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Alice Oseman

Review: Heartstopper (2ª temporada, 2023)
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Review: Heartstopper (2ª temporada, 2023)

Confesso que enrolei para assistir à segunda temporada de Heartstopper na Netflix porque eu só tinha lido os dois primeiros livros da série, até então, que tinham sido adaptados na primeira temporada. Eu queria ler os outros antes, mas não rolou, então acabei iniciando a segunda temporada mais tarde, mesmo assim. Não li o terceiro e o quarto livro, então, minhas opiniões nesta review serão baseadas exclusivamente na série, sem comparar com os livros desta vez.

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A segunda temporada de Heartstopper inicia com uma atmosfera em que Nick Nelson (interpretado por Kit Connor) e Charlie Spring (interpretado por Joe Locke) estão namorando e, agora enfrentam novos desafios: contar ou não contar para os amigos? Como os amigos de Nick vão reagir ao descobrirem que ele é bissexual? Será que ele vai sofrer preconceito como Charlie sofreu quando se assumiu gay no passado? Todos esses medos giram na cabeça de Nick enquanto Charlie espera não precisar mais viver em segredo a fase mais feliz da sua vida.

O primeiro passo para Nick é contar para Imogen (interpretada por Rhea Norwood), uma das melhores amigas dele e ex-crush dele. Ele até tenta, mais de uma vez, mas se sente travado com o medo da rejeição. Charlie e seus amigos então armam uma tarde de filmes e pizzas em casa para que ele se sinta em um lugar seguro. Lá, todos já sabem, menos ela. Ele rodeia, rodeia, rodeia e por fim, conta. Ela age com naturalidade e revela que está ficando com Ben (interpretado por Sebastian Croft), o que não agrada Nick.

Os oito episódios de Heartstopper são curtinhos (assim como os livros são de fácil leitura) e preciso dizer que a segunda temporada demorou um pouco para engatar. O ritmo slow burn por ser uma série adolescente atinge seu ápice nessa temporada e fica slow slow slow slow burn. O relacionamento de Charlie e Nick parece não evoluir, principalmente quando Tao (interpretado por William Gao) começa a se apaixonar por Elle (interpretada por Yasmin Finney). O relacionamento deles também segue uma linha mais lenta (afinal, todos eles são adolescentes), mas queima um pouco mais rápido que o dos protagonistas.

A narrativa fica ainda mais fria no segundo episódio, quando as notas de Charlie começam a despencar na escola e seus pais atribuem a culpa a Nick e o deixa de castigo. Aqui, Tao também começa a se irritar com Elle que está fazendo novos amigos na escola de arte que ela deseja entrar e conhecemos David Nelson (interpretado por Jack Barton), irmão mais velho de Nick que invade sua privacidade constantemente e quer descobrir quem é Charlie. Entendo que a gente precisa entender a jornada de descoberta de cada um, mas essa segunda temporada foi extremamente lenta para mim. Parecia que nada ia pra frente nem pra trás em momento algum.

O negócio melhora nessa temporada de Heartstopper só depois do quarto episódio quando as crianças tem uma viagem da escola para Paris. Mas, como aqui a gente já está acostumado a receber poucas migalhas das relações entre os personagens, a gente se contenta com pouco. Dá raiva quando Charlie e Nick precisam dormir em camas separadas porque nenhum deles tem boca para falar com seus amigos? Dá, muita. É compreensível que os dois possuem processos internos muito complexos como pessoas LGBTQIAP+, mas sinceramente… cansa.

Para se ter uma ideia, a série começa a esquentar de novo quando Charlie aparece em Paris com um chupão no pescoço e Isaac (interpretado por Tobie Donovan) aparece com um interesse amoroso. Nesse ponto eu só queria ver o romance dos dois, porque Nick e Charlie ficam numa eterna espiral de não devemos mais andar juntos em Paris, não devemos nos beijar, você não vai me beijar, será que eu conto, será que não conto? Me sinto um adulto amargurado quando digo: haja paciência pra romance slow burn (e olha que eu nem sou o maior amante de fast burn).

Elle e Tao conseguem se entender e assumir seu relacionamento, Isaac consegue se compreender melhor como uma pessoa assexuada e arromântica, Tara (interpretada por Corinna Brown) e Darcy (interpretada por Kizzy Edgell) passam por uma crise e resolvem, mas Nick e Charlie… ficam a temporada toda NA MESMA.

Eu confesso que torci muito para o Ben voltar para Charlie e dar uma apimentada na história, principalmente depois que Imogen termina com ele em Paris e ele se arrepende de ter perdido o garoto, mas o máximo que a gente tem é um encontro rápido no penúltimo episódio em que Charlie fala mil verdades na cara de Ben e sai de mãos dadas com Nick rumo ao baile. Talvez eu não seja mesmo o público alvo de Heartstopper hoje em dia, porque eu só conseguia assistir pensando que eu queria reviravoltas, pegação, atitude e um pouco mais de rapidez nas coisas. Não sei se é pior namorar Nick Nelson ou Charlie Spring, sinceramente.

Ok, agora que eu já falei toda a minha frustração com essa temporada, eu vou finalizar falando bem e te incentivando a assistir Heartstopper, porque ainda sim é uma série necessária para adolescentes e crianças LGBTQIAP+. Eu digo e repito que queria ter tido (e ter visto) essa série quando era pré-adolescente, quando precisava desse colo. Talvez, se hoje em dia eu ache lenta, foi porque não tive esses referenciais lá atrás quando gay era associado à promiscuidade. Apesar disso tudo, uma das cenas finais após o baile do colégio em que todos eles dançam juntos ao som de seven da Taylor Swift, fez toda a minha raiva valer a pena – foi fácil, uma das cenas mais bonitas de toda a série até agora.

