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Os 10 Melhores Poemas da História (Parte 1)

Escolher os melhores poemas da história é difícil, limitar a escolha a apenas dez poemas é mais difícil ainda e qualquer um que se engaje nessa tarefa é indiscutivelmente pretensioso. De qualquer forma, aqui está a primeira parte da minha lista dos dez melhores poemas da história.

10. Soneto de Fidelidade, de Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

O nosso poetinha fala do amor de uma forma peculiar. Ciente de que não há de viver para sempre, confessa que deseja apenas vivê-lo em cada “vão” momento.

9. How do I love thee, de Elizabeth Barret Browning

Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.
Amo-te até nas coisas pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quiser,
Ainda mais te amarei depois da morte. (tradução de Manuel Bandeira)

Soneto de Elizabeth Barrett Browning dedicado ao seu marido, Robert Browning, também poeta. Na opinião deste humilde colunista, a mais bela declaração de amor já feita por alguém. Robert se apaixonou por Elizabeth antes mesmo de conhecê-la pessoalmente, apenas lendo seus poemas.

8. The Raven, de Edgar Allan Poe

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
	É só isto, e nada mais." (tradução de Fernando Pessoa)

O mais célebre poema de Edgar Allan Poe. O poema retrata magistralmente o crescente desespero do eu lírico face à misteriosa ave que aparece em sua janela. Influência determinante na vida de autores como Machado de Assis, Fernando Pessoa e Charles Baudelaire.

7. Tabacaria, de Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Uma das muitas personalidades de Fernando Pessoa concebe um poema que não deixa de revelar um pouco da biografia de seu criador. Um tesouro do Modernismo que trata de forma intimista as sensações de frustração e conformidade resignada.

6. L’Éternité, de Arthur Rimbaud

De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai. (tradução de Augusto de Campos)

O jovem poeta escreve brilhantemente sobre o desespero face ao infinito. Observamos a eternidade passar diante da nossa limitada vida como quem observa o Sol se pôr ou as ondas do oceano.

Espero que vocês gostem dos poemas e que eles sejam tão significativos para vocês quanto foram para mim. A segunda parte da lista será postada em breve.

Resenhas

Resenha: Mãos de Cavalo, Daniel Galera

Carregado de detalhes, Mãos de Cavalo é um livro que se você não soubesse que é de Daniel Galera, sacaria que era dele logo nas primeiras páginas. Muito bem narrado, ele demora para engrenar. A demora não é culpa do autor. Ele quis que fosse assim.

As frustrações do cirurgião plástico Hermano os fazem sumir alguns dias de sua rotina, de seus pacientes e de sua família em escapadas para escalar com um amigo, onde exploram as maiores montanhas da região sul país. Esta insatisfação com a vida atual é guiada também por memórias nostálgicas, de sua infância nos anos 90, que são a melhor parte do livro. Os conflitos, brigas, primeiro beijo, aventuras com amigos, e até a morte de um deles: tudo faz sentido e tudo remete a algo que acontece com ele aos 30 anos de idade.

Os capítulos alternados entre os tempos atuais e os tempos passados vão de capturando aos poucos. Demora para se captar a aura desta história dramática e cheia de personalidade. E é disso que Mãos de Cavalo fala: sobre a definição da personalidade de um homem. É como se a trinca de livros de Galera “Cordilheira” e “Barba Ensopada de Sangue” juntas se resumisse a nos dizer que temos que aceitar nosso destino e seguir em frente com eles. É tudo uma construção que vem sendo feita desde nossos primórdios aos tempos atuais.

Hermano resolve abandonar sua última aventura, que era escalar uma montanha de gelo na Argentina para correr atrás de sua base, voltar a sua infância e começo de adolescência e obter respostas, quem sabe, para reavaliar o seu futuro.

Não é um livro para altas expectativas. É apenas uma boa leitura que o fará pensar muito sobre si mesmo.

Atualizações, Cultura, Novidades, Talks

Entrevista: Nos apegamos à Isabela Freitas por alguns minutos e te contamos tudo!

