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Música do Mundo: Echosmith

Provavelmente você se lembra do hit “Cool Kids“, que explodiu na internet e nas rádios dois anos atrás. Se não escutou, de nada. A música é da banda Echosmith, um grupo de indie-pop americano composto pelos irmãos Sidney, Noah e Graham Sierrota. Jamie Sierota, o mais velho, era guitarrista da banda, mas saiu em 2016. O que você talvez não saiba é que, além de Cool Kids, a banda tem outros hits que mostram que eles tem tudo pra alcançar o topo. E talvez isso aconteça em breve; o próximo álbum (que provavelmente se chamará “Goodbye”), deve sair no fim desse ano. Como até agora o grupo só lançou um álbum, Talking Dreams, vou mostrar as músicas que representam bem o álbum (as que eu considero melhores).

Com um estilo influenciado pelo rock, pop e folk, mas ainda essencialmente indie, Echosmith é a aposta certa para quem quer ter o gostinho de dizer “eu conhecia antes de ficar famoso”. Vêm escutar, seus hipsters. Eu sei que vocês querem.

Talking Dreams

 

  • Come Togheter
    A música que abre o álbum pode confundir fãs dos Beatles, mas a vibe é bem diferente. Aqui a única alusão do ao rock é um pouco da guitarra e o ritmo da bateria, e zero duplo sentido ousado (os irmãos eram novos demais pra isso quando o álbum lançou). É bem animada, e dá destaque ao lado mais pop-rock da banda.
  • Let’s Love
    Vai aqui uma ressalva: Let’s Love vale a pena ser ouvida na versão acústica (que você encontra facilmente no YouTube). A instrumentação belíssima e a mudança na percussão transforma a música, dando um ar mais folk, muito mais leve e original. Na original, parece mais uma continuação de Come Togheter.
  • Come With Me
    Em algumas passagens talvez lembre um pouco de Taylor Swift. A instrumentação é bem gostosa, mas o que realmente prende é o ritmo, a batida – como na maioria das músicas da banda. Vale a pena dar uma olhada na letra.
  • Bright
    Sem dúvida a música mais romântica do álbum. Novamente, a instrumentação aqui é muito bonita, e o baixo recebe um destaque muito bem vindo. O refrão provavelmente vai ficar na sua cabeça pelo resto da semana.
  • Nothing’s Wrong
    Com um riff envolvente, essa faixa fala sobre seguir em frente apesar das adversidades.
  • Surround You
    Tudo nessa música é bem suave. A voz de Sidney, o violão, o vibrafone. Até nas partes onde o ritmo se intensifica, a letra ainda é bem calma e tranquila. Linda.
  • We’re Not Alone
    Essa é na verdade uma faixa bônus, inclusa na versão deluxe do álbum, mas é uma das melhores da banda. O ritmo vai ficar na sua cabeça, e a música vai te transportar se você deixar. A letra, sobre saber que você não está sozinho mesmo num mundo onde todos te dizem que suas novas ideias são erradas, é bem motivadora.

 

Echosmith vai estar dominando a Billboard daqui a uns anos. E você, onde vai estar semana que vem? Descobrindo música nova aqui no Beco Literário, claro. Até a próxima!

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Música do Mundo: Bebe

A cantora espanhola Bebe é popular nos países de língua espanhola, mas por aqui, nem tanto. Dona de uma voz rouca e, para alguns, bastante sexy, ela é a pedida certa para quem gosta de música em espanhol. O sotaque extremenho (da região de Extremadura, na Espanha) ajuda a deixar cada palavra um som bem rasgado. A combinação disso tudo com o estilo único da cantante cria uma mistura sensacional, que vale a pena ser conferida mesmo que você não entenda um pingo de espanhol. E se entender, dá uma olhada nas letras que elas também são bem legais!

Pafuera Telarañas

 

 

“Xô, teias de aranha”, em português. O primeiro álbum tem algumas faixas que representam um pouco da incerteza de estilo (quando ela deriva um pouco demais para o pop), mas também tem belas pérolas.