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Review: Heartstopper (1ª temporada, 2022)

A primeira temporada de “Heartstopper”, é baseada nos dois primeiros livros homônimos da série escritos e ilustrados por Alice Oseman e chegou à Netflix prometendo trazer uma jornada tocante e repleta de emoções que explora as nuances da adolescência, abordando temas como amor, amizade e autodescoberta em um slow burn LGBTQIAP+ que não é muito comum até então. Ao longo da primeira temporada, somos transportados para o universo de Nick e Charlie, dois adolescentes cujo relacionamento floresce em meio aos desafios da juventude.

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A adaptação consegue captar a essência dos livros, talvez por ter a autora como produtora e consegue se manter fiel aos personagens e aos dilemas que conquistaram os corações dos leitores. Conseguimos ver, por exemplo, cenas que foram capturadas exatamente igual aos livros, elementos visuais (como as folhinhas voando) que foram desenhados por cima dos frames e muito mais.

A história principal de Heartstopper reside na jornada de autodescoberta de Nick Nelson (interpretado por Kit Connor) e Charlie Spring (interpretado por Joe Locke). A série mergulha nos altos e baixos desse relacionamento, proporcionando uma visão autêntica da adolescência LGBTQIA+, sem cair em estereótipos. Ao longo dos episódios, testemunhamos o florescer de uma conexão que vai além da superficialidade, enfrentando os desafios comuns da juventude, como aceitação, bullying e as complexidades de se apaixonar.

Um dos grandes pontos fortes da adaptação é a atenção dada ao desenvolvimento dos personagens. Nick e Charlie são mais do que simples rótulos; são indivíduos multifacetados, cada um lidando com seus próprios dilemas pessoais, enquanto também lidam com o desafio de estarem juntos. As performances convincentes de Joe Locke e Kit Connor elevam ainda mais a narrativa, dando vida a esses personagens de maneira autêntica e envolvente – eles são perfeitos para o papel, sim ou claro?

A série não tem medo de explorar os aspectos mais sombrios da adolescência, particularmente quando se trata do bullying enfrentado por Charlie. Esses momentos, embora difíceis de assistir, adicionam camadas à narrativa, abordando emoções relevantes e proporcionando uma plataforma para discutir o impacto do bullying na saúde mental dos adolescentes. A escolha de não suavizar esses temas revela a sinceridade e a coragem por trás da produção, sem deixar de lado a responsabilidade social, como aconteceu em os 13 Porquês, por exemplo.

Um ponto notável em Heartstopper é a representação positiva de relacionamentos LGBTQIA+, um aspecto crucial da trama e até então, pouco visto na mídia. A série destaca a importância de aceitar a si mesmo e aos outros, independentemente da orientação sexual, transmitindo uma mensagem poderosa de inclusão. Isso é particularmente evidente nas interações familiares, onde os personagens enfrentam diferentes níveis de apoio e compreensão. A abordagem sensível e realista dessas dinâmicas familiares contribui para a autenticidade da narrativa e para um debate cada vez mais inclusivo na sociedade.

Ao adaptar uma obra literária, é sempre desafiador equilibrar a fidelidade ao material de origem com a necessidade de ajustes para o formato televisivo. “Heartstopper” lida com essa tarefa admiravelmente, mantendo a essência dos livros enquanto introduz nuances que aprimoram a experiência visual. A escolha de expandir certos aspectos da trama, sem perder a essência da história, adiciona camadas que podem surpreender até mesmo aqueles leitores que não gostam muito das mudanças.

Os fãs dos livros ficarão encantados com a atenção aos detalhes na caracterização dos personagens secundários também. A inclusão de figuras como Tara (interpretada por Yasmin Finney) e Darcy (interpretada por Kizzy Edgell) contribui para a riqueza do universo de “Heartstopper”, proporcionando uma perspectiva mais abrangente das relações interpessoais na vida dos protagonistas. A química entre os membros do elenco é palpável, criando um ambiente coeso que cativa o espectador para além das telinhas, já que escalaram atores LGBTQIAP+ para os papéis, fazendo com que a inclusão passe a valer além da ficção.

A cinematografia de Heartstopper é digna de elogios, já que cada cena é cuidadosamente composta para transmitir emoções e aprofundar a conexão emocional com os personagens. A paleta de cores reflete o tom da narrativa, passando de tons vibrantes durante momentos de alegria para uma atmosfera mais sombria nas cenas mais intensas. Essa atenção à estética não apenas torna a série visualmente atraente, mas também reforça as emoções subjacentes em cada cena.

A trilha sonora desempenha um papel crucial na ambientação da série, proporcionando emoções que complementam perfeitamente as reviravoltas emocionais dos personagens. Cada faixa é selecionada com precisão, intensificando as cenas mais poderosas e proporcionando um pano de fundo melódico para os momentos mais íntimos.

Um dos aspectos mais admiráveis de “Heartstopper” é a maneira como aborda a complexidade das relações humanas. Não se trata apenas de uma história de amor, mas de uma exploração profunda da amizade, compaixão e empatia. Os momentos compartilhados entre os personagens destacam a importância de se apoiarem mutuamente, mesmo quando confrontados com adversidades – eu queria muito ter tido uma Heartstopper na minha adolescência que pudesse me mostrar todas essas nuances do que a gente considera errado como ser humano.

Os temas de aceitação e autoaceitação são intrínsecos à narrativa, contribuindo para uma mensagem positiva e edificante. Ao assistir a jornada de Nick e Charlie, somos lembrados da importância de aceitar nossas próprias vulnerabilidades e abraçar a autenticidade, independentemente das expectativas sociais.