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Gabu Camacho

Atualizações, Colunas, Cultura

Experiência: Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro (05/09/15)

Toda a minha vida, sempre fui nas bienais do livro de São Paulo (leia minha última experiência aqui). Jamais havia ido ao Rio de Janeiro, sequer. Então, alguns dias antes do evento, surgiu a oportunidade de ir. Fui, sem nem conseguir uma credencial de blogueiro como sempre faço em SP. Comprei meu ingresso, e entrei normalmente, como não fazia há séculos. É engraçado como a gente se acostuma com a vida boa de ter credencial e não enfrentar fila embaixo de chuva. Mas é bom voltar a ser fanboy.

Moro em São José dos Campos, interior de São Paulo. Fui para o Rio de Janeiro de carro. Saí daqui as quatro da manhã, e cheguei no local as nove e meia. Antes disso, não havia dormido uma hora sequer. Fui para a casa da minha amiga Mariana lá pelas nove, porque sairíamos de lá. E você sabe o que acontece quando vamos dormir em casas de amigos, não é? Sempre tem mais um vídeo para mostrar no Youtube, mais um episódio de seriado, mais um assunto para colocar em dia… Não dormimos e embarcamos virados, mesmo, com nossas mochilas cheias de lanche. Era a primeira vez das minhas amigas em bienal, e eu recomendei que levássemos comida, porque comprar lá é bem caro.

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Derrotados na van, mas comendo muito pão com patê.

Dormimos quase que a viagem toda nas posições mais tortas possíveis. Um em cima do outro, com malas, mochilas, equipamentos… Mal cabíamos dentro do veículo. Mas chegamos bem no Rio, onde o tempo estava fechado, com uma garoa fina. Entramos na fila quilométrica. Confesso que senti falta, e muita, da minha credencial nessa hora. Desculpem-me, mas jamais gostei de filas grandes e esperas infinitas. Mas foi legal, porque logo na fila, conheci vários leitores do site, distribuí muitos marcadores e filmei os Jogos Vorazes que foi a entrada. Que caótico!

Entramos e tudo o que eu conseguia pensar era: UAU! Três pavilhões de evento, três vezes maior que a Bienal de São Paulo. Talvez estivesse mais lotada, apesar de não parecer. O espaço é realmente enorme e aconchegante. Já garantimos nosso mapa e fomos até o pavilhão azul, onde estava a alma do evento. Tão vazio, tão cheiroso, dava até desespero! Mesmo sem credencial, fomos os primeiros a entrar.

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Ah, a fila! Mirella, eu e Mariana, da esquerda para a direita.

O primeiro estande que fomos, como mostrei no daily vlog que deixarei incorporado no final do texto, foi o da Intrínseca porque como eu disse, geralmente é o mais lotado depois de algumas horas. Faz até fila pra entrar depois, e geralmente não conseguimos comprar nada ou já está tudo esgotado pelo dia. Éramos os únicos nele, parecia até um sonho. Pegamos muitos marcadores, dos mais variados livros, deixei vários marcadores do site e finalmente adquiri meus exemplares de Não se apega, não Não se iluda, não da Isabela Freitas. Mirella e eu surtamos de uma maneira jamais vista anteriormente porque estava muito barato. Ela pagou cerca de cinco reais no exemplar de Círculo (veja a resenha aqui e a entrevista com os autores aqui!), e eu paguei mais de quarenta, no mesmo livro há algum tempo pela internet.

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O estande da Intrínseca, ô coisa linda e cheirosa!

Ok, todo mundo sabe que só pegamos mapas caso algo dê ruim. Ninguém realmente pega um mapa e o segue à risca com um itinerário pronto. Então saímos meio sem rumo, procurando o próximo estande legal para se visitar. Chegamos no compartilhado da Arqueiro com a Sextante. Estávamos hanging around quando de repente eu pego o braço da Mariana e tudo o que eu sei dizer é “Julia Quinn!”. Ela me olha meio qual a sua doença? Eu só aponto para o crachá da gringa do meu lado e para a pilha de livros na frente dela. A autora estava do meu lado, e então, tudo foi um borrão. Tudo o que eu lembro é de dizer “Can we take a picture?” e dela respondendo da maneira mais amável possível “Sure”. Eu estava tremendo bastante e por isso, a moça da editora se ofereceu para tirar. Lembro-me também de ter dado um marcador e falado algo do tipo “Please, visit my website.” porque nem pra pedir um autógrafo eu servi. Ok, a gente supera com o tempo.

