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Resenha: Zac & Mia, A.J. Betts

A última pessoa que Zac esperava encontrar em seu quarto de hospital era uma garota como Mia – bonita, irritante, mal-humorada e com um gosto musical duvidoso. No mundo real, ele nunca poderia ser amigo de uma pessoa como ela. Mas no hospital as regras são diferentes. Uma batida na parede do seu quarto se transforma em uma amizade surpreendente. Será que Mia precisa de Zac? Será que Zac precisa de Mia? Será que eles precisam tanto um do outro? Contada sob a perspectiva de ambos, Zac e Mia é a história tocante de dois adolescentes comuns em circunstâncias extraordinárias.

Quando recebi Zac & Mia em casa eu estava muito empolgada. Como vivo tentando me despistar dos spoilers que assolam o mundo, escolhi fechar os olhos todos os dias que lia algum comentário sobre esse livro. Estava esperando um romance que tinha agradado muito a crítica, tudo que eu não estava esperando era mais um livro sobre o câncer.

Eu estou oficialmente cansada de livros sobre o câncer. Não me entendam mal, não sou insensível e não acho que esse tema deveria ser escondido de todos nós. Muito pelo contrário! O mundo tem que perder o medo da palavra câncer e de todo o paradigma que a cerca, mas não do jeito que ando lendo por aí. Desde “A Culpa é das Estrelas” – diga-se de passagem, um dos meus livros favoritos – fomos levados por uma enxurrada de livros com a temática hospitalar, onde jovens lutam bravamente e diariamente para chegar ao fim de um mais dia e nem sempre tem um final feliz.

É a história clássica de um herói que trava uma batalha silenciosa dentro de si mesmo, mas que ainda conseguem preservar sua essência, levar sua vida normalmente e ainda nos dar uma lição como devemos aproveitar mais a nossa vida. Mas veja bem, o câncer não é nada romantizado. O câncer é feio, silencioso e letal. Ele é vencido (ou não) pelo cansaço. Ele luta não somente com um paciente, mas com todos os médicos que estudam diariamente novas drogas para combatê-lo, com as enfermeiras, que estão a todo o momento preocupadas com o bem-estar do paciente, ele luta com as mães desesperadas na beira da cama, com os pais resistentes na força filho, com os irmãos, irmãs, esposas, filhos e filhas que estão batalhando junto com o doente. O câncer modifica a vida de uma família inteira e não era bem isso que eu andava lendo e vendo por ai…

Nunca li um livro sobre a temática (e olha que li bastante viu? Aliado a meu fraco por romances, eu faço medicina, então a combinação dos dois temas sempre foi o suficiente para me chamar atenção) que abordasse o que sempre pensei: essa não é uma tarefa que se luta sozinho, e ao ler as palavras de Zac sobre sua doença, percebi que esse seria um livro diferente de todos que já li

Logo de cara conhecemos Zac, um garoto de 17 anos que está no pós-operatório de um transplante de medula, na segunda tentativa de curar sua leucemia. Em isolamento no seu quarto, ele fala de como toda a sua força e todo o seu sacrifício é para a sua família, que esteve ao seu lado e realmente lutou para ajudá-lo. De como as pessoas se referem a ele como “corajoso” e “guerreiro”, quando na verdade ele não fez nenhum grande ato heroico, não ajudou ninguém, não fez nenhuma nova descoberta. Mas Zac em momento nenhum é ressentido ou amargo. Ele é o personagem mais bem-humorado e engraçado do livro, e quando percebi isso, me apaixonei por Zac.

De todos, eu sou o menos corajoso. Nunca me alistei para essa guerra. A leucemia me convocou, essa filha da Puta.”

Vamos conhecendo toda sua história: de um garoto ativo, que morava numa fazenda com uma família amorosa, praticava esportes e saia com os amigos até a descoberta sobre sua doença, seus tratamentos e seu atual dia-a-dia no hospital, preso a uma cama, com pessoas medindo a quantidade de glóbulos brancos no seu sangue.

Seu cotidiano entendiante muda com a chegada de Mia, uma adolescente linda e rabugenta que chega para o quarto ao lado. Entre sua falta de educação com as enfermeiras e a música alta que ela coloca em pleno hospital, Mia muda o foco da atenção de Zac e consegue distraí-lo como ninguém nunca conseguiu por ali. Mia é briguenta e fútil, se preocupa mais com seu cabelo do que com seu osteosarcoma, mas ela também é a personagem que mais cresce em tão pouco tempo.

Ouço coisas como ‘você ter descoberto a tempo de se tratar é muita sorte…’ É impossível, essa coisa de sorte. Eu queria que a sorte desse o fora e me deixasse cometer meus próprios erros. Quero ter o controle sobre a minha vida novamente.

Acostumado a só ter companheiros de hospital na base dos 60 anos, Zac não tem como não se aproximar de Mia, e essa história passa longe de ser a mais romântica ou a mais convencional, mas com certeza é uma das mais lindas que já vi.

“Zac & Mia” fala sim sobre câncer, fala sim sobre aproveitarmos nossa vida ao máximo, porque podemos não saber até quando poderemos fazer isso, fala sim sobre valorizar a família e as coisas que realmente importam. Dito isso pode parecer bastante clichê, certo? Mas acredite, ele não é. O livro tem uma forma tão leve e ao mesmo tempo tão profunda de tratar sobre assunto que tentei procurar um outro livro semelhante pra exemplificar pra vocês e não consegui… Zac & Mia é único.

