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Foto promocional autora JackMichel 3

Na colorida época do Flower Power, Satanás decide visitar o arco-íris psicodélico de Jesus Cristo e, lá chegando, o louro e jovem Jesus hippie, vestido de jeans, conta a ele como faz para fazer o bem vencer o mal. Essa é uma parte do livro Arco-Jesus-Íris, da autora JackMichel, que nos últimos dias, cedeu uma entrevista exclusiva ao Beco Literário, que você pode conferir agora:

Beco Literário: Quando você começou a escrever? Teve incentivo de algum parente próximo ou veio de repente?

JackMichel: Bem… eu despertei para este velho universo “novo” quando passava para a minha fase de adolescência, com uns 12 anos de idade, talvez. Digo universo novo, entre aspas, porque creio que as aptidões que cada ser humano traz em si, sejam dons inatos adquiridos antes do berço e que levamos além do túmulo. Quando comecei a escrever textos de minha autoria tive o apoio entusiástico de Jack, minha irmã e parceira literária. Ela já escrevia antes de mim e, algum tempo depois, nós duas decidimos misturar a purpurina de nossas ideias para dar vida a uma terceira pessoa: a autora JackMichel.

BL: Monteiro Lobato dizia que “Um país se faz com homens e livros”. Você concorda com isso? Acha que o Brasil está incluído nessa concepção, de um país que lê?

JM: Concordo. E, como não, se este pensamento tem um timing incrível? Não é a toa que o Brasil é a pátria de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac! Todos os três integrantes da Tríade Parnasiana liam e eram lidos. Porém o nosso país, hoje mais do que nunca, passa por um processo de retardamento enorme no que concerne a ler livros; processo este que vem do social, passa pelo econômico e descamba no cultural que acaba por destruir o mito do culto às belas-letras. Mas acho mesmo que o hábito da pouca leitura, não é um apanágio só do brasileiro, pois a truculência do mundo atual causa o alheamento que atrofia, atropela e deforma as boas qualidades das pessoas que, ao invés de preferirem segurar um livro entre as mãos, optam por ter um revólver ou uma faca afiada.

BL: Você sempre gostou de ler? Acha que a leitura te ajudou na escrita?

JM: Oh, sim! Gosto de ler como gosto de comer. Brincadeira! As duas palavras são parecidas na fonética, mas o que eu quero dizer de fato é que ambas estas atividades são necessárias a vida do ser humano: uma, nutre o corpo, tornando-o loução… a outra, aprimora a alma, produzindo apuro no intelecto e dando-lhe suportes de finura e saber. Absolutamente, não acho que o apreciável hábito da leitura tenha contribuído no processo de escrita de JackMichel; penso que ler apenas possa mostrar ao escritor o caminho da pena. Se assim não fosse, todos os leitores ávidos seriam escritores de mão cheia.

BL: Você tem uma opinião formada sobre adaptações de livros para o cinema? Alguns gostam, outros não. O que você acha?

JM: Tenho. E, mesmo não agradando a gregos e troianos, vou falar. Acho tal providência muito acertada, se o livro escolhido for fantástico. Na verdade, todas as expressões de arte estão muito próximas umas das outras e não é a toa que as musas da dança, da música, da tragédia e da comédia viviam juntas no monte Olimpo, segundo a mitologia clássica. Com a escrita e o cinema, não é diferente. Alguns dos mais afamados cineastas conheceram seus triunfos servindo-se do conteúdo de obras literárias. Para ilustrar a questão, cito o icônico “O Bebê de Rosemary”, um romance de Ira Levin, publicado em 1967, que teve roteiro escrito pelo seu diretor Roman Polanskyi e é considerado um clássico dos filmes de terror da década de 1960.

BL: Você tem algum livro preferido? Algum que você queira indicar para os leitores do Beco Literário, além dos seus?

JM: Devo dizer que não é fácil preferir um livro a outro, visto que muitos são os volumes de poemas maravilhosos… de romances históricos… de biografias fortes… que deixam marcas fundas em quem os leu. Para quem possui senso artístico apurado, uma obra literária pode significar muito em muitíssimos aspectos da vida. Aos leitores amáveis do Beco Literário, tenho o grato prazer de indicar um livro de contos muito especial chamado Scomparsa D’Angela, de Alessandro Pavolini.