  • Malo
    Começando com um violão clássico bem gostoso de ouvir, a musica vai evoluindo e termina com guitarras e scratching. A letra é poesia revolucionária feminista, com versos como “Y tu inseguridad machista/
    Se refleja cada día en mis lagrimitas” (E sua insegurança machista se reflete a cada dia em minhas lágrimas).
  • Como Los Olivos
    Plena de uma instrumentação belíssima, a voz e os trejeitos de Bebe nessa faixa tornam-a a mais sensual do álbum. A letra é um romance, e na poesia tem o quê? Mais sensualidade. Eu to escutando aqui bem seduzido.
  • Que Nadie Me Levante a Voz
    Outra faixa com uma temática bem feminista, sobre independência da mulher e do processo de se desprender do papel de “faz-tudo” ao qual muitas são relegadas.

Y.

 

 

Aqui a cantora começa a encontrar seu estilo. Muitas canções do álbum começam com sons ambientes ou pequenas declamações de Bebe, o que também lhe dá um toque artístico.

  • Escuece
    Aquela clássica música sobre superar quem tentou te deixar na pior. Ao som da voz de Bebe e esse ritmo animado, parece até fácil.
  • Sinsentido
    O ukelele nessa música é a coisa mais gostosa de se ouvir, e acompanha muito bem a cantora, que canta aqui uma de suas melodias mais bonitas. A letra também não fica pra trás, falando sobre cuidar de si mesmo (mais especificamente, do seu corpo) numa perspectiva bem saudosista. Seria essa minha música favorita dela?
  • Me Fui
    Escolhi essa música para a transição para o próximo álbum porque o nome dela é Me Fui porque ela resume bem a identidade desse álbum e faz um contraste com a primeira do próximo. A guitarra com distorção e o dedilhado do violão são elementos fortes nessa faixa que voltarão no futuro, o que deixa a passagem para Un Pokito de Rocanrol bem interessante.

Un Pokito de Rocanrol

 

 

Marcado por baixos bem definidos, as faixas aqui são bem animadas, algumas até viciantes. A diversidade entre as faixas também é uma característica desse álbum.

  • Me Pintaré
    Existe algo de animalesco nessa faixa, que faz você querer beijar. Jogar na parede mesmo. Pra quem entende a letra, a sensação é ainda maior – não são só os tambores evocando uma sensação primitiva – o erotismo dos versos de Bebe aqui é de enlouquecer.
  • Mi Guapo
    Uma das músicas mais populares da cantora, o baixo aqui é quase chiclete, mas a música é bem gostosa de se ouvir. O ritmo em que ela canta em algumas partes meio que te deixa em transe, se você se deixar levar.
  • Sabrás
    Quebrando um pouco o ritmo mais animado e dançante, Sabrás é um tanto melancólica, e mostra que Bebe também se dá bem com esse estilo.

Cambio de Piel

 

 

O nome não é sem motivo: o álbum foi realmente uma troca de pele para a cantora. O estilo aqui muda muito, focando em músicas mais calmas, melódicas, em alguns momentos mais profundas; a voz singular e a pronúncia rasgada fazem com que, apesar de tudo, Cambio de Piel ainda seja bastante Bebe.

  • Tan Lejos Tan Cerca
    Tan Lejos Tan Cerca é um pouco do que há de melhor nessa fase de Bebe. A instrumentação é profunda e melódica, e uma nostalgia romântica vem fácil à cabeça. Consuma com moderação.
  • Chica Precavida
    Quase um símbolo rebelde fincado no meio do álbum, essa faixa é um bom rock entre os tons mais aveludados que a cercam.
  • Todo Lo Que Deseaba
    Uma música bastante singular na discografia de Bebe, o piano suave, digno de um bom Jazz, dá o tom dessa música que parece não se encaixar em lugar nenhum – exceto, claro, em Cambio de Piel. Apesar de ser completamente diferente de tudo que Bebe já fez, gosto muito dessa música e espero que vocês gostem também.

 

Gostou? Continua de olho aqui no Beco Literário que toda semana tem mais, aqui na coluna Música do Mundo. Até a próxima!

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Música do Mundo: Blind Pilot

Blind Pilot é para quem tem folk correndo nas veias. A banda começou como um dueto composto pelo cantor Israel Nebeker e o baterista Ryan Dobrowski; após o sucesso do primeiro álbum, quatro integrantes se juntaram ao grupo e deixaram o som mais rico em instrumentos. Além da poesia bem simbólica, variando entre reflexiva e romântica, Nebeker (que escreve as músicas da banda) consegue criar melodias que você vai se ver cantando baixinho ao longo do dia. Tendo crescido bastante, seu mais recente álbum “And Then Like Lions” teve uma recepção gigantesca se comparado ao primeiro álbum do grupo. Um dos singles mais legais, “Packed Powder“, ganhou até um clipe bem bonito e divertido.