“Confie em mim, penso. Confie em mim. Então ela se apoia em mim como se eu fosse o único amigo que restasse no mundo.”

Leitura recomendada e entrou pro top das favoritas desse ano!

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Resenha: O retorno de Izabel, J.A. Redmerski

Determinada a levar o mesmo estilo de vida do assassino que a libertou do cativeiro, Sarai resolve sair sozinha em missão, com o propósito de matar o sádico e corrupto empresário Arthur Hamburg. No entanto, sem habilidades nem treinamento, os acontecimentos passam muito longe de sair como o planejado. Em perigo, Sarai nem acredita quando Victor Faust aparece para salvá-la — de novo. Apesar de irritado pelas atitudes inconsequentes dela, ele logo percebe que a garota não vai desistir de seus objetivos. Então não há outra opção para ele a não ser treiná-la. Com tamanha proximidade, para eles é impossível resistir à atração explosiva. Nem Victor nem Sarai podem disfarçar o que sentem, ou negar o desejo que os une. No entanto, depois de tantos anos de sofrimento e tantas cicatrizes emocionais, será que eles conseguirão lidar com um sentimento como amor? Só que Sarai — novamente na pele de Izabel Seyfried — ainda terá que passar por um último teste; um teste para provar se conseguirá viver ao lado de Victor, mas que, ao mesmo tempo, poderá fazê-la questionar os próprios sentimentos e tudo que sabe sobre esse homem.

Atenção! Este texto contém spoilers do livro #1 A Morte de Sarai

Foi com muita surpresa que recebi “O Retorno de Izabel” este mês. Não esperava uma continuação em tão pouco tempo, mas isso só demonstra que muitos outros leitores, assim como eu, estavam ansiosos pra saber o que acontece na história de Victor e Sarai. Calma, não tá lembrando? Vem relembrar tudo que aconteceu na nossa resenha do primeiro livro da série Na Companhia de AssassinosA Morte de Sarai (AQUI).

Após terminar o primeiro livro da saga de forma tensa e com as coisas meio no ar, J.A. Redmerski aposta novamente no suspense. Nossa história agora começa um pouco depois de Sarai ser deixada por Victor em uma nova cidade para tentar levar uma vida normal. Se sentindo abandonada pelo homem que ela não consegue esquecer, Sarai encontra dificuldades para conseguir ser uma jovem normal e passar despercebida. E vamos combinar, como ser uma pessoa normal após sair de anos de cativeiro? Como esquecer tudo que passou e tudo que viu de uma hora pra outra?

“Acho que a vingança sempre encontra um caminho, mesmo nos gestos mais insignificantes.”

É com esse pensamento que encontramos nossa heroína novamente. E são nesses argumentos que eu me agarro para tentar entender as ações de Sarai no inicio da leitura. Após conseguir se firmar e até construir relações com vizinhos, amigos e até um namorado maravilhoso, Sarai decide simplesmente ir atrás do assassino Arthur Hamburg, em busca da sua vingança. Ok Sarai, você pode estar revoltada e toda trabalhada no rancor, mas como uma jovem sem nenhum treinamento ou experiência pretende matar um importante empresário infiltrado na máfia??? Miga, melhore!

Esses momentos me deixam muito irritada em uma leitura. Você sabe que a mocinha está indo diretamente pra maior roubada da sua vida, e é previsível tudo que vai acontecer e todos os erros que ela vai cometer. E ela vai lá e comete! Aqui foi o momento em que fui de agonia e irritação com a mocinha para a empolgação: Victor volta para salvá-la, e com ele o maior plot twist da leitura, deixando quase impossível o leitor desgrudar desse livro.

É importante ressaltar que Victor não volta sozinho. Com ele, chegam Fredrik e Niklas, personagens secundários que conseguem roubar a cena mesmo com toda a trama centrada em Sarai. Estou muito ansiosa pra conhecer um pouco mais da história de Fredrik (que está no próximo livro! Yay!) e de Niklas (o irmão ora malvado, ora maravilhoso de Victor) que até hoje não me decidi se é um cara de confiança ou não, e devo continuar nessa dúvida por mais tempo, o livro de Niklas é o quinto e último da série!

Victor percebe que é impossível fazer essa menina desistir de sua ideia suicida de vingança e decide então treinar nossa mocinha, para que ela pelo menos tenha uma chance diante de tudo que pretende enfrentar. E é ai que temos de volta a explosiva interação entre os dois e fica difícil não imaginar o que está por vir…

“Parece que fomos feitos um para o outro, como duas peças de um quebra-cabeça que de início parecem não se encaixar, mas que se adaptam perfeitamente quando vistas pelo mais improvável dos ângulos.”

O livro continua com sua narrativa compartilhada (um capítulo de Victor e outro de Sarai) o que nos traz a enorme vantagem de compreender cada ação e pensamento do personagem. A Suma de Letras está (novamente) de parabéns pela edição e pela capa maravilhosa! Já estou ansiosa pelo terceiro e próximo livro da série “O cisne e o chacal“! Leitura recomendada!

