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Resenha: Ninguém nasce herói, Eric Novello

Num futuro em que o Brasil é liderado por um fundamentalista religioso, o Escolhido, o simples ato de distribuir livros na rua é visto como rebeldia. Esse foi o jeito que Chuvisco encontrou para resistir e tentar mudar a sua realidade, um pouquinho que seja: ele e os amigos entregam exemplares proibidos pelo governo a quem passa pela praça Roosevelt, no centro de São Paulo, sempre atentos para o caso de algum policial aparecer. Outro perigo que precisam enfrentar enquanto tentam viver sua juventude são as milícias urbanas, como a Guarda Branca: seus integrantes perseguem diversas minorias, incentivados pelo governo. É esse grupo que Chuvisco encontra espancando um garoto nos arredores da rua Augusta. A situação obriga o jovem a agir como um verdadeiro super-herói para tentar ajudá-lo – e esse é só o começo. Aos poucos, Chuvisco percebe que terá de fazer mais do que apenas distribuir livros se quiser mudar seu futuro e o do país.

O Beco Literário foi convidado pela Editora Seguinte, pela primeira vez, a ler um livro antes de sua publicação original. Ninguém nasce herói, de Eric Novello, autor brasileiro que possui outros títulos como “Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues” e “Neon Azul”, marcados pela fantasia.

Confesso que não conhecia o autor antes de receber o manuscrito para leitura, que no release já indicaba ser uma distopia young adult, mas que se passa em São Paulo. Opa, distopias são comigo mesmo.

Logo de início, já somos ambientados na história, onde o país enfrenta um regime ditatorial de um presidente chamado de O Escolhido, que se baseia no autoritarismo, fundamentalismo religioso e se me permite, um tanto de “anarquia controlada”, onde pessoas que defendem a “direita”, podem fazer como bem entenderem sob os capuzes da guarda branca.

Eu nunca havia lido uma distopia que se passa em locais conhecidos, já que muitos dos cenários que o livro mostra, eu já havia passado e conheço de longa data. É um pouco assustador, e ainda faz aquela conexão tênue (ou não) com a realidade política atual do Brasil. É um tanto impossível não ler certas passagens e pensar, “car*lho, estamos caminhando para isso.”

Nós conhecemos a história do ponto de vista de Chuvisco, o personagem que sofre com suas Catarses Criativas, que diga-se de passagem deram um ponto fantasioso a história com maestria, posso opinar com meu breve conhecimento de um semestre em Psicologia e seus amigos que entre um copo de chope e outro, tentam driblar o regime d’O Escolhido. As cenas são entrepostas durante as partes que considerei de maior ação e te deixa com um ponto de interrogação no início mas que logo é dissipado para dentro do olhar do garoto. O autor consegue te fazer sentir, como é experimentar do que o protagonista está vivendo.

Além dele, temos os personagens secundários (se é que seria justo chama-los assim), muito bem desenvolvidos e com suas tramas pessoais paralelas a trama principal muito bem desenvolvidas. É aquele tipo de livro que você percebe que o autor conhece sobre cada um que está escrevendo, não foi só tinta jogada no papel. O grupo de amigos de Chuvisco são um sonho para qualquer pessoa. Encaram muitos assuntos que a sociedade considera tabu, de uma forma bem aberta, como a sexualidade, o fato de um já ter sido apaixonado ou já ter ficado com o outro… E isso torna a história ainda mais verossímil.

Não é um livro de todo leve, porque assuntos como política, fundamentalismo religioso, sexualidade e até mesmo as batalhas travadas pelos jovens são impossíveis de ser tratados com leveza, por maior que seja a sutileza abordada. Ao meu ver, é uma crítica a nossa realidade no estilo Raphael Montes de ser: exacerbando alguns pontos para que olhemos e pensemos “como nunca percebi isso antes?

Confesso que Chuvisco me cansou em alguns pontos mas que foram facilmente compensados por outros com grande carga de conteúdo impactante que faz pensar e formar uma opinião. Acho que inclusive irei indicar esse livro para o meu professor de Filosofia do colégio, precisamos de mais adolescentes como Chuvisco, Amanda, Cael, Gabi e Pedro por aí, lutando pelos seus ideais sem se deixar abafar pelo ego e pelas artimanhas dos interesses midiáticos dos dias de hoje.

