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machismo

Na noite de ontem (26) aconteceu o segundo e último dia do festival musical Lollapalooza 2017, em São Paulo. Titi Müller, escalada para apresentar as atrações do Lolla na emissora BIS, surpreendeu a audiência ao criticar ao vivo o DJ Borgore devido ao machismo de suas letras.  O produtor era o próximo a ocupar o palco Perry’s.

Borgore é um DJ israelense que tem alcançado cada vez mais fama. Durante a apresentação, Titi alertou a audiência para o conteúdo machista e misógino de suas letras. A apresentadora citou, para ilustrar a denúncia, o trecho “seja uma vadia, mas antes lave a louça”, presente na música “Act Like a Ho”.

Se procurarmos outras letras do produtor, apenas confirmaremos o que foi denunciado: a maioria de suas músicas tem conteúdo agressivo, que rebaixa e objetifica a mulher. Algumas são desconcertantes demais até para serem transcritas aqui. Vejam alguns exemplos:

I wanna get drunk, I wanna fuck bitches
I want Taylor Swift to send me nude pictures (Last Year)

Borgore is my sugar daddy
No talking, just sucking dick (Syrup)

E é melhor parar por aqui porque só piora.

A maior parte dos sites que noticiaram o fato deram mais importância para a atitude de Titi do que para a denúncia em si, ou colocaram que as músicas do DJ seriam machistas “em sua opinião”. A verdade é que a apresentadora cumpriu um papel importantíssimo ao utilizar sua visibilidade para denunciar um discurso que não deve ser ignorado (e muito menos aplaudido). Machismo não é questão de opinião. Ele mata centenas de mulheres no mundo mensalmente. E as que sobrevivem sofrem abuso de todos os tipos, desde o assédio psicológico e sexual até a falta de reconhecimento no aspecto profissional e humano. Esse tipo de letra, que não é exclusividade de Borgore, contribui para criar uma cultura de abuso em relação a mulher, legitimando esse tipo de violência. Afinal, nesses conteúdos vemos o abuso associado à fama, ao dinheiro e à virilidade, como se a misoginia e o machismo fossem indispensáveis na formação da masculinidade.

O fato de as pessoas e a imprensa ficarem tão impressionados com a atitude de Titi é só mais uma prova de que o machismo continua passando batido, seja nas ruas, nos prédios comerciais, na favela ou em grandes festivais.
Como a própria apresentadora destacou

Tags : BISlollapaloozamachismoTiti Müller
Karina Constancio Sanitá

Sobre Karina Constancio Sanitá

Araraquarense, quase cientista social.

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