de Janeiro – 07/12 às 20h e 20h15, UCI New York City Center

Quem for na pré-estreia vai receber um poster exclusivo autografado, mas a sessão de São Paulo já está esgotada e as do Rio de Janeiro custam R$50 o ingresso. É, não é fácil ser fã. A estreia oficial continua sendo dia 08/12, mas não sabemos se será em todos os cinemas do Brasil.

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Resenha: Hulk – Terra Arrasada, Jeff parker, Gabriel hardman & Ed McGuinness

“O alvoroço causado pelo Hulk Vermelho acabou – e agora é hora de ele provar ao mundo que realmente pode ser um herói. Seu primeiro objetivo é deter o protocolo de Terra Arrasada criado por MODOC e pelo Líder para causar o apocalipse. Mas mesmo com a ajuda do Bomba-A e do Hulk original, pode o mais novo guardião com poderes gama da Marvel completar sua missão antes que seja tarde demais?””

O Hulk é definitivamente a primeira criatura a ser criada a partir dos raios gama, mas, com certeza, não é a única. Desde que Bruce Banner sofreu seu acidente e ganhou superpoderes, várias outras pessoas, soldados, cientistas e aventureiros têm tentado usar essa mesma forma para dotar a si próprios ou a outras pessoas com poderes. Criaturas como o Abominável e o Líder são apenas alguns exemplos dos resultados de experimentos mal conduzidos com radiação gama.

Em 2008 mais uma criatura criada a partir dos raios gama fez sua estreia, o Hulk Vermelho. Escrito por Jeph Loeb e com a arte de Ed McGuinness, a nova série foi um sucesso com os fãs, principalmente o mistério que circulava em volta de seu alter ego humano, quem seria o homem por trás do Hulk Vermelho? A resposta veio dois anos depois do início da série, na edição vinte e dois, quando é revelado que a criatura é ninguém menos que um dos maiores oponentes do Hulk, General “Thunderbolt” Ross.

O roteiro de Jeff Parker e Gabriel Hardman é bem amarrado, mostrando constantemente o modo como os heróis tratam o General Ross, sempre com um pé atrás, muitos deles que ainda não sabem da nova posição do general sequer dialogam e já chegam atacando o Hulk Vermelho, irritando-o e trazendo-o ao limite. Os traços de Ed McGuinness é outro destaque, sua arte é sempre direta e detalhada, traços fortes e expressões marcantes.

O Hulk Vermelho, ou General Ross, agora luta ao lado de Bruce Banner, que outrora fora seu inimigo, mas que agora não passa de um desafeto. Antes disso Ross perdeu tudo quando o Hulk forjou sua morte, ele não poderia mais retornar a sua vida normal, ainda por cima, foi aprisionado na Base Gama, que fica no Vale da Morte, no estado de Nevada. Ficou aprisionado até ceder e colaborar com os super-heróis, levou um bom tempo até Ross perceber que não adiantava resistir e guardar rancor, pois ele só veria a luz do sol, quando Banner e os demais percebessem que ele estava pronto para mudar.

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Quando o Hulk Vermelho estava finalmente disposto a se tornar um herói, foi solto, com a condição de obedecer as ordens sem questionamentos. Assim que sai de sua cela, ele recebe todas as informações sobre sua primeira missão, Ross combaterá o projeto Terra Arrasada, um plano arquitetado por MODOC e o Líder para o caso de serem mortos ou derrotados. O projeto tem como objetivo destruir o mundo, já que eles não podiam conquistá-lo. Dessa forma Ross parte em sua primeira missão oficial.

Ao mesmo tempo, Rick Jones, ou Bomba-A, se dirige ao oceano pacífico, deve impedir que uma criatura gigantesca se aproxime da cidade de San Diego. Ele está conectado a Bruce Banner, que está guiando-o durante seu combate colossal. Rick sofre, mas derrota a criatura, em seguida recebe ordens para segui-la até seu ponto de origem. Conseguirão os heróis gama impedir o projeto Terra Arrasada? Ou será que MODOC e o Líder conseguirão atingir seus objetivos?

Hulk Terra Arrasada é uma ótima HQ, boa em todos os aspectos, a ação é constante e os problemas que Ross é obrigado a enfrentar, mostra o quão difícil será sua jornada para ser aceito por Banner e seus companheiros. Uma HQ recomendada a todos os fãs do golias verde, e a todos que simplesmente estão a procura de uma boa leitura.

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Consciência Negra: onde estão os protagonistas negros na literatura infanto-juvenil?