Depois dessa leitura, quero incorporar o protagonista e sair distribuindo exemplares dele na rua para que as pessoas pensem que independentemente de quão loucas sejam as ideias de quem está no poder, sempre haverão adeptos e apoiadores. Aquele ditado “cada louco com as suas loucuras” nunca foi tão falso já que cada louco, com certeza atrai adeptos para suas loucuras

Atualizações, Livros, Resenhas

Resenha – O círculo, de Dave Eggers

Imagine viver em um mundo onde as pessoas se importam mais em registrar os momentos de sua vida ao invés de curti-los. Que o número de ‘likes’ em uma postagem seja mais relevante que o conteúdo da mensagem passada. Que o número de seguidores em uma rede social decida se você é ou não importante para os outros. Apesar de parecer que me refiro á um indivíduo em particular ou à uma determinada forma de estilo de vida atual, isso tudo é parte do universo do livro O Círculo, de Dave Eggers. Lançado no Brasil no começo de 2014, o mundo contado nesse romance sci-fi nunca foi tão próximo da vida real quanto é agora.

O livro conta a história de Mae Holland, uma jovem mulher, que até então, era uma funcionária pública e pouco ligava para seu perfil nas redes sociais. Tudo isso muda quando ela consegue uma indicação para trabalhar na gigantesca Círculo, localizada no Vale do Sílício onde todos almejam trabalhar. No começo associamos a imagem da empresa diretamente ao Google mas ao decorrer da história é notável que se trata muito mais do que isso: é o Google, Facebook, Periscope, Paypal, Twitter, Medium e mais um conglomerados de site em uma única empresa, causando um quase monopólio virtual. Não bastasse todo esse domínio online, a empresa ainda produz inúmeros gadgets que podem te ajudar a manter um acompanhamento diário da sua saúde a até mesmo registrar todos (quando eu digo todos eu me refiro a todos mesmo) os momentos de sua vida.

Para conseguir ascensão no novo emprego, Mae precisa que sua presença online seja mais impactante e que ela consiga atrair um número maior de seguidores: é aqui que a história começa. Para atrair mais pessoas em suas redes, Mae se torna uma mulher transparente, ou seja, ela transmite tudo sobre sua vida ao vivo para qualquer usuário do mundo, sendo daquelas pessoas que curte e comenta o status de todos seus amigos e está sempre online para interagir com eles; Caso ela não compartilhe algo de sua vida pessoal ou fique por fora de algum acontecimento que ocorre pela rede (algo como “não conhecer o meme do momento”) ela é repudiada por seus chefes. Fora isso, também utiliza os serviços que a empresa oferece para melhorar sua vida: compras on-line, reabastecimento automático de mantimentos para sua casa, monitoramento 24hrs da casa de seus pais e os mais variados tipos de serviços que te tornam refém de uma única empresa.

Ao decorrer do livro, é notável a alienação e lavagem cerebral pela qual passamos diariamente e sem perceber. O ex-namorado de Mae não a reconhece mais pouco tempo depois que a moça embarca nesta jornada profissional e tenta trazer ela de volta ao mundo off-line, porém uma vez que você começa a fazer parte disso é complicado sair.

Segredos são mentiras

Compartilhar é cuidar

Privacidade é roubo

Por que esse livro DEVE nos chamar a atenção?

Basicamente, ao fim do livro você se faz a seguinte pergunta: até onde temos direito de privacidade?

Compartilhamos coisas pessoais todos os demais com diversos desconhecidos e não sabemos o destino final dessas mensagens. Será que isso vai me prejudicar futuramente? Qual o limite disso tudo?

Hoje temos diversos dados nossos numa nuvem. Fotos, mensagens, áudios, arquivos pessoais. Estamos a mercê de algo, de alguém, mas de quem? Do que?

