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quando gostei de você

quando gostei de você
assim como quando gostei de outros
virei e disse
tudo bem, não precisa mudar nada no seu corpo por minha causa

leia ouvindo: eu sou problema meu, clarice falcão

você sorriu
nunca mudou nada
e realmente estava tudo bem
ninguém deve mudar o próprio corpo apenas para o prazer de outrém

e no segundo seguinte
você me entregou um papel
com tudo o que gostava em outro alguém
fazendo eu mudar meu corpo
só pra ter seu requinte
jogue fora seu chapéu.

Esse poema ficou esquecido no primeiro manuscrito de “contando estrelas cadentes”, que até então se chamaria “costume”. Não sei porque o deixei de lado, porque o deixei passar. Achei encolhido num canto e acho que ele tem um poder muito forte. Não pretendo escrever tantas poesias regularmente como fiz na época em que escrevia o livro, por isso achei importante deixa-lo registrado. “quando gostei de você” me parece um texto inacabado, nunca terminado, quando olho agora. Inclusive, quando o encontrei, achei que não tinha colocado porque nunca tinha finalizado, mas sim, eu finalizei. Não sei qual foi o sentimento que o motivou agora, nem tampouco quais são os sentimentos que ele vai te causar. Por isso, deixa aí nos comentários, combinado?

planejamento de leitura
Estreias, Livros

Passo a passo: saiba como fazer seu planejamento de leitura para 2021

Perder peso, se alimentar melhor, ler mais, essas são algumas das resoluções de ano novo mais comuns. Mas para atingir esses objetivos durante o ano é preciso fazer um bom planejamento. No caso da leitura, é normal não conseguirmos manter um ritmo periódico e ler todos os livros que gostaríamos. Isso acontece por não termos um plano de leitura.

Estudos mostram que cada vez mais o brasileiro está perdendo o hábito da leitura. De 2015 a 2019, a porcentagem de leitores no Brasil caiu de 56% para 52%, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró Livro. Segundo Eduardo Villela, especialista do mercado editorial e book advisor, uma das principais causas disso é o uso das redes sociais. “As pessoas têm trocado a leitura pelo uso excessivo das redes sociais durante o tempo livre”, afirma Villela.

A pesquisa ainda revela que 82% dos entrevistados gostaria de ter lido mais e 47% não o fizeram por falta de tempo. Para aumentar a frequência de leitura é importante seguir um planejamento, para isso Villela elenca abaixo um passo a passo para que as pessoas possam criar um plano de leitura.

1º passo – Defina quais livros deseja ler durante o ano e divida pela quantidade de meses. Por exemplo, caso você tenha escolhido 20 livros, terá que ler mais de um livro por mês. Separe mais tempo para ler os livros maiores ou mais complexos.

2º passo – Tenha em mente épocas do ano que poderá se dedicar mais ou menos à leitura. Por exemplo, em época de provas ou mais intensas de trabalho você sabe que não terá tanto tempo para ler os livros que planejou. Por outro lado, nas férias poderá pôr a leitura em dia.

3º passo – Tenha o seu plano de leitura por escrito. Fica muito mais fácil de manter o planejamento e saber, exatamente, qual livro vai ler e quando.

4º passo – Mantenha o ritmo da leitura. O ritmo vai depender muito da quantidade de livros escolhidos. Você pode dividir a sua leitura pela quantidade de páginas ou capítulos de cada livro. Outra forma é definir quanto tempo vai ler por dia ou por semana.

5º passo – Escolha um local tranquilo para fazer a sua leitura. É muito fácil se distrair em ambiente barulhentos. Outra dica é manter o celular afastado.

Essas foram algumas dicas para você poder fazer o seu planejamento de leitura para 2021. Boa leitura!

a vida é o que você faz dela
Livros, Resenhas

Resenha: A vida é o que você faz dela – Conselhos para pessoas criativas, Adam J. Kurtz

Inspiração e perspectiva para quem produz arte (ou qualquer outra coisa).