Durante a última Bienal do Livro de São Paulo, tivemos a oportunidade única de entrevistar a rainha do desapego, Isabela Freitas. A musa, que deu uma palestra na Arena Cultural com duração de cerca uma hora, respondendo a perguntas de fãs do Brasil todo, que chegaram a viajar horas só para conhecê-la nos recebeu durante sua sessão extra de autógrafos para responder a algumas perguntinhas.

Vídeo da Isa na Bienal, e nós do Beco ali de relance assistindo ela.

Antes do evento, o site da organização da Bienal havia distribuído senhas para autógrafos dos seus livros Não se apega, não (resenha aqui) e Não se iluda, não (resenha aqui), que se esgotaram em minutos, deixando muitos fãs sem a oportunidade de conhecer a autora. Mas para Isabela, senha não quer dizer nada. Simpática com todos os presentes, a escritora arrumou um espacinho no estande de sua editora, Intrínseca, e pediu para que os fãs formassem uma fila, que dobrou esquinas. A mineira de 25 anos fez questão de atender todos os leitores presentes, assinar seus livros e tirar foto com cada um deles. Humildade, a gente vê por aqui. Não deixou o local enquanto o último leitor não realizou o tão esperado sonho de conhecê-la, a diva de uma geração desapegada, que não se ilude por pouco e que agora, foge de enrolações!

Sempre com um sorriso no rosto, Isa nos recebeu entre um fã e outro na sua mesa de autógrafos, por aproximadamente dois minutos, já que a quantidade de desapegados era quilométrica! Na época, seu terceiro livro, Não se enrola, não (resenha aqui), ainda não tinha sido lançado.

Beco Literário: O que podemos esperar da Isabela de “Não se enrola, não”?
Isabela Freitas: Eu sempre tento conciliar conselho e história, o primeiro foi muito conselho e eu achei que poderia explorar mais a história. No segundo, eu tentei mixar os dois de uma forma que não ficasse cansativo muita história e muito conselho e o terceiro eu melhorei mais um pouquinho. Estou sempre evoluindo como escritora, e vocês como meus leitores também.

E olha, deixando de lado toda a minha admiração pela autora, Não se enrola, não está magnífico! Óbvio que já li no dia em que comprei, e com certeza, já fizemos resenha aqui no site, que você confere clicando aqui.

BL: Como você acha que seus livros venderam tantos exemplares? Tem alguma fórmula do sucesso?
IF: Não sei, uma macumba talvez (risos). Eu acho que um pouco de sorte, às vezes, e era um livro que ainda não tínhamos visto. Falando de relacionamentos, ao mesmo tempo em que tem uma história, uma personagem divertida, um livro leve pra você ler bem rápido, as pessoas gostam disso.

Inovadora e destruidora mesmo! Confesso que conversar com a Isa é uma experiência única, e que entrevistar ela como um “simples jornalista” foi um desafio e tanto. Ela é um orgulho tremendo. <3

BL: Você acha que seu blog influenciou um pouco nisso?
IF: Na verdade, acho que não. Porque tem muita gente que tem sucesso com blog e não vende livros. Então acho que foi o boca-a-boca. Uma pessoa leu, contou para a outra e foi indo…

Com certeza, não podíamos deixar de perguntar sobre Nerve. Para quem não assistiu, Nerve conta a história de um jogo, onde você pode ser um watcher (observador) ou player (jogador). Os watchers enviam desafios aos players, que ao concluírem, recebem quantias exorbitantes de dinheiro. Mas claro que os desafios não são tão simples assim. Entre eles, tem roubar roupas de lojas caríssimas, dirigir uma moto em velocidade máxima com vendas nos olhos, beijar um desconhecido na rua…

BL: Isa, você assistiu Nerve. Você seria uma watcher ou uma player?
IF: Ahhh, eu sou player (risos). Eu sou player total, eu gosto de viver a vida intensamente. Eu sai do filme querendo jogar Nerve. A gente é muito preso a medos e a julgamentos e achei incrível essa história. Pensei, por que não tive essa ideia antes?