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Resenha: À Flor da Pele, Helena Hunting

Tudo na tímida Tenley Page intriga o tatuador Hayden Stryker de um modo que ninguém jamais conseguiu: do cabelo longo e esvoaçante com aroma de baunilha até a curva suave do quadril… E o interesse dele só aumenta quando ela pede que ele tatue um desenho incomum em suas costas.
Com seu jeito durão, Hayden é tudo que Tenley nunca se atreveu a desejar. A química entre os dois é instantânea e desperta nela o desejo de explorar o corpo escultural que há por baixo de tantas tatuagens. Traumatizada por um passado trágico, Tenley vê em Hayden a chance de um recomeço. No entanto, o que ela não sabe é que ele também tem segredos que o impedem de manter um relacionamento por muito tempo.
Quando os dois mergulham em uma relação excitante e enfim passam a confiar um no outro, lembranças e problemas batem à porta — e talvez nem mesmo a paixão entre eles seja capaz de fazê-los superar seus traumas.

Quando recebi “À Flor da Pele” em casa, logo me apaixonei. Não foi pela sinopse (na verdade, eu nunca nem tinha ouvido falar dessa série) mas sim pela capa maravilhosa (me atrevo a dizer que é uma das mais bonitas que já vi). Mas como aprendi a nunca julgar um livro pela capa (valeu pela lição, Easy!) fui interessada procurar saber mais. E confesso, me assustei demais com a notícia: são cinco livros!!!!!!!

Já comecei desconfiada porque achei um exagero! Conheço poucas outras séries que publicaram tantas sequências e o resultado disso pode ser ou maravilhoso (Harry Potter, Maze Runner) ou desastroso (A maldição do Tigre). Para sustentar cinco livros, a história tem que ser uma combinação de empolgante e misteriosa. Por exemplo: A Maldição do Tigre é uma história sensacional, e o primeiro livro da série é um dos meus favoritos da vida, mas ao esticar a história por muito mais livros que o necessário, eu senti que a história perdeu o fôlego e começou a embolar um pouco no meio de campo. Então pensei comigo como um livro new adult e sobre romance se estenderia tanto? Resposta: sendo maravilhoso.

Em A Flor da Pele, conhecemos Tenly, uma jovem que chega na cidade de Chicago para recomeçar. Após perder seu noivo e toda a sua família e amigos em um acidente, Tenly, se sentindo culpada e solitária se muda para um apartamento próximo ao seu novo emprego de meio período para se dedicar ao seu mestrado e esquecer de toda a solidão que carrega consigo. Determinada a afastar qualquer vínculo emocional e social com as pessoas (para não perdê-las de novo), ela vê seu plano ir por água a baixo quando conhece Hayden.

Hayden é completamente oposto ao seu ex noivo: um tatuador que não liga para regras ou em como se apresentar a sociedade. E é justamente isso que a atraí: a possibilidade de ser totalmente diferente, de se reconstruir. Ao se conhecerem, Tenley logo mostra a tatuagem que ela deseja fazer e essa aproximação é só um gostinho do quanto a sua vida vai mudar ao lado dele.

Qualquer tipo de alteração, seja para modificar as características físicas, como a cirurgia plástica, ou para decorar, como piercings e tatuagem, causa algum tipo de desconforto. Mas essa é a intenção, não é? É catártico porque é a promessa de mudança, de um jeito ou de outro.”

A Flor da Pele se desenvolve muito bem por diversos fatores. Entre eles, a narração compartilhada (um capítulo de Tenley e outro de Hayden) faz o leitor se solidarizar com todos os personagens e entender cada pensamento por trás das atitudes deles. Os personagens secundários também funcionam muito bem, sendo todos interessantes e participantes ativos da história do casal principal. A escrita é fluída (com algumas cenas bem 50 tons, vale ressaltar) e fácil. A edição está impecável com a capa mais linda do ano e a boa e velha folha amarelada.

Todo mundo tem cicatrizes,Tenley.Com sorte, elas permanecem só do lado de fora.

Ainda não sei se A Flor da Pele tem fôlego suficiente para se manter firme e nesse nível ótimo em mais quatro livros, mas após essa leitura sensacional, eu não duvido nem um pouco! Já estou ansiosa pelo próximo livro “Marcados para sempre“. Para quem se interessou ou quem já leu este título, a série conta com um ebook disponível na Amazon sobre os dois antes de se conhecerem “Doce tatuagem“. Leitura recomendada!

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Resenha: Tocando as estrelas, Rebecca Serle

Quando Paige Townsen deixa de ser uma simples aluna do ensino médio para se tornar uma celebridade, sua vida muda do dia para a noite. Em menos de um mês, ela troca as ruas da sua cidade natal por um set de filmagem no Havaí e agora está conhecendo melhor um dos homens mais sexies do planeta segundo a revista People. Tudo estaria perfeito se o problemático astro Jordan Wilder não fincasse o pé em uma das pontas desse triângulo cinematográfico. E Paige começa a acreditar que a vida, pelo menos para ela, imita a arte.

Logo que li a sinopse desse livro, me lembrei de outro lançamento deste ano com a mesma temática. Em “Entrelinhas” da Tamara Webber, também temos uma jovem que sempre teve uma vida normal e que vê sua vida mudar completamente quando é escolhida para viver a protagonista de um filme baseado em uma série de livros de sucesso. Lá a mocinha conhece dois astros (e inimigos) de Hollywood, um extremamente simpático, que se torna seu melhor amigo em diversas situações, e o outro misterioso e enigmático, com quem ela tem uma aproximação inexplicável. E sim, isso acontece nos dois livros. E sim, a semelhança é perturbadora.