BL: O que você sentiu quando publicou “Arco-Jesus-Íris”?

JM: Provavelmente um misto de satisfação completa pelo fato de publicar meu primeiro livro e pelo fato de sentir que, publicando-o, eu lançava boas sementes no solo arenoso do mundo que tanto carece de bons exemplos para seguir e avistar um prodigioso porvir no seu distante horizonte. Mas, do ponto de vista prático, os elementos corrosivos do mal ainda dão as cartas em detrimento do bem, que é o calcanhar de Aquiles deste planeta que passa por um louco momento de transição.

BL: Do que fala o livro e que tipo de pessoa você buscou atingir?  

JM: Esta obra magnífica de gênio e grandessíssima em concepção textual trata particularmente do perdão exercido entre pessoas que causaram o bem e o mal à humanidade. A parte a extensa dedicatória que permite ao leitor confrontar vultos célebres como Carlos Marighella, Janusz Korczak, Lampião, Chico Xavier… e ver nomes de sicários ao lado de benfeitores que salvaram milhões de vidas: Caryl Chessman, Enriqueta Martí, Alexander Fleming, Howard Florey e Ernst Chain… ou tragédias sinistras entre datas que assinalaram glórias humanas: os incêndios dos edifícios Andraus e Joelma, o sequestro do bebê Lindbergh, a fundação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, etc. Os leitores de mais idade certamente lembrarão dos casos Araceli, Carlinhos e Cláudia Lessin; bem como dos horrendos Assassinatos Mouros. Os mais jovens, por sua vez, poderão tomar conhecimento que tudo isso existiu. Com a criação de “Arco-Jesus-Íris” JackMichel buscou atingir a todos os seres que são humanos, estejam eles no Brasil ou em qualquer parte do mundo.

BL: De onde surgem as histórias de seus livros? Alguns autores dizem que elas simplesmente aparecem, outros sonham com a história, como é com você?

As inspirações para a composição das obras de JackMichel provém de uma faúlha etérea do criador do Universo que, fazendo reverberar o ouro do sol e a prata da lua, também potencializa minha imaginação e a de Jack. Sem dúvida alguma, o estro chega para cada artista das mais diferentes formas, visto que parece sempre ficar pairando no ar; e, quando sente afinidade com a mente de alguém, a penetra. Mais ou menos como a luz, que só precisa atravessar o prisma para formar um feixe multicolorido.

BL: O que você diria para aqueles que querem tentar a carreira de escritor?

JM: Que escrevam seus rascunhos valiosos com a convicção que eles têm valor, e, lembrem-se de que o mundo não se fez do dia para a noite. Paciência é a palavra chave para se alcançar um sonho! Para uma obra literária ser efetivamente grande e vir à tona, antes são necessários muitos aprimoramentos em prol dela. Afinal de contas, não vale a pena correr atrás da borboleta azul que voa a nossa frente, para capturá-la?

BL: O que você pode dizer sobre projetos futuros?

JM: Em termos de projetos para o futuro, JackMichel tem os mais alvissareiros possíveis haja vista os acenos positivos de editoras do exterior para a publicação de suas obras. Partindo desse princípio, as expectativas galopantes para a divulgação e a fama da escritora se ampliam cada vez mais dentro e fora de seu país. Porém, ela não se ufana de tais coisas: quer dar orgulho ao Brasil, por ser brasileira; levando em conta (é claro!) que a pátria de todo artista é o mundo e que, suas obras, são patrimônios da humanidade.

Você pode conferir mais informações sobre “Arco-Íris Jesus” clicando aqui, ou em uma das redes sociais abaixo!

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Tags : Entrevistaentrevistas
Gabu Camacho

Sobre Gabu Camacho

Team Captain e estudante de Jornalismo que lê, escreve, e se ilude com personagens fictícios desde os quatro anos. Usa coroa na rua e chapéu em casa enquanto sofre por antecipação esperando a próxima visita do carteiro. Autor de "O garoto que usava coroa" e "Predestinado".

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