E claro, nada melhor que uma indicação aos nossos queridos Becudos, diretamente da nossa rainha.

BL: Indica um livro para os nossos leitores? Que você goste muito ou tenha lido recentemente?
IF: Recentemente eu li a coleção de “A Seleção”, eu amo A Seleção (da Kiera Cass).

Se você também não leu nossa resenha da série “A Seleção”, corre aqui!

BL: E pra finalizar: Uma pergunta que nunca fizeram pra você mas que você queria muito responder?
IF: Que nunca fizeram para mim… Ih, acho difícil (risos). Ai nossa… Essa pergunta! É a melhor e a pior pergunta, foi essa, nunca me fizeram, adorei!

Um amor de pessoa, não é? Foi uma honra entrevistar Isabela Freitas e de antemão, já agradecemos a ela pelo tempo que cedeu a nós, pelos fãs, que estavam na fila e aguardaram ansiosamente até que fizéssemos essa matéria e a Andressa, da Intrínseca, que tornou isso possível. Não se enrola, não, novo livro da autora já está a venda nas principais livrarias do país, e tem resenha no Beco Literário aqui.

Não se enrola, não, Isabela Freitas
Livros, Resenhas

Resenha: Não se enrola, não, Isabela Freitas

“Na sequência de Não se iluda, não, a vida de Isabela dá uma completa reviravolta depois do sucesso de seu blog, Garota em Preto e Branco. Decidida a perseguir seus sonhos, ela abandona o curso de direito, deixa a casa dos pais, em Juiz de Fora (MG), e se muda para São Paulo tão logo conquista um emprego numa badalada revista on-line. Enquanto se adapta aos novos tempos numa quitinete no Baixo Augusta, Isabela escreve seu primeiro livro.

Seria perfeito se no apartamento em frente não morasse o envolvente Pedro Miller e os dois não se embolassem regularmente sob o mesmo lençol. Não, não é namoro. Não, não é apenas amizade. É algo muito mais enrolado, um relacionamento sem um nome definido. Um “isso”, como diz a personagem. Embora não tenha coragem de confessar seus sentimentos, Isabela sabe que está perdidamente apaixonada pelo seu melhor amigo.

Em Não se Enrola, Não, os leitores poderão acompanhar os primeiros passos dos personagens na vida adulta, com toda a independência e as responsabilidades que ela proporciona.”

É sempre com muito receio que começo uma continuação de uma série de livros que gosto. Fico com medo de acontecer a mesma coisa que aconteceu em “A Maldição do Tigre”: um primeiro livro sensacional e uma sequência que me fez odiar personagens que eu tinha aprendido a amar. Então foi com empolgação e medo que  comecei a leitura de “Não se enrola, não”, o terceiro livro da série da autora brasileira Isabela Freitas.

Depois do fenômeno “Não se apega, não” – cuja resenha você encontra aqui – Isabela Freitas, que já era conhecida pelos seus textos no blog e em redes socais, explodiu como uma das autoras mais vendidas no Brasil. Após o lançamento de “Não se iluda, não” – cuja resenha você encontra aqui – Isabela bateu o recorde de mais de 1 milhão de cópias vendidas.  E não podia ser diferente: intercalando textos sobre relacionamentos e suas histórias engraçadas e trágicas de vida, a autora consegue criar uma dinâmica leve e ao mesmo tempo emocionante durante toda a leitura.

Completando a trilogia, “Não se enrola, não” traz uma Isabela diferente da que conhecemos. Mais madura e disposta a assumir novos desafios em sua vida, a personagem se muda da casa dos pais e vai para São Paulo, onde trabalha em uma revista online, respondendo as cartas de leitores enquanto trabalha em seu primeiro livro. Entre os desafios de morar sozinha (e lavar o próprio banheiro – miga, te entendo!), começar uma nova carreira, ser responsável por suas próprias contas e estar longe dos seus amigos, Isabela tem algo que a faz se sentir em casa: Pedro Miller. Seu melhor amigo não só se muda para a mesma cidade como é vizinho da nossa protagonista.

