Categorias

Livros

Livros, Resenhas

Resenha: Garoto Encontra Garoto, David Levithan

Nesta mais que uma comédia romântica, Paul estuda em uma escola nada convencional. Líderes de torcida andam de moto, a rainha do baile é uma quarterback drag-queen, e a aliança entre gays e héteros ajudou os garotos héteros a aprenderem a dançar. Paul conhece Noah, o cara dos seus sonhos, mas estraga tudo de forma espetacular. E agora precisa vencer alguns desafios antes de reconquistá-lo: ajudar seu melhor amigo a lidar com os pais ultrarreligiosos que desaprovam sua orientação sexual, lidar com o fato de a sua melhor amiga estar namorando o maior babaca da escola… E, enfim, acreditar no amor o bastante para recuperar Noah!

Garoto Encontra Garoto é um romance escrito por David Levithan.

Paul é um garoto gay que cursa o ensino médio em uma escola meio fora do normal (?). Um colégio onde um quarterback é uma drag queen e, olhem só, há um clube que é uma Aliança entre gays e héteros, onde ensinam os garotos a dançar.

Ok, até aí, tudo bem. Sendo que, certo dia, Paul encontra um garoto chamado Noah e aí começa uma história de amor e amizade.

AI MEU DEUS! Quem acompanha o site há um tempo, viu o quanto fui pego de surpresa por Will&Will e logo após a leitura de tal, já ansiava por algo do gênero escrito por Levithan. Eis que, assim que a Galera Record comunicou que ia publicar, ele já estava na minha lista. O livro saiu, passou mais de meses e tcharam, vim ler agora e, óbvio, passar minha impressão para vocês.

Tem como não amar o Levithan? O cara escreve histórias sobre pessoas normais em situações normais mas, claro, com toda aquela paixão que arranca suspiros e me faz sentir vivo. É como se apaixonar. Sentir borboletas na barriga e ai… Não tinha se passado nenhum capítulo inteiro e eu já estava delirando e sonhando, pensando em como tudo se desenrolaria e querendo saber quais rumos a história de Paul iria tomar.

A história é basicamente um romance clichê, porém, há momentos na vida que é preciso de um clichê como este. Geralmente, romances/dramas adolescentes são sempre aqueles temas bem batidos dos quais já sei todos os passos que os protagonistas vão tomar, neste, apesar de saber como iria acabar, não esperava as atitudes, situações e momentos que iriam levar ao desfecho. E isso foi uma grande surpresa, porque além de ser surpreendido, também fiquei extasiado com os fatos que aconteceram.

Os personagens… Ah, os personagens! Tão humanos, tão únicos, tão peculiares, tão amáveis. Outra característica que eu gosto bastante na escrita do David é a construção do elenco de suas tramas. Eles são bem elaborados e ficam longe de estereótipos. Isso é algo que deve ser levado em conta, pois é muito difícil ver personagens bem construídos e únicos. Não preciso nem falar da escrita e da narrativa, né? Levithan dá um show único! Com uma prosa totalmente fluida, é impossível deixar de lado a vida de Paul. O mundo literário precisa de mais autores como David Levithan.

Eu só tenho a falar que se você ainda não conhece o trabalho deste autor, dê uma chance. Vale a pena. Garoto Encontra Garoto me surpreendeu mais do que eu esperava, foi lindo e também foi uma lição. Levithan prometeu, fez e cumpriu com êxito. Não vejo a hora de ler outra obra do autor.

Resenhas

Resenha: Marvels, Kurt Busiek & Alex Ross

Numa cidade onde um homem em chamas caminha pelas ruas, justiceiros em fantasias coloridas sobem pelas paredes e alienígenas de pele prateada vindos de outro mundo trazem o presságio de uma destruição mundial, descubra como é ser um homem comum testemunhando o nascimento do Universo Marvel. Retorne aos primórdios da Era dos Heróis e mergulhe em um mundo repleto de MARAVILHAS.