O Círculo tem uma narrativa bem preguiçosa. O livro é extenso e o que me fez ir até o fim foi seu excelente plot. A personagem não é das mais cativantes e diversos momentos dela sozinha, que dariam ótimos momentos para uma auto-reflexão, se tornam completamente desnecessários já que não contribuem com o seguimento da história. Apesar disso, não deixa de ser uma leitura extremamente recomendada para todos nós que estamos neste universo, acompanhando suas inovações e usando ferramentas cada vez mais sem limites.

Resenhas

Vlog: Jantar Secreto com o Raphael Montes

Se você procura um livro para sofrer, pensar e ainda sentir um pouco de medo, nós temos uma indicação: Jantar Secreto, do Raphael Montes. Sangrento, visceral e bem denso, o livro trata de canibalismo, faculdade e outros temas bem próximos dos jovens de hoje em dia. Olha só a resenha no nosso canal do Youtube:

E aí, você já leu? O que achou?

Colunas, Livros

Especial dia dos namorados: 5 livros melosinhos para entrar no clima

Hoje, dia dos namorados, é o dia do romance, do amor, do chocolate, do filminho água com açúcar para curtir agarradinho e, por que não, dos livros. Sim, para entrar no clima desse dia cut cut, o Beco traz 5 dicas de livros beeeem românticos para você entrar no clima e sair distribuindo coraçõezinhos por aí.

1 – Como eu era antes de você, Jojo Moyes

Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Trabalha como garçonete num café, um emprego que não paga muito, mas ajuda nas despesas, e namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe.

Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Tudo parece pequeno e sem graça para ele, que sabe exatamente como dar um fim a esse sentimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro.

2 – Apenas um dia, Gayle Forman

A vida de Allyson Healey é exatamente igual a sua mala de viagem: organizada, planejada, sistematizada. Então, no último dia do seu curso de extensão na Europa, depois de três semanas de dedicação integral, ela conhece Willem. De espírito livre, o ator sem destino certo é tudo o que Allyson não é. Willem a convida para adiar seus próximos compromissos e ir com ele para Paris. E Allyson aceita. Essa decisão inesperada a impulsiona para um dia de riscos, de romance, de liberdade, de intimidade: 24 horas que irão transformar a sua vida.
‘Apenas um Dia’ fala de amor, mágoa, viagem, identidade e sobre os acidentes provocados pelo destino, mostrando que, às vezes, para nos encontrarmos, precisamos nos perder primeiro… Muito do que procuramos está bem mais perto do que pensamos.

3 – Um homem de sorte, Nicholas Sparks

Logan é um jovem que esteve no Iraque com as forças dos Estados Unidos. Em um dia de treinamento ele encontra, no meio do deserto, uma foto de uma garota loira e linda. De início ele coloca aquela foto no mural para que o dono a encontre novamente. Mas passa algum tempo e ninguém a tira de lá, então, ele resolve tira-la de lá e guarda-la com ele. Após sobreviver a vários atentados e bombas e após vários jogos ganhos, Victor, seu amigo e também fuzileiro, tenta convencê-lo de que essa sorte sem tamanho tem vindo daquela foto. Ele era um homem de sorte graças àquela garota, graças àquela foto. Após cinco anos, seguindo o conselho de Victor, ele resolve sair em busca da garota da foto. Ele devia um obrigado a ela. Afinal, graças àquela foto, ele estava vivo até aquele dia. Porém a única pista que ele tinha era uma dedicatória atrás da foto com a inicial ‘E.’. Após várias procuras na própria foto Logan consegue imaginar onde ‘E.’ estaria. E foi então que ele resolveu rodar os Estados Unidos inteiro à pé com seu fiel amigo Zeus, um pastor alemão.

4 – Meu romeu, Leisa Rayven

Cassie está prestes a realizar o grande sonho – estrelar um espetáculo na Broadway. O que ela não esperava era ter que enfrentar o reencontro com o ex-namorado, que será novamente protagonista ao seu lado, em uma peça cheia de romance e cenas quentes. Trabalhar com Ethan traz o passado à tona, e lembra a Cassie que o que existe entre eles vai muito além de simples química.