Da mente inquieta do designer Adam J. Kurtz vem um chamado para todos os que passam pelos desafios do processo criativo. A partir de uma série de miniensaios manuscritos, este livro oferece toda a sabedoria e empatia de Adam Kurtz, em uma conversa de artista para artista.

“Mestre da injeção de ânimo leve e brincalhona.” ― BuzzFeed

“Adam cruza a linha entre artista & terapeuta.” ― Vice

“Todas as palavras de Adam J. Kurtz são cheias de sabedoria, empatia, acolhimento e boas sacadas.” ― Alanis Morissette

A vida é o que você faz dela foi um livro que conheci por indicação de uma influenciadora que trabalha com artes e design, no Instagram. A promessa do livro é que ele seria uma série de conselhos para pessoas que trabalham diariamente com criatividade, com shots de inspiração e força. Porque sério, só quem trabalha com criatividade sabe o quanto é difícil.

Na época, procurei em e-book e não estava disponível, então esperei um pouco mais e comprei no formato físico mesmo. Quando recebi, entendi tudo. A vida é o que você faz dela vai além de uma leitura, ele te convida para uma viagem que se desdobra em uma linha tênue entre arte e terapia.

O livro é curtinho, pequeno, daqueles que você lê num tapa só. As folhas são lindas, bem decoradas e com frases de aconselhamento para lidar com o dia-a-dia pesado de depender da criatividade e da inspiração para se trabalhar. Cada página é destacável e você pode fazer quadrinhos com as que você mais gosta. Separei algumas que amei, mas ainda tenho dó de destacar e enquadrar:

Quando li “A vida é o que você faz dela” era início de pandemia e a adaptação com os novos modelos de trabalho ainda se faziam muito presentes. O livro é justamente sobre esse momento, com assuntos que permeiam nossa relação com o trabalho. Nele, vemos pautas sobre superar medos, trabalhar para parentes, como ser mais feliz, como se desligar do trabalho de forma leve e palpável.

Eu nunca tinha lido livros nessa linha, de criatividade, exceto Destrua este diário, em épocas áureas e amei a experiência. Agora só preciso da coragem para encher a minha casa com os quadrinhos das páginas destacáveis.

carry on
Livros, Resenhas

Resenha: Sempre em frente – Carry On (Simon Snow #1), Rainbow Rowell

Simon Snow é o Escolhido. Segundo as lendas, ele é o feiticeiro que garantirá a paz no Mundo dos Magos. Isso seria extraordinário se Simon não fosse desastrado, esquecido e um feiticeiro pouco habilidoso, incapaz de controlar seus poderes. Ele está no penúltimo ano da Escola de Magia de Watford, e, ao lado de sua melhor amiga Penelope e sua namorada Agatha, já se meteu nas mais variadas aventuras e confusões — algumas causadas por Baz, seu arqui-inimigo e colega de quarto, outras pelo Oco, um ser maligno que há tempos tenta acabar com Simon.

Quando chega o novo ano letivo e Baz não aparece na escola, Simon suspeita que o garoto esteja tramando alguma coisa contra ele. As coisas começam a tomar um rumo ainda mais estranho quando o espírito da mãe de Baz, antiga diretora de Watford, aparece para Simon afirmando que quem a matou continua à solta. Quando Baz finalmente chega a Watford sob circunstâncias misteriosas, Simon não vê alternativa a não ser ajudá-lo a vingar a morte da mãe — o que pode ser o primeiro passo para que verdades avassaladoras sobre o Mundo dos Magos sejam reveladas. E para que tudo mude entre os dois garotos.

Carry on é um livro que me encontrou. Estava navegando no Twitter e fiquei sabendo de um livro que misturaria o mundo de magia e bruxaria com vampiros e relacionamentos gays. Eu parei, fiquei meia hora pensando em como eu nunca tinha lido esse livro antes? Fã órfão de Harry Potter desde que a J.K. Rowling se revelou uma tremenda transfóbica e doente por Crepúsculo desde que a série terminou, comprei a versão em inglês no dia seguinte porque achei a capa nova linda.