Marvels aborda várias historias já conhecidas pelo público, porém o que mais se diferencia nessa HQ é a arte e a forma de contar as histórias que se passam do ponto de vista de um fotógrafo, Phil Sheldon, um homem comum, sem poderes ou habilidades.

Escrita por Kurt Busiek e desenhada por Alex Ross é, diga-se de passagem, um trabalho que beira a perfeição, de longe uma das melhores artes já feitas em HQs. Alex Ross trabalha com hiper-realismo, algo incomum em HQs, mas com um resultado incrível.

A historia toda se passa em Nova York, começando em 1939, Phil o fotógrafo jornalístico, quer cobrir a segunda guerra mundial, que é onde supostamente a ação está, mas logo com o surgimento de seres poderosos como o Tocha Humana e Namor ele desiste, afinal ambos estavam apavorando a população, e por serem intrigantes, captam a atenção de Phil. Durante os eventos em NY também vemos jornais com manchetes sobre o Capitão América e Bucky Barnes destruindo os Nazistas na Europa e um dos acontecimentos mais importantes dessa etapa se desenrola durante a batalha entre Namor e o Tocha Humana. Enquanto se confrontam, Phil Sheldon decide se aproximar o máximo possível para fotografar a batalha frenética, então o Tocha humana empurra Namor em uma parede de tijolos logo acima de Phil, que é atingido no olho e passa o resto da HQ com um tapa olho, o que lembra o nosso estimado Nick Fury. Também temos várias referencias a outros heróis durante a HQ, uma em especial é a de Danny Ketch, o terceiro Motoqueiro Fantasma, ainda garoto e simples entregador de jornais que um dia irá se tornar uma caveira em chamas que trará agonia às almas perversas.

Com o passar das décadas vemos a população temerosa e raivosa com o surgimento dos mutantes, então temos cenas do povo caçando mutantes com medo de serem atacados pelos “Homo Superior”, os problemas pessoais de Sheldon também surgem dando mais humanidade ao personagem, além de presenciarmos fatos memoráveis, como a invasão de Galactus, o casamento de Reed Richards e Susan Storm e o famoso fim de Gwen Stacy pelas mãos do Duende Verde.

Marvels é com certeza uma das melhores HQs da Marvel, não só pela qualidade artística e literária, mas pela visão do autor, que conseguiu com sucesso desenvolver um novo ponto de vista nas histórias da Marvel. Em uma única linha de tempo vemos Phil Sheldon casar, envelhecer e ter suas filhas ao mesmo tempo em que o mundo é constantemente ameaçado e constantemente salvo pelas “maravilhas”, como diria o próprio Phil Sheldon.

Resenhas

Resenha: Procura-se um Marido, Carina Rissi

Alicia sabe curtir a vida. Já viajou o mundo, é inconsequente, adora uma balada e é louca pelo avô, um rico empresário, dono de um patrimônio incalculável e sua única família. Após a morte do avô, ela vê sua vida ruir com a abertura do testamento. Vô Narciso a excluiu da herança, alegando que a neta não tem maturidade suficiente para assumir seu império – a não ser, é claro, que esteja devidamente casada. Alicia se recusa a casar, está muito bem solteira e assim pretende permanecer. Então, decide burlar o testamento com um plano maluco e audacioso, colocando um anúncio no jornal em busca de um marido de aluguel. Diversos candidatos respondem ao anúncio, mas apenas um deles será capaz de fazer o coração de Alicia bater mais rápido, transformando sua vida de maneiras que ela jamais imaginou. Cheio de humor, aventura, paixão e emoções intensas, Procura-se um marido vai fisgar você até a última linha.

Quando comprei “Procura-se um marido”, eu já sabia que seria um bom livro. Não só pelas críticas, mas por se tratar da Carina Rissi. Eu sempre gostei muito do trabalho da autora. Em “Perdida” e “Encontrada” ela conseguiu algo que poucos autores conseguem comigo: me fazer ir adiante em uma história que envolve passado/futuro e viagens no tempo. Com “Procura-se um marido” tive a oportunidade de conhecer o trabalho da Carina no mundo real, nos dias de hoje e, olha, ela não me decepcionou!

