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Foi um ano de despedidas. Tivemos que dar adeus a David Bowie, Alan Rickman, Umberto Eco, Prince, Gene Wilder, Leonard Cohen, George Michael. No Brasil, vimos partir Cauby Peixoto, Hector Babenco, Elke Maravilha, Domingos Montagner, além do trágico acidente com os atletas e comissão técnica da Chapecoense e profissionais da imprensa. E quando achávamos que 2016 não podia mais surpreender, veio o baque. A atriz americana Carrie Fisher, nossa eterna Princesa Leia, sucumbiu a um ataque cardíaco na manhã do dia 27 de dezembro.

A jovem princesa rebelde, líder de uma corajosa rebelião que combate a tirania de um império marcou a carreira da atriz. Mas para os fãs que a acompanhavam mais de perto, ela foi muito mais do que isso. Filha da lendária Debbie Reynolds (do clássico musical Cantando na Chuva) e do músico Eddie Fisher, Carrie Frances Fisher nasceu em 1956 e naturalmente cresceu cercada de artistas. Estreou nos cinemas em 1975, contracenando com ninguém menos que Warren Beatty na comédia Shampoo. Dois anos mais tarde, Carrie alcançou fama mundial e tornou-se ícone ao interpretar a Princesa Leia, em Star Wars.

A personagem na saga criada por George Lucas foi um marco, não somente na carreira da atriz, mas na história do cinema e da ficção-científica. Longe do estereótipo de mulher fraca e indefesa, a Princesa Leia tinha uma personalidade independente, muitas vezes assumindo o controle em diversas situações. Uma figura feminina forte e com um importante sentido político.

Carrie Fisher também participou de outras produções importantes. Em 1980 contracenou com  John Belushi e Dan Aykroyd na comédia musical Os Irmãos Cara-de-Pau. Trabalhou com Tom Hanks em duas ocasiões: em O Homem do Sapato Vermelho (1985) e Meus Vizinhos São Um Terror (1989). Esteve no elenco de Hannah e Suas Irmãs (1986), dirigido por Woody Allen, e atuou ao lado de Billy Crystal e Meg Ryan em Harry e Sally: Feitos Um Para o Outro (1989).

Além de atriz, Carrie Fisher foi uma autora de sucesso. Escreveu o roteiro de Lembranças de Hollywood (1990), adaptado de seu próprio livro. O filme foi dirigido por Mike Nichols e estrelado por Meryl Streep e Shirley MacLaine. Passou anos trabalhando como script doctor, revisando roteiros problemáticos de vários filmes de sucesso – entre eles Mudança de Hábito (1992) e Epidemia (1995). Também foi consultora dos textos lidos nas cerimônias do Oscar.

Sempre espirituosa e bem-humorada, Carrie Fisher publicou, em 2008, o livro Wishful Drinking. Nele, a atriz fala abertamente sobre seu envolvimento com as drogas e o álcool, e sobre ter sido diagnosticada com transtorno bipolar. Carrie nunca considerou a fama antecipada ou o sucesso em Star Wars como causa dos seus problemas pessoais.

“As pessoas querem que eu diga que sinto nojo de interpretar Leia e que isso arruinou minha vida. Se minha vida era tão fácil de arruinar, então merecia ser arruinada”, disse a atriz ao site The Daily Beast.

No dia 23 de dezembro, Carrie Fisher retornava de avião aos Estados Unidos, após a divulgação do seu recém-lançado livro Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher, no Reino Unido. Minutos antes da chegada ao aeroporto, a atriz sofreu uma parada cardíaca. Carrie foi levada para um hospital em Los Angeles, onde permaneceu internada até o dia 27 de dezembro, quando não resistiu a uma segunda parada cardíaca e faleceu, aos 60 anos de idade.

Carrie Fisher voltou a interpretar a Princesa Leia em Star Wars: O Despertar da Força, lançado em 2015. Também concluiu sua participação no oitavo episódio da saga, que chegará aos cinemas em dezembro de 2017. Será a última chance de ver o talento dessa grande artista. Uma mulher que viveu intensamente, enfrentou seus problemas com humor e irreverência e ficará marcada na história do cinema e na memória de uma legião de fãs ao redor do mundo.

Que a Força esteja com você, Carrie Fisher!

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Marcelo Leonel

Sobre Marcelo Leonel

Paulistano, formado em Rádio e TV, apaixonado por cinema e comida mexicana, fã de Star Wars e Harry Potter, planejando dominar o mundo.