Em “Tocando as estrelas” conhecemos Paige, uma adolescente de 17 anos que sonha em ser atriz e vive numa casa extremamente movimentada (pais, irmãos, irmã, sobrinha…) e passa seu tempo de verdade com seus melhores amigos, Cassandra e Jake. E é por influência de Cassandra, que Paige se inscreve nos testes para viver August, a personagem principal de uma trilogia de sucesso chamada “Locked”. Foi exatamente nesta parte da leitura que senti falta de um pouco mais… O processo entre o teste de Paige e sua chamada para o filme ocorreu de uma forma abrupta: em um parágrafo ela falava sobre a audição, e no outro ela já tinha sido chamada. Senti falta dos detalhes do teste, da ansiedade do resultado, da reação da sua família etc…

Essa é uma verdade sobre o sucesso. Muita coisa muda, mas nem tudo. Você ainda tem dias de cabelo ruim. Amizades que se desfizeram não serão reparadas milagrosamente. E pessoas que não amavam você antes continuarão a não amar. Uma coisa que o sucesso não muda, não importa a que nível você chegue, são as coisas que já viraram passado

Em poucos meses já acompanhamos a mudança de Paige para o Hawai, onde começam as filmagens de Locked. Logo de cara ela conhece Reiner, o mocinho simpático e engraçado, que facilita sua vida no set. Com seu jeito sedutor e divertido, Reiner conquista todos no estúdio, e se torna o melhor amigo e conselheiro de Paige para todas as dúvidas de uma recém-celebridade. É muito gostoso de ler a fluidez da amizade dos dois, os sutis flertes escondidos entre as frases de dois amigos. Tudo anda as mil maravilhas até a chegada de Jordan, o terceiro elemento do triângulo amoroso de Locked (e de “Tocando as estrelas” também). Jordan tem uma fama de encrenqueiro e mal encarado, mas seus segredos vão muito além de umas brigas no set. Desnecessário falar que, assim como a August em Locked, Paige em “Tocando as estrelas” também se encontra dividida nessa história.

“Isso não importa mais. É como um guarda-chuva no meio de uma tempestade depois de estar completamente molhado. Exatamente o que você precisava, o que você queria, mas já é tarde”

Talvez por já ter lido “Entrelinhas” ou talvez pela história ser realmente fundamentada em um clichê, achei a história bastante previsível, porém agradável. Embora sem muitas surpresas e reviravoltas, “Tocando as estrelas” atinge seu objetivo e consegue divertir com facilidade. O livro é o primeiro de uma trilogia “Famous in Love”. O segundo livro  “Truly, Madly, Famously” será lançado este ano nos EUA, ainda sem previsão para o Brasil. A Novo Conceito fez um trabalho maravilhoso com a edição: a capa é linda e o interior do livro é repleto de detalhes cinematográficos que só deixam a edição ainda mais especial! Eu já estou curiosa para saber o fim das duas mocinhas – Paige e August-  e ansiosa para o lançamento do próximo.

“E, veja bem, isso é o que eu não entendia. O que ninguém conta. Só porque você encontrou o amor, não significa que é para você guardar para si. O amor nunca pertence a você. Pertence ao universo. Ao mesmo vento que sopra nas ondas dos surfistas e na corrente que os carrega de volta à praia. Você não pode se apegar, porque ele é muito maior que qualquer coisa que alguém jamais poderia conceber ou tocar com as próprias mãos. É maior que tudo.”

 

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Suma de Letras divulga capa de Joyland, do mestre do terror Stephen King

Em julho a Suma de Letras irá lançar Joyland, do grande mestre do terror Stephen King. O livro de 240 páginas irá custar R$29,90

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Um pequeno conselho: não se aventure na roda-gigante em uma noite chuvosa.

Carolina do Norte, 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer.

Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado — e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença séria.  

O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer — e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais.

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Resenha: Escola Noturna, C. J. Daugherty

O mundo de Allie está desmoronando. Sua família está destroçada, ela foi expulsa de várias escolas por mau comportamento e acabou de ser presa. De novo. Quando os pais a mandam para um colégio interno longe de casa e de seus amigos, Allie espera encontrar um presídio.

Apesar das regras rígidas, que incluem proibição de celular e laptop, ela descobre que a Academia Cimmeria é um lugar bastante peculiar. Os alunos são ricos e talentosos — diferentemente dela — e um grupo de elite participa de uma organização secreta: a Escola Noturna. Logo ela faz algumas amizades e se vê envolvida entre o atencioso Sylvain e o misterioso Carter.

Mas Allie não demora muito a perceber que a Cimmeria é um lugar cheio de segredos e mentiras que envolvem não só seus colegas, mas também alguns professores. E, quando uma aluna é encontrada morta, ela precisa descobrir em quem confiar se quiser desvendar o que está acontecendo.