Se quando você se apaixonou quando descobriu The Lumineers ou Mumford & Sons, é provável que goste de Blind Pilot. Vem dar uma olhada nos três álbuns da banda até agora:

3 Rounds and a Sound

No primeiro álbum, a banda ainda era composta apenas por Nebeker e Dobrowski, e a maioria das faixas são compostas de voz, violão e bateria apenas (aqui, One Red Thread e 3 Rounds and a Sound são exceções). As músicas eram, como o cantor já declarou em entrevista, intimamente pessoais à sua experiência de vida.

  •  The Story I Heard
    Com uma melodia simples e um bateria presente e viva, é uma das canções mais catchy do álbum. A letra reflete sobre a maneira como vivemos hoje, e sobre podermos nos libertar dessa prisão.
  • One Red Thread
    Uma faixa decorada pela crescente bateria e um equilíbrio entre ritmos doces e suaves e fortes e marcados, fala sobre como existe uma verdade em cada um.
  • 3 Rounds and a Sound
    Uma das músicas mais românticas da banda. A letra é bastante metafórica, mas uma das interpretações possíveis é sobre passar a vida com alguém que você ama.

We Are The Tide

A entrada dos novos integrantes na banda permitiu a experimentação com novos estilos e instrumentações. O estilo ficou um tanto diferente do estilo geral da banda.

  • We Are The Tide 
    A faixa que dá nome ao álbum tem uma das batidas mais animadas de todas as músicas da banda. A letra também expressa um sentimento de alegria e de conexão com o mundo.
  • Half-Moon 
    Uma expressão do lado mais pop-folk da banda. Lembra bastante Passion Pit.
  • White Cider
    O folk do álbum está presente com mais força nessa faixa, onde o contrabaixo e o piano ainda lembram um pouco do Jazz.

And Then Like Lions

  • Packed Powder
    A nova fase da banda mostra seu lado mais animado nesse single com uma guitarra envolvente, vocais cativantes e uma letra sobre encontrar a si mesmo.
  • Which Side I’m On
    Com uma poesia apaixonante sobre aprender com os erros e acertos na vida, essa canção tem uma instrumentação bem completa, com um ritmo que começa lento e torna-se vívido com o refrão.
  • Like Lions
    Sobre o potencial humano para o bem ou o mal, a faixa é construída sobre um formato de “chamada e resposta”, além da estrutura melódica cíclica. Uma das melhores poesias do álbum.

 

Curtiu? Fica ligado aqui no Beco Literário pra descobrir mais artistas da música do mundo aqui na coluna, sempre às Segundas.

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Música do Mundo: Marian Hill

A primeira vez que escutei Marian Hill foi num Vine (RIP). Me lembro de escutar aquela voz envolvente, um mix de jazz e bass, bem ao estilo cabaret, e pensar: preciso saber quem canta isso. E quando ouvi o álbum Sway, me apaixonei por completo. O duo (não, Marian Hill não é o nome da moça), composto por Jeremy Llyod e Samantha Gongol, tem um estilo tão único que é difícil fazer comparações. As modulações de voz, os graves pesados, o jazz presente na bateria e no sax; tudo isso compõe uma música inebriante, melodiosa e contagiante. Marian Hill passeia muito bem entre sensualidade e romance; seja com as letras instigantes ou com o jeito suave de cantar de Samantha, algo nas canções te prende.

Recentemente, o segundo álbum (Act One) foi lançado, e sua versão estendida contém as músicas de Sway e o single “Back to Me”, colaboração do duo com Lauren Jaregui. Esse artigo vai considerar Act One (The Complete Collection) como uma peça única e avaliar algumas das melhores faixas. Vamos lá!

Act One (The Complete Collection)

 