Conhecemos a história de Alicia, uma jovem extremamente mimada que, após perdeu os pais quando jovem, mora com o avô – um velhinho fofo e podre de rico – que sempre fez de tudo para que sua neta apreciasse o valor das coisas que importam na vida: do amor, do trabalho, da ética e do certo e errado. Posso dizer que ele falhou miseravelmente: Alicia se tornou uma jovem que só quer saber de viagens e festas,  que não quer trabalhar, e que gasta dinheiro como se não houvesse amanhã. Embora seja visível a relação próxima e de admiração e amor que Alicia tem com seu avô, ela não consegue entender como um empresário poderoso vive a filosofia do “amor é a coisa mais importante na vida”.

Quando seu avô morre, Alicia se vê sem chão. Não apenas por perder a sua única família, mas também pela surpresa: ao abrir o testamento, seu avô não deixou nada pra ela. Nadinha. Ele alegou que sua neta era muito imatura para dirigir seu patrimônio, e que ela só poderia tomar posse de tudo que é seu por direito após um ano de casada. Alicia, criatura extremamente feminista e audaciosa, acha um absurdo. Diz não a essa condição e passa a ter que trabalhar pra viver.

Uma observação pra Alicia: lendo assim, pode parecer que Alicia é uma protagonista detestável e mimada, mas ela não é! Ela é mimada? Sim, mas de um jeito muito engraçado. Ela não é má, nem arrogante. Ela apenas cresceu sem a noção de dinheiro. Alicia é extremamente bondosa, mas isso não a impede de ter todas as características que protagonistas deveriam ter: ela não engole sapos, não sai por baixo na situação. Ela responde, fala palavrão, luta pelo que é seu e se atrapalha um pouco fazendo tudo isso.

E contrariando todos os filmes que mostram que “trabalhar pra viver valeu a pena, eu consigo me sustentar”, Alicia não consegue. Ela vê com os próprios olhos como os funcionários de uma grande empresa tem seus direitos cortados por besteiras, como um incentivo aos trabalhadores faz toda a diferença na produção, e como seu (pequeno) salário não dá pra bancar nem o tanque de gasolina do seu antigo carro. Então, qual a solução a não ser se casar? É então que ela tem a brilhante ideia: colocar no jornal um anúncio de casamento especial – ela quer um marido, pelo tempo provisório de um ano, sem relações íntimas, emocionais ou sexuais, onde ambas as partes estejam cientes da data de inicio e fim – e então ela encontra Max.

Max é um empresário da empresa do seu avô, que para conseguir o cargo desejado, precisa de uma esposa para parecer “estável” e então aceita de cara a proposta de Alicia. Super pragmático e certinho, Max vê sua vida virada do avesso quando passa a morar com Alicia, ela desorganiza tudo: sua sala, seus horários e seu coração. <3

– Obrigada. Tenho medo de perder, por exemplo. Estou cansada de perder as pessoas que amo – respondi sinceramente, sem saber por que fiz aquilo. Algo no rosto dele me instigava abrir a boca e despejar a primeira coisa que surgisse em minha cabeça.

E eu sei que a partir desse momento você vai dizer: “Rafa, é meio óbvio o que vai acontecer”, mas acredite, Carina Rissi consegue nos surpreender! Eu fiquei muito ansiosa lendo esse livro, brigava com Max, e na outra página lá estava eu, apaixonada por ele de novo. Eu achava que sabia quem era do bem, quem era o ambicioso, mas lá estava eu, errada de novo. E eu achava qual seria o final perfeito pra Alicia e Max, e lá estava eu, me surpreendendo pela escrita da autora, de novo. “Procura-se um marido” é um livro extremamente engraçado e doce, que recomendo para todo mundo.

A cálida ternura que eu sentia por ele ganhou proporções gigantescas naquele momento, até que se tornou insuportável e achei que eu fosse explodir em um milhão de cores.