Com o tiro final angustiante que tivemos em “Não se iluda, não”, todos os leitores estavam com muitas expectativas para o destino do casal Pedro e Isabela, que começam este novo livro estabelecendo uma amizade colorida. Parece ser a melhor opção para Isabela, que não sabe o que esperar da relação com o melhor amigo: Pedro, o arrasador de corações que não acredita no amor em um relacionamento sério? Mas um coração que foi feito para se entregar por inteiro não sabe se doar em partes, porque quando se divide ele quebra.

“Tudo aqui é intenso. Do amor ao desprezo, sempre sinto muito”.

E é na tentativa de levar isso casualmente que Isabela percebe o quanto já está enrolada. Mas gente, que não estaria? Pedro Miller não dá uma bola fora. A autora criou um protagonista tão carismático e maravilhoso que posso afirmar que ela estragou o resto dos homens do mundo para nós, mortais. Às vezes eu fico torcendo para o Pedro fazer uma bobagem, só uma merdinha, mas não… ele vai lá e consegue ser ainda melhor.

“O amor não precisa de rótulos para existir, não precisa ser algo que podemos tocar com as mãos, não precisa ser um status nas redes socais, muito menos um metal que envolve os dedos. O amor não precisa ser declarado em voz alta, nem do toque nem do cheiro. Às vezes, só de estar perto de uma pessoa sabemos o quanto a amamos. O amor não precisa de um porquê, de uma justificativa. O amor existe, e é isso que o torna tão incrível.”

Sobre a edição eu não consigo pensar em palavras que não sejam elogios. Toda a trilogia mantém uma linha excepcional de organização e design: uma capa atual e colorida (com a nossa bonequinha do desapego sempre presente), páginas amarelas <3 e os famosos trechos em destaque (que estampam inúmeras fotos que vemos por aí). A Íntrinseca está de parabéns!

Não sei se foi o amadurecimento da personagem, os novos dilemas abordados ou apenas a minha fase da vida durante a leitura, mas acredito que este seja o meu livro preferido da série. Lembram que comecei essa resenha falando do meu medo de sentir que a história não teve o final que merecia? Pois bem, terminei a leitura realizada: Isabela Freitas concluiu com maestria uma coleção que todas as jovens desse mundo deveriam ler.

“Porque, quando não sei o que fazer, escrevo. Porque algumas coisas que nunca dizemos em voz alta precisam ser ditas. Ou escritas. Palavras se eternizam.”

Então eternizo aqui com as minhas: “Não se enrola, não” vai estar entre os livros mais vendidos do país, merecidamente. Leitura recomendada!
 

Livros, Resenhas

Resenha: O Espetacular Homem-Aranha – De Volta ao Lar, J Michael Straczynski & John Romita Jr.

“Ao longo de sua vida, Peter Parker com frequência se sentiu sozinho. Quando descobriu suas habilidades aracnídeas após ser picado por uma aranha irradiada, ele as manteve em segredo. Sua tentativa de explorá-las para obter lucro resultou no assassinato de seu tio Ben, Aparentemente, ninguém compreenderia o difícil equilíbrio entre o mortal e o herói. Até agora foi assim. Uma misteriosa figura surge de repente, exibindo poderes similares aos de Peter. Quem é esse homem misterioso? Quem são as pessoas que ele representa? E o que é esse mal ancestral que chegou aos Estados Unidos em busca de Peter?”

O Espetacular Homem-Aranha: De Volta ao Lar introduziu uma nova era na história do cabeça de teia, trazendo uma nova abordagem ao passado do herói, uma abordagem diferente, jamais tentada antes. Trouxeram o elemento mítico ao personagem, que devolveu muito de sua dignidade e dramaticidade.