  • One Time
    Narrando com leveza a tensão sexual entre duas pessoas, o sax cria a magia nessa faixa.
  • Got It
    É aqui que Samantha mostra tudo que ela consegue fazer com sua voz. A pronúncia é arrastada, devagar, sensual, e o alcance vocal varia bastante.
  •  Lips
    O riff no piano é o destaque nessa faixa, que une uma letra sobre desejo com um ritmo perfeito para se imaginar beijando o crush.
  • Lovit
    Com o riff principal executado no trompete, o sintetizador e a batida fazem o resto do trabalho para acompanhar os vocais apaixonados.
  • Down
    Descrita por Jeremy como uma música mais simples, tanto na letra quanto nos acordes; mas que contém a essência do que é “Marian Hill”.
  • I Want You
    A vibe dessa faixa é mais próxima daquele jazz quase soul, no estilo Norah Jones (com bastante batida e sintetizadores, claro).
  • Take Your Time
    Sensualidade definem tanto a letra quanto a melodia. Aqui o estilo se aproxima mais do R&B.
  • Good
    Uma das poucas músicas do duo sobre superação romântica; o vocal chopping aqui utilizado por Jeremy nas edições continua forte aqui.
  • Mistaken
    Também bastante influenciada pelo R&B, essa faixa tem um riff no trompete acompanhando o refrão com uma leve influência de pop.

Se quiser trocar o mainstream das músicas sensuais de The Weekend e Justin Timberlake por algo novo, Marian Hill pode ser o que você procura. Dá uma olhada e se você gostou, compartilha e fica ligado aqui no Beco Literário pra mais artistas da música do mundo aqui na coluna, sempre aos domingos.

 

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Música do Mundo: Stromae

É quase certo que sim, você já tenha escutado algo do Stromae. Seus hits “Alors on Dance” e “Papaoutai” explodiram nas rádios e nas baladas por aqui. Mas você sabia que ele que ele é belga? E que suas letras muitas vezes trazem reflexões, histórias de vida e críticas sociais profundas?

Paul Van Haver (nome de batismo do rapper) tem uma história de vida profunda. Seus pais eram de países diferentes. A mãe era belga, e o pai era de Ruanda. Em 1994, o trágico Genocídio de Ruanda deixou aproximadamente 800 mil mortos, dentre eles, seu pai. Em várias entrevistas, Stromae já declarou o quanto ter tido a ausência de seu pai enquanto vivo e ter sido criado por uma mãe solteira o levaram a escrever músicas que falam sobre misoginia e paternidade. Para além disso, ele manteve suas raízes culturais da infância, chegando a dizer que é “50% geneticamente, 40% culturalmente” africano.

Vale adicionar que, pra quem está aprendendo francês, escutar Stromae e ler a letra de suas músicas é um ótimo incentivo. As músicas dele, mesmo dançantes e animadas, ficam ainda melhores quando você entende as críticas, as piadas ácidas e o sarcasmo que elas contém.

São dois álbuns que compilaram suas produções até agora. Põe os fones de ouvido e vem escutar!

Spotify: https://open.spotify.com/artist/5j4HeCoUlzhfWtjAfM1acR

Cheese (2010)

O primeiro álbum foca mais no estilo Eurodance, e traz o hit “Alors On Dance”.

  • Je Cours
    Não existe música melhor pra ouvir correndo no mundo. Não, nem “Gonna Fly Now” bate. A respiração no fundo adiciona uma sensação de presença que poucos artistas conseguem dar às suas músicas.
  • Te Quiero
    Existem várias interpretações para a letra, mas o ritmo mostra o jeito típico do compositor de rimar em francês, e é garantido de fazer você querer dançar.
  • Dodo
    O interessante dessa faixa é como ela explora a melodia de uma canção de ninar para fazer um ritmo eletrônico de batida intensa. A letra foi uma das primeiras de Stromae a falar sobre paternidade.

Racine Carée

É em Racine Carée que Stromae adiciona ao seu estilo as raízes culturais de sua ascendência africana. O resultado é uma música rica, única e marcante. Nele foi lançado o hit “Papaoutai” (que é por onde vale a pena começar a escutá-lo).

  • Ave Cesaria
    A faixa é uma homenagem de Stromae à cultura musical africana, em especial à cantora cabo-verdiana Cesária Evora. Dá pra ouvir no final ele dizendo “Oh sodade, sodade de nha Cesária”… (Ps.: Não, não está errado! A frase é cantada não em português, mas em crioulo cabo-verdiano, um idioma bem próximo).
  • Carmen
    Uma crítica ácida aos viciados em redes sociais, a faixa é uma obra prima por reaproveitar uma base de música eletrônica e criar uma batida eletrizante em cima dela.
  • Tout Les Mêmes
    A faixa originou um dos melhores clipes do compositor, estrelado por ele mesmo; nele, ele se veste/maquia metade do corpo como um homem, metade como uma mulher, e atua um dia cotidiano, mostrando dois lados da vida de um casal e como os dois podem ser mais parecidos do que se pensa. Também pode ser interpretado como um questionamento da barreira que separa o que é considerado “feminino” do que é considerado “masculino”.