Allie Sheridan, a perfeita problemática retratada nos diversos livros deste estilo, de Divergente a Crepúsculo, incorpora diversos perfis. Em alguns momentos insegura, em outros dona de si, a garota deixa todo e qualquer leitor confuso, assim como o livro em si. “Escola Noturna” é um emaranhado de informações, uma após outra e nós ficamos sem saber o que fazer, sem saber como agir frente aquilo tudo. Daugherty sabe como escrever um bom livro, sabe como manipular a mente das milhares de pessoas que entraram na Cimmeria e pensaram que seria só mais uma obra. A autora consegue ser mestre em seu terreno. Digna de um King, a veracidade de cada frase, de cada trecho de “Escola Noturna” afetará o mais disperso leitor. É caótica a escrita da mulher, no melhor e mais impactante sentido.

Um dos pontos que mais facilitaram o transcorrer da história é como a autora não abusa das cenas supérfluas, a cada capítulo nota-se que existiu um corte no que deveria e o que não deveria aparecer. O início é claro, Allie envolve-se em problemas na sua atual escola, é transferida e a partir daí já somos introduzidos na Academia Cimmeria, simples assim, em menos de vinte páginas, sem toda uma introdução cansativa. Isso poderia até ser algo negativo, mas funcionou com “Escola Noturna”. Somos transportados para um mundo sem tecnologias, uma Hogwarts, menor e não praticante de bruxaria. Os mistérios na Cimmeria revelam-se do meio do livro em diante, após os capítulos treze e quatorze começamos a perceber que não trata-se de algo restrito, o colégio atravessa os muros e vai muito além, uma organização que deixa qualquer um boquiaberto. Faltava isso no enredo e foi acrescido da melhor forma possível.

A caracterização da personagem principal, Allie Sheridan ocorre progressivamente. Primeiro descobrimos os cabelos vermelhos, depois o rosto típico britânico e assim por diante, não é algo pronto. Isso se repete com a sua futura melhor amiga, Jo, com os seus dois pretendentes, Carter e Sylvain. O destaque para o triângulo amoroso me incomodou no início, mostrava a fragilidade excessiva de Allie, mas quando tudo ganhou forma pude perceber que aquele era só mais um caminho para ressaltar o quanto a garota herdara de seus familiares. É a teia perfeita criada por Daugherty, como falei no começo.

Outro personagem que conquista qualquer um é Isabelle, o semblante místico da diretora da Cimmeria incomoda, te faz criar diversas teorias, o bom de “Escola Noturna” é isto: ele não é totalmente exposto, fica correndo nas sombras, escondendo-se do leitor e quando menos se espera, revela-se. Se você espera algo “trevoso”, que te arrepie do começo ao fim, esse é o livro, não que exista uma série de horrores, mas sim as reviravoltas provocam isso. Nada é certo no gigantesco castelo da Academia, o que hoje são inimigos, amanhã tornam-se aliados. Aqueles que mais se preza amanhã te dão as costas. Drama, medo, insegurança, pavor do desconhecido, a sensibilidade posta em cada página impressiona. Assim acontece com o segundo volume, “O Legado”, que ganhará resenha ainda está semana aqui no Beco. A continuação mantém este ritmo lancinante, que te joga para diversas direções.

A mentira é alvo principal no primeiro livro de “Escola Noturna”, nunca conseguimos detectar quem apresenta um perfil confiável, todos estão suspensos, alguns sendo motivados por outros, e esses outros muitas vezes nem sabem que estão provocando tais coisas, é um suspense psicológico que mexe de modo milimetricamente planejado. A situação que nos é exposta torna tudo mais inquietante. Nas primeiras semanas Allie encontra-se sozinha, não conhece ninguém, não decorou os caminhos que aqueles corredores levam, foi jogada ali sem saber até mesmo onde a escola fica no mapa. Cercada por filhos de grandes empresários, senhores do capital, Sheridan, encurralada, espera e nós nos juntamos a ela nesta tensão íntima. Como foi destacado na contra-capa, a frase da Booklist: “Daugherty sabe aonde quer nos levar, e rapidamente o leitor é fisgado.”

A Suma de Letras trabalhou muito bem com está edição, começando com todo o produto visual. A capa, tanto do primeiro livro como do segundo, encanta, tudo conforme o clima do livro. A diagramação também ficou à altura da obra. É uma junção de acertos que agradara do começo ao fim impactante de “Escola Noturna”. Christi mostra-se perspicaz, uma neblina comum no cenário de Cimmeria, típica entre tantos mas com uma diferença gritante: Daugherty não sente medo de inovar, é a sua escrita e apenas sua, sem rastro algum. Não estamos seguros, não depois que folheamos pela primeira vez a história da garota Sheridan.

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Resenha: Doctor Who – Mortalha da Lamentação, Tommy Donbavand

Era 23 de novembro de 1963. Os Estados Unidos viviam um dos momentos mais importantes da história política do país. Após o assassinato em público do até então presidente John F. Kennedy, acontecimentos estranhos marcam a vida de pessoas por toda parte no estado do Texas.

Em Dallas, rostos de pessoas mortas há tempos aparecem em marcas de café, janelas molhadas pela chuva e até manchas de lama pelo chão. As Mortalhas, alienígenas que invadem a Terra e se alimentam da tristeza e sofrimento das pessoas, ganham vida, gritam e assustam a todos.

É nesse contexto que o Décimo Primeiro Doutor, ao lado de sua parceira Clara Oswald, precisam dar um jeito na ameaça vinda do espaço e trazer de volta a paz ao país que já lamenta a perda de um grande líder.