Eu leio em inglês, mas dessa vez, a leitura não fluiu. Abandonei. Uma semana depois, a Editora Seguinte manda uma caixa enorme pra minha casa com os dois livros da série com capa nova, adesivos, cadernetas e o livro que originou tudo isso, Fangirl. Surtei, né? Passei na frente de todas as leituras e devorei o livro em menos de uma semana.

Antes que falem, Carry on não é uma imitação barata de Harry Potter porque é melhor. Ele conta a história de Simon Snow, que é o nosso escolhido. Sim, misteriosamente ele é o feiticeiro mais poderoso do mundo e está destinado a salvar o mundo dos bruxos do Oco, criatura misteriosa que suga a energia, como se fosse a atmosfera, de ambientes com grande concentração de bruxos.

E claro que todo Harry tem seu Draco e não poderia ser diferente com Simon, que tem um arqui-inimigo: Baz. A diferença é que eles são colegas de quarto e Simon tem certeza que Baz é um vampiro e está tentando matá-lo ou prejudicá-lo enquanto ele dorme.

A história se desenrola com alguns flashbacks em que conhecemos o passado de Simon e Baz, enquanto o mundo da magia ameaça ruir sob ameaças constantes do Oco. Além disso, Baz está desaparecido e Simon está desesperado atrás dele. Uma parte tem medo de que ele possa estar tramando algo, mas no fundo, a gente sabe que é tudo preocupação.

A grande virada do livro e dos meus surtos é quando Simon recebe uma visita do além da mãe de Baz e juntos, eles resolvem embarcar numa jornada para descobrir quem a matou e, de quebra, destruir o Oco. O meu lado fangirl surtou em cada página de Carry on.

Simon e Baz se apaixonam perdidamente. Dão um beijo no meio do nada, depois de quase serem mortos. Baz é de fato um vampiro. Simon se torna uma criatura com asas. EU ESTOU SURTADO COM ESSA HISTÓRIA E ACHO QUE ELA É MINHA NOVA PREFERIDA DA VIDA!

Eu ainda não li Fangirl e não li a sequência, mas eu mal consigo escrever e descrever o quando Carry on foi aquele quentinho nesse coração órfão que vos escreve. Tem magia, tem vampiros, tem romance gay, tem ódio, tem TUDO O QUE A GENTE VÊ EM LIVRO HÉTERO E NÃO TINHA VISTO ATÉ AGORA EM LIVROS LGBTQIAP+.

Sim, vou mudar meu nome pra cadelinha de Carry on. Se eu tivesse que resumir essa resenha em uma frase, seria: AAAAAAAAAAAA LEIAM CARRY ON DESESPERADAMENTE! AAAAAAAAAAAAA

querido ex
Livros, Resenhas

Resenha: Querido ex, Juan Jullian

Querido Ex, (que acabou com a minha saúde mental, ficou milionário e virou uma subcelebridade) é um livro do autor brasileiro Juan Jullian que tive o prazer de ler e analisar nas últimas semanas. Surtos à parte, vou me concentrar aqui nesse texto em fazer uma análise psicanalítica da obra, com alguns pontos que pude observar e achei importante trazer à luz, principalmente com a observação que dá título ao meu texto.

Querido ex é uma obra de escrita terapêutica do nosso protagonista, que não sabemos o nome até então, em sua batalha por ressignificar afetos de um relacionamento tóxico do passado, enquanto passa pelas fases do luto ocasionado pelo término repentino. O livro é como se fosse uma sessão de análise. Ele escreve cartas para o seu “Querido ex”, relembrando do passado enquanto apresenta seu presente e se projeta para o futuro.