Bônus:

  • A faixa Ta Fête, do álbum Racine Carée foi o tema da seleção belga na Copa do Mundo de 2014
  • No clipe de Formidable, Stromae finge estar bêbado na rua e a produção filma a reação dos pedestres e até da polícia.

Curtiu Stromae? Fica ligado aqui no Beco Literário pra mais artistas da música do mundo aqui na coluna, sempre aos domingos.

 

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Música do Mundo: Cícero

É difícil categorizar a música de Cícero. É MPB, com certeza, mas para além disso, não existem rótulos que abranjam seu estilo. Sua música, experimental por natureza, tranquila e envolvente, tem que ser escutada para ser compreendida.

O carioca Cícero Lins vem ganhando popularidade no cenário alternativo da MPB desde seu primeiro álbum, Canções de Apartamento (2012), e já foi fazer shows até em Portugal. Ele é relativamente popular pra quem acompanha a cena indie da música brasileira, mas talvez não tanto para quem vê de fora; Apesar disso, seus shows podem ter os ingressos esgotados bem rápido: Cícero tem um público pequeno, mas dedicado.

Duas coisas tornam sua música tão original: sua música é caseira e de belíssima e diversa instrumentação. Cícero grava todas as suas músicas em casa. Compõe sozinho, como já declarou em entrevista em 2011, e passou por uma jornada de amadurecimento musical ao longo de seus três últimos álbuns ao sair de letras principalmente sobre relacionamentos e suas consequências para poesia com uma forte influência na dinâmica e estética social urbana. Os instrumentos em suas músicas vão da guitarra ao xilofone, do violino ao tambor.

Mas é como eu disse: para entender, você tem que escutar. Então dá uma olhada aqui numa seleção especial de músicas de Cícero para você começar a aproveitar.

Que ela te tire de casa…

Canções de Apartamento (2012)

  • Tempo de Pipa
    Sobre como pessoas e fases da nossa vida as vezes estão intimamente ligados, e o que deixam em nós.
  • Ensaio Sobre Ela
    Começando ao som da chuva, essa é uma canção sobre as surpresa, esperanças e desilusões de um relacionamento.
  • Açúcar ou Adoçante?
    Com a poesia casual e conversativa que Cícero costuma usar, essa melodia que vai do calmo ao intenso é uma de suas melhores.

Entra pra ver
Mas tira o sapato pra entrar
Cuidado que eu mudei de lugar
Algumas certezas
Pra não te magoar

Sábado (2013)

  • Capim-Limão
    O melhor exemplo do toque urbano nas letras do artista, numa tomada minimalista.
  • Frevo por acaso
    Uma letra sobre poder (ou não) contar com alguém. Que por acaso, evolui num frevo (não podia perder a piada).

A Praia (2015)

  • A Praia
    A canção que dá nome ao álbum é envolvente, melodiosa, rica. O que Cícero quis dizer com “as canções de amor inventam o amor” fica para a interpretação do ouvinte.
  • O Bobo
    Sobre as pequenas e grandes alegrias da vida. O título lembra uma crônica da Clarice Lispector, “Das Vantagens de Ser Bobo”.
  • De Passagem
    Retrata o sentimento que se tem ao viver um amor que te traz paz e transforma sua vida. Alternativamente, pode ser interpretada como um ode àquela pessoa por quem você se apaixona por um instante no metrô ou na rua, e depois nunca mais vê.

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Música do Mundo: Cœur de pirate

Já ouviu música em francês? Não? Cœur de Pirate é um ótimo ponto de entrada.

Béatrice Martin, nome real da cantora, é quebequense e começou a tocar piano com 3 anos de idade. Após passar por algumas bandas underground, ela lançou seu primeiro álbum, também intitulado Cœur de Pirate, em 2007. Desde então foram 3 outros álbuns, inclusive a trilha sonora do videogame Child of Light (2014), pela Ubisoft. Em 2016, a cantora assumiu-se queer após o tiroteio na boate Pulse, em Orlando.

A cantora Canadense é um dos maiores expoentes da música francófona (em língua francesa) contemporânea. Com canções melódicas que vão do extremamente fofo ao sinistro e melancólico, suas composições são marcantemente únicas, e se você estiver disposto a ler a tradução das letras – ou falar francês – vai encontrar letras que falam de amor fugindo dos clichês dos gêneros românticos atuais. Abaixo, eu selecionei pra vocês 12 músicas, divididas em álbuns, que capturam uma imagem da música dela, inclusive alguns bônus em inglês.