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Julia Quinn e eu (tremendo muito!) no estante da Arqueiro

Só sei que demorei um pouco para superar o fato de que eu havia acabado de conhecer Julia Quinn. Fui então até o caixa com os livros dela na mão e paguei. Ainda não sei porque não pedi pra ela autografar. Os livros estavam na mão e ela do meu lado. Só precisava falar “Write something in here, please!”. Mas não foi dessa vez, mesmo.

Não me lembro muito da ordem dos estantes que seguimos além disso. A bienal foi lotando aos poucos, mas nada tão insuportável como chegou a ser em São Paulo, porque lá, muitas vezes eu cheguei a me sentir realmente mal. No Rio, além de ter uma organização parecida, apesar de levemente melhor, a lotação é totalmente suportável. Não colocam mais pessoas que o suportável. Lotou sim, bastante, peguei filas enormes, mas era totalmente compreensível e frequentável. Nada muito absurdo.

Como se não bastasse o grande tiro que levei na cara ao encontrar com Julia Quinn, encontro – de longe – com o grande mito Maurício de Souza. Ok, não dava pra perder a oportunidade de me aproximar do mestre. Não consegui uma foto com ele, nem um autógrafo porque não deixaram, mas cheguei na multidão igual um cortador de gramas, câmera em mãos e sou jornalista, licença por favor! E as pessoas acreditaram.

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Obrigado, ser que colocou o cotovelo no canto da minha foto!

Bom, foi incrível “conhecer” Maurício de Souza, mesmo que de maneira indireta. Ele fez parte da minha infância, assim como de muita gente que acompanha o site, tenho certeza. Gostaria de ter dado o marcador pra ele, mas estavam realmente com uma marcação muito cerrada com relação a quem se aproximava dele. E minha cota de sorte do século acabou naquele encontro com a Julia Quinn, né?

Estava rolando também, uma pequena homenagem comemorando os oitenta anos do criador da Turma da Mônica, com um mural de post its de recados de fãs, e uma exposição exclusiva com ilustrações lindas de todos os personagens do autor. Veja no slideshow abaixo todos os registros que fiz dessa seção (que ocupava uma grande parte do terceiro pavilhão):

Nessa altura, já tínhamos comprado pelo menos uns cinco livros cada um e estávamos todos com os braços cortados de tanto carregar sacola. Mas é uma dor boa, afinal, a ansiedade pra chegar em casa e ver os novos filhos é cada vez maior né? Seguimos então para o estande da Novo Século, onde conversamos com mais alguns autores, distribuímos mais marcadores, conversei com vários membros da Armada Escarlate e claro, tirei uma foto nova com a Renata Ventura, uma das minhas escritoras preferidas e ambos de chapéu coco:

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Grande Renata! Sempre uma honra trocar mesmo que poucas palavras com ela…

Fiquei o dia todo na Bienal, mas são tantos lugares para visitar, tantos estandes para ver, tanta gente pra conhecer, que o dia acaba por passar muito rápido. O legal foi que conheci muitos leitores do site, tirei foto com vários deles (se você tem alguma inclusive, me manda!) e quando foi umas duas da tarde, não aguentávamos mais. Então sentamos em um canto e dormimos, literalmente. Sei que amarrei minha câmera, mochila e abracei meus livros e dormi ali no chão mesmo. Micão total, mas o que não faz o cansaço, não é mesmo?

Acordamos uma hora e meia depois, aproximadamente e fomos até o estande da Novo Conceito para a sessão de autógrafos do Pedro Chagas Freitas, autor de Prometo Falhar. Mas antes, deixei minha amiga na fila um pouco para conhecer Renan Carvalho, autor de Supernova: O Encantador de Flechas. E o que seria de mim sem um pequeno mico perante meus autores preferidos? No emaranhado de sacolas, mochila, câmera, acabei por tropeçar e cair antes de pegar o autógrafo. Obrigado. Eis a foto:

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Vamos tirar uma foto sorrindo, fingindo que o leitor não pagou micão perto do autor preferido… (logo tem resenha!)