Logo no começo do livro, sabemos que ele está claramente passando pelas fases do luto. Em alguns momentos, a negação está mais explícita, em outros, há a raiva, mas ele se percebe, na maior parte do tempo, na barganha. Aquela fase em que pensamos no que poderia ter sido feito de outra forma, no que poderia ter sido diferente. A narrativa se desenrola aqui, apesar de percebermos alguns momentos de depressão e por fim, a aceitação.

Mas, vamos começar falando do relacionamento abusivo que o nosso protagonista estava inserido com o seu “Querido ex”. Logo nos relatos iniciais, percebemos um chiste muito forte. E, segundo Freud, ele é uma das formas que o inconsciente encontra de escapar seus conteúdos recalcados, escondidos. E há muitos abusos disfarçados de chiste: você deveria fazer academia! Calma, é só uma brincadeirinha. Sabe aquele ditado que diz que toda brincadeira tem um fundo de verdade? Essa é a raiz do chiste, que está explícita bem quando começamos a conhecer o relacionamento entre os dois.

Em suas viagens entre passado e presente, percebemos também alguns momentos de negação. Ele chega a duvidar de sua percepção, dos seus sentimentos… Será que o Querido ex era abusivo assim mesmo? Será que as coisas foram dessa forma? Ou será que estou exagerando? E esse é um comportamento muito presente no abuso, principalmente sob a forma de gaslighting.

É então, que chegamos na parte que mais gostei de analisar do livro todo: o recalque. O protagonista se reconhece como recalcado em vários momentos da narrativa, mas sem saber, inconscientemente, que ele de fato, é recalcado sob a ótica da psicanálise. Ele tenta esconder várias coisas no seu inconsciente, fingir que algumas situações não aconteceram. E como isso se chama? Recalcar. Mas, essas coisas que ele gasta tanta energia tentando esconder, hora ou outra escapam e querem ser resolvidas. Seja por meio dos seus pensamentos destrutivos, seja por meio da conversão somática (ele tinha ansiedade e de vez em quando, seu sonambulismo voltava). É o que chamamos de retorno do recalcado. Tudo o que ele tenta jogar pra baixo do tapete, volta. Sempre volta. Sua analista no livro aponta essa questão de forma primordial com a frase: “Os traumas que você finge não existir.”

Durante toda a narrativa em que vamos conhecendo o Querido ex, é impossível não perceber uma inversão de papéis muito grande, que também é percebida pelo nosso protagonista em algumas horas: seu ex-namorado assumindo papel de seu pai. Ele constrói suas frases com tons paternalistas, sempre tentando repreendê-lo. O pai, na psicanálise, é aquela figura que impõe a ordem, que castra, impõe os limites e consequentemente, contribui para a formação do nosso superego. E o Querido ex assume esse papel. Ele castra a todo momento o narrador.

O Querido ex exerce para o protagonista um papel extremamente machista e falocêntrico, que condiz com o patriarcado. Por ser o ativo da relação, ele se acha o “mais macho” ou então, o “menos gay” e se vê na posição de castrar o nosso narrador, também por conta dele se achar superior por ser branco. De exibir um papel de poder, de impor regras, limites, morais… Esse poder excede a simples inversão de papeis que vemos no desenrolar da história e chega numa posição de ser uma herança social.

O falo, na psicanálise, representa o poder da superioridade masculina, o poder que um homem acha que exerce sobre alguém por ter um pênis (falo). O engraçado é que na relação que se desenrola no livro, ambos possuem o pênis (teoricamente, o falo), mas um acha que tem o poder sobre o outro só por ser o ativo da relação. O quanto isso diz sobre várias relações homoafetivas entre homens cisgênero por aí?

Além de todos esses pontos, ainda podemos observar mecanismos de defesa do ego do protagonista entrando em ação em diversas passagens do livro. Ele usa do humor e dos trocadilhos em vários momentos, anulando seu ego em função do princípio de prazer. Ele recusa a realidade, afirmando-se contra as circunstâncias reais e se refugiando no chiste. Ele também desloca sua tristeza para os fetiches, para as fantasias e ainda trilha uma longa jornada até entender que o desejo é uma coisa normal do ser humano e que seus pensamentos não são seus inimigos.