Amusez-vous bien! 🙂

Cœur de Pirate (2007)

O álbum de estréia trouxe, com melodias simples, o estilo que estaria presente dali em diante em suas músicas. Bastante romance ao som de instrumentações agradáveis e tranquilas, com predominância do piano e violão.

  • Comme des Enfants
    A definição da música “fofa”. Premiada na 25ª edição do Victoires de la Musique, na França.
  • Printemps
    Animada e alegre, ao som de violão e piano, a letra na verdade é bem triste. Fala sobre amor não correspondido.
  • Fondu au Noir
    Com um ritmo melódico e sinistro, essa música combinaria bem com uma animação do Tim Burton.

Blonde (2011)

Provavelmente a obra prima de Cœur de Pirate, embora seja difícil dizer com tantas músicas boas. A obra evolui para melodias mais complexas e variadas, ainda marcadas pela letra profundamente poética.

  • Place de la République
    Mais romântico, impossível. Uma poesia sobre se despedir do seu amor e lembrar de tudo.
  • Adieu
    Animada. Dedique essa música àquela pessoa que você amou, mas foi babaca com você.

    “Mas diga-me adeus amanha
    Mas me diga adeus no caminho
    Vá ver os outros, eu não ligo
    Eu amei você, mas te garanto que é o fim”

    É a sofrência francesa. Ps.: Vale a pena ver o clipe.

  • Verseau
    Com uma batida bem alegre, a letra é linda e fala sobre o amor imperfeito. “Verseau” é o signo de Aquário em francês.
  • Saint-Laurent
    Uma das mais belas instrumentações de Cœur de Pirateessa música é uma bela pedida pra escapar do mainstream.
  • Ava
    Com uma inspiração bem “anos 50”, Ava na verdade é uma conversa com uma garota que namora om um cara mais velho que se aproveita dela. Fala sobre se libertar de homens que te aprisionam com falsas promessas de amor.

Roses (2015)

Com um toque techno e batidas ainda mais marcadas, esse álbum se diferencia por trazer também letras em inglês. Teve também um significado mais profundo para a cantora, que cita influência do nascimento de sua filha em fazer das suas composições mais otimistas e menos sombrias.

  • Cast Away
    Uma das melodias mais belas do álbum, a letra fala sobre se dispor a ajudar a pessoa que você ama.
  •  Our Love
    A narração da parte mais difícil da superação, com uma batida marcada e viciante.
  • Drapeau Blanc
    Representa a parte mais techno do álbum com sua melodia. A cantora declarou numa entrevista para o jornal canadense “The Star” que a música foi composta para narrar seu complicado relacionamento com a mãe.
  • Oceans Brawl
    O “hino” do álbum, Oceans Brawl fala sobre finalmente encontrar forças para lutar contra o sentimento que te prende à alguém que não te faz bem. É uma canção sobre superação.

Bônus:

  • Last Christmas
    A versão de Cœur de Pirate de uma música popular de Natal americana. Ótima para ouvir em qualquer época do ano, na verdade.

 

Livros, Lugares

Aniversário de SP: livros sobre a cidade de São Paulo

Como Caetano Veloso já cantou em “Sampa”, é difícil entender a dura poesia concreta de tuas esquinas, mas São Paulo é uma cidade inspiradora e isso está marcado em diversas poesias e livros. Por isso, aqui traremos uma breve sinopse de 8 livros sobre a cidade que não dorme para comemorar seu aniversário:

São Paulo, Literalmente – João Correia Filho

Esse livro é um guia turístico da cidade de São Paulo pelos seus grandes autores. Dividido em regiões e bairros, o jornalista João Correia Filho conta um pouco sobre cada ponto turístico da cidade e traz poesias e frases sobre ela. Além disso, as fotos únicas que recheiam o livro são do próprio autor e transmitem a beleza e grandeza de sampa. Para conferir uma entrevista completa com João Correia Filho sobre seu livro que ganhou o prêmio Jabuti 2012 na categoria Turismo e sobre suas impressões pessoais sobre São Paulo, clique aqui: A beleza de ser só mais um.

eles eram muitos cavalos – Luiz Ruffato

“eles eram muitos cavalos” deve ser um dos retratos mais trabalhados da cidade. No livro, Luiz Ruffato narra histórias que se passam num mesmo dia com personagens totalmente anônimos e independentes em diversos pontos da cidade. O propósito do livro é fazer um perfil sobre a cidade caótica e multifacetada. Nele, os cavalos são todos e o um dia serve para mostrar as inúmeras coisas que acontecem na megalópole em questão de horas.