5 – Eleanor & Park, Rainbow Rowell

Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

 

Livros

Pais agressivos em “Caraval”, a nova aposta da Novo Conceito

Há um forte consenso quanto ao papel dos pais no modo que as crianças se desenvolvem, definem seus padrões e condutas morais. Por esse motivo, quando os pais são violentos, estes se tornam fundamentalmente responsáveis por danos que podem perdurar a vida inteira.

No livro Caraval, best-seller de estreia da autora norte-americana Stephanie Garber que chega ao Brasil com exclusividade pela Editora Novo Conceito, Scarlett, personagem principal da obra sofre com um pai abusivo.

“Scarlett sentiu a mão enluvada segurá-la no braço. No momento seguinte, a cabeça dela virou; cada centímetro do couro cabeludo ardeu quando o pai a agarrou pelos cabelos […] Sufocou um gemido, uma lágrima dolorosa escorrendo por seu rosto. Com o pescoço assim inclinado, não conseguia ver o pai, mas podia imaginar a expressão doentia no rosto dele.

A situação só tendia a piorar. […] Scarlett caiu de joelhos e o ar fugiu de seus pulmões. A visão escure­ceu quando ela foi ao chão. Podia apenas sentir a dor, o eco dos punhos do pai e a terra manchando suas mãos enquanto lutava para se erguer.” (p. 247).

Um levantamento das denúncias de maus tratos contra crianças e adolescentes, realizado pela última vez em 2014 e divulgado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos do Governo Federal, revela que a cada dez minutos uma criança é vítima de violência no Brasil.  Ainda segundo a pesquisa, mais de 150 mil crianças e adolescentes são vítimas de algum tipo de violência todos os anos.

É válido lembrar que o termo violência está em sua maioria associado à agressão física, no entanto, é importante não esquecer que palavras e atitudes podem ser tão nocivas quanto um tapa.

A violência, seja física ou psicológica, é algo terrível para os que a vivenciam e não deve ser ignorada. Em caso de qualquer tipo de perturbação, não se cale, denuncie!

A obra Caraval já está disponível em uma edição em capa dura exclusiva para pré-venda no site da Livraria Saraiva.

Confira o Booktrailer abaixo:

Livros, Resenhas

Resenha: Simplesmente Amor, Helena Andrade

Simplesmente Amor. Um amor que nem mesmo a perda da memória foi capaz de apagar.

Imagine encontrar o amor verdadeiro, vivenciá-lo em sua plenitude e depois perdê-lo nas entranhas da mente. Ao realizar uma viagem de férias à Europa, Alicia vive momentos que não só podem mudar seu futuro, mas também lhe trazem revelações do passado. Quando retorna ao Brasil, um acidente a coloca entre a vida e a morte, tendo como consequência a perda das lembranças. Sem consciência de suas experiências, ela retoma sua vida, casa com o antigo namorado e deixa o acaso conduzi-la. Porém, seu corpo começa a mostrar-lhe que existem mistérios por trás da amnésia, algo tão profundo que nem mesmo a perda da memória foi capaz de apagar.

Uma viagem inesquecível, um acidente, perda de memória, essa é receita perfeita!

A protagonista, Alicia está de volta da sua viagem de férias em Londres, cheia de novidades para contar. Quando um acidente muda completamente sua vida. Ela descobre que perdera sua memória recente e não se recorda nada sobre a viagem. Nem sobre o término com o namorado antes de embarcar. Se não bastasse isso, ela recebe uma notícia que vira sua vida de cabeça para baixo. No calor do momento, e por não se lembrar do término, ela aceita se casar com o ex-namorado Caio. E se vê tentando lidar com as lacunas que a falta de memória deixou, com o casamento repentino, com as mudanças na sua vida.

O tempo passa e Alicia percebe que não existem mais sentimentos entre ela e Caio, que cada dia estão mais distantes e infelizes. O sentimento de vazio, de que alguma coisa está faltando a persegue desde do acidente. A separação acontece e ela se vê tendo uma nova chance para recomeçar. Consegue um outro emprego e as coisas começam a dar certo. E num final de semana, em uma viagem a trabalho, seu caminho se cruza com o de Miguel e alguma coisa nela muda. Várias dúvidas, sensações, sentimentos vem à tona e ela se vê mais uma vez enfrentado mudanças e dilemas em sua vida.