O roteiro de Straczynski é muito bem amarrado, e traz a sensação de perigo eminente a todo momento. O alívio cômico na HQ também não deixa a desejar, o que é uma característica já conhecido do Homem-Aranha. A arte de John Romita Jr. dispensa introduções, seus traços fazem com que a HQ se pareça com uma animação, é viva e vibrante.

Peter está tendo um dia “normal” como o Homem-Aranha, pula de edifício em edifício a procura de crimes para combater, até que é surpreendido por um homem bem mais velho, e com os mesmos poderes que ele tem. Eles conversam, o homem se apresenta, se chama Ezekiel. Com uma única questão o homem deixa Peter perturbado.

“A radiação possibilitou que a aranha lhe desse poderes? Ou a aranha tentou transmitir seus poderes antes que a radiação a matasse?”

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A pergunta surpreende Peter, que agora não para de pensar nas palavras de Ezekiel, ele vê isso como apenas mais um problema em meio aos tantos que enfrenta em seu dia a dia, mas tudo isso logo será ofuscado por Morlun, um ser antigo que planeja sugar a essência do Homem-Aranha. A partir do momento que ele tocar o cabeça de teia, poderá encontrá-lo sempre que quiser. Morlun nunca se cansa e nunca para de perseguir Peter, ele é implacável, até que possa finalmente, se alimentar. A vida do Homem-Aranha estará em jogo, e a pergunta que Ezekiel lhe fez será a chave para seu sucesso, poderá ele desvendá-la?

O Espetacular Homem-Aranha: De Volta ao Lar é uma história que começa como uma avalanche, ela vai crescendo e a ação cresce junto, as batalhas se tornam cada vez mais intensas, e a cada quadrinho que passa, Peter corre ainda mais perigo. A HQ é bastante convidativa, e uma vez que você começa a ler, só parará no fim. Se você gosta do Homem-Aranha (Convenhamos que é difícil de encontrar quem não goste) leia, não te arrependerás! Garanto! Se você não gosta…leia assim mesmo, oras!

Livros, Resenhas

Resenha: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, J.K. Rowling

O universo de Harry Potter é tão grande quanto você imagina. Além da saga do famoso bruxo ser retratada em sete livros muito queridos, temos ainda diversas histórias extras publicadas no Pottermore, uma linha temporal alternativa em ‘Animais Fantásticos e Onde Habitam’ e agora os fãs foram presenteados também com o roteiro de uma peça teatral dentro do mesmo universo: ‘Harry Potter e a Criança Amaldiçoada’. O novo livro, porém, não é um romance e sim um roteiro escrito por Jack Thorne, que se baseou na história original de J. K. Rowling para reviver o mundo da magia. 

Rowling concluiu a série Harry Potter mostrando Harry e sua esposa, Gina, dizendo adeus a seu segundo filho, Albus Severus, na plataforma de King’s Cross em seu primeiro ano em Hogwarts. Parecia um final definitivo e duradouro, mas é nesse exato momento que essa nova história toma partido. O roteiro segue Albus Severus Potter e Scorpius Malfoy, dois jovens que tentam encontrar o seu lugar em Hogwarts e o mundo a maneira como seus pais, Harry e Draco, fizeram antes deles. Albus já sabe que não é engenhoso como seu pai. Primeiramente, o chapéu seletor o manda para a Sonserina, diferentemente da queridinha de Hogwarts, Grifinória. Ele não é bom em quadribol, nem tão sagaz nas aulas de feitiço e ainda, seu melhor amigo é filho de um Malfoy, o que torna tudo mais irônico.

O enredo tem uma trama que inclui um novo vilão, a volta do dispositivo mágico vira-tempo (erradicados do universo mágico de Rowling desde o Prisioneiro de Azkaban) e várias escolhas que levam os meninos de volta para o passado de Harry, permitindo Rowling reescrever suas próprias histórias, coisa que ela parecia tão interessada em fazer desde o sétimo livro, Relíquias da Morte. A história, porém, é menos sobre reescrever o passado e mais focada em como os acontecimentos do passado podem alterar o futuro.