Feito isso, voltei então para a fila do Pedro Chagas, que não estava tão grande, apesar de que odeio esperar. Enquanto isso, fui ver como estava a vida nas redes sociais, fazer uma pequena cobertura no Twitter e coisas assim. Eis que chega uma avalanche de mensagens no meu celular assim que ligo o 3G. “Isabela Freitas postou sua foto.” Fiquei totalmente sem entender o que estava acontecendo, achei que todos estavam enlouquecidos, mas só para confirmar, abri o Instagram. E isso tinha acontecido:

O quão legal é uma das suas autoras preferidas postar sua foto no Instagram? E há quem tenha dito que eu estava pagando o maior mico da minha vida ao tirar essa foto. Ok, né. Mas quem está no Insta da Isa mesmo? Ah tá!

Chegou minha vez de ser atendido pelo autor de Prometo Falhar, e olha, sem palavras. Além de escrever uma dedicatória especial para cada leitor, ele ainda bate um papo com cada um deles. E foi nessa que ele disse que gostaria de ler meu livro que lançarei em breve, e para eu nunca desistir dos meus sonhos. Engraçado porque, era justamente o que eu precisava ouvir no momento. Essas coisas acontecem né?

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“Você é um sonhador, como eu? Continue assim.”

Saímos todos realizados da Bienal. Com muitos livros que nem sabíamos como levaríamos embora, alguns autógrafos e com certeza, ótimas lembranças. Arrisco dizer que gostei mais dessa do que a do ano passado, em São Paulo. Tanto no quesito organização, quando no quesito preço, presenças ilustres, infraestrutura… Tudo magnífico! Parabéns para a organização. Se na última postagem de experiência eu falei mal dela, deixo aqui meus mais sinceros elogios.

E você, o que achou da Bienal do Livro do Rio de Janeiro? Conta pra gente nos comentários!

Veja também, o daily vlog que gravei enquanto estava lá:

E o vídeo especial mostrando tudo o que comprei e ainda dando breves comentários sobre o que escrevi acima:

Atualizações

"Não se apega, não" virará quadro do Fantástico!

Após confirmar que seu primeiro livro Não se apega, não teve os direitos comprados pela Rede Globo, Isabela Freitas disse através do seu Instagram que a trama será transformada em um quadro especial e inédito do programa Fantástico, que vai ao ar todos os domingos.

E aí, ansiosos assim como nós? Leia a resenha do livro aqui.

Atualizações

Vlog: Compras e resumo da Bienal do RJ

Atrasou um pouquinho, mas saiu! O vídeo de sexta-feira (que acabou indo pro ar no sábado, uma semana depois) é um pequeno resumo da minha experiência na Bienal do Livro do Rio de Janeiro no último dia 5. Nele, eu mostro tudo o que eu comprei, os livros que peguei autógrafo e alguns dos autores que esbarrei pelo caminho.

Ainda deve sair durante a próxima semana, como eu disse no vídeo, minha cobertura escrita (e com fotos exclusivas!) de tudo o que eu passei, assim como fiz sobre a Bienal de São Paulo.

Atualizações

"Os Ventos do Inverno", sexto livro das Crônicas de Gelo e Fogo deve sair em 2016

The Winds of Winter (Os Ventos do Inverno, em tradução livre), sexto livro de “As Crônicas de Gelo e Fogo”, série escrita por George R. R. Martin que deu origem ao seriado Game Of Thrones, tem lançamento previsto para 2016, segundo entrevista do editor ao site Vulture.

“Essa é a expectativa, mas um meteoro pode cair e isso pode não acontecer”, disse Alejo Cuervo à rádio espanhola. O que nos resta então, é esperar para ver se as previsões irão realmente se concretizar.

Atualizações

"A Luva de Cobre", segundo livro de Magisterium já está em pré-venda!

O segundo livro de Magisterium, A Luva de Cobre, escrito por Holly Black e Cassandra Clare, já entrou em pré-venda no Brasil! Você pode encomendá-lo clicando aqui, aqui ou aqui. A previsão de entrega é para o início de outubro.