Tommy Donbavand, que além de autor, ator, dramaturgo e palhaço, é um grande fã de Doctor Who, conseguiu sintetizar todos os recursos exibidos pela série da BBC. Sua escrita, leve e precisa, dá espaço para aquilo que todo fã do Doutor – qualquer um deles – gosta mais: o humor. Não há maneira de falar do livro sem mencionar o humor característico e o sarcasmo nada sutil presente em praticamente todas as passagens do livro.

Para quem não está acostumado com esse tipo de linguagem, talvez, pareça estranho e até mesmo um pouco maçante toda essa “graça” presente no texto. Em diversos momentos relativamente tensos o perigo é quebrado com alguma piada pronta que o Doutor faz questão de soltar no momento menos oportuno. Sua parceira, Clara, segue a mesma linha e atua como um complemento ao que o Décimo Primeiro Doutor representa no livro.

O enredo é bem concentrado, partindo da descoberta de um problema até sua solução. Alienígenas, assim como na série televisiva, fazem parte de toda a história, que oscila entre ideias mirabolantes e personagens pouco complicados de serem entendidos – exceto o Doutor.

Um aspecto interessante a ser pontuado é a forma como o contexto histórico é apresentado ao leitor. Aqui no Brasil as pessoas costumam saber muito pouco da história política do país, imagine então da política americana… Sendo assim, o autor fez um bom trabalho em apresentar o contexto envolvendo um dos principais acontecimentos políticos da história dos Estados Unidos e criar um elo de ligação entre o fato e todos os personagens – tanto principais quanto secundários.

Sobre a edição, que foi trazida para o Brasil sob o selo da Suma de Letras, não há muitos detalhes a serem pontuados. As pouco mais de 170 páginas são bem diagramadas, não cansam o leitor e tornam a experiência de “ler Doctor Who” tão boa quanto a de assisti-lo. A capa, indo no mesmo ritmo da história, possui elementos visuais diversos e bem representativos, porém, pode não agradar aqueles que gostam de ter uma edição diferente na estante para chamar atenção. Nada inovadora.

Doctor Who: Mortalha da Lamentação” é um livro simples, leve, que tem o tato de divertir a qualquer um, seja fã ou não da série da BBC. Não é necessário conhecer precisamente a história do Décimo Primeiro Doutor, ou de qualquer outro para dar boas risadas página após página. Uma boa ideia para quem não tem o hábito de ler, mas que está à procura de uma leitura mais dinâmica e menos trabalhosa para entrar no universo da literatura

Imagem: Doctor Who Brasil

Atualizações, Novidades

Lançamentos Suma de Letras – Maio/2015

Já estava com saudades de vir aqui aumentar a wish list de vocês, haha! E nada melhor do que voltar em alto estilo, não é mesmo? A Suma de Letra vai lançar agora em maio três livros incríveis, e é claro que o Beco vai mostrar pra vocês! Curiosos? Então vamos lá!

Cerejinha: um romance da série O Caso Blackstone, por Raine Miller

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“Às vezes o amor precisa de uma segunda chance.”

Elaina se apaixonou por Neil à primeira vista. Nem se lembra mais de como era a vida antes dele. Seu amor resiste a tragédias e a anos de separação… E mesmo quando seu coração é partido e seus sonhos são destruídos, Elaina não o esquece. O romance dos dois é posto à prova diversas vezes. Quando o destino mostra sua capacidade de causar mal-entendidos, abrir feridas e deixar cicatrizes, eles têm que provar o que sentem um pelo outro. Depois de tudo, Elaina chega a pensar que não existe mais chance de viver seu amor. Elaina se apaixonou por Neil à primeira vista. Nem se lembra mais de como era a vida antes dele. Seu amor resiste a tragédias e a anos de separação… E mesmo quando seu coração é partido e seus sonhos são destruídos, Elaina não o esquece. Mas Neil não desiste fácil. Suportou anos de saudade e sacrifícios, esperando por ela. É um soldado, afinal, e conhece um campo de batalha – tem suas próprias estratégias e pretende reconquistar Elaina. Mais do que tudo, ele precisa fazê-la enxergar o que ele sempre soube: ela sempre será sua Cerejinha.

 

Inseparáveis: Apenas uma Noite – Parte III, por Kyra Davis

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“Uma história sobre poder, ambição e luxúria.”

Uma noite em um hotel de Las Vegas mudou a vida de Kasie. Ela estava prestes a se casar, mas acabou se entregando ao bilionário sexy Robert Dade. Agora que ganhou uma promoção na empresa em que trabalha, cujo maior cliente é justamente ele, ela percebe que poder não tem o mesmo significado para os dois. O relacionamento com Robert começa a afetar sua carreira e a vida em família, e ele se torna cada vez mais controlador. Ela é seduzida pelo homem bem-sucedido, pela emoção da aventura, pelo prazer ao sentir o toque dele, pelo desejo que a domina com apenas um olhar. No entanto, essa paixão a está levando para um caminho que talvez ela não queira seguir. Afinal, será que Kasie poderá pagar o preço de tanto poder e sedução? Será que ela realmente conhece esse homem que diz que daria tudo a ela… ou ele continua sendo um estranho?

 

Doctor Who: O Prisioneiro dos Daleks, por Trevor Baxendale

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“Uma aventura inédita do Décimo Doutor, interpretado na tevê por David Tennant.”