Por ser escrito na forma de roteiro, demora um pouco mais para a história chamar a atenção do leitor. Os elementos teatrais de palco, apesar de divertidos e distrativos, são vagos demais e deixam muito a desejar na descrição do cenário e personagens. Sem os atores performando, algumas personagens nunca antes estabelecidas dentro do universo parecem incompletas.

Embora Thorne tente recriar o cenário dos antigos livros, as 352 páginas parecem ser uma tentativa desesperada de vender bilhetes por meio de reviravoltas que tornam a trama fraca e pouco original. No entanto, esse fan-service que Rowling inclui de maneira exacerbada no enredo força a narrativa a tomar um curso inesperado. Assim como você, ela se pergunta o que teria acontecido se Voldemort tivesse vencido ou se um personagem tivesse sobrevivido no lugar de algum outro. Muito rapidamente você se lembra que ela adora esses contos e personagens tanto quanto você, e torna-se muito mais gostoso aproveitar o ar nostálgico que a história proporciona. O ar completamente saudosista presente em boa parte do roteiro parece ser a melhor maneira de introduzir essa nova geração de bruxos.

Apesar de seus defeitos, é muito provável que ‘Harry Potter e a Criança Amaldiçoada‘ encante os fãs da saga de maneira carismática. Revisitar os personagens e conhecer a geração de bruxos que – provavelmente – protagonizarão as próximas histórias é um ótimo jeito de matar as saudades dessa história tão emblemática e fascinante que é Harry Potter.

Harry Potter e A Criança Amaldiçoada
Harry Potter e A Criança Amaldiçoada
Atualizações, Livros

Acompanhe a etapa final de produção de ‘Harry Potter e a Criança Amaldiçoada’

Na próxima segunda-feira, dia 31 de Outubro irá ser iniciada oficialmente as vendas da versão traduzida de ‘Harry Potter and The Cursed Child’, que no Brasil recebeu o titulo bem fiel ao original pela editora Rocco. ‘Harry Potter e a Criança Amaldiçoada’ vai chegar em duas versões impressas, capa dura e brochura. A versão em capa dura segue os mesmos padrões da versão original, com jacket e hot stamp. Já na versão de brochura será aquela capa normal que vemos na maioria dos livros e não conta com a jacket.

Para divulgar e comemorar o lançamento desse oitavo livro da série Harry Potter escrita por J.K. Rowling, a editora Rocco, responsável pela publicação no Brasil, está publicando uma série de vídeos mostrando o processo de produção do livro. Confira as duas ultimas etapas, onde os livros são impressos, montados e encaixotados. Confira:

‘Harry Potter e a Criança Amaldiçoada’ chega as livrarias de todo o Brasil na próxima segunda-feira. Já é possível reserva-lo na pré-venda de diversas livrarias. A versão brochura sai por R$ 49,50 e a versão em capa dura sai por R$ 64,50.

Livros, Resenhas

Resenha: Deadpool – Caçador de Almas, Posehn, Duggan, Koblish & Hawthorne

“Primeiro: voltamos um pouco no tempo para conferir as aventuras passadas do Deadpool com o Homem de Ferro! Depois: um demônio contrata o Degenerado Regenerado para coletar almas amaldiçoadas! E, antes que você diga que não tem como ficar mais esquisito, Wade entra em contato com seu lado feminino! E mais: Deadpool ataca um cara com poderes aquáticos e depois se alia ao nosso Amigão Superior da Vizinhança, o Homem-Aranha! E prometemos que ele mata pelo menos um deles…!”

O que falar sobre Deadpool? Esse personagem que muitos conhecem e mesmo sem intimidade já o consideram tanto? Se você assistiu ao filme, já sabe muito bem como é o mercenário tagarela, mas nos quadrinhos ele é ainda mais escrachado e imoral do que em sua película. Essa HQ explora esse lado de Deadpool, onde ele não liga para quem é a vítima, se é um mocinho ou um vilão, ele mata sem dó nem piedade, ao mesmo tempo em que zomba de suas vítimas de sua maneira única e hilária.