Confira também, a capa oficial brasileira e em seguida, a sinopse:

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Nesta fantasia urbana, um universo de magia coexiste com nosso mundo.
Um universo repleto de intrigas, onde crianças aprimoram seus poderes em uma escola de magia chamada Magisterium, com Mestres que temem a volta do mago mais poderoso, e ambicioso, de todos os tempos, o Inimigo da Morte. Nesse volume, o aprendiz de mago Callum Hunt precisa encontrar uma antiga arma mágica roubada do Magisterium. A luva de cobre é capaz de arrancar a magia de uma pessoa e destruí-la completamente. Ao mesmo tempo, ele tem de decidir se conta aos amigos que, dentro dele, vive a alma do Inimigo da Morte, apenas à espera do momento perfeito para retomar sua escalada pelo poder…
Atualizações

Rede Globo compra os direitos de "Não se apega, não", de Isabela Freitas

A autora Isabela Freitas, de Não se apega, não (resenha aqui) e Não se iluda, não (resenha aqui) acabou de anunciar através de sua conta no Instagram que os direitos para uma adaptação do seu livro para a televisão foram comprados pela Rede Globo.

A autora tem 24 anos e é considerada “um fenômeno editorial”. A obra lançada em 2014 vendeu 350 mil exemplares. Também dela, “Não se iluda, não” chegou às livrarias há dois meses e lidera as listas dos mais vendidos.

A autora ainda contou, detalhadamente, como aconteceu:

“Em Março desse ano o Manoel Carlos entrou em contato comigo, e disse que queria me encontrar para conversar sobre o meu livro “Não se apega, não” que ele tinha lido e gostado muito. Para minha surpresa, ele não conheceu meu livro através da lista dos mais vendidos da VEJA, ou através de alguma indicação. Ele apenas entrou na livraria, se interessou pela capa, leu a contracapa, e disse que aquele textinho ali o conquistou. Resultado: ele comprou meu livro, leu, gostou, e queria que ele fosse mais que um livro. Então agora posso falar pra vocês em primeira mão: OS DIREITOS DO “NÃO SE APEGA, NÃO” FORAM VENDIDOS PRA REDE GLOBO! SIM!!!! Vocês irão ver alguma coisa na Globo relacionado ao meu livro. O que será, hein? Façam suas apostas. Agora temos um novo segredo 😁❤️ Obrigada a todos que me apoiaram, aos meus fãs, meus amigos, quem sempre torce por mim! Devo tudo o que tenho a vocês, tudo. E tudo o que faço, faço pensando em vocês. Espero que estejam tão felizes quanto eu!!!”

Vocês estão tão surtados como eu? (Quero informar também que sou eu nesta foto da autora, surtem comigo). Isabela Freitas estará presente hoje na Bienal do Rio de Janeiro.

Atualizações

Último filme da série "Divergente" ganha novo título!

Nós já sabíamos que o capítulo final da série Divergente seria dividido em duas partes: Convergente Parte 1 e Convergente Parte 2.

No entanto, foi anunciado recentemente, que temos novos títulos! O penúltimo capítulo da saga nos cinemas será chamado de Allegiant, como o livro (Convergente, em português) e o último Ascendant (Ascendente, em tradução livre).

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O que ainda foi mais curioso é a tagline divulgada: O fim nunca é o que você espera. Ou seja, temos muitas teorias e possibilidades para pensarmos. O que você acha disso? Comente!

Atualizações, Colunas

10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio

Países do mundo inteiro têm utilizado o dia 10 de setembro como dia de combate e prevenção ao suicídio. A importância da data se deve a estimativa da OMS – Organização Mundial da Saúde de que nos últimos 45 anos a taxa de suicídio cresceu 60% no mundo. A cada ano, 1 milhão de pessoas tiram a própria vida, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 16 por 100 mil habitantes, o mesmo que uma morte a cada 40 segundos, número que pode dobrar até 2020.

No Brasil, casos equivalem a uma ocorrência por hora, chegando a 4,9 por 100 mil habitantes, segundo dados Mapa da Violência 2011 do Instituto Sangari, mas número real é ainda maior, visto que muitas vezes estes casos são relatados como mortes acidentais. Entre os anos 1998 e 2008, o total de suicídios no país teve um aumento de 33,5%, superior ao crescimento da própria população – 17,8%, do número de homicídios – 19,5% e dos óbitos por acidentes de transporte -26,5%. Por isso, o Ministério da Saúde considera o tema um problema de saúde pública.

Segundo dados da OMS, ao longo da vida, 17,1% dos brasileiros “pensaram seriamente em por fim à vida”, 4,8% chegaram a elaborar um plano para tanto, e 2,8% efetivamente tentaram o suicídio.

Criado há 50 anos com o objetivo de prevenir o suicídio, o Centro de Valorização da Vida – CVV, atualmente trabalha no apoio emocional a população em qualquer momento difícil, inclusive quando o suicídio parece ser a única opção. Hoje cerca de 2 mil voluntários atendem 24h por dia, por meio do telefone 141, chat, VoIP ou pessoalmente nos 70 postos existentes no Brasil.