O Império Dalek não para de se expandir, e batalhas eclodem em vários sistemas solares. Quando o futuro da galáxia está em jogo, o Doutor se vê a bordo de uma nave próxima à linha de frente, junto a um implacável grupo de caçadores de recompensas. O Comando da Terra paga a eles por cada Dalek morto, por cada olho entregue como prova. Mas, com a ajuda do Doutor, os caçadores conseguem algo de valor inestimável: um Dalek inteiro, vivo, com os sistemas desarmados e pronto para ser interrogado. No entanto, com os Daleks nada é o que parece e ninguém está a salvo. Quando o jogo virar, como o Doutor sobreviverá ao se tornar prisioneiro de seu maior inimigo?

 

Não sei o que falar. Só sentir. Sentir ansiedade pelo lançamento desses livros! Suma mais uma vez dando show! E aí, qual vai ser o próximo da sua lista?

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Resenha: Neil Patrick Harris, a Autobiografia Interativa

Neil Patrick Harris conquistou o mundo graças ao impagável Barney Stinson, do seriado How I met your mother, sucesso no Brasil, onde é exibido pelo canal a cabo Sony. Para o personagem, a vida é sempre divertida e, como adora repetir, lendária. Este primeiro livro do premiado e querido ator americano também é. Em vez de contar sua trajetória de maneira tradicional, Neil Patrick mistura realidade, ficção e muito humor. E o melhor: é o leitor é quem escolhe para que direção a história vai.

LEGEND…wait for it, DARY! Pra qualquer pessoa que já ouviu essa frase, sabe a quem ela pertence e provavelmente é apaixonado por esse ator incrível…e se esse é o caso, eu sei que esse livro é pra todos nós (porque temos que admitir, Barney Stinson é vida).

Eu particularmente não estou habituada com biografias, mesmo porque as únicas que li foram por causa da escola ou da faculdade (e me causavam sono extremo)… mas, essa não era uma biografia comum, era o maravilhoso Neil Patrick Harris contando sobre ele da maneira mais “Barney” de ser (se é que me entendem).

Acredito que a parte mais divertida foi ver que os caminhos que tomei durante o livro me fizeram duas vezes transformá-lo num cara que vendia sanduíches e sonhava com a Broadway e outra em que ele morreu numa cratera arenosa no Saara e o corpo nunca foi encontrado (imagine as minhas risadas enquanto eu lia), todas essas vezes tendo uma ilustração do fim trágico e a palavra “FIM”.

Além disso, o livro não possui ordem cronológica ou capítulos. Logo ao final do primeiro capítulo opções são apresentadas para a suas opções de vida, e todas podem levar à fins bons ou ruins:

Se você quer viver uma infância feliz, vá para a página 8.

Caso prefira uma infância miserável para depois se gabar de ter superado a pobreza contra todas as circunstâncias, vá para a página 5.

Um fato importante: você se sente como se a vida fosse sua, como se fosse alguém contando a sua história e te dizendo o quanto será bonito, pai de gêmeos… lendário (hahaha).

Brincadeiras à parte, chega a ser impressionante o tanto que Neil já realizou na vida, quem já conheceu (caviar com Elton John?), todos os filmes, peças, séries, programas que apresentou, e ele te mostra como ele (ou melhor, você) se sentiu a cada momento da sua vida, até chegarmos na sua maior realização pessoal: seu marido David e seus dois filhos.

Falando de David, não podia deixar de comentar a maneira que Neil conta como se conheceram, porque, durante toda a descrição, há anotações do marido nas laterais ou destaques grifados, nos contando o outro lado da história (momentos de pura risada e momentos “awn”).

E, é claro, não podia faltar a parte de How I Met Your Mother, onde ele conta como foi para ser contratado e sua experiência como Barney Stinson utilizando a mesma forma que a série começa (senti uma lágrima pelo fim da série?), contendo por fim, uma carta do próprio Barney sobre o que ele pensa do Neil…pois é.

Gideon, Harper, vou contar uma história incrível para vocês. A história de como me tornei um bro. [A música tema de ‘Como me tornei um bro’ começa a tocar e vemos imagens suas e do elenco.]

Posso dizer que foi uma experiência diferente e divertida, e, com certeza, me fez olhar para biografias com outros olhos. Super recomendo para todos os amantes da série, do ator, ou mesmo para se divertir conhecendo a vida dele.

Novidades, Resenhas

Resenha: A Morte de Sarai, J.A. Redmerski

Sarai era uma típica adolescente americana: tinha o sonho de terminar o ensino médio e conseguir uma bolsa em alguma universidade. Mas com apenas 14 anos foi levada pela mãe para viver no México, ao lado de Javier, um poderoso traficante de drogas e mulheres. Ele se apaixonou pela garota e, desde a morte da mãe dela, a mantém em cativeiro. Apesar de não sofrer maus-tratos, Sarai convive com meninas que não têm a mesma sorte.Depois de nove anos trancada ali, no meio do deserto, ela praticamente esqueceu como é ter uma vida normal, mas nunca desistiu da ideia de escapar. Victor é um assassino de aluguel que, como Sarai, conviveu com morte e violência desde novo: foi treinado para matar a sangue frio. Quando ele chega à fortaleza para negociar um serviço, a jovem o vê como sua única oportunidade de fugir. Mas Victor é diferente dos outros homens que Sarai conheceu; parece inútil tentar ameaçá-lo ou seduzi-lo.Em “A morte de Sarai”, primeiro volume da série Na Companhia de Assassinos, quando as circunstâncias tomam um rumo inesperado, os dois são obrigados a questionar tudo em que pensavam acreditar. Dedicado a ajudar a garota a recuperar sua liberdade, Victor se descobre disposto a arriscar tudo para salvá-la. E Sarai não entende por que sua vontade de ser livre de repente dá lugar ao desejo de se prender àquele homem misterioso para sempre.