A edição é muito bem feita e acho a capa maravilhosa! Resumindo: leitura aprovada e com nota máxima! Pra quem se interessou, a Carina Rissi vai estar em turnê do seu novo livro “No mundo da Luna” em várias capitais! Já aguardo ansiosa pra conhecê-la em Salvador!

Atualizações, Novidades

Divulgada a capa de "Sobre a Escrita", de Stephen King

Os lançamentos de Stephen King no Brasil pela Suma de Letras são muitos (se você ainda não viu todos, clique aqui). Hoje foi divulgada a capa oficial do livro Sobre a escrita (On Writing), que é um livro inédito de King com lançamento previsto para abril.

Sobre a escrita - capa FINAL
 

O livro é considerado por muitos uma autobiografia de King e os leitores terão a oportunidade de mergulhar um pouco na vida pessoal dele (como o acidente que quase o matou em 1999) e conhecer também como funciona seu processo de escrita.

Quem está ansioso por mais esse lançamento incrível da Suma de Letras?

Acompanhem o Beco Literário que em breve iremos atualizá-los com novas capas, lançamentos, resenhas e promoções do rei do terror!

Atualizações, Novidades

Lançamentos de fevereiro: Grupo Editorial Pensamento

O Grupo Editorial Pensamento possui 4 selos: Cultrix, Pensamento, Jangada e Seoman. Dentre os lançamentos de fevereiro destacam-se: Lobo Mau, de Nele Neuhaus (pelo selo Jangada) e Segredos de Walt Disney, de Jim Korkis (pelo selo Seoman). Ficou curioso? Confira abaixo mais detalhes desses lançamentos!


unnamed (1)

unnamed (2)

 

Em breve vocês terão resenha dos livros aqui no Beco Literário!

Atualizações, Novidades

Futuros lançamentos de Stephen King pela Suma de Letras

Que Stephen King é um dos maiores escritores mundiais todos sabem! E é por isso que a Suma de Letras traz para o Brasil durante o ano os lançamentos do autor. E, como sempre, eles capricharam, serão 5 livros até o começo de 2016.

Confira abaixo os lançamentos de King:

Doutor Sono, é a continuação de O Iluminado e foi lançado em novembro de 2014.

Doutor Sono
Escuridão total sem estrelas (Full Dark, No Stars), é um livro inédito de contos. Traz 4 contos: 1922, Gigante do volante, Extensão justa e Um bom casamento. Será lançado em abril! (Estou apaixonada por essa edição, fala sério gente, que coisa mais linda!)

Escuridão total
Sobre a escrita (On Writing), também é um livro inédito que será lançado em abril, porém sua capa ainda não foi liberada.

Joyland é outro livro inédito previsto para agosto e sem capa divulgada.

Revival tem previsão de lançamento para novembro e a capa também não foi liberada ainda.

Mr. Mercedes também é um sucesso do autor que teve os direitos adquiridos pela Suma de Letras e deve ser publicado no começo de 2016.

Já deu pra aumentar e muito nossa wish list, não é?

Acompanhem o Beco Literário que em breve iremos atualizá-los com novas capas, lançamentos, resenhas e promoções do rei do terror!

Atualizações, Novidades

Lançamento em março: Minha mãe é uma peça, por Paulo Gustavo

A mãe mais querida do Brasil acaba de publicar seu primeiro livro! Dona Hermínia, personagem criada pelo comediante Paulo Gustavo, é sucesso absoluto na TV, no teatro e no cinema e, agora, quer conquistar milhares de leitores.

unnamed
Em “Minha mãe é uma peça”, você vai rir e se divertir com as opiniões sinceras da Dona Hermínia sobre sexo, comportamento, família, dietas e religião. Ela não poupa nem Freud, que tinha “mania de colocar tudo que é culpa na mãe”. Sobra bronca também para o ex-marido, Carlos Alberto, para a nova mulher dele, “a vaca da Soraia”, e para a empregada Valdeia, “que prefere ser chamada de secretária, mas ainda não chegou lá”.