Por que magoamos as pessoas que amamos? Será que é por que somos imperfeitos? Ou por julgarmos estar fazendo o melhor? O que sei é que ao buscarmos proteger o outro, também causamos sofrimento, ainda que não tenhamos intenção.

A escritora leva a história de uma forma atraente, sensível e bem romântica. O mistério no começo deu um ritmo ótimo a trama, o fato de nem o leitor saber o que aconteceu em Londres, criou uma empatia com Alicia, o sofrimento por não saber o que aconteceu, foi mútuo até o final. Todos personagens, desde os protagonistas aos secundários, são muito bem desenvolvidos, a leitura é suave e envolvente. O romance, as cenas românticas são definidas pelo título do livro, são simplesmente amor.

Tinha que admitir que algumas escolhas, por mais corretas que pudessem parecer, nem sempre nos levavam ao melhor caminho.

Alicia é uma mulher forte, consciente, uma profissional bem sucedida, apesar de ter vivido tantos altos e baixos. É aquela personagem que a gente se identifica. Ela se torna uma mãe maravilhosa,  mas seu único fracasso é o lado amoroso. Uma parte que gostei muito foram os pais de Alicia, que são um grande exemplo de casamento, de família e estão sempre por perto e são sempre muito compreensivos com ela.

O vazio em minha mente tornou-se o vazio em meu coração.

A mensagem mais importante do livro é sobre o Amor, de um modo geral, pela família, pelo amigos, pela vida. O amor é o que salvou a personagem, de todas essas maneiras, em vários momentos.

Para os apaixonados de plantão Simplesmente Amor  é “o” livro. Daqueles que nos restaura a fé no amor, que faz acreditar no destino e em segundas chances. Ele mostra que quando duas pessoas decidem lutar por um sentimento, a realidade é muito melhor que os contos de fadas.

Lembranças podem ser perdidas, apagadas mas os sentimentos ficam para sempre!

Obs: Para quem ama embalar sua leitura com música, no final do livro a autora deixou de presente uma playlist. Muito boa por sinal!

Sobreviver em SP
Sobreviver em SP
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Vlog: Dicas de leitura em parceria com o Sobreviver em SP

Estamos um pouco sumidos do Youtube, mas essa semana lançamos um vídeo em parceria com o projeto SobreViver em SP, com dicas de livros bem legais para quem está precisando daquele empurrãozinho para começar algo novo. Quem apresenta é a Stephanie Ramos e a Luiza Marques, que arrasaram nas escolhas. Olha só:

Curtiu? Aproveita e clica aqui para se inscrever no canal SobreViver em SP e aqui para se inscrever no canal do Beco Literário! Também não esquece de deixar seu comentário dizendo o que achou. Caso queira mais matérias com dicas de livros, você pode dar uma olhadinha nessa aqui.

Os livros indicados no vídeo, para quem quer saber mais, mas esqueceu de marcar os nomes:

  1. Só Garotos, Patti Smith
  2. A Sangue Frio, Truman Capote
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Dicas de livros para quem ama histórias sobre animais

Atire a primeira pedra quem nunca se emocionou lendo ou assistindo uma boa história que envolvia animais. Temos que assumir, é praticamente impossível conter nossa afeição por esses seres tão puros e fiéis, e claro, nas livrarias e cinemas eles são sucesso garantido.

Dentre eles, cachorros e gatos  são os mais populares no mundo literário. Sendo assim, preparamos uma lista com dicas de livros para aqueles que não resistem a uma incrível história envolvendo esses bichinhos adoráveis.

1. Marley & Eu

Marley, um cachorrinho muito agitado e brincalhão, é adquirido pela metade do preço por um casal de recém casados. Mesmo pagando valor inferior, o casal não percebe de imediato nenhum problema em seu novo animal de estimação… Até que este começa a transformar a vida dos dois em uma bagunça, destruindo e comendo tudo que vê pela frente. Assim inicia-se essa história, que no decorrer dela faz com que todos se apaixonem pelo jeito divertido e atrapalhado de Marley. Um livro que vai te fazer rir e chorar, na mesma proporção.