Falando em pensamento, percebemos sua subjetividade um pouco neurótica (talvez até mesmo obsessiva-compulsiva), quando ele acredita que seus pensamentos são capazes de mudar o mundo exterior. O animismo. Ele acredita, por muito tempo, que se chegar até o final da rua em dois minutos, vai passar na prova, por exemplo. Ou que se olhar para algum homem no carnaval, vai ter todos os seus relacionamentos arruinados…. Ele demora a perceber que todos os excessos fazem mal.

Enfim, Querido ex é uma ótima obra de ficção, com grande verossimilhança e que nos traz importantes reflexões sobre como os relacionamentos, sobretudo, os gays entre homens cisgêneros, são constituídos em nossa sociedade. Erra quem diz que só por ser gay, é desconstruído. Ainda há muita herança falocêntrica, patriarcal e  racista (como no caso desse livro) que reflete dentro desses relacionamentos. Nos resta perceber.

diversidade
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4 livros infantis para iniciar o tema diversidade com as crianças

As festas de fim de ano nos remetem a pratos especiais, enfeites, troca de presentes e família reunida. Apesar de cada lar ter a própria tradição para as datas, todos têm algo em comum: a diversidade. Seja na própria composição da família, cor ou crenças, cada uma tem sua particularidade, e é normal que as crianças comecem a observar a própria realidade e a compará-la com outras.

Para ajudar nesse processo, os livros podem cumprir o papel de introduzir novos assuntos, de forma lúdica e adequada a cada faixa etária, de acordo com a fase de desenvolvimento da criança. Por isso, mostrar as diversidades culturais, de gênero, classe e cor, por exemplo, é importante para criar seres humanos mais empáticos, respeitosos e solidários.

Confira os lançamentos que selecionamos para presentear as crianças neste fim de ano. São livros com histórias e ilustrações divertidas, além de valiosas reflexões para toda a família.

Tudo bem não ser igual

O fundo do mar está pronto para mostrar às crianças sobre a beleza do ser diferente. É num mergulho pelo oceano que a psicopedagoga Roselaine Pontes de Almeida dialoga com o público infantil sobre o tema. Quando a arraia, peixe de cauda longa, percebe ser completamente diferente dos amigos, todos mostram que cada ser é único e especial, e está tudo bem ser diferente.
(Preço: R$ 26,00 | 40 Páginas | Onde comprarAmazon)

 

A festa inventada da Luara

Com a chegada do aniversário da Luara, a família monta uma força-tarefa para tornar o dia dela ainda mais animado, com os amigos por perto. Mas, afinal, quem seria o melhor amigo da menina? Todos, cada um com sua particularidade! As ilustrações de Luciana Romão deixam o tema principal em evidência, colocando de lado os estereótipos para trazer a beleza do “ser diferente” em rostos sensivelmente desenhados.
(Preço: R$ 26,00 | 40 Páginas | Onde comprarAmazon)

 

Mãe não é uma só, eu tenho duas!

De forma divertida, a obra traduz para as crianças temas complexos e que ainda são tabus: homoparentalidade e diversidade familiar. Foi escrita sob a perspectiva de um casal de mães – as letrólogas Nanda Mateus e Raphaela Comisso – que buscavam por um livro infantil que representasse a própria família para apresentar ao filho Teco. O lançamento é uma verdadeira ferramenta de identificação e construção de valores.
(Preço: R$ 23,00 | 32 Páginas | Onde comprarAmazon)

 

Robô não solta pum

Ser livre para pensar e soltar a imaginação, independentemente da idade. A obra do renomado músico, ator e multi-instrumentalista brasileiro André Abujamra defende a liberdade de pensamento e concede asas à imaginação de crianças e adultos, com divertidos questionamentos sobre temas triviais do cotidiano, como a origem das palavras “barbante” e “algodão-doce” e dicotomias, como o claro e o escuro, o céu e o mar.
(Preço: R$ 21,00 | 32 Páginas | Onde comprarAmazon)

Mais que proporcionar a união entre as crianças e a família neste fim de ano, as sugestões têm o objetivo de construir momentos inesquecíveis para a criança.