Quando comecei a ler A Morte de Sarai reparei logo de cara o quão diferente seria essa leitura. Acostumada com o trabalho da J.A. Redmerski pelos seus dois livros anteriores “Entre o agora e o nunca” e “Entre o agora e o sempre”, esperava uma leitura simples e fluída. Em seus dois primeiros livros (cujas resenhas você encontra aqui no Beco – “Entre o agora e o nunca” clique AQUI e “Entre o agora e o sempre” clique AQUI) J.A. foi certeira em seu romance: mocinha ingênua que pouco sabe sobre a vida + mocinho badboy, mas que por dentro é um poço de manteiga derretida e romântico, que na verdade sempre foi um amor mas algo na vida o faz esconder seu lado bondoso = epic love story. Isto não sou eu criticando, isto sou eu a elogiando, porque é muito difícil encontrar um livro que se enquadre nesta fórmula clichê e ainda assim consiga um bom resultado. O resultado de J.A. não foi apenas bom, foi maravilhoso.

Portanto, muito me espantei logo que vi o lançamento da Suma de Letras e percebi que a série que a autora iria escrever se chamava “Na companhia de assassinos“. Fiquei imediatamente instigada para ver como ela se sairia em um ambiente novo, e estou muito satisfeita com o resultado. A leitura de “A morte de Sarai” é muito mais densa, mas também muito mais prazerosa!

O nome da série logo se encaixa quando conhecemos a história de Sarai: uma adolescente típica que viveu sua infância e pré-adolescência como qualquer outro ser humano normal, até que foi levada por sua mãe para viver no México dentro de um cartel. Quando sua mãe morre, o dono do cartel, que gosta – até demais – da menina, simplesmente a torna sua propriedade e nunca mais deixa ela pisar os pés fora dali. Viver nove anos sendo mantida em cativeiro, presenciando torturas, mortes e estupros modificou totalmente a pessoa que Sarai poderia um dia se tornar, transformando-a em uma jovem fria, calculista, desconfiada e muito insegura. Sarai não é aquele tipo de protagonista boba, que se deixa levar pelas situações. Ela faz o que ela pode com os acontecimentos que são jogados em seu colo.

“Parece que há muitas coisas que eu poderia e deveria ter feito. Nunca imaginei que eu seria a garota idiota do filme de terror que entra correndo na casa mal-assombrada ou tropeça nos próprios pés fugindo da floresta às escuras. Acho que, no geral, todos achamos ridícula a idiotice dos outros, até que nós mesmos somos forçados a viver experiências traumáticas.”

Quando Victor, um assassino treinado para matar a sangue frio desde pequeno, chega ao cartel para resolver alguns assuntos, Sarai aproveita a oportunidade para se aproximar e tentar fugir com ele. Eu sei o que você está pensando agora, mas acredite, leitor: esta não é uma história sobre como juntos eles ultrapassam as barreiras que a vida lhes impôs e conseguem se tornar cidadãos modelo. Não é a história de como ele consegue transmitir confiança e o amor que ela nunca teve na vida, nem como Sarai com seu jeitinho consegue aquecer o coração de Victor. Uma das melhores coisas sobre esta leitura é que tudo é imprevisível, tudo pode – e vai – acontecer.

“Isso vai contra tudo o que eu sou, Sarai.” Ele diz e, em seguida, beija-me.

“Não, não vai.” Eu sussurro e beijo de volta. “É você tornando-se quem você realmente é.”

Uma vez dentro do mundo de Sarai e Victor, mergulhamos em uma literatura completamente diferente. Eu, tão acostumada com mocinhos e mocinhas se conquistando nos corredores de escolas, na frente do cinema ou em um belo piquenique ao ar livre, me peguei completamente apaixonada pelo casal no meio de um tiroteio. Mas nem só de romance vivem os leitores! Enquanto acompanhamos a luta de Sarai com o cartel, com sua família e contra os próprios sentimentos, lemos sobre temas muito sérios e que são pouco abordados na literatura romancista: compra de posses e títulos perante a sociedade, tráfico de mulheres, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas (quase um episódio de Breaking Bad).

“Eu não sou seu herói. Eu não sou a outra metade de sua alma que nunca poderia deixar nada de ruim acontecer com você. Confie sempre em seus instintos primeiro, e em mim, se você escolher, por último.”

Para quem já está familiarizado com a escrita de J.A. Redmerski, vai ser uma experiência muito interessante acompanhar a visível evolução da autora, se despindo do excessivo uso de xingamentos e trazendo mais sentimentos às palavras. A Suma de Letras fez um trabalho maravilhoso com a edição, ganhando pontos extras com a capa – simples e elegante. Em resumo, o livro é recheado de ação, romance e o melhor de tudo: tem continuação! O segundo volume da série Na companhia de assassinos – O retorno de Sarai – já está sendo ansiosamente aguardado por mim!

Leitura recomendada!