Estamos no dia 30 de novembro e o mês da consciência negra mais uma vez termina. A equipe do Beco Literário passou esse mês pesquisando as mais famosas sagas da literatura infanto-juvenil e percebemos que nelas não há um negro protagonista, por esse motivo decidimos problematizar a questão.

É inegável que muitas crianças nascidas a partir de 1970 aprenderam a ler com os gibis, afinal era isso que líamos nas cartinhas dos leitores à turminha de quatro amigos do bairro do Limoeiro. Quantos deles eram negros? E quais personagens secundários que, eventualmente, ganharam suas próprias coleções de histórias em revistas a parte eram negros? Nos contos infantis de Monteiro Lobato, os negros eram retratados como animais e Tia Nastácia era referida como “a negra de estimação”.

Harry, Bela, Percy, Katniss, Thomas, Tris e a lista continua. Os negros estavam presentes? Sim, como personagens secundários. É impactante perceber que, durante nossa formação, pouca foi a representatividade na literatura. Gramsci, um filósofo italiano, estudou o entretenimento como forma de educar a sociedade e combater o senso comum, de que forma então nosso entretenimento mais significativo, que é o mundo fictício em páginas, tem sido inclusivo?

Foi nesse debate que reconhecemos Hugo, ou Idá Aláàfin, de A Arma Escarlate, da escritora carioca Renata Ventura. A narrativa conta a história de um garoto de 13 anos, morador da favela de Santa Marta no Rio de Janeiro e que é negro, de olhos verdes e cabelos crespos que foge de ameaças do chefe do tráfego da favela onde mora e passa a desenvolver suas habilidades como bruxo. Além de ser diferente de outros protagonistas quanto a aparência, Kemen Wellisson, redator do Beco Literário e fã de A Arma Escarlate, o descreve como o oposto dos protagonistas de grandes sagas por sua origem que o forçou a se esforçar para alcançar seus objetivos, tornando Hugo um pouco desconfiado, inconsequente e egoísta.

A atitude traiçoeira, no entanto, não impede de Hugo ser descriminado por sua cor e origem, problema enfrentado por inúmeros jovens no Brasil. Kemen, entende tal papel dado à Hugo como um avanço na representação dos personagens negros que, ao menos nos últimos anos, ganharam espaço como personagens secundários já que sempre estiveram à margem da literatura: “A Arma Escarlate se passa no Rio e isso ressalta essa diferença da forma como são retratados. Acho que por ser um livro brasileiro é bem maior a quantidade de personagens negros nele, algo que não vemos em Harry Potter por exemplo (mesmo com a mudança realizada na peça onde vemos uma Hermione negra). Apesar de o Brasil ainda ser um país racista, é mais provável você encontrar personagens negros nos nossos livros, do que em livros norte-americanos.”

“A Arma Escarlate é um livro incrível que realmente me marcou bastante. Teve momentos em que determinado personagem me magoou tanto com determinada atitude que eu tive que passar uma semana sem olhar para o livro, e isso não é ruim, só nos mostra como os sentimentos são totalmente abalados ao ler esse livro. A Renata trouxe conflitos do nosso dia a dia, como tráfico de drogas, por exemplo, e os colocou dentro de um universo mágico onde nunca imaginaríamos que isso fosse chegar. O Hugo é um personagem singular, ele não é o garoto perfeito que lutará contra tudo para salvar seus amigos, ele não é “O Eleito”, o Hugo é um garoto egoísta, mas não por ser mal. Ele é egoísta porque cresceu em uma favela onde tudo é difícil e ele tem que se virar para não morrer a cada dia que decidi sair de casa para ir para a escola.” Kemen Wellisson

E, a partir de Hugo, concluímos que a literatura brasileira traz mais personagens negros que os grandes sucessos internacionais em infanto-juvenil e nomes como Machado de Assis ou Chimamanda Ngozi são poderosos na literatura nacional. Ainda assim, num país em que 53% da população é negra, o número de protagonistas negros só reflete a falta de representação da raça.

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04 dicas para quem busca inspiração para escrever

Conseguir inspiração para escrever é uma tarefa difícil para qualquer escritor. Pessoalmente acredito que escrever requer muito mais consciência do que faíscas de inspiração. O que chamo de inspiração neste texto, portanto, é apenas potencial material para a sua escrita. Sem mais delongas, vamos às dicas.

1. Tenha a mente aberta.

Faça uma autoanálise agora. Quais são os seus preconceitos no que tange às artes? Você detesta os livros clássicos? A audição de uma canção de um gênero que você desconsidera é capaz de lhe causar urticária? Assistir a um filme cult é uma tortura para você? Olhar um quadro de um artista abstrato é o maior exercício de tédio que você conhece?