O livro traz fotos, ilustrações e textos inéditos escritos por Paulo Gustavo com a colaboração de Ulisses Mattos e Fil Braz.

Já em pré-venda na Saraiva Onlinehttp://ow.ly/IJfmT. Lançamento em março.

Em breve resenha no Beco Literário!

 

Novidades

CONVITE Suma de Letras: Encontro e bate-papo com Camila Moreira e Juliana Parrini

A Suma de Letras e a Livraria da Travessa convidam para o encontro e bate-papo com as autoras Camila Moreira e Juliana Parrini.

10361989_1561582950747462_281547064989291738_n
Camila Moreira é autora de “O amor não tem leis” e “O amor não tem leis – O julgamento final”. Em abril, lançamento de “8 segundos”.  Juliana Parrini vai lançar pela Suma de Letras “Depois do que aconteceu”, “Antes que aconteça” e “Novamente você”.

Teremos muita conversa e sorteio de brindes.

Dia 20 de fevereiro (sexta-feira).
A partir das 19h na Livraria da Travessa Shopping Leblon (mezanino)
Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – loja 205 A.
Entrada franca.

Evento do Facebook: clique aqui

Resenhas

Resenha: Perfeitos, Scott Westerfeld

Tally finalmente é perfeita. Agora seu rosto está lindo, as roupas são maravilhosas e ela é muito popular. Mas por trás de tanta diversão – festas que nunca terminam, luxo e tecnologia, e muita liberdade – há uma incômoda sensação de que algo importante está errado.

Então Tally recebe uma mensagem, vinda do seu passado, que a faz se lembrar qual é o problema na sua vida perfeita. Agora ela precisará esquecer o que sabe ou lutar para sobreviver – as autoridades não pretendem deixar que alguém espalhe esse tipo de informação.

Perfeitos é o segundo volume da série Feios, escrita por Scott Westerfeld.

Então, depois de muito, mas muito tempo, li a continuação do maravilhoso Feios. Confesso que estava bem ansioso para esse tomo da jornada de Tally, mas como se diz, nunca vá ao pote com tanta sede. Quanta decepção que eu tive com esse livro…

Tudo bem, tinha tudo para ser perfeito como o título, mas Westerfeld acabou perdendo o fôlego do primeiro volume. Sim, a premissa deste estava ótima. Esperava uma Tally como símbolo de uma “rebelião”, mas o que vi foi uma garota estúpida, sim, estou usando este adjetivo porque não vejo outro melhor para a protagonista. Mas aí, a garotinha encontra a cura para as lesões e mesmo assim fica com os mesmos sentimentos fúteis e isso, para mim, foi inaceitável.

Como falei anteriormente, tinha tudo para ser bom. As decisões que Westerfeld tomou para os diversos rumos da história não me agradaram nem um pouco, tanto quanto as personalidades dos personagens. Outra coisa que não me agradou foram os acontecimentos do clímax e do final. Isso foi o maior deslize e burrice que vi um personagem fazer. Não tem como aceitar.

Bem, o romance, ah, o romance… Até agora estou me perguntando o que diabos deu para Scott Westerfeld ter colocado aquela relação do Zane com a Tally. O pior, a garota ainda menospreza David, sua paixão na fumaça. Já vi várias personagens prepotentes, mas Youngblood se supera…

Enfim, não sei falar o quanto estou decepcionado com os rumos que a jornada escrita por Westerfeld tomou, porém, como sou teimoso, vou ler Especiais para saber como a história termina e assim ter uma opinião melhor sobre toda a jornada. Nunca se sabe o que pode ser explicado em último livro. Por hora, vou dar um tempo nessa trilogia que me arrancou sorrisos em sua primeira parte e me deixou bravo na segunda. Quem sabe eu não apareça fazendo elogios rasgados ao fechamento? Pode ocorrer também de a decepção aumentar ainda mais, se é que isso é possível.

Você pode ler a resenha de Feios clicando aqui.