Os roteiristas Duggan e Posehn fizeram um ótimo trabalho com o roteiro, criando uma história atraente e digna do Deadpool. Onde mais um demônio poderia ser feito de gato e sapato senão pelas mãos de Wade Wilson, que em sua loucura consegue encontrar espaço até mesmo para zombar de um poderoso e ameaçador demônio. Koblish e Hawthorne fizeram um grande trabalho com seus traços precisos, a participação de Koblish se limita ao passado, onde é possível perceber pelas cores e traços uma vibe dos anos 70 e 80, da Era do Bronze dos quadrinhos. Já Hawthorne retrata o presente.

Na vibe da Era do Bronze, podemos encontrar Deadpool roubando o carro de Flash Thompson, amigo de Peter Parker. Wilson está apenas fazendo aquilo que faz de melhor, espalhar o caos ao seu bel-prazer. Dirigindo de forma natural, isso quer dizer rápido e inconsequente, Deadpool freia bem a tempo de impedir uma tragédia, pois quase atropela um quarteto de crianças que ainda têm um futuro fantástico pela frente. Assim que para o carro, ele é abordado por Vetis, um demônio que planeja derrubar Mefisto e se tornar o ser mais poderoso do Inferno.

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Vetis negocia um contrato com Wade Wilson, ele espera que o Deadpool acate com sua vontade, e é claro que o mercenário o fará, mas não porque Vetis pediu, mas sim porque Deadpool adora ver o circo pegar fogo. A missão de Wade é simples, fazer o Homem de Ferro ter uma recaída, pois é um alcoólatra em reabilitação. Deadpool não vê dificuldade em sua missão, pois o Homem de Ferro é também aquele que veste a armadura, dessa forma ele rouba o uniforme de Tony Stark e veste-o, em seguida ele sai voando na armadura enquanto enche a cara.

Muitos goles e memórias reprimidas depois, Wade aguarda enquanto Vetis retorna para cobrar a missão, mas o mesmo já a completara. O Demônio se irrita, pois Tony Stark continua sóbrio, mas ai é que está o problema, o contrato dizia Homem de Ferro e não Stark. Deadpool explica que completou a missão se vestindo de Homem de Ferro e enchendo a cara de cachaça já que Vetis não especificara que o alvo era Tony Stark. Vetis percebe que fora feito de palhaço, e que não há nada que possa fazer a não ser retornar para o Inferno e lidar com Mefisto cara a cara. O único problema é que Vetis guarda muito rancor no coraçãozinho, ele voltará, ainda mais forte do que antes! Estará Deadpool preparado para o que virá?

“Deadpool – Caçador de Almas” é uma HQ divertida, repleta de violência e piadas de humor negro. É uma experiência genuína do Mercenário Tagarela. Ver Wade lidando com os problemas de forma displicente e imoral é sempre um alívio cômico na seriedade de algumas HQs do universo dos quadrinhos. Um verdadeiro Anti-herói que toma decisões duvidosas e usa a comédia para desviar de seu passado. Recomendado para todos, mas estejam avisados, Deadpool não liga se você se ofender com alguma piada.

Livros, Resenhas

Resenha: Apenas Um Garoto, Bill Konigsberg

Apenas Um Garoto, de Bill Konigsberg, poderia se chamar facilmente “Procurando por Problemas”.

Trata-se da história de Rafe, um estudante do 2º ano do ensino médio, que desde os 13 anos se assumiu gay e nunca teve problemas com isso. Seus pais não só o aceitaram como sua mãe passou a frequentar palestras e associações de pais gays, e junto de seu filho, começaram a ajudar outras famílias e pessoas que não tinham a mesma facilidade de lidar com o assunto. Perfeito, se Rafe não se sentisse rotulado, como se ser gay viesse antes de qualquer outra coisa a seu respeito. Com o passar do tempo, ele se cansou e resolveu mudar os paradigmas: pediu aos pais que o trocassem de escola, mais especificamente para um internato apenas para garotos em outra cidade, para que assim, ele pudesse passar a viver uma nova vida (ou uma mentira, como preferir), sem rótulos e sem que as pessoas soubessem de sua sexualidade.