Se você respondeu sim a alguma das perguntas acima, você tem a mente fechada para pelo menos uma forma de expressão de um veículo crucial, a arte. Se se recusa a ler os clássicos, por exemplo, você está jogando fora uma infinidade de temas que poderiam ser aproveitados nos seus textos, por mais diferentes dos clássicos que eles sejam. Se você se recusa a ver um filme pela primeira vez por qualquer preconceito você está literalmente jogando fora dezenas de cenas que poderiam inspirar boas descrições para os seus livros.

Sendo bastante direto: não limite o seu gosto. Experimente obras de arte fora da sua zona de conforto.

2.Tenha um método de leitura.

Não leia meramente por diversão o tempo todo. Não se prive de leituras divertidas, mas não negue a tarefa de analisar um livro minuciosamente sempre que puder. Leia devagar, leia em voz alta, pense em cada frase, guarde cada cena. Analise o estilo do autor. O que faz com que Machado de Assis e Clarice Lispector sejam tão diferentes? Você não precisa saber responder essa pergunta com a autoridade de um especialista em literatura, basta que você saiba, por exemplo, se um determinado parágrafo pertence a um ou outro autor quando o ler. Quando for capaz de fazer isso você terá se tornado um leitor sério.

3.Analise a si mesmo.

Reserve algum tempo do seu dia para pensar sobre você. Eu amo aquela pessoa ou sinto apenas uma atração efêmera? Quanto a minha convivência com outras pessoas afeta a minha personalidade? O que eu realmente quero para mim? Poucas pessoas pensam de fato em perguntas simples como essas. Elas podem parecer complicadas de início, mas, à medida que você exercita a sua capacidade de autoconsciência, elas se tornam tão simples quanto uma soma de números naturais. E, é claro, o quanto mais avançado você estiver nessa faculdade, mais fácil será observar a realidade como um todo.

4.Analise a sua realidade.

Sei que as suas questões íntimas parecem fúteis se comparadas às dos personagens que você ama; que os seus conhecidos, por sua vez, parecem banais demais para figurar num livro; e que o seu cotidiano parece tão entediante que você não acredita que alguém tenha paciência para lê-lo.

Todas essas impressões são falsas. A realidade é uma fonte de inspiração rica em qualquer lugar. Pode ser que algum russo nascido no século dezenove aspirante a escritor achasse sua vida anormalmente desinteressante. Não ouvimos falar desse sujeito, tanto que nem temos a sua existência como certa. Temos, porém, um nome bastante conhecido: Liev Tolstói, nascido na mesma época e no mesmo país que o nosso escritor imaginário, que nos presenteou com algumas das maiores pérolas da literatura universal. Portanto, esqueça a síndrome de vira-lata e ponha vida na sua obra.

Espero que tenha feito você pensar. Comece a exercitar a sua sensibilidade. Tenho certeza de que isso lhe trará frutos. Até o próximo post!

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04 dicas para quem quer começar a escrever

Há um tempo, depois de algumas mudanças na vida, redescobri em mim a necessidade de escrever. Como a faculdade  tinha terminado e todas as possibilidades estavam em aberto, resolvi tentar me dedicar um pouco a isso, à escrita. Comecei a procurar coisas que pudessem ajudar, não só com dicas, mas também com encorajamento, e agora divido algumas delas com vocês, leitores do Beco. Talvez essas referências ajudem a dar os primeiros passos na escrita; de qualquer forma, tenho certeza de que não vão atrapalhar.

1) AntiCast

A primeira dica é o AntiCast, um site que abriga vários podcasts interessantes. O primeiro que ouvi foi o “3 páginas”, onde os participantes lêem e comentam textos enviados pelos ouvintes. Além dele, você pode encontrar no site podcasts sobre filosofia, design, análise de filmes, entrevistas, discussões quanto aos acontecimentos no mundo da política e da arte, entre outros. Conhecer a técnica é importante, mas é preciso conhecer também os conteúdos, e lá você consegue um pouco dos dois.

2) Sobre a Escrita, de Stephen King

Esse livro é curto e muito interessante. A primeira parte é uma autobiografia, uma leitura bem tranquila que mostra a trajetória que levou King a se tornar um escritor. Ver um cara com uma carreira tão consolidada passando por dificuldades similares às de muitos de nós, é aquele tapinha nas costas que todos precisamos na hora do desespero. É como se ele dissesse “cara, não existe milagre. Se você precisa escrever, escreva! E chega de drama!”. A segunda parte dá algumas dicas quanto ao processo de escrita que vão desde a gramática até a fase de venda do seu trabalho. Apesar de o livro fazer mais sentido na realidade estadunidense dos anos 2000, ainda tem MUITO a oferecer.