Ressignificar: uma imagem com um arco-íris de fundo e uma placa mostrando uma mãe e filho de mãos dadas para atravessar a rua
Autorais, Livros

Um ano de ressignificar tentativas

Eu já fiz tanta coisa. Tentei abrir vinte e cinco empresas diferentes, quarenta e nove projetos e já quis ser arquiteto, médico, dentista, engenheiro…. Acabei me formando como jornalista. Já entrei em tanta coisa que eu não queria entrar. E eu tive que ressignificar muito.

Eu já tentei de tudo e há quem veja de fora e diga: você não tem foco, não? A verdade é que eu, por muito tempo, achava que meu foco estava perdido. Mas quando o foco está perdido, a gente precisa encarar os fatos: estamos sem foco. E foi nessa que eu me meti em várias ciladas. Principalmente no âmbito profissional, onde pareço sublimar tudo o que acontece na minha vida.

Sabe, eu já tive zilhões de blogs. Vários perfis no Instagram de coisas diferentes. Eu já fui influencer wannabe de todos os nichos possíveis: finanças pessoais, comportamento, marketing digital, literatura e, acredite se quiser, moda masculina. E eu tentei, sabe? Mas essas tentativas me deixaram por muito tempo com medo de mudar.

Com medo de tentar mais, eu me estagnei em muitas coisas que não fizeram tanto sentido pra mim. E eu ficava ali, insatisfeito, com medo do que as pessoas iriam pensar. Quem? Não sei. Talvez eu mesmo.

Parece prepotência dizer que tudo o que eu fiz, e quis fazer, deu certo. Mas na verdade, é que as coisas sempre dão certo. Nada dá errado pra gente, porque no final, sempre tem um aprendizado. E foi assim que eu aprendi a ressignificar minhas coisas e não deixei me estatizar. Tenho cada vez mais, deixado o Beco Literário ir, seguir seu caminho e cada vez mais ele tem se tornado quem ele sempre foi: eu, o Gabu. Com a cara e a coragem.

Talvez eu não tenha dado meu nome porque eu sempre quis me esconder. Talvez eu tenha me fragmentado em vários projetos, porque sim, eu sou plural! Eu quero fazer e experimentar várias coisas no mundo. Gosto do quentinho da minha cama, mas também gosto do frio da barriga do novo e do desconhecido. Eu gosto de tentar.

E foi então que eu tenho entrado nessa jornada de ressignificar. Eu acho que estou conseguindo, mas não sei dizer com certeza. Alguns dias são melhores e eu consigo focar. Outros dias, não são tão bons assim e eu só quero entrar em um ciclo de autossabotagem. Mas hoje, quando olho pra trás, vejo que sim, meu caminho foi meio tortinho. Vejo que minha arma atirou pra vários lados.

Mas isso me possibilitou chegar aqui, são e salvo. Não é meu aniversário, mas é aniversário do Beco Vips, a comunidade do Beco Literário, a primeira coisa que ressignifiquei e quero continuar a ressignificar. Quando o site estava falido, a beira de fechar de uma maneira que eu não queria, a comunidade surgiu e hoje ela faz um ano. Nela, fiz amigos. Quem está lá, pode conhecer um pouquinho mais do Gabu e eu tenho a sorte imensa de todos eles terem compreendido as minhas mudanças, as minhas fases e as coisas que eu queria ou não fazer.