Resenhas

Resenha: Em Janeiro, Caio Bersot

Os protagonistas de Em Janeiro poderiam ser jovens normais. Isso se não tivessem de lidar com segredos guardados por anos, relacionamentos perigosos e um brutal assassinato. Assim, esses sete jovens amigos, que mal terminaram a escola, precisarão fazer escolhas que podem mudar suas vidas de vez: lidar com os traumas do passado ou negar para sempre um grande amor? Permanecer tranquilo com a família ou arriscar a própria vida por um romance? Viver numa casa detestável ou trilhar caminhos estreitos para fugir dela? Com suas vidas entrelaçadas por um passado obscuro, eles terão de encontrar respostas que os libertem das correntes que ainda os prendem.

Em Janeiro foi o tipo de livro que me deixou com uma pulga atrás da orelha desde que assisti ao trailer e li sua sinopse. Aliás, o título já havia me intrigado bastante.

O livro de Bersot conta a história de sete adolescentes centrais, que vivem no Rio de Janeiro e estão aprendendo a lidar com suas próprias vidas. Aprendendo a tomar decisões sozinhos, com seus acertos, erros, triunfos e derrotas. Mas a vida deles não é, nem de longe, normal. Suicídios, assassinatos, traições, alcoolismo, depressão… Tudo parece assolar suas realidades de uma só vez.

Seus enredos se entrelaçam e se soltam com uma maestria inigualável, e que me deixou, como leitor, confuso inúmeras vezes e ansioso pelas próximas páginas. É praticamente impossível pegar o livro para ler aos poucos, mas acabei tendo de fazer isso porque o tempo não me permitiu ler tudo de uma só vez.

Adolescentes sentem uma necessidade imensa de se sentirem infinitos. E para isso, eles tentam de tudo. Em Em Janeiro nós vemos isso retratado da maneira mais bruta, humana e precária, sem máscaras, sem a fantasia na qual os livros não ficcionais são embalados ao irem para as prateleiras.

Não pude deixar de perceber a semelhança notável dessa obra com Morte Súbita, de J.K. Rowling, que também retrata humanos sendo… humanos. Nada além disso.

A mensagem que Caio Bersot passa de que a juventude é algo totalmente efêmero e que, para morrer, basta estar vivo, serve de lição de vida para muitos casos que vemos nos dias de hoje, seja nos noticiários ou nas redes sociais, onde jovens maximizam seus sofrimentos mínimos, conjugando-os com dramas desnecessários, pela exclusiva necessidade de se sentirem vivos. Parece até que estamos vivendo a geração romântica do mal do século. Mas nada disso é necessário para ser vivo ou aproveitar a vida. E, no livro de Caio, as personagens aprendem isso da maneira mais brutal possível. Achei incrível o sangue frio do autor para acabar com alguns personagens que eu considerava tanto (Lúcio e Rosemeire </3). Exemplo de que vida de leitor que shippa casais em livros não é fácil, também.

Outro ponto bastante explorado é a superação. Quando adolescentes perdem um amor, se descabelam, quase se matam achando que nunca mais encontrarão ninguém na vida… Mas tudo é passageiro, até mesmo a vida. Nada é permanente, e o ponto final pode vir em um estalar de dedos. Superação, idas e vindas são uma parte fundamental da nossa formação humana e emocional, uma parte essencial do nosso amadurecimento.

Não existe uma maneira de eu introduzir vocês à história sem dar nenhum spoiler, porque ela já começa mostrando para que veio. Nada de brincadeiras, nada de rodeios desnecessários.

O livro não é leve, muito pelo contrário. Sua densidade vai muito além dos números de páginas e por este motivo, recomendo Em Janeiro para todos os adolescentes. Leitura obrigatória para estes seres dramáticos que culpam seus hormônios pelos humores bipolares. Leiam e aprendam lições valiosíssimas de vida. E guardem o nome de Caio Bersot, porque o cara é promissor!

Saiba mais sobre o livro (clicando aqui) e baixe-o (clicando aqui).

https://www.youtube.com/watch?v=oQsqP3F8Km0