2. Um gato de rua chamado BOB

Essa é a história real de James Bowen, um artista de rua e viciado em drogas, que vivia andarilhando por Londres. Um dia, chegando ao prédio onde morava, encontrou um gato alaranjado e ferido. James, instantaneamente sentiu a necessidade de ajuda-lo. A partir de então, os dois começaram uma linda e emocionante jornada, cheia de aprendizagens, reviravoltas e muito, muito companheirismo.

3. Quatro vidas de um cachorro

De forma diferenciada, esse livro é narrado através da perspectiva do próprio cachorro, que vai contando suas experiências e aprendizagens nas diferentes vidas pelas quais vai passando. Com muito humor e analises profundas, o cachorro tem como objetivo descobrir qual sua verdadeira (e mais importante) missão aqui na Terra.

4. Dewey: Um gato entre livros

Depois de ser encontrado em uma caixa de devolução de livros, em uma biblioteca pública da cidade de Spencer, o gatinho Dewey é acolhido pela diretora do local e inicia uma linda história de gratidão e afeto com os moradores da cidade. Aos poucos, cada um que passa pela biblioteca depois da chegada de Dewey, fica fascinado com o carisma e bondade do gatinho, que acaba tornando-se uma celebridade local.

Livros, Resenhas

RESENHA: A ÚLTIMA CAMÉLIA, SARAH JIO

“Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, o último espécime de uma camélia rara, a Middlebury Pink, esconde mentiras e segredos em uma afastada propriedade rural inglesa.

Flora, uma jovem americana, é contratada por um misterioso homem para se infiltrar na Mansão Livingston e conseguir a flor cobiçada. Sua busca é iluminada por um amor e ameaçada pela descoberta de uma série de crimes.

Mais de meio século depois, a paisagista Addison passa a morar na mansão, agora de propriedade da família do marido dela. A paixão por mistérios é alimentada por um jardim de encantadoras camélias e um velho livro

No entanto, as páginas desse livro insinuam atos obscuros, engenhosamente escondidos. Se o perigo com o qual uma vez Flora fora confrontada continua vivo, será que Addison vai compartilhar do mesmo destino?”

A Última Camélia, de Sarah Jio, começa com uma pequena introdução narrada por uma personagem que não mais aparecerá no livro. Ela conta como uma rara camélia foi parar em suas mãos, uma camponesa que cuidava do jardim de uma nobre família inglesa, os Livingston.

Daí em diante o livro é dividido em capítulos intercalados, um narrado por Addison e outro por Flora. Ele segue essa estrutura narrativa até o fim. A primeira a conhecermos é Addison, uma jovem que vive em Nova York nos anos 2000, trabalha como paisagista e é casada há quase um ano com Rex Sinclair, por quem é apaixonada. O primeiro mistério é inserido logo de cara, quando Addison atende o telefonema de um homem de seu passado, que promete desmascará-la à Rex caso não receba uma quantia em dinheiro. Perturbada, Addison (será esse o seu verdadeiro nome?) decide aceitar um pedido do marido, e os dois vão passar algum tempo na Inglaterra, na mansão que a família Sinclair acabara de adquirir. A mansão Livingston.

Em seguida somos apresentados à Flora, uma jovem estadunidense que vive com os pais na Nova York de 1940. Com a padaria da família indo de mal a pior e o pai afundado em dívidas, a garota resolve aceitar a proposta de um vigarista que, sabendo de seus problemas financeiros, a rodeava insistentemente, prometendo uma grande quantia em dinheiro por um pequeno trabalho realizado em território inglês. Apenas no navio é que Flora, uma apaixonada por botânica, descobre qual a sua função: encontrar uma rara flor escondida há muitos anos nos jardins da mansão Livingston. Para isso, a jovem teria que trabalhar como babá das quatro crianças que lá viviam, enquanto procurava em segredo a Middlebury Pink.