3) Medium

Ah, que descoberta maravilhosa foi o Medium! Ele é uma plataforma na qual você pode criar um perfil que funciona como um blog, onde publica seus textos, fotos, HQ’s, entre outros; pode também “seguir” pessoas ou publicações, que são como revistas eletrônicas – lá tem várias ótimas em português. Mas o mais interessante do Medium, para mim, é a rede que ele proporciona. Tem muita coisa, de todo o tipo: crônicas, jornalismo, poesia, ficção… Dá para trocar informação com muita gente que está ou esteve em situação parecida em relação à escrita, além de ter acesso a mais fontes de informação, para além da mídia tradicional. Façam um perfil e dêem uma olhada, acho que vão gostar!

4) BecoClub

Uma das dicas que você verá em Sobre a Escrita é a importância de ler tudo que você puder, dos clássicos às novidades. Até mesmo um livro ruim, como coloca King, pode te ensinar muito do que não fazer, afinal, quando a gente lê bastante fica mais fácil identificar um diálogo meio forçado, uma descrição exagerada ou um personagem fraco demais e, assim, não cometer tais erros. O mesmo vale para não-ficção: ainda que seu desejo seja escrever na área do jornalismo, o ritmo de escrita e as formas de abordar um tema são essenciais. Por isso indico o BecoClub. É fácil encontrar dicas quanto aos livros clássicos, e é INDISPENSÁVEL lê-los. Mas quando se trata das novidades, que são muitas, fica mais difícil escolher, e é comum que, sem saber o que ler, acabemos por não ler nada. O BecoClub te envia mensalmente um livro, marcadores, revista e brindes, dando um empurrãozinho para que você não passe nem um mês sem ler um novo livro. Mas se a grana está curta, uma forma de conhecer esses livros é ler as resenhas que postamos aqui; assim você pode ter uma noção de seus conteúdos e escolher o que mais chamar a atenção.

Como bônus, dou um último conselho, que é algo que tenho dito constantemente a mim mesma: desligue a tv! Não digo isso em relação a filmes, documentários ou boas séries. Mas sabe aquele costume de ligar a tv aleatoriamente, só para esperar o tempo passar? Esse costume consome um tempo em que poderíamos estar lendo, vendo um filme interessante, ESCREVENDO ou mesmo “curtindo” um momento de solidão, desses que podem nos fazer repensar a vida ou, pelo menos, descansar o cérebro.

É isso. Boa caminhada para nós. Se quiser trocar uma ideia, comenta aqui e procura a gente nas redes sociais!

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Resenha: Terra das Sombras, Andy Diggle & Billy Tan

“A batalha pela alma de um herói começa. Maculado pelo clã ninha Tentáculo, o Demolidor abriu mão de seus princípios para trilhar um caminho mais sinistro – que pode muito bem acabar em desastre para a Cozinha do Inferno. Com Homem-Aranha, Motoqueiro Fantasma, Justiceiro, Punho de Ferro, Luke Cage e outros heróis lutando para salvar a cidade, pode o Homem Sem Medo encontrar uma maneira de impedir a própria queda nas trevas, ou sua alma está perdida para sempre?”

Desde a HQ, A Queda de Murdock de Frank Miller, as raízes católicas do Demolidor se tornaram parte integral de suas aventuras. Assim, pecado e redenção se tornaram temas corriqueiros em seus roteiros, e embora Matt já tenha saído em busca de sua alma em diversas ocasiões, ele nunca teve que literalmente lutar para salvá-la.

Andy Diggle Faz um grande trabalho em Terra das Sombras. Quando começou a escrever a série, o Demolidor se encontrava em um momento estranho, pois acabará de se tornar o líder do Tentáculo, um clã que sempre o infernizou. Matt aceitou se tornar o líder com a esperança de fazer com que os ninjas do Tentáculo lutassem por uma causa mais nobre. Com isso em mente, Andy teve uma grande sacada, Murdock tinha um plano de mudar o Tentáculo, mas graças a Diggle, quem realmente mudou foi o próprio Demolidor.

A arte de Billy Tan possui um grande papel na HQ, seus traços e sombreamento fortes combinam perfeitamente com o clima criado por Andy Diggle. As expressões desenhadas por Tan também transmitem toda a tensão que se desenrola em meio as páginas.