As Meninas – Lygia Fagundes Telles

Num dos romances mais consagrados de Lygia Fagundes Telles, São Paulo é cenário na história de três universitárias tentando em constante movimento e tentando se encontrar durante 1973, uma época opressora e de grande violência, principalmente numa das principais cidades do país. Lygia Fagundes Telles faz uma bela transição entre narrador personagem e narrador observador e explora a cidade junto ao movimento das garotas.

Alguma coisa acontece – Herbert Carvalho

O livro de Herbert Carvalho traz o depoimento de 22 personalidades que ajudaram a construir São Paulo como é hoje e que, graças a isso, têm seus nomes em ruas, prédios, entre outros. É quase uma coleção de perfis que fazem o perfil da cidade.

Conte sua história de São Paulo – Milton Jung

“Conte sua história de São Paulo” foi, na verdade, um quadro da Rádio CBN, onde o âncora Milton Jung pedia para os ouvintes mandarem suas histórias com a cidade e os textos eram narrados pelos jornalistas da rádio. Essas narrativas viraram o livro de 110 textos em 12 capítulos e traz o lado mais humano da cidade pelos olhos dos seus cidadãos.

São Paulo Cidade Azul – Andrea Barbosa

Nesse livro, Andrea Barbosa tem uma pauta super interessante de avaliar a representação da grande metrópole a partir dos filmes de cineastas paulistanos da década de 1980. Ela busca entender o que era a São Paulo daquela época, o que era mostrado e escondido e traz seu olhar antropológico para seu estudo, além de incluir no livro diversas imagens belas.

A capital da solidão – Roberto Pompeu de Toledo

O jornalista Roberto Pompeu de Toledo fez uma pesquisa intensa sobre a primeira vila que começou a formar São Paulo e transformou todo o seu material em livro para contar os primeiros anos de vida da cidade que hoje é a maior do país. A pesquisa vai desde o começo da vila até 1900 e traz iconográficos, mapas, entrevistas e muito mais.

Saudades de São Paulo – Claude Lévi-Strauss

Se você estuda cultura e história, com certeza já ouviu falar de Lévi-Strauss. Ele foi um importante filósofo e antropólogo belga que, por acaso, deu aulas na Universidade de São Paulo (USP). O professor viveu na cidade entre 1935 e 1937 e resolveu registrar seu olhar antropológico em um depoimento memorável quando revisitou as imagens da cidade.

Gostou das recomendações? Se sim, veja mais do nosso especial em comemoração ao aniversário de São Paulo nas matérias Músicas sobre a cidade de São Paulo e 10 contas no Instagram para curtir São Paulo.

Lugares, Música

Aniversário de SP: músicas sobre a cidade de São Paulo

São Paulo é uma cidade descrita em livros, poesias, pinturas, performances e muito mais, pois nas suas esquinas cabem essas declarações. Além disso, ela também é mencionada em diversas músicas, seja como cenário, objeto de contemplação, crítica e muito mais. Fizemos uma lista de faixas que mencionam São Paulo para comemorar mais um aniversário da maior cidade do Brasil, confira:

 

Às vezes – Tulipa Ruiz: essa música do álbum “Efêmera” da cantora do gênero pop florestal, Tulipa Ruiz, começa mencionando uma das ruas mais famosas e frequentada pelos jovens em São Paulo, a Augusta. Se você ouvir atentamente, perceberá que a letra é uma mistura em tanto. São situações diferentes vividas na cidade e mostra o caos que pode ser ligado tanto à Augusta, quanto à São Paulo toda.

Teu ar displicente invade meu espaço
E eu caio no laço exatamente do jeito
Um crime perfeito
It’s all right, baby blue

 

Paulista – Vânia Bastos: numa canção romântica, Vânia Bastos usa a Paulista como cenário para seu caso de amor. A grandeza da avenina, sua história e o sentimento de passear por ela são retratados na canção doce de 2005.

Na Paulista
Os faróis já vão abrir
E um milhão de estrelas
Prontas pra invadir

 

Sampa Midnight – Itamar Assumpção: a música de Itamar Assumpção leva o mesmo nome que o disco em que está e conta a história que o cantor viveu com dois amigos de um blecaute na região da Avenida Paulista e Consolação. Vários pontos famosos são citados, como a estação de metrô Trianon- Masp e o próprio vão do museu.

