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College: Terminei o ensino médio, e agora?

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O ensino médio é uma época totalmente transitória. Cada série apresenta novos desafios que muitas vezes, nos tiram lágrimas a balde, mas que também, são capazes de nos fazer gargalhar até a barriga doer. É normal sofrer em seu primeiro ano, sentir falta das coisas como eram antes, no fundamental, sentir falta da união da turma, dos velhos amigos, até mesmo dos professores…

Garanto que, senão todos, a maior parte daqueles que estão ou já passaram pelo primeiro ano, tem alguma história “de sofrimento” para contar. De como as coisas mudaram ou pareciam ter perdido o rumo. Se você já passou por este ano de mudanças, deve saber do que estou falando. Se ainda não, saiba que mudanças acontecerão. E não serão poucas, e não serão fáceis. Pode ser que você tire de letra, pode ser que você passe por isso normalmente, pode ser que você até passe por coisas piores… Mas sempre tenha algo em mente: tudopassa. Somos seres transitórios e por mais que a mudança seja dolorida, ela é tão necessária para nós quanto o oxigênio.

Eu, como a maioria dos alunos todos, não via a hora de terminar o ensino médio, e no caso, o técnico também, que era de Informática. Há alguns anos, no final do ensino fundamental, minha professora de português havia nos passado um trabalho de pesquisa, que consistia em procurarmos sobre profissões que gostaríamos de seguir no futuro, para que assim pudéssemos conhecê-las apropriadamente e saber se tínhamos mesmo aquele gosto pelas áreas. Com 13 anos, optei por pesquisar sobre Engenharia, e na época fiquei extremamente desmotivado pela quantidade de cálculo na grade curricular. Até então, eu era péssimo em matemática, tinha que estudar uma semana inteira para conseguir um mísero 5.9 para então ser arredondado para 6. Minha avó até cogitou contratar uma professora particular, amiga dela. A situação era realmente crítica. Desisti da área.

Passei os primeiros anos sem ideia nenhuma de que profissão seguir após o fim do ensino médio. Mas, eu ainda tinha dois anos pela frente. O segundo ano chegou, nada.

Enfim, fiz o ENEM pela primeira vez no último ano, fato que não encorajo nenhum de vocês a fazer – façam como treineiros antes, sério! -, mas tive imprevistos em ambos os anos anteriores, e então ficou um tanto inviável para mim. Foi uma experiência um tanto terrível: sala quente, carteira pequena, dor nas costas, cansaço mental… É uma prova que te vence pelo cansaço. Eu sabia fazer muitas das questões que errei, mas acabei assinalando qualquer coisa porque meu cérebro simplesmente se recusava a ler mais uma linha sequer. Minha nota foi mediana, na casa dos 600, com exceção da redação, cuja avaliação foi um pouco mais avantajada.

Bom, o que eu faria? Havia terminado o ensino médio e então? Não pagaria cursinho, afinal não era meu objetivo central continuar tentando uma determinada escola. Conversei com meus pais, e nós optamos por uma pausa na realidade, o que foi muito bom para mim, como pessoa e estudante. Fiquei seis meses de férias, sonho de qualquer um, né?

Nem tanto. Nesses seis meses, me foquei apenas no inglês, que eu fazia com professor particular desde o primeiro ano do ensino médio. Me formei, e estava vendo todos os meus amigos ingressando em universidades, trabalhando… Ok, mas então você me pergunta: Gabriel, o que você fez depois que se formou em fevereiro? Por que não foi trabalhar?

Não fui trabalhar por um motivo um tanto simples, apesar de bem injusto. Eu completaria 18 anos naquele ano e com isso vem o Alistamento Militar Obrigatório e muitas empresas receiam em contratar os que já estão alistados, porque caso o exército resolva chamá-los para servir, é aplicado uma série de imposições a empresa, como redução da carga horária sem diminuição do salário – apesar de eu ter sabido posteriormente que não era exatamente assim, mas isso era o que me falavam -… Enfim! Nenhum lugar contratava por isso.

E o que eu fiz nesse meio tempo? Eu li uns 27 livros.

Mentira, menos a parte dos livros, eu também usei para pesquisar novas universidades e cogitar todas as minhas opções de maneira bem calma.

Então, para você que está preocupado com seu futuro, tenha calma, paciência e muito discernimento ao tomar suas decisões. Faça um panorama de tudo o que te agrada, mesmo que seja Geografia, e de tudo o que tens dificuldade. Tente passar por cima delas, peça ajuda aos amigos, não tenha vergonha de assumir uma dificuldade que você tem. Todos temos, ninguém é perfeito, mas todos são diferentes. E o que nos diferencia como pessoas é a nossa força de vontade para superar os obstáculos, o nosso querer. O mundo é um livro de distopia cujo heroi é você. Mas este livro, quem decide o que vai acontecer nas próximas páginas, não é um autor onipresente. É o heroi que você decidiu se tornar.

Gabu Camacho

Sobre Gabu Camacho

Team Captain e estudante de Jornalismo que lê, escreve, e se ilude com personagens fictícios desde os quatro anos. Usa coroa na rua e chapéu em casa enquanto sofre por antecipação esperando a próxima visita do carteiro. Autor de "O garoto que usava coroa" e "Predestinado".