O tema é uma preocupação global. No mundo inteiro existem ONGs que atuam na mesma linha do CVV, como os Samaritanos na Inglaterra, os Befrienders nos EUA, entre outros. No Brasil, este trabalho vem ganhando força e deve assumir papel importante perante a sociedade e as autoridades na medida em que aumentam os dados do impacto do suicídio na economia e crescem as evidências de que há como evitar essa enfermidade.

Momento de derrubar tabus

As razões podem ser bem diferentes, porém muito mais gente do que se imagina já teve uma intenção em comum. Segundo estudo realizado pela Unicamp, 17% dos brasileiros, em algum momento, pensaram seriamente em dar a elaborar um plano para isso. Na maioria das vezes, no entanto, é possível evitar que esses pensamentos suicidas virem realidade. A primeira medida preventiva é a educação: é preciso deixar de ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema. Como já aconteceu no passado, por exemplo, com doenças sexualmente transmissíveis ou câncer, a prevenção tornou-se realmente bem-sucedida quando as pessoas passaram a conhecer melhor esses problemas. Saber quais as principais causas e as formas de ajudar pode ser o primeiro passo para reduzir as taxas de suicídio no Brasil, onde hoje 32 pessoas por dia tiram a própria vida. Por isso, é essencial deixar os preconceitos de lado e conferir alguns dados básicos sobre o assunto.

Em uma sala com 30 pessoas, 5 delas já pensaram em suicídio.

Pensar em suicídio faz parte da natureza humana

COMO PODEMOS DEFINIR O SUICÍDIO?
Suicídio é um gesto de autodestruição, realização do desejo de morrer ou de dar fim à própria vida. É uma escolha ou ação que tem graves implicações sociais. Pessoas de todas as idades e classes sociais cometem suicídio. A cada 40 segundos uma pessoa se mata no mundo, totalizando quase um milhão de pessoas todos os anos. Estima-se que de 10 a 20 milhões de pessoas tentam o suicídio a cada ano. De cada suicídio, de seis a dez outras pessoas são diretamente impactadas, sofrendo sérias consequências difíceis de serem reparadas.

O QUE LEVA UMA PESSOA A SE MATAR?
Vários motivos podem levar alguém ao suicídio. Normalmente, a pessoa tem necessidade de aliviar pressões externas como cobranças sociais, culpa, remorso, depressão, ansiedade, medo, fracasso, humilhação etc.

COMO SE SENTE QUEM QUER SE MATAR?
No momento em que tem ideias suicidas, a pessoa combina dois ou mais sentimentos ou ideias conflituosos. É um estado interior chamado de ambivalência. Ela busca atenção por se sentir esquecida ou ignorada e tem a sensação de estar só – uma solidão sentida como um isolamento insuportável. Muita gente tem um desejo de revide ou imposição do mesmo sentimento negativo aos outros, querendo que sintam o mesmo que ela. Outras pessoas sentem vontade de desaparecer, fugir ou de ir para um lugar ou situação melhor. Quase sempre, sentem uma necessidade de alcançar paz, descanso ou um final imediato aos tormentos que não terminam.

O SENTIMENTO E O IMPULSO SUICIDAS SÃO NORMAIS?
Pensar em suicídio é uma coisa que faz parte da natureza humana, e é estimulada pela possibilidade de escolha. O impulso também é uma reação natural, porém é mais comum nas pessoas que estão exaustas por dentro e emocionalmente fragilizadas diante de situações que despertam possibilidade de suicídio.

QUEM SE MATA MAIS: MENINOS OU MENINAS?
Os meninos normalmente se matam mais, embora elas tentem mais vezes do que os meninos. Essa tendência também acompanha os adultos, por causas culturais relacionadas a costumes e preconceitos sociais.

1 suicídio a cada 40 segundos.

Quem tenta suicídio, pede ajuda

O SUICÍDIO ESTÁ VINCULADO A ALGUMA DOENÇA MENTAL?
O suicídio resulta de uma crise de duração maior ou menor, que varia de pessoa para pessoa. Não está necessariamente ligado a uma doença mental, mas sim a um momento crítico que pode ser superado. As pessoas correm menos risco de se matar quando aceitam ajuda.