O paradeiro da camélia, no entanto, não é o único mistério do livro. Quando Flora chega à mansão, Lady Anna Livingston havia falecido há pouco tempo, e apesar de a garota ser a responsável por cuidar das crianças, nunca ninguém a contava sobre como a tragédia havia acontecido. Lordes misteriosos, empregados que agem de forma estranha, livros com anotações quase indecifráveis… o clima de toda a narrativa é de mistério. E é bastante interessante a forma como as duas personagens principais, Flora e Addison, separadas no tempo por quase 60 anos, se deparam com as mesmas pistas e vão nos guiando dentro do imenso jardim da mansão.

Achei que não fosse gostar do livro quando iniciei a leitura, mas o ritmo que Sarah Jio deu à história é mesmo cativante, principalmente para alguém que, como eu, não consegue desviar o olhar de um mistério, seja ele uma clássica história de Sir Arthur Conan Doyle ou algo não tão clássico assim, tipo Gossip Girl.

O trabalho de edição da Novo Conceito é também muito bom, sem nenhum erro de digitação ou tradução e uma bela capa.

O que não gostei foi do mistério paralelo envolvendo Addison e Sean; achei muito forçado, exagerado mesmo. Pouco verossímil. Acho, ainda, que Jio se esforça demais para dar detalhes, deixando algumas descrições mastigadas demais. Se tem algo que já ouvi – ou li – muitos escritores falando é a regra do “Show, don’t tell”, ou seja, um escritor deve demonstrar, não simplesmente dizer. Melhor do que utilizar inúmeros adjetivos para descrever uma cena ou um sentimento, é mostrar como ele se dá, através de atitudes das personagens ou de metáforas que enriquecem a escrita e a leitura.

De qualquer forma, devorei o livro. Indico principalmente para quem gosta de mistério, e pode ser um bom começo para quem não tem ainda um hábito mais intenso de leitura.

Resenhas

Resenha: Boa Noite, Pam Gonçalves

Alina quer deixar seu passado para trás. Boa aluna, boa filha, boa menina. Não que tudo isso seja ruim, mas também não faz dela a mais popular da escola. Agora, na universidade, ela quer finalmente ser legal, pertencer, começar de novo. O curso de Engenharia da Computação – em uma turma repleta de garotos que não acreditam que mulheres podem entender de números -, a vida em uma república e novos amigos parecem oferecer tudo que Alina quer. Ela só não contava que os desafios estariam muito além da sua vida social. Quando Alina decide deixar de vez o rótulo de nerd esquisitona para trás, tudo se complica. Além de festas, bebida e azaração, uma página de fofocas é criada na internet, e mensagens sobre abusos e drogas começam a pipocar. Alina não tinha como prever que seria tragada para o meio de tudo aquilo nem que teria a chance de fazer alguma diferença. De uma hora para outra, parece que o que ela mais quer é voltar para casa

Boa Noite é o primeiro livro solo publicado pela publicitária e booktuber Pam Gonçalves que já havia publicado antes juntamente com mais três booktubers, Bel Rodrigues e os meninos do canal Pedrugo, o livro O Amor nos Tempos de #Likes.

Boa Noite irá trazer até nós a vida de Alina, uma jovem tímida e nerd que acabou de sair da casa dos pais pela primeira vez para morar em outro lugar, a República das Loucuras, uma república próxima a Universidade onde Alina irá estudar Engenharia da Computação. A partir daí a vida de Alina muda completamente, algo que ela já esperava, afinal de contas foi por isso que ela escolheu uma universidade longe de casa, por ter a esperança de que longe dali ela poderia ser quem quisesse, que poderia ser alguém totalmente diferente.

“Muita gente fala que a faculdade é a oportunidade ideal para escolher quem você quer ser. E não é que já estou vendo alguma verdade nessa afirmação?”