E assim, na nova escola, ele se torna o atleta popular, que tem algumas garotas afins e tal. Rafe justifica para sua melhor amiga (que ficou abandonada) que “ocultar não é mentir”, então, ele não estava fazendo nada de errado na nova escola. Exceto que sim, ele estava mentindo, e mentindo para si mesmo. E mentiras só atraem mais mentiras, então, ele diz para os colegas de time que sua melhor amiga é na realidade sua namorada e coisas do tipo, para manter a imagem de hetéro. E com o tempo, aja criatividade para inventar o que ele inventou de si mesmo. As linhas das duas vidas de Rafe começam a se cruzar quando ele se apaixona por Bem, rapaz heteronormativo, companheiro do time e que faz a linha comportado. Eles começam a viver um bromance. Ok, fui incessível neste ponto, não é bem assim.

A grande questão em torno disso é que Rafe queria apenas se livrar dos estereótipos e acabou caindo neles novamente. Após começar a ter um relacionamento secreto com Ben, o atleta descobre toda a verdade a respeito de Rafe e obviamente, eles se separam.

Na busca por um sentido, Rafe se perde completamente e demonstra ser totalmente previsível e mesquinho, com atitudes infundadas e estúpidas, sendo que até ele se perde em suas justificativas para tal.  Enquanto escrevia esta resenha, conversei com alguns amigos que também o leram para tentar ser mais imparcial, mas infelizmente não dá.

Ah, mas é uma história LGBT legal, temos que demonstrar apoio, é representatividade”. Então, é aí que está. Um garoto de classe média, que se assume e é aceito por toda sua família e amigos (ele ganha até uma festa por ter saído do armário) e que se cansa disso e quer voltar atrás e viver de forma incubada REPRESENTA QUEM? Qual o objetivo disso? Cheguei ao final do livro sem ter uma boa razão para indica-lo para outras pessoas. Não é um rapaz tentando se descobrir ou realmente se cansando de ser visto como um rótulo, mas sim, um rapaz que é amado e com suporte de toda uma comunidade que apenas vira as costas para tudo isso.

As opiniões a respeito de Apenas Um Garoto são bastante divergentes. Por isso, o único motivo que eu indicaria a você ler é: “Leia e veja se consegue extrair algo de positivo, e a gente pode conversar sobre”. Inclusive te convido a postar aqui nos comentários a sua opinião, talvez eu tenha ficado tão irado com o personagem principal que tenha me cegado para coisas boas a seu respeito. Ou não.

Livros

Confira trecho da biografia de Zayn Malik

Zayn Malik vai lançar no dia 1º de novembro, na Inglaterra, a sua auto-biografia, intitulada como “Zayn”. O cantor de Pillowtalk vai contar detalhes de sua vida e do processo criativo de seu primeiro álbum solo.

 

Toda música que escrevi tem uma história por trás. Todo o trabalho duro na criação de ‘Pillowtalk’ valeu a pena porque, assim que terminei, intuitivamente senti que estava no caminho certo. Era uma faixa ótima, cravando exatamente o som que eu queria capturar em minha música. Eu também era capaz [pela primeira vez] e cantar sobre um tema que eu não podia nem chegar perto estando no One Direction: sexo.

 

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Capa da auto-biografia do cantor

 

O livro ainda não tem data prevista para chegar ao Brasil. Além deste projeto, Zayn está envolvido com a gravação de seu segundo disco solo e produzindo uma série de TV sobre uma boyband (te lembra alguma coisa?). Para finalizar, ele é o atual modelo da Versus Versace.

Muito trabalho pelo visto. Vamos torcer para que o livro não demore para ser publicado por aqui. Ansiosos?