O Beco Literário, o #BecoVIPs, antes era meu armário. Meu refúgio do mundo. Hoje ainda é um Beco, mas ele é mais iluminado, mais bem povoado e com mais pessoas no mesmo barco. Pode estar tudo bem, pode estar tudo ruim, mas é como ter sempre aquele abraço quentinho e fraterno, não importa se estejamos a uma rua ou a um oceano de distância. Agora, vejo que todas as vezes que pensei em fechar o site, eu não consegui levar pra frente porque precisávamos chegar nesse ponto em comum.

Mesmo que hoje em dia, eu não escreva tanto por lá, porque não me cabe ou porque não sinto vontade, é de onde eu vim. É de onde milhares de outras pessoas, outros escritores, virão. É o nosso pontapé inicial, e também é nosso ponto de referência. Depois de todos esses anos, dúvidas e tentativas de ressiginificar, o Beco não é só um site. O Beco é um pedacinho de mim e de cada pessoa que está lá.

Pode ser que não tenhamos o site no ano que vem, quem sabe? Pode ser que tenhamos por mais cinquenta anos, não sei. Mas tenho certeza que tem um pedacinho dele em cada um que teve sua vida mudada pelos ventos de lá. O Beco Literário é o Gabu Camacho. O Beco Literário é você, Becudo.

E ele sempre estará lá te dando as boas vindas e aquele abraço quentinho. Lá. No fundo do nosso coração. Obrigado pelo primeiro ano juntos. <3

Autoria: Mares novos, ares mais novos ainda, por Fernanda Rafaela
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Autoria: Mares novos, ares mais novos ainda, por Fernanda Rafaela

Um belo dia, nos mares que navegamos e nas ondas que nos deixamos levar, a tormenta em nossa vida vai embora e começamos a navegar em um oceano que jamais imaginaríamos estar.

Nos jogamos de um penhasco rumo direto ao mar, e chegando lá embaixo, sentimos a água gelada no rosto invadindo todo o nosso corpo, um leve choque que não parece tão ruim quanto parecia ser outrora, e a brisa que se mistura com a maresia logo quando voltamos para a superfície, toca levemente o rosto nos fazendo lembrar que a vida pode ser leve em alguns momentos.

Nas noites calorosas vivenciamos uma aventura nova, criamos novos sonhos e criamos também expectativas de conhecer pessoas novas para mudar nossos ares, uma vida diferente afinal, mas é para isso que nascemos e não podemos ficar parados em um barco onde nada flui, nada acontece e ficamos esperando ali parados que tudo mude um dia.

Somos feitos de todas as aventuras das quais vivemos ao longo de nossa jornada, de nossas decepções que nos ensinam a corrigir nossos erros muitas vezes, de nossas frustrações, encantos e tudo o que pudermos sentir aqui dentro. Somos feitos disso, daquilo e jamais deixaremos de nos orgulhar de sermos aventureiros excêntricos e inigualáveis nesse mundo.

Pela primeira vez podemos ser nós mesmos, mostrarmos sem rodeios para o que viemos e não termos medo de mais nada, pois o medo já se foi há algum tempo e junto com ele foi-se também toda a tormenta dos mares, aqueles mesmos mares que nos prendiam desde o começo.

Então lemos e relemos essa reflexão dos mares e, alguns vão pensar em relacionamentos, outros em oportunidades da vida e terá também aqueles que pensarão sobre novos acontecimentos que podem enxergar que estão por vir logo ali na frente.

 As aventuras começam, e junto com elas todos os sonhos se realizarão, assim se é esperado! Sonhos então.

partir
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Autoria: parte de ir, partir

parte de te deixar ir, era também partir
mas você partiu antes que eu te deixasse ir, até hoje penso que nunca deixei
você partiu e me partiu, como um bolo

leia ouvindo: palo santo, years & years

eu lido bem com o vazio, sozinho, pensando se alguém algum dia vai demonstrar amor como você me demonstrou, com a simples diferença de que essa pessoa realmente vai ter um amor para me oferecer. não vai demonstrar e partir;

sigo pensando se esse alguém vai estragar meus melhores dias e pedir desculpa logo em seguida da maneira mais descarada possível, sigo pensando se tudo aquilo no início não era um sinal para eu ter desistido, mas teimoso como sou, infringia as regras.

esperei.

você agora é a escuridão que existe em mim, com a diferença de que ela me abraça de uma tal forma que você nunca fez e me acolhe de forma desesperada.