Deu blackout na Paulista
Breu no Trianon
Cadê o vão do museu, sumiu
Meu Deus do céu que escuridão

 

Sampa no Walkman – Engenheiros do Hawaii: numa pegada mais rock, Sampa no Walkman cita canções e bandas que possuem músicas sobre São Paulo e características dos moradores da cidade. Na letra estão as multiplicidade da cidade e do paulistano.

Esta São Paulo
São tantas cidades
Nunca tantas quantas gostaria de ser

 

São Paulo, São Paulo – Premeditando o Breque: numa adaptação da música “New York, New York”, a banda Premeditando o Breque fala da grande cidade do Brasil com cidadãos nada tradicionais, porém faz sua devida crítica a vida dos paulistanos cercada por poluição, poucas opções de lazer e habitação ou oportunidades para quem quer “fazer a vida” na cidade. Além disso, a maioria dos bairros de São Paulo são citados de uma maneira divertida na canção, assim como alguns pontos turísticos.

Um ponto de partida pra subir na vida em São Paulo
Terraço Itália, Jaraguá, Viaduto do Chá

 

Tradição (vai no Bexiga pra ver) – Geraldo Filme: o samba “Tradição (vai no Bexiga pra ver)” fala da mudança no bairro do Bexiga, mas a tradição do samba que persiste na região.

mas o Vai-Vai está firme no pedaço
é tradição e o samba continua

 

Trem das Onze – Demônios da Garoa: todos sabemos que “Trem das Onze” é originalmente de Adoniran Barbosa, mas a banda “Demônios da Garoa” a adaptou para uma versão mais agitada e continua contando a dificuldade do jovem filho único de deixar a amada pois mora no Jaçanã, um bairro distante na Zona Norte de São Paulo.

Moro em Jaçanã
Se eu perder esse trem
Que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã

 

Modão de Pinheiros – O Terno: com rimas bem engraçadas, a banda O Terno traz uma perseguição romântica no bairro de Pinheiros. Várias ruas do bairro são citadas até que a canção acaba no Itaim.

Virando na Teodoro
Eu falei: “eu te adoro”

 

Sampa – Caetano Veloso: e, é claro, não poderia faltar o hino da cidade por Caetano Veloso. Caetano escreveu a canção baseada na sua primeira impressão de São Paulo, já que o cantor é baiano. E os baianos não deixam de ser mencionados na música que traz a questão dos migrantes, das diferentes culturas, do trabalho, da poluição e das dificuldades de viver na cidade. Ainda assim, a letra é uma grande homenagem à São Paulo, pois convida o ouvinte a descobrir “dura poesia concreta de tuas esquinas” e apreender melhor o que trazem os artistas paulistanos, qual é sua visão de mundo. É um olhar de um turista tentando entender a cidade.

É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas

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Atualizações, Lugares

Aniversário de SP: Museus do Estado distribuem passaportes de entrada gratuita SOMENTE HOJE

A cidade de São Paulo faz 463 anos hoje (25) e para homenagear a maior metrópole da América Latina, os Museus do Governo do Estado de São Paulo presentearão os visitantes somente no dia de hoje com exemplares do Passaporte dos Museus. Para ganhar, basta fazer check-in na página do Facebook do museu estadual visitado – inclusive os que têm entrada gratuita todos os dias – e apresentá-lo na bilheteria.

A ação só é válida nos museus da capital paulista. Com o Passaporte, é possível entrar de graça em qualquer museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo: as folhas contêm informações sobre os museus, fotos e espaço para um carimbo. Na visita, basta apresentá-lo na bilheteria e, assim, garantir seu “visto de entrada” e uma entrada gratuita. Confira a lista dos museus que irão distribuir os passaportes no dia 25. As quantidades são limitadas e a distribuição será por ordem de chegada.

Não esqueça de fazer check-in no Facebook ao chegar no museu.

Casa das Rosas

Casa Guilherme de Almeida

Catavento Cultural

Memorial da Resistência

Museu Afro Brasil

Museu da Casa Brasileira

Museu da Imagem e do Som e Paço das Artes

Museu da Imigração

Museu do Futebol

Museu de Arte Sacra

Pinacoteca do Estado

Museu da Diversidade Sexual