Matt Murdock, o Demolidor, é agora o líder do Tentáculo, e com esse novo poder, ele construiu um castelo no meio da Cozinha do Inferno, o local é conhecido como a Terra das Sombras. De seu castelo, Matt comanda os ninjas do Tentáculo, ordenando-os a enfrentar qualquer mal que invada sua região, mas ultimamente, até mesmo os que discordam com Murdock tem sofrido ataques severos. Em meio a essa confusão, o Mercenário consegue escapar das autoridades, e retorna para Nova Iorque para enfrentar seu nêmesis.

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Quando o Demolidor e o Mercenário se encontram, uma grande batalha tem início. Matt acredita que seus ninjas são capazes de enfrentar o inimigo sozinhos, mas não demora muito para o Mercenário provar que os capangas do Tentáculo não passam de peões, sendo assim, o próprio Demolidor decide enfrentar o vilão. Enquanto a batalha ocorre, Punho de Ferro e Luke Cage se aproximam para dialogar com Matt, afinal, o Demolidor tem mudado, e isso tem afetado a Cozinha do Inferno. Ao perceberem a batalha entre Murdock e Mercenário, Cage e o Punho de Ferro oferecem ajuda, mas são rechaçados pelo Demolidor. Sem escolha, eles apenas assistem ao combate.

Enquanto presenciam a batalha entre Matt Murdock e Mercenário, eles percebem algo de diferente, o Demolidor não está se contendo nem um pouco. Normalmente o herói enfrentava o Mercenário, e encontrava meios para neutralizá-lo, mas agora, está diferente. No ápice do combate acontece o inesperado, Matt quebra os dois braços de seu arqui-inimigo, o Mercenário encara a cena chocado, o Demolidor jamais fora tão violento. De longe, Luke e Punho de Ferro observam, torcendo para que o pior não se concretize, mas acontece, a moralidade de Matt fora corrompida, sem hesitar ele apunhá-la o Mercenário, matando-o a sangue frio. Agora só resta aos seus amigos tentar resgatar o antigo Matt Murdock, mas será que eles conseguirão derrotar o líder do Tentáculo? Ou ainda mais importante, será possível salvar a sua alma?

Terra das Sombras é uma HQ com um clima sombrio, pois o Tentáculo corrompeu o Demolidor, e em meio a esse cenário distorcido, o mal consegue se espalhar de forma natural. Seus amigos lutarão para salvá-lo, e seus inimigos lutarão para tomar o seu lugar, tudo isso acaba gerando um conflito a cada página. Andy criou uma história repleta de ação, onde ocorre uma troca de papéis, o Demolidor é agora o vilão, e o que outrora era vilão, acaba por se tornar vítima. Uma HQ altamente recomendada.

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Os 10 Melhores Poemas da História (parte 2)

Estou de volta com a segunda parte da minha pretensiosa lista. O leitor há de decifrar o meu gosto particular e deduzir os limites do meu conhecimento de poesia principalmente nesta segunda parte. Sem mais delongas, vamos a ela.

5. Poema de Sete Faces, de Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

Uma confissão memorável da fraqueza do ser humano. A inteligência poética de Drummond é bastante notável nesse poema.

4. Timidez, de Cecília Meireles

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve. . .

Resistência do eu lírico em confessar o seu amor à pessoa amada. Não se sabe se algum dia a pessoa notará ser objeto de afeição da poetisa. Só se tem certeza de que o tempo – a única coisa certa – há de pôr fim à existência de quem ama.

3. Canção do Exílio, de Gonçalves Dias

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem que ainda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Memorável retrato do sentimento de um exilado. Talvez um clichê, mas pela importância histórica, pela beleza dos seus versos e pelo patriotismo do autor deste texto, mereceu um lugar nesta lista.

2. Amor é fogo que arde sem se ver, de Luís de Camões

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;

Soneto do grande poeta da língua portuguesa sobre as contradições do amor.

1. A Divina Comédia, de Dante

 

Acabara o ladrão, e, ao ar erguendo

as mãos em figa, deste modo brada:

“Olha, Deus, para ti o estou fazendo!”

E desde então me foi a serpe amada

pois uma vi que o colo lhe prendia,

como a dizer: “não falarás mais nada”.

Outra os braços na frente lhe cingia

com tantas voltas e de tal maneira

que ele fazer um gesto não podia.

Ah! Pistóia, porque numa fogueira

não ardes tu, se a mais e mais impuros,

teus filhos vão nessa moral carreira?

Poema épico que narra a imaginária passagem de Dante pelo Inferno e pelo Purgatório até chegar ao Paraíso. As geniais alegorias tornam o poema atemporal.

Encerro aqui a minha módica lista. O leitor pode encara-la como um incentivo e um guia para adentrar no maravilhoso universo da poesia. Uma ótima leitura a todos.