Esse é mais um daqueles textos que esqueci quando fui publicar “contando estrelas cadentes“. Olhando agora, talvez eu saiba que o deixei de fora por fugir um pouco da estética de poesia do livro em si. Eu também queria que o livro fosse uma montanha russa que vai só para cima, para nunca mais descer. E esse texto, desce nas raízes mais profundas de mim. É uma ida e volta ao submundo. Como não pretendo escrever tantas poesias assim por algum tempo, também resolvi deixar registrado por aqui.

Gosto de começar as coisas
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Autoria: Gosto de começar as coisas

É engraçado que esse ano de 2020 está me fazendo contradizer tudo o que eu já escrevi em meus quase vinte e quatro anos de vida. Sempre disse que eu era apaixonado pelos finais, mas recentemente descobri que gosto de começar as coisas.

Nós, seres humanos, temos uma tendência grande a reprimir as coisas, principalmente o que é doloroso. Isso é psicanalítico, até. Na linguagem técnica, a gente recalca certas coisas no nosso inconsciente e esse recalque, essa barreira, não deixa com que as coisas vazem de lá para a nossa consciência, para o nosso dia-a-dia.

Leia ouvindo: Love Ballad, Tove Lo

Eu tenho reprimido muitas coisas em mim há muito tempo. Sempre gostei de escrever sobre comportamento, sobre relacionamentos, sobre reflexões… Sempre me inspirei muito em nomes como Isabela Freitas, Daniel Bovolento, Igor Pires, Thalita Rebouças, Bruna Vieira. Meu primeiro livro foi inteiramente inspirado em um da Bruna.

Eu sempre quis escrever sobre o amor. Sobre mim. Sobre meus sentimentos. Quando foi que eu reprimi toda essa vontade e todos esses sentimentos? Quando foi que eu ignorei e segui outros caminhos? Quando foi que eu desisti de tudo isso? Quando foi que eu gostei de começar outras coisas tão longes do meu caminho?

Sempre que a gente reprime alguma coisa, ela vem à tona. Sempre. As coisas vem, e se não vem por bem, vem por mal, por meio de sintomas físicos e psíquicos. E essas coisas sempre esperam alguns momentos para irem de zero a um milhão.

Pode ser que espere um momento ruim, pra ir de zero a um milhão negativo. Mas também pode ser o contrário.

Desde o final da minha faculdade, minha presença na internet e no conteúdo que produzo não tem sido mais tão passiva. Eu não conseguia ficar só no entretenimento de resenhas sobre livros. Ou de opinar sobre romances de época. Eu precisava de mais. Eu precisava começar mais.

Eu comecei a questionar, entender que as coisas tem um buraco mais embaixo do que realmente vemos. Passei a cutucar, entender e então, exemplificar, falar, demonstrar. Eu gosto de dividir o meu conhecimento, as minhas reflexões e tudo o que aprendo.

Nunca pensei que seria um Jornalista da televisão. Sempre soube que seria da internet. E sempre soube que eu seria questionador, mas também, que eu escreveria sobre esses sentimentos que temos vergonha de sentir. Ou que recalcamos dentro do nosso inconsciente.

Esse ano, com a quarentena, foi o meu momento bom de ir de zero a um milhão. Eu fui. E as coisas explodiram dentro de mim. Eu entendi que deveria ter começado a escrever sobre sentimentos, autoconhecimento e comportamento há pelo menos cinco anos atrás. Eu só não podia ainda.

Agora eu posso e explodo por isso. Cada vez que você aceita quem você é de verdade, você explode, você cresce e começa a ir mais alto.

E aí, nos encontramos lá no topo?