PESSOAS QUE AMEAÇAM SE MATAR PODEM DESISTIR DA IDEIA?
Sim, podem. Ao receber ajuda preventiva ou oferta de socorro diante de uma crise, elas podem reverter a situação ao colocar para fora seus sentimentos, ideias e valores, alterando, assim, seu estado interior. Essa ajuda pode vir de pessoas comuns, ligadas a organizações voluntárias como o CVV, que se dedicam à prevenção do suicídio – são voluntários que têm um papel importante ao ouvir quem estiver passando por um momento de desespero. O apoio pode vir também de profissionais, contribuição muitas vezes indispensável, especialmente nos casos de descontrole. Essas duas possibilidades de ajuda são reconhecidas no mundo inteiro, pois apresentam bons resultados.

AS PESSOAS QUE TENTAM SUICÍDIO PEDEM SOCORRO?
Sim, é frequente pedir ajuda em momentos críticos, quando o suicídio parece uma saída. A vontade de viver aparece sempre, resistindo ao desejo de se autodestruir. De forma inesperada, as pessoas se veem diante de sentimentos opostos, o que faz com que considerem a possibilidade de lutar para continuar vivendo. Encontrar alguém que tenha disponibilidade para ouvir e compreender os sentimentos suicidas fortalece as intenções de viver.

QUEM ESTÁ POR PERTO PODE AJUDAR? COMO?
É preciso perder o medo de se aproximar das pessoas e oferecer ajuda. A pessoa que está numa crise suicida se percebe sozinha e isolada. Se um amigo se aproximar e perguntar “tem algo que eu possa fazer para te ajudar?”, a pessoa pode sentir abertura para desabafar. Nessa hora, ter alguém para ouvi-la pode fazer toda a diferença. E qualquer um pode ser esse “ombro amigo”, que ouve sem fazer críticas ou dar conselhos. Quem decide ajudar não deve se preocupar com o que vai falar. O importante é estar preparado para ouvir.

Tem algo que eu posso fazer para te ajudar?

COMO O SUICÍDIO É VISTO PELA SOCIEDADE?
O suicídio foi e continua sendo um tabu entre a maioria das pessoas. É um assunto proibido e que agride várias crenças religiosas. O tabu também se sustenta porque muitos veem o suicida como um fracassado. Por outro lado, os homens, por natureza, não se sentem confortáveis para falar da morte, pois isso expõe seus limites e suas fraquezas. Esse tabu piora a situação de muitos. Muitas vezes, mesmo aqueles que seguem religiões que condenam o suicídio não conseguem respeitar suas crenças e acabam dando fim à própria vida.

O MUNDO ATUAL TEM INFLUÊNCIA NO NÚMERO DE SUICÍDIOS?
As estatísticas mostram que o suicídio cresce não somente por questões demográficas e populacionais, mas também por problemas sociais que prejudicam o bem-estar de cada um e que estimulam a autodestruição. Nossa sociedade vive com diversas situações de agressão, competição e insensibilidade. Campo fértil para que transtornos emocionais se desenvolvam. O antídoto para combater essa situação limita-se, no momento, ao sentimento humanitário que algumas pessoas têm.

QUAIS AS ESTATÍSTICAS SOBRE SUICÍDIO NO BRASIL?
A média brasileira é de 6 a 7 mortes por 100 mil habitantes, bem abaixo da média mundial – entre 13 e 14 mortes por 100 mil pessoas. Mas o que preocupa é que, enquanto a média mundial permanece estável, esse número tem crescido no Brasil. E a maior porcentagem de suicídios é registrada entre jovens.

O SUICÍDIO PODE SER PREVENIDO?
Sim. Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária ou profissional. No Brasil, o CVV – rede voluntária de prevenção – atua nesse sentido há mais de 50 anos. Recentemente, foi iniciado um movimento de políticas públicas para traçar planos integrados de prevenção.

QUEM OFERECE AJUDA PARA PESSOAS COM INTENÇÃO DE SE MATAR?
As pessoas que precisam de ajuda podem recorrer ao CVV, grupo de voluntários que oferecem apoio emocional gratuito. E já existem programas de saúde pública que oferecem esse serviço em algumas regiões do país. Há, portanto, uma ampla rede de apoio voluntário por meio de telefonia, internet e atendimento presencial. O CVV atende por telefone, chat, Skype, e-mail e pessoalmente, além de realizar atendimentos especiais em casos de eventos e catástrofes. Somos um grupo de 2.200 voluntários treinados para ouvir e compreender pessoas que estão abaladas emocionalmente e que correm sério risco de vida.