Ao chegar na república onde vai morar ela conhece seus novos colegas de moradia, Manu, Gustavo, Talita e Bernardo. O grupo que é bem diferente entre si logo se mostra cativante e aceita Alina de braços abertos fazendo de tudo para que ela passe pelas melhores experiências que uma caloura pode passar, conhecendo festas e caras pela universidade. É nessas festas que acontecem coisas que acabam mudando a vida de Alina não tão positivamente quanto ela esperava. Ao descobrir que várias garotas estão sendo abusadas durante as festas e que drogas estão sendo usadas para que todo o abuso seja realizado Alina se ver em um momento difícil da sua vida ao querer ajudar, mas sem saber o que fazer .

No meio de tudo isso Alina ainda precisa enfrentar o machismo em sua turma, composta quase que completamente por homens, que jorra piadas machistas e misóginas todos os dias com o intuito de fazer Alina e suas outras 3 amigas, as únicas mulheres da sala, desistirem do curso. Entretanto, ao se depararem com um desafio estabelecido por um professor, as garotas encontram não apenas uma oportunidade de provar para toda a turma que são sim dignas de está ali, mas também de ajudar as garotas que estão sendo abusadas na Universidade.

Confesso que Boa Noite foi uma grande surpresa para mim. Mesmo eu já tendo lido e amado o conto da Pam publicado em O Amor nos Tempos de #Likes antes de ler Boa Noite e também já ser um grande fã do seu trabalho, inicialmente com o blog Garota It e depois com o seu canal no youtube, peguei o livro para ler sem muitas expectativas, acho que por ser o primeiro livro solo dela acabei tendo um certo receio de criar muitas expectativas e no final não ter meus anseios satisfeitos. Mas foi aí que a Pam me surpreendeu.

Ao ver que o livro trataria de estupro e assédios dentro das universidades já comecei a me preparar psicologicamente pra enfrentar O drama, imaginei que fosse ser aquele tipo de livro que me faria mergulhar em melancolia e que acabaria de ler com aquele aperto forte no peito, porém a autora conseguiu retratar um tema forte de forma delicada. Por mais que seja uma discussão totalmente séria ela conseguiu trata-la com uma leveza que nos mostrou que isso pode sim ser um assunto debatido em qualquer momento, não apenas em rodas de discussões mais sérias, a cultura do estupro e o machismo pode e deve ser discutido no bar entre amigos, no intervalo da faculdade ou enquanto come uma pizza com os amigos.

Boa Noite nos mostrou também a força da sororidade, mostrou o quanto a união feminina trás benefícios. Vemos a força da mulher representada no despertar da Alina para a luta feminina dentro das universidades contra o machismo, a luta por poder ir em uma festa sem ser assediada, por poder dançar simplesmente porque gosta de dançar e não porque está se oferecendo para alguém. Vemos a força da mulher também representada na Manu que enfrenta fantasmas de um passado com abusos e preconceitos. Vemos a força da mulher em várias outras personagens marcantes criadas por Pam Gonçalves que nos mostram o quanto as mulheres necessitam ser fortes para colocarem os pés fora de casa ainda hoje e enfrentarem esse mundo que ainda tem muito o que melhorar. O livro trás, muito além dessas questões femininas, discussões sobre preconceito, homofobia e bullying, tudo isso com uma leveza que eu não imaginava que fosse encontrar ali.

A escrita de Pam é totalmente fluída e leve, ela aborda temas pesados de forma mais delicada entremeada de momentos divertidos para que possamos ver o avanço e o crescimento de Alina dentro dessa nova vida longe da família e em um lugar totalmente novo tendo que enfrentar os problemas do dia a dia de um universitário e as dificuldades de uma mulher em um mundo machista sem toda aquela carga pesada de uma drama que, apesar de trazer boas reflexões sobre o tema, não nos deixaria tão feliz com o final do livro como Boa Noite deixou.

No mais, o livro nos apresenta personagens cativantes, empolgantes e que nos fazem pensar sobre o que aconteceu com eles antes e depois de Boa Noite e torcer para que a Pam volte a escrever sobre eles um dia, não como uma continuação de Boa Noite, mas com seus próprios livros e histórias.

Se você quiser conhecer o canal da Pam deixo um vídeo dela abaixo pra vocês:

https://www.youtube.com/watch?v=-W4rRgbBm44