90% dos suicídios podem ser prevenidos.

Informações do Centro de Valorização da Vida, para saber mais, clique aqui.

Fonte 1 | Fonte 2

Atualizações, Livros, Resenhas

Resenha: A menina que colecionava borboletas, Bruna Vieira

Bruna Vieira está cada vez mais longe dos quinze, e sabe que crescer nunca é tão simples. Considerada uma das blogueiras mais influentes do mundo, mais uma vez ela dá vazão ao seu talento como escritora com este seu novo livro de crônicas e pensamentos, em que mostra o quanto amadurecer e conquistar a independência é maravilhoso, mas tem seus desafios e poréns. A garota do interior que usa batom vermelho e que realizou seus maiores sonhos continua inspirando adolescentes de todo o país. Para ela, as páginas deste livro significam o bater de asas das borboletas que colecionou dentro do peito por algum tempo e que agora, finalmente, pode deixar que voem livres por aí.

Confesso que nunca dei muito crédito para livros que blogueiras escreviam. Mas sempre fui um leitor assíduo do Depois dos Quinze, blog da Bruna Vieira, apesar de nunca ter ligado muito para seus livros. Achava que eram histórias que não iriam me agradar. Mas, após um amigo me falar várias frases de A menina que colecionava borboletas, resolvi dar uma chance.

E aconteceu que não era uma história. Eram várias crônicas, dos mais variados assuntos e que, para pagar minha língua daquela maneira bem típica, eu me identificava bastante. Além disso, me inspiravam bastante.

O livro da Bruna possui uma narrativa leve, daquela que podemos encontrar em uma conversa descontraída entre amigos. Arrisco dizer inclusive, que me sinto amigo dela depois da leitura. Ela trata de assuntos como popularidade na época do colégio, a não aceitação de nós mesmos, o primeiro amor, o primeiro fora, traição, confiança, as dificuldades de crescer… E quem não se identifica com isso, não é mesmo?

A autora ainda conta do seu período de adaptação conforme seu blog crescia na internet, e essa parte em particular me afetou bastante, afinal estava passando pela mesma coisa. Nossa vida não é nada além de uma transição atrás de outra.

O livro não é grande, mas demorei para lê-lo. Aquela demora proposital em que resolvemos enrolar, ler e reler cada página para que aquilo demore mais para acabar. É tipo comer um chocolate em pequenas mordidas e esperar que ele derreta em nossa boca. Foi assim que li A menina que colecionava borboletas, entre inúmeras pausas que eu dava para anotar algum quote, tirar uma foto bonitinha para o Instagram, ou até mesmo, escrever.

Bruna me inspirou a escrever meus melhores textos neste livro. Eu lia determinada frase e era como um estouro, em que palavras choviam na minha cabeça e lá estava eu, escrevendo milhares de novos contos inspirados no que tinha acabado de ler. É um livro especial, sim. Bruna Vieira sabe das coisas.

Muitos dizem que é o típico livro de menininha, mas já desconstruí esse padrão em outras postagens aqui. Não é. Livros não tem gênero. O livro da Bruna Vieira é para todos aqueles que sentem em demasia, para todos aqueles que são corajosos o suficiente para dar asas aos sentimentos mais profundos, sem medo da decepção. Mais que recomendado para todas as idades, todas as épocas e acima de tudo, todo tipo de sentimento capaz de existir.

Atualizações, Livros, Resenhas

Resenha: Muito mais que 5inco minutos, Kéfera Buchmann

Com apenas 22 anos, a curitibana Kéfera Buchmann já reúne quase doze milhões de seguidores nas suas mídias sociais (YouTube, Facebook, Twitter e Instagram). São cinco milhões de assinantes só no seu canal no YouTube, “5inco minutos”, o quarto mais visto do Brasil. Ela recebe centenas de mensagens de fãs de todo o país diariamente e é sempre parada na rua. Se o YouTube é de fato a nova televisão, como argumentam alguns estudiosos, hoje Kéfera equivale aos antigos astros globais.

Com algumas diferenças, porém: enquanto aqueles atores e atrizes geralmente cultivavam um discurso de bons moços, Kéfera ficou conhecida por dizer o que pensa. E é daí, dessa sinceridade chocante e muitas vezes desbocada, que se alimenta o seu sucesso enorme. Muito mais que 5inco minutos traz essa Kéfera sem papas na língua, mas não é centrado na sua fase atual de youtubber popstar. O livro joga luz sobre uma Kéfera que nem todos os fãs conhecem, a Kéfera pré-fama.

A menina super sensível que sofreu bullying em quase toda a infância e que, em vez de se dobrar, se tornando uma pessoa amargurada, se reinventou e ressurgiu como uma jovem forte e alegre que serve de exemplo para milhares de meninos e meninas. Kéfera fala desses momentos difíceis e também da sua relação tortuosa com a matemática, do seu primeiro beijo, de moda e de relacionamentos. Não faltam, claro, momentos hilários. E outros de deixar o coração apertado. Ou seja, Kéfera sendo mais Kéfera do que nunca.

Acompanho a Kéfera e o seu canal do Youtube, 5inco Minutos desde os primórdios. Ok, nem tanto. Conheci ela em meados de 2012, quando todos já pareciam conhecê-la, menos eu. Me mostraram um vídeo dela no colégio e eu nunca havia rido tanto na minha vida. Resultado? Passei a madrugada desse dia vendo todos os seus outros vídeos. Sim, zerei o canal dela em uma madrugada e a partir de então, não perdi uma atualização sequer.

É engraçado quando nós acompanhamos alguém assim, do anonimato ao sucesso supremo. Eu me negava a dizer que era fã de uma Youtuber, porque nossa, quem é fã de uma pessoa que faz vídeos na internet? Mas tudo bem. Continuei acompanhando e quando dei por mim, já lutava por uma resposta dela no Twitter e fazia gifs de seus vídeos a rodo no Tumblr.

Quando fiquei sabendo, através do seu Snapchat, que teríamos um livro, já fiquei bastante animado, afinal, disso eu entendia muito. Acompanhei então, toda a saga da escrita, revisão, anúncio do título, capa, autógrafos… E o livro finalmente foi lançado. O primeiro que comprei na Bienal do Rio, para ser exato. E claro, impossível não folhear e ler logo de cara algumas frases.

Lembro que foi difícil de encontrar o livro porque foi um sucesso total de vendas. E quando achei duas cópias escondidas na Saraiva, certeza que alguém voltaria para pegar depois, já comprei sem hesitar. Uma para mim, e outra para minha irmã. E comecei a leitura no mesmo dia, como quem não quer nada. Terminei também. Na madrugada, jogado.

Não dava muito para um livro. A gente tem essa mania de julgar as coisas sem conhecer, mas ainda bem que resolvi lê-lo. Kéfera mostra que é muito mais que um rostinho bonito fazendo graça em frente a uma câmera. A autora mostra, que o buraco é mais embaixo realmente, e que é muito, mas muito mais que 5inco minutos, mesmo.

Com uma maturidade jamais vista, Buchmann expõe assuntos que são vistos por muitos como tabus intocáveis, tais como bullying, depilação íntima, o primeiro amor, o primeiro fora, permeando suas lições de moral com muito bom humor e exemplificando com fatos que aconteceram em sua própria vida. Devo admitir, são poucos os autores que conseguem, com tanta facilidade e delicadeza, tocar nos assuntos que Kéfera tocou, e saírem deles com êxito em demasia.

Além disso, temos algumas fotos exclusivas da atriz, feitas justamente para o livro, assim como da nossa queridíssima Vilma Tereza, o que ajuda a compor essa atmosfera leve em que a narrativa é levada. Leve, mas com profundidade inigualável. É o tipo de livro que eleva sua autoestima às nuvens, não importa se você tem doze ou trinta e poucos anos. Afinal, peguei minha irmã – de doze – e minha mãe – de trinta e poucos – no flagra, lendo o livro, que com certeza passará de mão em mão aqui em casa.

Finalizado com um epílogo que deixa um gosto de quero mais, Kéfera Buchmann mostrou que tem um potencial jamais visto anteriormente e um talento múltiplo, afinal, seu currículo agora ganha o título de autora de algo eterno e que, com certeza, será best-seller em alguns dias. Recomendo para todas as idades, e para todo o tipo de pessoa.

E se você tem preconceito, te convido a deixá-lo só um pouquinho de lado para experimentar o que Kéfera tem a te proporcionar com seu livro. Tenho certeza de que não vai se arrepender em momento algum!